Ruy lópez de segura: poucas histórias e uma lenda



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RUY LÓPEZ DE SEGURA: POUCAS HISTÓRIAS E UMA LENDA

Ao longo da história antiga do xadrez houve uma infinidade de disputas para ver quem ostentaria o reconhecimento de campeão do mundo, situação que só foi resolvida em 1886 quando se reconheceu oficialmente o título de Wilhelm Steinitz depois de vencer Zukertort no duelo mais emocionante da época.



Antes disso, existiram campeões “oficiosos”. O primeiro dessa lista foi o espanhol Ruy López de Segura (figura ao lado), nos idos de 1570.

Ruy López era um frei espanhol, nascido em Zafra, em 1530. Pouco se sabe sobre sua vida, mas tudo que se tem conhecimento é relacionado às disputas de xadrez.

A biografia enxadrística começa em 1560, quando viajou a Roma e virou celebridade após derrotar os melhores jogadores italianos, entre eles o jovem Leonardo da Cutri. Lá, conheceu o livro do português Pedro Damiano e criticou duramente o trabalho. Por isso decidiu melhorá-lo.
PRINCÍPIOS DA TEORIA MODERNA

Assim, em 1561, publicou o “Livro da invenção liberal e arte do xadrez”, onde descreveu e numerou, pela primeira vez com alguma profundidade, algumas famosas aberturas que serviram de base à teoria moderna. Até hoje constam nos repertórios de praticamente todos os enxadristas. Por exemplo, lá estavam Giuocco Piano, Gambito do Rei, Holandesa, de fianchetto de Rei e de Dama (ainda não se falavam “Índias”), além, é claro, da que eternizou seu nome: a Abertura Espanhola ou Ruy López (1 e4 e5 2 Cf3 Cc6 3 Bb5), que era a número 9.

Vamos agora ver como Ruy López descreve os lances da abertura 1 do seu livro:

“quando as brancas jogam em primeiro lugar (nesta época não era obrigatório serem as brancas a efetuar o primeiro lance) avançam o peão de rei à quarta casa (1.e4), se as negras jogarem o peão de rei à quarta (1... e5) as brancas jogarão o peão de bispo da dama uma casa (2.c3), se as negras jogarem o cavalo de rei para a terceira fila do bispo para tomar o peão (2... Cf6) as brancas jogarão... etc. Isto dá-nos uma ideia da enorme dificuldade que existia na época para por no papel toda e qualquer criação teórica sobre xadrez.

No entanto, o livro não se limitava a ensinar aberturas. Também trazia alguns conselhos nada religiosos do frei Ruy, afinal a Fide não estava por lá para exigir fair play. Dentre as pérolas sugeridas, aconselhava “ao jogar com dia claro, procure fazer que o inimigo tenha o sol na cara”, “à noite, posicione o lume próximo à mão direita do adversário para que lhe turve a vista e a mão faça sombra quando move, de modo que não veja bem as peças”, “deixe para jogar logo depois que seu rival tenha comido e bebido em abundância e aproveite seu estado de sonolência para vencê-lo”, ...
PRIMEIRO SUPERTORNEIO

No fim de 1574, na corte do rei Felipe II, aconteceu a primeira competição internacional de xadrez documentada. Participaram 2 italianos (Leonardo da Cutri e Paolo Boi) e 2 espanhóis (Alfonso Cerón e Ruy López). Desta vez, o frei venceu apenas seu compatriota, e saiu vencedor o italiano Leonardo, recebendo como prêmio 4000 ducados, uma capa de arminho e 20 anos(!) de isenção de impostos para sua cidade natal, Cutri.

Ruy López faleceu em 1580. Porém, seu nome está gravado para sempre na história do xadrez.

PARTIDAS


A seguir reproduzimos duas partidas dele, além de uma com a abertura que levou seu nome.
Ruy López – Leonardo da Cutri

Roma 1560



Gambito de Rei
1.e4 e5 2.f4 d6 3.Bc4 c6 4.Cf3 Bg4 (Cf6) 5.fxe5 dxe5? (d5)




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