Quem é o espírito santo



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A TRINDADE E O ESPÍRITO SANTO

Demóstenes Neves da Silva*




A Compreensão da Verdade é Progressiva


A doutrina do Espírito Santo, como revelada nas Escritura, não foi entendida amplamente no Antigo Testamento (a partir daqui AT). Mesmo a compreensão de quem seria o Messias e Sua obra não seria plenamente obtida antes do advento do Novo Testamento (a partir daqui NT). Como muitas outras verdades, o entendimento acerca do Espírito Santo ainda era parcial.

Na Igreja Adventista do Sétimo dia (IASD) a doutrina estabeleceu-se como uma luz progressiva. Não é para ignorar esse fenômeno pois o mesmo ocorreu com a doutrina do Sábado, Reforma de Saúde, Dízimo, Santuário, Dom Profético e até mesmo a compreensão mais completa da Justificação pela Fé.1

Vários dos pioneiros eram originários da Conexão Cristã, uma denominação evangélica norte-americana, que mantinha pontos de vista doutrinários equivocados sobre a Trindade e, consequentemente sobre o Espírito Santo. Numa atmosfera de encontro de tantas novas idéias somente o tempo e o amadurecimento da igreja poderiam operar mudanças sem colocar em risco, pelas disputas doutrinárias, a unidade da igreja nascente.2

A IASD, conforme declara o seu Manual, reconhece a divindade e a personalidade do Espírito Santo.3 O consenso doutrinário tornou-se suficientemente claro para um posicionamento já por volta de 1900 e foi publicada claramente na formulação de crenças em 1931.4

Como tem sido ao longo da história da igreja, alguns se têm levantado, em grande medida influenciados por literatura de natureza ariana5 como a produzida pelas Testemunhas de Jeová, entre outros, com interpretações equivocadas de textos inspirados, negando a personalidade e a divindade do Espírito Santo. Assim, faz-se necessária uma reavaliação de alguns argumentos que, em geral, são usados para apoiar idéias que são originadas mais na ideologia extra-bíblica e preconceito do que realmente no ensino das Escrituras. Tais idéias são divulgadas à base de artifícios de argumentação e seleção de textos escolhidos, destacados do seu contexto e em desprezo de outras importantes declarações inspiradas.

Este trabalho está dividido em duas seções principais: na primeira serão abordados aspectos bíblicos, históricos e filosóficos que estão na base das discussões sobre o assunto e que poderão ajudar a corrigir idéias equivocadas atribuídas à Trindade e ao Espírito Santo. Na segunda parte serão apresentadas afirmativas bíblicas 6sobre quem Ele é, Sua natureza e obra.

Pretendemos valer-nos de fontes bíblicas e obras exegéticas para examinar os argumentos arianos refutando-os, evidentemente, dentro dos limites deste artigo.



Sem Explicação Racional


É preciso ter em mente, embora os arianos modernos e racionalistas 7 não desejem aceitar, que, ao falar sobre a natureza do Espírito Santo e Sua divindade (e o mesmo ocorre sobre a divindade de Jesus), e também para não cair no biteísmo pagão, é preciso esclarecer o tema da Trindade. Trata-se de tema que, embora revelado à mente finita, continua além da plena compreensão humana, portanto, trata-se de um mistério de fato. O arianismo moderno pergunta como a doutrina da Trindade pode ser crida se não pode ser explicada racionalmente? A Bíblia responde reafirmando o mistério de Deus e Sua natureza:


“Porventura desvendará os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-Poderoso?” (Jó 11:7).

“Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir” (Sl 139:6).

“Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a Sua grandeza é insondável” (Sl 145:3).

“Não se pode esquadrinhar o Seu entendimento” (Is 40:28).

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são

os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos” (Rm 11:33).


Mesmo o amor de Cristo e a paz de Deus estão além de toda compreensão e conhecimento (Ef 3:19; Fl 4:7). Ou seja, não se pode explicar a Deus, nem Sua grandeza, Seus pensamentos, Seus juízos, Seu amor e nem sua paz. Mas também não se explicam muitas outras declarações da Bíblia. Todavia são exatamente os mistérios que a identificam como Palavra de Deus, com temas que estão além da capacidade humana, sem que isso impeça que se creia, desfrute e viva suas verdades.

Ao dizer que só acreditam no que se pode explicar os arianos fazem uma opção exclusiva pelo racional em detrimento da fé. A rejeição da Trindade passa a fundamentar-se na auto-suficiência do intelecto humano. Estabelece-se a contradição entre declarar-se ter fé mas só acreditar na capacidade racional de explicar os fatos. Talvez isso explique as tentativas para “dobrar” a Bíblia de acordo com um racionalismo religioso. A razão, embora necessária à recepção e prática da mensagem, não é suficiente para desvendar e explicar plenamente as verdades reveladas.

Se apenas se aceitasse o que é racionalmente compreensível sobre Deus, estaríamos dessa forma, igualando o homem a Deus e, negando a Sua transcendência. Passemos, então, à parte seguinte deste trabalho que visa analisar o tema da Trindade.


A Trindade e a Doutrina Bíblica

A palavra trindade não se encontra na Bíblia. Seria isso prova de que a doutrina não existe? A palavra Milênio também não está na Bíblia e por isso não existe o milênio ou um período de mil anos? Claro que existe (Ap 20:1-3). O fato de se usar uma nova palavra para uma doutrina bíblica não significa que a doutrina não tenha existido antes do aparecimento do novo vocábulo. A doutrina não depende de novos nomes, existia antes deles, assim também a doutrina da Trindade.

Alguns acreditam que a doutrina da Trindade foi inventada em 325 d.C., devido às disputas com Ário, mas esquecem que, se essa doutrina não existisse antes, por que Ário a combateria? Na realidade a atitude de Ário demonstra que a crença já era estabelecida e que a igreja, na sua reação, elaborou mais detalhadamente a doutrina com vistas a refutar os argumentos filosóficos e os usos impróprios de interpretações da Bíblia.8

Além da Bíblia, a prova de que a doutrina da divindade de Cristo e do Espírito Santo bem como da Trindade (embora a palavra ainda não tivesse sido usada) já era crida em toda a igreja cristã, e ensinada pelos bispos, é uma carta de Alexandre, bispo de Alexandria, no distante Egito, para Eusébio da Nicomédia, na Ásia. Ela é anterior a Nicéia, antes de Ário se tornar notório pela pregação de sua “nova” doutrina. Nessa carta, Alexandre queixa-se que sua divergência com Ário deu-se por causa da negação da divindade de Cristo:


Tudo isso devido a que nós não concordamos com ele quando ele declarou em público, (...) Sempre gerado, não procedente-criado, nem no pensamento nem no mesmo momento Deus originou o Filho, sempre Deus, sempre Filho, O Filho procede do próprio Pai. 9
A controvérsia que envolveu a igreja no oriente e ocidente, considerou Ário como herege, e provocou vários concílios desde 319 até 381. Esta controvérsia absorveu meios e energias de muitos líderes da igreja. Numa carta a seu homônimo de Tessalônica na Grécia, Alexandre declarou que, para conseguir implantar a “novidade” de sua doutrina:
Ele [Ário] denunciou cada santa doutrina apostólica; ele organizou no estilo dos judeus um grupo de trabalho lutando contra Cristo. Ele negou a divindade de nosso Salvador.10
“Nós cremos no Espírito Santo” diz o credo Niceno. A ausência da abordagem sobre a divindade do Espírito Santo explica-se pelo fato de que a questão em foco era a divindade de Jesus, e, quando se fez necessária, posteriormente, no concílio de Constantinopla (381 d.C.), elaborou-se uma definição mais ampla:
... “e no Espírito Santo, o Senhor, o Doador da Vida, o qual procede do Pai, o qual com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o qual falou pelos profetas”. É o mesmo Espírito mencionado no AT que é adorado como o são o Pai e o Filho.11

Os credos primitivos, elaborados pela igreja, ao contrário do que alegam seus críticos, foram a expressão das crenças anunciadas pelos apóstolos e que podem ser comprovadas no NT. Mas nem todas as crenças, visto não terem sido alvo de ataques, apareceram em credos, embora estejam claramente na Bíblia. Uma doutrina é verdadeira por estar na Escritura como é o caso da Divindade Triúna.






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