Que ocorrência revela o clímax da aflição de Cecília?



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P21









T




C




20

04

07



  1. Que ocorrência revela o clímax da aflição de Cecília?




  1. No sétimo parágrafo, o autor usou um recurso para personificar um sentimento de Cecília. Quais foram, respectivamente, o sentimento da personagem e o recurso do autor?

3 Em artigo publicado no jornal O Globo, em 1875, o escritor Joaquim Nabuco afirmou que os heróis de Alencar são inverossímeis, isto é, não parecem verdadeiros. Baseando-se no texto, comente se essa crítica é ou não adequada.


TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 01 A 03
O que Cecília viu, debruçando-se à janela, gelou-a de espanto e horror.

De todos os lados surgiam répteis enormes que, fugindo pelos alcantis, lançavam-se na floresta; as víboras escapavam das fendas dos rochedos, e aranhas venenosas suspendiam-se aos ramos das árvores pelos fios da teia.

No meio do concerto horrível que formava o sibilar das cobras e o estrídulo dos grilos, ouvia-se o canto monótono e tristonho da cauã no fundo do abismo.

O índio tinha desaparecido; apenas se via o reflexo da luz do facho.

Cecília, pálida e trêmula, julgava impossível que Peri não estivesse morto e já quase devorado por esses monstros de mil formas; chorava o seu amigo perdido, e balbuciava preces pedindo a Deus um milagre para salvá-lo.

Às vezes fechava os olhos para não ver o quadro terrível que se desenrolava diante dela, e abria-os logo para perscrutar o abismo e descobrir o índio.

Em um desses momentos um dos insetos que pululavam no meio da folhagem agitada esvoaçou, e veio pousar no seu ombro; era uma esperança, um desses lindos coleópteros verdes que a poesia popular chama lavandeira-de-deus.

A alma nos momentos supremos de aflição suspende-se ao fio mais tênue da esperança; Cecília sorriu-se entre as lágrimas, tomou a lavandeira entre seus dedos rosados e acariciou-a.

Precisava esperar; esperou, reanimou-se, e pôde proferir uma palavra ainda com a voz trêmula e fraca:

- Peri!


No curto instante que sucedeu a este chamado, sofreu um ansiedade cruel; se o índio não respondesse, estava morto; mas Peri falou:

- Espera, senhora!

Entretanto, apesar da alegria que lhe causaram estas palavras, pareceu à menina que eram pronunciadas por um homem que sofria: a voz chegou-lhe ao ouvido surda e rouca.

- Estás ferido? perguntou inquieta.

Não houve resposta; um grito agudo partiu do fundo do abismo, e ecoou pelas fráguas; depois a cauã cantou de novo, e uma cascavel silvando bravia passou seguida por ninhada de filhos.

Cecília vacilou; soltando um gemido plangente caiu desmaiada de encontro à almofada da janela.

Quando, passado um quarto de hora, a menina abriu os olhos, viu diante dela Peri que chegava naquele momento, e lhe apresentava sorrindo uma bolsa de malha de retrós, dentro da qual havia uma caixinha de veludo escarlate.

Sem se importar com a jóia, Cecília ainda impressionada pelo quadro horrível que presenciara, tomou as mãos do índio, e perguntando-lhe com sofreguidão:

- Não estás mordido, Peri?...Não sofres?...Dize!

O índio olhou-a admirado do susto que via no seu semblante.

-Tiveste medo, senhora?

-Muito! exclamou a menina.

O índio sorriu:

- Peri é um selvagem, filho das florestas; nasceu no deserto, no meio das cobras; elas conhecem Peri e o respeitam.

O índio dizia a verdade; o que acabava de fazer era a sua vida de todos os dias no meio dos campos: não havia nisso o menor perigo.

Tinha-lhe bastado a luz de seu facho e o canto da cauã que ele imitava perfeitamente para evitar os répteis venenosos que são devorados por essa ave. Com esse simples expediente de que os selvagens ordinariamente se serviam quando atravessavam as matas da noite, Peri descera e tivera a felicidade de encontrar presa aos ramos de uma trepadeira a bolsa de seda, que adivinhou ser o objeto dado por Álvaro.

Soltou então um grito de prazer que Cecília tomou por grito de dor: assim como antes tinha tomado o eco do precipício por sua voz cava e surda.

Entretanto Cecília que não podia compreender como um homem passava assim no meio de tantos animais venenosos sem ser ofendido por eles, atribuía a salvação do índio a um milagre, e considerava a ação simples e natural que acabava de praticar como um heroísmo admirável. A sua alegria por ver Peri livre de perigo, e por ter nas mãos a prenda de Álvaro foi tal que esqueceu tudo o que se tinha passado.


(José de Alencar, O guarani)
-alcantil – rocha escarpada; despenhadeiro

-sibilar- assoviar, silvar

- estrídulo – som estridente

- cauã – ave devoradora de cobras

- perscrutar – investigar minuciosamente; sondar

- pulular – brotar; multiplicar-se com rapidez

- frágua – paredes do abismo

- plangente – que chora; triste

- retrós – fios de seda torcidos.


  1. (FUVEST)

“O Brasil já está à beira do abismo. Mas ainda vai ser preciso um grande esforço de todo mundo pra colocarmos ele novamente lá em cima.”

Millôr Fernandes

Em seu sentido usual, a expressão sublinhada significa “às vésperas de uma catástrofe”. Tal significado se confirma no texto? Justifique.


  1. (MACK- adaptada)

“Curiosa palavra. Idoso. O que acumulou idade. Também tem o sentido de quem se apega à idade. Ou que a esbanja (como gostoso ou dengoso). Se é que não significa alguém que está indo, alguém em processo de ida. Em contraste com os que ficam, os ficosos...

Preciso começar a agir como um idoso. Dizem que, entre eles, idoso não fala em quem chega à velhice como alguém que está à beira do túmulo. Dizem que está na zona de rebaixamento. Vou ter que aprender o jargão da categoria.”



Luís Fernando Veríssimo

Usando um processo de analogia do autor qual seria o adjetivo que poderíamos usar a partir do verbo chegar, para indicar, por exemplo, os recém-nascidos.



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