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Relatório de Teoria da Literatura



Relatório da disciplina

de Teoria da Literatura

elaborado no âmbito das Provas de Agregação de

Francisco Manuel Antunes Soares,

Professor Associado, de nomeação definitiva,

do Departamento de Linguística e Literaturas

da Universidade de Évora.

Évora, Maio de 2002


Índice

Colocação da disciplina e opções metodológicas 4

Contexto académico 4

Objectivos 6

Outras colocações metodológicas 6

Panorama e critérios de selecção 6

Contexto curricular 12

Avaliação 16

Outras condicionantes 17

Programa 21

Justificação e resumo do programa 22

Criatividade 22

Justificação 22

Criatividade em geral e criatividade em literatura 24

Criação de imagens, linguagem e pensamento 44

Funções da criatividade 47

Criatividade e técnica: forma e conteúdo 51



Estrutura 63

Justificação e contexto: leitura, criatividade e estrutura 63

Motivos pedagógicos 63

O conceito e o quadro teórico actual 64

Estrutura, formalismo e estética da recepção 76

O conceito de estrutura 91

Introdução 91

Totalidade 93

Transformação 95

Auto-regulação 101



Temática dos trabalhos 106

No primeiro semestre 106

No segundo semestre 107

Bibliografia da disciplina 110

Genérica 110

Criatividade 111

Estrutura e leitura 112

Colocação da disciplina e opções metodológicas




Contexto académico

A julgar pelos dados a que tive acesso, a disciplina de Teoria da Literatura está de forma geral bem colocada nas universidades portuguesas, quer ao nível das graduações, quer ao nível das pós-graduações, onde é menor mas ainda assim representativa a existência de cursos, disciplinas e programas específicos da área, ou muito próximos dela.

De forma geral também, nas graduações, a disciplina aparece no 4º ano do curso e tem carácter obrigatório e anual. São poucas as universidades em que isso não acontece. É o caso da Universidade do Porto, onde a disciplina é anual mas de opção (em alternativa com História da Língua Portuguesa, nos ramos de Educação dos cursos de Estudos Portugueses e Ingleses e Estudos Portugueses e Franceses). Outra excepção é a da Universidade de Aveiro, onde a Teoria da Literatura é uma opção entre várias outras e tem carácter semestral (nas licenciaturas idênticas às ministradas pelo Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora). Na Universidade da Beira Interior, na licenciatura em Língua e Cultura Portuguesas, a disciplina é obrigatória mas apenas com duas horas semanais e carácter semestral (2º semestre do 4º ano curricular). Na Universidade do Algarve a disciplina é obrigatória e semestral no curso para professores do ensino básico, 2º ciclo.

Os mesmos dados revelam que uma boa parte das Universidades optou por aulas em alternativa de duas horas teóricas e duas horas práticas. Uma parte menor escolhe, no entanto, o sistema de 4 horas teórico-práticas. Realmente, é difícil optar por um dos sistemas. Às vezes as aulas de teoria são teórico-práticas, dada a intensa relação entre os exemplos e a reflexão. Mas há aulas específicas em que, pela natureza de um texto, ou pela complexidade e extensão de um assunto, é preciso reservar uma aula inteira só à exposição de uma teoria, ou só à leitura crítica de um ensaio, de uma lírica, de uma narrativa. Estas unidades são só teóricas ou só práticas. Em tais condições, muitas vezes o professor realiza um sistema misto, em que a exigência de cada parte da matéria impõe uma opção momentânea por um dos três modelos previstos nos quadros curriculares.

Em termos de pós-graduações, a maioria das universidades públicas portuguesas tem abertas áreas de doutoramento em Teoria da Literatura. Em Faculdades de Letras como as da Universidades de Lisboa e da Universidade do Minho, e em algumas privadas como a Universidade Fernando Pessoa, decorrem cursos de mestrado em Teoria da Literatura, ou em Teoria da Literatura e outras áreas que são consideradas afins (por exemplo: o Mestrado em Teoria da Literatura da Universidade do Minho é também em Literatura Portuguesa; a Universidade Fernando Pessoa, por sua vez, oferece um Mestrado em Literatura onde as disciplinas afectas à Teoria e Crítica Literárias ocupam metade do peso curricular)1. Nos casos restantes, a Teoria da Literatura aparece geralmente integrada em mestrados dedicados às literaturas nacionais.
Na Universidade de Évora, a Teoria da Literatura é uma disciplina optativa anual nas duas licenciaturas em ensino oferecidas pelo Departamento de Linguística e Literaturas no último ano lectivo (2000-2001). Chegado ao 4º ano, o aluno escolhe entre Teoria da Literatura e Teoria da Linguagem.

Uma vez que o futuro professor terá de leccionar, no 3º ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, tanto a literatura quanto a língua, parece-nos incorrecto não lhe proporcionarmos as duas teorias. Ambas farão falta para melhor e mais criticamente organizar e questionar os conhecimentos adquiridos nas linguísticas e nas literaturas estudadas ao longo do curso. Privado de uma das teorias, o finalista pode cair na tentação de estudar, com os futuros alunos seus, mais a língua ou mais a literatura, dando assim origem a lacunas graves numa das duas áreas. Enquanto, nos programas que vão leccionar, se mantiverem associados os ensinos de língua e de literatura ao mesmo tempo2, torna-se por consequência perigoso retirar aos futuros professores o exercício teórico relativo à linguagem ou à literatura – de resto complementares.

Nas licenciaturas em ensino oferecidas pela Universidade de Évora, se escolher a Teoria da Literatura o aluno terá 3 horas semanais de aulas teórico-práticas – expressão usada com a mesma reserva já feita acima.

Ainda nas mesmas licenciaturas em ensino é oferecido um Seminário em Teoria da Literatura, disciplina do 2º semestre do 4º ano e que aparece na lista de opções de Seminários (duas horas semanais).

No âmbito destas duas licenciaturas é oferecida, por fim, uma disciplina optativa chamada «Retórica e Teorias do Discurso», com três horas semanais, uma prática e duas teóricas. Os objectivos da disciplina estão definidos de uma forma vaga, talvez estimulada pela exiguidade do espaço: “proporcionar o aprofundamento e investigação de noções específicas no âmbito da retórica e teorias do discurso”3. Ainda assim, ela pode ser útil, quer pela aproximação entre retórica e linguística, quer pela aproximação entre retórica e poética, ou ainda pela relação entre as teorias do discurso e a teoria da literatura.

No Mestrado em Literaturas e Poéticas Comparadas, oferecido pelo Departamento, existe uma disciplina intitulada «Tópicos de Teoria da Literatura», semestral (1º semestre) e com três horas semanais. O título é vago, não indicando uma linha específica de trabalho, como conviria a um Mestrado. O seu preenchimento, supõe-se no entanto que leve em conta a formação inicial dos alunos e permita exercitar as questões colocadas à teoria da literatura pelos estudos de literatura comparada.

No mesmo curso existem ainda as disciplinas de «Literatura e Teoria da Arte», bem como as de «Perspectivas Sócio-Linguísticas e Texto Literário», «Formação do Cânone Literário no Ensino», «Literatura e Teatro», «Literatura e Cinema» (todas com três UC’s e três horas semanais). Não sendo propriamente disciplinas de Teoria da Literatura, interseccionam-se com ela, pelo que será aconselhável a coordenação entre os seus professores e os de «Tópicos».




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