Rizzardo da camino



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RIZZARDO DA CAMINO
RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

LOJA DE PERFEIÇÃO

(GRAUS Io AO 33°) 2a Edição
1999
Supervisão Editorial e Coordenação Geral: Wagner Veneziani Costa

Produção e Capa: Equipe Técnica Madras

Ilustração Capa: Mario Diniz

Revisão:Luiz Roberto S. Malta
ISBN 85-85505-65-6

Todos os direitos desta edição reservados pela MADRAS EDITORA LTDA.

Rua Paulo Gonçalves, 88 — Santana - 02403-020 — São Paulo — SP

Caixa Postal 12299 — CEP 02098-970 — SP

Tel.: (011) 6959.1127 —Fax: (011) 6959.3090

http://www.madras.com.br



Dedico este trabalho aos Irmãos de minha Loja, Fraternidade N" 100 ao Oriente do

Rio de Janeiro

índice


Apresentação................................................................................ 3

Prefácio........................................................................................ 11

Aprendiz (grau 1°)...................................................................... 12

Companheiro (grau 2°).............................................................. 27

Mestre (grau 3°).......................................................................... 40

Mestre Secreto (grau 4°)............................................................. 55

Mestre Perfeito (grau 5 o)............................................................. 71

Secretário íntimo (grau 6°)........................................................ 74

Preboste e Juiz (grau 7°)............................................................ 77

Intendente dos Edifícios (grau 8°)............................................. 81

Cavaleiro Eleito dos Nove (grau 9°).......................................... 84

Cavaleiro Eleito dos Quinze (grau 10°)..................................... 91

Sublime Cavaleiro dos Doze (grau 11°).................................... 95

Grão-mestre arquiteto (grau 12°) .............................................. 99

Cavaleiro do Real Arco (grau 13°)............................................. 102

Perfeito e Sublime Maçom (grau 14°)....................................... 105

Cavaleiro do Oriente (grau 15°)................................................ 110

Príncipe de Jerusalém (grau 16°)............................................... 115

Cavaleiro do Oriente e do Ocidente (grau 17°)........................ 118

Príncipe Rosa Cruz (grau 18°)................................................... 121

Grande Pontífice ou Sublime Escocês (grau 19°)...................... 130

Soberano Príncipe da Maçonaria ou Mestre "ad vitam"

(grau 20°).................................................................................... 135

Noaquita ou Cavaleiro Prussiano (grau 21°)............................. 138

Cavaleiro do. Real Machado ou Príncipe do Líbano

(grau 22°)................................................................................... 142

Chefe do Tabernáculo (grau 23°)............................................... 146

Príncipe do Tabernáculo (grau 24°)........................................... 150

Cavaleiro da Serpente de Bronze (grau 25°)............................. 154

Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário (grau 26°)................. 158

Grande Comendador do Templo (grau 27°)............................. 161

Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto (grau 28°) ...................... 164

Grande Cavaleiro Escocês de Santo André ou Patriarca das

Cruzadas (graus 29°).............................................................. 170

Cavaleiro Kadosch ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra

(grau 30°)................................................................................ 175

Grande Juiz Comendador ou Inspetor Inquidor Comendador

(grau 31°)................................................................................ 181

Sublime Cavaleiro do Real Segredo, Soberano Príncipe da

Maçonaria (grau 32°)............................................................. 188

Soberano Grande Inspetor Geral (grau 33°) ............................. 201

Apresentação


A Maçonaria deixou de ser uma "sociedade secreta" para apresentar-se como uma Instituição Civil devidamente regis­trada nos Livros do Cartório competente, obtendo, assim, uma personalidade jurídica, sujeita às leis do País onde funciona.

No Brasil, a Instituição tem progredido favoravelmente, multiplicando suas Lojas e registrando novos adeptos.

Apesar da evolução em todos os sentidos, observada na Instituição, ela conserva os princípios fundamentais promul­gados nas sucessivas Constituições, a partir de 1717, compila­das em 1723 por James Anderson, personagem que viveu en­tre 1680 a 1739; essas Constituições forem publicadas em 1723 e 1738 e precederam os "Manuscritos".

Esses, eram compilados como manuscritos, apesar de já existir a tipografia e foram em grande número a partir do Poe­ma Regius de 1390.

Os Manuscritos são conhecidos como as "Old Charges" e constituem a base moderna da Maçonaria.

O escritor Assis de Carvalho 1 relacionou a maioria deles, o que nos dá uma idéia da riqueza dessa literatura, infelizmen­te, desconhecida pela maioria dos maçons não tanto pelo de­sinteresse individual, mas pela escassez de literatura; Assis re­fere a existência de mais de 140, o que constitui uma verda­deira biblioteca.

As Constituições de Anderson surgiram após os Manus­critos de Papwort, Roberts, Macnab e Hardon (entre 1714 a 1723) e tiveram grande divulgação; até hoje, é fácil encontrá-las, vez que são traduzidas por muitos Autores e inseridas em Manuais e Constituições de cada Grande Loja.

O curioso desses Manuscritos e das Constituições é a au­sência de uma definição sobre o que seja a Maçonaria.

Dizem respeito, mais, sobre o comportamento maçônico, moral e social dos Adeptos.

Paralelamente a esses Manuscritos e sucessivas Consti­tuições, surgiram os Ritos.2

Dentre mais de 200 Ritos, posto em uso, apenas alguns, no Brasil o Rito Escocês Antigo e Aceito, teve a preferência.

Face a isso, julgamos apropriado, apresentar um traba­lho que envolvesse todos os 33 Graus do referido Rito.

Poucos são os autores brasileiros que nos brindaram com comentários ritualísticos completos; desconhecemos a existência de algum livro que apresentasse todo o Rito.

Somos dos Autores que escreverem já, sobre todos os Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, porém fizemo-lo em oito partes separadas, sem a continuidade necessária para uma observação genérica e panorâmica de todo o Rito.

Obviamente, resultou um trabalho restrito e conciso; como o fizemos, cada Grau presta-se a uma longa dissertação, o que resulta cansativo; num só volume resulta cômodo e de fácil manuseio; procuramos registrar os pontos fundamentais, com a preocupação de evitar comentar a respeito das "palavras de passe" e dos elementos "sigilosos".

Nada impediria explanarmos com toda amplitude, os mí­nimos detalhes; no entanto, certos elementos são privativos de cada Grau e esse privacidade tem o escopo de evitar profa­nação.

1. A Maçonaria, Usos e Costumes: Francisco Assis Carvalho.

2. Ritos e Rituais de Francisco Assis Carvalho.


Certa "reserva" é conveniente para manter uma unidade preservada aos adeptos, posto, sendo as palavras em hebraico de difícil interpretação, poucos consigam memorizá-las.

Ademais, o assunto Maçonaria não encontra maior inte­resse entre os não maçons e assim o "vulgo profano" não tem acesso aos "sigilos", às partes preservadas e aos "segredos".

Contudo, nem todos os Autores apresentam o mesmo escrúpulo e, com extrema facilidade, atiram as "pérolas" aos que possivelmente, as possam pisotear.

Nossa preocupação é manter os princípios e filamentos filosóficos que podem resumirem-se na crença a Deus e no amor fraterno.

Esse binômio conduz à conquista de uma série de virtu­des.

A crença em Deus, instituído por nós como Grande Ar­quiteto do Universo, não significa o surgimento de uma reli­gião.

Sabemos, perfeitamente, o que seja Religião: a religação entre Deus o a criatura humana; porém, através de um cami­nho pleno de dogmas e revelações particulares de pessoas pre­destinadas que se arvoram em Mensageiros diretos causando uma avalanche de expressões que diferem entre si, embora com a proclamação de exclusiva verdade.

A "profissão de fé" do Maçom é simples: crer na existên­cia de Deus, como divindade, sem a preocupação de detalhar essa crença e sem o afã de um contato direto, de um diálogo (oração) ou submissão total.

Essa fé é raciocinada; a bondade que emana da Divinda­de deve ser imitada e assim, o Maçom, ama o seu próximo, antes mesmo de amar-se a si próprio.

Duas são as partes essenciais: a espiritual que respeita a Deus e a material que se traduz no culto ao amor fraterno.

A Maçonaria não apresenta um culto a Deus; ela o tem presente através dos símbolos, sendo o Livro Sagrado, um deles.

O amor fraterno, esse, sim, é cultivado, exercitado e positivado.

Crer em Deus e amar o seu Irmão, fazem do Iniciado um Maçom.

A base que sustenta o Edifício é a tolerância.

A Maçonaria não exclui a existência de dogmas quando esses são manifestados pelos seus adeptos; a tolerância leva ao respeito da crença de cada elo, mas com a exigência de que haja uma crença em Deus.

A Maçonaria carreia todo seu empenho para a Iniciação.

Crê que pode contribuir para uma Sociedade digna, ofe­recendo-lhe membros perfeitos, decorrendo essa perfeição da Iniciação.

Existe uma complexidade de Iniciações partindo da bási­ca do Io Grau, para o "ápice", passando por uma série de "provas" e enunciações.

É sabido da existência da separação entre a Maçonaria Simbólica e a Filosófica; são dois campos isolados mas que fazem parte de um todo.

Há um traço de união entre os 33 Graus que é a Len­da de Hiram Abif e o desenvolvimento harmonioso dos Rituais.

O Rito Escocês Antigo e Aceito é desenvolvido em toda amplitude no Brasil, e apesar da separação entre o simbólico e o filosófico, ambos os Corpos marcham unidos; praticamen­te, toda Loja Simbólica participa dos Altos Corpos sem que haja qualquer dissonância; ao contrário, percebe-se uma união muito mais estreita entre os Maçons.

Os Maçons possuidores dos Graus superiores emprestam às suas Lojas Simbólicas excepcional força, nos trabalhos, des­de o Grau 4 até o último.

A Iniciação cria um estado de consciência próprio para desenvolver os Princípios básicos maçônicos; o trabalho lento e persistente conduz ao pleno conhecimento da Arte Real e daí o acerto de existência dos 33 Graus.

O que exsurge dos Graus são os "Mistérios" que vêm assim definidos, no vernáculo: parte enigmática e oculta.

Ao lado de Mística, o Mistério apresenta-se como se fora uma Coluna paralela; Mistério e Mística, possuem a mesma raiz na linguagem, posto sejam derivações isoladas.

Os Mistérios da Iniciação Simbólica prolongam-se até o final do Rito, robustecendo-se de Grau em Grau, até a obtenção da Coroa gloriosa, posto de espinhos, dada aos Poderosos Soberanos Grandes Inspetores Gerais.

Os Mistérios Maçônicos são constituídos de todas as ver­dades morais ocultas sob formas alegóricas, expressas por si­nais, palavras, números, fórmulas, lendas e cerimoniais.

Um dos Mistérios tidos como permanentes, é o fato de a Revelação permanecer oculta; constata-se essa Revelação de forma individual e reservada; ela surge na mente dos Maçons de forma Mística; cada um, a possui como um bem sagrado responsável pela atitude de vida desenvolvida.

O amor para com um Irmão é um desses Mistérios que é responsável pelo elo de União.

Esse é o Segredo maçônico que não pode ser revelado levia­namente, mas mantido ciosamente; é o "segredo a dois" que pu­rifica a amizade e busca a Perfeição, outro Mistério insondável.

A Maçonaria não se desenvolveu isoladamente e espontanea­mente; as suas alegorias, os seus símbolos, vieram do mundo antigo, em especial, do Egito, transformando-se em linguajar sagrado.

A Maçonaria nasceu e subsiste para liberar o Espírito do Homem assim, ela apresenta-se, também, como essencialmen­te Espiritual.

A consulta dos Mistérios da antigüidade, nas suas Inicia­ções, no campo filosófico, esotérico e místico, nos capacitará a compreender por que "trabalhamos em Loja" e sobretudo por que nossa Liturgia, nossos Símbolos e nossas práticas.

Cada Grau, como se fora um "degrau de uma Escada", auxilia a compreensão do Grau precedente.

O Rito Escocês Antigo e Aceito como um bloco só, surgiu, juntamente, pare dirimir dúvidas e capacitar compreensões.

É evidente que havendo outros Ritos, eles atuam da mes­mo forma, vez que se compõem, por sua vez, de um certo número de Graus que atuam independentemente.

A finalidade da Maçonaria é "pinçar" do mundo profano os "escolhidos" (pela inspiração Divina) para congregá-los numa única Família, aperfeiçoando o ser humano.

O Grupo (que não é muito numeroso) aparentemente, subsiste isolado, mas como ato de Mistério, dissemina-se entre a população influenciando a Sociedade, tornando-a me­lhor.

Para tanto, não é preciso um trabalho "operativo"; essa influência automática.

Com a melhora do indivíduo, melhora a Família e essa é a célula da Sociedade.

No prefácio dos Estatutos Gerais promulgados em Lausanne, em 1820, constatamos:

"Aquela união de homens sábios e virtuosos, que com alegórico significado apelida-se ordinariamente de "Sociedade dos Pedreiros Livres", foi considerada em todo tempo, como o santuário dos bons costumes, uma Escola de Virtude, o Templo da Filantropia. Por princípio, crê na existência de um Deus, que adora e respeita sob a fórmula de um Grande Arquiteto do Universo; tem por fim o aperfeiçoamento do coração hu­mano é propõe-se, qual meio necessário para a obtenção dessa finalidade, o exercício e a prática de Virtude. A Sociedade dos Pedreiros Livres é de natureza eminentemente humanitária, ocupada a erigir a construir Templos à Virtude e cavar pro­fundas masmorras ao vício".

Essa definição tem inspirado as definições que se encon­tram em todo livro maçônico.

Pelo seu conteúdo constata-se que resume ao máximo a atividade intelectual; registra com destaque, a construção de Templos e a adoração a Deus, criando certa confusão, vez que, sugere um "culto religioso".

Essa "adoração", contudo, diz respeito à disposição da Alma em exteriorizar o amor que possui.

Crer em Deus e o adorar, não é um princípio maçô­nico; cremos que em vez vocábulo "adorar" seria mais apropriado o de "obedecer", pois, sendo Deus, já significa que possui todo o poder e que esse deve ser aceito com submissão.

A definição (e isso é um dos Mistérios) do que seja a Maçonaria, cada Maçom a traça dentro de si sem a necessida­de de ser exteriorizada.

Há uma ampla liberdade de pensamento garantida pelo próprio Poder Divino; cultuar a Deus dentro desse liberdade, não significa oposição, mas ao contrário, uma submissão amorosa.

A Iniciação visa semear o amor dentro do coração do Iniciando como se fora uma semente que necessita germinada e cultivada até surgir como árvore frondosa.

A definição quanto o que possa ser a Maçonaria tem per­corrido um longo caminho e até hoje, posto enriquecidos os termos, não a temos gloriosamente como desejaríamos.

Na Constituição de 1762 vem apresentado o fundamento da Instituição:

"O regime de vida de nossos antepassados, nutridos e crescidos dentro da perfeição, apresenta um quadro, bem diverso, dos nossos costumes modernos. Naquele venturoso tempo, a Inocência, a Pureza e o Candor condu­ziam, naturalmente, o coração verso a justiça e a Perfei­ção. Porém, com o tempo, todos as virtudes destruíram-se causada pela corrupção dos costumes e do transviamento do Coração e da Inteligência: e a Inocência e o Candor periclitantes, desapareceram paulatinamente deixando a huma­nidade imersa nos horrores da miséria, da injustiça e da im­perfeição.

Não obstante, o vício não prevaleceu entre os nossos antepassados. Os nossos primeiros Cavaleiros souberam manterem-se afastados dos numerosos males que os ame­açavam de ruins e conservaram-se naquele feliz estado de Inocência, Justiça e Perfeição, que afortunadamente, le­garam à posteridade, século após século, revelando os sa­grados mistérios somente àqueles merecedores de partici­pação; em cujos mistérios o Eterno permitiu que nós fôs­semos iniciados".

Nas "Novas e Secretas Constituições da Antiqüíssima e Venerabilíssima Sociedade", promulgadas em 1786 por Frederico da Prússia, vem destacado:

"Esta Instituição universal, cujas origens provêm do berço da Sociedades Humana, é pura nos seus dogmas e na sua doutrina: é sábia, prudente e moral nos seus ensinamentos; na prática, nos propósitos e nos meios: a recomendam, especialmente, a finalidade filosófica e hu­manitária que se propõe.

Tem por objetivo a Harmonia, a Fortuna, o Pro­gresso e o Bem-Estar da Família humana em geral e de cada homem, individualmente.

Com tais princípios é seu dever trabalhar sem des­canso e com firmeza até alcançar essa finalidade, única finalidade digna dela".

Esses princípios fazem supor que eram observados rigo­rosamente e que a Instituição era formada por homens, real­mente, sábios e de elevada moral.

Qualquer comparação entre a, Maçonaria de hoje e a do passado, nos deixa frustrados; estamos, nós os Maçons, longe daqueles ideais, posto os relacionamos e exaltamos como princípios básicos.

A Maçonaria talvez não tenha mudado, mas os seus adep­tos, esses sim e como desafio de uma pretensa evolução

Cremos que a base dessa "derrota" seja a pouca crença que depositem em Deus; a fé frágil que nos sustem, nos dá forças suficientes para mantermos o ideal maçônico, vivo, es­perançosos de retomarmos à fé inicial e à pureza que nossos antepassados possuíam.

Rever os propósitos de ontem nos anima para um ama­nhã promissor.

Para tanto, torna-se necessário instruirmo-nos e instruir aos demais.

Prosseguindo na nossa exposição vejamos como surgiu o Rito Escocês Antigo e Aceito:

Dizer das origens do Rito Escocês Antigo e Aceito, cons­titui por certo, uma aventura,

A autoridade de José Castellani 1 esclarece que o "escocesismo" nasceu na França stuartista, como primeira manifestação maçônica em território francês, precedendo a fundação da pri­meira Grande Loja de Londres (1717) remontando o evento ao ano de 1649, após a decapitação do Rei Carlos I, da famí­lia dos Stuarts, pelos partidários de Oliver Cromwell.

É dito "Escocês" face à origem das personagens envolvi­das em sua fundação que foi lenta, sofrendo inúmeras altera­ções.

Assis Carvalho 2 nos relata:

"Já dissemos que os Grandes nomes da Maçonaria Primitiva, eram escoceses. Que o primeiro Maçom Especulativo - John Boswell, iniciado em 8 de junho de 1600 -, era escocês, que a Primeira Loja Maçônica - a Loja de Kilwinning - por isso chamada de Loja Mãe do Mundo foi fundada na Escócia, que o Primeiro Compila­dor de uma Constituição Maçônica - o Reverendo James Anderson, em 1721, Constituição que até hoje rege os destinos de Maçonaria, no mundo todo, era escocês, que o idealizador dos Altos Graus, em 1737, André Miguel, Cavaleiro de Ransay, era escocês, o Primeiro Professor de Maçonaria - 1772, William Preston, também nascera na Escócia, e muitos outros".

Não se pode confundir Rito com Ritual, vez que os pri­meiros trabalhos em Loja organizada obedeciam a outros Ri­tuais que envolviam até o Grau 3; paulatinamente, os Graus Filosóficos foram surgindo e assim, o Grau 4, antes de 1740 atribuindo-se a sua criação ao Barão de Tschoudy.

O atual Rito Escocês Antigo e Aceito, na realidade é re­cente, pois, firmou-se em 1801.

Ouçamos o que Assis Carvalho compilou e que com sua autoridade deve ser considerado:

"Com a morte de Etiene Morin em 1771 e a com­pleta inoperância de Henry Franckem, a partir de 1783, o crescimento do Rito de Perfeição perdeu sua Direção Central. Seu desenvolvimento ficou nas mãos de alguns Deputados Inspetores Gerais, nomeados por Morin e por Franckem - e esses Irmãos foram os que levaram adiante o sonho dos Dois Donos do Rito. Voohris fez uma lista com aproximadamente 50 nomes de Inspetores Gerais, existentes em 1800, sendo que a maioria deles estava na América Central, e não na área de Charleston. Deputa­dos Inspetores Gerais, estavam totalmente independen­tes de um Controle Central, durante o último quartel do século XVIII. E parece que eles estavam dando as boas-vindas ao dilúvio de Novos Ritos que estavam sendo cri­ados na França, naquela época.

1. José Castellani: O Rito Escocês Antigo e Aceito

2. Ritos e Rituais
Com a advento de Guerra da Independência Ame­ricana e suas conseqüências posteriores, durante a dé­cada que se seguiu, as comunicações entre as índias Oci­dentais e a América do Norte ficaram deterioradas, di­fíceis.

E o Rito de Perfeição começou a perder sua forma original, e o sistema de Altos Graus, no Hemisfério Oci­dental, tornou-se caótico. Em 1795, dois cidadãos fran­ceses chegaram a Charleston. Eram eles - Alexandre Francisco, conde de Crasse de Rouville, Marquês de Tilly, e seu so­gro - João Batista Noel Maria De La Hogue. A esses dois franceses deve-se creditar-lhes a maior parte, na cri­ação do Rito dos Maçons Antigos e Aceitos, de Charleston. Como não podia deixar de ser, seus métodos eram freqüentemente criticados como sendo impróprios. Mas deve ser levado em consideração que o período em que eles trabalharam com o Rito, foi um período, constante de guerras, para que se fizesse alguma coisa com mais capricho, com mais critério.

O Conde Grasse-Tilly, como era sempre chamado, tinha ido para a América Central, ainda solteiro e casou-se em São Domingos a filha de La Hogue.

Em 1791, estourou a rebelião dos negros escravos, em São Domingos. Como ex-oficial, Grasse-Tilly alistou-se como o Primeiro Voluntário, contra as forças rebel­des. Em 1795, a situação dos brancos da ilha estava pés­sima e tiveram de abandoná-la nas mãos dos rebeldes.

Grasse-Tilly, De La Hogue, e seus familiares foram para Charleston, na Carolina do Sul, como refugiados. Eles permaneceram ali até 1802. Em 1798, Grasse-Tilly, fez uma curta viagem até São Domingos. Em Charleston ele foi convidado a ingressar no novo Exército America­no, no posto de engenheiro.

Depois que eles deixaram São Domingos, ambos Grasse-Tilly e De La Hogue, atribuíram a si próprios o domínio do 32° Grau, embora esse Grau ainda não tivesse sido atribuído naquele Rito, como eles supunham. Ambos ti­nham também atribuído a eles mesmos, a Patente de De­putados Graus de Inspetores Gerais do Rito de Perfei­ção, que continha apenas 25 Graus. Não há informação de como eles adquiriram esses Títulos, embora houvesse Deputados Inspetores Gerais, em São Domingos, naque­le, tempo, mas nenhum deles havia conferido aquele tí­tulo a homens Maçons, de importância social tão eleva­da, como era o caso de Grasse-Tilly e seu sogro - De La Hogue.

Quando se refugiaram em Charleston, ambos conti­nuaram com suas atividades maçônicas. Com outros Maçons lá residentes, eles fundaram uma Loja de Católicos Ro­manos - a La Candeur (A Candura), e em 1801, Grasse-Tilly tornou-se o Grande Mestre de Cerimônias da Gran­de Loja da Carolina do Sul. Mas era nos seus Altos Graus que eles causavam impacto. De acordo com Mackey, uma Loja de Perfeição tinha sido instalada em Charleston, em 1783, por um Deputado Inspetor Geral: um americano chamado Isaac da Gosta e, em 1788, um Conselho de Príncipes de Jerusalém, também fora instalado ali.

Em 12 de novembro de 1796, Hymanlong, que ti­nha recebido uma lista de Deputados Grande Inspetores Gerais, na Jamaica, no ano anterior (1795) estendeu a autoridade de Grasse-Tilly e outros franceses refugiados área de Charleston.

Era difícil entender porque havia uma necessidade disso, se eles estavam sob as Leis de Constituição de 1762 e ela não limitava os campos de atividade dos Deputados Inspetores Gerais - isto é, a Constituição não fazia ne­nhuma menção dos Limites Territoriais,

A ambição maçônica de Grasse-Tilly, era insaciá­vel. No mesmo dia em que ele recebeu a Patente do Grau 25, conferida por Hymanlong, ele publicou, emitiu uma do Grau 33, para o seu sogro e diversos outros cidadãos franceses.

Quando ele retornou a São Domingos após uma curta visita que fizera começo do ano, ele assinou uma patente, como Soberano Grande Comendador do Supremo Con­selho das índias Ocidentais Francesas, fundado por eles mesmos entre 1797 e 1798, quando viviam no "Exílio". Pode ser que isso tenha acontecido por um curto espaço de tempo, mas é muito duvidoso o que isso tenha aconte­cido.

Não há registros de atividades maçônicas de Grasse-Tilly e De La Hogue - de 1798, até maio de 1801, quan­do o Supremo Conselho foi fundado. Mesmo na Ata de fundação, não aparecem suas assinaturas.

As referências existentes, são de que estavam atarefados em planejar com seus amigos locais o início do Supre­mo Conselho Americano. Eles eram "experts" em Altos Graus Maçônicos e deviam estar bem informado sobre os Graus que tinham vindo da França, em décadas anteriores. Os ame­ricanos que estavam para fundar o Novo Supremo Conse­lho, deviam estar necessitados de suas ajudas, especialmente e particularmente, da notória habilidade de De La Hogue, em rascunhar documentos.

Em 25 de maio de 1801, um encontro de portado­res do Grau 33, em Charleston, queria ajudar, mas não sabiam como. Então Grasse-Tilly, De La Hogue e outros franceses, Membros do Supremo Conselho das índias Oci­dentais Francesas, ajudaram, impondo suas próprias idéi­as, pois eram as únicas pessoas qualificadas para conferir Graus.

O Soberano Grande Comendador do futuro Supre­mo Conselho Coronel John Mitchell, tinha sido contem­plado com o título de Deputado Grande Inspetor Geral (25° Grau) em 1795. Ele, ainda, nem conhecia o futuro Tenente Grande Comendador - o Irmão Frederico Dalcho.

Se os franceses - Tilly e De La Hogue, se negassem a conferir aos americanos o Grau 33, eles mesmos o auto-confeririam a si mesmos. O certo é que em 31 de maio de 1801, o Novo Supremo Conselho estava aberto, com uma imponente cerimônia. E assim foi fundado, em Charleston, o Supremo Conselho Americano do Rito Escocês Antigo e Aceito. E já começava errado, pois Antigo e Aceito eram os Maçons e a Maçonaria, o Rito não. O Rito acabava de ser fundado. E é o mais antigo sobrevivente Supremo Conselho do Mundo.

E os Graus, como surgiram? Quem os selecionou?

Os Graus 1, 2 e 3, eram administrados pelas Gran­des Lojas Americanas que trabalhavam e ainda trabalham no Rito York Americano. O Supremo Conselho só teria autoridade nos Graus que iam do 4o ao 33° Grau. Ha­vendo completa e absoluta independência entre os Cor­pos que regiam esses dois sistemas - Graus Simbólicos e Graus Filosóficos."

A pequena história de cada Grau será apresentada opor­tunamente, na descrição respectiva.

Vejamos como surgiram os três primeiros Graus, Graus básicos da Maçonaria Universal.

Nosso trabalho, contudo, nunca poderá ser completo, vez que, a cada livro, vêm apresentados uma teoria e um histórico cada vez mais apurados.

Nosso propósito é apresentar "uma visão geral" dos 33 Graus, mantendo-os num só Corpo porque afinal, são os 33 que fazem parte do Rito e que são Rito, quando agrupados sem qualquer exclusão.

Entre nós, nenhuma Grande Loja e nenhum Grande Ori­ente isolam-se nos três primeiros Graus; todos os Membros de uma Loja tomam parte numa Loja de Perfeição, num Ca­pítulo ou nos Conselhos.

A beleza do Rito é que os Graus apresentam-se "entrela­çados" e a Lenda de Hiram Abif constrói-se paulatinamente tendo seqüência nos Graus sucessivos.

Esperamos que o presente e modesto trabalho seja do agrado dos leitores maçônicos e útil como ensino básico para progredir nas partes filosóficas e litúrgicas.

O Autor

Prefácio
Durante mais de vinte anos nos dedicamos a escrever so­bre os trinta e três Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Apresentamos esses Graus, agrupados, nos livros Simbolismo do 1o, 2o e 3o Graus; Graus Inefáveis; Cavaleiro do Orien­te, Príncipe Rosa Cruz e seu Mistérios, Kadosch e O Ápice da Pirâmide, obras que circulam pelo Brasil todo com várias reedições.

Faltava um compêndio que abrangesse em um só livro, todos esses 33 Graus, tanto para uma visão global como para facilitar o estudo.

Evidentemente, baseados nos livros já lançados, embora com alterações, entendemos escrever um só volume.

O trabalho será útil porque resume todo o Rito apresen­tando de forma simples e até didática, o nosso conceito a res­peito da Maçonaria, vez que o Rito Escocês Antigo e Aceito é o mais propagado entre nós.

Por uma questão de convenção, em Lausanne, houve a separação dos Graus simbólicos e Filosóficos, porém, o Rito os abarca em um só conteúdo.

Para melhor compreensão, fomos obrigados a "transcrever" passagens dos Rituais que colocamos entre aspas, porém, os unimos ao nosso entendimento a respeito da filosofia global.

Esperamos que a utilidade de obre satisfaça aos leitores e estudioso da Arte Real.

É evidente que o leitor, para amplificar a visão, deve mu­nir-se das monografias e assim, terá, frente a leitura dos Rituais respectivos, um entendimento prático.

Nosso intuito não foi apresentar uma "obra-prima" reco­nhecemos desde já a existência de inúmeras falhas que devem ser relevadas.

Destacamos que, precedendo cada Grau, colocamos o "Em­blema Heráldico" respectivo.

Nós os pedimos por "empréstimo" (perdoem os Auto­res) da magnífica obra italiana Gli Emblemi Araldici Delia Massoneria, cujos emblemas coloridos são um primor artísti­co; infelizmente não pudemos colocá-los coloridos, mas em preto e branco; mesmo assim, nos dão um panorama brilhan­te da obra artística de Lorenzo Crinelli e Cario Pierallini.

A edição é da Convivio/Nardini Editore - Florença, Itá­lia.

Não se trata de um "plágio", mas sim, de uma divulga­ção; o livro é de difícil aquisição eis que impresso no ano de 1988.

A Editora Madras envidou todos os seus esforços para apresentar um trabalho técnico admirável; a ela, os nossos agra­decimentos.

Entregamos, assim, aos leitores maçônicos, mais um "es­forço" literários e auguramos proveito e utilidade.

A todos, os nossos mais sinceros agradecimentos.



O Autor

O Grau de Aprendiz - grau 1o
A origem dos Graus Simbólicos é confusa, vez que, inexiste um documento que a descreva; tudo é suposição, argumento e dedução.

A primeira fonte, é a Lenda de Hiram Abif que seguindo a organização administrativa imposta pelo Rei Salomão, dis­punha de três classes de trabalhadores: Aprendizes, Compa­nheiros e Mestres; o próprio Hiram era um Mestre Arquiteto.

O evento trágico envolvendo a morte de Hiram, foi protagonizado por três Companheiros.

As Sagradas Escrituras, Io Livro dos Reis, informam palidamente sobre a construção do Grande Templo e fala-se em "trabalhadores" e "Chefes Oficiais", sendo o nome "servo" des­tinado ao próprio Salomão e a Davi, como "Servo de Deus".

Não encontramos classificação hierárquica dos trabalha­dores, apesar das diversas tarefas, como os talhadores de pe­dras, os carregadores e os artesãos.

A divisão de Aprendizes, Companheiros e Mestres, é no­tada tão-somente na Lenda de Hiram Abif que, como lenda, não satisfaz e não preenche a lacuna; lenda é suposição basea­da em algum aspecto histórico.

Augusto Franklin Ribeiro de Magalhães 1 nos relata:
"A primeira organização efetiva que se conhece data do ano 704 a.C. quando Numa Pompílio estabeleceu em Roma um sistema de vários colégios de artesãos, que possuía no ápice o Colégio de Arquitetos e englobava os gregos trazidos da África. Daí vieram os Colégios Romanos, si­milares às organizações gregas, de acordo com a legisla­ção de Sólon. Tinham um regimento especial e celebra­vam suas reuniões (Logias) a portas fechadas, em locais próximos ao do trabalho. Conforme Pompier, seus com­ponentes "estavam divididos em três grupos: aprendizes, companheiros e mestres e se obrigavam por juramento ante as ferramentas e os utensílios de seus ofícios e pro­fissões a ajudar-se mutuamente e a não revelar os segre­dos de suas agrupações aos estranhos. Tinham o costume de admitir como membros de honra as pessoas que não pertenciam a seus ofícios, porém que eram consideradas úteis para os agrupamentos e se reconheciam entre si por sinais e palavras secretas Suas assembléias eram presidi­das por mestres eleitos para período de cinco anos, asses­sorados por dois inspetores ou vigilantes.
Dedicavam-se à arquitetura religiosa, civil, naval e hidráulica e também dirigiam as construções militares, executadas por soldados."

Esses Colégios perduraram até o ano, aproximadamente, 1200 para dar lugar às "Guildas".

Sem maiores explicações, desses Colégios sacerdotes le­varam a organização para os conventos, tomando a si o encar­go de construção dos conventos e das catedrais.

Se assim foi, pode-se afirmar que a incipiente Maçonaria, passara a um regime religioso, cuja influência (resquícios) per­manecem até hoje, nos Rituais Maçônicos.

Os monges, da Idade Média eram denominados de "Caementerii", "Latomii", e também de "Massonerii".

1. Simbologia Maçônica, Io volume.


O "sigilo" não dizia respeito à organização em si, mas à profissão, "os segredos de cada profissão", em especial dos arquitetos que construíam as cúpulas, arcadias, alicerces su­portando o peso da construção, o equilíbrio das traves e a dificultosa ramagem dos telhados.

Os monges movimentando-se, chegaram à Alemanha no século XII fundando a Corporação dos Steinmetzen que reuniu os "talhadores de pedra" com as Guildas; evidentemente, a origem foram as construções romanas; os monges aperfei­çoaram a organização administrativa e a chefia tinha autorida­de eclesiástica sobre os subordinados.

Pertencer a essas organizações constituía um privilégio, tento como meio de subsistência, como de proteção, pois aqueles "artífices" eram respeitados pelas autoridades e pelo povo; to­dos tinham uma auréola de misticismo, formalizada pelo po­der do clero.

Prossegue Magalhães:


"Essa associação, que passou a denominar-se de "Confraternidade dos Canteiros de Estrasburgo", alcan­çou notoriedade. Erwin de Steinbach que a dirigiu, sub­meteu ao bispo de diocese os planos para a construção da catedral de Estrasburgo e, ao mesmo tempo que inici­ava as obras, deu aos seus operários uma organização que se tornou célebre em toda a Alemanha. Em 1275, foi realizada uma convenção histórica, talvez a primeira da Ordem. As Constituições de Estrasburgo, de 1459 as Ordenações de Torgau, de 1462, e o Livro dos Irmãos, de 1563, tornaram-se as Leis e Fundamentos que ser­viram de regra a essas corporações, até o aparecimento dos primeiros Sindicatos alemães. A entrada dos france­ses em Estrasburgo, em 1681, e o Decreto da Dieta Im­perial, de 1731. acabaram com a Fraternidade dos Steinmetzen".
As Corporações foram se ampliando, disseminando-se por toda a Europa, todas já desligadas dos mosteiros e tendo vida própria.

As "Lojas" mantinham as tradições recebidas das Guildas anteriores e conservavam "um Ritual", rústico e simples ori­entado para manter o agrupamento coeso. Esse Ritual, quiçá, tinha apenas um Grau: o do Aprendiz, mas, na evolução natu­ral, seguiu-se o de "Companheiro" para afinal, estabelecer-se o de "Mestre".

Não há documento que registre esse "nascimento". O Ritual não passava de uma "adaptação" da organização dos monges.

Os rituais atuais do Simbolismo Maçônico, dão ao Grau de Aprendiz uma ênfase maior; é o Grau mais complexo e básico, sustentáculo dos Graus posteriores.

O Grau de Aprendiz, entre nós, é o mais divulgado de todos, vez que, nas centenas de Lojas que existem no País, os trabalhos são realizados no Io Grau.

Praticamente, em cada Estado (e são 27) há uma Grande Loja e, com raras exceções, cada uma possui um Ritual dife­renciado.

Mesmo que essas diferenças sejam mínimas, não temos no Rito Escocês Antigo e Aceito, uma uniformidade ritualística.

Já nos Graus Filosóficos, as diferenças são oriundas dos diversos Supremos Conselhos existentes; quanto às Grandes Lojas, os Rituais são idênticos, vez que, emitidos por um úni­co Poder, o Supremo Conselho.

No entanto, apesar das "ligeiras" diferenças, o cerne é mantido e nenhum Ritual desrespeita os Landmarks.

Nós, afirmamos que essas diferenças caracterizam a Loja e constituem a sua "personalidade".

Os maçons mais antigos, como nós, por exemplo, já com 50 anos de Loja, enfrentamos algumas dificuldades quando visitamos Lojas (e a nossa própria) vez que, encontramos "ino­vações".

As alterações que os Grãos-mestres introduzem, aparen­temente inócuas, na realidade, às vezes ferem a liturgia e alte­ram o sentido da frase ritualística.

Freqüentemente, os Rituais são renovados e assim, per­dem o que a tradição deveria conservar.

"Eu aprendi assim", "no meu tempo se fazia assim", são afirmações muito comuns; a tendência é conservar a tradição, mesmo que esse contenha erros vernaculares ou interpreta­ções desusadas.

No entanto, as Lojas progridem e a Fraternidade cresce; talvez esses alterações sucessivas, porque feitas de boa-fé não prejudiquem tanto o organismo em si; os prejuízos revelam-se na parte esotérica, que é a menos estudada.

A divisão simbólica em três Graus, recorda a tríade: corpo, espírito e alma nas suas distintas fases: nascimento, vida e morte.

São fases progressivas visando uma "construção" decor­rendo daí que se faz necessário um aprendizado, uma comu­nicação e um mestrado; esse como garantia de perpetuação da construção; um edifício, após concluído, destina-se a alguma função e essa é permanente, sediada num complexo bem reali­zado e permanente.

A trilogia representa a Deus, à Inteligência e à Virtude e essas fases influenciam a Vida.

Um nascimento e um estágio de companheirismo, seri­am próprios da juventude; todavia, a Maçonaria inicia a jor­nada com o homem adulto, vendo nele o desenvolvimento completo; temos então, como se fosse um contra-senso, um adulto nascendo novamente.

Uma "criança", ao mesmo tempo, adulta, recebendo o alimento próprio para a criança.

O simbolismo esconde sigilos, mistérios e esoterismos.

O Iniciado é, simbolicamente, um recém-nascido e a vivência desse recém-nascido é realizada dentro da Loja e não no mun­do profano; sai da sessão de dentro de um Templo, para a Sala dos Passos Perdidos, não o recém-nascido mas um adul­to renovado; a sua inteligência compreenderá a transforma­ção e o campo experimental, no mundo profano será numa trajetória virtuosa.

A passagem pelo aprendizado objetiva a "União", o "Aper­feiçoamento" e a "Felicidade" da humanidade.

O "culto" exercitado dentro do Templo, redunda em be­nefício do físico, do intelecto e da moral.

Portanto, a ação do Aprendiz, materializa-se benefician­do o próprio Corpo (o afastamento dos vícios) robustecendo o intelecto, pelos novos conhecimentos através do estudo e do conteúdo de um catecismo.

O catecismo é o resumo da Doutrina, parte compreensível de imediato e parte dependente do raciocínio prolongado.

A Maçonaria fornece os "princípios" estáticos; o simbolismo auxilia na interpretação e a prática contribui para a evo­lução.

O Mistério maçônico exsurgirá das regras contidas nos princípios e se revelará paulatinamente para o indivíduo maçom.

Cada Grau (são 33) possui seus Mistérios; ultrapassado o Grau de Aprendiz, os mistérios dos Graus terão sido assimila­dos e ao final, chegado o maçom ao ápice da pirâmide, ne­nhum Mistério existirá.

No entanto, as revelações serão individuais porque fica­rão dependentes do estudo e da perseverança.

Como a solução dos mistérios é lenta e difícil, cada ma­çom conservará para si, e isso constituirá o "sigilo".

Dentro dos Graus Simbólicos, os "mistérios maiores" exau­rem-se vencido o 3o Grau, ou seja, o Mestrado.

O Grau do Aprendiz filosoficamente, vem consagrado ao desenvolvimento dos princípios fundamentais de Sociedade (Maçônica e profana) e ao ensinamento de suas leis e costumes compreendidos nas seguintes expressões: Deus, Beneficência e Fraternidade.

Deus, porque constitui um princípio consagrado; o Maçom deve crer na existência de Deus, caracterizado historicamente através das Sagradas Escrituras.

Beneficência, porque o coração do Maçom não pode permi­tir que um Irmão (membro de sociedade) padeça necessi­dades.

Fraternidade, porque todos os homens são filhos de Deus, portanto, simbólica, histórica e filosoficamente, nossos Irmãos.

O Aprendiz cumpre esquadrejar a Pedra Bruta com tra­balho, capacidade, persistência e fé.

Sem preparar a Pedra Bruta, não poderá, o Maçom, en­tregar-se à construção do Edifício moral, físico e espiritual; essas três fases resultam em construção de um edifício material e espiritual que é o corpo humano, compreendida a razão e a vida.

A saída do estado de imperfeição somente é realizada através do trabalho.

Esse trabalho, quanto ao Aprendiz é auxiliado pelos seus Irmãos de idade maior (2o e 3o Grau).

O Maçom trabalha em um Templo onde se encontra a Loja que por sua vez mantém uma Oficina.

A INICIAÇÃO


Todas as Instituições espiritualistas valem-se da Inicia­ção para o recebimento dos adeptos.

Iniciação simbólica em um misto de participação efetiva e física a começar pela proposta.

A rigor, em especial na América Latina, o candidato re­cebe um convite para participar da Instituição.

Esse convite é precedido de uma rigorosa sindicância re­alizada sem o conhecimento do candidato.

Aqui, candidatura não significa "aspiração", mas "indica­ção" de um Mestre de um candidato que julga digno de parti­cipar de Família Maçônica do convívio fraterno.

Grande é a responsabilidade do proponente, vez que, há riscos grave na admissão de um estranho.

Estranho que ignora tudo a respeito da fraternidade e que se entrega à Iniciação de "olhos vendados"; trata-se de uma dupla aventura: para a Loja e para o candidato.

Quando uma Loja "enfraquece" e há necessidade de uma campanha para a obtenção de prosélitos, o risco é ainda mai­or, porque se faz necessário admitir quem possa contribuir para o fortalecimento.

A seleção deve ser severa; não é difícil, pinçar dentre milhares de profanos, aquele que deva preencher um lugar vago.

Não basta que um Mestre proponha um amigo seu ou um parente; ele deve colocar acima de sentimentos, o interes­se da Loja.

Em toda parte nota-se um fenômeno inexplicável: o rodí­zio de membros que figuram no quadro, mas que não assistem aos trabalhos.

Deve-se alertar o proposto, logo após o cerimonial iniciático, que ele "jurou", isto é, "assumiu" o compromisso de assistir a Loja o que vale dizer, "assistir aos seus Irmãos".

Todo aquele que deixa de cumprir os compromissos, na realidade passa a ser um "perjuro", pois, a sua ausência, enfra­quecerá a Loja.

Todo candidato passa por uma rigorosa sindicância que objetiva o conhecimento da personalidade, seu modo de viver.

Aquele que não é cumpridor dos deveres profanos, para com a família, o seu trabalho e a sociedade, é evidente que não será útil à Instituição e resultará em um peso morto.

Logo, o segredo do êxito está na sindicância.

Essa tem sido "superficial"; trata-se de uma falha gritante do Mestre sindicante que age inconscientemente porque sabe que não sofrerá qualquer punição.

A responsabilidade deveria ser apurada e exigir do pro­ponente e dos sindicantes a tarefa de orientar o Neófito, acompanhar seus passos, incentivá-lo e, sobretudo, ins­truí-lo.

O Neófito passa a ser um "discípulo" do Mestre que o propôs.

Na prática e na realidade, porém, encontramos Lojas que possuem um grande quadro de Mestres, mas... sem discípulos, o que é um contra-senso e uma falha.

O nome do proponente é mantido em sigilo; as pro­postas escritas não são registradas e ninguém sabe quem propõe, o que constitui uma falha grave, vez que, não há possibilidade de exigir do proponente que acompanhe o seu proposto.

Na realidade, caso se mantenha em sigilo o nome do pro­ponente, deveria ser dado ao Neófito, um Mestre, seja indica­do, seja aceito ou voluntário que o deseje ser.

Parece um problema simples e superficial; no entanto, constitui a raiz da eficiência de uma Loja.

Um Venerável Mestre que se preocupe com a permanên­cia em Loja dos Neófitos, poderá exercitar o Seu mandato com eficiência.

Durante o aprendizado, poder-se-ia adotar uma "cader­neta" onde a Secretaria anotaria a presença, caderneta em poder do Aprendiz e esse só poderia ter acesso ao Companheirismo, provando sua presença em Loja.

Apesar de milenar, a Maçonaria, com sua experiência, ainda não possui instrumentos para incutir aos seus membros o dever de freqüência.

Concluídas as sindicâncias, e aprovado o candidato, esse será procurado e convidado a ingressar na Ordem.

Raros são os casos de negativa.

E por quê?

Toda vez que o nome de um candidato for pronunciado em Loja, o candidato em seu subconsciente é tocado e ele recebe os chamamentos que o despertam interessando-se quanto ao aceitamento do convite. E uma predisposição criada pelas "mensagens" esotéricas.

É sabido que a palavra sonora transmite-se em ondas que ocupam todos os espaços e que se alargam, de forma perma­nente.

Os sons permanecem "materialmente" e atingem os visa­dos; é a parte mística da Liturgia Maçônica

É evidente que o candidato inquirirá a comissão que o visita para o convite a respeito do que seja a Maçonaria.

Posto a par, embora, resumidamente, comparece no lo­cal e hora designados, onde tem início a cerimônia.

O Candidato passa pelo despojamento, dos metais, de tudo o que porta consigo, permanecendo descalço, semidespojado da vestimenta e calçando grosseiras alpargatas.

"Perde" tudo o que porta, até a visão, pois os olhos lhe são vendados e com essa cegueira momentânea, os outros sentidos lhe são aguçados.

É conduzido à Câmara de Reflexão.

A venda lhe é retirada e na penumbra, vislumbra o recin­to; uma mesa tosca; alguns papéis, caneta e tinteiro, inscrições nas paredes, alguns objetos estranhos; uma ampulheta medindo o tempo; silêncio absoluto; um odor de mofo; um crânio, algumas tíbias, símbolos mortuários.

Teias de aranha dão ao ambiente caráter lúgubre.

Qual a reação do candidato? De temor, de curiosidade?

A resposta, oportunamente, é solicitada e o candidato, não sabendo exatamente do porquê daquela passagem, titu­beia e dá uma resposta vaga.

Na Iniciação, a permanência na Câmara de Reflexão (é denominada também de Câmara de Reflexões, no plural, vez que são sucessivas reflexões que o candidato é chamado a exe­cutar) pode ser considerada como a parte principal pois, a preparação psicológica não tem a interferência de qualquer pessoa; trata-se de uma auto-reflexão que ocorre sem qual­quer orientação; o candidato é chamado a refletir isoladamen­te.

Qual a reação para quem se defronta com símbolos mortuários, com inscrições de admoestação severa? Certamente, conduzirá a uma reflexão inusitada.

Após uma Iniciação, conversando com o Neófito, esse disse que jamais lhe ocorreria pensar sobre a morte na forma como foi solicitado; é aterrorizante, nos disse.

Ao contrário do que se poderia pensar, não é a Loja que prepara o candidato para a Iniciação; é ele que se auto-prepara, que psicologicamente espera o pior e somente sua fibra de homem é que consegue vencer o temor crescente.

Essas preliminares são relevantes: se não forem bem exe­cutadas, quiçá a Iniciação não surta o efeito desejado.

Quando assistimos a um funeral de algum amigo e con­templamos na câmara mortuária, aquele corpo inerte, rosto amarelecido, traços rígidos, é que nos ocorre que algum dia tocará a nós e isso conduz a uma reflexão mórbida, triste e nervosa; porém, quando a morte é sugerida através de um sem número de símbolos, e nós nos sentimos isolados do mundo, reclusos em um lugar insólito, a reflexão torna-se mais pro­funda e a antecipação de nossa própria morte nos acabrunha.

Com esse sentimento é que compareceremos às "provas".

AS PROVAS
Uma prova (ou provação) é realizada para medir a resis­tência nervosa, os sentimentos e o destemor do que será pro­vado.

Na evidência de que essas provas são meramente simbó­licas, é que o candidato as enfrenta, pois, na atualidade, ja­mais alguém seria agredido e correria riscos maiores.

Na Idade Média, essas provas, certamente, causavam real temor, porque nas tidas "Sociedades Secretas", o simbolismo era duro e o candidato, temendo o pior, atuaria de forma natural para a época.

Partindo desse fato, nenhum candidato, mesmo após a estada na Câmara de Reflexões, temeria lhe ocorresse um mal real.

No entanto, existem casos em que o candidato nervo­samente, pede para "desistir" da Iniciação tão impressio­nado fica e tão temeroso que lhe falta a coragem para prosse­guir.

Uma sindicância bem realizada, porém, pode revelar o estado de espírito do candidato; se é pessoa impressionável, nervosa o proponente deverá ter com o candidato uma reu­nião onde Será esclarecido que a Iniciação é simbólica.

Esses casos são raros, mas podem ocorrer.

Precede as provas propriamente ditas, um questionário, ainda, na porta de entrada sobre o nome, a idade, lugar de nascimento, a profissão e o domicílio.

É evidente que os presentes sabem esses detalhes, mas como se trata do primeiro contato com o candidato, ele é quem deve prestar as informações solicitadas.

Até aqui, o nome do candidato sempre foi pronun­ciado dentro da Oficina; agora, esse nome é referido de "fo­ra para dentro", ou seja, no Átrio e vale como um consenso. E a primeira oportunidade que o candidato tem de, diante de uma assembléia, confirmar que deseja ingressar na Or­dem.

A Oficina deseja saber, não apenas o nome, mas a idade, o lugar de nascimento a profissão e o domicílio para "identifi­car" o candidato.

Por ter sido o candidato declarado livre e de bons costu­mes, ele responde com toda liberdade e essas respostas lhe dão o direito de adentrar no Templo.

O Guarda do Templo coloca sua Espada sobre o coração do candidato que, apesar de vendado, percebe e reage com um leve tremor respondendo que a impressão que tem é de uma arma apontada em seu peito.

O Venerável esclarece que é uma Espada, símbolo sempre pronto a punir os "perjuros", os traidores e inquire: "O que pedis?"

Certos candidatos, mantendo-se tranqüilos, respondem que desejam ingressar na Maçonaria, porém, a maioria deixa de responder.

O Venerável, pausadamente, pergunta se "E de espontâ­nea vontade, com plena liberdade e sem nenhuma sugestão que pretendeis ingressar na Maçonaria?"

E deixado o candidato à vontade aguardando-se a respos­ta que é afirmativa.

Pergunta, ainda, o Venerável: "Tendes alguma noção a respeito da Maçonaria?"

O candidato então responde a respeito do que entende e obviamente, a resposta será omissa e falha, completando-a, então, o Venerável dizendo: "A Maçonaria é uma Instituição que tem o seu princípio na razão sendo, portanto, universal; possui uma origem própria que não se confunde com qualquer reli­gião, porque deixa a cada um a liberdade de crença e de qual­quer dogma religioso e não impõe limite algum sobre a pro­cura da liberdade".

Essa primeira prova demonstrará o equilíbrio emocional do candidato que já se acalma, face aos primeiros esclareci­mentos obtidos.

O candidato é colocado sentado, sobre um banco e é sub­metido, mais, a outra série de questionamentos:

O Venerável pergunta: "Se vos ocorrer um grave perigo, em quem depositareis vossa confiança?"

O candidato responde: "Em Deus."

A segunda pergunta: "Que entendeis por liberdade?"

Terceira pergunta: "Que entendeis por moral?"

Quarta pergunta: "Que entendeis por virtude?"

Quinta pergunta: "Que entendeis por vício?"

A essas perguntas o candidato responde timidamente é em breves palavras, não totalmente do agrado do Venerável, que as complementa.

Sexta pergunta: "Persistis em ingressar na Maçona­ria?"

Se a resposta for negativa, o candidato e conduzido, de imediato para fora do Templo e na Sala dos Passos Perdidos lhe é informado que pode retirar-se, sendo-lhe pedido que man­tenha discrição sobre aquilo de que participou e que pre­senciou.

Porém, essas desistências são raras.

Sétima pergunta: "Estais disposto a submeter-vos a cer­tas provas que reputamos necessárias?"

Com a anuência, é solicitado a prestar um juramento di­ante da Taça Sagrada.

Esta prova constitui parte sigilosa que não se pode elu­cidar; o candidato vence a prova e lhe é feita a sétima pergun­ta: "Persistis a enfrentar provas?"

O Experto toma conta do candidato e o submete à pri­meira prova.

A primeira prova é denominada "da terra" e constitui a "primeira viagem".

O Venerável inquire o candidato: "Que vos sugeriu essa primeira viagem?"

Como a resposta não será satisfatória, o Venerável a complementa: "A viagem que empreendestes simboliza que completastes o emblema da vida humana. O rumor que percebestes representa as paixões que agitam a vida e os obstáculos que encontrastes, as dificuldades que o homem encontra e não pode vencer a não ser, conquistando aquela energia moral que permita lutar contra a má fortuna e graças à ajuda encon­trada junto aos seus semelhantes."

O Venerável determina seja procedida a segunda viagem, denominada "da água"; uma vez concluída, o Venerável escla­rece: "Encontrastes nesta segunda viagem menos dificuldades e menos obstáculos; esses desaparecem quando o homem per­siste a caminhar sobre o sendeiro da virtude; todavia, ainda não está liberto dos combates."

O Venerável faz ao candidato uma série de perguntas: Informai-nos sobre o lado bom de vosso comportamento; dei­xei de lado a falsa modéstia e respondei: "Durante o curso de vossa existência profana destes alguma prova de dignidade hu­mana? De grandeza de ânimo e de desinteresse? Tendes prati­cado a justiça? A beneficência? A prudência?"

O candidato responde titubeando e com dificuldade.

Então, o Venerável ordena que o candidato seja submeti­do à terceira viagem.

Essa é denominada de "prova de fogo". O candidato pas­sa por uma prova de fogo e após, diz o Venerável: "Candida­to, as chamas completaram a terceira viagem; possa o vosso coração inflamar-se de amor para com vossos semelhantes, possa a caridade presidir vosso futuro, às vossas palavras, aos vossos atos. Não esqueçais jamais o preceito: 'Não fazer aos outros aquilo que não desejais fosse feito a vós mesmo'; e aprender o outro conceito maçônico 'Faze aos outros todo o bem que desejares que os outros vos fizessem'.

Candidato: a Ordem Maçônica na qual pedis ser admi­tido poderá, talvez, algum dia pedir-vos que derrameis vosso sangue pela sua defesa e pela dos vossos irmãos; se vos sentis apto a fazer tal sacrifício devereis firmar o juramento que ides prestar, com vosso próprio sangue. Consentis nisso?"

A resposta virá afirmativa.

O candidato, então, passará pela prova do sangue, obvia­mente no sentido simbólico.

Após, ainda vendado, o candidato presta o juramento ma­çônico convencional.

Enfim, prestado o juramento, é "dada a luz ao candidato" com a retirada da venda.

Recebe as primeiras instruções.

O Orador pronuncia um discurso de boas-vindas e na Sala dos Passos Perdidos, agora já como Neófito, o candidato é cumprimentado por todos.

As provas compreendem os quatro elementos da nature­za- a terra (estada na Câmara de reflexão), o ar (o combate com espadas), a água e o fogo.

O candidato, agora Neófito, recebe as primeiras instruções

São-lhe ensinados os "passos", as palavras de "passe" e "sagrada"; os sinais, a postura, o "toque" e como deve dirigir-se aos seus Irmãos e Oficiais.

Esses ensinamentos constituem parte sigilosa que o Neófito não poderá comunicar a nenhum profano.

A princípio, são de difícil execução, mas com a prática passam a ser compreensíveis e até corriqueiros.

Essa parte deve ser desempenhada com "perfeição"; nota-se nas Lojas certo desleixo, em especial, quanto às posturas - o Maçom não deve ignorar que essa arte contém misticismo e esoterismo.

Contudo, observando-se o comportamento posicionai dos Maçons em Loja constata-se que individualmente, essa parte passa a apresentar-se com características individuais; não há aquela uniformidade desejada. A disciplina nesse sentido de­veria ser rigorosa mas, infelizmente isso não ocorre.

O Neófito recebe um "nome simbólico" (nem todas as Lojas usam) com o qual assina o Livro de Presença (ne varietur).

O novel nome deve ser bem escolhido obedecendo os preceitos da numerologia, vez que, o nome pode resultar afor­tunado ou aziago.

O valor dos números é considerado, pois, faz parte das Instruções.

A idade do Neófito passa a ser de três anos.

Esse número é altamente simbólico .e aparentemente co­lide com a Iniciação, vez que, o candidato, após a estada na Câmara de Reflexão, surge como sendo recém-nascido; seria incongruente que um recém-nascido passe a ter três anos de idade.

A criança com essa idade, cientificamente, já possui for­mação completa e está apta para o crescimento; o passar dos anos significa freqüentar uma escola - a escola da vida, onde surge o aperfeiçoamento.

Esse "disparate" não é considerado, vez que, tudo é sim­bólico e para o Maçom, tempo e espaço não existem.

Essa idade de três anos, o Aprendiz manterá durante o seu aprendizado mesmo que perdure mais de um ano; a idade maçônica dá saltos e o Aprendiz, quando elevado a Compa­nheiro, terá outra idade, ou seja, dois anos a mais; e ao atingir o Mestrado, terá "sete anos e mais".

Portanto, a idade madura será sete anos, evidentemente simbólica; o setenário abre as portas para a velhice.

Os quatro elementos existentes e cultivados pelos antigos maçons são reavivados e representados pela Câmara de Refle­xão como sendo a Terra, Câmara onde não penetra o Sol e a escuridão conduz à reflexão, pois a ausência da vida simboli­zada pelo ocaso do Sol traz solidão e tristeza; o profano ora candidato e recipiendário sente que é constrangido a viver na Terra, como sendo sua última morada.

A mitologia paga tinha a Terra como uma deusa, filha do Caos, esposa de Urano e mãe do Oceano.

A prova da Terra desperta na memória do candidato as suas tribulações, os momentos de enfermidade, de crise, de agonia, do peso que suporta para viver; a experiência dessa vivência na Terra, finda com a Iniciação, pois a Iniciação é que lhe trará a Luz.

A segunda prova surge da primeira viagem, a do Ar; Galileu Galilei foi o primeiro a descobrir que o ar tinha peso e Evangelista Torricelli comprovou; o ar é elemento indispensável para toda a Natureza.

A terceira prova é a viagem da Água, que é o elemento indispensável à vida, da qual os oceanos constituem os depó­sitos. Na atmosfera está o grande manancial que umedece a Terra com o constante orvalho noturno, bênção dos Céus, como sugere o Salmo 133.

A quarta prova, ou seja, a terceira viagem tem como cen­tro o fogo, considerado potência universal e inteligente, fonte de toda criação; segundo Lavoisier o fogo não seria, apenas, um elemento da Natureza mas o complexo efeito de combina­ções e de movimentos; o fogo contém dois elementos: o calor e a luz.

O Neófito recebe, após a Iniciação, um Avental e dois pares de Luvas brancas.

O Avental é sua insígnia; ele não poderá adentrar em Templo sem o seu Avental que representa o instrumento pro­tetor do trabalhador; o Avental protege da dureza dos ele­mentos trabalhados, em especial das arestas que saltam da Pe­dra Bruta, para uma proteção total, o Aprendiz ergue a Abeta do Avental; evita que seu corpo se molhe na umidade e com a sujeira deixada pelo manuseio dos materiais de construção.

As Luvas são protetores das mãos; o segundo par recebi­do é destinado à mulher que o Maçom mais estima, fazendo dela a companheira nas tarefas de construção; essas luvas não podem ser manchadas pelo vício e pelo pecado, mas devem permanecer puras, pois, o trabalho será honesto e destinado ao sustento seu e da Família.

Além do Avental e das Luvas e das Instruções, o Apren­diz recebe do Venerável Mestre, dentro do Templo, como complementação, o Tríplice Abraço dado de forma maçônica.

Esse abraço é o sinal público de que a Loja recebe com afeto fraterno o novel membro.

No mundo profano, quando um Maçom encontra outro, são trocados esses abraços recordando isso a Iniciação e a união existente e perene.

INSTRUÇÕES DO PRIMEIRO GRAU 1
A Maçonaria é um liame que une; nenhuma Instituição humana, laica ou religiosa apresenta-se tão propícia para a união universal dos homens, porque ela esforça-se a colocar em evi­dência os pontos concordantes de todas as opiniões e de supe­rar as divergências que, às vezes, são mais aparentes que reais que geram as divergências e a discórdia.

Adorar a Deus, fazer o bem aos semelhantes, combater tudo o quê prejudica e trabalhar para a própria perfeição, tal é o escopo da Maçonaria.

O culto à Divindade concilia-se com todas as opiniões religiosas porque deixa a cada um os próprios dogmas e a própria fé e contenta-se de expressar, no mais simples linguajar, ao Grande Arquiteto do Universo, os próprios sentimentos de amor e respeito.

Fazer o bem aos semelhantes, significa empregar todo o esforço para lhes ser útil. O prejudicial que a Maçonaria es­força-se a combater são, sobretudo, aqueles que tendem a se­parar os homens com as divisões exclusivas vindas da diversi­dade das suas crenças, crenças que a Maçonaria respeita, quando professadas de boa-fé. Enfim, trabalhar para a nossa perfei­ção, significa iluminar o nosso Espírito à luz da ciência, e fortificar a nossa vontade contra as viciadas paixões.

O Maçom é um homem livre e de bons costumes e é, de modo igual, amigo dos ricos e dos pobres, se esses forem virtuosos.

As duas primeiras qualidades estão intimamente ligadas entre si, porque é, precisamente, na própria boa moralidade que o Maçom encontra a verdadeira liberdade, ou seja, a li­bertação dos danos e dos vícios mundanos que paralisam o pensamento e aprisionam a vontade. O infortúnio da sorte não influencia sobre sua amizade, porque ele a mede, não sobre a riqueza, mas sobre a virtude.

1. Salvadore Farina
Os Maçons reúnem-se em Loja para aprender a vencer as suas paixões, a submeter a sua vontade e a fazer novos pro­gressos na Maçonaria.

A Maçonaria não se esforça em sufocar as paixões, o que resultaria quase impossível, porém, esforça-se em imprimir a isso, uma direção menos danosa e de reter o ímpeto perigoso; é nesse sentido que ela submete a vontade dos seus adeptos e lhe facilita o progresso maçônico.

A Loja é o local no qual os Maçons se reúnem para cum­prir os seus trabalhos.

No sentido literário a Loja é a Oficina de trabalho dos Maçons, ou seja, o local onde se dá e se recebe a Palavra que os gregos denominavam de "Logos"; hoje, esse "Logos" não é segredo, nem mesmo para os profanos.

A Loja é voltada para o Oriente porque a Maçonaria, como primeiro raio de Sol, surgiu dessa parte.

Dionísio da Trácia e Vitrúvio nos informam que os Tem­plos dos antigos eram voltados para o Oriente; também hoje, vários templos cristãos têm a mesma orientação.

O comprimento de Loja vai do Oriente para o Ocidente, a sua largura, do meio-dia à meia-noite e sua altura do zênite ao nadir, ou seja, da superfície da Terra ao infinito.

Essas dimensões indicam que a Maçonaria é universal, não somente por que ela dirige-se a todos os homens, mas sobretu­do pela universalidade dos seus princípios e de suas obras.

A Loja é sustentada por três grandes Colunas: Sabedoria para criar, Força para seguir e Beleza para ornamentar.

Esse três termos foram sempre usados para indicar a Per­feição.

Essas Colunas que sustentam a Maçonaria são: a Sabedo­ria que a fundou e preside as suas deliberações; a Força moral que pela só razão conduz os seus adeptos a executar as suas prescrições; a Beleza dos seus resultados que consistem em unir, iluminar e tornar felizes todos os membros de Família Maçônica.

O Recipiendário é introduzido na Loja, após ter batido à porta por três vezes; esses três golpes significam; pedi e recebereis, procurai e encontrareis; batei e vos será aberta.

A primeira máxima lembra que o Maçom deve estar, sempre, pronto a acolher um pedido baseado na Justiça; a segunda, que ele deve usar da maior perseverança na procura de Verda­de para conseguir encontrá-la e a terceira, que o seu coração deve estar, sempre, aberto aos Irmãos que peçam.

O Neófito (em qualquer Loja de Aprendizes) é denomi­nado membro ativo da Grande Loja de São João.

Isso comprova que a denominação de São João é geral e aplicável a todas as Lojas. Porém, de onde vem e qual o signi­ficado de tal frase?

Segundo a tradição, vem do tempo das Cruzadas, dos Cavaleiros Maçons que se reuniram aos Cavaleiros de São João de Jerusalém, mais conhecidos como Cavaleiros Templários, para combater os infiéis; o nome de São João teria sido uma palavra de ordem proposta pelos Templários e por esse moti­vo, toda Loja Maçônica passou a denominar-se de Loja de São João.

Essa narrativa, em certo aspecto histórica, serve para es­clarecer o porquê da adoção do nome de São João de parte das Lojas Maçônicas, numa época em que os Maçons perse­guidos tinham a necessidade de zelar os seus mistérios sob o manto de religião, na época dominante; no entanto, não seria uma justificativa para mantê-la até nossos dias. A Maçonaria, que admite todas as religiões, não divide os homens em fiéis e infiéis; ela não aceitaria a missão de combater os pretensos infiéis.

Mas, quanto à origem etimológica de palavra João, esse significaria: "dia".

Em efeito, o substantivo João, junto aos persas Jeha, os hebreus Johan e junto aos gregos Joannes tem por radical o hebreu Jom dia, de onde os romanos extraíram Janus, nome sob o qual adoravam o Sol.

Os Maçons em muitas circunstâncias e particularmente nessa, usaram a palavra João para representara alegoricamente o Sol.

Logo, o Aprendiz cria o Neófito membro ativo da Loja do Sol e essa nova fórmula comporta vários significados sim­bólicos. Porquanto o Sol tem por Loja, o mundo inteiro, o homem não pode vir a ser, realmente membro ativo de tal Loja, ou seja, do Mundo, que através do conhecimento que conquista através de Iniciação. Cada Oficina Maçônica deno­mina-se Loja do Sol porque constitui como um fulgor da Ma­çonaria que ilumina o Mundo moral, como o Sol clareia o físico.

Por fim, o Maçom, para merecer o título de membro ativo da Loja do Sol, amigo que é de Luz, deve consagrar todos os seus esforços, antes iluminando a si mesmo e após, os seus semelhantes, dissipando com toda a atividade de que é capaz, as trevas acumuladas pela ignorância, a hipocrisia e a ambição.

Os trabalhos dos Aprendizes abrem-se ao "meio-dia" e encerram-se à "meia-noite". Ragon afirma que essa proposi­ção possui referência com os trabalhos de Zoroastro que os exercitava em igual tempo.

Porém, sob o aspecto moral esse espaço fictício de doze horas, representando o tempo maior durante o qual o Sol brilha diariamente sobre os diversos pontos do planeta, lem­bra os Maçons que devem com os seus trabalhos expandir sobre o Mundo a maior Luz moral para serem dignos de me­recer o título de "Filhos da Verdadeira Luz".

A palavra sagrada "B..." significa "a minha força está em Deus", que significa que a principal força moral da Maçonaria repousa sobre a crença divina.

O Aprendiz possui três anos.

Segundo Ragon, isso teria relação com os antigos misté­rios aos quais os aprendizes só eram admitidos três anos após a apresentação. Segundo Vassal, tal frase encontraria a sua origem nos mistérios egípcios, nos quais o iniciado no pri­meiro Grau, corresponderia ao nosso Aprendiz, ficaria três anos afastado do mundo profano.

No entanto, como isso não ocorre ao Aprendiz moder­no, torna-se impossível encontrar uma explicação quanto a sua idade; faz-se necessário encontrar outro significado

No sentido simbólico, a idade de três anos é atribuída ao novo Iniciado para indicar que ele conhece o valor alegórico dos números, sendo o três consagrado ao Aprendiz.

Em razão disso, nesse Grau, idade, marcha, viagens, si­nais, Toques, abraços, bateria e aclamações, contam-se por três.

A marcha do Aprendiz é com três passos que formam um ângulo reto.

Cada passo indica a retidão do caminho que o Maçom deve se­guir na jornada da vida; e todos os três unidos indicam que essa reta deve ser conduzida até o Terceiro Grau, ou seja, ao "superlativo".

O sinal do Grau compõe-se de três movimentos, sendo que o da "ordem" será o primeiro.

Esses três movimentos reunidos oferecem uma forma que lembra todas as imagens simbólicas do Triângulo.

O sinal de ordem que por si só representa um ângulo reto, é símbolo da postura que deve presidir o discurso do Maçom.

O toque, que possui, também, três movimentos, sendo que dois, precipitados e um lento, simboliza a atividade e a continuidade com os quais deve ser orientado o trabalho.

A bateria por três representa, a atenção, o zelo e a perse­verança necessários para cumprir a obra maçônica.

O tríplice abraço é a imagem do afeto fraterno que une todos os Maçons.

Por fim, a aclamação, também essa, por três, exprime os votos formulados aos Maçons por cada irmão, por cada Loja em particular e para a prosperidade maçônica em geral.

O que devemos entender pelas palavras: "Três governam a Loja"?

Se, no sentido literal, esses são o Venerável e os dois vigi­lantes, devemos recordar que no sentido simbólico, o número três representa em especial a Deus, Inteligência e Virtude.

Por conseguinte essa proposição significa que a loja, ou melhor, a Maçonaria tem por Mestre, somente a Deus, por guia nos trabalhos, a Inteligência e por finalidade de suas ações, a Virtude.


A CADEIA DE UNIÃO
Após o encerramento dos trabalhos, ainda em Templo, forma-se a Cadeia de União; forma-se, isto é, compõe-se co­locando todos os presentes em círculo, sendo que os Oficiais defronte aos locais que ocupavam, o Venerável Mestre volta­do com as costas para o Oriente e o Mestre de Cerimônias, no lado oposto dando as costas à Porta de Entrada.

A formação será em círculo, procurando-se, quando pos­sível, colocar o Altar no centro, como Ponto Central de Loja.

Cada Loja caracteriza a sua Cadeia de União, observadas, porém, certas regras gerais; assim, formado o Círculo, os Ir­mãos que são os seus Elos, permanecem eretos com os braços caídos.

O Venerável Mestre comanda que os pés se unam; cada um, une os calcanhares e abre os pés em esquadria, tocando as pontas dos pés dos Irmãos que estão ao lado.

Forma-se, assim, um círculo unindo os Elos, dando uma base sólida posta no pavimento; é o contato com a matéria; o Venerável observa se todos se posicionam corretamente.

Assim, as extremidades ficam unidas equilibrando o corpo.

A seguir, cruzam-se os braços, sendo que o braço direito é colocado sob o esquerdo; dão-se as mãos.

As segundas extremidades, então, unem-se; a posição obriga o aperto das mãos, bem como, o aperto do plexo solar, con­trolando assim, a respiração.

Depois de observado que os braços estão harmoniosa­mente cruzados, o Venerável concita os Irmãos a que respi­rem uniformemente, com rápido exercício de inspiração e expiração; quando a respiração for uniforme, o ar dentro do círculo, ou seja o Prana (ou, no feminino, a Prana) contido pelas paredes redondas formadas pelos Elos, circula nos pul­mões de todos, numa troca constante de energias.

Os Elos estarão, então, unidos pelos pés, pelos braços e mãos e pela respiração.

Falta a união das mentes.

Há um fundo musical apropriado; um incenso é aceso; silêncio.

O Venerável Mestre avisa que circulará a Palavra Semes­tral transmitida de ouvido a ouvido, sussurrando-a partindo "a direita e da esquerda até chegar correta ao Mestre de Cerimônias que com um aceno dirá que chegou Justa e Perfeita.

Caso, pelo caminho, a Palavra resultar errada, então o Mestre de Cerimônias dirá em voz alta que a Palavra chegou incorretamente; o Venerável Mestre repetirá, então, a opera­ção.

A Palavra Semestral é distribuída como garantia de fre­qüência, dando a regularidade maçônica.

Essa Palavra une as mentes e assim, todo o organismo humano ficará unido; todo Elo se unirá aos demais Elos; ha­verá um só pensamento; uma só mecânica.

A Palavra Semestral provém da Autoridade Superior, ou seja, do Grão-Mestre.

O Grão-Mestre, recolhido ao seu gabinete, em medita­ção, busca uma Palavra que possa servir de contato entre ele e a sua Jurisdição.

Não se trata de uma Palavra comum surgida de um pri­meiro pensamento, mas uma Palavra gerada pelo Espírito que possa representar a Autoridade do Grão-Mestre e que trans­mitida pelas diversas Cadeias de União, possa na realidade desempenhar o papel de União.

No passado, a Maçonaria era frágil e restrita a poucas Lojas; com o seu desenvolvimento é que foi criado esse "lia-me".

O Grão-Mestre não pode estar presente em todas as Lo­jas; portanto, a sua presença será realizada através da Palavra Semestral que simboliza a sua presença.

Certas Lojas transmitem a Palavra Semestral apenas de seis em seis meses; a rigor, bastaria; no entanto, a Loja deseja permanentemente a presença de seu Grão-Mestre.

Essa Palavra Semestral equivale ao "Mantra" hindu; quando distribuída, ela une os pensamentos, de modo que cada Elo passa a ter um só pensamento que será o pensamento de seu Grão-Mestre.

Uma vez unido dessa forma, o pensamento, durante a formação de Cadeia de União, tudo o que for "pensado", será uniforme e distribuído entre os Elos e assim, surgirá uma Força de Pensamento capaz de fortalecer o Quadro e de distribuir benesses.

O Venerável Mestre ordena que os Irmãos cerrem as pálpebras e o acompanhem na prece que elevará a Deus.

Essa. Prece, então, será uníssona; todos estarão em co­munhão com o Criador.

Na Prece haverá oportunidade de súplicas, de agradeci­mentos e de louvor. Não há necessidade de que seja prolonga­da; bastam algumas palavras, simples e fervorosas.

O campo de energia que se forma oriundo de Cadeia, alcança a todos os Maçons; a palavra é composta de sons' e esses, como sabido, extravasam o recinto da Loja e em ondas, alcançam todos aqueles que comungam a mesma Doutrina Maçônica.

Sabemos que pelo fenômeno do fuso horário, em cada fra­ção de minutos uma Loja, pelo menos, reúne-se na Terra; as­sim, a cada Cadeia de União formada, todos os Maçons são alcançados e a "Corrente", gigantesca, portanto, é permanente; todos os Maçons estarão protegidos e serão alcançados pelas vibrações emanadas dessas Cadeias espargidas por toda parte.

E os Mantras? As Palavras Semestrais emitidas por todos os Grãos-Mestres da Terra, não causarão confusões?

Em absoluto, porque a Palavra Semestral é sussurrada de ouvido a ouvido e o sussurro não forma ondas sonoras. Logo, a Palavra Semestral que atua, será a exclusiva emanada por uma só autoridade, dentro de uma Loja.

E freqüente e apropriado, que o Venerável peça aos Elos um pensamento positivo em favor de determinado Irmão que se encontra em dificuldades, em especial, de enfermidade.

Toda Cadeia, emite a vibração necessária para o restabelecimento do Elo necessitado.

Essas vibrações alcançam não só o destinatário, mas a toda Fraternidade Universal.

Há uma permuta de vibrações entre as Cadeias de União reunidas; são milhões de pensamentos positivos e benéficos a fortalecer a irmandade.

E dito, quando falece um Maçom, que ele seguiu para o Oriente Eterno; a Maçonaria, como princípio, crê em Deus e na Vida Futura.

Sabemos que os que vivem neste Mundo, têm uma vida palidamente semelhante à Vida do Além.

Trata-se de um mistério que, ainda, permanece oculto sob um denso véu, mas que, pouco, conseguimos penetrar; a Fraternidade Universal abrange a Terra e o Cosmos e - por que não? - nesse Oriente Eterno, os maçons que partiram, não fazem parte de uma Maçonaria Esotérica, onde também são formadas as Cadeias de União?

Esse conhecimento espiritual é acanhado; pouco vislum­bramos e pouco sabemos, porém, a nossa ignorância não signi­fica que não haja a possibilidade de uma vida Maçônica do além.

São locubrações místicas que ficam na dependência de maior ou menor desenvolvimento espiritual.

A Cadeia de União possui uma formação "excêntrica" com a união das extremidades e das mentes; por que essa formação? Por que os pedidos? Por que a súplica?

Todos os presentes Maçons participam da Cadeia de União; é um ato obrigatório; todos os Maçons unem-se e fundem os seus pensamentos em um só. Imaginar que milhões de Maçons assim agem, resulta em aceitarmos que grandes energias são formadas e distribuídas.

Alguns Maçons não aceitam esse "Esoterismo", porém, mesmo assim, participam da Cadeia de União; são "arrasta­dos" e queiram ou não, são envolvidos no poder do "Mantra" e participam do "turbilhão" espiritual, contribuindo com a sua, particular, energia; dão de si, creiam ou não na potencialidade da Corrente Fraterna.

No término da Cadeia, o Venerável concita ao cumpri­mento fraternal e cada Elo augura um ao outro, "Muita Saú­de, Força e União".

Desfaz-se a Cadeia, lentamente; cada Elo toma seu lugar na Loja e depois, são despedidos pelo Venerável Mestre, reti­rando-se, silenciosamente, em direção ao Atrio e após, à Sala dos Passos Perdidos, onde retomam a atividade profana.

Restabelecidos nas suas energias, cada Maçom retorna ao Lar onde os seus familiares o aguardam; recebem o mem­bro da Família, recomposto, apto a prosseguir a sua jornada, do dia de amanhã.



Companheiro - Grau 2o
O Aprendizado Maçônico equivale à infância, vez que, o Iniciado é nova criatura que fatalmente progride no seu crescimento, obviamente simbólico, atingindo a virilidade em busca da maturidade.

Três são as imposições da jornada em direção ao Companheirismo: trabalho, ciência e virtude.

O Trabalho significa o esforço pessoal que abrange uma série de fatores, como a perseverança, o ideal, o entusiasmo, enfim, a disposição de prosseguir na jornada encetada.

A ciência diz respeito à instrução não basta o trabalho "operativo", representado pela freqüência às sessões e desempenho dos encargos; é preciso o interesse em direção à cultura.

Tem-se discutido, muito, se um profano analfabeto pode ser submetido a iniciação.

A Maçonaria não exige uma elite intelectual, mas o inte­resse em evoluir; se o Iniciado for analfabeto, ele terá a obri­gação de instruir-se, vez que a educação lhe é facilitada com uma multiplicidade de cursos para adultos existentes no País e até programados através de correspondência ou programas televisivos.

Nunca é tarde para a instrução.

Percorrido o caminho do Aprendizado, surge a oportu­nidade de encontrar a instrução. Essa é necessária para de­senvolver o intelecto e abrir caminhos para a compreensão filosófica.

Cinco são as etapas a transpor e cada uma, simboliza uma parte da Ciência, a saber: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética e Geometria.

Esse agrupamento, diante do progresso intelectual de nossos dias, nos parece tímido; contudo são aspectos científicos tra­dicionais que resumem uma maior gama de conhecimentos, como veremos mais tarde.

Comparando a alegoria do sistema, solar, o Companheirismo equivale ao posicionamento entre os equinócios da primavera e do outono, vez que, a Terra fecundada das chuvas primaveris, desenvolve todos os frutos que garantem a continuidade das espécies.

A Loja do 2o Grau difere da Loja de Io Grau, destacan­do-se seis pontos diferenciais, a saber: no Pavimento Mosaico é colocado o Quadro da Loja; cinco pontos luminosos; a Es­trela Flamejante, brilha no centro de Loja, vem colocado o "Ara do Trabalho", sobre o qual são colocados, uma Régua, um Malhete, um Cinzel, uma Colher de Pedreiro e um Esqua­dro.

Colocados sobre estantes, vêem-se quatro cartazes: no Io, colocado ao Oeste, vêem-se o nome dos cinco sentidos; no 2o, colocado ao Sul, o nome das quatro ordens arquitetônicas; no 3o, colocado no Oriente, o nome das sete artes literais; no 4o, colocado ao Norte, o nome dos filósofos, Sólon, Sócrates, Licurgo e Pitágoras.

O traje é igual ao do Aprendiz, sendo que a Abeta do Avental será abaixada.

O Companheiro estará à ordem, mudando a postura, er­guendo o braço esquerdo, pousando o direito sobre o coração na forma convencional.

Possui Palavra de Passe que lembra uma espiga de trigo.

A Palavra Sagrada é a mesma inserida na Coluna "J".

O Sinal é o convencional, bem como o Toque.

A Marcha é a do Aprendiz acrescida de dois passos oblí­quos.

A Bateria consta de cinco golpes; a Aclamação é a do Aprendiz; o seu Salário é a passarem de uma Coluna para outra, da perpendicular ao Nível.

Os trabalhos iniciam-se ao Meio-Dia e encerram-se à Meia-Noite.

A Lenda do Grau revela a maturidade do homem.

O Trolhamento difere do do Aprendiz e possui cinco per­guntas; a idade do Companheiro é de Cinco Anos.

O Ritual Iniciático difere do Ritual do Io Grau; cinco são as viagens probatórias; há o trabalho sobre a Pedra Bruta e o Juramento é o convencional.


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OS SENTIDOS

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