Redes Nacionais de Educação e Pesquisa Situação no Brasil e América Latina



Baixar 419,43 Kb.
Página1/2
Encontro28.09.2018
Tamanho419,43 Kb.
  1   2



Redes Nacionais de Educação e Pesquisa

Situação no Brasil e América Latina

Lucia C. P. de Melo (lmelo@fundaj.gov.br)

Iara Machado (iara@rnp.br)

Michael Stanton (michael@rnp.br)

Nelson Simões (nelson@rnp.br)




Abril de 2005

Este documento apresenta um diagnóstico das redes nacionais de educação e pesquisa (NRENs – National Research and Education Networks) no Brasil e América Latina com o objetivo de subsidiar discussões sobre diretrizes e estratégias para a integração de sistemas de informação sobre biodiversidade.


Sumário




1.
Antecedentes

Compreender e mensurar tanto os fenômenos associados aos avanços das Tecnologias da Informação e Comunicação, TICs, quanto suas implicações para o desenvolvimento da chamada Sociedade da Informação e do Conhecimento se constitui em agenda de estudo para importantes centros de pesquisa e diversas organizações internacionais. O potencial transformador dessas tecnologias, e ameaças de exclusão para aqueles que a ela não se preparam devidamente (o que é usualmente definido como a divisão digital), exige o monitoramento de sua disseminação e a avaliação permanente de seus impactos, além da observação das tendências de evolução em médio e longo prazo.


A divisão digital constitui preocupação crescente também no campo da pesquisa científica e tecnológica, uma vez que a própria atividade de pesquisa e também da inovação, especialmente em algumas áreas do conhecimento, se torna cada vez mais dependente de recursos de infra-estrutura de redes e serviços avançados baseados em TICs, que não estão disponíveis de forma generalizada, mesmo nos espaços de pesquisa dos países desenvolvidos (1). Com isso se alteram de forma significativa os parâmetros de internacionalização da pesquisa, e as possibilidades de participação em projetos e iniciativas globais, para aqueles atores que não consigam acompanhar as transformações em curso.
Os países da América Latina apresentam um quadro ainda muito heterogêneo e incipiente no que diz respeito à infra-estrutura de TICs para pesquisa, em particular em termos de redes digitais avançadas, especialmente quando a eles se compara o que ocorre em outras regiões mais desenvolvidas do mundo. Nesses países poucas informações relacionadas a TICs estão hoje disponíveis de forma sistemática para que se possa com segurança acompanhar tendências e identificar oportunidades de usos e de desenvolvimento de aplicações especiais orientadas às diversas áreas do conhecimento.
Este documento destaca o papel que as Redes Nacionais de Educação e Pesquisa (NRENs) implantadas nos países da América Latina (seja de maneira isolada ou através de sua integração via Rede CLARA (2) - Cooperação Latino Americana em Redes Avançadas) podem desempenhar ao se constituírem em potenciais vetores de indução, tanto para uma maior participação dos países no esforço internacional de pesquisa, como para ampliar as possibilidades de colaboração entre pesquisadores da região.


2.
Estado da Arte e Cenário Internacional

As NREN, juntamente com o conjunto das instituições e pesquisadores envolvidos em atividade de pesquisa, representa hoje importante ativo para que se desenvolva um ambiente propício à geração do conhecimento e da inovação nos países mais desenvolvidos. As características dessas redes em termos de disponibilidade e largura de banda constituem um indicativo da capacidade de transferência e compartilhamento de dados entre países. Por outro lado, ao permitirem elevadas taxas de transmissão de dados e inter-operação entre computadores situados em espaços geográficos diversos, as redes avançadas estabelecem as bases para o desenvolvimento de um ambiente de colaboração entre grupos de pesquisa que atuam em localidades distintas, mesmo as geograficamente mais remotas.


Atualmente se assiste a um avanço expressivo em termos de capacidade e de conexão internacional entre as redes de educação e pesquisa nas diversas regiões do mundo, assim como das redes nacionais, regionais e locais, nos mais diversos países. Essas redes cada vez mais se constituem em elemento focal para as estratégias de promoção do desenvolvimento econômico e social e de catching up, a exemplo do que ocorre em países da Europa Oriental e em países asiáticos. A Tabela 1 (veja no Anexo) apresenta como ilustração desse fenômeno o perfil de algumas redes nacionais de educação e pesquisa (todas no patamar de Gbps), e destaca a capacidade instalada de conexão internacional com a Europa e Estados Unidos de cada um dos países assinalados (3).
Na América Latina e Caribe o cenário é ainda incipiente e se observa uma heterogeneidade em relação à presença das NRENs. Atualmente são dez os países onde as redes acadêmicas são operacionais, envolvendo cerca de 630 instituições, sendo ainda em número de oito os países onde as redes estão em fase de organização (dentre eles, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai e Peru). Fatores como elevado custo dos serviços de comunicação, retração de investimentos nos sistemas nacionais de ciência, tecnologia e inovação, em especial nas universidades e centros públicos de pesquisa, contribuem para este cenário de desvantagem em relação a outras regiões. Entre os países da América Latina com redes estruturadas e em operação, México, Brasil e Chile dispõem daquelas de melhor desempenho.
O projeto Americas Path (AMPATH) liderado pela Florida International University (FIU) promoveu em 2001 a conectividade internacional (individualizada e em banda larga) de instituições e de redes nacionais de países da América Latina e Caribe com a rede norte-americana Internet 2 Abilene (4), através de sua infraestrutura na Flórida. Essa iniciativa, que visa promover a colaboração científica em áreas de interesse, viabiliza o desenvolvimento de diversos projetos de pesquisa, especialmente nas áreas de Física de Altas Energias e de Computação.

Mais recentemente, com o apoio da Comissão Européia (Programa @LIS), a criação da RedCLARA, que iniciou sua operação em setembro de 2004, e envolverá 18 países, constitui marco importante para uma maior integração entre as redes nacionais de educação e pesquisa da região, por facilitar o desenvolvimento e implantação de redes onde ainda não existem e gerar oportunidades para a construção de uma agenda de pesquisa de interesse regional e global. Até muito recentemente os elevados custos das telecomunicações restringiam as possibilidades de conexão intra-regional na América Latina, mas hoje, segundo dados de CLARA, é possível para um conjunto de países, planejar conectividade na América Latina ao mesmo valor que entre cada país e Miami, por exemplo. Além da autonomia e da capacitação gerada e difundida, a rede intra-regional permite a expansão de aplicações sensíveis, ou de controle remoto ou assistido, com tempos menores do que atualmente observados (com a infra-estrutura existente e em operação), na propagação de grandes massas de dados. Assim sendo, com uma rede intra-regional será possível assegurar alta qualidade em aplicações de colaboração a distância (educação, saúde, etc) e suporte a futuros grandes projetos intra-regionais em áreas de grande complexidade científica e tecnológica como genoma, física de altas energias, etc.


A topologia para RedCLARA, representada nas Figs.1a e 1b, possui enlaces de 155 Mbps para interconexão entre as principais redes nacionais (Argentina, Chile, Brasil e México) e enlaces que variam entre 10 e 45 Mbps para os demais países da América do Sul – recentemente se conectou o Peru, em seguida se ligarão Uruguai, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua, Guatemala, Panamá e Equador. Uma conexão de 622 Mpbs saindo do Brasil liga RedCLARA à rede GÉANT de educação e pesquisa da Europa.
Como parte de uma recente iniciativa patrocinada pela National Science Foundation (5), CLARA participa do consórcio do Projeto WHREN – Western Hemisphere Research and Education Network) liderado pela Florida International University e CENIC (rede estadual de pesquisa da Califórnia), em conjunto com FAPESP (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo) e as NRENs do Brasil (RNP), México (CUDI) e Chile (REUNA). O objetivo é interligar, no primeiro semestre de 2005, a gigabit o ponto de presença de RedCLARA no México (Tijuana) com a Califórnia (CENIC), e o ponto de presença no Brasil (São Paulo) com a Flórida (FIU). A partir destas conexões também será possível acesso de alta capacidade às redes norte-americanas e da Ásia-Pacífico.




  1   2


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal