Processo nº



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Processo nº 1276/1100-10.9

Parecer nº 222/10 CEC/RS

O Projeto “À Sombra da História” é recomendado para a Avaliação Coletiva.

1- O Projeto À Sombra da História” deu entrada no Conselho Estadual de Cultura no último dia 25 de agosto. Sua proponente e produtora é Karine Medeiros Emerich – PH 7Filmes, CEPC nº 3704. Está enquadrado no segmento cinema e vídeo, e o período de realização será de 1º de novembro de 2010 até 30 de setembro de 2011.

A proposta sugere a realização de três documentários com finalidade histórico/pedagógica enfocando as figuras de Aurélio Viríssimo de Bittencourt, Sebastião Leão e Bento Manoel Ribeiro.

As filmagens envolvem três municípios gaúchos: Porto Alegre, Jaguarão e Quaraí.

Fazem parte do projeto além da proponente/produtora, a Modus Vivendi Produtora de Áudio Visual Ltda, FTA Produções Ltda – Foozue Produções e a contadora do projeto Suzana Gabriel.

Participam ainda a Associação Eduardo Duarte – Associação de Amigos do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, o Memorial do Rio Grande do Sul e a Fundação Piratini - TVE.

Os documentários terão a duração de 26 minutos cada um, serão produzidos em vídeo digital e serão confeccionados mil e quinhentos DVDs de cada documentário legendados em inglês, espanhol e português. Estes não serão comercializados. A intenção é que os mesmos sejam distribuídos através da Associação Eduardo Duarte do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

O custo total do projeto é de R$ 431.966,83 (quatrocentos e trinta e um mil, novecentos e sessenta e seis reais e oitenta e três centavos) e o valor solicitado ao sistema LIC é de R$ 343.392,83 (trezentos e quarenta e três mil, trezentos e noventa e dois reais e oitenta e três centavos).

Os objetivos, as metas e a justificativa são condizentes.


É o relatório.
2- A proposta em tela tem um viés notadamente pedagógico/cultural. As figuras temas dos documentários fazem parte da história do Rio Grande do Sul em diferentes momentos e áreas, são nomes de logradouros públicos, mas a população em geral desconhece a sua importância para o Rio Grande do Sul e as suas trajetórias de vida.

Aurélio Viríssimo de Bittencourt, um jovem negro, advogado, jornalista, foi chefe de gabinete de dois dos mais renomados Presidentes do Estado gaúcho: Julio de Castilhos e Borges de Medeiros. Nasceu em Jaguarão em 1849. Iniciou como jornalista e em 1868 já funcionário público chega ao posto de secretário do Presidente da Província. Fundador da Sociedade Partenon Literário e também dirigente do Jornal do Comércio entre 1903 e 1911. No poema Antonio Chimango (poemeto campestre) é nomeado como Aureliano, a quem o coronel Prates (Julio de Castilhos) confia o protegido Chimango. Este poemeto, uma sátira à política gaúcha foi escrito por Amaro Juvenal, pseudônimo de Ramiro Barcelos, então uma desafeto político, antes companheiro e que teria sido preterido na escolha do sucessor de Julio de Castilhos.

Os filhos de Virissimo de Bittencourt destacam-se também no jornalismo tendo criado, entre outros o Semanário O Exemplo, dedicado a negros, mulatos e “pardos” e que é considerado um dos mais engajados na luta contra a discriminação racial no Rio Grande do Sul. O Semanário defendia também os trabalhadores em geral, o movimento operário e o sindicalismo. Teve, entre seus colaboradores, nomes como Reinaldo Moura, Dante de Laytano, Augusto Meyer, Walter Spalding e outros. Este semanário criou também uma escola no ano de 1902 chamada “Escola Nocturna O Exemplo”, que dava aulas à noite, voltada para o primário sem ensino religioso.

A trajetória de Aurélio Viríssimo de Bittencourt, no documentário será narrada por um ator jovem e negro.

O segundo personagem enfocado é Sebastião Afonso de Leão, médico, jornalista e escritor. Nasceu em Porto Alegre, em janeiro de 1866. Filho de um pequeno comerciante interessou-se, desde cedo, pelos estudos de História. Gostava de ler e tomar notas de fatos e nomes das suas leituras. Na escola, ao despertar o interesse pelas ciências sentiu-se atraído pela medicina. Foi com grande dificuldade que seu pai o encaminhou para a Escola de Medicina da Côrte no Rio de Janeiro. Além dos estudos médicos, Sebastião Leão, colaborava com jornais de lá com artigos e crônicas sobre temas históricos.

Após completar seu curso retorna a Porto Alegre e abre um pequeno consultório ao lado da Farmácia Providência. Espalha-se pela cidade a notícia de que o jovem doutor não cobrava as consultas aos pobres.

Prestou serviços na Santa Casa de Misericórdia e na Beneficência Portuguesa.

Continuou escrevendo para jornais, sendo que no Correio do Povo usava o pseudônimo de Coruja Filho.

Seus livros Datas Rio-Grandenses e Escavações Históricas (uma série de artigos memorialistas) são referências para pesquisadores. Muitos documentos do eminente médico podem ser consultados no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

Além de sua contribuição à História, Sebastião Leão notabilizou-se por seus estudos sobre a criminalidade. Para tanto, pesquisou exaustivamente junto à Casa de Correção de Porto Alegre.

Fundador da Academia Rio-Grandense de Letras em 1901, faleceu em Porto Alegre, com a idade de 37 anos.

Este episódio, no documentário será vivido por um ator no papel de um presidiário.

O terceiro personagem da saga documental refere-se a Bento Manoel Ribeiro, paulista de Sorocaba, filho de tropeiro, veio bem jovem para o Rio Grande do Sul, mais precisamente para Rio Pardo. Ali alistou-se no regimento de milícias. Participou de diversas batalhas destacando-se pela sua argúcia e coragem militar na expulsão dos espanhóis de Batovi (São Gabriel) e da Fortaleza de Santa Tecla, em Bagé. Participou da 1ª Campanha Cisplatina e na Guerra contra Artigas.

Tomou parte no episódio da Guerra dos Farrapos tendo trocado de lado duas vezes. Esta característica o fez objeto de ambíguas opiniões. Certo era que o classificaram como o fiel da balança nas diversas batalhas. O que ele defendesse, estaria assegurada a vitória.

Com uma personalidade controversa, sua capacidade militar é inconteste.

Chegou ao posto de Marechal do Império e General da República.

Tornou-se um rico estancieiro e faleceu em Porto Alegre em 1859. Seus restos mortais encontram-se no cemitério de Uruguaiana. No documentário o seu papel será narrado por um soldado.

Todas estas figuras escolhidas para serem objeto dos documentários têm suporte em fontes históricas que estão em documentos no Rio Grande do Sul, notadamente no Arquivo Histórico. Além de depoimentos e entrevistas de especialistas e historiadores sobre as três figuras retratadas.

O projeto é muito bom e tem bom conteúdo cultural, mas alguns reparos precisam ser feitos em relação aos custos. Fazer cinema, mesmo na forma de documentário implica em grandes despesas em equipamentos e pessoal técnico para dirigir, produzir e transformar num produto de qualidade e com intrínseco valor.

Chama a atenção num primeiro passar de olhos, as despesas elencadas e dirigidas a uma só pessoa, no caso a sua proponente/produtora. Esta é a gestora do projeto, pesquisadora, roteirista do filme, faz a direção geral da série, a direção geral do episódio e faz o trabalho da ilha de decupagem. São várias ações para uma empresa só. Assim, acompanhamos a glosa feita pelo SAT no quesito 4.3 gestão do projeto no valor de R$ 12.800,00 (doze mil e oitocentos reais). As demais atividades desenvolvidas pela proponente já compreendem a atividade de gestão.

Estão glosados os itens 2.46 e 2.47 referentes a despesas com telefone. O item 2.51 – motoboy, 2.80 – correios para envio de documento à ANCINE, 2.82 – registro CRT ANCINE para o mercado de vídeo doméstico e o item 3.1 evento de lançamento também estão glosados na sua totalidade.

Por fim, chama a atenção o fato de que o diretor de arte terá remuneração menor que o assistente de direção. O primeiro receberá 1/3 do segundo. E também, o produtor de figurinos receberá menos do que os estagiários previstos para a produção do filme.

O plano de distribuição dos DVDs prevê para a Associação dos Amigos do Arquivo Histórico 1250 exemplares para livre distribuição. Será de livre distribuição. Alguns exemplares ficarão para os realizadores (cinquenta) para participação em festivais e concursos afins, e parte será distribuída para os patrocinadores e alguns para o Sistema LIC.

Os filmes serão conduzidos por atores e haverá recursos cinematográficos em cada um dos episódios. A participação dos historiadores e personalidades sobre os destacados personagens dará o suporte histórico que os documentários pretendem ter.


3- Em conclusão, o Projeto “À SOMBRA DA HISTÓRIA” é recomendado para a Avaliação Coletiva pelo seu mérito cultural, relevância e oportunidade, podendo vir a receber o benefício do Sistema LIC de até R$ 314.113,02 (trezentos e quatorze mil, cento e treze reais e dois centavos).
Porto Alegre, 11 de novembro de 2010.
Nicéa Irigaray Brasil

Conselheira Relatora


Informe:
O prazo para recurso somente começará a fluir após a publicação no Diário Oficial.

O Presidente, nos termos do Regimento Interno, optou por: votar ( ), não votar (X) ou desempatar ( ).


Sessão das 16 horas do dia 11 de novembro de 2010.

Presentes: 18 Conselheiros.

Acompanharam o Relator os Conselheiros: Alcy Cheuiche, Adriano José Eli, Antônio Carlos Côrtes, Almeri Espíndola de Souza, Maria Cardoso Faistauer, Graziela de Castro Saraiva, José Mariano Bersch, Nilza Cristina Taborda de Jesus Colombo, Marta Machado, Maturino Salvador Santos da Luz, Paulo Roberto de Fraga Cirne, Waldir da Silveira, Berenice Fuhro Souto e Gisele Pereira Meyer.
Não acompanhou o Relator: Luiz Carlos Sadowski da Silva.

Absteve-se de votar: Isaac Newton Castiel Menda.


Adendo ao Parecer após a Avaliação Coletiva realizada no dia 25/11/2010.
O Conselho Estadual de Cultura do RS comunica que:
Após análise, este projeto foi considerado prioritário, para captar recursos do Sistema Estadual de Incentivos às Atividades Culturais de acordo com a Lei 10.846, de 19 de agosto de 1996.
Porto Alegre, 25 de novembro de 2010.

Walter Galvani da Silveira

Cons. Presidente CEC/RS





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