Projeto: Diretrizes e Estratégias para a Modernização de Coleções Biológicas Brasileiras e a Consolidação de Sistemas Integrad



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PROJETO: DIRETRIZES E ESTRATÉGIAS PARA A MODERNIZAÇÃO DE COLEÇÕES BIOLÓGICAS BRASILEIRAS E A CONSOLIDAÇÃO DE SISTEMAS INTEGRADOS DE INFORMAÇÕES SOBRE BIODIVERSIDADE.

Coleções Zoológicas: Luciane Marinoni (UFPR)


NOTA TÉCNICA: Bancos de Sons


Luiz dos Anjos

(Universidade Estadual de Londrina)




Introdução

Bancos de Sons armazenam gravações de sons produzidos por animais com os objetivos primários de disponibilizá-los a pesquisas científicas, à conservação da natureza, à educação e ao entretenimento. O maior Banco de Sons é o Macaulay Library of Natural Sounds (Ithaca, EUA), que reúne 150.000 gravações de animais, implantado em 1956, embora o mais antigo seja o Tierstimmenarchiv (Berlin, Alemanha), implantado em 1952 e com 100.000. Em função da atração que exercem sobre o Homem e à dependência da comunicação acústica, a Classe Aves constitui o Grupo Taxonômico melhor representado em Coleções Zoológicas de sons no mundo. Em função disto, é estimado que 90% das espécies de aves que existem no mundo estejam representadas em Bancos de Sons.

A gravação sistemática de sons animais na natureza iniciou na década de 1950. Mas a primeira gravação de um som animal foi realizada em 1889 na Alemanha; realizada em cativeiro e usando um equipamento rudimentar, muito diferente dos atuais gravadores, Ludwig Koch gravou o som de um Copsychus malabaricus. A primeira gravação realizada na natureza ocorreu na Inglaterra, por volta de 1900, por Cherry Kearton, que gravou sons do tordo-comum (Turdus philomelos) e do rouxinol (Luscinia megarhynchos). Difundido a partir de então, o interesse pela gravação de aves tem se intensificado em todo o mundo. Em 1969 foi estabelecido na Dinamarca um Conselho Internacional no assunto, o International BioAcoustics Council, que recomendou normas e procedimentos para padronizar a gravação e o arquivamento de gravações de sons de animais. Periodicamente, realiza-se Congressos Internacionais em Bioacústica. Recentemente (agosto de 2003), foi realizado no Brasil (Belém, Pará) o XIX International BioAcoustics Congress, sob coodenação geral do Drs. Jacques Vielliard e Maria Luisa Malu da Silva.

Na gravação de vozes de aves em campo com razoável qualidade são necessários equipamentos básicos como gravador e microfone; é necessário também o refletor parabólico para poder captar o som à distância. Procedimento básico é fazer um playback logo após a gravação (isto é apresentar à ave gravada o seu próprio som) o que permite, normalmente a identificação visual, com auxílio de um binóculo. Os equipamentos disponíveis no mercado variam conforme a evolução da tecnologia. Durante muito tempo foram utilizados gravadores de rolo, como os da marca NAGRA e UHER, para a gravação de qualidade; estes gravadores analógicos atualmente estão sendo substituídos por digitais, de mais fácil utilização em campo e de similar qualidade. Também o refletor parabólico está sendo paulatinamente substituído por microfones unidirecionais.

Além do cuidado na obtenção da gravação, é indispensável o uso de um procedimento padrão para que as gravações de aves obtidas na natureza possam ter valor científico. Este procedimento, que garante análises comparativas entre gravações, envolve o anúncio, logo após a gravação das seguintes informações: (1) nome da pessoa que realizou a gravação; (2) detalhes técnicos dos equipamentos utilizados na gravação; (3) data e hora da gravação; (4) localidade; (5) condições metereológicas; (6) nome da espécie gravada; (7) número de indivíduos, com indicação de idade e sexo; (8) indicação se a identificação da espécie foi auditiva, visual ou se o indivíduo foi coletado; (9) o tipo de som gravado, se canto, gritos ou outros sons dentro do repertório vocal da espécie; (10) comportamento geral da espécie antes e depois do playback, se este foi realizado; (11) temperatura se pertinente, como no caso de invertebrados e anfíbios, por exemplo; (12) distância do microfone ao indivíduo gravado. O anúncio das informações acima e o posterior arquivamento das gravações garante um valioso material fonográfico do ponto de vista científico.
Estado-da-arte no Brasil
No Brasil existem Bancos de Sons em Laboratórios de Bioacústica em três Universidades: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual de Londrina (UEL). Por estarem vinculadas a Universidades, os três Bancos de sons tem em comum freqüente consulta e utilização por parte de pesquisadores e alunos (Graduação e Pós-Graduação).

Na UNICAMP está o maior dos três Bancos de Sons no Brasil e o quinto maior do mundo, denominado Arquivo Sonoro Neotropical. Este Arquivo, implantado em 1978, funciona nas dependências do Laboratótio de Bioacústica, Departamento de Zoologia, e é coordenado pelo Prof. Dr. Jacques M. E. Vielliard. No Arquivo Sonoro Neotropical estão depositadas 25.000 gravações de animais de várias regiões do Brasil. Todas as gravações estão catalogadas e encontram-se em processo de cópia para DVD (sistema digital de alta definição). O Laboratório de Bioacústica da UNICAMP dispõe de equipamentos de alta qualidade para gravação e análise de sons. Três CDs já foram editados com gravações de aves do Arquivo Sonoro Neotropical e estão disponibilizados comercialmente. Apesar de flutuações no aporte financeiro, o Arquivo tem se mantido e pretende expandir suas atividades disponibilizando a gravações para consulta on line.

Na UFRJ existe um Banco de Sons no Laboratório de Bioacústica, o qual é coordenado pelo Prof. Dr. Luiz Pedreira Gonzaga. Neste Banco de Sons estão representadas especialmente espécies de aves (5000 gravações) da Mata Atlântica do Estado do Rio de Janeiro. Com equipamentos de gravação e análise ainda insuficientes, aporte financeiro tem sido buscado junto a fontes financiadoras. Um CD foi editado com gravações deste Banco de Sons.

Na UEL existe o Banco de Sons do Laboratório de Ornitologia e Bioacústica, o qual é coordenado pelo Prof. Dr. Luiz dos Anjos. Neste Banco de Sons estão cerca de 5000 gravações de espécies de aves e 50 de outros grupos taxonômicos. A grande maioria das gravações foi realizada no Estado do Paraná. Com equipamentos de gravação e análise ainda insuficientes, este Laboratório também busca aporte financeiro junto a fontes financiadoras.


Relevância da manutenção das coleções zoológicas para a sociedade
Sons de animais são muito importantes para serem pesquisados e têm aplicação em diferentes áreas das Ciências Biológicas como Taxonomia, Sistemática, Evolução, Comportamento e Ecologia.

A simples identificação na natureza se torna muito mais simples com o reconhecimento acústico das espécies; esta característica explica a enorme importância que Banco de Sons representam em levantamentos quali-quantitativos de populações animais. O monitoramento de populações em Unidades de Conservação, como Parques Nacionais e Estaduais, pode ser otimizado com o emprego do reconhecimento auditivo das espécies; assim, é possível saber se as populações das diferentes espécies animais estão aumentando, diminuindo ou permanecem estáveis ao longo do tempo. O monitoramento de populações animais tem importância à Sociedade, pois esta contribui para a manutenção dos Parques; se populações animais forem extintas, a função básica do Parque, que é conservação de espécies, não estará sendo atingida.

Sons animais são constantemente utilizados de forma comercial em CDs, filmes e propagandas. Também os sons são utilizados como ferramenta adicional em atividades de Educação Ambiental.
Modificações (de infra-estrutura, de recursos humanos, de organização) necessárias para atender as demandas do conhecimento e conservação dos vários grupos animais.
A conservação e a consulta das gravações são pontos fundamentais a serem considerados dentro da infraestrutura de Banco de Sons. Atualmente, fitas eletromagnéticas são utilizadas para gravação e conservação dos sons. Estas fitas eletromagnéticas são ideais para conservação, mas são trabalhosas para consulta. O meio digital (DVD) é atualmente indicado em Bancos de Sons, por atender os requisitos técnicos básicos à conservação e ser de fácil consulta. Viabilizar a transferência das gravações de fitas eletromagnéticas para o meio digital é a modificação sugerida, por permitir consulta rápida ao Banco de Dados. O efeito multiplicador desta estratégia é bastante significativo em termos de estímulo à pesquisa.
Metas e propostas para os próximos 10 anos das coleções Zoológicas Brasileiras.
Ampliar o número de Laboratórios de Bioacustica é essencial no Brasil, para armazenar sons de espécies regionais. Há, por exemplo, uma enorme lacuna na região Amazônica. Cursos de Bioacústica são um estímulo importante para a formação de pessoal; porém deve haver incentivo por parte das Instituições em criar Laboratórios de Bioacústica coordenados por pessoal qualificado. A questão do pessoal qualificado é ponto essencial para o desenvolvimento de atividades em Bioacústica que tenham caráter científico.

Facilitar o acesso às gravações pode ser outro objetivo para os próximos 10 anos. Para que isto aconteça, catalogar todas as gravações disponíveis em uma fonte única de informações é um primeiro passo. Um segundo passo seria copiar todas as gravações em DVD (meio digital).


Custos aproximados.

Considerando que os Laboratórios dispõem de equipamentos de gravação e análise de sons, e que equipamentos adicionais devem ser adquiridos por meio de Projetos de Pesquisa, é principalmente material de consumo que deve ser considerado. Neste caso os principais gastos são fitas eletromagnéticas, CDs e baterias, além de alguns materiais de conservação. Assim, uma estimativa de R$ 8.000,00 a R$ 12.0000 ao ano seria os custos aproximados por Laboratório. Estes custos estariam relacionados a baterias para gravadores, fitas eletromagéticas, CDs, manutenção de gravadores, arquivos e material de escritório.



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