Rio Grande/RS, Brasil



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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


A HISTÓRIA DA LITERATURA ENTRE A AURA E O RASTRO

SANTOS, Daniel Baz

BAUMGARTEN, Carlos Alexandre

dbazdossantos@yahoo.com.br

Evento: XIII Mostra da Produção Universitária

Área do conhecimento: Linguística, Letras e Artes
Palavras-chave: Walter Benjamin; História da Literatura Brasileira; historiografia literária.

1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho busca analisar a história da literatura brasileira à luz de alguns conceitos teóricos utilizados por Walter Benjamin em seus estudos. O objeto pontual de análise envolve a ideia de “formação” que, desde Silvio Romero, serve de metáfora explicativa mais longeva de nosso sistema literário.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico desta pesquisa se divide em duas vertentes. A primeira delas se refere à teoria benjaminiana, com ênfase na sua discussão da história da arte e seus conteúdos. A segunda área de interesse deste trabalho diz respeito à teoria da história da literatura e seus métodos, com especial interesse nas abordagens de Antônio Candido e de Afrânio Coutinho.

3 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
A pesquisa, de caráter bibliográfico, partiu da leitura das histórias da literatura brasileira, da teoria da história da literatura e da obra teórica de Walter Benjamin. O resultado do esforço permitiu a escrita de um ensaio crítico organizando as conclusões obtidas.
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO
Em seus textos teóricos, Walter Benjamin utiliza o conceito de aura como forma de, entre outras considerações, tratar da característica cultuada e distanciada das grandes obras de arte, inacessíveis aos homens da comunidade. O autor, ao defender que este aspecto dos objetos estéticos estaria se perdendo com as novas tecnologias, parece não notar que a disciplina da História da Literatura é ainda responsável por manipular o conceito de aura no interior de seus projetos, ainda que o utilize, dialeticamente, com outro conceito benjaminano, o de rastro. Nas primeiras histórias da literatura, a solução para esta problemática foi encontrada pela ideia de “formação” que, muito antes do trabalho escrito por Antonio Candido, já era a metáfora central da historiografia literária brasileira. Contudo, ela passa a ser reformulada por novas formas de história da literatura, não mais preocupadas com modelos de perfil totalizador para a descrição de seus fenômenos. Sendo assim, a obra de Benjamin oferece outra base conceitual fluida, já que é possível demonstrar como a História da Literatura Brasileira vem substituindo um modelo “simbólico” de historiografia literária (unitário, coeso, globalizante) por outro alegórico (múltiplo, fragmentário, disjuntivo).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estudar a história da literatura brasileira é trabalhar com todas as dimensões do sistema literário nacional. Rever seus modelos mais célebres e observar suas manifestações mais inovadoras é uma maneira de entender não só o papel da literatura dentro de nossa sociedade, como também compreender o desenvolvimento de seus componentes. O presente trabalho permitiu propor um modelo para a leitura da história literária, revelando um padrão estabelecido pelos agentes de sua manutenção e expondo algumas vias alternativas surgidas, principalmente, na contemporaneidade.
REFERÊNCIAS

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