Secretaria de defesa civil manual de planejamento em defesa civil



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Companhias Independentes de Saúde

As Companhias Independentes de Saúde foram concebidas como Unidades Táticas do Serviço de Saúde, responsáveis pelo atendimento pré-hospitalar - APH, tanto em situações de rotina, como em circunstâncias de desastres.

No Brasil, a tendência é para que estas Unidades tenham estrutura militar e sejam subordinadas aos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados.

É desejável que estas Unidades Independentes sejam comandadas por oficiais superiores do quadro de médicos e tenham a seguinte organização geral:

  • 1 (uma) Seção de Comando;

  • 2 (dois) ou mais Pelotões de Ambulâncias;

  • 1 (um) Pelotão de Padioleiros e Socorristas;

  • 1 (um) Pelotão de Socorro e Triagem;

  • 1 (um) Pelotão de Serviços.

Quando a Companhia é responsável pelo APH de uma extensa área do interior do Estado, pode ser dotada de uma Seção de Helicópteros ou de Aviões Leves.

O Quadro de Dotação de Efetivos da Unidade é constituída por:

  • Oficiais médicos, enfermeiros, combatentes e do quadro auxiliar;

  • Subtenente e Sargentos especialistas de saúde (técnico ou auxiliar de enfermagem), de manutenção e de serviços gerais;

  • Cabos e Soldados motoristas de ambulância, socorristas, padioleiros, auxiliares de saúde, de manutenção e de serviços gerais.

Requisitos para Integrarem a Unidade

Todos os integrantes da Unidade, inclusive o pessoal de manutenção e de serviços gerais, devem ter o Curso Básico de Primeiros Socorros, com 45 (quarenta e cinco) horas de duração, correspondendo a três créditos de 15 (quinze) horas.

Todos os cabos e soldados especialistas de saúde e os motoristas devem ter o Curso Avançado de Primeiros Socorros, com 150 (cento e cinquenta) horas de duração, correspondendo a dez créditos de 15 (quinze) horas.

Todos os sargentos especialistas de saúde e os oficiais combatentes pilotos de helicópteros ou aviões leves devem ter o Curso Técnico de Atendimento Pré-Hospitalar, com 600 (seiscentas) horas de duração, correspondendo a quarenta créditos de 15 (quinze) horas.

Os médicos e enfermeiros de nível superior devem ter, no mínimo, uma experiência de dois anos em Unidades de Emergência.

  • Competências e Atribuições das Diferentes Equipes, Unidades e Instalações

Nos desastres de grandes proporções, as Unidades Independentes de Saúde deslocam-se com todos os seus meios e assumem o atendimento pré-hospitalar, a partir do próprio cenário do desastre. Nestas condições, cada uma das equipes assume as seguintes competências:

1 - Equipes de Socorristas

  • acompanhar as equipes de busca e salvamento;

  • abordar e examinar os feridos, evitando manobras intempestivas;

  • quando necessário, fazer a reanimação cardiorrespiratória básica (massagem cardíaca externa e respiração boca-a-boca);

  • instalar o colar cervical todas as vezes que se suspeitar fratura da coluna cervical ou que o paciente apresente traumatismos acima da linha biclavicular;

  • proceder a três medidas salva-vidas, que são: estancar a hemorragia, proteger o ferimento e prevenir o choque;

  • registrar os procedimentos na ficha de evacuação, que é fixada no ferido, em local bem visível;

  • indicar a direção do Posto de Socorro para os que podem deambular;

  • assinalar, para a equipagem de padioleiros, o local onde permanecerá o ferido incapaz de deambular.

2 - Equipes de Padioleiros

  • revisar e complementar os procedimentos anteriores;

  • suspeitar fraturas e realizar imobilizações temporárias;

  • suspeitar fraturas de coluna vertebral e, em especial, da coluna cervical;

  • colocar, sempre que suspeitar lesão de coluna alta, o colar cervical;

  • colocar o paciente, com o mínimo de mobilização possível, sobre a padiola, em decúbito dorsal, e fixá-lo cuidadosamente, com ligeira extensão da coluna lombar e da coluna cervical, sempre que suspeitar lesão da coluna vertebral;

  • revisar a ficha de evacuação e registrar novos procedimentos;

  • entregar aos socorristas todo o material de saúde consumido pelos mesmos no atendimento (ressuprimento automático);

  • transportar cuidadosamente os pacientes em padiolas, até o local onde os mesmos embarcarão nas ambulâncias (Postos de Socorro);

  • entregar o paciente no Posto de Socorro e receber todo o material de saúde consumido no mesmo (ressuprimento automático).

Quando o terreno é regular, a equipagem de padioleiros se distribui em retângulo, de forma que cada padioleiro segura firmemente uma das empunhaduras da padiola.

Quando o terreno é irregular, a equipagem de padioleiros se distribui em losango, de forma que, se um padioleiros escorregar, os demais mantêm a padiola em posição, sem risco de queda.

Os padioleiros não devem se deslocar como se estivessem marchando, com o passo certo, para evitar que a padiola passe a trepidar sincronicamente.

3 - Grupo de Posto de Socorro e de Ponto de Embarque de Ambulância

O grupo é comandado por médico com experiência em emergências médico-cirúrgicas e o pessoal que atua na unidade deve estar muito bem adestrado. Compete ao grupo de posto de socorro:

  • instalar e operar o Posto de Socorro em local favorável à manobra das ambulâncias;

  • receber os feridos, examiná-los e complementar os procedimentos anteriores;

  • quando os pacientes se apresentarem espontaneamente ao Posto ou chegarem transportados por leigos, realizar todos os procedimentos já especificados anteriormente;

  • aprofundar o exame clínico, verificar e registrar as constantes biológicas, como pulso, pressão e movimentos respiratórios, estimar a volemia (volume do sangue circulante), examinar os estados de consciência e a resposta à estimulação neurológica;

  • quando indicado, restabelecer as constantes respiratórias, iniciar a ventilação pulmonar, restabelecer a volemia, funcionando veia periférica com catéter de grosso calibre e instalando a solução de Ringer Lactato (2 a 3 litros na primeira hora);

  • realizar a triagem das vítimas, classificá-las e definir prioridades para o atendimento e evacuação;

  • revisar a ficha de evacuação e registrar novos procedimentos;

  • supervisionar o embarque dos feridos nas unidades móveis;

  • documentar as atividades da instalação;

  • funcionar como ponto de distribuição de material de primeiros socorros, ressuprindo automaticamente os padioleiros e, por intermédio destes, os socorristas.

4 - Tripulações das Unidades Móveis

As tripulações das unidades móveis são altamente qualificadas e têm um grau de adestramento semelhante ao do pessoal de Posto de Socorro.

Todas as vezes que condutas invasivas se tornam necessárias, no mínimo uma tripulação deve ser constituída por médico e enfermeira.

Nos atendimentos das emergências médico-cirúrgicas do dia-a-dia, compete às tripulações das unidades móveis:

  • executar todos os procedimentos já descritos, no caso de desastres de pequeno porte;

  • embarcar e transportar os feridos nas unidades móveis, dentro de normas estritas de segurança de tráfego;

  • manter a continuidade do atendimento, durante a evacuação;

  • garantir a admissão dos pacientes, em condições de viabilidade, nas Unidades de Emergência dos Hospitais de Apoio.

Nos desastres de pequenas proporções, as tripulações das ambulâncias devem ter condições para realizar, com ou sem supervisão médica, todas as tarefas previstas para as equipes estudadas anteriormente.

5 - Equipe Avançada de Saúde

Equipe que se desloca pelo meio mais rápido possível, até o local do desastre, faz rapidamente o “estudo de situação” e assume o comando dos meios de saúde locais e dos reforços, até que seja substituída ou incorporada pelo Comando Unificado de Saúde.

Para cumprir plenamente suas atribuições, a Equipe Avançada de Saúde deve ser apoiada com meios de comunicações adequados.

6 - Postos de Triagem

A instalação de um Posto de Triagem só se justifica:

  • nos desastres de grandes proporções e com grande número de feridos, como desastres ferroviários, envolvendo composições de transporte de passageiros;

  • em desastres ocorridos em áreas remotas, com estrutura hospitalar deficiente e grandes distâncias de evacuação;

  • em desastres em minas subterrâneas, quando os acidentados são recuperados em condições de saúde extremamente precárias e não se dispõe de um bom hospital de apoio nas proximidades.

Nessas condições, o Posto de Triagem:

  • centraliza o atendimento pré-hospitalar e as atividades de triagem;

  • libera a cadeia de evacuação de feridos leves, que são tratados ambulatorialmente e liberados após observação;

  • recupera e estabiliza as constantes biológicas dos pacientes, em situação de risco, antes de evacuá-los;

  • classifica os pacientes que, por seu estado geral, são considerados como intransportáveis a grandes distâncias por ambulâncias terrestres;

  • dá destino alternativo aos pacientes intransportáveis, mediante evacuação aeromédica ou atendimento em Hospitais Portáteis ou Cirúrgicos Móveis das Forças Armadas, deslocados para a área de desastre;

  • atua como centro de distribuição dos pacientes evacuados para diferentes hospitais em apoio às operações.

  • Planejamento e Gerenciamento das Evacuações

As seguintes fórmulas matemáticas facilitam o planejamento e o gerenciamento das evacuações:

  • Fórmula Geral do Tempo de Evacuação;

  • Fórmula de Cálculo dos Meios de Evacuação.

1 - Estudo da Fórmula Geral do Tempo de Evacuação

A fórmula geral do tempo de evacuação é a seguinte:

Nesta fórmula:

T Ev = corresponde ao tempo total de evacuação.

T.Alar = tempo de alarme, corresponde ao intervalo de tempo decorrido entre a ocorrência do desastre e a chegada do alarme ao Centro de Comunicações. O tempo de alarme pode ser reduzido pela divulgação do número de telefone 192 que dão acesso ao Centro de Comunicações e na medida que a população passa a confiar na eficiência do serviço.

TP1 = tempo de primeiro percurso, corresponde ao intervalo de tempo decorrido entre o acionamento do APH e a chegada da primeira unidade móvel (ambulância) no local do desastre. O tempo de primeiro percurso pode ser reduzido por uma distribuição mais racional das Mudas Periféricas das Ambulâncias e pelo melhor conhecimento das vias de acesso aos locais de desastres pelos motoristas.

T.Reaç = tempo de reação, corresponde à soma do tempo de alarme com o tempo de primeiro percurso. Desta forma, T.Alar + TP1 = T.Reaç. Idealmente, o tempo de reação não deve ultrapassar 8 (oito) minutos.

T.Aten = tempo de atendimento, corresponde ao tempo gasto para prestar o atendimento de emergência das vítimas e prepará-las para a evacuação. O deslocamento de um trem de ambulância com, no mínimo, duas ambulâncias, contribui para reduzir o tempo de atendimento.

TP2 = tempo de segundo percurso, corresponde ao tempo gasto pela unidade móvel, no percurso entre o cenário do desastre e o hospital designado para o apoio. De todos, este é o tempo mais difícil de ser reduzido e depende do credenciamento de hospitais de apoio com capacidade de operar em situações de emergência.

T.Adm = tempo de admissão, corresponde ao tempo gasto na recepção, registro, triagem e encaminhamento do paciente para o setor responsável pelo atendimento. A redução do tempo de admissão depende de uma melhor sistematização dos procedimentos realizados na área de contato do Compartimento de Emergência do Hospital com as ambulâncias do APH.

T.Lib = tempo de liberação, corresponde à soma do tempo de segundo percurso com o tempo de admissão. Desta forma, TP2 + T.Adm = T.Lib. Na Alemanha e em outros países europeus, o Sistema Federal de Emergências Médico-Cirúrgicas foi planejado de tal forma que, em qualquer acidente rodoviário, ocorrido em qualquer estrada do país, o tempo máximo de liberação é de 25 minutos e o tempo máximo de evacuação é de 40 minutos.

No Brasil, um tempo máximo de liberação de 50 minutos para acidentes rodoviários, é considerado bastante razoável.

Todo o esforço de planejamento e de gerenciamento dos Serviços de Saúde deve ser direcionado para reduzir os tempos de evacuação, sem que haja queda da qualidade do serviço e dos padrões de segurança médica.

2 - Estudo da Fórmula de Cálculo de Meios de Evacuação

A fórmula de meios de evacuação é a seguinte:

Para fins de planejamento operacional, a fórmula de meios pode ser transformada na fórmula de tempo otimizado:

Nesta fórmula:

M = corresponde a meios, ou seja, ao número de unidades móveis necessárias para evacuar todos os traumatizados que necessitam de evacuação, de um desastre determinado, num tempo definido.

P = corresponde ao número de pacientes que necessitam de evacuação.

d = corresponde à distância média entre as mudas periféricas de ambulâncias e o local do desastre.

D = corresponde à distância média entre o local do desastre e os hospitais designados para apoiar a operação.

P (d + D) = corresponde aos pacientes-quilômetros a serem evacuados.

N = corresponde ao número médio de pacientes transportáveis por unidade móvel. Para fins de cálculo, N é igual a (6 + 1) / 2, ou seja, 3,5.

Vcorresponde à velocidade média das unidades móveis. Em estrada, esta velocidade média é de 60 km/h e, em ruas de cidades, é de 40 km/h.

T = corresponde ao tempo disponível ou determinado.

NVT = corresponde aos pacientes-quilômetros transportáveis por uma unidade móvel, num tempo definido.

Para otimizar o tempo de evacuação dos feridos de um grande desastre, deve-se promover medidas que:

  • reduzam o numerador da fração;

  • aumentem o denominador da mesma.

Para reduzir o numerador da fração, pode-se:

  • ampliar a rede de mudas periféricas, reduzindo d;

  • aumentar o número de hospitais de apoio credenciados, reduzindo D;

  • reduzir o número de pacientes (P) a evacuar, por intermédio de campanhas preventivas e instalando Postos de Triagem que priorizem a evacuação dos pacientes de alto risco e aliviem a cadeia de evacuação de feridos leves, tratados ambulatorialmente.

Para reduzir o denominador da fração, pode-se:

  • aumentar a velocidade média das ambulâncias, por intermédio de medidas de controle de trânsito;

  •  aumentar o número de ambulâncias transportadoras, concorrendo para aumentar N e M.


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