Programas Sociais de Empresas Privadas e a Geração de Capital Social



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Programas Sociais Corporativos e Capital Social: proposta de um modelo de qualificação
Resumo

Existe um discurso difundido no imaginário social que aponta as empresas como o ator mais qualificado para resolver os problemas sociais, dada a competência que elas vêm demonstrando para enfrentar a concorrência em um mercado globalizado e profundamente competitivo. No entanto, defende-se que subjacente a essa visão, está uma visão reducionista da complexidade dos fatos sociais, ao considerar a exclusão como um problema passível de ser equacionado pela simples gestão eficiente e eficaz de recursos. O presente artigo, embasado em pesquisa empírica realizada em sete empresas da região da Serra Gaúcha, agraciadas com o prêmio Responsabilidade Social oferecido pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, aponta os limites de projetos de responsabilidade social empresarial, e propõe, a partir da teoria do capital social, um modelo para qualificá-los, de modo a potencializar sua contribuição para a construção de uma sociedade mais equilibrada.


Palavras-chave: Responsabilidade Social Empresarial; Teoria do Capital Social; Gestão Social; Avaliação de Ações Sociais.
Abstract

There is a speech already scattered in the social imaginary, that points the enterprise as the most qualified actor to resolve the social problems, considering its competence to face the globalized and extremely competitive market. Nevertheless, is supported that behind this point of view is located a reductionist vision about the complexity of the social facts, taking the phenomenon of the social exclusion only as a problem of efficient management of resources. This study is based on an empirical research, realized on seven enterprises of Rio Grande do Sul mountain ridge zone. These enterprises received the Social Responsibility Award offered by the Legislative Assembly from Rio Grande do Sul. The article indicate the limits of these social projects and propose, from the Social Capital Theory on, a model of valuation/orientation of programs and social projects, with a more effective potential of contribution to construct a more balanced society.


Key-words: Enterprise Social Responsibility; Social Capital Theory; Social Management; Social Actions Valuation.
1 Introdução

As ações sociais das empresas compreendem o conjunto das atividades que vão desde doações pequenas e eventuais, até programas e projetos estruturados e com foco preciso, seja na saúde, na alimentação, na educação, no meio ambiente, ou, enfim, em fatores que contribuam para melhorar as condições de vida de um grupo ou de uma comunidade (IPEA, 2003).

Atualmente, vem-se observando o crescimento do interesse de empresas privadas em atuar no campo da gestão social (ASHLEY, 2002; BAIARDI & LANIADO, 2002; CARRION 2000; MELO NETO & FROES, 1999; 2001; SCHOMMER, 2000). Existem razões bem distintas que as levam as organizações a desenvolverem ações sociais. Como motivadores da ação empresarial na área social, Schommer (2002) cita: (i) obtenção de vantagens competitivas, pois os consumidores passam a valorizar ética e participação das empresas na comunidade; (ii) fundamentação religiosa ou moral; (iii) promoção de valores de solidariedade interna e identificação e desenvolvimento de lideranças entre os funcionários; (iv) resposta a incentivos oferecidos pelo governo e outras instituições e (v) orientação e visão estratégica de sobrevivência em longo prazo.

Com o impulso da mídia, não é de surpreender que as pessoas passem a pensar a solução da crise social como um problema de gestão dos recursos aplicados no setor, o que legitimaria o papel da empresa para orientar as ações sociais, na medida elas detém o saber gerencial (CARRION, 2003).

Portanto, um dos aspectos a ser tratado na questão da responsabilidade social das empresas é a idéia de que elas podem resolver grande parte dos problemas sociais, uma vez que são dotadas de competências gerenciais para tanto. E, com isso, as práticas empresariais estão sendo usadas como instrumento de construção de uma ideologia que faz com que a empresa passe a ser vista como o único ator capaz de solucionar a crise social, reduzindo assim, o problema social a uma questão de gestão de recursos (CARRION, 2003).

Contudo, o problema do campo da gestão social é muito mais complexo. E esta é uma questão chave para o presente estudo. Em não se limitando à dimensão gerencial, qual a efetiva contribuição que as empresas teriam a aportar para o enfrentamento da questão social?

Sem entrar na discussão acerca de qual racionalidade orienta tais ações - se instrumental, à medida que visa o alcance de interesses essencialmente econômicos, ou se substantiva, através da busca de um equilíbrio ético-valorativo das ações, conforme discutida em Andrade e Medonça (2002) e Serva (1999) - ou ainda, de que tipo de responsabilidade as empresas estariam se imbuindo, o presente estudo se propõe a investigar os investimentos sociais de empresas privadas, sob a ótica da geração de capital social.

O conceito de capital social, ao medir o potencial de produção de riqueza que flui das diversas formas de associação coletiva, permite explorar os impactos da sociedade civil no desempenho econômico. É possível identificar quatro modos principais pelos quais o capital social encontrado nas redes sociais estimula o crescimento econômico (SKIDMORE, 2001, p. 134): (i) níveis elevados de confiança social e fortes normas de reciprocidade, reduzem os custos de transação; (ii) as redes sociais diluem os riscos, permitindo que os membros se engajem em inovações e em níveis de riscos mais elevados; (iii) as redes sociais facilitam a rápida disseminação de informações e com isto, reduzem as assimetrias; (iv) as redes sociais permitem que seus membros resolvam mais facilmente os problemas de ação coletiva.

Retomando a questão anterior sobre o que seria de fato uma contribuição efetiva no campo da gestão social, podemos argumentar que as empresas – e qualquer outro agente – estarão realmente contribuindo para o tratamento dos problemas sociais e para o desenvolvimento local, na medida em que suas ações estejam direcionadas para a geração de capital social.

A tese que defendemos – tendo-se presente que diversas empresas se auto-afirmam como responsáveis socialmente, e capazes de solucionar os problemas do campo social, o que procuram demonstrar através de seus programas sociais, é: para que os investimentos sociais das empresas privadas consideradas responsáveis socialmente contribuam para o desenvolvimento local, faz-se necessário que suas ações incorporem os princípios da comunidade cívica e, assim, contribuam para o alargamento do capital social da comunidade com a qual interagem.

Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo avaliar as implicações das ações sociais de empresas privadas, consideradas responsáveis socialmente, na expansão do capital social das comunidades envolvidas.
2 Capital social: conceitos e dimensões

As comunidades que possuem alto nível de capital social são chamadas de comunidades cívicas. Numa comunidade cívica os cidadãos buscam, nas palavras de Tocqueville (apud PUTNAM, 2002, p. 102), o interesse próprio corretamente entendido, ou seja, um interesse definido a partir do contexto das necessidades públicas, um interesse próprio que é esclarecido e sensível aos interesses dos outros. As principais características da comunidade cívica são: (i) a cidadania implica direitos e deveres iguais para todos; (ii) a comunidade é unida, em grande parte, por relações horizontais de reciprocidade e cooperação, enquanto relações verticais de autoridade e dependência são pouco presentes; (iii) seus líderes consideram-se responsáveis por seus concidadãos; (iv) há uma ampla participação dos cidadãos no governo; (v) prevalece o espírito público entre os cidadãos e (vi) predominam as relações de confiança entre os membros (PUTNAM, 2002).

As normas de reciprocidade e os sistemas de participação cívica são a chave da prosperidade, gerando círculos virtuosos de estímulo ao civismo. Estes círculos virtuosos a que Putnam (2002) se refere são caracterizados pela produção de capital social. O autor utiliza a definição de capital social, segundo Coleman (1990):

“Assim como outras formas de capital, o capital social é produtivo, possibilitando a realização de certos objetivos que seriam inalcançáveis se ele não existisse (...). por exemplo, um grupo cujos membros demonstrem confiabilidade e que depositem ampla confiança uns nos outros é capaz de realizar muito mais do que outro grupo que careça de confiabilidade e confiança (...). Numa comunidade rural (...) onde o agricultor ajuda o outro a enfardar o seu feno e onde os implementos agrícolas são reciprocamente emprestados, o capital social permite a cada agricultor realizar o se trabalho com menos capital físico sob a forma de utensílios e equipamento” (COLEMAN, 1990 apud PUTNAM, 2002, p. 177).


O capital social pode aparecer sob muitas formas – confiança, normas e cadeias de relações sociais – e todas estas formas são recursos cuja oferta aumenta com o uso e que se esgotam se não forem utilizados (HIRSCHMAN, 1984). Além disso, o capital social traz conseqüências para a ação (Nahapiet & Ghoshal:1998; Putnam: 2002). Uma conseqüência é que o capital social aumenta a eficiência da ação; inclusive Putnam (2002) sustenta que altos níveis de confiança reduzem o oportunismo e a necessidade de custos de monitoramento ao longo do processo. Outra conseqüência está relacionada ao encorajamento do comportamento cooperativo, através do incentivo em desenvolver novas formas de organização (PUTNAM, 2002). O conceito de capital social é, portanto, fundamental para o entendimento da dinâmica institucional, da inovação e da criação de valor (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998).

O capital social está vinculado à relevância dos relacionamentos como recurso para a ação social, aspecto com o qual muitos autores concordam, como Bourdieu (2003a; 2003b), Coleman (1988) e Loury (1987), apud Nahapiet e Ghoshal (1998). Contudo, como aponta Putnam (2002), o capital social não é um conceito unidimensional, o que faz com que diferentes autores estabeleçam o foco da discussão nas diferentes faces do capital social, como é possível observar no importante estudo de Nahapiet e Ghoshal (1998):

“O termo capital social, inicialmente surgido nos estudos sobre comunidades, destaca a importância chave – para a sobrevivência e funcionamento das comunidades – das fortes redes de relacionamentos pessoal desenvolvidas ao longo do tempo, as quais provém a base para a confiança, cooperação e ação coletivas nestas comunidades” (JACOBS, 1965 apud NAHAPIET & GHOSHAL, 1998, p.243).
Desde o surgimento do conceito, ele vem sendo utilizado para explicar uma série de fenômenos sociais. Grande parte das pesquisas tem focado o papel do capital social no desenvolvimento do capital humano (COLEMAN, 1988 & LOURY, 1977, apud NAHAPIET e GHOSHAL, 1998), no desempenho econômico (BAKER, 1990, apud NAHAPIET & GHOSHAL, 1998), no desenvolvimento de regiões (PUTNAM, 2002) e de países (FUKUYAMA, 1996).

A proposição central da teoria sobre capital social é que as redes de relacionamentos constituem um importante recurso na condução dos assuntos sociais, proporcionando a seus membros um capital coletivo, (collectivity-owned capital), uma espécie de credencial, que provê crédito nos vários sentidos da palavra (BOURDIEU, 1986 apud NAHAPIET & GHOSHAL, 1998, p. 243).

Grande parte deste capital está relacionada as redes de conhecimento e reconhecimento mútuo, as quais envolvem sentimentos de gratidão, respeito e amizade. Contudo, também é possível encontrar capital social sob a forma de status e reputação social (BOURDIEU, 2003a; 2003b), usualmente, quando o pertencimento à determinada rede for algo restrito. Para Bourdieu (2003ª) o capital está sempre relacionado à posição de um ator no espaço social, já que influencia a ação que por sua vez influencia a posição do ator no campo. Outros recursos podem ser avaliados através das conexões da rede, como os laços fracos (weak ties) (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998; PUTNAM, 2002) e os amigos dos amigos (friends of friends) (BOISSEVAIN, 1974 apud NAHAPIET & GHOSHAL, 1998). Baker (1990 apud NAHAPIET & GHOSHAL, 1998) limita a definição de capital social à estrutura das redes de relacionamento, enquanto outros autores, entre eles Bourdieu (2003a; 2003b) e Putnam (2002), incluem em suas definições os recursos reais e potenciais que podem ser acessados através destas redes.

Para o presente estudo, é adotado o conceito de capital social de Putnam (2002) – influenciado por Coleman (1990) -, já que o mesmo foi testado e utilizado em outras pesquisas; como nos estudos de Nahapiet e Ghoshal (1998) e de Onyx e Bullen (2000), onde os autores criaram definições de capital social a partir da teoria de Putnam (1996). As diferentes definições de capital social são apresentadas na figura 1, a seguir.



Para Putnam (2002) o capital social é um atributo do tecido social, que normalmente constitui um bem público, ao contrário do capital convencional, que usualmente é um bem privado. Nesta definição, parece não fazer sentido afirmar que numa mesma comunidade uma pessoa possui mais capital social do que outra, como a definição em Bourdieu (2003a; 2003b) poderia indicar.

Referência

Definição

Coleman (1990, apud Nahapiet & Ghoshal, 1998 p. 24)

“aquelas características da organização social, tais como confiança, normas e redes que podem melhorar a eficiência da sociedade, por facilitarem ações coordenadas”

Putnam (2002, p.117)

“Aqui [na comunidade cívica] o capital social diz respeito a características da organização social como confiança, normas e sistemas, que contribuem para aumentar a eficiência da sociedade, facilitando ações coordenadas”.

Nahapiet e Ghoshal (1998, p.243)

“capital social é a soma dos recursos reais e potenciais envolvidos, avaliados e derivados das redes de relacionamento tidas por um indivíduo ou unidade social”

continuação

Franco (2002, apud Melo Neto & Froes, 2002, p.54)

“capital social são os níveis de participação e de organização que uma sociedade possui. Se a sociedade não está tramada, na sua base, por miríades de organizações, se ela não tem iniciativa, se a confiança social entre os grupos sociais não existe ou é pequena, você também não pode ter desenvolvimento, nem mesmo crescimento econômico sustentável”

Bourdieu (2003a, p. 134)

“O capital representa um poder sobre um campo (num dado momento) e mais precisamente, sobre o produto acumulado do trabalho passado (...) As espécies de capital, à maneira dos trunfos num jogo, são os poderes que definem as probabilidades de ganho num campo determinado. (...) A posição de um determinado agente

Baker (1990 apud Portes, 1998, p.6)

“um recurso que os atores derivam de estruturas sociais específicas e então os usam para perseguir seus interesses; é criado através das trocas nas relações entre os atores”

Jacobs (1965 apud Nahapiet & Ghoshal, 1998, p.243)

O termo capital social, inicialmente surgido nos estudos sobre comunidades, destaca a importância chave – para a sobrevivência e funcionamento das comunidades – das fortes redes de relacionamentos pessoal desenvolvidas ao longo do tempo, as quais provém a base para a confiança, cooperação e ação coletivas nestas comunidades.

Loury (1977 apud Portes, 1998, p.4)

O conceito de capital social para Loury captura a diferença de acesso às oportunidades através de laços sociais para minorias e não-minorias, mas ele não trabalha com uma definição sistemática das relações do capital social com outras formas de capital.

Constantini (2002, p. 224)

“conjunto de elementos – tais como, as relações entre atores, o nível de confiança, a capacidade de agregação de grupos e empresas, etc. – que facilitam a produção de atividades sociais e econômicas, em presença de recursos e iniciativa social”

Lisboa (2000, p. 164 apud Scherer-Warren, 2002, p. 66)

“(...) formas de organização social e elementos de vida cívica, tais como espírito público, redes, normas e confiança que facilitam a coordenação e a cooperação social”.

Scherer-Warren (2002, p. 66; definição baseada em Fontes, 1999)

“ ‘O estoque de capital social disponível numa comunidade vai determinar o que Fontes denomina ´sustentabilidade das organizações voluntárias´, uma vez que se encontram estruturadas nas comunidades sob a forma de redes sociais para os ´empreendimentos de práticas visando a produção de bens públicos ... [construírem] suas identidades a partir da idéia de comunidade, locais de conviviabilidade e de estabelecimento de laços de pertencimento, que se traduzem no esforço coletivo para a produção do bem comum’ ” (FONTES, 1999 apud SCHERER-WARREN, 2002, p. 66).

World Bank (2004)

“as instituições, relações e normas que conformam a qualidade e a quantidade das interações sociais de uma sociedade”

Baiardi e Laniado (2002, p. 316)

“(...) o capital social distingue-se de outras formas de capital porque sua disponibilidade não depende de uma dotação da natureza, nem de um processo de acumulação original, nem de investimentos prévios e nem mesmo de capacitação de recursos humanos. No contexto de hoje, depende, única e exclusivamente, da capacidade que tiveram os membros de uma comunidade de praticar o civismo, de engajar-se em empreitadas de bem-comum, confiando que estas iniciativas não sejam isoladas porque abrangem sempre um espectro maior da comunidade”

Silveira (2002, p.243)

“(...) capital social refere-se à experiência associativa, aos laços de confiança e cooperação, às competências e capacidades organizacionais e às configurações de caráter tácito ou institucionalizado que sedimentam relações interpessoais e interorganizacionais, passíveis de abordagem na ótica de construção social dos territórios”.

Figura 1 – Definições de capital social encontradas na literatura
O capital social reside nas relações, ou seja, não é propriedade exclusiva de indivíduos. O desenvolvimento do capital social é, então, significativamente afetado por fatores que moldam a evolução das relações sociais. Para Nahapiet e Ghoshal (1998) existem quatro fatores fundamentais: tempo, interdependência, interação e isolamento.

Assim como outras formas de capital (BOURDIEU, 2003b), o capital social constitui uma forma de história – o tempo é, portanto, essencial no desenvolvimento de capital social, uma vez que todas as formas de capital social dependem da estabilidade e da continuidade da estrutura social (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998). Da mesma forma que leva tempo para construir confiança, a estabilidade e durabilidade dos relacionamentos são elementos chaves na busca de altos níveis de confiança e de normas de cooperação (PUTNAM, 2002). A duração e a estabilidade das relações sociais também influenciam a clareza e a visibilidade das obrigações mútuas (MISZTAL, 1996 apud NAHAPIET & GHOSHAL, 1998).

Diferente de outras formas de capital, o capital social aumenta com o uso (BOURDIEU, 2003b). A interação é, portanto, é uma precondição para o desenvolvimento e a manutenção do capital social. Principalmente na dimensão relacional do capital social, (como, confiança, normas, obrigações e identificação social) que cresce em redes onde os elos são fortes, multidimensionais e recíprocos (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998).

Nas comunidades ou grupos fechados pode ser mais fácil desenvolver capital social – especialmente as dimensões relacional e cognitiva. As chamadas comunidades fortes - comunidades ou grupos que excluem elementos de fora - têm identidades e um senso de fronteira que separam e distinguem membros de não-membros (BOURDIEU, 2003b). O desenvolvimento de normas, identidade e confiança facilitam o isolamento e o desenvolvimento de códigos de linguagem únicos (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998).

No estudo sobre o capital social e sua importância na criação de capital intelectual, Nahapiet e Ghoshal (1998) propõem três dimensões de capital social: a estrutural, a relacional e a cognitiva (ver figura 2). Embora, os autores tenham analiticamente compreendido o capital social em dimensões, eles apontam que grande parte das características estudadas é altamente relacionada, o que não invalida a classificação, pois facilita a compreensão do construto.

Na face estrutural do capital social são analisados: a presença ou não de laços entre os atores, a configuração ou morfologia da rede - descrevendo os padrões de ligações, através de variáveis como densidade, conectividade e hierarquia – e a intencionalidade da rede – ou seja, se a mesma foi criada para um objetivo e está sendo usada para outro (COLEMAN, 1990 apud NAHAPIET & GHOSHAL, 1998). Ainda segundo Nahapiet e Ghoshal (1998), a dimensão estrutural do capital social influencia o desenvolvimento das outras dimensões – a relacional e a cognitiva. Outro aspecto a ser destacado é que nem todas as dimensões do capital social são reforçadas mutuamente; por exemplo, uma rede eficiente em termos estruturais pode não ser a melhor maneira de desenvolver um forte capital relacional ou cognitivo.




Figura 2 – Dimensões do capital social. Fonte: Adaptado de Nahapiet e Ghoshal (1998).


O ponto de vista relacional descreve o tipo de relacionamento pessoal, desenvolvido através de uma história de interações (GRANOVETTER, 1992 apud NAHAPIET e GHOSHAL, 1998). Este conceito foca aspectos que influenciam os comportamentos, como respeito e amizade, os quais irão determinar a sociabilidade, aceitação e prestígio.

A terceira dimensão do capital social, a qual Nahapiet e Ghoshal (1998) chamaram de cognitiva, refere os recursos que emanam visões compartilhadas, interpretações e sistemas de significado, principalmente códigos e narrativas compartilhados. Dentre estes elementos alguns apresentaram alta correlação: (i) Conexões da Rede, quando simétricas (dimensão estrutural) e Confiança (dimensão relacional); e (ii) Identificação Social (dimensão relacional) e Códigos e Linguagem Compartilhados (dimensão cognitiva) (NAHAPIET & GHOSHAL, 1998).

Estas dimensões do capital social serviram de base para a construção dos instrumentos de coleta de dados discutidos na seção a seguir.
3 Metodologia

O método de trabalho adotado foi o de estudo de casos. A definição de estudo de caso, para Yin (1994, p. 13) é de “uma pesquisa empírica que investiga um fenômeno contemporâneo, especialmente quando a fronteira entre fenômeno e contexto não é aparentemente clara”, o que se mostra adequada para o estudo de empresas e suas relações com os stakeholders (especialmente, a comunidade local), onde empresa e contexto se fundem.

Fazendo parte de uma pesquisa maior, na qual um dos objetivos foi investigar as implicações das ações sociais de empresas consideradas responsáveis socialmente na expansão do capital social das comunidades envolvidas nos programas, trata-se de estudo de natureza explanatória, ou seja, preocupa-se em investigar relações entre elementos que explicam determinado fenômeno.

Sendo assim, foram investigados os casos mais expressivos de ações sociais de empresas instaladas no sul do Brasil (mais especificamente na região da serra gaúcha). O critério de seleção das empresas foi seu reconhecimento perante a sociedade, através de premiações ou certificados de responsabilidade social. A partir disso, para cada empresa, foi escolhido um programa de atuação junto à comunidade; contemplando, no total, a análise de sete programas sociais de empresas diferentes, focando em uma unidade de análise: o programa social mais expressivo de cada empresa.

As fontes de evidência utilizadas foram: análise documental, entrevistas semi-estruturadas e observação direta. Foram construídos dois instrumentos de coleta de dados para orientar as entrevistas realizadas: um direcionado aos representantes da empresa e outro às pessoas da comunidade atingida pelas ações sociais. Os instrumentos foram elaborados a partir da revisão teórica e em especial a partir do projeto da Rede Pintadas na Bahia (MILANI, 2004).

Os instrumentos de coleta de dados construídos foram submetidos a testes prévios. A versão final do questionário aplicado às empresas continha 55 questões; já o questionário aplicado às comunidades ficou com 53 perguntas. Resumidamente, podemos apresentar aqui, para cada dimensão do capital social, os elementos mais significativos, a partir dos quais as questões foram derivadas (tabela 1).

Tabela 1 - Proposta de indicadores qualitativos de capital social para programas de empresas privadas.


Dimensão do Capital Social

Elementos

Relacional

Participação dos atores

Tomada de decisões

Estímulo à participação e mobilização da comunidade

Identificação e qualificação dos problemas sociais

Intenção de reeditar o programa

Acompanhamento dos beneficiários

Resultado esperado para a comunidade

Estrutural

Organizações parceiras

Iniciativas locais

Contribuições da comunidade para o programa

Mudanças realizadas em função de sugestões da comunidade

Interesse em formar outras parcerias

Cognitiva

Capacitações necessárias para atuar no campo social

Dificuldades encontradas

Valores da empresa e a forma como os coloca em prática

Significado do programa para a empresa

Divulgação das ações

Metodologia de avaliação dos resultados do programa

Indicadores de avaliação dos resultados do programa

Fonte: presente estudo.

Para análise dos dados recorreu-se à técnica de análise de conteúdo, proposta por Bardin (1977). As categorias de análise foram previamente definidas a partir do estudo de Nahapiet e Goshal (1998) e foram, portanto, centrais, na confecção dos instrumentos.


4 Os programas sociais em análise e o contexto local

Em duas pesquisas realizadas sobre a avaliação dos níveis de capital social no estado do Rio Grande do Sul – Monastério (2003) e Bandeira (2003) - a região da serra gaúcha foi apontada como possuindo um dos mais altos níveis de capita social do estado. Em grandes linhas, as razões apontadas para este bom desempenho na geração de capital social foram: (a) maior participação em associações voluntárias; (b) convívio social mais intenso, avaliado por diferentes práticas, como reunir amigos em casa, sair com colegas de trabalho, visitar parentes e amigos, entre outros; (c) participação político, medido através da filiação a partidos políticos, candidaturas a cargos públicos e participação em manifestações públicas, COREDES, orçamentos participativos (BANDEIRA, 2003). Já o estudo de Monastério (2003) incluiu variáveis como: (a) aspectos sócio-econômicos, como índice de Gini, área média das propriedades rurais, área ocupada por 50% das menores propriedades, entre outros; (b) qualidade da administração municipal; e (c) indicador de capital social construído a partir de mais de vinte variáveis retiradas da literatura e adaptadas para a realidade do estado.

Sendo assim, foram escolhidas sete empresas da região da Serra Gaúcha – todas premiadas e legitimadas por sua participação na área social - para fazer parte deste estudo. Para cada uma procurou-se avaliar o programa/projeto social mais expressivo e sua repercussão perante às comunidades beneficiadas. Neste ponto faremos uma breve descrição dos programas sociais analisados, destacando aspectos relevantes para a compreensão dos resultados encontrados.

No caso da empresa A, foi escolhido o programa de formação profissional (de operador eletromecânico) destinado a jovens com idade entre 16 e 17 anos, em condições de vulnerabilidade social. Todos os jovens têm aproveitamento garantido nas diversas áreas da empresa, recebendo, no período do programa, uma bolsa de estudos, além de todos os benefícios oferecidos aos demais colaboradores da empresa.

A empresa B trabalha com um projeto voltado para crianças e adolescentes de um bairro pobre de Caxias do Sul. As atividades são realizadas pelos próprios funcionários e acontecem duas vezes por semana: é servido almoço, são realizadas palestras educativas e acompanhamento dos temas de casa.

A empresa C patrocina e apóia diversos projetos e entidades beneficentes – sendo grande parte das ações pontuais e localizadas. As ações ocorrem em diferentes áreas, como preservação do meio ambiente, combate à violência e às drogas e doações de cestas básicas, agasalhos, medicamentos e material de construção.

A empresa D proporciona oficinas culturais de caráter profissionalizante (teatro, dança paletas educativas e atividade esportivas) para crianças de 4 a 18 anos, em situação de vulnerabilidade social, no turno inverso à escola. De forma semelhante, a empresa E também trabalha com oficinas profissionalizantes só que com crianças de 7 a 14 anos.

A Empresa F possui um conjunto de ações onde os funcionários atuam na comunidade, destacando-se a conscientização ambiental, através da entrega de folders e sacos de lixo aos moradores de bairros carentes e a ação de um grupo de funcionários que vestidos de personagens infantis vão até hospital da cidade para brincar e divertir as crianças.

E finalmente, o projeto da empresa G faz parte de uma rede que funciona por meio do sistema de franquia social. As empresas franqueadas abrem espaço para a formação pessoal e profissional de adolescentes de baixa renda em suas próprias dependências, encaminhando-os posteriormente ao mercado de trabalho.

A maioria das empresas do estudo tem o seguinte perfil: indústria metal-mecânica de grande porte, que desenvolve ações sociais com foco no município há mais de 7 anos; ações estas, essencialmente, voltadas à educação de crianças e adolescentes, implicando uma média de investimento financeiro superior a 180 mil reais e; atuação no campo social motivada, principalmente, por interesse da presidência.


5 Programas sociais privados e capital social

Como forma de responder ao objetivo proposto, faremos, inicialmente, algumas observações relevantes sobre como os estudos de caso, de uma forma geral, diferenciam-se uns dos outros. Podemos apontar, basicamente, quatro aspectos: (i) as diferenças na escala; (ii) os estágios no ciclo do projeto; (iii) a confiabilidade dos dados; e (iv) as diferentes abordagens e conceitos norteadores (ROCHE, 2002). Faremos, a seguir, um exame destes aspectos para os casos do presente estudo.

Com relação às diferenças de escala, é interessante analisar as mesmas comparativamente à intensidade da relação da empresa com o público beneficiado pelo programa, como podemos ver na figura a seguir. Mesmo que à primeira vista esta relação possa se configurar como um tradeoff – tendência de que quanto maior o número de beneficiados, menor a intensidade do relacionamento -, ainda assim, esta análise serve para apontar como as empresas se distribuem nos diferentes quadrantes. Cabe destacar que importa menos a avaliação individualizada de uma empresa e sim a avaliação no conjunto, ou seja, interessa inferir sobre o conjunto de programas sociais analisados. Contudo, em alguns casos, algumas características de determinado programa receberão destaque, como forma de apontar melhorias ou tendências no campo da gestão social.

Neste caso, vemos que as empresas distribuem-se praticamente respeitando a relação alta intensidade de relacionamento para um número reduzido de beneficiados diretos. Podemos destacar o Programa da Empresa D, que atende um grande número de pessoas – em torno de 470 crianças por ano – e consegue estabelecer um relacionamento medianamente intenso – mantém as crianças meio turno no programa, realiza acompanhamento (pedagógico, psicológico) com as crianças, interage com as escolas da comunidade onde as crianças estudam e elabora atividades para os pais. Só não foi considerado mais intenso pelo fato do programa ser realizado somente em meio turno (período inverso à escola), diferentemente do Programa A e do Programa G, onde os jovens – 52, no caso da empresa A e 40, no caso da empresa G - ficam o dia todo no programa.



Intensidade da relação com os beneficiados













alta

Programa A


Programa G











média

Programa B


Programa E

Programa D







baixa






Empresa C*


Empresa F*








Poucos beneficiados




Muitos beneficiados

Número de beneficiados anualmente**

Figura 3 – Relação entre número de beneficiados pelos programas e intensidade do relacionamento da empresa com os beneficiados. Observações: * estas empresas não possuem um programa de destaque. Por esta razão, e pelo caráter de suas ações fica difícil mensurar o número efetivo de beneficiados; ** no primeiro quadrante foram considerados até 200 beneficiados diretos, no segundo, 400 e no terceiro, acima de 400 pessoas diretamente beneficiadas com o programa em questão. Fonte: presente estudo.

O segundo fator de análise, o estágio no ciclo do projeto, parece não ter influência no presente estudo, já que todos os programas já foram editados mais de uma vez. O que pode influenciar é há quanto tempo a empresa vem desenvolvendo o programa, comparativamente ao grau de estruturação que este programa já conseguiu atingir – no sentido de ter uma metodologia e sistema de indicadores definidos, trabalhar em rede com outros atores e avaliar e divulgar os resultados com transparência em todas as etapas do programa.

O resultado esperado é que quanto maior a idade do programa, mais estruturado ele esteja. Neste caso, vemos as empresa A, F e G estão dentro desta situação esperada. Outras duas situações aparecem: o caso das Empresas D e E - que se destacam positivamente, pois têm programas jovens e relativamente bem estruturados – e as Empresas B e C, que pela idade dos seus programas e comparativamente aos demais casos analisados, poderiam trabalhar na melhoria da estruturação dos seus programas.

O critério principal para definir o grau de estruturação baseou-se na quantidade e qualidade de informações sobre o programa que cada empresa dispunha. Assim, ao se perguntar sobre: como é feito o acompanhamento dos resultados, quais indicadores são avaliados, se existem relatórios sobre este monitoramento, como são divulgados os resultados, se existem papéis claramente definidos para cada ator envolvido, é possível verificar em que medida a empresa tem um programa social organizado e estruturado.



Grau de estruturação dos programas













alto







Empresa A




médio

Empresa D


Empresa E

Empresa F


Empresa G

Empresa B






baixo






Empresa C










Jovem




Maduro

Idade do programa

Figura 4 – Relação entre a idade do programa e o grau de estruturação do programa. Fonte: presente estudo.
A confiabilidade dos dados diz respeito à existência de formas sistematizadas de monitoramento e avaliação dos programas, além de documentação e formas de comunicação dos resultados. Para os casos em estudo, esta relação mostra-se bastante dispersa. Somente as empresas A e C mostram-se dentro do comportamento esperado que é quanto maior a atuação em rede, maior a confiabilidade das informações sobre o programa.

As empresas D, E, F e G, por diferentes razões, tiveram graus de confiabilidade maiores do que o esperado para o grau de atuação em rede. A Empresa D tem um grau de confiabilidade alto, pois a captação de recursos provenientes do Fundo de Amparo à Cultura faz com que a empresa dedique muita atenção para o monitoramento dos resultados alcançados, como forma de prestação de contas ao governo – assim, a empresa tem tudo mensurado e documentado, detalhadamente. Os casos das empresas F e G são semelhantes. A Empresa F tem uma maior confiabilidade das informações, pois possui certificação da norma SA 8.000. Já a empresa G tem que se adequar às exigências da franqueadora do seu programa. A única exceção é a empresa E. A empresa E apesar de não ter a exigência legal das empresas acima citadas, também acompanha e avalia, minuciosamente, o andamento do programa. Além disso, esta empresa tem sido alvo de estudo de muitos pesquisadores e com isto, tem aproveitado os resultados destas avaliações. Por este motivo, parece possível afirmar que a empresa E terá facilidade de desenvolver parcerias, considerando o aspecto de geração e transparência das informações.




Confiabilidade das informações sobre o programa













alto

Empresa F



Empresa D


Empresa E

Empresa A








médio

Empresa G













baixo

Empresa C



Empresa B













baixa

média

alta

Grau de atuação das parcerias em rede

Figura 5 – Relação entre o grau de atuação das parcerias em rede e a confiabilidade das informações sobre o programa. Fonte: presente estudo.
As diferentes abordagens e conceitos norteadores mostram preocupações diferentes quanto aos aspectos de planejamento, implementação, monitoramento e avaliação dos programas. Como podemos observar, tanto pela revisão teórica, quanto pelos resultados empíricos deste estudo, a questão da efetiva participação dos beneficiados tem se mostrado como um fator determinante para a geração do capital social a partir dos programas das empresas privadas.

Além da participação do público externo beneficiado com o programa, faz-se necessário analisar a participação e o envolvimento de outro público: o interno. Esta análise mostra que as empresas têm apresentado um comportamento bastante homogêneo quanto à variável participação.

Tanto para o público externo, quanto para o interno, foi analisado o grau de participação dos envolvidos nas diferentes etapas do programa – planejamento, implementação monitoramento e avaliação -, bem como, a etapa anterior ao programa, que envolve a seleção do problema social a ser tratado. Assim sendo, as empresas de uma forma geral precisam trabalhar mais em formas de envolvimento dos funcionários e do público externo. Nas empresas B e F, todos os funcionários se envolvem nas ações sociais. É claro, que não ainda em todas as etapas (como, principalmente, a de planejamento), mas mesmo, assim, existe um pequeno grupo de funcionários que se envolve em todas as etapas. Já na empresa C, a participação nas ações da empresa mais ativa é do grupo de funcionários que compõem o comitê que trata das demandas que chegam à empresa. No entanto, pela natureza assistencial e efêmera de algumas ações, o envolvimento do público externo é baixo.

No outro extremo, as demais empresas possuem um baixo grau de envolvimento dos funcionários e também têm como ponto a melhorar, a preocupação com o maior envolvimento das comunidades nas diferentes fases do programa.



Grau de participação dos beneficiados nas etapas do programa













alto













médio

Empresa A


Empresa D

Empresa E


Empresa G

Empresa B







baixo



Empresa C



Empresa F










baixo

médio

alto

Grau de participação dos funcionários das empresas nos programas

Figura 6 – Relação o grau de participação dos funcionários das empresas nos programas sociais e o grau de participação dos beneficiados nas diferentes etapas dos programas.

Fonte: presente estudo.


Em suma, podemos dizer que os programas analisados carecem de uma necessidade de aumentar o envolvimento dos públicos interno (funcionários) e externo (comunidade). Algumas empresas têm procurado envolver seus funcionários nas ações, mas este envolvimento ainda fica restrito à fase de implementação do programa; os funcionários em poucas situações participam das etapas de planejamento e avaliação. Da mesma forma, as comunidades atingidas ainda são vistas como receptores e não como co-participantes das ações. A idéia de protagonismo comunitário, onde as pessoas deixam de ser clientes para ser cidadãos ainda não se mostrou presente.

Outro aspecto evidenciado diz respeito à forma isolada como as empresas vêm atuando. As estruturas de rede são fracas, estabelecendo trocas e parcerias instrumentais, na maioria dos casos com fornecedores da empresa. As iniciativas de parcerias com outros atores, como poder público, universidade e ONGs são pouco expressivas. Além disso, as empresas ainda enxergam a questão de parceria associada quase que exclusivamente com a possibilidade de obtenção de recursos financeiros.



Finalizada esta análise comparativa entre os diferentes aspectos dos casos em estudo, faremos agora um breve resumo da análise quanto às dimensões do capital social. A avaliação das implicações dos programas sociais para a geração do capital social foi realizada individualmente para cada caso estudado e apresentada no capítulo anterior. É apresentado a seguir um quadro resumo comparativo das sete experiências analisadas.
Tabela 2 – Quadro resumo das características predominantemente relacionadas ao capital social, reveladas na análise dos casos




Categorias de análise

Empresa A

Empresa B

Empresa C

Empresa D

Empresa E

Empresa F

Empresa G

Conclusão

Dimensão relacional

  • Confiança

  • Normas

  • Obrigações e expectativas

  • Identidade e identificação

    • Aspectos comportamentais

    • Respeito

    • Amizade

    • Sociabilidade

    • Aceitação

    • Prestígio




  • As normas e a identidade com a empresa são elementos de destaque do programa;

  • Necessidade de fortalecimento dos laços dos alunos com suas comunidades.

  • Envolvimento direto de todos os níveis hierárquicos;

  • Necessidade de maior envolvimento da comunidade, buscando o empoderamento da mesma.

  • Dificuldades com relação à participação voluntária de seus funcionários;

  • Possibilidade de melhorias na sistematização das ações e monitoramento das mesmas

  • Baixo grau de participação, tanto da direção, quanto dos funcionários da empresa;

  • Bom monitoramento dos resultados do programa.

  • Necessidade de maior envolvimento do público interno;

  • Possibilidade de ampliar o projeto através da franquia.

  • Envolvimento direto de todos os níveis hierárquicos;

  • As impressões sobre os resultados das ações são discutidas com o líder do bairro, unicamente.

  • Interação existente – porém ainda fraca – com a comunidade;

  • Aumento da carga horária do curso visando trabalhar melhor o aspecto comportamental.

  • Boa atuação sobre aspectos comportamentais;

  • Necessidade de maior envolvimento dos públicos interno e externo

Dimensão estrutural

  • Conexões da rede

  • Configuração da rede

  • Adequação da organização

    • Presença ou não de laços entre os atores

    • Densidade

    • Conectividade




  • Parceria com órgão público e a rede RECRIA;

  • Promove a “mistura” de dois públicos diferentes quanto à renda




  • Parcerias com a universidade local e com fornecedores;

  • Intenção de desenvolver parcerias que envolvam recursos financeiros.

  • Parcerias efêmeras;

  • Existe a percepção da importância de trocar idéias e de constituir espaços de discussão

  • Dependência financeira de recursos do governo;

  • Poucos laços entre os parceiros do projeto.

  • Boa conectividade no meio empresarial, para a divulgação do projeto;

  • Intenção de desenvolver parcerias que envolvam recursos financeiros.

  • Fraca estrutura de rede: existem parcerias somente com fornecedores

  • Parcerias instrumentais;

  • Acompanhamento dos egressos;

  • Intenção de desenvolver parcerias que envolvam recursos financeiros.

  • Necessidade de fortalecer as parcerias além da questão financeira e de atuar em rede

  • Necessidade de construção de espaços de trocas idéias e de discussão

Dimensão cognitiva

  • Códigos e linguagens compartilhadas

  • Narrativas compartilhadas

    • Visões compartilhadas

    • Interpretações

    • Sistemas de significado

    • Habilidade de acessar outras pessoas e informações

    • Linguagem compartilhada

    • Mitos, estórias, lendas e metáforas




  • As interpretações com relação aos objetivos da escola variam significativamente;

  • Pode ampliar o envolvimento dos funcionários, criando momentos de trocas e atividades de integração.




  • Falta uma visão unificada do que se constitui uma “criança carente”;

  • Necessidade de planejar estrategicamente o futuro do projeto.

  • Necessidade de construir uma visão compartilhada sobre como deve ser a atuação da empresa socialmente.

  • Pouco aproveitamento dos resultados do programa para o aprendizado do público interno da empresa;

  • Atuação voltada para o marketing social.

  • Conseguiu contornar a baixa receptividade inicial dos próprios funcionários;

  • Pode ampliar o envolvimento dos funcionários, criando momentos de trocas e atividades de integração.

  • O significado das ações está vinculado à sobrevivência da empresa, uma vez que a responsabilidade social é um dos eixos do sistema de qualidade

  • Resgate da identidade da empresa e da condição de cidadãos dos jovens;

  • Não prioriza o marketing social.

  • Necessidade de construção de uma visão compartilhada – no âmbito de rede - sobre a atuação das empresas no campo da gestão social.

Fonte: presente estudo.



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