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SEMANA CULTURAL DO SERVIDOR

28/10/2011

CINEMA: Os dez clássicos imperdíveis - Marden Machado

01. CIDADÃO KANE
Se você fosse dono de um estúdio ou produtora daria carta branca para um diretor estreante de apenas 25 anos? Isso aconteceu em 1940 quando a RKO contratou Orson Welles e deu-lhe liberdade plena para realizar o que quisesse. Ele nunca tinha feito cinema. Sua experiência vinha da companhia de teatro Mercury, da qual era sócio, e de um programa de rádio. Foi justamente no rádio, em 1937, após uma leitura dramática do livro A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, que ele ganhou fama mundial. A leitura provocou pânico nos Estados Unidos. Muitas pessoas acreditaram que o planeta estava sendo invadido por marcianos. Sem experiência alguma com cinema, Welles tomou a mais sábia das decisões: viu os melhores filmes produzidos até então e se cercou dos melhores profissionais da indústria. Dentre os projetos que tinha em mãos para transformar em filme, optou pela história de um grande magnata das comunicações, inspirada na vida de William Randolph Hearst. Cidadão Kane, lançado em 1941, conta a história de Charles Foster Kane, vivido pelo próprio Welles. Tudo começou com uma seqüência de três minutos que mostra o castelo de Xanadu, residência de Kane. Sem diálogos, apenas uma palavra é ouvida: Rosebud. Ela é pronunciada por Kane segundos antes de ele morrer. Depois, entra em cena um cinejornal. A partir daí, um repórter tenta descobrir quem ou o que seria Rosebub e para tanto, refaz a trajetória de Kane desde sua infância entrevistando pessoas que conviveram com ele. Utilizando uma narrativa não linear, algo novo naquela época, além de diversas inovações técnicas e de iluminação, bem como ângulos de câmera e enquadramentos inusitados, Cidadão Kane estava bem adiante de seu tempo. Claro que nenhuma obra de arte se torna referência de imediato. O filme de estréia de Welles fracassou nas bilheterias e foi massacrado pela crítica. Com o passar dos anos ele começou a ser reavaliado e, gradativamente foi figurando nas listas de melhores filmes de todos os tempos, onde, já há bastante tempo, aparece como o melhor. Aí você pode perguntar: Por que Cidadão Kane é considerado o melhor filme de todos os tempos? Nenhum crítico escolheu sozinho este filme como o maior de todos. Assim como Shakespeare não se tornou o maior dos escritores da noite pro dia e por obra de uma única pessoa. É preciso um consenso baseado em uma série de fatores para que um trabalho artístico ou um artista se torne uma unanimidade. Cidadão Kane é um filme de caráter enciclopédico. Orson Welles condensou aqui tudo de bom que havia sido produzido em termos técnicos e narrativos até aquele momento e foi mais além, incorporando novidades que continuam sendo utilizadas até hoje. A edição especial lançada pela Warner traz um segundo DVD carregado de extras. Cidadão Kane é mais do que obrigatório. É como se fosse o próprio ar para aqueles que amam o cinema e/ou sonham fazer cinema.
CIDADÃO KANE (Citizen Kane - EUA 1941). Direção: Orson Welles. Elenco: Orson Welles, Agnes Moorehead, Dorothy Comingore, Erskine Sanford, Everett Sloane, George Coulouris, Joseph Cotten e Paul Stewart. Duração: 119 minutos. Distribuição: Warner.

02. ROMA, CIDADE ABERTA
Durante os anos de declínio do fascismo, um impulso realista surgiu na literatura e nos filmes italianos. Obsessão, dirigido em 1943 por Luchino Visconti, fez com que alguns cineastas vislumbrassem um novo cinema. Na primavera de 1945, a Itália reconquista sua liberdade. Partidos formam um governo co-aliado e almejam transformar as idéias da esquerda-liberal nas bases de uma nova Itália, renascida. Os cineastas italianos testemunham o que era chamado de “Primavera Italiana”. O “novo realismo” imaginado durante os anos da guerra tinha chegado. O que fez esses filmes parecerem tão realistas? Em parte, o contraste com muitos dos filmes que os precederam. O cinema italiano tinha se tornado conhecido em toda a Europa por conta de seus magníficos estúdios. Mas o maior deles, a Cinecittà, fora bastante danificado durante a guerra e não conseguia suportar mais as grandes produções do passado. Restou aos cineastas filmar nas ruas e no campo. É feito então Roma, Cidade Aberta, filme-marco do novo movimento. Seu diretor, Roberto Rossellini, criou uma trama inspirada em eventos reais e bem recentes. Suas personagens lutam contra as tropas alemãs que ocupam Roma. Confiança e auto-sacrifício unem Manfredi, Francesco, Pina e o padre Don Pietro. Com este importante filme nasceu um novo cinema na Itália e o mundo ganhou um movimento cinematográfico de influência marcante e duradoura: o neo-realismo.
ROMA, CIDADE ABERTA (Roma, Città Aperta - Itália 1945). Direção: Roberto Rossellini. Elenco: Anna Magnani, Aldo Fabrizi, Marcello Pabliero, Harry Feist, Vito Annichiarico e Nando Bruno. Duração: 97 minutos. Distribuição: Versátil.

03. A FELICIDADE NÃO SE COMPRA
O diretor Frank Capra e o ator James Stewart já haviam trabalhado juntos em dois filmes no final dos anos 1930: Do Mundo Nada Se Leva e A Mulher Faz o Homem. A carreira de ambos foi interrompida no início dos anos 1940 por conta da 2ª Guerra Mundial, Capra atuou como documentarista e Stewart como oficial. Quando o conflito acabou, em 1945, o diretor decidiu realizar um filme que exaltasse a vida e a esperança e convidou o amigo ator para estrelá-lo. Capra desenvolveu o roteiro de A Felicidade Não Se Compra (It's a Wonderful Life) baseado no conto O Maior dos Presentes, de Philip Van Doren Stern. O filme conta a história de George Bailey, um jovem da pequena Bedford Falls que sonha em ir embora da cidade, se tornar um grande arquiteto e ganhar o mundo. Porém, uma série de imprevistos vai fazendo com que George nunca consiga sair de lá, até o ponto em que ele, graças a uma ação atrapalhada de seu tio, se desespera completamente e pensa em cometer suicídio por achar que nem deveria ter nascido. Neste ponto, um anjo aparece e mostra a George como seria Bedford Falls se ele não existisse. Quando foi lançado, em 1946, o filme fracassou nas bilheterias. A redenção aconteceu anos depois, graças à televisão, que passou a exibi-lo como filme de Natal. A partir daí, o culto começou. Seria muito simplista classificar A Felicidade Não Se Compra somente como um "filme de Natal". Trata-se de um forte drama que sintetiza a visão de mundo e o cinema de Frank Capra, um diretor que sempre acreditou que um indivíduo puro de coração pode enfrentar o mundo e suas dificuldades e fazer a diferença. É aquele tipo raro de filme que consegue nos fazer acreditar, com o perdão do trocadilho com o título original, que a vida é realmente maravilhosa.
A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (It's a Wonderful Life - EUA 1946). Direção: Frank Capra. Elenco: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore, Thomas Mitchell e Harry Travers. Duração: 130 minutos. Distribuição: Versátil e Paramount.

04. CANTANDO NA CHUVA
Não é todo mundo que gosta de musicais. O argumento mais utilizado é que se trata de um gênero "irreal", uma vez que ninguém sai por aí cantando. Eu discordo. Duvido que alguém, algum dia, não tenha cantarolado uma música qualquer para expressar um momento de felicidade. O filme Cantando na Chuva fala essencialmente de amor, esse sentimento mágico que faz com que as pessoas cantem de alegria. Além disso, o filme trata também de um momento crucial da história do cinema. Não conheço outra obra que mostre tão bem como foi a transição do cinema mudo para o cinema falado. Neste ponto, o filme dirigido por Stanley Donen e Gene Kelly nos presenteia com uma verdadeira aula ao retratar de maneira ágil, inteligente e engraçada como foram absorvidas pela indústria hollywoodiana as transformações advindas com o som. Sem esquecer, é claro, três momentos de sublime magia que só o cinema é capaz de proporcionar: Donald O'Connor cantando Make 'em Laugh; Gene Kelly cantando na chuva (no caso, uma chuva de água misturada com leite) e a seqüência final com a "dublagem" de Debbie Reynolds. Depois de vê-lo, talvez você continue não gostando de musicais, mas, dificilmente ficará indiferente a este filme.
CANTANDO NA CHUVA (Singing in the Rain – EUA 1952). Direção: Stanley Donen e Gene Kelly. Elenco: Gene Kelly, Debbie Reynolds, Donald O’Connor, Jean Hagen e Millard Mitchell. Duração: 102 minutos. Distribuição: Warner.

05. O HOMEM QUE SABIA DEMAIS
Alfred Hitchcock costumava contar uma história para ilustrar a diferença entre susto e suspense. Imagine uma cena com um grupo de pessoas em uma sala de reuniões. De repente, uma bomba explode. Isto é um susto. Imagine agora a mesma cena com uma pequena diferença: alguém coloca uma bomba debaixo da mesa antes de as pessoas entrarem na sala para a reunião. Você sabe que a bomba vai explodir a qualquer momento. As pessoas que estão na sala não sabem e você não pode fazer nada para avisá-las. Isto é suspense. Esta história resume bem porque Hitchcock é respeitado até hoje como o grande mestre do suspense. Em seus filmes, ele sempre nos apresenta previamente todas as informações que necessitamos para acompanhar a trama, roendo as unhas, é claro. O Homem Que Sabia Demais, versão de 1956, é uma refilmagem da versão inglesa de 1934, dirigida pelo mesmo diretor. Já nos créditos de abertura, Hitchcock nos dar a primeira dica ao mostrar uma orquestra sinfônica. Depois aparece uma frase que diz: "como um estalar de pratos mexeu com a vida de uma família americana" e o filme começa. Somos apresentados aos McKenna, que estão em férias no Marrocos. Em uma seqüência magistralmente bem dirigida que termina com a morte de uma personagem, o doutor McKenna (James Stewart) fica sabendo de um complô para assassinar um estadista em Londres. A situação está criada e o suspense só aumenta até o final espetacular que tem ligação direta com aqueles pratos da orquestra sinfônica citados na frase do começo do filme. Hitchcock sabia muito bem como tecer uma trama e nos envolver nela inteiramente. Qualquer filme seu é uma aula de cinema. E antes que eu me esqueça, ainda temos o bônus de ver a bela Doris Day, a senhora McKenna, cantando "Que Sera, Sera".
O HOMEM QUE SABIA DEMAIS (The Man Who Knew Too Much - EUA 1956). Direção: Alfred Hitchcock. Elenco: James Stewart, Doris Day, Bernard Mills, Daniel Gélin e Brenda De Banzie. Duração: 120 minutos. Distribuição: Universal.

06. MORANGOS SILVESTRES
Poucos cineastas conseguiram entender e retratar a alma humana como o sueco Ingmar Bergman. Sua extensa filmografia, principalmente a partir da segunda metade dos anos 1950, comprova isso. Bergman, também autor de seus roteiros, nunca era superficial. Suas histórias costumam abordar temas complexos, que são tratados com profundidade, porém, imageticamente e estruturalmente bem construídos, o que proporciona sempre uma obra cinematográfica repleta de belezas e riquezas simbólicas incomparáveis. O filme Morangos Silvestres é o mais próximo de um road movie que Bergman poderia realizar. Nele acompanhamos o Dr. Isak Borg (Victor Sjöström), que se dirige à Universidade de Lund para receber um título honorário. No trajeto, ele relembra as alegrias e tristezas de sua vida. Pesadelos recorrentes trazem à tona a proximidade da morte, além de lembranças e escolhas feitas no passado. Frio e isolado de todos, Borg é um velho no sentido mais amplo da palavra. Não é só seu corpo que está marcado pela passagem do tempo. Sua alma envelheceu muito mais. Na verdade, Bergman fez uso do filme para exorcizar alguns fantasmas de seu próprio passado, principalmente a difícil relação que teve com o pai, aqui representado na figura do professor. Bergman fez isso em quase todos os seus filmes e um diretor que realiza uma obra inteira de autoanálise e mesmo assim consegue tocar a alma das outras pessoas é, no mínimo, um gênio.

MORANGOS SILVESTRES (Smultronstõllet - Suécia 1957). Direção: Ingmar Bergman. Elenco: Victor Sjöström, Bibi Andersson, Ingrid Thulin, Max Von Sydow, Folke Sundquist, Gunnar Björnstrand e Bjorn Bjelvenstam. Duração: 95 minutos. Distribuição: Versátil.

07. QUANTO MAIS QUENTE MELHOR
O austríaco Billy Wilder talvez tenha sido o mais versátil dos diretores da velha Hollywood. Ele migrou para os Estados Unidos nos anos 1930 e começou a carreira como roteirista. Entre 1942 e 1964 ele escreveu e dirigiu 20 filmes, todos muito bons e bem variados. Wilder gostava de "brincar" com os gêneros cinematográficos e Quanto Mais Quente Melhor, de 1959, é o exemplo mais bem acabado dessa "brincadeira". O filme conta a história de dois músicos, vividos pelos atores Jack Lemmon e Tony Curtis, que presenciam um crime. Para não serem mortos, os dois se vestem de mulher e entram para uma banda de música composta só por mulheres. Lemmon se transforma em Daphne e Curtis em Josephine. A brincadeira com gêneros, tão cara à carreira de Wilder, chega agora, literalmente, ao gênero humano. Para complicar mais as coisas, uma das colegas de banda dos rapazes é ninguém menos que Marilyn Monroe, a Sugar Kane, que já havia trabalhado com Wilder em outro grande filme, O Pecado Mora ao Lado (aquele da clássica cena do vestido que sobe). Tudo em Quanto Mais Quente Melhor funciona à perfeição. Direção precisa, roteiro criativo e elenco mais que afinado. A seqüência final do filme é um caso à parte. Para mim, Quanto Mais Quente Melhor tem o melhor diálogo que eu já escutei em um encerramento de filme. Uma conversa entre as personagens de Daphne e Osgood (Joe E. Brown) que é a maior prova que eu já vi de um amor incondicional.
QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (Some Like it Hot - EUA 1959). Direção: Billy Wilder. Elenco: Jack Lemmon, Tony Curtis, Marilyn Monroe e Joe E. Brown. Duração: 121 minutos. Distribuição: Fox.

08. OS INCOMPREENDIDOS
Por mais radical e paradoxal que pareça, não conheceríamos o cinema clássico hollywoodiano nem muitos cineastas americanos respeitados hoje, se não fosse a revista francesa Cahiers Du Cinéma, criada em 1951, pelo crítico e estudioso da Sétima Arte André Bazin. O objetivo do periódico era permitir a livre expressão de idéias sobre a arte cinematográfica. Diretores como John Ford, Billy Wilder, Alfred Hitchcock e Howard Hawks, além de muitos outros, tiveram seus trabalhos analisados e valorizados nos textos da Cahiers. Éric Rohmer, Jacques Rivette, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol e François Truffaut foram colaboradores da revista. Esse pequeno grupo de apaixonados por filmes e descontentes com os rumos que a produção de cinema tomava na época, aceitaram o desafio proposto por Bazin e decidiram eles mesmos fazer seus filmes. Nascia aí aNouvelle Vague, a "nova onda", um movimento que modificou as regras existentes de narrativa cinematográfica e influenciou jovens cineastas em todo o mundo. Os Incompreendidos, dirigido em 1959 por François Truffaut, é um dos pioneiros desse movimento. De forte caráter autobiográfico, o filme de Truffaut nos apresenta a personagem de Antoine Doinel, interpretada por Jean-Pierre Léaud, alter ego do diretor. Filho de pais ausentes, o garoto Antoine faz de tudo para chamar a atenção. A abordagem de Truffaut nunca é maniqueísta. A história é contada com criatividade, sinceridade e, principalmente, humanidade. Antoine Doinel, sempre vivido pelo ator Jean-Pierre Léaud, apareceu novamente em diferentes momentos de sua vida: no curtaAntoine e Colette (que consta desta caprichada edição especial) e em três longas (Beijos Proibidos, Domicílio Conjugal e O Amor em Fuga, todos lançados pela Versátil).
OS INCOMPREENDIDOS (Les 400 Coups - França 1959). Direção: François Truffaut. Elenco: Jean-Pierre Léaud, Claire Maurier, Albert Rémy, Guy Decomble, Patrick Auffay, Georges Flamant, Daniel Couturier e Michel Girard. Duração: 100 minutos. Distribuição: Versátil.

09. O PODEROSO CHEFÃO

"Eu acredito na América. A América fez minha fortuna". Esta é a primeira frase que ouvimos em O Poderoso Chefão. Ela sai da boca de Bonasera (Salvatore Corsitto), que está diante de Don Corleone (Marlon Brando) para pedir sua ajuda. Boa parte dos textos sobre esta obra-prima do cinema utiliza esta frase. É quase um clichê. Mas é difícil escapar dela. Afinal, o poder de síntese que ela carrega é imenso. São apenas dois pronomes, dois verbos e dois substantivos. Mas, está tudo lá. Escrever sobre O Poderoso Chefão é fácil e difícil ao mesmo tempo. Eu poderia simplesmente dizer: não leia nada, alugue logo o filme e comece a assisti-lo. Essa é a parte fácil. Resumir em poucas palavras a grandiosidade desse verdadeiro marco cinematográfico, isso é bem difícil. Francis Ford Coppola fez parte de uma geração de cineastas americanos que se formou em cinema. Ele foi o primeiro dessa turma a se destacar. Influenciado pelaNouvelle Vague francesa, Coppola sonhava em realizar filmes autorais e ter independência criativa. Dirigir um filme como este era tudo o que ele não queria. Mas os sonhos custam caro e Coppola estava sem dinheiro e sem perspectiva. O convite para dirigir O Poderoso Chefão, baseado no best-seller de Mario Puzo, surgiu porque o produtor acreditava que a "herança italiana" de Coppola serviria bem ao projeto. Foi George Lucas que o convenceu a aceitar o trabalho e o resto é uma longa história, que pode ser conferida em detalhes nos extras do filme. Coppola fez de sua saga sobre uma família de mafiosos uma rica e complexa metáfora da América. Tudo, sem exagero, absolutamente tudo em O Poderoso Chefão é perfeito. E pensar que as matrizes deste filme quase foram perdidas. Foi graças a Steven Spielberg que elas foram salvas e restauradas. Tudo aconteceu quando a Dreamworks, estúdio de Spielberg, foi comprado pela Paramount. Coppola pediu ao amigo que fizesse alguma coisa para resgatar os originais e por conta dessa ação, o filme foi inteiramente restaurado. Por falar nisso, essa é a cópia que deve ser vista, a restaurada e que leva a assinatura de Coppola na capa.


O PODEROSO CHEFÃO (The Godfather - EUA 1972). Direção: Francis Ford Coppola. Elenco: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire, John Cazale, Richard Castellano, Sterling Hayden, John Marley, Al Lettieri, Richard Conte e Salvatore Corsitto. Duração: 177 minutos. Distribuição: Paramount.

10. CIDADE DE DEUS

Muito já foi dito e escrito sobre este filme. Não vou chover no molhado. Apenas, uma breve recapitulação. Baseado no livro escrito por Paulo Lins e com roteiro de Bráulio Mantovani, Cidade de Deus foi um divisor de águas no cinema brasileiro da retomada. Fernando Meirelles, egresso da televisão e da publicidade, havia dirigido, até aquele momento, dois bons longas, Menino Maluquinho 2 e Domésticas. Aqui ele revela uma maturidade técnica e narrativa impressionantes. O filme começa na segunda metade dos anos 1960, pouco depois do desmembramento de uma região de Jacarepaguá, onde foi construído um conjunto habitacional que recebeu o nome de Cidade de Deus. Meirelles utilizou moradores da favela, que receberam um treinamento especial conduzido por Fátima Toledo. Ele não queria rostos conhecidos do grande público. A única exceção foi Matheus Nachtergaele. A história se estende por cerca de 15 anos, até o início dos anos 1980. Com uma construção não-linear, acompanhamos sem nunca perder o foco, a trajetória de diversas personagens, em especial, a do jovem Buscapé (Alexandre Rodrigues) e também, claro, a de Dadinho/Zé Pequeno (Douglas Silva/Leandro Firmino). Fora do Brasil, a repercussão foi fenomenal, o que fez com que o filme fosse indicado a quatro Oscar em 2004: melhor direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem. Cidade de Deus é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes filmes da história do cinema brasileiro. Uma obra-prima criativa, pulsante, influente, arrebatadora, obrigatória e inesquecível.


CIDADE DE DEUS (Brasil 2003). Direção: Fernando Meirelles. Elenco: Alexandre Rodrigues, Daniel Zettel, Douglas Silva, Jonathan Haagensen, Leandro Firmino, Phelipe Haagensen, Roberta Rodrigues e Matheus Nachtergaele. Duração: 130 minutos. Distribuição: Imagem.



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