Rede alcar –2005



Baixar 366,38 Kb.
Página1/6
Encontro01.07.2018
Tamanho366,38 Kb.
  1   2   3   4   5   6



III Encontro Nacional da Rede Alfredo de Carvalho

Novo Hamburgo, RS - 2005
GT de História da Midiologia

_______________________________________________________________

PRODUÇÃO MIDIOLÓGICA DO GRUPO DE SÃO BERNARDO

Análise taxionômica e cognitiva das dissertações e teses do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP, período 1981-2003

Autores:

William Pereira de Araújo

Nanci Maziero Trevisan

Jairo Faria Mendes

Herbert Rodrigues de Souza

José Aurelio Chiaradia Pereira

RGS

Abril, 2005

Conhecimento midiológico do Grupo de São Bernardo

Perfil da produção científica do período de 1981 e 2003


Autores: William Pereira de Araújo, Nanci Maziero Trevisan, Jairo Faria Mendes, Herbert Rodrigues de Souza, José Aurelio Chiaradia Pereira.
APRESENTAÇÃO
A partir das matrizes teóricas fundadas por Haroldo D. Laswell1, relacionadas ao paradigma do ato comunicacional —quem, diz algo, em um dado canal, para alguém e com um dado efeito—, bem como no recente modelo taxionômico elaborado por Anamaria Fadul2 em torno das teses e dissertações da Umesp no período de 1998 a 2002, a proposta deste trabalho é a de averiguação sistemática quanto ao tipo de conhecimento gerado pelo Grupo de São Bernardo, levando em consideração os eixos taxionômico e cognitivo.

O projeto desenvolvido no âmbito da disciplina Midiologia Brasileira, sob o comando do pesquisador Prof. Dr. José Marques de Melo, visa sistematizar a produção desenvolvida no Programa de Pós Graduação em Comunicação Social da Umesp (POSCOM). Para tanto objetiva identificar as linhas teóricas e as técnicas que vêm sustentando este núcleo de pesquisa que há 25 anos é identificado e reconhecido como Grupo de São Bernardo3.

Para o desenvolvimento desta pesquisa, a equipe4 adotou como parâmetro a classificação prévia do tipo de conhecimento em quatro categorias midiáticas estabelecidas por Lasswell/Wright e que neste estudo são dimensionadas por Marques de Melo: Informacional, de caráter jornalístico; Diversional, caracterizada pelo entretenimento; Instrucional, evidenciando o aspecto educativo; bem como Persuasiva, sendo esta subdividida em publicitária e de relações públicas. Esta classificação considerou a existência de um universo —referente ao período de 1978 a 2003— composto por 423 trabalhos, sendo 391 dissertações e 32 teses. Uma vez estabelecidas as categorias acima, a seleção amostral procurou desprezar acertadamente todos os trabalhos que não demonstravam claramente o objeto ou o fenômeno devidamente mediado.

Deste total, 26% referiram-se a trabalhos classificados como Midiologia Persuasiva (Propaganda, e Relações Públicas), 19% Midiologia Informativa, 15% Midiologia Instrucional, 13% Midiologia Diversional e 27% de outros, estes últimos tiveram trabalhos que não se encaixavam em nenhuma categoria, ou que não obedeciam ao critério básico de mediação por suporte tecnológico. Esta seleção, portanto, considerou deste o início algumas matrizes metodológicas que depois foram acentuadas de modo específico em cada uma das mídias relacionadas, preservando assim suas especificidades. Neste sentido, foram adotadas as seguintes ferramentas5 norteadoras:



I – Taxionomia :

Midiologia informativa: (sub-áreas definidas segundo:)


A – Suportes tecnológicos (veiculação)
A1 – Jornalismo impresso

A2 – Jornalismo radiofônico

A3 – Jornalismo televisivo

A4 – Jornalismo digital (Webjournalism)

Midiologia persuasiva
A – natureza dos efeitos pretendidos:
Al – Curto prazo – Publicidade e Propaganda

A2 – Longo prazo – Relações Públicas

Midiologia diversional – sub-áreas definidas segundo:
A – níveis culturais das mensagens
A1 – Entretenimento erudito (Cult)

A2 – Entretenimento massivo (Pop)

A3 – Entretenimento popular (Folk)

Midiologia instrucional – sub-áreas definidas segundo:


A – natureza dos processos educacionais:
A1 – Instrução formal (escolar/universitária)

A2 – Instrução informal (divulgação científica, saber popular)


B – conteúdos editoriais
Midiologia informativa
B1 – Jornalismo político

B2 – Jornalismo econômico

B3 – Jornalismo cultural

B4 – Jornalismo esportivo

B5 – Jornalismo especializado

B6 – Jornalismo geral


Midiologia persuasiva
B1 – Persuasão comercial

B2 – Persuasão política

B3 – Persuasão religiosa

B4 – Persuasão social


Midiologia Diversional
B – segmentos a que se destinam:
B1 – Entretenimento masculino

B2 – Entretenimento feminino

B3 – Entretenimento GLS

B4 – Entretenimento generalizado


BB – faixas etárias a que se destinam:
BB1 – Entretenimento infantil

BB2 – Entretenimento juvenil

BB3 – Entretenimento adulto

BB4 – Entretenimento indefinido


C – áreas do conhecimento (classificação do CNPq)

C1 – Agrárias

C2 –Biológicas

C3 – Engenharias

C4 – Exatas e da Terra

C5 – Humanas e Sociais

C6 – Línguas, Letras e Artes

C7 – Saúde

C8 – Outros
II - Fontes cognitivas: A – Suportes documentais:

A1 – Fontes Bibliográficas (Livros)

A2 – Fontes Hemerográficas (Revistas e Periódicos)

A3 – Fontes Reprográficas (teses, dissertações, monografias, papers)

A4 – Fontes Eletrônicas (discos, filmes, vídeos)

A5 – Fontes Digitais (Webmídia)

A5 – Fontes Primárias (Documentais escritos, orais etc.)
B – Origem do conhecimento

B1 – Europeu

B2 – Norte-americano

B3 – Latino-americano

B4 – Brasileiro

B5 – Outros


C – Pertinência sistêmica

C1 – Fontes do campo comunicacional



    1. Comunicação interpessoal

    2. Comunicação organizacional

    3. Comunicação massiva

    4. Outros segmentos

C2 – Fontes de outros campos do saber



    1. Artes

    2. Ciências Humanas

    3. Ciências Sociais Aplicadas

    4. Lingüística e Literatura

    5. Tecnologias

    6. Outras áreas do saber

D – Endogenia/exogenia

D1 – Autores do Grupo de São Bernardo

D2 – Autores de grupos comunicacionais brasileiros

D3 – Autores de grupos comunicacionais lusófonos

D4 – Autores de grupos comunicacionais latino-americanos

D5 – Autores de outros grupos comunicacionais

D6 – Autores externos ao campo comunicacional


E – Temporalidade

E1 – Fontes datadas do século XXI (Anos 2000-2003)

E2 – Fontes datadas dos anos 90 do século XX

E3 – Fontes datadas dos anos 70-80 do século XX

E4 – Fontes datadas dos anos 50-60 do século XX

E5 – Fontes datadas das primeiro metade do século XX

E6 – Fontes datadas do século XIX

E7 – Fontes datadas de períodos anteriores


TRAJETÓRIA DO GRUPO
A trajetória da pesquisa de pós-graduação realizada na Umesp desde 1978 pode ser identificado inicialmente "por pesquisadores alijados por motivos políticos ou preconceito intelectual, dos quadros das universidades renomadas"6, ampliado posteriormente com a vinda de pesquisadores de outras regiões, culminando no que Marques de Melo denomina de "pluralismo acadêmico"7

Igualmente importante são as fases evidenciadas pelo autor nestes 25 anos de existência. A seu ver, até 1981 o programa dedicou-se a "fenômenos não hegemônicos ou contra hegemônicos nas sociedades dependentes"8, estabelecendo aí um primeiro diferencial, pois à época as pesquisas priorizavam tal enfoque. De 1982 a 1984, assim como de 1985 a 1993, passou a valorizar mais a área de comunicação científica e tecnológica, "quando para promover sua 'inserção em um novo cenário', de redemocratização do País, dispensaria 'mais atenção à esfera pública governamental"9.

Além disso, a fase que vai de 1994 a 1999 registra a rearticulação criando as áreas de Teoria e Ensino da Comunicação e de Comunicação Científica e Tecnológica, mudanças que novamente são enriquecidas na fase que vai de 2000 a 2003, marcada pela implantação "da agenda do novo século". Esta, em linhas gerais, persegue os processos comunicacionais, que na atualidade "confrontam dialeticamente o industrial e o artesanal, o público e o privado, o tradicional e o pós-moderno, o internacional e o local"10.

Apesar da importância destas sucessivas mudanças, observa-se neste pluralismo uma identidade extremamente volátil, perceptível nas constantes adaptações realizadas por circunstâncias externas e não internas ao grupo. Em outra leitura, nota-se aí o aspecto multifacetado, maturação esta que se dá mais para atender à demanda para formação de pesquisadores e professores do que propriamente para um amadurecimento interno desta comunidade.

Um detalhe que reforça esta hipótese diz respeito à fixação de um posicionamento mais expressivo junto à comunidade científica, observada a partir de 1994, cenário em que as mudanças apontam para a reflexão dos paradigmas no tocante à tecnologização e globalização das sociedades —quando associa fenômenos das fusões e megafusões—, bem como para a sofisticação das empresas rumo a inovações, como a convergência midiática. Estas transformações certamente exigiam comportamentos diferenciados no tocante às pragmáticas de pesquisa, expressado na diversificação de técnicas, que avança para o dimensionamento na forma de redes comunicacionais.

Esta missão foi adequadamente engendrada com a instalação da Cátedra Unesco no seio deste programa de pós-graduação, haja vista o intercâmbio que a mesma passou a estabelecer com pioneiros, continuadores e inovadores no segmento da pesquisa acadêmica. Isso no entanto tem seu preço —a necessidade de contínuo estímulo e articulação— motivo pelo qual talvez explique o fato de Marques de Melo encarar como "uma missão espinhosa, no sentido de preservar o trabalho em equipe, garantindo ao mesmo tempo a liberdade individual da pesquisa"11.

Considerando este pano de fundo, o presente estudo sugere um marco divisor evidenciado nas duas fases pelas quais o Grupo passou: a de Implantação, de 1981 a 1993, e a de Reformulação, de 1994 a 2003. A partir disso, a distribuição das pesquisas do Grupo de São Bernardo, dentro de uma perspectiva geral e das classificações midiáticas aqui apontadas, é possível observar um efetivo equilíbrio entre as áreas envolvidas (G1). Nota-se uma predominância de trabalhos nas áreas persuasiva e informativa, sem que comprometa o perfil eclético evidenciado.

Na Fase de Implantação foram defendidas 109 dissertações e nenhuma tese, pois este programa iniciou-se somente na década de 90. Nesta fase número de defesas manteve-se pequeno, bem inferior à fase seguinte, mas com uma certa constância. Este índice manteve-se linear principalmente após o crescimento ocorrido a partir de 1991 (G2).

Na Fase de Reformulação foram defendidas 282 dissertações e 32 teses, alcançando seu auge entre 2000 e 2002. Isso coincide com o crescimento da demanda de mercado por cursos de pós-graduação, bem como pela maturidade alcançada por este programa. Mas o perfil deste grupo também pode ser observado pelas escolhas e indicações relacionadas aos orientadores (G3).

Com relação às teses, José Marques de Melo destaca-se com a orientação de 8 trabalhos, com ênfase para a Midiologia Informativa (Jornalismo), quantidade expressiva no período de 1998 a 2002. Isaac Epstein, em segundo lugar com 5 trabalhos orientados, pôs ênfase na Midiologia Instrucional, especialmente em 2002. Em seguida, com 3 teses vem Jacques Vigneron. No tocante às dissertações, Wilson as Costa Bueno destaca-se com a orientação de 56 trabalhos oriundos das várias áreas aqui classificadas, mantendo-se em níveis constantes de 1985 a 2003. Marques de Melo, por sua vez, registra a orientação de 48 dissertações entre 1981 a 1986 (Midiologia Informativa – Jornalismo, 21 dissertações)12. Vigneron, por sua vez, orientou 39 dissertações, ao passo que Onésimo de Oliveira Cardoso orientou 33 dissertações nas diversas classificações, entre 1983 e 1995, período em que atuou no POSCOM. Destaque-se ainda Gino Giacomini Filho, que orientou 31 dissertações especialmente na fase de Reformulação (1995 a 2003), com destaque para Midiologia Persuasiva (G4-5).



ANÁLISE

A partir do volume de trabalhos verificados na trajetória do conhecimento do Grupo de São Bernardo e para objetivar a exposição de dados, a equipe passa a apontar os resultados verificados em cada área classificada, respeitando a seguinte ordem: Midologia Persuasiva (Publicidade e Propaganda e Relações Públicas), Midiologia Informacional (Jornalismo), Midiologia Instrucional e Midiologia Diversional.



PERSUASIVA-PUBLICIDADE E PROPAGANDA

Em relação ao universo total deste período, a Midiologia persuasiva representa 26% considerando dissertações e teses defendidas, dados este que a coloca como a mais procurada. Analisadas separadamente, correspondem a 26% das dissertações e 19% das teses (G6). Em números absolutos representam 110 trabalhos: 88 ligados à Propaganda (83 dissertações e 5 teses), e 22 associados às Relações Públicas (21 dissertações e 2 teses). O comportamento desta produção ocorre esporadicamente na fase de Implantação, ficando mais intensa na fase seguinte com destaque para a década de 90 até o ano de 2003.

A análise taxionômica em Propaganda aponta um universo de 88 trabalhos (dissertações e teses), recorrendo acentuadamente ao suporte técnico impresso na proporção de 40%. O suporte audiovisual aparece em 28% dos trabalhos, menor em relação ao impresso, indicando menor interesse por este recurso. O suporte digital (6%) e sonoro (6%) surgem com destaque para o rádio. O suporte digital perde fôlego no entanto no âmbito das teses, caindo para 28%, tal como ocorre com o suporte audiovisual, que de 28% nas dissertações cai a zero nas teses. O destaque fica para o uso do suporte digital, que salta para 14%. Quanto à natureza dos trabalhos defendidos, 19% referiam-se a Relações Públicas e 81% a Propaganda.

Entre dissertações e teses, o conteúdo classificado como Persuasão Comercial predominou com 53%, seguido de Persuasão Política ,18%, e Persuasão Religiosa ,15%. Estes são os conteúdos mais presentes tanto no geral quanto na análise das dissertações, somente na análise das teses elimina-se a presença do conteúdo político, no entanto, em quaisquer uma das análises, estas três vertentes da propaganda: persuasão comercial, política e religiosa são as mais relevantes, embora haja o resíduo ligado à Persuasão Social com 5%.

Para a análise do conhecimento articulado pelos pesquisadores, selecionou-se 20 trabalhos (18 dissertações e 2 teses). A análise destes dados mostra uma diferença significativa dos autores citados (G10).


Autor

Total

Dissertação

Teses

Kotler

139

119

20

Kappferer

51

0

51

Marques de Melo

39

39

0

Karsalakian

27

0

27

Gade

26

0

26



  1   2   3   4   5   6


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal