Resumo ampliado



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Encontro13.07.2018
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RESUMO AMPLIADO

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Luciano Felipe dos Santos

(Graduado em História pela UNICAMP e professor de ensino médio da rede pública do Estado de São Paulo) e-mail: lucianofelipe@yahoo.com.br


O objetivo deste trabalho é apresentar e analisar as teses do físico e epistemólogo americano Thomas Kuhn (1922-1996) acerca do desenvolvimento e reprodução do conhecimento científico presentes em sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas.

Nela, o autor defende que não existem regras atemporais que definam o método científico, que as ciências naturais não são neutras e que, em seu desenvolvimento, influem fatores exteriores à prática laboratorial.

O conceito de ciência estaria, portanto, ligado ao contexto histórico e à hegemonia de determinado modelo de pensamento e trabalho que se cristaliza como paradigma a ser seguido pelos demais da mesma área. Esta cristalização cria o que o autor chama de “ciência normal”, que é o momento de reprodução do paradigma.

Esta “ciência normal”, surgida após o estabelecimento de um paradigma, seria conservadora na medida em que os cientistas imersos nela passam a dirigir suas pesquisas visando a solução de “quebra-cabeças” propostos pelo próprio paradigma. Assim, a inovação é rechaçada e o que se objetiva é a preservação do paradigma existente.

Apesar disso, o fim das discussões em torno dos princípios da disciplina possibilitam a especialização de seus praticantes e maior aprofundamento das pesquisas. Com o tempo, porém, resultados que não se enquadram no modelo paradigmático começam a surgir. Kuhn os classifica como “anomalias”, e acrescenta que, se não atacam fundamentos do paradigma, tais resultados são tratados com desdém pelos praticantes da ciência em questão. Se são importantes dentro do contexto paradigmático, porém, são efetivados esforços para que se ache uma solução para enquadrá-los no paradigma. No entanto, se tais esforços não dão resultado e mais e mais anomalias se acumulam, cria-se, entre os cientistas da área, o que o autor chama de “crise”.

Seguindo esta lógica, o autor defende que a ciência evolui em meio à crise estabelecida, pois alguns membros do grupo de cientistas perdem a crença no paradigma existente e passam a fazer um tipo de ciência que ele chama de “extraordinária” – que é baseada em princípios abertos, não enquadrados no paradigma – em busca de uma solução para as anomalias criadas pelo paradigma hegemônico. O trabalho desta “ciência extraordinária” é que pode resultar numa revolução científica, criando um novo paradigma a ser seguido, geralmente incompatível com o anterior.

Publicada em 1962, esta obra teve grande impacto entre os teóricos das ciências naturais e humanas na segunda metade do século XX.

Em oposição ao autor, vários teóricos das ciências naturais reagiram de forma enérgica. Para eles, a tese de Kuhn cria um modelo de desenvolvimento irracional para as ciências, quando, na verdade, a ciência seria o lócus por excelência de aplicação e desenvolvimento da razão humana.



Por outro lado, vários cientistas sociais se apropriaram da tese e dos conceitos criados por Kuhn para refletir sobre sua própria área de trabalho, seja, por exemplo, propondo fórmulas para que as “ciências sociais” alcançassem o nível de maturidade e respeito obtido pela física, seja fazendo uso de seus conceitos em suas análises políticas, econômicas ou sociais.

O texto e a comunicação completa pretendem abordar estes temas de forma mais profunda e refletir sobre a importância de Thomas Kuhn e dos pensadores da ciência, entre eles Karl Popper, para o estabelecimento do método em história.
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