Projeto de lei nº 460, de 2008



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PROJETO DE LEI Nº 460, DE 2008
Institui o Dia Estadual do Choro.



A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:
Artigo 1º – Fica instituído o “Dia Estadual do Choro”, a ser comemorado, anualmente, no dia 28 de junho, data natalícia do instrumentista e compositor Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto.
Artigo 2º – Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.


JUSTIFICATIVA


Estimulado pelo Clube do Choro de Santos, apresento este projeto de lei com o objetivo de instituir o “Dia Estadual do Choro”, a ser comemorado no dia 28 de junho. A data escolhida é uma homenagem ao Garoto, nome artístico do histórico instrumentista brasileiro Aníbal Augusto Sardinha, compositor de melodias baseadas nos mais diversos ritmos (sambas, boleros, fox, xotes, entre outros) que ganharam letra de vários parceiros, tornando muitas dessas músicas em sucessos que marcaram diversas épocas do cenário musical nacional.
Paulistano nascido no dia 28 de junho de 1915, filho de portugueses, esse precoce músico que, desde criança, manifestou seu apreço pelos instrumentos de cordas dedilhadas – violão, violão tenor, bandolim, cavaquinho, guitarra havaiana e banjo, apenas entre os mais conhecidos – sedimentou, por meio de sua concepção harmônica e sofisticação musical à frente de seu tempo, uma obra que compõe o alicerce da música popular brasileira, norteando, até hoje, os caminhos de tantos músicos das mais diversas épocas e estilos no País.
É reconhecida, assim, sua importância como compositor instrumental através da escola de violão que fundou por meio da diversidade e complexidade de peças para o instrumento, além da variedade de idéias inovadoras no âmbito camerístico como, por exemplo, as registradas nas gravações do Trio Surdina.
Garoto tornou-se um dos nomes mais importantes da Música Popular Brasileira no século XX. Quando vieram do Rio de Janeiro para São Paulo, o cantor e compositor Silvio Caldas, a cantora Aracy de Almeida, Romualdo Peixoto (Nonô) e Luís Barbosa ficaram impressionados com o desempenho e a desenvoltura de Garoto ao violão tenor e Aimoré no violão, ambos parceiros de longa data. Esse episódio deu-se por volta de 1937.
Logo em seguida, a convite de Silvio Caldas, Garoto apresentou-se em Santos no Teatro Coliseu. Depois partiu para o Rio de Janeiro, onde se radicou. A bordo do navio Uruguai, convidado por Carmen Miranda, seguiu para os Estados Unidos para substituir um integrante do Bando da Lua. Por lá ficou algum tempo, impressionando a todos com sua maneira de tocar e de criar melodias e harmonias, diga-se de passagem, adiantadíssimas para a época. Este, talvez, muito antes de João Gilberto, segundo os experts, já fazia bossa-nova. Acabou por se tornar um ícone do choro em São Paulo, tendo seu nome destacado por diversos músicos e compositores brasileiros que sempre reconheceram seu talento, ao lado de José Alves da Silva, o Aimoré, e Armando Neves, o Armandinho, titular do primeiro conjunto de choro de São Paulo.
Garoto, sem perceber, tornou-se o responsável pela literal penetração do choro paulista no choro carioca, uma vez que, na época, havia muita resistência dos cariocas com relação aos paulistas no samba e no choro. Mas isso já faz muito tempo, e desapareceu ante o reconhecimento de talentos como, por exemplo, Laércio de Freitas, Nicolino Cópia - o Copinha, Alessandro Penezzi, Aleh Ferreira, Danilo Brito, Stanley, Proveta, Zé Barbeiro, Choro das Três, Luizinho 7 cordas, Izaías e chorões, Antonio D'áurea, Arnaldinho do Cavaco, Toninho Carrasqueira, Dilermando Reis, Paulo Moura, Bonfiglio de Oliveira, Zequinha de Abreu, Esmeraldino Sales e muitos outros chorões paulistas. Mas foi Garoto, sem dúvida, o maior expoente.
Conta-nos o pesquisador e historiador Carlos Henrique Machado que, somente quando o violonista e compositor Paulo Bellinati lhe presenteou com seu magnífico trabalho sobre Garoto, percebeu uma atmosfera em torno da importância de um contexto maior acerca do mito Garoto. “É como se alguém nos chamasse, nos abraçasse e nos colocasse para ouvir, frase a frase, toda a fortuna construída pelos sentimentos da extraordinária criatividade de Garoto e nos dissesse: escutem o Brasil de Garoto! Escutem a obra universal de Garoto!”.

 

Paulo Bellinati, mais do que pesquisar, construiu um conceito que foi do didático ao extremo do artístico. É fundamental que, pela sua sensibilidade, nos cobre uma especial atenção para compreendermos a grandiosidade de Garoto: toda uma escola, todo um caminho que mudou sensivelmente a maneira de pensar a música brasileira.



 

Garoto é uma daquelas entidades universais que sustentam o pilar de uma ampla linguagem musical. É em sua obra de violão que está construída toda uma nova forma de pensar a música brasileira, o violão brasileiro. Garoto não foi o pai da bossa nova, como dizemos, muitas vezes, essa corrente. Apesar de sua importância, a bossa nova abraçou sim um pequeno caminho apontado por Garoto. A sua obra é muito mais abrangente, por isso, tratá-la como mãe de um movimento seria nos jogarmos na irresponsabilidade de uma narrativa bem menor, se comparado ao tamanho de Garoto.


O Brasil construiu, passo a passo, a sua forma de conceber a música, costurando todas as linguagens e nos apresentando um excepcional resultado e, de tempos em tempos, alguns dos nossos gênios, como visionários, vão nos dando frutos de extraordinária capacidade de expandir novas formas e fórmulas de perceber os sons desta nação. João Pernambuco, Nazareth, Pixinguinha, Villa Lobos são alguns exemplos desses portos seguros que, assim como Garoto, nos apresentam uma reedição da nossa linguagem artística.

 

O País passa por um momento de incrível necessidade de construir um novo conceito musical em toda a sua magnífica história no campo das artes. Essa arte de universalidade ímpar, essa brasilidade, para a qual o grande Mário de Andrade tanto nos chamou a atenção. Garoto, assim como Mário de Andrade, é desses brasileiros universais que receberam em sua cidade, São Paulo, todos os ecos deste Brasil multicultural e trataram de nos apresentar, através de suas obras, uma nação de extensão cósmica; de múltiplas linguagens.



 

Garoto é este brasileiro do mundo, paulista do universo. Seus sons, seus caminhos abrem, ampliam os horizontes da música no mundo, música esta que, de tão universal, se constituiu numa obra de excelência absolutamente brasileira.

 

A homenagem a Garoto, por seu estado, tem um significado histórico. Garoto nos cobra um entendimento maior sobre o choro como obra de extensão ilimitada. Não podemos, em função de nossas restrições para um entendimento maior, nos acomodar com todo este manancial de sons. O que fica é a sensação de que Garoto recobra a célebre frase que simboliza a grande São Paulo e nos diz: o choro, a grande música brasileira, não pode parar!


Assim como Pixinguinha está para a Música Popular Brasileira e o Dia Nacional do Choro foi criado em razão de seu nascimento, Garoto está para São Paulo, por ser seu maior expoente do choro, merecendo, portanto, que o dia 28 de junho passe a ser lembrado como o “Dia Estadual do Choro”, comemorado, anualmente, aqui no Estado de São Paulo. 
Isto posto, peço aos nobres colegas a apresentação deste projeto, com o objetivo de que o Choro possa receber a justa homenagem do povo paulista.

a) Paulo Alexandre Barbosa - PSDB







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