Prince of secrets



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Paixão 379 - Promessas de Ilusão - Lucy Monroe

Promessas de Ilusão

PRINCE OF SECRETS

Lucy Monroe

O príncipe Demyan Zaretsky fará o que for necessário para proteger seu país.
Então, seduzir Chanel Tanner será fácil. E quanto ao fato de que talvez tenha que se casar com ela? Bem, nada mais é do que um infeliz detalhe do dever. Ainda que Chanel não saiba, a estabilidade financeira de Volyarus está nas mãos dela, por isso Demyan fará de tudo para assegurá-la. Escondendo sua identidade e suas intenções, ele põe em ação um implacável jogo de conquista que os conduzirá ao êxtase. Mas ao descobrir que Chanel é virgem, ele percebe algo novo em si mesmo: uma consciência. Agora, os planos mudaram drasticamente, pegando de surpresa seu coração endurecido.

Digitalização: Simone R.

Revisão: Alê Ramos




Querida leitora,
Demyan é bonito, sensual, inteligente, nerd, e está caidinho por Chanel... Bom demais pra ser verdade, não é? Coisas deste tipo não acontecem com uma garota tímida e antissocial como ela. Mas sendo uma cientista de sucesso, Chanel não pode recusar uma boa experiência, e cede à sedução dele. Quando a verdade vem à tona, porém, os resultados se mostram decepcionantes. Demyan pode ser um príncipe, no entanto, para Chanel, ele acaba de se transformar em um sapo!

Boa leitura!

Equipe Editorial Harlequin Books

Tradução Marina Boscato

HARLEQUIN

2014
PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S.A.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.


Título original: PRINCE OF SECRETS

Copyright © 2013 by Lucy Monroe

Originalmente publicado em 2013 por Mills & Boon Modern Romance
Projeto gráfico de capa:

Nucleo i designers associados

Arte-final de capa:

Isabelle Paiva

Editoração eletrônica:

EDITORIARTE

Impressão:

RR DONNELLEY



www.rrdonnelley.com.br
Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

FC Comercial Distribuidora S.A.

Editora HR Ltda.

Rua Argentina, 171,4° andar

São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380

Contato:


virginia.rivera@harlequinbooks.com.br


PRÓLOGO

— O que é isto? — perguntou Demyan ao tio, o rei de Volyarus.

Espalhadas diante dele, sobre a gigantesca mesa executiva antiga, trazida com o primeiro comandante cossaco a se tornar rei de Volyarus, estavam uma série de fotografias. Todas de uma mulher bastante comum, com cabelo vermelho e encaracolado.

Sua característica mais marcante eram os olhos cinzentos como um céu tempestuoso, que revelavam mais emoção em cada imagem do que ele se permitiria demonstrar durante o ano inteiro.

Fedir franziu o cenho para as fotos durante alguns segundos, antes de se voltar para o olhar cor de café de Demyan.

Aqueles que achavam que Demyan era filho biológico de Fedir estavam perdoados, pois a semelhança entre eles era muito forte. Mas Demyan era sobrinho do rei e, embora criado no palácio como o “segundo herdeiro do trono” e sendo quatro anos mais velho do que seu futuro rei, nunca confundiu a situação em sua mente.

Fedir limpou a garganta como se as palavras que devia proferir fossem desagradáveis.

— Esta é Chanel Tanner.

— Tanner? — indagou Demyan.

— Sim.


O nome era bastante comum nos Estados Unidos. Não havia nenhuma razão para Demyan supor que ela tinha algo a ver com Bartholomew Tanner, um dos parceiros originais da Tanner Yurkovich.

Contudo, o retrato do explorador de petróleo do Texas, pendurado na ala oeste do palácio, possuía uma semelhança notável com a mulher das fotos. Compartilhavam o mesmo cabelo vermelho encaracolado (embora o de Bartholomew fosse mais curto), a testa grande e o maxilar angular (o dela era mais feminino).

Os lábios da mulher, sem batom ou gloss, eram de um rosa suave e em forma de arco. Os de Bartholomew estavam perdidos sob o bigode que exibia na pintura. Enquanto seus olhos brilhavam com vitalidade, os dela estavam cheios de seriedade e inesperada escuridão.

Bartholomew Tanner ajudou a fundar a empresa sobre a qual a riqueza de Volyarus e o império da família Yurkovich haviam sido construídos. Ao mesmo tempo, ganhou uma parte significativa dessa riqueza.

— Ela se parece com o barão Tanner.

— O homem do petróleo recebera o título do avô do rei Fedir, uma retribuição por sua ajuda na localização das reservas de petróleo e outros depósitos minerais em Volyarus.

Fedir assentiu.

— Ela é tataraneta dele e a última de sua linhagem

Relaxando em sua cadeira, Demyan franziu a testa com interesse, mas esperou que o rei continuasse em vez de fazer perguntas.

— O padrasto dela, Perry Saltzman entrou em contato com nosso escritório em Seattle a respeito de um emprego para o filho. — Outra carranca, o que era incomum para o rei, que não era tão propenso a esconder as emoções quanto Demyan. — Aparentemente, o rapaz está prestes a se formar com honras.

— Por que contar para mim? Maks lida melhor com esse tipo de coisa. — Seu primo também recusava pedidos sem causar perturbações diplomáticas.

Demyan não era tão paciente. Havia benefícios em não ser criado como príncipe herdeiro.

— Ele está em lua de mel. — As palavras de Fedir eram verdadeiras, mas Demyan sabia que havia algo mais.

Caso contrário, poderia ter esperado.

— Ele estará de volta em algumas semanas.

E se o Sr. Saltzman estava à procura de um emprego para o filho, por que havia fotos de sua enteada espalhadas sobre a mesa?

— Não quero que Maks saiba disso.

— Por quê?

— Ele não vai concordar com o que precisa ser feito. — Fedir passou os dedos pelo cabelo tão escuro quanto o de Demyan, sem nenhum fio grisalho à vista. — Você conhece meu filho. Ele pode ser imprevisivelmente... teimoso.

Pela primeira vez em muito tempo, Demyan precisou admitir:

— Não estou entendendo.

Havia pouca coisa que o primo não faria pelo país. Tinha desistido da mulher que desejava, pois havia pouca chance de ela gerar um herdeiro.

Fedir empilhou as fotografias.

— Em 1952, quando Bart Tanner concordou em ajudar meu avô a encontrar petróleo nas ilhas Volyarus, ele aceitou 20 por cento de participação na empresa em troca de seus esforços e conhecimentos especializados, uma equipe totalmente treinada e todo o equipamento de perfuração.

— Estou ciente disso. — Todas as crianças de Volyarus ouviam essa história.

De como Volyarus foi fundada por um dos últimos guerreiros cossacos da Ucrânia, que havia comprado do Canadá, com sua fortuna pessoal, uma cadeia de ilhas inabitadas e, como a maioria acreditava, inabitáveis. Ele e um grupo de camponeses e nobres fundaram Volyarus, que significa “livre da Rússia”. Acreditavam que era uma questão de tempo antes que a Ucrânia fosse completamente dominada pela Rússia.

Eles tinham razão. A Ucrânia voltara a ser um país independente, contudo, havia mais pessoas falando russo do que o idioma nativo. Passaram muitos anos sob o domínio da União Soviética.

O guerreiro cossaco Maksim Ivar Yurkovich I derramou sua riqueza sobre o país e tornou-se monarca. Quando seu filho foi coroado rei da Volyarus, a casa da monarquia Yurkovich estava firmada.

No entanto, as décadas que se seguiram não foram todas benéficas para o pequeno país, e a riqueza de seu povo havia começado a decair, a ponto de a Casa Real passar por dificuldades.

Foi quando entrou em cena o extrator de petróleo e astuto empresário Bartholomew Tanner.

— Ele morreu dono daquelas ações. — A carranca de Fedir transformou-se em um olhar zangado.

Um choque percorreu Demyan.

— Não.

— Ah, sim. — Rei Fedir levantou-se e caminhou até a grande janela de vidro com vista para a capital. — O plano original era que a filha dele casasse com o filho mais novo de meu avô.



— Tio-avô Chekov?

— Sim


— Mas... — Demyan deixou sua voz se apagar; não tinha nada a dizer.

Duque Chekov fora um solteirão, mas não porque a filha de Tanner partiu seu coração. O homem era gay e passou seus anos supervisionando a maior parte dos interesses de Volyarus acompanhado por um criado que fazia muito mais do que servi-lo.

Na década de 1950, era sua única opção para ser feliz.

Os tempos mudaram, mas algumas coisas permaneceram estáticas. O dever à família e ao país era uma delas.

Rei Fedir encolheu os ombros.

— Não importava. A união havia sido determinada.

— Mas ele nunca se casou.

— Ela fugiu com um dos petroleiros. Isso teria sido um escândalo nos anos 1950.

— Pensei que o barão Tanner houvesse deixado as ações para o povo de Volyarus.

— Foi uma invenção criada pelo meu avô.

— Os rendimentos sobre os 20 por cento foram usados para construir estradas, escolas... droga.

— Exatamente. Reembolsar os rendimentos, com juros, para Chanel Tanner, prejudicaria a estabilidade financeira de nosso país em um de seus melhores momentos.

— Ela não sabe dessa herança, não é?

— Se soubesse, Perry Saltzman não pediria emprego para seu filho, mas processaria Volyarus em centenas de milhões. Como um dos poucos países do mundo que não opera com déficits, esse tipo de pagamento levaria Volyarus à falência.

— Qual é o plano?

— Casamento.

— Como isso vai ajudar? — Quem se casasse com ela poderia fazer as mesmas reivindicações sobre os recursos do país.

— Houve uma ressalva no testamento de Bartholomew. Se algum parente dele se casar com um membro da família real de Volyarus, seus 20 por cento seriam doados para o povo, devendo garantir ao menos uma renda anual suficiente para o bem-estar de seu herdeiro.

— Isso não faz nenhum sentido.

— Faz se você conhece o resto da história.

— Qual é?

— A filha de Tanner acabou abandonada por seu amante, que já era casado, anulando sua cerimônia apressada.

— Então ela ainda poderia ter se casado com duque Chekov.

— Ela estava grávida de outro homem

Causou um escândalo. Ele se recusou.

— Tanner achava que conseguiria fazer o tio-avô Chekov mudar de ideia?

— Tanner pensou que o filho dela poderia crescer e casar-se com um membro de nossa família, vinculando o nome de Tanner à Casa Real de Yurkovich para sempre.

— Já estava vinculado pelos negócios.

— Isso não era bom o suficiente. — Rei Fedir suspirou. — Ele queria uma ligação familiar que mantivesse seu nome intacto se possível.

— Família era importante para ele.

— Sim. Ele nunca mais falou com a filha, mas sustentou-a financeiramente até que ela se casasse novamente, apenas com uma ressalva.

— Seu filho manter o nome Tanner. — Fazia sentido.

— Exatamente.

— E, presumivelmente, ele teve um filho.

— Apenas um.

— O pai de Chanel, mas você disse que ela era a única Tanner viva da linhagem de Bart.

— Ela é. Seu avô e seu pai morreram por inalação química após um acidente de laboratório.

— Eles eram os cientistas?

— Químicos, assim como Chanel, embora tenham trabalhado com os próprios subsídios. Ela é assistente de pesquisa.

A mulher das fotografias, com o cabelo vermelho selvagem, era uma cientista?

— E ninguém na família tinha conhecimento de sua reivindicação pelas ações de Tanner?

— Não. Ele pretendia deixá-las para o povo de Volyarus. Disse ao meu avô que essa era sua intenção.

— Mas ele não fez isso.

— Ele era um explorador de petróleo. É uma profissão perigosa. Morreu quando seu neto ainda era menino.

— E?

— E meu avô banca a educação de todas as crianças dessa linhagem desde então.



— Não houve muitas.

— Não.


— Incluindo Chanel?

— Sim. Aparentemente, a bolsa de estudos que ela recebeu despertou em Perry Saltzman a ideia de se aproximar de Yurkovich Tanner e negociar uma ligação que existe há mais de meio século.

— O que você quer que eu faça? Encontre um marido para ela?

— Ele tem que ser da linhagem Yurkovich.

— Seu filho já está casado.

— Você não.

O irmão mais novo de Demyan também não, mas certamente Fedir não considerava isso importante. Demyan foi criado como “o reserva para o trono”, quase um filho do monarca.

— Você quer que eu me case com ela?

— Para o bem de Volyarus, sim. Precisa ser um casamento permanente. O testamento não faz estipulações a respeito.

Demyan não respondeu imediatamente. Pela primeira vez, há mais tempo do que conseguia lembrar, não ficava tão chocado.

— Pense, Demyan. Você e eu sabemos que a saudável economia de Volyarus está beirando a precariedade, assim como o resto do mundo. A calamidade que nos sucederá, caso sejamos forçados a dividir os fundos com a Srta. Tanner, seria imensa.

— Você está sendo melodramático. Não há nenhuma garantia de que a fraude de Maksim I será descoberta.

— É apenas uma questão de tempo, especialmente com o envolvimento de um homem como Perry Saltzman. Ele é do tipo que pode farejar riqueza e conexões com a eficiência de furões.

— Então nós negamos o pedido. Nossos recursos judiciais excedem os desta jovem.

— Acho que não. Existem três países que ficariam muito felizes em reivindicar Volyarus como seu território, e os Estados Unidos é um deles.

— Você acredita que usariam as ações não compartilhadas como um meio de colocar as mãos em parte de Volyarus?

— Por que não?

— Então eu me caso com ela, ganho controle das ações e, depois, nos divorciamos? — perguntou ele, mais para esclarecer o que seu tio estava pensando do que para enumerar os próprios planos.

Demyan pretendia casar-se algum dia. Por que não com a herdeira de Bartholomew Tanner? Se ela fosse tão amistosa com Volyarus quanto seu avô havia sido, poderiam ter uma vida inaceitável juntos.

— Se ela for parecida com seu ávido padrasto, sim — respondeu Fedir. — Por outro lado, pode muito bem ser alguém fácil de se conviver.

O rei parecia não acreditar nas próprias palavras.

Francamente, Demyan também não tinha certeza se acreditava, mas seu futuro estava claro. Seu dever para com seu país e bem-estar de sua família lhe dava apenas uma opção: seduzir e se casar com a cientista.

CAPÍTULO 1

Demyan colocou os óculos sem grau e de aro preto antes de abrir a porta do laboratório. O acessório havia sido ideia do tio, assim como o cardigã cinza que Demyan usava por cima da camisa sem gravata e por fora da calça. O jeans completava o traje de “nerd de escritório”, que era surpreendentemente confortável.

Ele nunca usou calça jeans. Desde muito cedo, teve a necessidade de dar o exemplo certo para seu primo mais novo, o príncipe herdeiro de Volyarus.

Fizera seu melhor, mas eram homens muito diferentes.

Maksim era um tubarão corporativo, mas também era adepto à política. Demyan deixava a política para os diplomatas.

Por enquanto, porém, suavizaria sua feroz personalidade com roupas e um comportamento que não afugentaria a presa.

Bateu superficialmente à porta antes de entrar no laboratório onde Chanel Tanner trabalhava. A sala estava vazia, exceto pela única mulher trabalhando no horário de almoço, como de costume, de acordo com relatório do investigador.

Sentada em um computador no canto, Chanel digitava rapidamente enquanto lia um dos muitos livros abertos, espalhados sobre sua desordenada mesa de trabalho.

— Olá. — Ele suavizou a voz baixa, para não assustá-la.

Não precisava se preocupar com isso. Ela simplesmente acenou com a mão na direção dele, sem se virar.

— Deixe-o no banco ao lado da porta.

— Deixar o que precisamente?

— O pacote. Você precisa saber o que está nele? Ninguém mais pergunta isso —murmurou ela enquanto rabiscava alguma coisa.

— Não tenho um pacote. Tenho uma hora marcada.

Chanel levantou a cabeça, o cabelo vermelho encaracolado agitou-se quando girou na cadeira para encará-lo.

— O quê? Quem? Você é o Sr. Zaretsky?

Ele assentiu, impressionado com a pronúncia perfeita de seu nome.

— Você só deveria chegar daqui a meia hora. — Chanel ficou de pé, o bolso de seu jaleco prendeu na borda de um livro, derrubando-o no chão. — E você deveria se atrasar. Empresários interessados em financiar nossa pesquisa sempre se atrasam.

— E, ainda assim, estou adiantado. — Ele atravessou a sala e pegou o livro, devolvendo-o para ela.

Ao pegá-lo, ela franziu a testa, seu nariz enrugou-se de forma encantadora.

— Percebi.

— Demorou, mas percebeu.

Suas bochechas ficaram rosadas, quase apagando suas sardas.

— Pensei que você fosse o cara da entrega. Ele flerta. Não gosto dele, então o ignoro se possível.

A mulher tinha 29 anos e poderia contar nos dedos de uma das mãos os encontros que teve no ano passado.

Demyan pensou que ela poderia gostar de um flerte.

É claro, ele não disse isso. Exibiu o sorriso que usava com mulheres que desejava levar para a cama.

— Você não tem filtro, não é?

— Está flertando comigo? — questionou ela com os olhos cinza arregalados de choque.

— Eu poderia. — O termo “desajeitado” e aquela mulher andavam de mãos dadas.

Ela franziu as sobrancelhas e olhou para ele com evidente confusão.

— Por quê?

— Por que não?

— Sou estranha, mas não desesperada.

— Você se acha estranha?

— Todo mundo acredita que sou socialmente desajeitada, principalmente minha família. Como nenhum deles tem dificuldade em fazer amigos e manter uma vida social intensa, reconheço que eles têm conhecimento superior na área.

— Acho você encantadora. — Demyan ficou chocado ao perceber que falava a verdade.

Uma surpresa ainda maior, mas não desagradável, foi que achou a cientista nerd inesperadamente atraente. Não era uma modelo de capa de revista, mas gostaria muito que ela tirasse o jaleco e lhe desse a oportunidade de ver seu corpo por completo.

— Algumas pessoas acham no início, mas depois mudam de ideia. — Chanel suspirou parecendo abatida por alguns segundos antes de dar de ombros exibindo uma expressão que sem dúvida pretendia esconder seus pensamentos. — Está tudo bem. Estou acostumada. Tenho meu trabalho e é o que importa.

Ele já sabia disso, e várias outras coisas a partir da investigação que havia realizado em cima do dossiê fornecido pelo tio.

— Você está entusiasmada com sua pesquisa.

— É importante.

— Sim. É por isso que estou aqui.

Ela exibiu um sorriso brilhante, seus olhos cinza iluminaram-se feito prata.

— É. Você tornará possível expandir os parâmetros de nosso estudo.

— Este é o plano. — Demyan havia determinado que se aproximaria dela sob o disfarce de um investidor, pois essa seria a forma mais rápida de ganhar Chanel.

Ele, obviamente, tinha razão.

— Por que você está aqui? — perguntou ela.

— Pensei que já tivesse esclarecido isso.

— A maioria das empresas faz doações sem enviar alguém para verificar nossas instalações.

— Você está ofendida por Yurkovich Tanner não ter feito isso?

— Não, apenas confusa.

— Ah?

— Como você vai saber se é uma boa configuração ou não? Quero dizer, até uma empresa não confiável consegue fazer um laboratório parecer impressionante para um leigo.



— A Universidade de Washington está longe de ser “não confiável”.

— Eu sei, mas você entende o que quero dizer.

— Você realmente não tem filtro, não é?

— Hum, não?

— Você praticamente me chamou de estúpido.

— Não. — Ela balançou a cabeça para dar ênfase.

— Estava implícito.

— Não, não estava. Não mais do que eu me considero estúpida por olhar para o motor de meu carro sem ser capaz de dizer onde está o conversor catalisador.

— Fica sob o motor.

— É mesmo?

— Entendi seu ponto de vista, mas você sabe que o sistema de exaustão do carro tem um. Assim como eu conheço algo sobre pesquisa de laboratório.

— Sei sobre o catalisador porque minha mãe foi roubada uma vez. Acho que é uma coisa que jovens bandidos roubam e vendem por causa do metal. Mamãe ficou furiosa.

— Tem o direito de ficar.

— Acho que sim, mas comprar uma arma e guardá-la no porta-luvas foi longe demais. Ela nem estava no carro quando roubaram a coisa.

Demyan sentiu os lábios se contorcendo, um sentimento de diversão incomum, mas não desagradável.

— Tenho certeza de que você está certa.

— Inglês é sua segunda língua?

— É. — Mas as pessoas raramente percebiam. — Eu não falo com sotaque.

— Você também não usa uma tonelada de abreviações.

— Prefiro uma comunicação precisa.

O olhar cinza-tempestade estreitou-se.

— Você é de Volyarus, não é?

Demyan sentiu os olhos se arregalarem de surpresa.

— Sim


— Não fique tão chocado. Meu tataravô ajudou a descobrir os campos de petróleo de Volyarus. Você realmente pensou que eu não saberia que o escritório de Yurkovich Tanner em Seattle é apenas um satélite? Eles pagaram minha universidade. Provavelmente foi algum acordo antigo com Bartholomew Tanner.

Chanel estava muito mais perto da verdade.

— Ele recebeu o título de barão, o que faz de você uma dama.

— Eu sei disso, mas minha mãe não. — E pelo tom de voz de Chanel, não queria que a mãe descobrisse.

— Além disso, o título só passaria para mim se eu fosse descendente direta, sem um irmão mais velho.

— Você tem um? — perguntou ele, sabendo a resposta, mas seguindo o roteiro de um estranho.

— Não.

— Então você é a dama Tanner, lady Chanel se preferir.



Seus belos lábios cor-de-rosa contorceram-se em desgosto.

— Prefiro apenas Chanel.

— Sua mãe é francesa? — perguntou ele dando continuidade ao roteiro que ele cuidadosamente planejara de antemão.

Demyan foi sempre preparado.

— Não. Mas ela adora a marca Chanel.

— Seu nome vem de uma grife? — Seus investigadores não revelaram esse fato.

— Não é diferente de um pai que chama a filha de Mercedes, ou algo assim — respondeu Chanel defensivamente.

— Claro.


— Ela escolheu um nome que não poderia ser mais adequado.

— Por que diz isso? — perguntou Demyan com verdadeira surpresa e curiosidade.

Teria esperado o oposto.

— Mamãe ama a grife, mas nunca percebeu que Coco Chanel começou sua marca porque acreditava na elegância casual. Ela vestia calças quando nenhuma outra mulher usava. Acreditava que a beleza devia ser natural e confortável.

— É mesmo?

— Ah, sim. Mamãe acredita que beleza é sinônimo de sofrimento. Gostaria que eu pensasse assim também, mas, como você pode ver, não penso. — Chanel usava um jaleco sobre uma calça cáqui simples e uma camiseta azul.

A camiseta podia não ser de alta costura, mas agarrava-se ao corpo de Chanel, revelando suas curvas inesperadamente generosas. Ela não estava acima do peso, mas também não era magérrima, e seus seios eram volumosos.

Essa informação também não estava no dossiê.

— Você está olhando para os meus seios.

— Peço desculpas.

— Tudo bem. — Chanel suspirou. — Não fico ofendida, mas não estou acostumada com isso. Meu jaleco não é atraente e os homens por aqui, bem, eles olham mais para meus dados do que para mim.

— Tolos.


— Se você diz...

— Digo.


— Você está flertando novamente.

— Vai tentar me ignorar como faz com o cara da entrega?

— Vou vê-lo novamente para poder ignorá-lo?

— Ah, definitivamente vai me ver novamente.

Chanel achava difícil acreditar, mas o incrível executivo estava falando sério.

Queria vê-la novamente. Não deu seu telefone a ele, mas Demyan ligara e a convidou para jantar. O que significava que se esforçou para conseguir seu número. Estranho.

E um pouco lisonjeiro.

Em seguida, ele a levara para ver um filme independente que ela havia mencionado.

Chanel não saía para encontros. Ela era muito estranha, seus filtros sociais estavam sintonizados na frequência errada. Mesmo outros cientistas concordavam com isso.

Demyan não parecia se importar. Nunca ficava aborrecido com ela.

Não se ofendia quando ela dizia algo que não devia. Não pedia que se calasse diante de outras pessoas.

Era tão diferente de estar com a família, que Chanel via suas falhas diminuírem a cada hora que passava com Demyan.

Nunca rira tanto na companhia de outra pessoa que não fosse um cientista. Nunca se sentira tão confortável socialmente.

Esta noite iriam para uma palestra: Relações de Simetria e Teoria de Grupos em Pontos e Espaço.

Ela estava querendo ouvir este professor visitante do MIT já havia algum tempo, mas o passeio não foi ideia dela.

Demyan conseguira os ingressos para a reunião exclusiva e convidou-a.

Chanel ficou muito feliz em aceitar, não apenas pela palestra. Se ele a convidasse para um baile de gala, que sua mãe adorava, teria aceitado também

Na companhia de Demyan, até ela poderia se divertir em um evento desses.

De pé, diante de um espelho de corpo inteiro que sua mãe insistira ser necessário como parte da decoração do quarto, Chanel examinou sua imagem.

Não amava roupas de grife e raramente se arrumava para sair, mas não tinha como ter sido criada pela mãe sem aprender como fazê-lo.

Esta noite, havia se esforçado um pouco mais do que nos dois encontros anteriores com Demyan. Chanel sentira como se os primeiros tivessem sido falhas, anomalias em sua vida, e se recusava a ficar muito animada.

Afinal, em algum ponto da noite, ele ficaria frio e distante e não voltaria a ligar. Todos faziam isso. Menos Demyan. Ele havia ligado.

E talvez, apenas talvez, ela e o nerd corporativo tinham a chance de algo mais, além da conexão de dois prótons saltitantes.

Ele entendia o que Chanel estava dizendo e falava de forma que ela compreendesse. Não como a maioria das pessoas. Era incrível.

E ela o queria. Talvez fosse o fato de ter 29 anos ou algo assim, mas seu corpo ficava aquecido diante da presença dele.

Chanel decidiu que, mesmo que esse relacionamento não tivesse futuro, aproveitaria o que tinha para oferecer no presente.

Tanto a mãe quanto o padrasto deixaram claro que as chances de Chanel encontrar um amor para a vida toda eram as mesmas de seu departamento conseguir financiamento melhor do que o de um time de futebol.

Zero.


No fundo, Chanel tinha certeza de que estavam certos. Ela era muito parecida com o pai, e Beatrice não disse que havia se casado com ele só porque estava grávida de Chanel?

Chanel não estava obrigando alguém a se casar com ela, mas não se importaria de levar Demyan até sua cama vazia.

Com isso em mente, ela fez uma pausa enquanto se vestia para o jantar daquela noite. Seu vestido era um modelo feito à mão, por Vera Wang, e pertencia a sua mãe.

Não ficava bem em mulheres pequenas, mas a seda verde valorizou, de forma surpreendente, seu corpo de 1,70m.

O corpete estava agarrado aos seios volumosos enquanto o drapeado acentuava a cintura e as longas pernas.

Não era nem um pouco vulgar, mas era sexy de uma maneira sutil; e Demyan certamente perceberia. Normalmente, ela usaria sapatilhas para não parecer mais alta.

Mas não esta noite. Demyan tinha 1,90m de altura, ficaria bem com uma acompanhante com saltos de 7 cm Chanel praticou andar com salto alto, o dia todo, no laboratório.

Seus colegas perguntaram se ela estava fazendo pesquisa para um experimento de física. Ela ignorou a provocação e a curiosidade pela chance de conseguir andar com confiança.

E descobriu que era como andar de bicicleta. Seu corpo lembrou as lições que sua mãe lhe dera quando Chanel era mais jovem

A campainha tocou, e ela correu para atender.

Demyan estava do outro lado, com um terno um nível acima dos outros encontros.

Ele ajeitou os óculos e sorriu carinhosamente; os olhos cor de mogno sobre ela.

— Você está linda.

Ela passou a mão pelos cachos vermelhos que raramente eram domados. Esta noite, usara uma linha completa de produtos que sua mãe lhe dera no último aniversário, com um sermão sobre andar por aí desleixada.

— Obrigada.

— Temos tempo para uma bebida antes de sair? — perguntou ele entrando no pequeno apartamento e fechando a porta atrás de si.

— Sim, é claro. — Sentiu um calor no pescoço. — Mas não tenho bebidas alcoólicas.

O olhar dele só poderia ser descrito como predatório, contudo suas palavras foram bastante inofensivas.

— Pode ser um refrigerante.

— Chá verde gelado? — perguntou ela, sentindo-se tola.

Sua mãe sempre reclamou da comida e da bebida que Chanel mantinha à disposição, usando sua inadequação como anfitriã para justificar as visitas maternas pouco frequentes.

Os olhos de Demyan se estreitaram, como se ele pudesse ler os pensamentos de Chanel.

— Pode ser chá gelado.

— É chá verde — reiterou. Por que ela não tinha, pelo menos, comprado refrigerante ou algo assim?

— O chá verde é saudável.

— Muitos antioxidantes — concordou ela. — Eu bebo bastante. Tenho com cafeína e descafeinado — ofereceu.

— Aceito o chá com cafeína. Tenho a sensação de que ficaremos acordados até tarde esta noite. — O olhar dele era quente o suficiente para derreter magma.

De repente, foi como se todo o ar tivesse sido sugado para fora da sala de estar alegremente decorada.

— Vou pegar nosso chá.

Ele se moveu, repousando a mão sobre o braço nu de Chanel.

— Não fuja de mim.

— Não estou fugindo — disse ela sem fôlego.

Ele deslizou a mão pelo braço dela, para cima e para baixo, cada movimento deixando um rastro de sensações ao longo de cada terminação nervosa, repousando em suas costas.

— Gosto deste vestido.

— Obrigada. — De alguma forma, estava ficando mais perto dele, seus pés se movendo por vontade própria, nenhum pensamento em seu cérebro os conduzia.

— Você está usando maquiagem.

Ela assentiu. Não havia por que negar.

— Acho que você nunca usou.

— Parei de usar, exceto em ocasiões especiais, depois que saí de casa.

— Uma estranha forma de rebeldia.

— Não quando você tem uma mãe que insiste em uma imagem perfeita. Usei maquiagem da sexta série em diante.

— E você odiava.

— Sim.

— No entanto, está usando agora. — A mão dele, ainda descansando em suas costas, subiu e envolveu sua nuca. — Para um professor do MIT?



— Não.

— Foi o que eu pensei. — Então, Demyan abaixou a cabeça, sua boca reivindicando a dela com beijos surpreendentemente confiantes.

E ela não conseguia mais raciocinar.

Faíscas de prazer acenderam-se onde seus lábios se encontraram e explodiram através dela em uma conflagração de deleite. Foi apenas um beijo. Ele mal a tocou. E, no entanto, sentia-se como se estivessem fazendo amor.

Não que ela já tivesse consumado o ato, chegara bem perto, mas não havia sido tão bom ou tão íntimo quanto esse beijo. Já estivera nua com um homem e não sentira que poderia perder o controle.

Pequenos gemidos soaram, e Chanel percebeu que vinham dela. Não havia espaço para constrangimento. Ela o queria desesperadamente.

Já tinha lido sobre esse tipo de paixão, mas pensou que fosse inventada pelos escritores, como lobisomens e criaturas de Marte. Sempre acreditou que esse nível de desejo não fosse real.

Antes de conhecer Demyan.

Antes desse beijo.

As mãos sobre ela transformaram-se em amarras sensuais, prendendo-a de uma maneira deliciosa. Chanel não queria se soltar. Não queria dar um único passo para longe de Demyan.

Suas bocas se moviam, a língua dele mal tocava a dela, na degustação mais sensual. Ele usou a mão na nuca para orientar sutilmente a cabeça de Chanel na posição que queria, e ela achou insuportavelmente excitante ser dominada dessa maneira singela.

Demyan estava no controle do beijo.

A mão na cintura dela deslizou até seu traseiro. Ele apertou. Os músculos internos de Chanel sofreram espasmos de uma ânsia intensa.

Já se sentira tentada a fazer amor antes, mas nunca ao ponto de quebrar a promessa que fizera a si mesma de nunca fazer sexo, somente fazer amor. Em sua mente, isso sempre significou ser casada e irrevogavelmente comprometida com o homem com quem compartilharia seu corpo.

Pela primeira vez, Chanel considerou que poderia significar dar seu corpo a alguém que ama.

Não que amasse Demyan. Como poderia? Mal se conheciam

Os sentimentos dentro dela tinham que ser de luxúria, mas eram mais forte do que qualquer coisa que já tinha considerado possível.

Ele amassou o traseiro dela com uma convicção sensual. Chanel inclinou a pelve na direção dele, precisando de algo que não sabia bem o que era. Seu quadril deslizou sobre a prova incontestável da excitação de Demyan; eles gemeram, um na boca do outro, os sons aumentando o desejo.

Perceber que Demyan também a queria foi como derramar gasolina sobre o fogo de seu desejo.

Ela agarrou a camisa dele, querendo mais, precisando de algo que só Demyan poderia lhe dar. Os sons vindos dele eram muito selvagens e sensuais para o “executivo normal” que aparentava ser por fora.

A disparidade combinava com a faceta recém-descoberta da nerd cientista; a conexão que Chanel sentia quadruplicou naquele momento.

Sem aviso, ele interrompeu o beijo e deu um passo para trás, com a respiração pesada e os olhos sombrios de necessidade.

— Agora não é o momento.

A visão dela estava turva pela paixão, só conseguia focar no rosto dele, visualizando uma expressão estranha de confusão e necessidade sexual primitiva, que não poderia ser equivocada.

Mesmo para alguém socialmente inepto como ela.

Por que ele estava confuso? Será que não percebeu o quanto Chanel também o desejava?

— Não precisamos ir para o jantar. — Ela afirmou o óbvio.

CAPÍTULO 2

— Não, nós vamos. — Demyan respirou fundo, como se tentasse conter a paixão que Chanel tão desesperadamente queria que ele liberasse.

Sobre ela.

Qual seria a sensação de ser o centro da tempestade se formando nos olhos dele?

Tremendo, ela descobriu, com certeza absoluta, que gostaria de saber a resposta.

— Não olhe para mim desse jeito — ordenou Demyan.

— Como assim?

— Como se quisesse ficar nua — falou ele com ar de acusação.

Como poderia ser? Com a ereção insistente contra a calça, não havia dúvida de que o corpo dele sentia o mesmo desejo.

Honestamente, ela o queria nu, mas não tinha coragem de dizer. Então simplesmente assentiu.

— Não. Temos o jantar. Sexo... — Demyan balançou a cabeça como se fosse difícil de compreender. — Sexo vem depois.

— Por favor, me diga que você não gosta de adiar a gratificação. É só que eu não recebo muitas gratificações. Não quero perder a oportunidade.

Chanel fechou a boca, mordendo os lábios por dentro, tentando impedir que mais palavras desagradáveis escapassem.

Em vez de tranquilizá-la de que seria perfeitamente aceitável perder a palestra e o jantar para fazerem amor, ele parecia entretido por suas palavras. Droga.

A boca de Demyan curvou-se ligeiramente e a necessidade em seu olhar desapareceu um pouco.

— Fique tranquila, quando fizermos amor, você não vai se sentir nem um pouco insatisfeita.

Chanel geralmente era contra o eufemismo de que fazer amor era, essencialmente, um ato físico entre duas pessoas. Um ato que, até então, se recusara a praticar. Eles não estavam apaixonados, como poderiam fazer amor?

Contudo, as palavras de objeção ficaram presas na garganta. Na verdade, ela só conseguiu concordar com ele.

— Tenho certeza que sim

Demyan pode ser um empresário nerd, mas sua confiança nas proezas sexuais pareciam bem fundamentadas.

Demyan puxou a cadeira para Chanel, a cabeça dele ainda estava confusa com a rapidez com que perdera o controle, mais cedo, no apartamento.

Quase a possuiu lá mesmo, na sala de estar. Sem sutileza. Sem sedução. Apenas paixão pura e necessitada.

Demyan não agia assim. Não precisava.

Exposição do desejo era para outros homens. Ele não costumava se conter, mas também não perdia o controle. Era conhecido por ser contido ao máximo no campo sexual, levando suas parceiras aos mais altos níveis de prazer.

Nunca perdera o controle por um simples beijo.

Sua língua mal tinha penetrado a boca de Chanel. Com duas camadas de roupa entre eles, seus corpos se tocaram intimamente. Ainda assim, chegou muito perto do êxtase completo, teve que se afastar para não passar vergonha com uma reação que não vivenciou nem mesmo na adolescência.

O plano era dar a ela uma pequena amostra da paixão antes de deixarem o apartamento, flertar sutilmente com Chanel durante o jantar e, em seguida, ir embora depois de deixá-la querendo mais.

Fazer com que ela concordasse com um casamento às pressas, com um acordo pré-nupcial já elaborado, exigia seguir rigorosamente sua estratégia.

O plano era obscurecer a razão dela através da emoção, pela luxúria insatisfeita, tornando o desejo o principal elemento.

Ele só pretendia consumar seu relacionamento em duas semanas. Queria que ela ficasse cega pela própria necessidade física, pronta para comprometer-se com Demyan sexual e emocionalmente.

Em vez disso, sentia-se como um garoto inexperiente, ansiando pela chance de colocar a mão debaixo de uma saia.

— Você está bem? — perguntou Chanel preocupada.

Deixando para trás os pensamentos perturbadores, ele exibiu um sorriso.

— Claro. Estou aqui com você, não é?

— Não diga esse tipo de coisa. — O rosto dela estava sério demais.

— Por que não, se é verdade?

— Não soa verdadeiro. — Havia muita certeza nos olhos acinzentados dela. — Às vezes, seu sorriso parece o de um manequim de plástico.

Era estranho ela saber a diferença. Ninguém duvidava da sinceridade de Demyan.

Um sorriso era um sorriso. Exceto quando não era, como ele bem sabia. Contudo, não esperava que sua companheira socialmente excluída percebesse. Surpreso, sentou-se, observando os olhares curiosos de seus vizinhos.

Demyan virou-se e sorriu para eles.

— O que você diz? Sou sincero? — indagou a uma mulher mais velha.

— Muito. Talvez sua companheira esteja insegura. Mulheres como nós geralmente não fisgam homens encantadores.

Antes que ele pudesse responder, um homem baixo e com sobrepeso, ao lado da mulher mais velha, estufou o peito.

— Isso significa que eu não sou tão majestoso?

A mulher olhou para ele e sorriu.

— Não, você não é, e é exatamente por isso que o amo. Do contrário, não estaria casada com você há quase 40 anos.

O homem relaxou novamente em sua cadeira, dando um sorriso para Demyan antes de se virar para a esposa.

— Também amo você, minha querida.

O casal mais velho perdeu-se em um momento que Demyan sentiu-se desconfortável em presenciar. Voltou sua atenção para Chanel, que estava carrancuda, triste e perturbada.

— O que foi?

— Ela está certa. Você não combina comigo.

— Não foi o que ela falou, Chanel. — Ele colocou a mão sobre a coxa dela. — Eu diria que há uma grande prova do contrário.

— O que quer dizer?

Ele não respondeu, mas sua expressão foi bastante significativa.

Percebeu o momento exato em que a luz se acendeu no cérebro científico de Chanel.

Ela arregalou os olhos, o rosto ficou corado.

— É apenas química. Um beijo dificilmente constitui uma reivindicação.

Com isso, Demyan não poderia concordar. Perdendo o controle ou não, o beijo foi uma reivindicação definitiva da parte dele.

— Estou surpreso que uma mulher com sua educação declare que química seja algo simples.

— Estamos aqui.

— E?


— Se a química fosse tão incrível, não estaríamos.

Ele não podia acreditar no que ela acabava de dizer. Chegou perto de arruinar uma calça Armani por causa do calor entre eles.

Não estavam no apartamento dela fazendo amor por duas razões importantes, e nenhuma estava relacionada com o quanto queria o que Chanel ofereceu tão inocentemente.

Fazer amor, esta noite, não estava nos planos. Mesmo se estivesse, Demyan teria mudado a estratégia, porque precisava distanciar-se da paixão.

Mas não podia dizer isso a ela.

— Pensei que você quisesse ouvir a palestra.

— Queria.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Quero — admitiu Chanel com a truculência de uma criança, o que a tornava ainda mais encantadora, porque ele tinha certeza de que ela não fora uma criança truculenta.

Apenas uma filha muito diferente daquela que sua mãe esperava.

De tudo o que havia aprendido sobre ela, tanto pelo dossiê quanto por ela mesma, Chanel Tanner puxou ao pai. Era muito diferente da mãe. A Sra. Saltzman percebeu isso claramente durante a criação da filha.

Uma hora depois, Chanel desviou o olhar das anotações que estivera fazendo, durante os últimos 20 minutos, em seu smartphone.

— Estou me divertindo. Obrigada.

Um sorriso genuíno vincou os lábios dele.

— De nada.

Gostava de vê-la assim, empolgada, claramente em sua zona de conforto.

— Dr. Beers fez, pelo menos, dois apontamentos que eu não havia considerado antes. Certamente merecem atenção e pesquisa adicionais. — Chanel brilhava com uma satisfação que Demyan considerava estranhamente atraente.

Gostava desse lado confiante dela.

Depois, Demyan daria a ela a oportunidade de falar com o professor visitante e com o chefe do departamento de pesquisa da universidade que supervisionava seu laboratório.

O chefe de Chanel, que também estava presente, atirava olhares acusadores do outro lado do salão.

Demyan observou:

— O chefe de sua pesquisa não está feliz em vê-la aqui.

— Ele não gosta que seus assistentes façam contatos fora do departamento. —Chanel não soou incomodada com o fato.

— Que falta de visão.

— Ele é um cientista brilhante, mas um ser humano mesquinho. — Ela encolheu os ombros. — Não pretendo ter meu próprio laboratório.

— Por que não?

— Muita política envolvida. — Chanel quase parecia culpada. — Gosto da ciência.

Soou como o que Demyan sabia do pai dela.

— Por que a carranca?

— Minha mãe e meu padrasto seriam muito mais felizes se eu tivesse mais ambição.

— É?

— Quando Yurkovich Tanner ofereceu minha bolsa, deixaram claro que eu poderia estudar onde quisesse.



Isso não era novidade para Demyan, mas, talvez, ela explicasse por que optou por uma escola estadual local, quando poderia estudar no MIT ou algo assim.

— Você se formou na Universidade do Estado de Washington.

— Ficava perto de casa. Eu não queria ir embora.

Que pena. Teria sido muito bom para Chanel e sua mãe.

— Você estava buscando um relacionamento com sua mãe.

Ele compreendia isso, embora nunca fosse confessar. Seus pais desistiram dele em tudo, exceto no nome, mas Demyan nunca cortara laços com eles.

Passara a adolescência esperando que acordassem e percebessem que ele ainda era seu filho. Nunca aconteceu, e quando ele partiu para os EUA, para frequentar a universidade, aceitou que nunca aconteceria.

— Acho que ainda estou — respondeu Chanel com uma melancolia que ele não gostava.

— Vocês são pessoas muito diferentes.

— Eu sou a estranha.

— Você não é estranha. — Única, mas não de uma maneira ruim

— Eu não fui a filha que ela queria. Minha irmã mais nova é o modelo aprimorado.

— Isso é ridículo. Você é exatamente como deveria ser.

— Às vezes, até acredito que você está sendo sincero.

Mais uma vez, ela o assustou, porque estava certa. Naquele momento, ele havia falado somente a verdade, sem pensar em seus planos.

Chanel não sabia ao certo qual era a maneira correta de convidar um homem até seu apartamento para fazer sexo.

Demyan não estava facilitando. Ela não tinha certeza, apesar do beijo de antes, de que ele aceitaria. Fora atencioso durante o jantar, garantindo que Chanel se divertisse ao máximo. Até mesmo olhou para ela daquele jeito, que indicava que a queria.

Contudo, Chanel tinha a estranha sensação de que ele estava se contendo.

E não pela mesma razão que ela: de estar incerta sobre o sexo. Certamente, Demyan não era virgem.

Chanel não conseguia evitar, por mais que seu corpo clamasse pela união sexual com este homem, uma parte dela insistia que o ato deveria ser especial. Não era muito científico de sua parte, admitia.

Todo mundo, desde sua mãe, que havia desistido da inexistente vida amorosa de Chanel, até os amigos que não compreendiam sua “visão romantizada do sexo”, concordavam em uma coisa: a virgindade de Chanel era mais um sinal de que ela não se encaixava no mundo ao seu redor.

Fazer amor deveria ser algo mais do que dois corpos buscando liberação física, Chanel tinha certeza disso.

Ela nunca quisera apenas sexo. Não sabia que efeito isso teria caso se entregasse agora.

Contudo, aos 29 anos, as coisas não eram como aos 19.

Ela deveria estar mais relaxada com a perspectiva da casualidade de compartilhar seu corpo com outra pessoa. Mas não estava.

Quanto mais velha ficava, mais percebia a importância de cada conexão humana que fazia. Sexo deveria ser o ato supremo de intimidade.

Ela admitia que nunca havia sentido uma conexão tão profunda com os poucos homens de seu passado como a que sentira com o beijo de Demyan.

Chanel não era idiota. Sabia que ter perdido, aos 8 anos, as duas pessoas que a amaram incondicionalmente, tornou difícil se abrir para os outros, especialmente aos homens.

Seu pai e seu avô.

O padrasto de Chanel não a amava. Quanto à mãe, Chanel tinha 29 anos e ainda era julgada por ela.

O carro de Demyan parou perto do meio-fio do lado de fora do edifício de Chanel. Ele desligou o motor, soltando o cinto de segurança em um movimento suave.

Talvez ela não tivesse que adivinhar.

— Você vai subir?

— Acompanho você até a porta.

— Não é necessário. — Ela podia ter se dado um tapa. — Quero dizer, só se você quiser.

Oh, muito melhor.

Ele ergueu uma sobrancelha escura quando abriu a porta.

— Alguma vez não acompanhei você até sua porta?

— É apenas nosso terceiro encontro. — Não houve tempo suficiente para criar precedentes.

Suas palavras a atingiram com a força de uma partícula sólida viajando além da velocidade da luz. O que ela estava pensando? Sexo com ele quando passaram tão pouco tempo na companhia um do outro?

Ainda lembrando o prazer do beijo de antes, o corpo dela gritava que sim enquanto sua mente enviava um aviso de alerta.

Distante de um veredito sobre como lidar com o resto da noite, Chanel congelou com a indecisão.

A porta se abriu, e Demyan inclinou-se em direção a ela, estendendo a mão.

— Você vem?

Ela se atrapalhou com o cinto de segurança, soltando-o após a segunda tentativa.

O olhar dele demonstrava que sabia por que ela estava tão atrapalhada.

— Não — ordenou ela.

O olhar de certeza transformou-se em um sorriso malicioso.

— Não?

— Você é arrogante. — Chanel acusou-o ao sair do carro, evitando a ajuda de sua mão.



Ignorando sua tentativa de manter distância, Demyan colocou a mão na cintura dela, prendendo seu corpo junto ao dele conforme se aproximavam do edifício.

— Estou encantado com sua companhia.

Um calor brotou entre eles e, rapidamente, Chanel lembrou por que, depois de apenas três encontros, estava pronta para acabar com uma vida de virgindade.

— Ainda não sei por que estamos aqui.

— Você mora aqui? — questionou ele com divertimento enquanto a conduzia para dentro do prédio sem porteiro.

A falta de um porteiro foi motivo de discórdia entre Chanel e a mãe. Se ela estivesse preocupada com a segurança, Chanel teria considerado se mudar, mas o problema era qual impressão passaria morando em um prédio despretensioso, e completamente suburbano.

— Não gosto do fato de que a entrada para sua casa seja tão acessível. O pátio escuro diante da portaria também não é seguro — reclamou Demyan, pegando as chaves dela e abrindo a porta.

Chanel não decidiu se a ação de conduzi-la para dentro era um regresso ao charme de antigamente ou um simples indicativo de sua natureza dominadora.

Foram para a sala de estar, e ele fechou a porta atrás de si. Havia significado nisso, certo? A porta fechada. Se ele só quisesse acompanhá-la até a porta, poderia ter ido embora.

— Gostaria de uma bebida ou outra coisa? — Como ela?

Ela vai mesmo fazer isso? Chanel pensou que talvez sim.

— Hoje não. — As palavras indicavam que ele pretendia sair, mas a maneira como se aproximou dela deu um significado completamente diferente.

Ela não respondeu, a proximidade dele deixou-a sem ar. Pela primeira vez na vida, começou a compreender como sua mãe, Beatriz, acabara grávida de um homem tão diferente dela.

Sexo era uma força poderosa.

— A química corporal é muito mais potente do que eu pensava. — Ela soava tão perplexa quanto se sentia.

— Porque você nunca sentiu algo tão forte com outra pessoa. — Não foi uma pergunta.

Chanel teria se ofendido com a certeza na voz de Demyan se não estivesse falado uma verdade absoluta.

— Tenho certeza que você já sentiu.

Uma expressão estranha tomou conta das feições dele. Surpresa? Talvez confusão.

— Não.


— Você parou mais cedo, não eu.

— Não foi fácil.

Isso deveria fazê-la se sentir melhor sobre o fato de que ele estivera mais determinado a ir para a palestra do que ela?

— Fico feliz em ouvir isso — disse Chanel com sarcasmo.

Demyan estreitou o olhar, uma centelha de irritação brotou e, rapidamente, desapareceu. Ela não ficou surpresa. Talvez ele não fosse um ávido empresário como seu padrasto, mas também não o tipo de homem que gosta de perder o controle.

Não que tivesse perdido. Agora ou mais cedo.

Afinal de contas, Demyan havia interrompido o ato, e agora, por mais que ela visse o desejo em seu olhar escuro, ele não estava agindo.

Chanel, por outro lado, estava perto de beijá-lo. Ela, que nunca iniciara um beijo na vida.

— Você quer ficar? — perguntou sem rodeios.

Ele sorriu.

— Você quer que eu fique?

— Não sei.

Ele pareceu chocado por alguns segundos.

Você não sabe?

Ela balançou a cabeça.

— Não parecia insegura sobre o que queria hoje mais cedo. — Descrença envolveu sua voz.

Chanel assentiu, sem tentar negar. Não gostava de subterfúgios.

— Eu mal conheço você.

— É assim que você se sente?

Já havia vivenciado essa estranha sensação de disparidade com ele. As palavras estavam corretas, a expressão, harmoniosa e, ainda assim, ela sentia que não havia sinceridade.

Mas, ao contrário do jantar, agora havia certa honestidade nas palavras dele. Isso a confundia.

— Você já sabe que pode me levar para a cama com muito pouco esforço.

— Eu lhe asseguro, o esforço não será mínimo. — Uma promessa sensual vibrava em cada palavra.

Chanel sentiu essa promessa na própria essência, e as coxas se contraíram em uma resposta involuntária, não por medo, mas porque sentiu uma necessidade que nunca havia sentido.

— Não foi o que eu quis dizer.

— Então, o que quis dizer, pequena?

— Estou longe de ser pequena. — Com 1,70m, ela estava acima da média de altura para uma mulher.

— Não evite a pergunta.

— Não estava evitando. — Só estava tentando esclarecer, porque era um território familiar.

O restante? Não.

Só ele sabia o quão alta ela era, por isso, se queria chamá-la de pequena, tudo bem

— Acho que pareço baixa para você. Afinal, você não tem uma estatura mediana, embora eu devesse compará-lo com os ucranianos, já que dominam seu país.

De fato, ele estava bem acima da altura média, mais alto do que a maioria dos homens da vida dela, o que lhe deu um tipo peculiar de prazer. O que, como muitas coisas que descobriu depois de conhecê-lo, surpreendeu-a.

Nunca pensou que gostaria de se sentir protegida ao lado de um homem, ou que a diferença de altura provocaria isso. Talvez não fosse a diferença, mas outra coisa sobre Demyan como um todo.

Algo intangível que não combinava com suas blusas de grife e óculos de aros escuros.

— Você não parece baixa. — Ele acariciou um de seus cachos vermelhos, um leve sorriso nos lábios, como se pudesse ler os pensamentos dela. — Você está certa.

Desta vez, não houve conflito entre as palavras e a sinceridade de sua conduta.

— Não consigo decidir.

— O que quer dizer?

— Às vezes, acho que você é sincero em tudo o que diz, mas há momentos, como no jantar desta noite, que parece que está dizendo o que pensa que eu quero ouvir.

— Não menti para você. — A afronta ecoou em sua voz.

— Não?


— Não. Não contei tudo sobre mim.

— Não esperava que você trouxesse um dossiê no nosso primeiro encontro. — É claro que ela não sabia tudo sobre ele, fazia parte do processo de namoro, não é? — Você também não sabe tudo sobre mim.

O olhar dele ficou frio, quase cruel. Em seguida, ele endireitou os óculos, e o olhar desapareceu.

— Sei o que preciso saber.

Às vezes, havia o vislumbre de outro homem, um homem de quem mesmo um tubarão como Perry tentaria fugir. Então, Demyan sorria, e a impressão desse outro homem desapareceu.

CAPÍTULO 3

Demyan não estava sorrindo, mas Chanel sabia que o homem diante dela não era um tubarão.

Não como o extremamente crítico Perry e, definitivamente, não mais cruel do que ele. Havia muita bondade em Demyan, mesmo que ele não percebesse.

— O que quis dizer mais cedo? — perguntou ele, puxando-a de volta à pergunta inicial.

Ah, sim... certo.

— É só que... Você deve perceber que sou firme. Mesmo não tendo certeza de que quero ser.

— Por que não tem certeza?

Chanel não estava acostumada a ser o foco da atenção de outra pessoa quando não estava discutindo sobre trabalho. Quando estava com Demyan, ele se concentrava exclusivamente nela, como se nada fosse mais importasse. Ele queria saber coisas que os outros reagiam com impaciência, sem interesse. Era uma sensação inebriante.

Mesmo assim, remover as camadas para revelar seu eu verdadeiro não era fácil.

— Você vai rir.

— É engraçado?

— Não para mim. — Nem um pouco.

— Então, não vou rir.

— Como você pode ser tão perfeito?

— Desde que eu seja perfeito para você, é tudo o que importa.

— Está falando sério?

— Sim. — Não poderia haver dúvida na convicção de seu tom ou em suas belas feições.

— Por quê?

— Está dizendo que se sente diferente?

— Amor à primeira vista não acontece.

— Talvez aconteça para algumas pessoas.

— Você está dizendo... — Chanel teve que limpar a garganta, respirar fundo e tentar novamente. — Você está dizendo que sente o mesmo?

— Quero ser seu homem perfeito.

— Você está falando sério. — E talvez estivesse na hora de parar de duvidar da sinceridade dele.

Quanto desses sentimentos que ele estava dizendo e que ela desejava ouvir decorriam de suas inseguranças? Por que era tão difícil aceitar que este homem não precisasse que Chanel fosse alguém diferente para querer ficar com ela?

A resposta estava nos anos que passou como pária da própria família, filha de uma mãe e um padrasto que a culpavam constantemente por ser muito parecida com o pai biológico.

— Estou.


Ela assentiu, aceitando. Acreditando.

— Eu nunca tive relações sexuais.

Mais uma vez, Chanel conseguiu chocá-lo.

Ele ficou boquiaberto e arregalou os olhos comicamente.

— Você tem 29 anos.

— Não prestes a me aposentar ou algo assim. Ela tinha mais 11 anos para engravidar com segurança.

Não que Chanel pensasse que iria se casar e ter filhos. Desistira dessa ideia quando percebeu que, mesmo no mundo acadêmico, era uma desajustada social.

— Não, não quis dizer isso. — Mas a voz dele ainda estava envolta em surpresa, e seu cérebro não estava funcionando com capacidade total.

Você tem estudo. E americana.

— E daí? — O que seu doutorado em química tinha a ver com sua virgindade?

— Você é completamente inocente? Nossa, será que Demyan percebia como isso soava?

E as pessoas achavam que ela era antiquada.

— Mesmo que tivesse tido relações sexuais, ainda seria inocente. Sexo não é um crime.

— Você sabe do que estou falando.

— Sim, eu sei, mas inocente? Ora.

O olhar dele era muito familiar.

— Sou estranha — desculpou-se ela com um suspiro quase sufocado. — Eu avisei. — Será que ele esqueceu?

— Você é direta. — Não havia decepção em seu tom de voz.

Demyan parecia quase admirado. Se ela acreditasse. Mas não tinha decidido fazer exatamente isso, acreditar?

— Mamãe acha insensível.

— Sua mãe não vê você como eu vejo.

— Espero que não.

Ambos sorriram da brincadeira que não conseguiu dissipar a tensão entre eles.

Ele colocou as mãos grandes sobre os ombros dela, os polegares deslizando sobre a clavícula, um toque possessivo, como o de antes. E, mais uma vez, Chanel descobriu uma parte inesperada de si que gostava disso. Muito.

— Demyan. — O nome saiu em um suspiro.

Ela não sabia por que o disse, ou o que queria dele.

Demyan não parecia perdido; seu olhar era direto e estava no comando.

— Você diz que nunca teve relações sexuais. Quero saber o que isso significa.

Foram duas tentativas para que as palavras passassem pela garganta apertada.

— Por que isso importa?

— Você pode perguntar isso?

— Hum, sim. — Ela não tinha acabado de perguntar?

— Você é minha.

— Três encontros — recordou ela.

— Amor à primeira vista — respondeu Demyan.

— Você... Eu...

— Vamos fazer amor. O que eu quero saber é o que você fez até agora. — Seus polegares continuavam a acariciá-la ao longo da clavícula. — Você vai me dizer.

— Mandão?

— Só na cama.

Ela não tinha certeza se acreditava nele, e menos ainda se importava. Não estava preocupada em defender a si mesma. Nunca se conformou quando importava, mesmo que fosse facilitar sua vida, especialmente com a família.

Agora, descobriu que queria responder a pergunta dele, precisava. Ainda assim, foi vaga.

— Carícias apimentadas, eu diria.

— Seja mais específica.

— Não. — Ela sentiu um calor envolver seu pescoço.

Ele não deveria se preocupar, não é? Virgindade não é um problema para homens modernos. Ou mulheres modernas, zombou sua voz interior, ainda assim, você é virgem.

Ele se inclinou tão perto que seus lábios quase se tocaram.

— Oh, sim.

Pensamentos iam e vinham, nenhuma palavra saía de sua boca, até que Chanel emitiu um som que nunca tinha ouvido antes. Era algo como rendição, só que mais.

Era sexual.

O ar entre eles ficou pesado com o mais primitivo dos desejos.

Em uma última tentativa desesperada de ganhar espaço, ela fechou os olhos, mas não adiantou. Podia sentir o olhar dele. Podia sentir sua determinação em obter uma resposta.

Era supersensível à proximidade, seu corpo querendo pressionar contra o dele, seus lábios ficando suaves, preparando-se para um beijo.

O beijo não veio.

— Diga-me.

A voz dele ressoou através dela, aumentando o fogo sensual queimando em suas veias.

— Não foi nada.

— Você estava nua?

— Uma vez.

— Ótimo. — Demyan a beijou, mas seus lábios se afastaram antes que ela pudesse perder-se na carícia que desejava mais que ar ou financiamento de pesquisa. — Quando?

— Na faculdade.

Ele esperou.

— Ele disse que me amava. — Mais tarde, ela perceberia que queria muito ser amada.

— Você não deixou que ele entrasse em seu corpo.

— Não.


— Por quê?

— Não pareceu certo. — Uma dor antiga contorceu seu coração.

Ela virou a cabeça, dando um passo para trás.

— Ele machucou você. — O rosnado na voz de Demyan fez Chanel arregalar os olhos, procurando por ele, pela comprovação visual daquele tom de voz.

A raiva nos olhos dele não estava dirigida para ela, mesmo assim, fez Chanel estremecer.

— Ele terminou comigo.

Seu ex-namorado a chamou de relíquia seca, retrocesso de mulher que pertencia a um convento medieval, não a uma universidade moderna. Chanel tinha experiência em desapontar sua família, por isso, as palavras dele não deveriam feri-la.

Era de se esperar que estivesse acostumada.

Mas deixaram cortes profundos, traumas.

Ela nunca compartilhou com outra pessoa a experiência que a convenceu de que sua mãe e padrasto estavam certos, nunca admitiu seu fracasso.

— Sou um caso perdido quando se trata de homens. — O que ela estava fazendo?

Querendo dar seu corpo a um homem destinado a partir seu coração?

Ele nem ficaria com ela. Disse que fariam amor, mas não podiam. Ele não a amava, não importava o que suas palavras inferiam

Chanel não era esse tipo de mulher.

Não era uma loira incrível como sua irmã, Laura. Não era sofisticada como a mãe. Chanel era a estranha que sabia tudo sobre química, mas nada sobre a espécie humana.

Ela balançou a cabeça, as mãos frias e trêmulas.

— É melhor você ir embora.

Demyan aproximou-se dela e agarrou seu corpo com indelicadeza.

— Não vou a lugar algum Nem hoje. Nem nunca.

— Você não pode fazer promessas assim. — Se ele as quebrasse, destruiria algo dentro dela que seus pais e seu ex foram incapazes de tocar.

A crença de que Chanel valia alguma coisa.

— Eu posso.

— O quê? Você vai se casar comigo? — perguntou ela com sarcasmo.

— Sim


Ela não conseguia respirar, a visão estava ficando turva. As palavras saíram dela em um sussurro.

— Você não quer dizer isso.

Demyan segurou a parte de trás da cabeça dela, forçando-a a encará-lo.

— Eu quero.

— Você não pode.

— Sou um homem de palavra.

— Sempre? — zombou ela, sem acreditar.

Ninguém cumpre tudo o que promete. Especialmente para ela. Seu pai não prometeu que sempre estaria ao seu lado? Depois, morreu. Sua mãe prometera, após a morte de Jacob Tanner, que ela e Chanel ficariam sempre juntas, que não abandonaria a filha, que não morreria como seu marido.

Beatrice não morreu, mas abandonou

Chanel emocionalmente, um ano depois de se casar com Perry.

— Quer apostar? — exigiu Demyan, sem insegurança sobre o futuro em suas palavras.

— Você vai me destruir.

— Não.

— Homens como você... — As palavras desapareceram enquanto seu coração se contorcia com a ideia de não voltar a vê-lo.



— Sabem o que querem — Havia aquele olhar novamente.

Como se ele fosse um homem que sempre consegue o que quer, não importa o que precise fazer para conseguir.

— Eu queria esperar até me casar. Não queria aprisionar alguém a uma vida de ressentimentos.

— Há meios de controlar a natalidade.

— Minha mãe tomava pílula quando ficou grávida de mim Eu não fazia parte de seus planos. Nem meu pai.

— Ela não precisou se casar com ele.

— Ela o amava. No início. — Chanel não sabia quando isso havia mudado.

Chanel tinha apenas 8 anos quando seu pai morreu, mas acreditava que seus pais se amavam muito e eternamente. Foram as críticas constantes de sua mãe e as comparações desfavoráveis, mais tarde, que a fizeram perceber que Beatrice não aprovava o marido, nem a filha.

— Eles não eram compatíveis. — disse Demyan como se realmente soubesse; não que isso fosse possível.

— Pensei que fossem quando eu era criança. Eu estava enganada — admitiu ela.

— Não somos eles. Somos compatíveis.

— Você não sabe disso.

— Sei mais do que você pensa. Pertencemos um ao outro. — Havia uma mensagem nessas palavras que ela não conseguia decifrar, mas o olhar obscuro dele não dava nenhuma dica.

— Você não precisa dizer essas coisas.

— Não sou um homem que tem por hábito dizer coisas que não quer.

— Você nunca mente. — Demyan havia dito isso antes.

Algo passou através de suas belas feições.

— Não menti para você.

A insinuação era inacreditável.

— Você realmente pretende casar-se comigo depois de três encontros?

— Sim. — Havia tanta certeza, tanta convicção nessa palavra.

Chanel não poderia duvidar dele, mas não fazia sentido. Seu cérebro científico não conseguia identificar os componentes da fórmula da interação que levou a essa reação.

No laboratório, sabia que se misturasse uma substância com outra e acrescentasse calor, ou frio, ou agitasse, obteria resultados identificáveis e documentados.

O amor não era assim Não havia como prever a interação homem-mulher, especialmente para ela.

Mas uma coisa era certa, um homem não conseguia esconder sua verdadeira reação a uma mulher na cama. Foi por isso que ela recusara seu ex-namorado na universidade. Ele não estava completamente envolvido.

Oh, ele queria ação, mas não fazia diferença se seria com ela ou não.

— Mostre-me — desafiou-a Demyan. — Faça-me acreditar.

Seus olhos se estreitaram, mas ele não fingiu não entender o que ela queria.

Demyan não podia recusar o desafio de Chanel.

Fosse lá o que tivesse feito o cretino que a recusara, parte dela acredita que Demyan faria a mesma coisa. Ele podia ver nas profundezas de seus olhos cinzentos.

— Você vai ver, sérdenko. Não sou aquele cara.

— Você fica me chamando de pequena.

— Não parecia que estava reclamando, apenas observando.

Ele percebeu que Chanel fazia isso quando as emoções ficavam muito intensas. Escondia-se atrás da barreira de sua mente analítica.

Quando aquela noite acabasse, não haveria barreiras entre eles.

— Você fala ucraniano. — O dossiê mencionava que ela havia estudado o idioma, mas não o quanto sabia.

Traduzir o agrado, que era um diminutivo para coração, implica um conhecimento muito mais profundo de sua terra natal e idioma do que o relatório de investigação havia revelado.

— Estudei para ler textos de cientistas notáveis em sua língua nativa.

— E sérdenko apareceu em um texto científico? — perguntou ele com descrença.

— Não. — Chanel suspirou como se admitisse um segredo sombrio. — Gosto de idiomas. Sou fluente em ucraniano, português e alemão.

— Para ler textos científicos.

— Entre outras coisas. — Ela corou de forma intrigante.

— Que coisas? — perguntou ele, com a boca tentadoramente próxima a dela.

Queria beijá-la. E ela queria o beijo, não havia dúvida.

— Romance erótico.

— Em ucraniano? — perguntou, totalmente surpreso pela terceira vez naquela noite.

Essa mulher nunca seria uma companheira entediante.

— Sim.


— Estou impressionado.

— Por quê?

— Se você gosta tanto de ler sobre sexo, por que ainda é virgem?

— Também gosto de ler romances policiais, mas não saio por aí cometendo crimes.

Ele riu, incapaz de lembrar a última vez que ficou tão entretido por uma companhia feminina.

Esse casamento não seria difícil. Chanel Tanner seria uma esposa muito agradável.

Com esse pensamento em mente, ele deu o primeiro passo para convencê-la de que pertenciam um ao outro.

Demyan a beijou, assumindo o controle de sua boca de forma gentil.

Chanel não poderia saber, mas sua virgindade era um presente para ele em vários sentidos.

Primeiro, ele seria o único homem a compartilhar seu corpo.

Em segundo lugar, mais importante para seus esforços em nome de Volyarus, uma vez que Demyan, ao despertar paixões pela primeira vez em Chanel, a tornaria mais propensa a aceitar a proposta de casamento.

Isso significava ajustar os planos de sedução, mas não iria embora esta noite. Tal atitude, porém, poderia causar danos irreparáveis à confiança entre eles. Ela precisava saber o quanto Demyan a desejava.

Ao contrário do planejado, ele desejava esta cientista tímida e estudiosa acima de todas as outras mulheres.

Chanel não acreditava que ficariam juntos para sempre, mas ia acreditar. Ele dissera a verdade antes. O príncipe Demyan de Volyarus não quebrava suas promessas.

E prometeu ao rei Fedir que se casaria com Chanel Tanner.

Ela gemeu contra os lábios dele, seu desejo sexual tão perto da superfície. Demyan pensou que seria melhor adiantar o primeiro clímax para que ela pudesse desfrutar os preparativos para o segundo.

Com precisão cuidadosa, ele construiu o beijo até que o som da necessidade brotasse dos lábios dela. Começando a perder o controle, ele aprofundou o beijo, querendo saboreá-la mais.

Uma suave voz no fundo de sua mente avisou que estava na hora de parar e levá-la para o quarto.

Só que os lábios não queriam obedecer e, pela primeira vez, Demyan encontrou-se perdido em um beijo, seus planos de uma sedução suave desmoronando sob o peso de sua necessidade mais primitiva.

Ele só conseguiu movê-la em direção ao sofá. Inacreditavelmente, nenhum dos dois seria capaz de ficar muito tempo na vertical.

Demyan conduziu-os de modo que Chanel sentasse em seu colo; o vestido subiu, deixando suas coxas nuas pressionando as dele.

Demyan gostava de sexo. De acordo com Maks, ele teve uma quantidade mais do que razoável de parceiras. Algumas eram muito experientes na arte da sedução, mulheres que sabiam como usar seus corpos para efeito máximo. Nenhuma delas o deixara tão excitado quanto Chanel, respondendo ao seu beijo de forma tão honesta.

Ela se movia com inocência, seu corpo ondulando em sensualidade inconsciente, que o deixava louco com a necessidade de mostrar a ela o resultado desses movimentos.

Demyan colocou a mão no traseiro dela, orientando o balanço de seus quadris para algo que lhes daria mais prazer.

Ela moveu o centro de sua calcinha, esfregando-a sobre a ereção contida. Ele não conseguia segurar os próprios sons de desejo sexual puro, nem evitar arquear os quadris para aumentar o atrito.

Esta mulher não fingia ser uma moça comportada. Sua paixão sincera era mais emocionante do que qualquer prática de sedução.

Era sua primeira vez, e ele achava aquilo altamente erótico.

Chanel exigiu que ele mostrasse que a desejava.

Nunca mais duvidaria de seu apelo feminino a ele, não depois desta noite. E, talvez, aceitasse a proposta apressada de casamento quando fosse feita.

Ele descartou o pensamento de que não se tratava inteiramente de seu dever para com o país.

Começaria agora, dando a Chanel o que ela não sabia estar perdendo.

Depois de garantir um ritmo que faria o corpo dela tremer, ia mapeá-lo com as mãos através da seda verde do vestido, acariciando-a de maneiras reservadas para uma amante.

Demyan gostava desta parte do sexo: tocar a mulher de uma maneira como jamais alguém fizera e como no caso de Chanel, ninguém tocara.

Ficava excitado com o fato de a mulher ter colocado seu corpo à disposição de suas mãos, prontas para distribuir prazer. Demyan também gostava desse tipo de controle. Por razões às quais não queria dar muita importância, o pensamento era ainda mais satisfatório com Chanel do que com outras mulheres.

Ela podia não perceber, mas o tipo de resposta que deu indicava que ele poderia fazer o que quisesse. Esse pensamento veio acompanhado de um prazer inebriante, destinado a minar seu autocontrole ainda mais se não fosse cuidadoso.

Era importante para o prazer dela, especialmente nesta primeira vez, que ele não deixasse isso acontecer. Demyan tinha que agir com premeditação, ou poderia machucá-la.

Esse lembrete o deixou sóbrio o suficiente para conseguir pensar pelo menos um pouco.

Era bom tocá-la. Bom demais.

Ele envolveu os seios, fazendo-a perder o fôlego, enquanto seus polegares roçavam nos mamilos túrgidos. Queria senti-los nus, mas o que estava fazendo já era incrível.

Seu sexo estava pressionado contra o zíper da calça em resposta à sensação de tê-la nas mãos.

Ele beliscou, sabendo que a seda e o sutiã não eram uma barreira entre seus botões e a sensação que ele estava proporcionando.

Chanel interrompeu o beijo, abriu os olhos, com pupilas dilatadas quase engolindo as íris tempestuosas.

— Eu... Isso...

— É bom. — Demyan fez novamente, aumentando a pressão o suficiente para proporcionar prazer máximo, beirando a dor, mas sem chegar a tanto. — Diga.

CAPÍTULO 4

Chanel parecia confusa.

— O quê?

— Diga que é bom.

Ela não precisava negar, estava óbvio pela maneira como seu corpo ficou tenso, e desviou o olhar.

— Olhe para mim — exigiu Demyan, seus dedos prestes a dar-lhe mais prazer. — Olhe para mim e diga.

Ela o encarou, sem conseguir pronunciar as palavras.

— Você é uma mulher. Pode reconhecer o próprio prazer, Chanel. Acredito em você.

— Não é isso. — Ela respirou fundo e soltou o ar. — Sei que sexo deve ser bom.

— Sabe?


— Li nos livros.

— Livros eróticos.

— Sim

— Então, diga.



— Você quer que eu fique nua — acusou ela.

Ele não tinha porque negar.

— Sim

— Por quê?



— Você tem que se soltar.

— Você nunca se solta.

— Sou o experiente aqui. Se eu perder o controle, estaremos em apuros.

— Isso não faz sentido.

— Só porque você não fez isso antes.

Chanel não negou.

— Gosto disso.

— Eu sei. — Ele apertou levemente, dando-lhe uma amostra do que estava por vir.

Ela gemeu, sua cabeça caiu para trás, as pálpebras deslizando para baixo, cobrindo a vulnerabilidade em seu olhar.

— Então, por que tenho que dizer?

— Por mim. Diga, isso por mim

— É uma sensação boa.

Ah, sim, esta mulher aprenderia a não se conter. Ele a recompensou com mais prazer, até deixá-la ofegante.

— Demyan!

— O que, sérdenko?

— Você sabe! Você tem que saber.

— Isso? — perguntou ele, esfregando sua intumescência contra ela, beliscando seus mamilos ao mesmo tempo.

— Sim


Ele fez de novo, continuando a fricção contra a seda úmida de sua calcinha.

— Relaxe, Chanel.

— Eu...

Ele não queria discutir. Queria que se rendesse.



— Atinja o êxtase, Chanel. Você é minha.

Não acostumada a esse nível de prazer, ela desmoronou; seu corpo arqueando-se em uma contorção de prazer, enquanto um gemido agudo soou em sua garganta.

Sim, aquela mulher pertencia a ele. O corpo dela sabia, mesmo que sua mente ainda duvidasse.

Demyan esperou os tremores cessarem, concentrando-se em recuperar o próprio fôlego e a força mental. Quando teve certeza de que poderia fazê-lo sem que os próprios membros perdessem o controle, colocou um braço em seu traseiro e outro nas costas, segurando-a com firmeza.

Ela ergueu a cabeça que estava descansando sobre o ombro dele, seu rosto ainda corado de prazer. Seu olhar acinzentado encontrou o dele.

— O quê... Onde?

— Sua primeira vez não vai acontecer em um sofá, não importa o quão confortável seja.

— Já aconteceu.

Ele balançou a cabeça.

— Isso não foi sexo.

— Mas foi o primeiro orgasmo com outra pessoa.

Talvez esse fato ajudasse a explicar por que ela ainda era virgem.

— Vai ser o primeiro de muitos, prometo.

Chanel engoliu seco, assentindo com entusiasmo.

Ele sorriu.

Como ela permaneceu intocada durante tanto tempo?

Aquela mulher era docemente sensual e cativante, longe de ser socialmente inadequada. Demyan a considerava fascinante.

Contudo, não se incomodava com o fato de ela dar seu corpo para ele e somente ele. Honraria o presente e Chanel não iria se arrepender.

Prometeu a si mesmo, e Demyan nunca quebrou uma promessa. Chanel ainda estava tentando recuperar o fôlego quando Demyan a deitou cuidadosamente sobre a cama, após arrancar as cobertas.

A necessidade sexual irradiava dele como o calor de um reator nuclear. No entanto, não agia com impaciência.

A roupa de cama? Sim Estava jogada no chão.

Mas ela?


Ele estabeleceu um toque suave que desmentia sua óbvia necessidade masculina.

— Eu pretendia esperar. — Demyan tirou o paletó, jogando-o no chão.

— Por quê?

— Parecia a coisa certa a fazer.

— Porque as coisas estão indo rápido entre nós — afirmou Chanel.

Ele afrouxou a gravata e desabotoou os botões superiores da camisa antes de tirar tudo em um movimento rápido.

— Não vamos ficar esperando.

Seu torso era esculpido como o de um homem com força natural. Uma penugem escura cobria seu peito, estreitando-se em um V que desaparecia no cós da calça. Ela queria ver onde terminava essa trilha sensual.

Chanel podia ser virgem, mas não era tímida.

— Você é lindo.

— Homens não são bonitos. — Mas seus olhos sorriram para o elogio.

— A estátua de David é bonita.

— Isso é arte.

— Como você.

Ele balançou a cabeça, as mãos indo em direção ao botão da calça.

— Sou um homem de carne e osso, nunca duvide disso.

A calça deslizou pelas pernas dele, revelando uma cueca boxer preta de malha, que seguia o contorno de cada músculo, principalmente do maior de todos. Sua ereção.

— Você é grande, não é?

— Nunca me comparei com outros homens. — Dito isso, tirou a cueca, sua extensão rígida e inchada à mostra.

— De acordo com estudos científicos, a média do comprimento peniano é 12 a 14 cm quando ereto. — Definitivamente, Demyan era mais longo, a menos que não estivesse enxergando direito.

Como cientista, Chanel conduziu experimentos suficientes para visualizar medidas com precisão.

Ele franziu a testa e parou ao lado da cama, sua ereção balançou com o movimento, curvada para cima, em direção a sua barriga. Isso não era normal também. Ela leu que a maioria ficava erguida de forma perpendicular com uma ligeira inclinação para o lado.

Para Demyan estar curvado para cima, tinha que estar extremamente pronto.

— Como você sabe disso? — perguntou ele com divertimento.

— Eu li. Muito.

— Não pode acreditar em tudo que lê nos romances ucranianos eróticos.

— Claro que não. Li isso em uma revista científica.

Ele deitou-se com ela na cama.

— Temos coisas melhores para fazer do que discutir pesquisas científicas frívolas.

— Não é frívola para as dezenas de milhares de homens que sentem-se inadequados por causa dos supostos comprimentos resultantes de automedição.

— Está dizendo que os homens se medem maiores do que são? — Ele soava entretido agora.

— Não acho que você faria isso.

— Para começar, não mediria a mim mesmo. — Considerava a ideia absolutamente ridícula.

— Eu gostaria de medir você.

— Não.

— Com minha mão.



A ereção dele saltou e foi a vez dela de sorrir.

— Não amole — alertou ele.

— Não estou brincando.

— Está sorrindo.

— Estou muito feliz por você reagir a mim com tanta intensidade. — Tanta que a conversa não diminuiu sua reação visível.

— Você é uma mulher muito sexy. Chanel não pôde deixar de rir da afirmação, mas não o acusou de mentir. Desejo honesto ardia nas profundezas de seus olhos castanhos.

— Está na hora de fazer algo a respeito de sua falta de foco. — Demyan não parecia bravo.

Ela apenas assentiu, querendo mais do que fizeram na sala de estar, mais beijos, mais toques, mais ligação íntima.

— Primeiro, você também precisa ficar nua.

Ela havia tirado os sapatos na sala de estar e não estava usando meia-calça. Não tinha muito para tirar.

Começou a puxar a saia para cima, ele a ajudou, transformando o ato em uma série de carícias sensuais, quando o tecido verde passou pela cabeça; Chanel tremia pela paixão renovada.

Demyan arremessou o vestido para longe.

— Minha mãe ficaria muito aborrecida se o visse tratando as roupas desse jeito.

— Especialmente roupas de estilistas famosos.

— Não há lugar para sua mãe em nosso quarto.

— Não é nosso quarto.

— Você pertence a mim Este quarto pertence a você. Portanto, é nosso.

Ela não conseguiu negar. Havia muita verdade nisso.

Era quase assustador, mas ela não estava com medo.

Na verdade, a parte dela que se sentia sozinha no mundo, desde o casamento da mãe com Perry Saltzman, aqueceu-se com um sentido inexplicável de acolhimento.

— Ela ainda é minha mãe. — Foi tudo que Chanel conseguiu dizer.

— Sempre será, mas as opiniões dela sobre você estão distorcidas pela dor e pela falta de compreensão. Portanto, não têm lugar em nossa vida juntos.

— Não temos uma vida juntos.

Era inconsequente esta conexão instantânea, a afirmação de planejar um futuro com ela. Não era real. Não podia ser.

— Temos. Começa com isto. — Colocou as mãos nas costas dela para soltar o sutiã.

Os mamilos dela, já enrijecidos pela estimulação anterior, contraíram-se ainda mais quando uma corrente de ar frio passou por eles.

— Você tem seios muito sensíveis.

— Mamilos. — Ela não pôde deixar de corrigir. Afinal, não foram seus seios que reagiram.

Ele roçou a ponta dos dedos ao longo da lateral do seio, deslizando para frente, sem tocar o mamilo.

Ela arqueou o corpo na direção dele.

— Muito sensível.

— Você não gosta de estar enganado, não é?

— É uma ocorrência rara.

— Arrogante.

— Seguro.

— É a mesma coisa.

— Não é. — Então, Demyan a beijou impedindo que falasse.

Era uma forma sorrateira para terminar uma conversa, mas ela não se importava. Não quando se sentia tão maravilhosa. Embora apenas seus lábios estivessem ligados, Chanel sentiu como se ele estivesse tocando as profundezas de sua alma.

Ele se afastou, com a respiração ofegante.

— Só resta uma coisa.

— O quê? — perguntou ela, apenas os lábios dele faziam sentido naquele momento.

— Sua calcinha.

Os longos dedos masculinos deslizaram entre os quadris e a seda, puxando a peça de roupa íntima para baixo, expondo o último pedaço dela.

— Não haverá nada entre nós — rosnou ele, como se pudesse ler a mente dela.

Chanel olhou para Demyan e viu que ele não estava falando apenas da roupa.

Na sala de estar, desafiou-a, exigindo que conhecesse o próprio prazer, os próprios desejos.

Pretendia desafiá-la ainda mais agora.

— É apenas sexo — afirmou ela, na tentativa desesperada de acreditar nas próprias palavras.

— Estamos fazendo amor, unindo nossas vidas.

— Isso não é real.

— É muito real.

— Por favor...

Ele colocou a mão no rosto dela, um movimento com o qual ela estava bastante familiarizada e começando a gostar.

— Por favor, o quê?

— Apenas esta noite? Pode ser apenas sobre esta noite?

Ele abaixou a cabeça até que seus lábios quase se encontrassem.

— Não.

Desta vez, Chanel o beijou. Ela não se conteve e ele ficou feliz com isso, assumiu o controle e extraiu dela uma resposta que não poderia ser possível. Não depois de ela ter acabado de chegar ao clímax.



Foi como se estivessem conectados por uma corrente elétrica sintonizada a seus corpos. Demyan cobriu-a com seu grande corpo, sua rigidez acariciando os cachos do ápice sensível, entre as coxas dela, que vibravam na mesma frequência.

O beijo a deixou flutuando, suspendendo-os em uma intimidade sem limites.

Foi além do que ela acreditava que duas pessoas pudessem sentir juntas.

As mãos dele estavam por toda parte, proporcionando-lhe prazer.

Ela também o tocou, mapeando seu corpo com a ponta dos dedos.

Sentiu uma ânsia que a deixou desejando algo desconhecido.

Como se soubesse exatamente o que Chanel precisava, Demyan separou as coxas dela e ajustou seu corpo de modo que a ponta da ereção pressionasse sua abertura. Contudo, não fez nenhum movimento de entrada.

O momento foi tão importante que lágrimas brotaram dos olhos dela, escorrendo pelas têmporas. Ele interrompeu o beijo, levantando a cabeça. Sua expressão era compreensiva.

Demyan enxugou uma lágrima com o dedo.

— Não se trata apenas desta noite.

— Não deveria ser tão importante.

— Você esperou 29 anos, kryxitka.

Ela não era um bebê, mas vindo dele não soava mal.

— Mas as mulheres não esperam mais.

— Você tem suas razões.

— Eu quero isso.

— Eu sei.

— Você também.

— Sim

Comigo — confirmou ela, talvez precisando de um pouco mais de confirmação.



— Apenas você a partir deste momento.

— Você não acredita em infidelidade?

— Muitos homens de negócio acreditam ter o direito de, quando viajam para fora da cidade, deixar o anel de casamento na mesa de cabeceira do hotel.

Pelo menos, fora o que ela havia lido. Honestamente, por pior que Perry fosse com Chanel, não conseguia imaginá-lo traindo sua mãe. Era um dos motivos pelo qual o respeitava, apesar de não gostar dele.

Nunca poderia respeitar um homem que não compreendesse nem aderisse ao verdadeiro significado de lealdade e fidelidade.

— É muito prejudicial para todos os envolvidos. — Havia algo no tom de Demyan que indicava que ele sabia exatamente do que estava falando.

Ela teria perguntado, mas agora só conseguia se concentrar na necessidade de tê-lo dentro de si.

— Está na hora.

— Ainda não.

Raiva inesperada brotou.

— Você não vai ser mandão com isso. Não vou implorar.

— Não quero que você implore esta noite.

— Mas...

Demyan sorriu para ela.

— Você é virgem. Certa preparação fará a diferença entre uma bela experiência e uma que você nunca vai querer lembrar.

— Você faz parecer tão terrível.

— Pode ser.

— Muita experiência com virgens? — perguntou ela com sarcasmo, e talvez com um pouco de ciúmes.

— Esta noite não é o momento para discutir encontros sexuais do passado.

— Não foi o que você disse antes.

Sua mandíbula ficou tensa, mas disse:

— Tudo bem. Ela era jovem. Eu era jovem Foi um desastre.

— Você a amava?

— Nem um pouco.

— Ela amava você?

— Não. — Havia dúvida.

— Você decidiu descobrir como resolver o problema. — Era capaz de vê-lo fazendo isso.

Podia não saber tudo sobre esse homem, mas compreendia muito bem algumas de suas características básicas.

Demyan assentiu, movendo-se para que houvesse espaço para sua mão ficar entre eles. Um único dedo deslizou suavemente ao longo das dobras molhadas.

— Isso é bom — sussurrou Chanel.

— É para ser bom.

O toque subiu, circulando seu clitóris. Foi tão delicioso que ficou ofegante de prazer.

Ele beijou-a e, em seguida, levantou a cabeça.

— Tocar você é um prazer. Você não oculta suas reações.

— Eu deveria?

— Não. — Inquestionavelmente veemente.

— Você é do tipo controlador na cama, não é?

— Proporcionar-lhe prazer exige muita concentração. — Demyan continuou a tocá-la até ela se mover de maneira inquieta embaixo dele.

— Por favor... — Ela nem sabia o que estava pedindo.

Sexo? Talvez, mas o que realmente queria era a resolução da tempestade dentro dela e Chanel não se importava em como conseguiria.

Mesmo assim, ficou chocada quando ele se moveu para baixo; sua intenção era clara. Havia lido sobre isso. Claro que sim. Seu ex-namorado quis fazer isso com ela, mas exigiu que se depilasse antes.

Ela recusou.

Demyan não parecia nem um pouco incomodado com os cachos entre suas pernas, sua língua indo com infalível precisão onde o dedo estava.

Ela gemeu, erguendo os quadris. A boca dele seguiu, sem interromper os movimentos com os lábios e a língua.



Isso era sexo oral? Esse beijo íntimo que a fez sentir-se tão perto de alguém, sem nada com que se envergonhar?

Sempre pensou que ficaria incomodada de ter a boca de um homem lá. Não se recusou a raspar a região porque era uma puritana na época.

Apenas não a incomodava. Nem um pouco.

Era tão bom, tão perfeito.

Os dedos de Demyan voltaram para brincar, desta vez, um deles deslizou para dentro dela, enquanto sua língua rodopiava sobre seu ponto mais sensível. Ele moveu o dedo para dentro e para fora, indo um pouco mais fundo, até apertar suavemente a barreira de seu corpo.

Não doeu, não era muita pressão, mas seria diferente quando ele estivesse dentro dela. Não seria?

Então ele teria que romper a barreira. Com sua ereção mais longa do que a média. É o que precisava acontecer em seguida.

Só que ele parecia não ter lido esse roteiro, porque continuava lambendo, sugando e mordiscando seu clitóris, até deixá-la à beira do clímax. O dedo no interior dela continuou deslizando para dentro e para fora, pressionando um pouco mais forte contra a fina barreira.

A outra mão subiu para brincar com os seios e provocar os mamilos, aumentando em dez vezes as sensações na parte de baixo. Foi incrível. Surpreendente.

E ela sentiu o precipício se aproximando. Não pensou que chegaria ao clímax novamente antes que estivessem unidos, mas não se preocupou com isso. Ele sabia o que estava fazendo e não deixaria acontecer.

Só que ele não pareceu preocupado quando ela avisou que era demais. Demyan apenas renovou seus esforços, sugando mais forte seu clitóris e mordiscando-o suavemente.

Sem aviso, seu corpo estilhaçou-se em pedaços gloriosos de prazer, desta vez tão intenso que ela não teve ar suficiente para gritar. Ele não interrompeu o beijo íntimo, mas suavizou-o, prolongando seu êxtase, enquanto seu dedo pressionava mais insistentemente contra a fina membrana de dentro.

Até que, enquanto ela flutuava em uma nuvem de êxtase sensual, sentiu uma dor aguda e percebeu que ele havia rompido a barreira de seu corpo. Com o dedo.

— O quê? Por quê? — perguntou ela.

— Dói menos. — Ele gentilmente retirou o dedo antes de dar-lhe um beijo suave nos lábios inferiores.

Parecia uma bênção.

Afastou-se dela e pegou em um canto um lençol do chão para enxugar o rosto e as mãos, antes de voltar para a cama.

Demyan puxou o corpo dela contra o seu ainda muito excitado, com uma expressão de satisfação.

— Você é linda em sua paixão, Chanel.

— Nós... Você não vai...

— Oh, sim. Mas somente quando você estiver pronta para chegar ao clímax novamente.

Ela não compreendeu o que ele quis dizer, mas Demyan mostrou a ela depois de abraçá-la e dizer o quão incrível e encantadora era. Em seguida, seu toque e proximidade começaram a extrair dela a necessidade de estar unida a ele.

Quando ele finalmente pressionou dentro dela, Chanel gemeu pela segunda vez naquela noite. Contudo, Demyan não parecia nem um pouco preocupado em machucá-la. Na verdade, a expressão dele era de compreensão sobreposta a satisfação masculina.

Ela não sentiu nem um pingo de inveja.

Podia ter sido um desastre com sua primeira virgem, mas Demyan fez essa iniciação à intimidade incrivelmente boa.

Depois que Chanel começou a se mover contra ele, seu controle libertou-se de suas amarras e a paixão tornou-se ríspida e entusiasmada. Gritou de prazer, mesmo quando o corpo dele esmagou o dela, e o grito de Demyan foi alto o suficiente para fazer seus ouvidos zunirem.

Mais tarde, ele ficou em silêncio, com uma expressão impossível de ler.

— Você vai querer tomar banho.

— Poderíamos tomar banho juntos? — perguntou Chanel.

— Seu banheiro não serve para compartilhar intimidades.

Ela não estava propondo nada, não podia acreditar que ele pensou que tivesse qualquer energia para isso, mas não foi o que disse.

Enquanto estava no banho, tentou repassar o que acontecera, mas não conseguia descobrir por que Demyan se afastara e imaginou se ele estaria lá quando ela saísse.

CAPÍTULO 5

Demyan estava lá, e havia trocado os lençóis da cama.

— Obrigada — disse Chanel, sentindo-se insegura.

— Nós vamos ficar mais confortáveis dormindo em uma cama limpa.

Essa pequena palavra deixou-a revitalizada. Nós. Ele dissera nós.

Antes que ela pudesse fazer algum comentário, ele caminhou em direção ao banheiro.

— Vou tomar um banho agora. Vá deitar.

— Você disse que só era mandão na cama.

Demyan parou na porta do banheiro e olhou para ela por cima do ombro.

— Estamos no quarto.

— Por que não admite que tem síndrome do filho mais velho?

A expressão dele tornou-se sombria, e ela não compreendeu o motivo.

— Anotado.

Ela teria feito uma brincadeira, mas Demyan desapareceu no banheiro.

Chanel não compreendia o que estava acontecendo, mas ele não iria embora. Isso era um bom sinal.

Será que se arrependera das promessas feitas antes do sexo?

Será que pensou que ela o obrigaria a cumpri-las? Não faria isso.

Talvez precisasse dizer isso a ele.

Ela tentou abrir a porta do banheiro, estava trancada.

Certo, então.

Talvez ela só precisasse ir para a cama. Poderiam conversar pela manhã.

Após alguns instantes de deliberação, optou por vestir um pijama.

Ainda estava acordada quando ele voltou.

Contudo, não se deteve antes de puxá-la em seus braços, emitindo um som de

surpresa quando colocou as mãos na roupa dela.

— Por que está vestindo isso?

Por que precisava de uma barreira entre eles, uma armadura, mesmo que fosse seu pijama.

— Por que não? — respondeu ela, em vez de admitir.

— Porque prefiro a pele nua e acho que você também

— Não tenho como saber. Nunca dormi com outra pessoa.

— Talvez seja melhor assim Você ficará muito dolorida amanhã se fizermos amor novamente no meio da noite.

— Oh! — Ele ainda a queria?

Isso era bom, certo?

— Não fique desapontada. Vamos fazer amor novamente. Muitas vezes.

Em termos de promessa para o futuro, poderia viver com essa.

Ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Obrigada por fazer minha primeira vez ser especial.

— Perdi o controle.

Então era isso que o estava incomodando.

— Eu gostei.

— Poderia tê-la machucado.

— Mas não machucou.

— Fico feliz em ouvir isso. — Demyan apagou a luz, mas podia ouvir o sorriso na voz dele.

— Vá dormir.

— Seu desejo é uma ordem.

Ela teria dito algo sarcástico sobre isso, mas sua boca não queria se mover e ela caiu no sono.

Chanel foi surpreendida com a facilidade com que se acostumou a dormir com outra pessoa.

Mas não ao sexo. Não tinha certeza se algum dia ficaria acostumada com o nível de prazer que ela e Demyan encontravam em seus corpos.

Ele era mandão na cama, como havia dito, mas sempre voltado para o prazer dela. Cada ordem, cada recusa de gratificação instantânea tinha como finalidade uma satisfação final esmagadora.

Mas dormir juntos era diferente. Era outro tipo de intimidade.

Ela, que não dormia nem com ursinho de pelúcia, agora achava difícil dormir sem os braços de Demyan em volta dela.

Por isso, estava bocejando enquanto registrava novos dados, apesar de ter tomado três xícaras de café, feitas na nova cafeteira, presente de Demyan.

Ele gostava de presenteá-la com coisas que ela gostava.

Durante sua vida, recebera presentes como uma indireta sutil para se tornar uma pessoa diferente. Roupas de grife em estilo diferente do dela, tênis para incentivá-la a correr, quando estava feliz com seu taekwondo. Acessórios para golf, embora odiasse o esporte; uma raquete de tênis, apesar de nunca ter jogado.

Mas as premissas de Demyan eram diferentes. Todas estavam voltadas para a mulher que ela era, sem a intenção de transformá-la em outra pessoa. Ele tinha a incrível capacidade de acertar suas preferências, mesmo as que nunca compartilhara com Demyan, como seu vício em cafés com sabor e a dificuldade de se fazer uma boa xícara da bebida. Demyan havia deixado Seattle nas primeiras horas da manhã anterior para uma viagem de negócios, Chanel presumiu. Não perguntou o motivo da viagem nem ele a informou.

Só sabia que ficaria fora durante mais duas noites. Mais 48 horas sem ele.

Chanel estava morrendo de saudade, o que não fazia nenhum sentido para seu cérebro científico. Tudo bem, já estavam namorando havia um mês. Fizeram amor e dormiram juntos todas as noites das últimas três semanas.

Ela não sabia se havia sido amor à primeira vista como ele sugeriu três semanas antes, mas estava apaixonada por ele agora.

E isso a assustava mais do que um fim de semana no spa com sua mãe.

— Quanto falta para fechar o negócio? — perguntou Fedir assim que Demyan e ele ficaram sozinhos no escritório do rei.

O primo de Demyan e Gillian retornaram da lua de mel, e a rainha Oxana queria passar um tempo com a família. Isso significava que os mais próximos tinham que ficar no palácio por alguns dias.

Como os próprios pais passaram o resto de suas vidas sem ver Demyan, ele nunca menosprezara o desejo de Oxana de passar esse tempo com a família, embora, nesta ocasião, sua mãe, seu pai e irmãos estivessem no palácio a fim de conhecer melhor a futura rainha, Gillian. Contudo, o pai não fez qualquer esforço para passar algum tempo com Demyan.

Deixando de lado velhas feridas, Demyan respondeu à pergunta do tio:

— Ela está emocionalmente envolvida.

— Quando você vai propor?

— Quando eu voltar.

Fedir assentiu.

— Esperto. Um tempo longe fará com que se sinta vulnerável. Ela vai querer assegurar o vínculo. As mulheres são assim.

Demyan não respondeu. Seu tio era o último homem a quem pediria conselhos sobre mulheres.

— Ela vai assinar o acordo pré-nupcial?

— Sim — Quanto mais Demyan conhecia Chanel, mais percebia que dinheiro não era uma motivação para ela.

Chanel assinaria o acordo de contingência pré-nupcial que os advogados de Fedir haviam elaborado simplesmente porque os termos financeiros não teriam importância para ela.

— Bom.

— Vou querer algumas mudanças antes de apresentá-lo a ela.



Fedir franziu o cenho.

— O quê? Pensei que os advogados tinham feito um bom trabalho cobrindo todas as bases.

— Quero uma pensão mais generosa para Chanel no caso de nosso casamento terminar em divórcio ou com minha morte.

— O quê? Por quê? — O choque de Fedir era quase cômico. — Será que uma mulher finalmente conquistou meu intocável sobrinho?

Claro que seu tio perceberia imediatamente as emoções por trás das ações de Demyan.

— Farei o que for preciso para proteger este país, mas farei com honra — respondeu ele.

— Claro, mas sua integridade não está comprometida por suas ações para garantir o futuro de nosso país.

Demyan não tinha certeza se acreditava nisso. Contudo, minimizaria os danos.

— Os termos serão alterados conforme minhas necessidades ou não pedirei a Chanel que assine o documento.

As ameaças não eram poderosas. O testamento do barão Tanner era claro. Chanel perderia seu direito às ações do barão na Yurkovich Tanner se casasse com qualquer um que tivesse relação direta com o rei.

— E sem um acordo pré-nupcial, não haverá casamento. — acrescentou Demyan.

— Você não está falando sério.

— Já me viu blefar?

Fedir fez cara de carranca.

— Ela é realmente importante para você.

— Minha integridade certamente é. Fedir era um homem cruel. Demyan sabia disso. Conseguia fazer escolhas difíceis, mas também era um homem honesto. E ele não fazia escolhas sem ponderar os custos.

— Um homem tem que fazer sacrifícios para o bem maior.

Demyan encolheu os ombros.

— Entrarei em contato com os advogados para falar sobre as alterações no acordo.

Não discutiria as escolhas de seu tio. O outro homem teria que viver com elas e com suas consequências. Poderia argumentar que todos no palácio também, mas Demyan não era uma criança chorona, reclamando sobre como as decisões de seu tio lhe custaram sua família.

A verdade era que seus próprios pais e sua ambição foram culpados.

— Vou confiar que você será razoável em suas demandas.

— Aprecio isso.

— Demyan, você nunca será rei, mas não é menos meu filho do que Maksim. — Fedir colocou uma das mãos no ombro de Demyan.

— Um filho que você chama de sobrinho.

— Um filho que eu e todos em Volyarus chamam de príncipe.

— Você nunca me adotou. — De acordo com as leis de Volyarus, que o rei poderia mudar se desejasse, adotá-lo tornaria Demyan herdeiro do trono, e não reserva.

Ele compreendia, mas também era fato que, se fosse verdadeiramente um filho para Fedir, seu lugar na sucessão direta não seria um impedimento.

— Seus pais recusaram.

Fedir estava dando a entender que havia pedido?

— Acho difícil acreditar, eles desistiram de mim.

— Você, sendo filho deles legalmente, ajuda nos interesses de seu pai. Eles se recusam a abrir mão disso.

— Puxei minha crueldade dele.

— Mas a honra é sua. Você é um homem melhor que qualquer um de seus pais, o de nascimento e o escolhido. Oxana sente o mesmo. Está muito orgulhosa de ambos os filhos.

Lembrou-se da emoção da rainha quando Demyan avisou que tinha encontrado a pessoa certa.

— Ela não ficaria orgulhosa de mim se soubesse por que estou perseguindo Chanel.

— Você está enganado. Estou muito orgulhosa de você. — Oxana entrou na sala pela passagem secreta. — Colocando o bem-estar do nosso povo e de sua família à frente de sua própria felicidade, como posso não estar orgulhosa?

— Ela é uma mulher especial. Merece um casamento real. — Um sentimento que Demyan só expressaria diante de Oxana.

Ela sacrificou sua vida pelo país e pela família. No entanto, não era uma mulher amarga. Amava a todos. Merecia saber que Demyan não estava brincando com Chanel por causa da herança.

— Então dê isso a ela. — Oxana sorriu em aprovação. — Ela tem muita sorte em tê-lo.

— Não é um pedido razoável — disse Fedir, vigorosamente.

— Para você, todos nós sabemos que é verdade. Mas Demyan é diferente. Melhor, como você mesmo disse.

Fedir fez uma careta para a esposa.

— Ele é nosso filho. Como você pode exigir que sacrifique o resto de sua vida por causa dos sentimentos dessa moça?

— Como você pode exigir que sacrifique sua integridade pessoal para salvar nosso país? — rebateu Oxana.

— Ele não está sendo desonesto.

— Ah, então você contou a Chanel sobre a herança? — perguntou Oxana a Demyan.

Demyan sabia que Oxana não estava falando com ele, por isso apenas assentiu.

— Como sabe disso? — perguntou Fedir a Oxana, chocado.

— Está nos arquivos históricos para qualquer um ler.

— Qualquer um com acesso aos arquivos privados.

— Sou a rainha. Tenho acesso.

Oxana virou-se para Demyan, afastando Fedir da conversa.

— Prometa-me uma coisa.

— Sim — Ele não precisava perguntar o que era. Confiava em Oxana de uma forma que não confiava mais ninguém além de Maks.

— Não diga a essa mulher, Chanel Tanner, que você a ama, a menos que seja verdade. O amor não é uma moeda de troca.

— Ela me ama. — Chanel não havia dito isso, mas Demyan tinha certeza de que o amava.

— Sem dúvida. Você é um homem adorável, mas deve a ela e ao seu senso de honra não mentir sobre algo tão importante.

— Nunca menti para você — intrometeu-se Fedir.

— Nada doeu tanto quanto perceber que Fedir só disse as palavras para me convencer a dar-lhe o herdeiro que ele precisava para o trono.

— Eu amava você. Amo você.

Oxana virou-se para encarar o marido, que não era seu amante.

— Como uma irmã. As poucas vezes que compartilhou minha cama, você gritou o nome dela.

Era muito mais do que Demyan gostaria de saber, mas ele não viu como livrar-se da situação.

— Você sabia sobre Bhodana desde o início.

— Você me disse que me amava. Pensei que iria deixá-la.

— Nunca prometi isso.

— Não, você tomou cuidado para não prometer.

— Oxana.

Ela acenou com a mão, repudiando a ele e suas palavras. Então voltou-se para Demyan.

— Prometa-me que será um homem melhor. Não faça declarações falsas.

— Você tem minha palavra.

— Estou ansiosa para conhecê-la.

— Não pretendo trazê-la aqui antes do casamento.

— Não quer assustá-la.

— Não. — Ao contrário de muitas mulheres, Chanel era a menos provável de se casar com um príncipe. — Tenho tomado muito cuidado para não assustá-la.

— Ela conhece você verdadeiramente? — perguntou Oxana.

Demyan pensou no tempo que passaram na cama. Seu corpo reagiu a Chanel com muita intensidade. Tentou convencer a si mesmo de que aconteceria apenas na primeira vez, mas os encontros subsequentes provaram o contrário.

— Sim — disse Demyan. — Ela pode não perceber, mas conhece.

— Então, tudo ficará bem. Ela vai se casar com o homem que você é, não com o seu título ou com o homem de negócios que comanda as operações da nossa empresa.

Ele esperava que, quando Chanel visse sua verdadeira personalidade e posição, concordasse com sua futura sogra. Esse era o único elemento incerto do plano.

Com outra mulher, talvez, mas com Chanel... O fato de ele ser um verdadeiro príncipe poderia afastá-la.

Chanel era tomada pela ansiedade enquanto a limusine, conduzindo-a até Demyan, rodava pelas ruas de Seattle.

O voo dele chegara naquela manhã, mas tivera o dia repleto de reuniões. Felizmente, avisou antes de ela se oferecer para passar o dia com ele.

Muito necessitada?

Sentira muita falta dele e demonstrar isso talvez não fosse o melhor a fazer. Mesmo alguém socialmente incapaz como Chanel sabia disso.

Eles iriam ao teatro. Sem jantar. A agenda de Demyan não permitia.

Chanel ficou feliz por ele não ter adiado vê-la, mas ele também parecia ansioso para estar com ela.

A antecipação em vê-lo impossibilitou a concentração no trabalho. Chanel acabou tirando a tarde de folga e convidou sua irmã para compras de última hora. Laura ajudou Chanel a escolher uma roupa que, segundo ela, deixaria o cara louco.

A blusa com manga três quartos, azul-safira, era simples. Com um decote arredondado, delineado por uma costura dupla em linha preta, enfatizava suas curvas. A seda semitransparente estava sobre um sutiã da mesma cor.

A calça de seda preta parecia bastante conservadora. Até ela sentar, inclinar-se ou caminhar. Então, a fenda no meio da coxa até o tornozelo abria-se, oferecendo vislumbres intrigantes em sua pele nua.

Chanel nunca usara nada tão revelador, mas Laura insistira que a fenda era interessante e nada vulgar.

Laura quisera ajudar Chanel a se arrumar, adicionando um colar de pérolas com um nó logo abaixo da linha dos seios.

Para completar, sandálias de tiras pretas de salto alto.

Anos atrás, Chanel decidira que Laura estava anos-luz à frente dela no departamento amoroso. Não sabia se a irmã mais nova ainda era virgem e não tinha interesse em saber.

A limusine estacionou e Chanel respirou fundo para se acalmar, o que não adiantou nada.

Resistiu ao impulso de bagunçar os cachos, cuidadosamente modelados, que sua irmã criara, e esperou o motorista abrir a porta.

Não foi a mão do motorista que apareceu para ajudá-la a sair da limusine.

Foi Demyan, seus olhos escuros brilhavam com luxúria.

— Olá, sérdenko. Estou muito feliz em vê-la.

Chanel não fez nenhum esforço para reprimir o sorriso que tomou conta de suas feições quando avançou para sair da limusine. Se ele não estivesse lá com uma mão firme e, depois, um braço em torno da cintura, ela teria caído de cara no chão.

Mas ele estava lá, e parte de seu coração estava começando a acreditar que talvez ele sempre estaria.

Demyan abraçou-a e beijou-a, bem ali, na frente da multidão que entrava no teatro.

O beijo terminou e ele sorriu para ela.

— Você está linda. Muito sexy.

— Laura bancou a estilista.

— Sua irmã mais nova?

— Sim. Ela entende mais de moda que mamãe.

— Diga a ela que eu aprovo.

— Ela disse que aprovaria.

Seu olhar deslizou pelo corpo dela.

— Ainda não sei como me sinto sobre os outros vendo o seu corpo.

— Apenas as pernas.

— Belas pernas.

— É o taekwondo. — A mãe de Chanel ouviu em algum lugar que fazer artes marciais melhoraria a desenvoltura de Chanel.

Não fez muito por sua compostura, mas Chanel adorava as aulas. Ela insistiu em continuar quando sua mãe preferiu que fizesse aulas de dança.

— Então, estou muito grato pelo seu interesse em artes marciais coreanas.

— Você nunca perguntou a cor da minha faixa — observou ela enquanto caminhavam em direção ao teatro.

— Qual é a cor?

— Faixa preta, terceiro nível.

— Sexto nível e faixa preta em judô — rebateu ele.

— Quer lutar? — brincou ela, sem fôlego.

— Eu luto com meu primo. Prefiro atividades físicas menos competitivas com você.

— Eu também

Ele gemeu.

— O quê?


Ele parou no saguão e puxou-a de modo que seus olhares se encontraram.

— Como pode perguntar o quê? Você está vestida de maneira a manter meus pensamentos longe da peça e no que pretendo fazer com você mais tarde.




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