Rumi a hospedaria



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Nelson - Autobiografia em 5 curtos capítulos

I
Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Levo uma eternidade para encontrar a saída.

II
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim, levo muito tempo para sair.

III
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele está ali.
Ainda assim caio.... é um hábito!
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
É minha culpa!
Saio imediatamente.

IV
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.

V
Ando por outra rua.

Nelson - Autobiography in 5 short chapters

I
I walk down the street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I fall in
I am lost… I am helpless
It isn’t my fault.
It takes forever to find a way out.

II
I walk down the same street,
There is a deep hole in the sidewalk.
I pretend I don’t see it.
I fall again.
I can’t believe I am in the same place.
But it isn’t my fault.
It still takes a long time to get out.

III
I walk down the same street
There is a deep hole in the sidewalk.
I see it there.
I still fall in… it’s a habit.
My eyes are open.
I know where I am.
It is my fault.
I get out immediately.

IV
I walk down the same street.
There is a deep hole in the sidewalk.
I walk around it.

V
I walk down another street.

Oliver - Abençoe os dedos

Abençoe os dedos


pois são afiados como o fogo.
Abençoe os pequenos pelos do corpo
pois são mais macios que a grama.
Abençoe os quadris
pois são mais engenhosos que qualquer máquina.
Abençoe a boca
pois é ela que descreve.
Abençoe a língua
pois é a que forma as palavras.
Abençoe os olhos
pois são dádivas dos anjos,
pois dizem a verdade.
Abençoe os ombros
pois são uma força e um abrigo.
Abençoe o polegar
pois quando trabalha tem o apoio divino.
Abençoe os pés
por suas juntas e modéstia
Abençoe a coluna
pois ela é toda a história.

(Tradução: Jussara A Serpa)



Oliver - Bless the fingers

Bless the fingers


For they are as darting as fire.
Bless the white hairs of the body.
For they are softer than the grass
Bless the hips
For they are running beyond all other machinery,
Bless the mouth
For it is the describer.
Bless the tongue
For it is the maker of words.
Bless the eyes
For they are the gifts of the angels,
For they tell the truth.
Bless the shoulders
For they are a strength and a shelter
Bless the thumb
For when working it has the godly grip
Bless the feet
For their knuckles and their modesty.
Bless the spine
For it is the whole story.

Walcott - Amor depois amor

O tempo vira em que com alegria,


você vai se cumprimentar chegando
na sua própria porta, no seu próprio espelho
e a sua própria imagem vai sorri daquele que está te
dando boas vindas e vai dizer, senta aqui, coma,
você amara de novo o estranho que era você mesmo, de vinho, de pão,
devolva o seu coração para você mesmo,
para aquele estranho que tem te amada a vida inteira, que você ignorou achando que era outro,
aquele que te conhece de cor,
desça as cartas de amor que estão na estante,
as fotografias, as demonstrações desesperadas,
descasque a sua própria imagem do espelho.
Sente. Celebre a sua própria vida.

Walcott - Love after Love

The time will come


When, with elation,
You will greet yourself arriving
At your own door, in your own mirror,
And each will smile at the other’s welcome
And say, sit here. Eat.
You will love again the stranger who was your self.
Give wine. Give bread. Give back your heart
To itself, to the stranger who has loved you
All your life, whom you have ignored
For another, who knows you by heart.
Take down the love letters from the bookshelf,
The photographs, the desperate notes,
Peel your own image from the mirror.
Sit. Feast on your life.

Yunnus Emre - Se eu te contasse

Amigo: se eu te contasse sobre uma terra do amor,


você me seguiria e veria?
Nessa terra existem vinhedos
que produzem um vinho mortal.
Nenhuma taça pode contê-lo,
você engoliria este vinho?

As pessoas lá devem sofrer.


Você serviria a bebida mais doce aos outros
e beberia a bebida amarga?

Não existem luas ou sois neste lugar,


nada cresce ou diminui,
Você abriria mão dos seus planos
e esqueceria as seduções?

Aqui nos somos feitos da água, terra, fogo e ar,


Yunnus, diga a nós é disso do que você é feito?

Yunnus Emre - If I told you

If I told you about a land of love,


Friend, would you follow me and come?
In that land are vineyards
That yield a deadly wine-
No glass can hold it.
Would you swallow it as a remedy?

The people there must suffer:


Would you serve the sweetest drink to others
And take the bitter drink yourself?

There are no moons or suns there.


Nothing waxes or wanes.
Would you surrender your plans
And forget about seductions?

Here we’re made of water, earth, fire and air.


Yunus, tell us, is this what you’re made of?

Yunnus Emre - Como me sinto estranho

Como me sinto estranho sob as mãos deste amor.


Não vejo meu caminho, sob as mãos deste amor.

Certa vez eu era a coroa do universo.


Agora sou sujeira para caminhar, sob as mãos deste amor.

Como um rouxinol sozinho eu chamo.


O sangue jorra dos meus olhos, sob as mãos deste amor.

Meu rosto, como uma folha de outono, reluzirá,


escurecerá e morrerá, sob as mãos deste amor.

No Dia Final, com meu colarinho em farrapos


deixe-me chorar, sob as mãos deste amor.

Que fazer quando me encontro tão longe da União?


Minhas costas estão curvadas, sob as mãos deste amor.

Yunus, você que tanto ora por Taptuk.


Não pergunte “Que devo fazer?” sob as mãos deste amor.

Yunnus Emre - How strange I feel

How strange I feel under the hand of this love.


I can’t see my way, under the hand of this love.

Once I was the crown of the universe.


Now I’m dirt to walk on, under the hand of this love.

Like a lonely nightingale I call.


Blood streams from my eyes, under the hand of this love.

My face, like an autumn leaf, will glow,


Darken and die, under the hand of this love.

On the Final day with my collar torn


Let me weep, under the hand of this love.

What can I do when I’m so far from the Union?


My back is bent, under the hand of this love.

Yunus, you pray for Taptuk so much.


Don’t ask “What shall I do?” under the hand of this love.

Yunus Emre - Testemunhamos o corpo

Adentramos a casa da realização, testemunhamos o corpo.

Os céus girando, a terra com muitas camadas,
os 70 mil véus, encontramos no corpo.

A noite e o dia, os planetas, as palavras inscritas nas Tábuas Sagradas, o monte que Moisés subiu, o Templo, e a trombeta de Rafael, nós observamos no corpo.

Tora, Salmos, Evangelho, Alcorão – o que estes livros têm a dizer, nós encontramos no corpo.

Todos dizem que estas palavras de Yunus são verdadeiras.

A verdade está aonde você quiser.
Nós encontramos tudo dentro do corpo.


Yunnus Emre - We witnessed the body

We entered the house of realization, we witnessed the body


.
The whirling skies, the many-layered earth, the seventy-thousand veils, we found in the body.

The night and the day, the planets, the words inscribed on the Holy Tablets, the hill that Moses climbed, the Temple, and Israfil’s trumpet, we observed in the body


.
Torah, Psalms, Gospel, Quran - what these books have to say, we found in the body.

Everybody says these words of Yunus are true.

Truth is wherever you want it.
We found it all within the body.


Os upanishades - O estado intermediario

Existem dois estados do homem – o estado neste mundo, e o estado no outro mundo; Existe também um terceiro estado, o estado intermediário entre esses dois mundos, o qual pode ser comparado ao sonho. Enquanto no estado intermediário, o homem experiencia os outros dois estados, quer seja neste mundo ou no outro; e a maneira é a seguinte:

Quando ele morre, ele habita apenas no corpo sutil no qual são deixadas as impressões dos seus feitos do passado, e dessas impressões ele está ciente, iluminadas como são pela luz do Atman. A luz pura do Atman dá a ele a luz. Então é no estado intermediário que ele experiencia o primeiro estado, ou a vida no mundo.

Novamente, enquanto no estado intermediário, ele prevê tanto as maldições quanto as bênçãos que ainda virão a ele, já que são determinadas por sua conduta, boa ou má, sobre a terra, e pelo personagem no qual essa conduta resultou.


Nessa maneira, no estado intermediário ele experiencia o segundo estado, da vida no mundo a vir.

Upanishads - Two states for man

There are two states for man - the state in this world and the state in the next; there is also a third state, the state intermediate between these two, which can be likened to dream. While in the intermediate state, a man experiences both the other states, that in this world and that in the next; and the manner thereof is as follows:

When he dies, he lives only in the subtle body, on which are left the impressions of his past deeds, and of these impressions he is aware, illumined as they are by the light of the Atman. The pure light of the Atman affords him light. Thus it is that in the intermediate state he experiences the first state, or that of life in the world.

Again, while in the intermediate state, he foresees both the evils and the blessings that will yet come to him, as these are determined by his conduct, good and bad, upon the earth, and by the character in which this conduct has resulted. Thus, it is that in the intermediate state he experiences the second state, or that of life in the world to come.



  Os Upanishades - O Deus Dourado

O Deus dourado, o Self, o Cisne imortal


Deixa o pequeno ninho do corpo, e vai aonde quiser.
Ele passa pelo reino dos sonhos;
assume formas incontáveis;
delicia-se no sexo;
come, bebe, ri com seus amigos;
assusta-se com cenas de terror paralisante.
Mas Ele não se apega a nada que vê,
e após ter vagado nos reinos do sonho e da vigília,
de ter provado prazeres e experimentado o bem e o mal,
Ele retorna ao estado de graça onde começou.
Assim como um peixe nada em direção a uma margem
do rio e depois à outra,
o Self alterna-se entre o sonho e a vigília.
Assim como uma águia, cansado do longo vôo,
dobra suas asas deslizando para seu ninho,
O Self corre para o reino do sono sem sonhos,
livre de desejos, medo, dor.
Como um homem, em união sexual com sua amada
Que não percebe nada fora ou dentro,
Assim o homem em união com o Self
não sabe nada, não quer nada,
encontrou a realização do seu coração
e encontra-se livre de dor.
Pai desaparece, mãe desaparece,
deuses e bíblias desaparecem,
o ladrão desaparece, o assassino desaparece,
o bem e o mal desaparecem
ele passou para além da tristeza.

  Upanishads - The Golden God

The Golden God, the Self, the immortal Swan


leaves the small nest of the body, goes where He wants.
He moves through the realm of dreams; makes numberless forms;
Delights in sex; eats, drinks, laughs with His friends;
frightens Himself with scenes of heart chilling terror.
But He is not attached to anything that He sees;
and after He has wandered in the realms of dream and awakeness,
Has tasted pleasures and experienced good and evil,
He returns to the blissful state from which He began.
As a fish swims forward to one riverbank then the other,
Self alternates between awakeness and dreaming.
As an eagle, weary from long flight, folds its wings,
Gliding down to its nest, Self hurries to the realm
of dreamless sleep free of desires, fear, and pain.
As a man in sexual union with his beloved
is unaware of anything outside or inside,
so a man in union with Self knows nothing, wants nothing, has found his heart’s fulfillment and is free of sorrow.
Father disappears, mother disappears, gods
and scriptures disappear, thief disappears, murderer, rich man, beggar, world disappears,
good and evil disappear; he has passed beyond sorrow.

Lawrence - Nós somos transmissores

Quando vivemos, somos transmissores da vida


E quando falhamos em transmitir a vida, a vida falha de correr através de nós.

Isso é parte do mistério do sexo, é um fluxo que segue em frente.


As pessoas sem sexo não transmitem nada.

E se, enquanto trabalhamos, podemos transmitir vida ao nosso trabalho,


vida e ainda mais vida, corre dentro de nós para compensar, para estar pronto
e nos ondulamos com vida através dos dias.

Mesmo que seja uma mulher fazendo uma torta de maçã, ou um homem um banco,


se a vida entrar na torta, a torta é boa, o banco é bom.
A mulher é contente com a vida correndo dentro de si, o homem é contente.

Dá e lhe será dado


ainda é a verdade sobre a vida.
Mas dar a vida não é tão fácil.
Não significa distribuí-la a qualquer tolo,
ou permitir que os mortos vivos te comam
Significa aquecer a qualidade de vida onde não havia,
mesmo que seja apenas na brancura de um lenço de bolso bem lavado.

Lawrence - We Are Transmitters

As we live, we are transmitters of life.


And when we fail to transmit life, life fails to flow through us.

That is part of the mystery of sex, it is a flow onwards.


Sexless people transmit nothing.

And if, as we work, we can transmit life into our work,


Life, still more life, rushes into us to compensate, to be ready
And we ripple with life through the days.

Even if it is a woman making an apple dumpling, or a man a stool,


If life goes into the pudding, good is the pudding
Good is the stool,
Content is the woman, with fresh life rippling in to her, content is the man.

Give, and it shall be given unto you


Is still the truth about life.
But giving life is not so easy.
It doesn’t mean handing it out to some mean fool, or letting the living dead eat you up.
It means kindling the life-quality where it was not, even if it’s only in the whiteness of a washed pocket-handkerchief.

Lawrence - Dia de Todos os Santos

Tome cuidado, então, e seja suave em relação à morte. Pois é difícil morrer, é difícil passar pela porta,


mesmo quando ela se abre.

E os pobres mortos, após terem deixado a


cidade murada e prateada do corpo agora irremediável aonde deverão ir, Oh, aonde deverão ir?

Eles hesitam na sombra da terra.


A longa sombra cônica da terra está repleta de almas
que não conseguem achar a travessia pelo mar da mudança.

Seja gentil, Oh seja gentil com seus mortos


e dê-lhes um pequeno encorajamento
e ajude-os a construir seu pequeno barco da morte.

Pois a alma tem uma longa, longa jornada após a morte ao doce lar do puro esquecimento.


Cada uma precisa de um pequeno barco, um pequeno barco e uma provisão apropriada de alimento para a mais longa jornada.

Oh, de seu coração


Provê para seus mortos uma vez mais, equipe-os
como marinheiros que partem, amorosamente.

Lawrence - All Soul’s Day

Be careful, then and be gentle about death.


For it is hard to die, it is difficult to go through
The door, even when it opens.

And the poor dead, when they have left the walled


And silvery city of the now hopeless body
Where are they to go, Oh where are they to go?

They linger in the shadow of the earth.


The earth’s long conical shadow is full of souls
That cannot find the way across the sea of change.

Be kind, Oh be kind to your dead


And give them a little encouragement
And help them to build their little ship of death.

For the soul has a long, long journey after death


To the sweet home of pure oblivion
Each needs a little ship, a little ship
And the proper store of meal for the longest journey

Oh, from out of your heart


Provide for your dead once more, equip them
Like departing mariners, lovingly

Lawrence - Cura

Não sou um mecanismo, um conjunto de peças.


E não é porque o mecanismo está funcionando mal que estou doente.

Estou doente por causa das feridas da alma, no profundo eu emocional


e as feridas da alma precisam de muito, muito tempo;
só o tempo pode ajudar,
e a paciência, e um certo arrependimento
difícil, longo, um difícil arrependimento, percepção do erro da vida,
e a nossa própria libertação
da interminável repetição do erro,
que a humanidade em geral prefere santificar

Lawrence - Healing

I am not a mechanism, an assembly of various sections.


And it is not because the mechanism is working wrongly, that I am ill.

I am ill because of wounds to the soul, to the deep emotional self


and the wounds to the soul take a long, long time,
only time can help
and patience, and a certain difficult repentance
long, difficult repentance, realization of life’s mistake,
and the freeing oneself
from the endless repetition of the mistake
which mankind at large has chosen to sanctify.

Laing - O Abatedouro

Quando nossos mundos pessoais são redescobertos, permitindo a nós mesmos restituirmo-nos, nós, primeiramente, descobrimos uma confusão. Corpos quase mortos, genitais dissociados do coração, coração apartado da cabeça, cabeças dissociadas dos genitais, sem a unidade interior, com apenas senso de continuidade suficiente para segurar a identidade, numa idolatria completa. Dilacerados, corpo, mente e espírito, pelas contradições interiores, levados em direções diferentes; o homem, ou a mulher separados de suas próprias mentes, separados igualmente de seus próprios corpos, criaturas metade loucas, em um mundo louco.



Laing - The Slaughterhouse

When our personal worlds are rediscovered and allowed to reconstitute themselves we first discover a shambles. Bodies half-dead; genitals dissociated from heart; heart severed from head; heads dissociated from genitals. Without inner unity, with just enough sense of continuity to clutch at identity, the current idolatry. Torn, body, mind and spirit by inner contradictions; pulled in different directions.


Man cut off from his own mind, cut off equally from his own body
a half-crazed creature in a mad world.

Alan McGlashan - A Paisagem selvagem e magnífica

O que se procura... não é uma nova e brilhante forma de consciência que domine a mente dos homens e revolucione o mundo, mas uma mudança interior quase imperceptível – uma suspensão voluntária de julgamentos convencionais, uma percepção equilibrada, uma quietude, onde vozes há muito abafadas, que falam a linguagem da alma, possam ser ouvidas de novo. Trata-se de um segredo calmo.

Todavia, mão se deixe enganar por isso, pois ele é também um segredo terrível. A vida íntima da mente também tem seus pesadelos, assim como seus sonhos dourados e fantasias caprichosas. Tornar-se puramente receptivo, criar um silêncio interior, é abrir uma porta perigosa, que dá para um mundo de onde os corações fracos fariam bem em se manter afastados. Agir assim é iniciar uma jornada solitária cujo fim ainda é incerto.


Alan McGlashan - The Savage and Beautiful Country

What is sought is not some flamboyant new form of consciousness that will seize men’s minds and revolutionize the world, but an almost imperceptible inner change—a willed suspension of conventional judgments, a poised awareness, a stillness, in which long smothered voices that speak the language of the soul can bed heard again. it is a quiet secret.

But do not be misled by this. For it is also a terrible secret. The inner life of the mind has its nightmares, as well as its golden dreams and wayward fancies. To become purely receptive, to create and inner silence, is to unlock a dangerous door, opening upon a world from which faint hearts would wisely keep away. It is to set pout on a solitary journey who end is still unsure.


Thich Nhat Hanh - Por favor, me chame

pelos meus verdadeiros nomes

Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, Não diga que amanhã partirei porque ainda hoje estou chegando.

Olhe profundamente; eu chego a cada segundo para ser o botão no ramo de primavera, para ser o pequeno pássaro, de frágeis asas, aprendendo a cantar em seu novo ninho, para ser a lagarta no coração da flor, para ser a jóia escondendo-se numa pedra. Eu sempre chego para rir e chorar, para ter medo e esperança, o ritmo de meu coração é o nascimento e morte de tudo o que está vivo.

Eu sou a mosca d’água metamorfoseando-se


na superfície do rio, e sou o pássaro, que, chegada a primavera, surge em tempo para engolir a mosca d’água.

Eu sou o sapo nadando alegremente na água clara do poço, e sou também a cobra cascavel que, aproximando-se em silêncio, engole o sapo.

Eu sou a criança de Uganda, toda pele e osso,
minhas pernas finas como palitos de bambu,
e sou o negociante, vendendo armas mortíferas,
instrumentos de fogo a Uganda.

Eu sou a menina de 12 anos, refugiada no pequeno barco, que se atira no oceano depois de


ser violentada pelo pirata do mar, e eu sou o pirata, meu coração ainda incapaz de enxergar e amar.

Eu sou um membro do Politburo com muitos poderes nas mãos, e sou o homem que tem que pagar sua “dívida de sangue” a seu povo, morrendo lentamente num campo de trabalho forçado.

Minha alegria é como primavera, que tão calorosa faz flores desabrocharem em todos os campos da vida. Minha dor é como um rio de lágrimas, tão cheio que inunda até à borda os quatro oceanos.

Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, de tal forma que eu possa ouvir todos os meus prantos e risos de uma só vez, de tal forma que eu veja minha alegria e minha dor


como sendo uma só.

Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, de tal forma que eu possa acordar, e assim a porta de meu coração seja aberta, a porta da compaixão.



Thich Nhat Hanh - Please call me by my

true names

Please call me by my true names, Do not say that I’ll depart tomorrow Because even today I still arrive.

Look deeply: I arrive in every second
To be a bud on a spring branch, to be a tiny bird, with wings still fragile, learning to sing in my new nest, to be a caterpillar in the heart of flower, to be a jewel hiding itself in a stone.
I still arrive, in order to laugh and to cry,
In order to fear and to hope,
The rhythm of my heart is the birth and
Death of all that are alive.

I am the mayfly metamorphosing on the


Surface of the river, and I am the bird which, when spring comes, arrives in time to eat the mayfly.

I am the frog swimming happily in the


Clear water of a pond, and I am also the grass-snake who, approaching in silence,
Feeds itself on the frog.

I am the child in Uganda, all skin and bones,


My legs as thin as bamboo sticks,
And I am the arms merchant, selling deadly
Weapons to Uganda.

I am the 12-year-old girl, refugee on a small boat, Who throws herself into the ocean after


Being raped by a sea pirate, and I am the pirate, my heart not yet capable of seeing and loving.

I am a member of a death squad, with


Plenty of power in my hands, and I am the man who has to pay his “debt of blood” to my people, dying slowly in a forced labor camp.

My joy is like spring, so warm it makes


Flowers bloom in all walks of life.
My pain is like a river of tears, so full it
Fills up the four oceans.

Please call me by my true names, so I can hear all my cries and my laughs at once, so I can see that my joy and pain are one.



Please call me by my true names, so I can wake up, and so the door of my heart can be left open, the door of compassion.


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