Projeto de lei nº 173, de 2014



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PROJETO DE LEI Nº 173, DE 2014
Da denominação de Professora Neusa Garrido Brusco Gonzales a Escola Estadual da Vila Albertina, em Campos do Jordão.



A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:
Artigo 1º - Passa a denominar-se “Professora Neusa Garrido Brusco Gonzales” a Escola Estadual da Vila Albertina, em Campos do Jordão.
Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.



JUSTIFICATIVA

Nascida em doze de novembro do ano de 1939 em Mogi das Cruzes, estado de São Paulo, viveu também na Capital Paulista, no Bairro da Lapa, na romântica época dos torneios de regatas no Rio Tietê, rio esse no qual aprendeu a nadar. Filha de pai italiano, Giuseppe Brusco, taxista, e mãe espanhola, Mercedes Garrido, costureira e dona de casa, foi a filha mais velha de uma família de quatro irmãos, nesta ordem: Neusa, Antonio, Nanci – também professora e coordenadora escolar – e Durval.


Formou-se professora no Curso de Magistério em Mogi das Cruzes com 19 anos. Iniciou a carreira como professora substituta na mesma cidade, em bairro rural com grande comunidade japonesa; em seguida também trabalhou em Escola do SESI (Serviço Social da Indústria).
Sua relação com Campos do Jordão inicia-se no ano de 1964 quando ingressou na Escola Rural da Campista, ficando gentilmente hospedada em cômodo na propriedade do Sr. Joaquim Lúcio. Época esta em que muitos mestres e mestras enfrentavam grandes desafios para chegar à escola em que lecionavam: enfrentavam chuva, lama, frio, calor, mosquitos e outros insetos e charrete, canoa, caminhão ou do que dispusessem, até a instituição de ensino. Vale lembrar ainda que eletricidade e água corrente ainda eram luxo em muitas partes daquele Brasil dos anos 60.
A Professora Neusa formou-se na UNITAU em Letras – Português, Francês e Espanhol, dedicando-se ao ensino das duas primeiras por muitos anos em Escolas como Monsenhor José Vita, TCC (Teodoro Correia Cintra) e Capivari (Dr. Antônio Nicola Padula). Para melhor exercer sua profissão, cursou em seguida a Faculdade de Pedagogia, também em Taubaté, na companhia de alguns dedicados companheiros que enfrentavam a Estrada Velha, não raro precisando, no retorno, dar a volta por São José dos Campos em termos de muito chuva, devido à lama e inundações em trechos entre Tremembé e Campos do Jordão. Na época do Mobral, programa nacional para alfabetização de adultos, prestou sua colaboração lecionando voluntariamente.
Casou-se em 1967 com Antonio Gonzalez, então funcionário público federal dos Correios e taxista. Em 1975 e 1977, respectivamente, deu à luz a dois filhos homens, Gilvan e Gerson. Atualmente, Gilvan é advogado e Gerson, publicitário. Gilvan a presenteou com sua primeira neta, Caroliny no ano de 2005.
A carreira da Professora Neusa Garrido Brusco Gonzalez continuou como Assistente de Direção na Escola do Capivari (Dr. Antônio Nicola Padula) por mais de dez anos. À época, as escolas do Horto Florestal, Campista e Pereiral também eram coordenadas pela Professora Neusa, uma vez que eram sucursais da Escola do Capivari. Posteriormente, passou a Diretora do Monsenhor José Vita. Em ambas as escolas, havia o período noturno. Por quase todo o período em que foi coordenadora, ia a Pindamonhangaba e Taubaté, às vezes até três vezes por semana, para prestar contas à Delegacia Regional de Ensino e para fazer cursos promovidos pela Secretaria de Educação do Governo do Estado de São Paulo.
Em prol das escolas em que lecionava, em várias ocasiões buscou patrocínio na comunidade para reformas, ampliações e pinturas. Muitas vezes, profissionais nessas áreas, pais de alunos ou não, colaboravam com a mão de obra.
Vale ressaltar que a vida profissional da Professora Neusa sempre foi pautada pela ética no proceder e pela justiça. Nunca condescendeu com fraudes, perseguições e injustiças. Sempre lutou para que as pessoas que tivessem méritos e boa conduta – e isso incluía alunos, professores e funcionários – fossem reconhecidos e respeitados independentemente de raça, cor, crença ou posição social. À Assistência Social da Cidade de Campos do Jordão e ao Ministério Público, muito antes do Código Brasileiro da Criança e do Adolescente, encaminhou muitos casos de maus tratos a crianças que sofriam agressões físicas, queimaduras, abuso e assédio sexual e outros traumas promovidos por pais ou tutores. Acompanhava os casos até seu desfecho, motivo pelo qual estendeu seu tempo de serviço dos obrigatórios 25 anos para 37 anos, para que assim se aposentasse da carreira Docente no ano de 1995. Estima-se que mais de três mil alunos tenham passado por sua tutela como professora e mais de dez mil como coordenadora.
Sempre apoiou o comércio local, procurando fazer suas compras em pequenas mercearias, pequenas lojas de ração animal, padarias de bairro, feiras livres e no Mercado Municipal de Vila Abernéssia. Prestigiava festivais locais, como apresentações de dança, música, poesia e teatro no Espaço Cultural Dr. Além e também apreciava festas regionais como a Festa do Pinhão, Festa da Cerejeira e Festas Juninas.
Após sua aposentadoria, trabalhou nos comércios da família, frequentou assiduamente as reuniões da Academia de Letras de Campos do Jordão, fez viagens culturais para a América, África, Europa e Oriente Médio e cuidou de sua saúde que, a partir do ano de 1998 fragilizou-se devido a um tumor de mama de grandes dimensões e outros pequenos tumores subsequentes, até que, no triste dia 16 de abril de 2008, faleceu no Hospital Regional de Taubaté devido a consequências da primeira enfermidade. Seu velório deu-se no mesmo dia, na Câmara Municipal de Campos do Jordão e seu sepultamente foi no dia seguinte também em terras jordanenses.


Sala das Sessões, em 13-3-2014
a) Hélio Nishimoto - PSDB





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