RecuperaçÃo semestral (1º semestre – 2011) Literatura – henrique landim



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O HOMEM QUE SABIA JAVANÊS


 

Em uma confeitaria, certa vez, ao meu amigo Castro, contava eu as partidas que havia pregado às convicções e às respeitabilidades, para poder viver.

Houve mesmo, uma dada ocasião, quando estive em Manaus, em que fui obrigado a esconder a minha qualidade de bacharel, para mais confiança obter dos clientes, que afluíam ao meu escritório de feiticeiro e adivinho. Contava eu isso.

O meu amigo ouvia-me calado, embevecido, gostando daquele meu Gil Blas vivido, até que, em uma pausa da conversa, ao esgotarmos os copos, observou a esmo7:

- Tens levado uma vida bem engraçada, Castelo!

- Só assim se pode viver... Isto de uma ocupação única: sair de casa a certas horas, voltar a outras, aborrece, não achas? Não sei como me tenho agüentado lá, no consulado!

- Cansa-se; mas, não é disso que me admiro. O que me admira, é que tenhas corrido tantas aventuras aqui, neste Brasil imbecil e burocrático.

- Qual! Aqui mesmo, meu caro Castro, se podem arranjar belas páginas de vida. Imagina tu que eu já fui professor de javanês!

- Quando? Aqui, depois que voltaste do consulado?

- Não; antes. E, por sinal, fui nomeado cônsul por isso.

- Conta lá como foi. Bebes mais cerveja?

- Bebo.


Mandamos buscar mais outra garrafa, enchemos os copos, e continuei:

- Eu tinha chegado havia pouco ao Rio estava literalmente na miséria. Vivia fugido de casa de pensão em casa de pensão, sem saber onde e como ganhar dinheiro, quando li no Jornal do Comércio o anúncio seguinte:

“Precisa-se de um professor de língua javanesa. Cartas, etc.” Ora, disse cá comigo, está ali uma colocação que não terá muitos concorrentes; se eu capiscasse quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café e andei pelas ruas, sempre a imaginar-me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e sem encontros desagradáveis com os "cadáveres". Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional. Não sabia bem que livro iria pedir; mas, entrei, entreguei o chapéu ao porteiro, recebi a senha e subi. Na escada, acudiu-me pedir a Grande Encyclopédie, letra J, a fim de consultar o artigo relativo a Java e a língua javanesa. Dito e feito. Fiquei sabendo, ao fim de alguns minutos, que Java era uma grande ilha do arquipélago de Sonda, colônia holandesa, e o javanês, língua aglutinante do grupo maleo-polinésico, possuía uma literatura digna de nota e escrita em caracteres derivados do velho alfabeto hindu. (“O Homem que sabia Javanês” – Lima Barreto)
Sobre o texto de Lima Barreto, julgue os itens abaixo em V ou F:


  1. Estamos diante de um texto do gênero narrativo que possui um narrador em primeira pessoa, sujeito que expressa a sua “aventurosa” profissão de professor de javanês.

  2. O espaço da narrativa acima é psicológico, sobretudo em função da incompatibilidade do lugar com a realidade concreta.

  3. A presença de várias falas poderia ser vista como uma marca dramática em um texto narrativo.

  4. A expressão “homem que sabia javanês” se relaciona unicamente ao interlocutor (“amigo”) do narrador.


(ENEM - 2010) O poema de Manoel de Barros será utilizado para resolver as duas próximas questões:
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras

fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidade

das tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado

para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restos

como as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.
(BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa. Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74.)

04 É próprio da poesia de Manoel de Barros valorizar seres e coisas considerados, em geral, de menor importância no mundo moderno. No poema de Manoel de Barros, essa valorização é expressa por meio da linguagem




  1. Denotativa, para evidenciar a oposição entre elementos da natureza e da modernidade.

  2. Rebuscada de neologismos que depreciam elementos próprios do mundo moderno.

  3. Hiperbólica, para elevar o mundo dos seres insignificantes.

  4. Simples, porém expressiva no uso de metáforas para definir o fazer poético do eu-lírico poeta.

  5. Referencial, para criticar o instrumentalismo técnico e o pragmatismo da era da informação digital.

05 Considerando o papel da arte poética e a leitura do poema de Manoel de Barros, afirma-se que




  1. Informática e invencionática são ações que, para o poeta, correlacionam-se: ambas têm o mesmo valor na sua poesia.

  2. Arte é criação e, como tal, consegue dar voz às diversas maneiras que o homem encontra para dar sentido à própria vida.

  3. A capacidade do ser humano de criar está condicionada aos processos de modernização tecnológicos.

  4. A invenção poética, para dar sentido ao desperdício, precisou se render às inovações da informática.

  5. As palavras no cotidiano estão desgastadas, por isso à poesia resta o silêncio da não comunicabilidade.

06 ( Adaptada- alunos Inei Coc – 1°C - 2011) Leia com bastante atenção o texto abaixo e faça o que se pede:




SOFRO POR TI
Oh minha senhora,

Desde o primeiro instante que a vi,

Senti, dentro de mim, florescer algo peculiar.

Sua beleza tira-me todo o ar,

Seus cabelos louros irradiam como os raios do Sol,

Que me iluminam assim como um farol.


Não posso te dar objeto de valor,

Mas prometo que lhe darei o meu amor.

Mas quem me dera?

Eu ter o seu amor somente para mim

Diga apenas “sim”

E tentarei te conquistar até o fim.



Mas sei que nossos mundos são distintos,

Você junto a ele naquela luxuosa cômoda

E eu aqui sozinho nesta pobre casa,

Isso torna tudo impossível.
Sofro ao saber que estás com outro,

Cada lágrima derramada em minha face,

É um pedaço do meu coração partido,

Que foi se perdendo aos poucos,

Assim como o vento sopra a areia

Para uma terra desconhecida.


E a única solução,

É ter você juntando as partes do meu coração.



A leitura do texto acima nos permite afirmar corretamente que:




  1. A expressão “Seus cabelos louros irradiam como os raios do Sol” relaciona-se à beleza da amada.

  2. Este texto é uma cantiga de amigo, que possui um eu - lírico masculino e expressa seu sofrimento em relação a sua amada.

  3. Há o coito amoroso na segunda estrofe do texto.

  4. Ocorre uma supervalorização da figura feminina no texto.

  5. Apenas nas duas últimas estrofes há versos isométricos.

(Adaptado de: ANDRÉ, João Maria. Homem e Natureza em Nicolau de Cusa. In: Veritas, Porto Alegre, v. 44, n.3, p. 805, set. 1999.)


07 Procure ler com bastante atenção os textos abaixo e faça o que se pede:


TEXTO I
CALA A BOCA, BÁRBARA

(Chico Buarque/Ruy Guerra)

Ele sabe dos caminhos
Dessa minha terra
No meu corpo se escondeu
Minhas matas percorreu
Os meus rios
Os meus braços
Ele é o meu guerreiro
Nos colchões de terra
Nas bandeiras, bons lençóis
Nas trincheiras, quantos ais, ai

Cala a boca


Olha o fogo
Cala a boca
Olha a relva
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca, Bárbara

Ele sabe dos segredos


Que ninguém ensina
Onde guardo o meu prazer
Em que pântanos beber
As vazantes
As correntes
Nos colchões de ferro
Ele é o meu parceiro
Nas campanhas, nos currais
Nas entranhas, quantos ais, ai

Cala a boca


Olha a noite
Cala a boca
Olha o frio
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca Bárbara

TEXTO II

MARINHA, O TEU FOLGAR

(Afonso Eanes de Coton)


Marinha, o teu folgar
tenho eu por desacertado,

e ando maravilhado

de te não ver rebentar;

pois tapo com esta minha

boca, a tua boca, Marinha;

e com este nariz meu,

tapo eu, Marinha, o teu;

com as mãos tapo as orelhas,


os olhos e as sobrancelhas,

tapo-te ao primeiro sono;

com a minha piça8 o teu cono9;

e como o não faz nenhum,

com os colhões10 te tapo o cu.

E não rebentas, Marinha?



Julgue todos os itens abaixo em V ou F:




  1. O texto I é uma típica cantiga de amigo em que um eu-lírico feminino expressa seus sentimentos pelo amado;

  2. No refrão do texto I podemos notar certo clima opressivo, como se Bárbara estivesse a passar por processo de tortura.

  3. O texto II pode ser classificado como uma cantiga de escárnia, pois há uma crítica indireta ao sujeito criticado.

  4. Em certa parte do texto I o eu-lírico faz referência aos segredos de Calabar que podem ser vistos como ideias revolucionárias contrárias ao anos de chumbo da Ditatura Militar Brasileira.

08 Avalie com bastante atenção todos os textos abaixo para em seguida se fazer o que se pede:




TEXTO I
SENHORA MINHA, DESDE QUE VOS VI

Senhora minha, desde que vos vi,


lutei para ocultar esta paixão
que me tomou inteiro o coração;
mas não o posso mais e decidi
que saibam todos o meu grande amor,
a tristeza que tenho, a imensa dor
que sofro desde o dia em que vos vi.

Quando souberem que por vós sofri


Tamanha pena, pesa-me, senhora,
que diga alguém, vendo-me triste agora,
que por vossa crueza padeci,
eu, que sempre vos quis mais que ninguém,
e nunca me quiseste fazer bem,
nem ao menos saber o que eu sofri.

E quando eu vir, senhora, que o pesar

que me causais me vai levar à morte,
direi, chorando minha triste sorte:
"Senhor, porque me vão assim matar?"
E, vendo-me tão triste e sem prazer,
todos, senhora, irão compreender
que só de vós me vem este pesar.

Já que assim é, eu venho-vos rogar


que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;
graça maior não ousarei rogar.

(Afonso Fernandes)




TEXTO II



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