Secretaria de defesa civil manual de planejamento em defesa civil



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3 - Primeiros Socorros

  • Generalidades

Primeiros Socorros são os cuidados imediatos e específicos que devem ser prestados a pacientes traumatizados e/ou apneicos (que não respiram), vítimas de acidentes e de outros eventos adversos, enquanto se aguarda a chegada do médico ou da equipe especializada, que se responsabilizará pela evacuação dos mesmos, até o hospital de apoio.

Estudos epidemiológicos demonstram que, os principais motivos de óbitos e de seqüelas irreversíveis em vítimas de acidentes traumatizados, relacionam-se com:

  • o nível de gravidade das lesões provocados e com o estado geral dos pacientes;

  • a omissão de cuidados imediatos;

  • o padrão do primeiro atendimento.

Estudos epidemiológicos também demonstraram que, as duas primeiras horas após o acidente são de capital importância para a sobrevivência e para a recuperação dos pacientes traumatizados. Neste período crucial, muitas vezes a diferença entre a vida e a morte é estabelecida pelos primeiros socorros.

  • Universalização do Treinamento

É ideal que todas as pessoas de uma comunidade sejam adestradas em técnicas de primeiros socorros. Por esse motivo, o treinamento em primeiros socorros deve ser universalizado.

O conhecimento técnico e prático das técnicas de primeiros socorros deve ser considerado como um dos pré-requisitos mais relevantes da cidadania.

O curso teórico e prático de primeiros socorros, em princípio, deve ser ministrado a partir do primeiro grau e repetido nos segundo e terceiro graus do ensino formal. Também é importante que as técnicas de primeiros socorros sejam difundidas em todos os cursos de formação técnico-profissional e através dos sistemas de ensino informal.

Os cursos teórico-práticos de primeiros socorros devem corresponder a três créditos e serem ministrados em 45 (quarenta e cinco) horas de instrução. A reciclagem bianual deve ser realizada em 8 (oito) horas.

  • Conteúdos do Curso de Primeiros Socorros

O curso básico de primeiros socorros deve ter os seguintes conteúdos:

1 - As Três Medidas Salva-Vidas

Estas três medidas são estancar as hemorragias, proteger os ferimentos e prevenir o estado de choque.

2 - Reanimação Cárdio-Respiratória Básica

A reanimação cárdio-respiratória básica compreende a massagem cardíaca externa, a desobstrução das vias respiratórias e a ventilação pulmonar, pela técnica de respiração boca-a-boca.

3 - Tratamento de Contusões, Fraturas e Luxações

Imobilização temporária das fraturas e luxações diagnosticadas ou suspeitadas, com especial atenção para fraturas de coluna vertebral e do segmento cervical e para as fraturas de membros e do gradil costal. Uso do gelo nas contusões.

4 - Lesões Traumáticas que Requerem Procedimentos Especiais

Especialmente ferimentos do tórax e de abdômen, traumatismos crânio-encefálicos - TCE, traumatismos raquimedulares - TRM e traumatismos de face e de mandíbula.

5 - Tratamento de Queimados

Proteger as queimaduras, prevenir o choque por perda de plasma, prevenir as infecções secundárias, manter a permeabilidade das vias aéreas.

6 - Alterações dos Estados de Consciência

Vertigens, convulsões e estado de coma.

7 - Corpos Estranhos

Corpos estranhos no ouvido externo, nas narinas, nos olhos e na garganta.

8 - Intoxicações Exógenas

Primeiros socorros nas intoxicações exógenas por inalação, ingestão ou contato de produtos tóxicos com a pele, as mucosas e os olhos.

9 - Acidentes com Animais Peçonhentos

Acidentes ofídicos e acidentes provocados por picaduras de escorpiões, lacráias, enxames de abelhas e outros animais peçonhentos.

10 - Acidentes com Animais Raivosos

Acidentes com animais raivosos, como cães, morcegos hematófagos e outros animais contaminados pelo vírus da raiva.

11 - Prevenção do Tétano

A prevenção do tétano depende dos programas de vacinação preventiva previstos pela Organização Mundial de Saúde, no Programa Ampliado de Imunização - PAI, mediante 3 doses de aplicação e a reativação das condições imunitárias, a cada dez anos. Nos casos de ferimentos suspeitos em ambientes propícios ao desenvolvimento do bacilo do tétano, é indicada a imunização passiva nos casos em que existe incerteza sobre o esquema de vacinação.

  • Manobras de Suporte Vital

Manobras e ações padronizadas desenvolvidas com a finalidade de manter os pacientes vivos, enquanto aguardam o tratamento definitivo. As manobras de suporte básico de vida relacionam-se com:

  • a manutenção das funções vitais, especialmente das relacionadas com a ventilação pulmonar, com a oxigenação do sangue e com a circulação do mesmo;

  • a prevenção de traumatismos medulares relacionados com fraturas da coluna vertebral, especialmente do segmento cervical;

  • o controle das hemorragias, proteção dos ferimentos e prevenção do choque;

  • a imobilização temporária das fraturas.

Todo o paciente com sinais de traumatismo acima da linha das clavículas deve ser considerado como potencialmente lesionado na coluna cervical, até prova em contrário.

4 - Atendimento Pré-Hospitalar - APH

  • Generalidades

O atendimento pré-hospitalar - APH é um subsistema do Serviço de Saúde organizado, equipado e adestrado, com a finalidade de:

  • prestar atendimento de emergência nos cenários dos desastres;

  • transportar as vítimas dos desastres, em condições seguras, em ambulâncias terrestres, aéreas e/ou aquáticas, até o hospital de apoio designado para recebê-las e dar continuidade ao tratamento;

  • manter as condições de viabilidade dos pacientes durante a evacuação dos mesmos;

  • imobilizar temporariamente fraturas e luxações diagnosticadas ou suspeitadas, mediante procedimentos preestabelecidos;

  • fixar corretamente os pacientes em macas ou padiolas.

O Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência - SAMDU é diferente do APH. Funciona como uma expansão das Unidades de Pronto Atendimento ou de Emergência dos Hospitais e é organizado, equipado e adestrado para prestar assistência médica de urgência no ambiente domiciliar.

As ambulâncias do SAMDU são obrigatoriamente tripuladas por médicos enfermeiros e auxiliares de enfermagem com, no mínimo, um ano de experiência continuada em Unidades de Emergência ou de Pronto Atendimento.

Os SAMDU devem ser altamente resolutivos e não devem funcionar como serviços especializados em transportoterapia. Considera-se como boa, uma capacidade resolutiva igual ou superior a 90% (noventa por cento) dos chamados.

  • Articulação entre o Atendimento Pré-Hospitalar e os Hospitais de Apoio

Para responder adequadamente a uma situação de emergência provocada por um grande desastre, é necessário que o Serviço de Saúde tenha condições de solucionar cabalmente as emergências médico-cirúrgicas do dia-a-dia.

Para tanto, é necessário que haja uma estreita articulação e coordenação entre os subsistemas de:

  • atendimento pré-hospitalar;

  • atendimento hospitalar de emergência médico-cirúrgicas.

Compete ao Comando Unificado de Operações de Saúde garantir uma resposta adequada e sistêmica dos dois subsistemas do Serviço de Saúde, em circunstâncias de desastres.

Quando alertado pelo Centro de Comunicações, o Comando Unificado:

  • assume o comando das operações de saúde;

  • desencadeia o atendimento pré-hospitalar;

  • alerta os hospitais que apoiarão a operação;

  • articula a atuação coordenada dos dois subsistemas, facilitando a pronta admissão dos pacientes nos hospitais de apoio;

  • assegura um fluxo rápido de evacuação das vítimas, desde os cenários dos desastres, até os hospitais designados para recebê-las e dar continuidade ao atendimento.

O exercício do comando depende da existência de um bom serviço de comunicações que garanta um fluxo adequado de informações entre os órgãos executores e o grupo responsável pela elaboração das decisões. Compete ao Órgão de Comando definir as informações necessárias e disciplinar o fluxo das mesmas.

Dentre as informações muito importantes e que devem ser atualizadas permanentemente, destacam-se as relacionadas com:

  • a capacidade hospitalar de operação e a capacidade hospitalar de emergência;

  • o número de leitos ocupados e disponíveis, por setor de internação;

  • a disponibilidade de equipes médicas estratégicas, como as de neuro-cirurgia, cirurgia vascular e cirurgia torácica;

  • a capacidade cirúrgica, em termos de disponibilidade de salas cirúrgicas para emergências, no período considerado;

  • a capacidade hospitalar em meios auxiliares de diagnóstico estratégicos, como tomografia computadorizada, cineangiocardiografia e outros.

  • Centro de Comunicações

Em princípio, o Centro de Comunicações deve ser planejado para permitir:

  • multiuso, podendo ser utilizado simultaneamente pelo Comando Unificado de Operações de Saúde, pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros Militares;

  • identificação automática do interlocutor, desencorajando alarmes falsos e chamadas desnecessárias;

  • tronco-chave, utilizando para um mesmo número de linha um tronco-chave e troncos secundários, acoplados ao conjunto por um sistema de busca automática, que dirige a chamada para uma das mesas disponíveis, evitando retardos no alarme;

  • conversação simultânea, com até 5 (cinco) usuários, permitindo a interligação do autor da chamada com o centro de comunicações e, se necessário, com o Comando Unificado, com o órgão executor do APH e com o Hospital de Apoio;

  • definição de canais prioritários, permitindo a interrupção de menor prioridade, dos usuários do sistema, quando se configura uma situação de alarme;

  • registro automático do horário de chamada, facilitando as auditorias técnicas e a revisão crítica dos procedimentos padronizados;

  • gravação automática das mensagens, facilitando as revisões críticas e contribuindo para reduzir a margem de erros.

  • Conceituação

1 - Evacuação Médica

É uma operação especializada do Serviço de Saúde e consiste no transporte seguro e adequado de pacientes traumatizados, desde os cenários dos desastres, até os hospitais de apoio designados para recebê-los e dar continuidade ao tratamento.

A evacuação deve ser realizada em condições seguras e dentro de prazos biológicos compatíveis com o estado geral dos pacientes, evitando que as condições de viabilidade dos mesmos se deteriorem, durante o transporte.

2 - Cadeia de Evacuação

É o conjunto de instalações que podem ser móveis, semi-móveis e fixas, e que são desdobradas no terreno, entre os cenários dos desastres e os hospitais de apoio designados para recebê-los.

A cadeia de evacuação tem por finalidade:

  • desdobrar os recursos do APH no terreno, ao longo do eixo de evacuação, facilitando a manobra dos mesmos;

  • apoiar o tratamento dos pacientes, durante o processo de evacuação;

  • garantir aos pacientes as melhores conclusões de viabilidade, durante o transporte.

Dentre as instalações, normalmente presentes numa cadeia de evacuação, destacam-se:

  • as mudas de ambulância;

  • os postos de concentração e embarque de feridos.

Nos desastres de grande intensidade pode surgir a necessidade de se instalar:

  • postos de socorro e de triagem médica;

  • instalações de retenção de evacuados, nos casos de EVAM.

3 - Triagem Médica

É uma atividade do Serviço de Saúde que permite avaliar e classificar feridos com o objetivo de estabelecer prioridades de atendimento, evacuação e de referenciação, por intermédio de procedimentos padronizados que permitem estabelecer diagnósticos sindrômicos, avaliar o quadro clínico e o estado geral e estimar o prognóstico imediato.

Essa metodologia tem por finalidade identificar pacientes em situação de alto risco e que poderão ser salvos, caso recebam um nível de prioridade que lhes assegure condições de tratamento intensivo, na instalação mais adequada, no mais curto prazo possível.

4 - Mudas de Ambulância

Em princípio, as ambulâncias do APH não devem estacionar em hospitais. Nos hospitais, devem estacionar as ambulâncias do SAMDU e as responsáveis pela transferência de hospitalização.

Mudas de ambulância são instalações onde as ambulâncias do APH estacionam, em condições de pronto emprego e em permanente comunicação com o Comando Unificado de Saúde e com o comando da unidade de saúde da qual foram destacadas.

As mudas de ambulância podem ser:

  • mudas periféricas;

  • mudas básicas;

  • mudas regionais de distribuição.

  • Mudas Periféricas

Nestas mudas estaciona, no mínimo, uma Seção ou Trem de Ambulâncias, constituído por:

  • uma ambulância transportadora, com capacidade para transportar 4 (quatro) pacientes deitados em maca e até 8 (oito) pacientes sentados. Para fins de cálculo, considera-se que estas ambulâncias têm uma capacidade média de transporte para 6 (seis) pacientes;

  • uma ambulância de resgate, com capacidade para transportar 1 (um) paciente em situação de alto risco.

As mudas periféricas podem ser localizadas em quartéis de bombeiros ou em instalações independentes específicas. De um modo geral, a instalação funciona sobre pilotis, sendo a parte inferior destinada ao estacionamento das ambulâncias e a parte elevada, ao alojamento das guarnições.

  • Muda Básica

Normalmente, a muda básica é localizada no aquartelamento de Companhia Independente de Saúde, que, em princípio, é edificado no centro do dispositivo a apoiar.

Na muda básica, concentra-se:

  • a seção de helicópteros-ambulância;

  • a reserva de ambulâncias e tripulações, em condições de reforçar as mudas periféricas e de distribuição, quando as mesmas forem acionadas.

Como a muda básica funciona no próprio aquartelamento da Companhia Independente de Saúde, existem facilidades para:

  • o aparelhamento e manutenção das viaturas-ambulâncias;

  • a reciclagem das tripulações.

  • Muda Regional de Distribuição

Quando a responsabilidade territorial da Companhia Independente de Saúde responsável pelo APH for muito grande, pode surgir a necessidade de se instalar mudas regionais de distribuição, que funcionam como intermediárias entre as mudas básicas e as mudas periféricas.

As mudas regionais de distribuição normalmente são instaladas em aquartelamentos de pelotões de ambulância destacadas das Companhias Independentes de Saúde.

Os pelotões de ambulância podem ser constituídos por 3 a 4 seções de ambulâncias, com 6 a 8 viaturas.

Os pelotões destacados de ambulância têm reduzida capacidade de manutenção das viaturas.

  • Seção de Helicópteros ou de Aviões Leves

Esta seção é constituída por duas aeronaves e permite:

  • estender o apoio de evacuação aos municípios do interior do Estado;

  • garantir a rápida evacuação de pacientes em situação de alto risco.

  • Capacidade Hospitalar de Operação

Número de leitos em funcionamento num hospital, respeitada a legislação em vigor.

  • Capacidade Hospitalar de Emergência

Número máximo de leitos que poderão funcionar num determinado hospital, por um tempo limitado, com o total aproveitamento das áreas utilizáveis, buscando responder a uma situação emergencial de desastre, com uma grande quantidade de feridos.


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