Projeto mostra cultural: mais solidariedade, menos câncer. Por uma prática pedagógica transdisciplinar



Baixar 431,07 Kb.
Página2/2
Encontro10.06.2018
Tamanho431,07 Kb.
1   2



Figuras 1 e 2 decoração da Mostra, obras de arte e artesanato com materiais convencionais e com materiais reciclados. Fonte: Arquivo da escola.
O evento foi de grande repercussão na comunidade interna e externa. Os resultados em valores arrecadados foram muito significativos e foi inestimável em mobilização, dedicação e sensibilização. Os alunos se envolveram no objetivo da educação para além das fronteiras das disciplinas e envolveram suas famílias no propósito da solidariedade, tanto que na etapa de avaliação do projeto já se estabeleceu o desafio de se organizar a Feira de Ciências 2016 no formato de ação social. Porém o mais significativo nesse projeto foi a percepção dos gestores, docentes, estudantes e da comunidade que muito se pode fazer quando realmente se educa para a vida. Como confirmam De La Torre e Marlene Zwierewicz “Uma escola que prepare a partir da vida e para a vida, que parta de problemáticas reais mais que de temas justapostos, que priorize o desenvolvimento de uma consciência de harmonização pessoal, social e planetária." (TORRE; ZWIEREWICZ, 2009, p. 12). Eis o nosso desafio.
Considerações finais
Neste trabalho, que teve como objetivos identificar e apresentar as práticas pedagógicas integradoras e solidárias desenvolvidas por uma escola da rede particular de ensino de Araguaína, TO pudemos observar que os resultados apontaram que é possível, mesmo em escolas com currículos tradicionais, despertar para conceitos mais amplos e integradores como os da interdisciplinaridade, transdisciplinaridade por meio de projetos. Mostrou também que a experiência evoluiu de um projeto interdisciplinar para uma ação solidária e transdisciplinar, revelando um ensino no contexto dinâmico da Complexidade.

Propostas como esta abrem possibilidades para superar os currículos disciplinares que, como nos afirma Morin (2009, p.15) ao invés de ensinar a isolar saberes em seus ambientes e a separar disciplinas deveriam reunir e integrar, afinal de contas o conhecimento científico não pode tratar sozinho de todos os problemas (MORIN,2009, p.15).

Podemos assim considerar à luz das teorias que fundamentam esse relato e conforme acompanhamos neste projeto, que mesmo dentro das limitações do contexto escolar estabelecido pelas disciplinas é possível propor uma trajetória diferenciada das relações entre o conteúdo curricular e a realidade local/global. E mesmo que o projeto inicial tenha se modificado em processo, o que nos parece significativo registrar foi o que Morin aponta como uma das linhas da complexidade: a capacidade de se reorganizar e propor uma tessitura para além das suas partes (MORIN, 2001, p. 4-5).

Assim, observou-se que dentre as potencialidades mais relevantes da perspectiva complexa e transdisciplinar está sua capacidade de vincular a escola e a vida, numa proposta que por sua vez transcenderam o espaço da sala de aula e o currículo escolar, despertando nos estudantes suas potencialidades e os horizontes ampliados dos saberes culturais, humanos e socialmente enriquecedores que tiveram. Prova disso é que querem repetir a dose em 2016.


Referências
BRASIL. Ministério da Educação e da Cultura. Secretaria de Educação do Ensino

Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1998.


CARTA de Transdisciplinaridade. Disponível em: http://www.redebrasileiradetransdisciplinaridade. net/file.php/1/Documentos_da_

Transdisciplinaridade/Carta_da_Transdisciplinaridade_1994_-_I_Congresso_Mundial_

da_TransD.doc, acesso em 10 out.2015.
CSC. Projeto Político Pedagógico Colégio Santa Cruz de Araguaína.Araguaína. 2015.

DAMAS. Luiz Antonio. Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade: O jeito de educar na complexidade. In: SANTOS. Jocyléia Santana dos.(org.) Competências interdisciplinares.São Paulo: Xamã,2009.

D’AMBROSIO, Ubiratan. Transdisciplinaridade. São Paulo: Palas Atenas, 1997.

MORAES, Maria Cândida. Educar na biologia do amor e da solidariedade. Petrópolis: Vozes, 2003.


MORIN, Edgar. Religaçao dos saberes. Rio: Bertrand Brasil, 2002.

_____. A cabeça bem feita: repensar a reforma e reformar o pensamento.8 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.


_____. Educação e complexidade: os sete saberes e outros ensaios, 5 ed. – São Paulo: Cortez: 2009.
_____. Introdução ao pensamento complexo. Lisboa: Instituto Piaget, 1991.
_____. Complexidade e ética da solidariedade. In: CASTRO, Gustavo de et al. Ensaios de complexidade. Porto Alegre: Sulina, 1997. p. 11-20.
NICOLESCU, B. O Manifesto da Transdiciplinaridade. São Paulo: Triom, 1999.
SANTOS, Akiko. Complexidade e transdisciplinaridade em educação: cinco princípios para resgatar o elo perdido. Revista Brasileira de Educação v. 13 n. 37 jan./abr. 2008.
SANTOS. A, SOMMERMAN.A. Ensino disciplinar e transdisciplinar: uma coexistência necessária. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2014.
TORRE, Saturnino de La, et. alii. Uma escola para o século XXI: Escolas criativas e resiliência na educação. Ed. Insular, Florianópolis, Santa Catarina: 2009.


1 Texto montado pela coordenação pedagógica com base nos motivadores apresentados no site oficial da UNESCO.

2 Este tema iniciou como A luz na arte, mas na segunda etapa, com a ação dos alunos foi ganhando outros contornos que objetivaram a mudança que preferimos registrar aqui já como título definitivo.

3 Por questão de espaço, não foi possível acompanhar o relato com suas respectivas fotos, apenas algumas escolhidas como ilustração, porém na apresentação, se for permitido, poderemos compartilhá-las.


1   2


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal