Psicanalise e poder



Baixar 37,54 Kb.
Encontro12.07.2018
Tamanho37,54 Kb.

Psicanálise e poder: a utilidade do conceito de narcisismo destrutivo
Ana Cristina D. Guimarães*

Resumo: O uso do poder por indivíduos ou grupos está permeado pelas forças que atuam dentro deles. A idéia de que o poder está relacionado à destrutividade ou violência não é exclusiva dos psicanalistas. Nesse artigo, a autora examina algumas idéias expressas por Freud na década de 30, relacionadas ao instinto de morte como uma força poderosa por trás das motivações na busca do poder e da guerra. Destaca como Rosenfeld, nos anos 70, desenvolve o conceito de narcisismo destrutivo, baseado na patologia dos processos fusionais, levando à dominância do instinto de morte. Esta concepção é fundamental para a compreensão das patologias atuais, tão ligadas ao uso distorcido do poder. É apresentada uma situação clínica, onde um evento banal esconde o potencial destrutivo de um paciente. Como outros, trata-se de pessoa que leva uma vida dupla, sendo permanentemente chantageada por ela mesma. Vive sob um poder tirânico.

Unitermos: poder, instinto de vida, instinto de morte, fusão, narcisismo destrutivo, inveja.

“A vontade de poder, denunciada ou glorificada pelos pensadores modernos de Hobbes a Nietzsche, longe de ser uma característica do forte, é, como a cobiça e a inveja, um dos vícios do fraco, talvez o seu mais perigoso vício.”

(Hanna Arendt – A Condição Humana, pág 215)

Abordar um tema tão abrangente como esse requer muita disciplina para não cair na tentação de abrir várias frentes e não poder discutir minimamente nenhuma delas. Procurei pensar o que seria mais relevante para mim, como uma psicanalista de orientação voltada principalmente para a clínica e convivendo diariamente com pessoas que são afetadas por situações internas ou externas que envolvem poder. Pensei também que, quando alguém que não é diretamente ligado à Psicanálise pede uma explicação a um psicanalista, em geral, espera uma resposta que esclareça o que ocorre nas pessoas para que elas ajam de uma determinada maneira. Lembrei-me então da troca de correspondência entre Einstein e Freud a propósito da guerra. Longe de ser um homem comum, Einstein externou como qualquer pessoa sua curiosidade acerca do que moveria os homens a buscar soluções como a guerra. Sua curiosidade estava relacionada a motivações que ele, como um físico, não estava acostumado a lidar e, para tanto, recorreu a alguém que olhava para dentro do próprio homem.

Em sua resposta Freud estabeleceu uma das mais claras discussões sobre os conflitos de vida e morte e seus reflexos nas ações pessoais, levando a manifestações de massa como guerras e ao uso do poder. Freud toma duas expressões usadas por Einstein, na carta em que se dirige a ele. São elas Recht e Macht que poderiam ser traduzidas respectivamente como “direito”, ”lei” e “justiça” (Recht) – e “poder”e “força” (Macht). Este é o ponto de partida para suas considerações. Diz que poderia substituir Macht (poder, força) por violência, e, ao longo de sua carta vai mostrando como, a partir da antítese direito e violência, se encontra uma origem comum. Nos tempos remotos os conflitos de interesse entre os homens eram resolvidos com violência. A dominação seria de quem tivesse mais poder – dominação pela violência (força) bruta ou pela violência apoiada no intelecto (Freud, 1933).

Essa correlação entre poder e violência e o desejo de dominar é o que vou privilegiar ao longo desta discussão, para aproximá-la do uso que fazemos disso na prática clínica.

No início deste relato fiz referência a Hanna Arendt, uma das mais brilhantes figuras do pensamento político do século XX. Ao colocar a vontade de poder como um vício, junto à cobiça e à inveja, ela nos remete a uma instância muito mais psicológica do que política. E mais, do ponto de vista psicanalítico, aproxima a vontade de poder ao lado mais sombrio do ser humano, ao que se contrapõe à própria vida – a inveja.

Ao introduzir o conceito de instinto de morte em oposição ao instinto de vida em 1920, Freud permite um alargamento da visão sobre a humanidade. O homem não mais se move pela busca e satisfação de um prazer até então mais comumente relacionado ao prazer físico ou sexual, mas a algo além do princípio deste prazer.

Resumindo suas idéias para Einstein diz:

“De acordo com nossas hipóteses os instintos humanos são apenas de dois tipos: aqueles que buscam preservar e unir – que chamamos ‘eróticos’, exatamente no sentido em que Platão usa a palavra ‘Eros’ em seu Symposium, ou ‘sexual’ com a deliberada extensão da concepção popular de ‘sexualidade’ – e aqueles que procuram destruir e matar e que agrupamos juntos com os instintos agressivos ou destrutivos. Como vê, isto não é mais que um esclarecimento da familiar oposição universal entre Amor e Ódio que pode ter talvez uma relação fundamental entre a polaridade que a atração e a repulsão representam no seu campo de conhecimento.”

Este é o preâmbulo para introduzir a atração que estes opostos exercem um sobre o outro, ou seja, a impossibilidade da existência de um sem o outro. Em uma linguagem simples discute a fusão dos instintos e a importância da agressividade para que o instinto de auto-preservação possa se manifestar. Ainda nessa carta Freud volta a usar a expressão instinto de morte quando diz: “este instinto (força ou pulsão) que está em operação em toda criatura viva e luta para levá-la à ruína e a reduzir a vida a sua condição original de matéria inanimada. Portanto deve, merecidamente, ser chamado de instinto de morte, enquanto os instintos eróticos representam o esforço para viver” (Freud, 1933). Esta é sem dúvida uma das formulações mais polêmicas da teoria freudiana e nem todos os analistas a aceitam. No entanto, cada vez tem se mostrado mais útil para lidar com os problemas complexos com que nos defrontamos na atualidade.

Entre os analistas contemporâneos a Freud quem tomou mais seriamente o rumo que ele indicou ao formular este conceito (instinto de morte), foi, sem dúvida nenhuma, Melanie Klein. Por questão de brevidade não vou me estender em suas idéias, mas irei diretamente a um de seus seguidores que também desenvolveu essa vertente iniciada em Freud. Vale, no entanto lembrar que o conceito de identificação projetiva frequentemente está associado à projeção de partes ruins para dentro dos objetos como uma forma do indivíduo lidar com ansiedades persecutórias. Este conceito, tão caro aos kleinianos, é uma variação da chamada deflexão do instinto de morte para fora do organismo, em termos freudianos. A ansiedade surge da ação do instinto de morte dentro do sujeito, é sentida como medo de aniquilamento e precisa ser localizada dentro de um objeto.

É importante lembrar também que os kleinianos têm uma concepção de narcisismo como sendo uma relação com o objeto internalizado, não utilizando o conceito de narcisismo primário. Sendo assim, ao se identificar com um bom objeto, o self se confunde com as qualidades deste objeto, levando a um esmaecimento dos limites entre um e outro, constituindo então estados narcísicos temporários. Estes estados é que permitiriam negar a separação e mitigar sentimentos dolorosos.

Um dos mais criativos colaboradores de M. Klein, Rosenfeld, ao desenvolver o conceito de narcisismo destrutivo nos dá uma boa idéia das forças que operam dentro do indivíduo sob a influência do instinto de morte.

Neste artigo (Rosenfeld, 1971) é feita uma distinção entre os aspectos libidinais e agressivos do narcisismo. Creio que poderíamos compreender as diferentes formas como o poder é exercido se nos ativermos ao desenvolvimento desses aspectos nos indivíduos.

Tomemos como ponto de partida a identificação projetiva e introjetiva levando à fusão entre self e objeto e se constituindo numa defesa contra o reconhecimento da separação. Nessas relações objetais narcísicas a onipotência desempenha um papel primordial. Assim o objeto é onipotentemente incorporado e sentido como possessão do próprio self. Deste modo, não havendo consciência de separação, a dependência não é sentida, bem como a inveja do perceber a riqueza do objeto também é aplacada. Para Rosenfeld a inveja também tem qualidades onipotentes, contribuindo para a onipotência das relações objetais narcísicas quando a própria inveja pode ser simultaneamente cindida e negada. (Rosenfeld, 1964).

A partir da teoria de Freud de fusão e desfusão dos instintos de vida e de morte, ele cria o conceito de fusão patológica para mostrar que na mistura de impulsos libidinais e destrutivos os impulsos destrutivos se exacerbam ao contrário do que acontece nas fusões normais. Constatamos então que, quando os aspectos destrutivos predominam, a inveja é mais violenta e o desejo de destruir o objeto como fonte de vida é mais intenso. Em análise, isto é freqüentemente manifestado como ataques ao analista ou à própria análise, além de atuações auto-destrutivas.

Nos estados de narcisismo destrutivo, partes invejosas destrutivas do self se desprendem do self libidinal que fica apagado, como se não existisse. Nestes estados há uma completa desfusão do instinto de morte. Isto é decorrente da idealização das partes destrutivas onipotentes do self que busca triunfar sobre tudo o que possa representar dependência.

O poder desta destrutividade dentro do indivíduo é comparado ao de uma quadrilha organizada que age sob o comando de um líder que controla todos os membros para garantir a eficiência do trabalho criminoso. Este é, a meu ver, um dos aspectos mais importantes deste trabalho, uma vez que confere à condição de agregação, não um sentido de vida - integração, mas um caráter destrutivo: união significando organização para o mal. A partir desta compreensão, foi possível chegar às organizações patológicas, um conceito de grande valia para os nossos dias.

Destaco aqui as analogias que se pode fazer entre as organizações internas (do próprio individuo) e as organizações externas (grupos) e o exercício do poder.

O poder exercido de forma harmônica não constitui nenhum problema. É quase sempre necessária uma liderança que possa ouvir os anseios de seus liderados e ajudá-los a realizar a ação acordada por todos. Neste caso, a figura do líder é mais um elemento de ligação entre as partes, sem que haja uma hierarquia rígida. Há, no entanto, situações onde o poder se manifesta de forma abusiva. E é nestas situações que a compreensão dos aspectos destrutivos pode ser muito útil.

Um paciente mantendo relações complicadas fora de seu casamento telefona para mim de um jantar que acabara de ter com um grupo de amigos. Diz que a noite fora tão agradável que ficou com muita vontade de telefonar para a pessoa com quem estava rompido há algumas semanas e que dizia ter o propósito de não mais procurar porque só lhe trazia problemas. Como normalmente faço nessas situações, disse que falaríamos sobre o assunto em sua sessão, no dia seguinte. Ele insistiu dizendo que não custava nada eu simplesmente dizer sim ou não. Mantive a minha posição e ele desligou visivelmente contrariado. Não pude deixar de pensar nos problemas que teria no dia seguinte. Foi com surpresa que recebi uma pessoa sorridente, cumprimentando-me normalmente, como se nada estivesse lhe incomodando. Isso sim, não era seu padrão para situações como essa. Ao entrar no consultório senta-se numa cadeira extra que nos últimos dias estava fazendo parte da arrumação (uma cadeira de rodízio para mesa de escritório). Diz que hoje vai ficar ali, (diz isso se movendo um pouco de um lado para outro, aproveitando o jogo da cadeira). De forma provocadora diz não saber se fica com raiva de mim pela grosseria que eu havia lhe feito na véspera, ou se me agradecia pela noite maravilhosa que havia tido. Havia ficado tão atordoado com o absurdo da minha atitude que nem sabia o que dissera para o grupo com quem havia jantado. Deu uma desculpa qualquer para eles, pegou o carro e precisava escolher se ia dirigir feito um alucinado ou ligar para N. Resolveu ligar e teve um reencontro fantástico.

Interrompo o relato neste ponto para examinar o que estava ocorrendo, segundo o que discutimos anteriormente. À primeira vista, esta é uma sessão comum, com um paciente funcionando em um nível neurótico, com conflitos morais entre fazer uma coisa que deseja ou comportar-se como a norma social exige. A própria opção que faz entre “dirigir alucinadamente ou ter um encontro”, escolhendo o encontro, leva a crer numa opção mais saudável. E esta é a verdade para o paciente.

Temos que retroceder um pouco. Mesmo não sabendo muito sobre esta pessoa, lembramos da ligação telefônica que faz para a analista, com uma requisição que sabia de antemão não seria atendida. Estava, no entanto, estabelecendo um vínculo entre aquele momento (telefonema) e a sessão seguinte, na medida que criou uma expectativa em mim. Ao escolher sentar-se na cadeira, ao invés de deitar-se como já fazia habitualmente, rebela-se contra o combinado, age como um adolescente, brinca, comporta-se como alguém diferente do que costuma ser. Poderia até se pensar que ele estivesse realmente satisfeito com o que fizera na véspera. A comunicação feita ao entrar estava no ar “não sei se fico com raiva pela sua grosseria ou se agradeço pela noite maravilhosa”. E logo essa raiva vem à tona. Falando muito alto e correndo com a cadeira de um lado para outro, me acusa de insensibilidade, de não entender nada que se passa com ele, de usar essa teoria que não serve para nada. Diz que ele precisa é de alguém com quem ele possa conversar, explicar as coisas para ele e que o atenda adequadamente.

O que estava acontecendo naquele momento era uma repetição do que havia acontecido no jantar da véspera e, de um modo geral, do que acontecia em sua vida. O que é bom não pode ser aproveitado. Ele acaba sempre criando uma situação para ser afastado e se sentir rejeitado. Inúmeras vezes, cria problemas para ele mesmo, mas também causa constrangimentos ou mágoas a sua volta. Sua conduta seguinte é tentar maniacamente reparar o que faz, cada vez com menos sucesso. Tem muito medo de perder o controle sobre sua imagem e deixar emergir o mundo secreto em que transita. Além de suas fantasias só acessíveis à análise, só um reduzido grupo de pessoas o conhecem de fato. Em análise há alguns anos ainda tem muitas dificuldades em lidar com as limitações que o tratamento lhe impôe. Está sempre insistindo em mudanças no relacionamento, tentando contatos mais sociais como tem com os outros médicos que o atendem (ou à família) e com quem freqüentemente discute a melhor conduta, que medicamentos devem ser usados, se o caso é para internação ou não e está sempre se vangloriando de ter dado a melhor solução, ainda que não tenha formação médica. Embora tente essas discussões comigo, mostra-se aliviado por encontrar em mim alguém que se opõe a seus aspectos onipotentes que o faz se vangloriar de conseguir tudo que quer. Essa forma de exercer o poder não o torna mais realizado. Ao contrário, penso que o deixa mais a mercê de um poder interno que não controla e que destrói toda a satisfação que poderia ter com suas realizações. Isto é ser movido por algo além do princípio do prazer.

Não poderia deixar de fazer referência ao excelente trabalho de Luiz Carlos Osório (Osório-1992), no qual abordando o tema Psicanálise e Política, ele discute a visão do poder do ponto de vista do mito e estabelecendo relações do narcisismo com o poder. Refere-se a um Poder fantasiado original ou Poder ilusório primordial que relaciona ao que chama de Onipotência Original do Ser Humano, cujo paradigma existencial é o narcisismo primário do bebê no nirvana uterino, segundo suas próprias palavras. A diferença de conceituação do narcisismo e o uso da dualidade instintiva vida-morte, ressaltando a possibilidade da destrutividade como um destino possível do ser humano, marcam uma diferença entre as duas abordagens.



Para concluir, quero enfatizar a importância que atribuo à necessidade de se acreditar no potencial de destrutividade do homem para que se possa lidar com as distorções do uso do poder. É dito que o maior interesse do Diabo é que não se acredite na sua existência. O mal não tem interesses, mas a sua existência precisa ser permanentemente reconhecida para que possa ser neutralizado. Voltando aos trabalhos de Freud aqui citados anteriormente não teria dúvida em afirmar que o instinto de morte seria também a instância que precisa ser reconhecida para que possa ser neutralizada. Só assim se abre espaço para que a vida se desenvolva e que o poder possa ser usado de forma criativa e integradora.
Psychoanalysis and power: the usefulness of the concept of destructive narcissism
Summary: The use of power by individuals or groups depends on the forces acting inside them. The idea that power is related to destructiveness or violence is not exclusive of psychoanalysts. In this paper the author examines some ideas expressed by Freud in the thirties related to the death instinct as a powerful force behind the motivations in search of power and war. She stresses how, in the seventies, Rosenfeld develops the concept of destructive narcissism based on the failure of fusional processes leading to the dominance of death instinct. This is a fundamental concept for understanding pathologies intimately related to the biased use of power. The author presents a clinical situation in which a minor event is hiding the destructive potential of a patient. Like others, he is a person living a double life. He is blackmailed by himself most of the time. He lives under a tyrannical power.

Keywords: power, life instinct, death instinct, fusion, destructive narcissism, envy.

Psicoanálisis y poder: la utilidad del concepto de narcisismo destructivo
Resumen: El uso del poder por individuos o grupos depende de las fuerzas que actúan dentro de ellos. La idea de que el poder está relacionado a la destructividad o a la violencia no es exclusiva de los psicoanalistas. En este artículo, la autora examina algunas ideas expresas por Freud en la década de 30, relacionadas al instinto de muerte como una fuerza poderosa por detrás de las motivaciones en la búsqueda del poder y de la guerra. Destaca como Rosenfeld, en los años 70, desarrolla el concepto de narcisismo destructivo, con base en la patología de los procesos fusiónales, llevando a la dominación del instinto de muerte. Esta concepción es fundamental para la comprensión de las patologías actuales, tan relacionadas al uso destorcido del poder. La autora presenta una situación clínica, donde un evento banal esconde el potencial destructivo de un paciente. Como otros, se trata de una persona que lleva una vida dupla, constantemente chantajeada por ella misma. Vive bajo un poder tiránico.

Palabras llaves: poder, instinto de vida, instinto de muerte, fusión, narcisismo destructivo, envidia.


BIBLIOGRAFIA

Arendt, H. A condição humana. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária [1958] 2001.

Freud, S. Beyond the pleasure principle in S.E., v. XVIII Londres: Hogarth Press [1920] 1975.

Freud, S. Why war? in S.E., v. XXII Londres: Hogarth Press [1933] 1975.

Osório, L.C. “Psicanálise e política: um estudo psicanalítico sobre o poder” in Rev.Bras.Psicanálise, v. 25, nº 3, 1991, pp.497-513.

Rosenfeld, H. “On the psychopathology of narcissism: a clinical approach” in Psychotic States, Londres: Hogarth Press [1964] 1965.



Rosenfeld, H. “Uma abordagem clínica para a teoria psicanalítica das pulsões de vida e de morte: uma investigação dos aspectos agressivos do narcisismo” in Melanie Klein hoje, volume 1, Rio de Janeiro: Imago [1971]1990.


Ana Cristina Domingues Guimarães

Rua Sá Ferreira, 134 – apt. 401

22071-100 – Rio de Janeiro

eaguimaraes@alternex.com.br


* Membro Efetivo da SBPRJ






©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal