Secretaria de defesa civil manual de planejamento em defesa civil



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5 - Atendimento Médico-Cirúrgico de Urgência

  • Generalidades

Por se tratar de assunto altamente especializado, o planejamento da mobilização dos hospitais de apoio é desenvolvido nos Manuais de Medicina de Desastre.

O planejamento dos hospitais para atuarem em circunstâncias de desastres compreende dois tipos de plano:

  • Plano de Mobilização Hospitalar;

  • Plano de Segurança Hospitalar.

O plano de mobilização hospitalar tem por objetivo otimizar o atendimento às vítimas de grandes desastres ocorridos na região de influência do hospital.

O plano de segurança hospitalar tem por objetivo reduzir os efeitos de um sinistro ocorrido nas próprias dependências do hospital.

  • Planejamento de Muito Grande Prazo na Europa

Desde sua concepção, os hospitais devem ser planejados para atender com grande eficiência às emergências médico-cirúrgicas do dia-a-dia e em circunstâncias de grandes desastres.

A grande maioria dos países europeus, durante a década de 80, concluiu seus planos federais de atendimento às emergências médico-cirúrgicas. Segundo estes planos, qualquer emergência médico-cirúrgica que ocorresse nesses países estaria, no máximo:

  • a cinco minutos de uma muda de ambulância periférica;

  • a cinqüenta quilômetros de um hospital de apoio, cujos Compartimentos de Emergência e Sistema de Tratamento Intensivo foram totalmente modernizados.

Na década de 90 está se buscando reduzir para 30 km a distância entre o local do acidente e o hospital de apoio.

A seleção de hospitais para promover convênios com o Sistema Federal de Apoio às emergências médico-cirúrgicas é muito rígida e os hospitais selecionados podem ser:

  • civis, militares ou religiosos;

  • federais, estaduais, municipais ou universitários;

  • públicos, privados ou de fundações de utilidade pública.

Os recursos utilizados na modernização são federais e geridos pelo Ministério da Saúde. As indenizações pelos atendimentos médico-cirúrgicos de emergência são realizadas pelas companhias de seguro privadas, pelos fundos de seguro público e pelo seguro obrigatório incluído no imposto anual de veículos automotores - IPVA.

Na Alemanha, as unidades de helicópteros de EVAM das Forças Armadas participam das atividades de evacuação, mediante convênio com o Programa Federal. Da mesma forma, os cirurgiões militares mantêm seu adestramento participando de plantões semanais, nas Unidades de Emergência do Sistema.

  • Justificativa para a Implementação do Programa no Brasil

Um programa estratégico de modernização de Compartimentos de Emergência, Sistemas de Terapia Intensiva e de Meios Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento, em hospitais gerais brasileiros selecionados para participar do programa, é plenamente justificável.

As emergências traumáticas são a terceira causa de morbimortalidade no Brasil e, caso continuem mantendo a mesma tendência de incremento, podem passar a ser a segunda causa. No grupo etário de zero a quarenta anos, os traumatismos são a maior causa de mortalidade e de incapacitações definitivas.

A grande maioria dos pacientes com problemas cardiocirculatórios, primeira causa de morbimortalidade, adentra nos hospitais, por intermédio de suas Unidades de Emergência. Também os pacientes com emergências neurológicas adentram nos hospitais por intermédio dessas Unidades.

A população brasileira está pagando altos dividendos, em termos de crescimento de taxas de mortalidade e de invalidez, em função do despreparo, da falta de modernização e do sucateamento das Unidades de Emergência da grande maioria dos hospitais gerais do País.

O Programa de Modernização do Atendimento médico-cirúrgico de emergência não pretende modernizar toda a estrutura da totalidade dos hospitais brasileiros, mas apenas:

  • o Compartimento de Emergência;

  • o Sistema de Tratamento Intensivo;

  • os meios auxiliares de diagnóstico e de tratamento de maior importância para as condutas de emergência;

  • os setores de Pronto-Atendimento dos Compartimentos de Pacientes Externos (ambulatórios).

Considerando a hipótese de que, no ano 2005, a população brasileira será de 193.574.540 habitantes, caso continue crescendo na mesma proporção do último decênio e que deve-se planejar uma Unidade de Emergência para cada 350.000 habitantes, seria necessário que 553 hospitais brasileiros fossem modernizados.

Isto permitiria uma meta de 92 hospitais modernizados por ano, num prazo de 6 (seis) anos. Esta meta é compatível, viável e politicamente defensável, já que permitiria resgatar uma imensa dívida social e aumentar as expectativas de vida e o bem-estar social da população brasileira.

Por se tratar de assunto altamente especializado, o planejamento do Compartimento de Emergência e do Sistema de Tratamento Intensivo não será desenvolvido neste manual. Compete informar que, no Brasil, existem numerosos técnicos plenamente capacitados para planejar, em detalhes, o Compartimento e o Sistema.

  • Complementação do Programa

É necessário que o Programa de Modernização seja complementado por:

  • eficientes Subsistemas de Atendimento Pré-Hospitalar - APH;

  • centros de comunicações em condições de desencadear as situações de alerta e apoio aos Comandos Unificados de Operações de Saúde;

  • uma eficiente difusão dos programas de mobilização hospitalar, em circunstâncias de desastres, e do planejamento da segurança hospitalar contra sinistros na própria instituição;

  • um bem estruturado programa de desenvolvimento de recursos humanos, para a área de emergência médico-cirúrgicas e de atendimento aos traumatizados;

  • um plano de incentivos aos seguros privados, relacionados com o tratamento de emergências médico-cirúrgicas.

TÍTULO V

ASSISTÊNCIA ÀS POPULAÇÕES AFETADAS


1 - Generalidades

As populações afetadas pelos sinistros muitas vezes necessitam de assistência do SINDEC, até que se restabeleça a situação de normalidade.

As atividades gerais de assistência às populações afetadas por desastres compreendem ações relacionadas com:

  • atividades logísticas;

  • assistência e promoção social;

  • promoção, proteção e recuperação da saúde.

2 - Atividades Logísticas

  • Introdução

Dentre as principais atividades logísticas relacionadas com o gerenciamento dos desastres e com a assistência às populações afetadas, destacam-se as seguintes:

  • suprimento de água potável;

  • provisão de alimentos;

  • suprimento de material de estacionamento, como barracas, redes, colchonetes, roupa de cama, travesseiros e utensílios de copa e cozinha;

  • suprimento de roupas, agasalhos e calçados;

  • suprimento de material de limpeza e higienização;

  • administração geral de abrigos provisórios;

  • prestação de serviços gerais, como lavanderia, banho, preparação e conservação de alimentos;

  • apoio logístico às equipes técnicas empenhadas.

  • Suprimento de Água Potável

A água potável é um item crítico de suprimento, tanto nas secas como nas inundações. Quando a água destina-se ao uso humano, ela deve ser potável.

1 - Demanda

Em circunstâncias de desastres, as necessidades de água potável para bebida, higiene pessoal e preparação de alimentos podem ser as seguintes:

em hospitais...................................

40/60 litros / pessoa / dia

em centro de alimentação..............

20/30 litros / pessoa / dia

em acampamentos e abrigos
temporários..........................................


15/20 litros / pessoa / dia

2 - Fontes de Água

Em circunstâncias de desastres, devem ser investigadas e utilizadas as seguintes fontes de água:

  • Sistemas Públicos: quando esses sistemas são danificados pelos desastres, a primeira providência é recuperá-los e colocá-los em condições de uso. Muitas vezes são feitas instalações provisórias para substituir temporariamente as danificadas. Em circunstâncias de inundações, a pressão da água nos encanamentos deve ser aumentada, para evitar infiltrações por refluxo, e a concentração do cloro aumentada, para proteger o sistema de contaminações;

  • Sistemas Particulares: sistemas particulares de indústrias e fazendas podem ser utilizados, tendo-se o cuidado de garantir a potabilidade da água fornecida;

  • Poços rasos, cisternas e cacimbas: a água de poços, cisternas e cacimbas também pode ser utilizada, desde que se assegure a potabilidade da mesma;

  • Água de Superfície: a água de superfície, como a de rios e açudes, só pode ser distribuída à população após desinfetada.

3 - Desinfecção da Água

A água deve ser desinfetada para eliminar microorganismos causadores de doença (patogênicos). A desinfecção da água em situações de emergência é feita por:

  • cloração;

  • fervura e aeração.

A cloração da água pode ser feita utilizando-se solução de hipoclorito de sódio, hipoclorito de cálcio, cal clorada (cloreto de cal) ou água sanitária, de forma a se obter uma concentração de cloro residual de 0,2 a 0,5 mg/litro.

A população deve ser educada para ferver e aerar todas as águas suspeitas antes de consumi-las.

4 - Filtração de Água

Existem equipamentos móveis e portáteis de filtração de água, normalmente à base de filtros rápidos ou de filtros de pressão. Estes equipamentos costumam estar disponíveis em Unidades do Exército, especialmente de engenharia e em órgãos do Ministério da Saúde.

5 - Armazenamento da Água

Devem ser construídos tanques para armazenar água para situações de emergência. Em princípio, a capacidade de armazenamento deve ser suficiente para 24 horas de consumo. Desta forma, para armazenar água para 1.000 pessoas é necessária uma cisterna com 20 metros cúbicos, equilavendo a 3 (três) viaturas-cisternas de 7.000 litros.

6 - Distribuição

Quando o sistema público não tem condições de suprir a população, a distribuição de água é feita por intermédio de viaturas-cisternas, devendo-se assegurar a potabilidade da água distribuída.

As viaturas-cisternas podem ser da própria prefeitura, do corpo de bombeiros, das Forças Armadas ou contratadas com particulares.

7 - Testes Improvisados de Potabilidade

Na ausência de facilidades de laboratório, são realizados os seguintes testes simplificados:

  • Cloro Residual: enche-se um copo branco e limpo com água, até um terço de sua capacidade, pinga-se de 15 a 20 gotas de ortotoluidina, verifica-se a cor: branca (ausência de cloro; amarelo-canário (cerca de 0,5 mg/l de cloro residual); amarelo intenso (cerca de 1,0 mg/l de cloro residual); amarelo alaranjado (mais de 1,0 mg/l de cloro residual - acima do necessário);

  • pH: enche-se um copo branco e limpo com água, até um terço de sua capacidade, pinga-se 4 gotas de azul de burmotinol, verifica-se a cor: azul-escuro (7,6 - reação alcalina); azul-claro (7,0 - reação neutra); verde (6,8 - reação moderadamente ácida); esverdeado (6,0 - reação ácida).

  • Provisão de Alimentos

1 - Generalidades

A fome e a desnutrição (hiponutrição) caracterizam um importante desastre humano, normalmente de evolução gradual e insidiosa, com tendência para a cronificação e que atinge a aproximadamente 25% da humanidade.

A fome é provocada pela carência de alimentos, afetando um grande número de pessoas. Pode apresentar ciclos de agudização, correspondendo a desastres secundários, ao complicar:

  • secas intensas;

  • inundações com destruição da safra ainda não colhida ou de estoques de alimentos armazenados;

  • pragas de insetos, como gafanhotos;

  • processos de desertificação e de salinização do solo;

  • conflitos sociais e guerras de desgaste, como as que vêm assolando Angola e Moçambique, nestes últimos anos.

2 - Ocorrência

A fome é um problema de âmbito global, atingindo todos os continentes e, com maior intensidade, países em desenvolvimento da África subsaárica e países superpovoados da Ásia, como Bangladesh.

Em menores proporções, a fome flagela também países do Caribe, da América Central, da América do Sul e da Oceania.

Mesmo os países desenvolvidos da América do Norte e da Europa não são totalmente imunes à fome.

No Brasil existe fome, especialmente em épocas de crise no semi-arido nordestino e em muitos bolsões de pobreza que se desenvolvem em numerosas cidades.

São mais vulneráveis à fome:

  • os países pouco desenvolvidos;

  • os estratos populacionais marginalizados economicamente;

  • as crianças, idosos, enfermos e deficientes físicos.

3 - Danos

A fome e a desnutrição contribuem para aumentar os índices de morbilidade e de mortalidade, especialmente os de mortalidade infantil.

De uma forma específica, a desnutrição contribui para a redução da:

  • resistência imunitária, aumentando a vulnerabilidade para doenças infecto-contagiosas;

  • pressão osmótica e oncótica, aumentando a vulnerabilidade para a desidratação;

  • estatura e da massa muscular, especialmente quando atuam cronicamente;

  • capacidade intelectual, especialmente quando ocorre na primeira infância;

  • capacidade laborativa e produtiva dos estratos populacionais afetados.


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