Projeto de pesquisa cnpq – 2010



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“[...] basicamente Keynes queria juntar [wed] o pleno emprego ao liberalismo clássico [...]” (CORRY, 1978: 25).

4 Para Mill, o progresso social em sua sociedade exigia, ao contrário, uma diminuição da intensidade da busca por riqueza entre seus conterrâneos: “[...] não é o desejo de riqueza que tem que ser ensinado, mas o uso da riqueza e a valorização de objetos do desejo que não podem se comprados, e para a obtenção dos quais o dinheiro não é necessário. Todo real melhoramento no caráter inglês, seja incutindo nele aspirações mais elevadas, ou apenas uma avaliação mais correta dos seus objetos de desejo atuais, envolve necessariamente moderar a sua devoção à busca da riqueza.” (MILL [1848], 1965: 105).

5 Vale ressaltar que para os autores o conceito de igualdade relevante era o de igualdade de oportunidade. A existência de desigualdades sociais seria aceitável contanto que decorrente de diferenças no grau de interesse pela riqueza, nos esforços ou nos méritos individuais. Mas ambos consideravam as desigualdades existentes bem maiores do que as seriam justificáveis por conta dessas diferenças.

6 “O progresso econômico requer como condição livre responsabilidade individual, mas não a manutenção daqueles direitos de propriedade que acarretam desigualdades extremas de riqueza.” (MARSHALL, 1890: 282).

7 Marshall buscou a Economia Política com o objetivo de entender e minorar as desigualdades e o sofrimento social. E, ele perseguiu esse objetivo de forma consistente por toda a sua vida. Em 1893, ele fez a seguinte declaração para a Royal Commission on the Aged Poor: “Eu me devotei nos últimos 25 anos para o problema da pobreza e [...] muito pouco do meu trabalho foi devotado para qualquer investigação que não tenha relação com isso.” (MARSHALL, apud, HUTCHISON, 1969: 247).

8 Bowman (2004:514) aponta que Marshall era inicialmente contra imposto sobre herança pois temia que diminuísse a motivação e o crescimento econômicos, no entanto, posteriormente, passou a apoiar esse tipo de iniciativa. Groenewegen relata uma reação parecida de Marshall no que diz respeito à taxação redistributiva com alíquotas progressivas. Inicialmente tinha restrições a esse tipo de tributação por considerar que estas poderia prejudicar o trabalho e a poupança, mas, posteriormente, passou a considerar que “[...] tais taxas eram um instrumento útil de política social, especialmente se seus proventos fossem gastos de maneira satisfatória […]” (GROENEWEGEN, 1995: 150)..

9 Vale notar que o termo socialismo significa coisas diferentes para J.S.Mill e Marshall. J.S.Mill discute de forma mais detida e respeitosa as sugestões dos socialistas utópicos – owenistas, saint-simonianos, fourierianos, e nem leva muito em consideração (descartando de forma veemente) as proposta revolucionárias de mudança social (MATTOS, 1999). Os socialistas de Marshall eram, por sua vez, aqueles que defendiam propostas de centralizar os meios de produção nas mãos do Estado. Para ele, o socialismo como “[...] um movimento para tirar a responsabilidade pela vida do homem e por seu trabalho, tanto quanto possível, dos seus ombros e colocá-los nos ombros do Estado [...]" (Marshall, apud, Reisman, 1987:122). Para uma boa d iscussão sobre a evolução do pensamento de Marshall em relação ao socialismo ver de Marshall sobre tema ver Groenewegen , 1995: 571-617. Para uma análise detalhada do que Marshall entendia por socialismo e das principais críticas direcionadas por ele a estas alternativas ver Reisman (1987:121-7).

10 Apesar destes elementos aparecerem nos dois autores, a ênfase de J.S.Mill me parece ser maior na questão da liberdade/ diversidade (MILL, [1848] 1965: 209 e MILL [1859], 2000, MATTOS, 1999) e a de Marshall na questão do risco à inovação num contexto em que grandes burocracias estatais dominam a produção e o espaço para o Capitão de Indústria é significativamente reduzido (Marshall, [1907], (1966) :333),e MATTOS (2011) .

11 No entanto, nem tudo nessa esfera seria bem solucionado pela iniciativa individual. Eles citam, por exemplo, a necessidade de intervenção estatal no caso de fornecimento de bens que são produzidos sob condições de monopólios naturais, ou que envolvem indivisibilidade de capital; de bens socialmente úteis, mas que não rendem lucros privados suficientes para que haja provisão adequada; defenderam também a necessidade de proteção à indústria nascente, entre outros tipos de intervenção.

12 Outros exemplos onde o Estado é chamado a atuar são: cuidar de loucos e crianças, assegurar o cumprimento de contratos, garantir a defesa nacional e a justiça, regular condições de habitação urbana, planejamento das cidades, políticas de colonização, difundir informações, etc. Ao tratar de sociedades mais atrasadas temos uma noção melhor da medida na qual J.S. Mill estava disposto a abrir mão do laissez-faire. Ele afirma: "[...] Nas circunstâncias específicas de uma determinada época ou nação, dificilmente há alguma coisa realmente importante para o interesse geral que não possa ser desejável, ou até mesmo necessário que o governo assuma” (MILL, [1848], 1965: 547). J.S.Mill faz, entretanto, a ressalva de que o Estado deveria estar preocupado em preparar esse povo para, em um momento posterior, passar a desempenhar essas tarefas (idem:548).

13 Keynes rejeita a moralidade vitoriana que encarava a frugalidade e previdência como virtudes. E esse é um elemento que o separa de seus antecessores que viam no comedimento, na prudência, na responsabilidade em relação ao futuro qualidades morais importantes a serem cultivadas na natureza humana. A relação de Keynes com a ideia de poupar para ter mais e mais no futuro, e por vezes, nem desfrutar das benesses que essa riqueza poupada, aparece como um potencial problema para o nível de emprego no âmbito da teoria econômica, mas também como uma distorção moral. Segundo ele, as pessoas estão mais preocupadas com os “[...] resultados de nossas ações num futuro remoto do que com a sua qualidade ou seus efeitos imediatos sobre o nosso ambiente. O homem dotado de objetivos práticos [...] não ama o gato, mas os gatinhos de seu gato; na verdade nem sequer os gatinhos, mas apenas os gatinhos dos gatinhos e assim por diante, para sempre, até o fim da gataria [...]” (KEYNES, [1930], 1984: 157). Os seus contemporâneos não saberiam aproveitar os verdadeiros valores da vida, que estariam, para ele, associados “[...] a passar virtuosamente e bem a hora e o dia, [valorizar] as pessoas agradáveis capazes de ter prazer direto nas coisas, os lírios do campo, que não mourejam nem fiam [...]”(KEYNES, [1930], 1984:158).

14 Como afirma a Joan Robinson: “Keynes é contra desperdício, a estupidez e a pobreza desnecessária. Ele não está tão interessado em quem fica com os benefícios de um aumento de produção quanto em garantir que este aumento ocorra. Ele encara uma maior igualdade de renda como desejável, mas sua atitude é moderadamente conservadora.” (Robinson, 1964:6).

15 A questão de garantir o pleno emprego não se colocava de forma importante para esses Mill e Marshall pelo fato de aderirem, explicitamente ou não, à Lei de Say. No entanto, Marshall admite desemprego por conta de crises comerciais e defende auxílio fora de casas de trabalho (out-door relief) para aqueles trabalhadores responsáveis que porventura perdessem os seus empregos (GROENEWEGEN, 1995:150 e 355). De fato, o combate à pobreza e à desigualdade se daria de forma diferente nos diferentes autores, no entanto, esses objetivos são preocupações dos três, e o Estado teria um papel a cumprir em todos os casos.

16É interessante notar que Marshall fez uma crítica à economia Clássica de cunho ricardiana pelo fato de supor implicitamente que somente os capitalistas poupavam. Isso, no seu entender, fazia com que distribuição de renda dessa classe para as classes médias e trabalhadoras fosse vista com reservas por implicar necessariamente na diminuição do ritmo de acumulação de capital. Marshall, por sua vez vai defender que também as classes médias (e às vezes as trabalhadoras) poupavam e aplicavam essa poupança na educação dos filhos, o que contribuiria para o crescimento econômico tanto quanto a aplicação em capital físico feita pelos capitalistas. Tal qual Keynes, ele acreditava que essa mudança de interpretação abriria espaço para a distribuição de renda sem colocar em risco o crescimento econômico. (MARSHALL, 1920 [1982]:.191).



17 Keynes diz: “Na prática, portanto, o nosso objetivo deveria ser conseguir (e isso não tem nada de irrealizável) um aumento no volume de capital até que ele deixe de ser escasso, de modo que o investidor sem função deixe de receber qualquer benefício, e depois criar um sistema de tributação direta que permita a inteligência, a determinação, a habilidade executiva do financista, do empresário et hoc genus omne (certamente tão orgulhosos de suas funções que poderia obter-se o seu trabalho muito mais barato que agora) a dedicar-se ativamente à comunidade em condições razoáveis de remuneração.” (KEYNES,[1936],1982: 287)

18 Nessa esfera acho que não faz nem sentido falar de uma tradição que una J.S.Mill e Marshall.




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