Projeto de lei ordinária: /14 Anexo 3 Biografia Aleijadinho



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PROJETO DE LEI ORDINÁRIA: __/14
Anexo 3

Biografia Aleijadinho

Inúmeras dúvidas cercam as pesquisas sobre a história do mestre Aleijadinho, que não deixou muitos registros além de suas obras. Grande parte das informações disponíveis, são da biografia escrita por Rodrigo José Ferreira Bretas, mais de 40 anos depois da morte do artista e do Museu do Aleijadinho de Ouro Preto.


Uma certeza é que Antônio Francisco Lisboa nasceu em “Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto” no século XVIII, apesar dos registros deixarem dúvidas quanto a data precisa de seu nascimento. Sua certidão de batismo consta o ano de 1730 e a de óbito 1738, que é a considerada pelo Museu do Aleijadinho.
Filho do arquiteto e carpinteiro português Manoel Francisco Lisboa com uma escrava chamada Isabel, dizem que começou a trabalhar ainda menino com o pai, tio Antônio Francisco Pombal e artistas portugueses que lhe ensinaram técnicas de arte, desenho e arquitetura. Ingressou no internato do Seminário de Donatos do Hospício de Terra Santa, em Ouro Preto, onde estudou por cerca de nove anos até 1759, segundo alguns registros, ou até 1762, segundo outros.
Aos 20 anos de idade já possuía o título de "Mestre de arquitetura e escultura”, mas por ser mulato, muitas vezes aceitou trabalhos como artesão e não como mestre. Artista religioso, Aleijadinho desenvolveu sua obra principalmente no barroco da Contrarreforma, utilizando diversos estilos do barroco como rococó, clássico e gótico.
Por volta de 1758 projetou e executou o chafariz de pedra-sabão do monastério Hospício da Terra Santa, considerada sua primeira obra, logo depois, talhou os altares das igrejas de Santo Antônio e São Francisco de Paula, em Ouro Preto e entregou a imagem de Nossa Senhora do Carmo para Matriz de Nossa Senhora de Bom Sucesso, em Caeté.
Por volta 1770 organiza sua oficina, regulada e reconhecida pela Câmara de Ouro Preto em 1772 e seu ateliê ganha notoriedade devido a importância de seus projetos. Também nessa época, Aleijadinho é recebido como irmão pela Irmandade de São José de Ouro Preto e realiza modificações na igreja de mesmo nome.
Sua trajetória de trabalho conta com obras em diversas cidades até 1766, quando se responsabiliza pela planta da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Durante esse período, Aleijadinho também modificou o projeto original da Igreja Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto e se incorporou ao Regimento de Infantaria dos Homens Pardos, onde permaneceu por 3 anos sem deixar seu oficio e com encomendas importantes como a fachada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Sabará e os púlpitos da Igreja São Francisco de Assis, em Ouro Preto.
Sua atividade foi intensa. Até ser acometido por uma doença degenerativa, em 1777, de natureza desconhecida, que alguns registros atribuem ser sexualmente transmissível, conhecida na época como zamparina.
Pouco se sabe sobre a vida do artista, na biografia de Bretas é dito que Aleijadinho gostava de se entreter em "danças vulgares", comer bem, que amasiou-se com a mulata Narcisa com quem teve um filho e que não acumulou fortuna. Não existem relatos de suas ideias artísticas, sociais ou políticas.
Sabe-se que o mestre manteve três escravos: Maurício, seu ajudante principal, Agostinho, auxiliar de entalhes, e Januário, que lhe guiava o burro em que andava. O apelido de Aleijadinho surgiu quando os sintomas da doença se tornaram visíveis com a perda dos dedos dos pés, mãos e desfiguramento de seu rosto.
Os primeiros 10 anos com a enfermidade foram os mais produtivos de sua carreira. A medida que a doença ia avançando, Aleijadinho foi necessitando de ajuda para amarrar os instrumentos de trabalho às suas mãos e atar aos joelhos, um aparelho de madeira e couro que o permitia subir as escadas de carpinteiro e mais tarde precisou que fosse carregado.
Sua obra é citada no levantamento dos fatos notáveis ocorridos, ordenado pela Coroa em 1782 e efetuado pelo capitão Joaquim José da Silva, segundo vereador da Câmara de Mariana.
Em Congonhas do Campo desenvolveu os Doze Profetas e Passos da Paixão, 78 esculturas em tamanho natural, considerada uma de suas grandes obras-primas.
Atribuem-se o fim das atividades de sua oficina por volta de 1807, quando seu estado de saúde é agravado ainda mais e precisa reduzir suas atividades. Aleijadinho se instala em uma casa junto da igreja do Carmo, quando a idade e a doença já o impedem de esculpir e passa a supervisionar as obras que seu discípulo Justino executava.
Por volta de 1813 volta a morar em sua residência no bairro Antônio Dias, perde a visão, a capacidade motora e muda-se para a casa da nora. Faleceu em 18 de novembro 1814, aos 76 anos de idade, foi sepultado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na campa contígua ao piso do altar da Boa Morte, privativa da Irmandade dos Homens Pardos.

Fonte: Biografia de Rodrigo José Ferreira Bretas

Museu do Aleijadinho

Jornal a Relíquia - edição 67



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