Realismo e naturalismo



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Disciplina: Literatura Professor: Márcio Santiago


Aluno(a): _______________________________________________ Nº: ______

Data: ____/____/_____ - Turma: ______ - Turno: Manhã






REALISMO E NATURALISMO



1. Considerações iniciais
Costuma-se unir esses dois estilos literários como se fossem irmãos siameses. Entretanto, o Realismo e o Naturalismo têm as suas particularidades, assim como os irmãos siameses, que, embora compartilhem alguns órgãos, têm membros separados.

O Realismo preocupa-se com a representação objetiva da realidade, no que se opõe ao subjetivismo romântico. Já o Naturalismo, intensificando as tendências básicas do Realismo, aplica à literatura as descobertas e métodos da ciência do século XIX.

Assim como o Romantismo denotava uma atitude antes de dominar uma tendência estética, também a atitude realista e naturalista pode ser observada antes ou depois do movimento iniciado em fins do século XIX.

2. Realismo e Naturalismo: distinções

A confusão entre Realismo e Naturalismo não é sem razão, visto que, apesar das diferenças entre estas duas correntes, o Naturalismo não é independente do Realismo; ambos têm como objeto de observação a realidade; ambos são postos em relevo pela literatura no mesmo período.

O Naturalismo incorporou ao Realismo o cientificismo da época, o determinismo e a crença de que os seres humanos estariam condicionados, pela raça, pela hereditariedade e pelo momento histórico, criando daí romances que são verdadeiras teses científicas, nos quais o escritor cria situações de causa e efeito para melhor descrever atitudes e personalidades, evidenciado preocupações patológicas. O Realismo, por sua vez, “teve apenas a preocupação de retratar com certa isenção a realidade circundante, sem ir mais além na pesquisa, sem trazer a ciência”.

Desses aspectos pode-se destacar uma diferença significativa entre um e outro: em suas abstrações sociológicas e análises pseudocientíficas, o Naturalismo acaba por se distanciar da realidade e, de certo modo, constituir ma manifestação de subjetividade e deformação da realidade, decorrente em grande parte de conceitos predeterminados na mente do escritor.


3. Contexto histórico

    • Revolução Industrial (Inglaterra);

    • Amplo progresso científico e tecnológico;

    • Movimentos de origens popular com idéias liberais, nacionalistas e liberais;

    • Publicado o Manifesto comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels;

    • Extinção do tráfico negreiro (1850);

    • Guerra do Paraguai (1864-1870);

    • Abolição dos escravos (1888).


4. O Realismo brasileiro

- Marco inicial: 1881 – Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


5. O Naturalismo brasileiro

- Marco inicial: 1881 – O mulato, de Aluísio de Azevedo.


6. Características do Realismo

    • Objetivismo;

    • Veracidade;

    • Descrições e adjetivações objetivas, tentando captar o real como ele é;

    • Linguagem culta e direta;

    • Mulher não idealizada, mostrada com defeitos e qualidades;

    • Amor e outros sentimentos subordinados aos interesses sociais;

    • Casamento como instituição falida, como contrato de interesses e conveniências;

    • Herói problemático, cheio de manias e incertezas;

    • Narrativa lenta, acompanhando o tempo psicológico;

    • Personagens trabalhadas psicologicamente;

    • Universalismo.


7. Características do Naturalismo

    • Enfoque das teorias científicas e filosóficas;

    • Incorporação de termos científicos e profissionais;

    • Temas de patologias sociais (personagens mórbidos, adúlteros, psiquicamente desequilibrados, assassinos, bêbados, miseráveis, doentes, prostitutas etc.);

    • Observação e análise da sociedade;

    • Descrição animalesca e sensual do ser humano;

    • Despreocupação com a moral;

    • Linguagem simples;

    • Narrativa lenta.


8. Principais autores e obras
8.1. Realismo


  • Machado de Assis - Tendências realistas: Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908). Contos: Contos fluminenses (1870), Histórias da meia-noite (1873), Papéis avulsos (1882), Histórias sem data (1884), Várias histórias (1896), Páginas recolhidas (1899), Relíquias de velha casa (1906).




  • Raul Pompéia - O Ateneu (1888)



8.2. Naturalismo


  • Aluísio de Azevedo: O mulato (1881), Casa de pensão (1884), O cortiço (1890).




  • Adolfo Caminha: A normalista (1893), Bom-crioulo (1895).




  • Júlio Ribeiro: A carne (1888)




  • Domingos Olímpio: Luzia-Homem (1903)







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