Presidente bossa nova



Baixar 37,02 Kb.
Encontro22.10.2017
Tamanho37,02 Kb.

O governo JK (1954-1964)

Nas eleições de 3 de Outubro de 1955, JK elegeu-se com 36% dos votos válidos, contra 30% de Juarez Távora (UDN), 26% de Ademar de Barros (PSP) e 8% de Plínio Salgado (PRP). Naquela época, as eleições para presidente e vice não eram vinculadas, mas Jango foi o mais votado para vice, recebendo, inclusive, mais votos do que JK e pôde, em 31 de Janeiro de 1956, sentar-se ao lado de seu companheiro de chapa para governar o país.

O estilo de governo de JK uniu a simpatia necessária aos líderes carismáticos e extrema habilidade de negociação, pertinente ao jogo político. Lembrado pelas suas realizações econômicas, incentivou o progresso econômico do país por meio da industrialização. Seu mandato foi marcado por relativa calmaria política. Apesar disso, JK implementou o plano sugerido na plataforma política da campanha presidencial, e esse, teve pleno êxito, pois no curso da gestão governamental a economia brasileira registrou uma taxa de crescimento real de 7% ao ano e a produção industrial cresceu 100%. Em contrapartida, o acelerado processo de industrialização Registrado no período não deixou de acarretar uma série de problemas de longo prazo para a economia brasileira.Abrindo a economia para o capital internacional, atraiu o investimento de grandes empresas.

Foi no governo JK que entraram no país as primeiras multinacionais. Estas indústrias instalaram suas filiais na região sudeste do Brasil, principalmente, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC. Este fato fez aumentar o êxodo rural e a migração de nordestinos e nortistas de suas regiões para as grandes cidades do Sudeste.O governo também realizava investimentos no setor industrial a partir da emissão monetária que ocasionou um agravamento do processo inflacionário, enquanto que a abertura da economia ao capital estrangeiro gerou uma progressiva desnacionalização econômica, porque as empresas estrangeiras passaram a controlar setores industriais estratégicos da economia nacional. Como estratégia econômica JK estabeleceu o Plano

de Metas, cujo objetivo era crescer "cinquenta anos em cinco".
Anos Dourados
Para transformar a nação, JK direcionou seus esforços para a ampliação da indústria brasileira com ênfase na industria de bens de consumo semi-duráveis e duráveis. Nesse sentido, o nacional-desenvolvimentismo de JK utilizou o modelo estadunidense: oferecer a modernidade a classe média, uma versão tropical do "american way of life".

No governo JK foram se popularizando os eletrodomésticos, que prometiam facilitar a vida do lar. Eram de todos os tipos, desde enceradeiras até aspiradores de pó, carros, televisores, o rádio e os toca-discos portáteis e o disco de vinil. Foram criados os objetos de plástico e fibra sintética, além de casas com mobílias com menos adornos.

Enquanto tudo isso se consolidava, os meios de comunicações e de diversões se ampliavam. Eram emissoras de rádios que através das ondas curtas chegavam grande parte do interior do Brasil, revistas como Seleções e O Cruzeiro, jornais, radionovelas, o teatro de revista, programas radiofônicos de musicais e os humorísticos, o radiojornal Repórter Esso e as comédias e as chanchadas da Atlântida Cinematográfica do Rio de Janeiro. O cinema brasileiro teve sua fase dourada, nos anos 1950, com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de São Paulo, e a premiação do filme O Cangaceiro, no exterior, em 1953.

Os teatros, rádios, especialmente a Rádio Nacional, radionovelas, radiojornais, teleteatros e telejornais na televisão que já atingia a maioria das capitais brasileiras, tinham mais audiência que nunca. Em 1958, a música popular brasileira é sucesso no exterior, especialmente a Bossa Nova, criada naquela época, e com sucessos como "Chega de Saudade" de Vinicius de Moraes.


Num contexto de grandes transformações sintetizadas pelo Plano de Metas, o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira inaugurou Brasília em 21 de abril de 1960. A nova capital Brasília surge do trabalho conjunto de JK, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. No esporte, a seleção brasileira de futebol foi campeã na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, o boxeador peso-galo Éder Jofre foi campeão mundial de boxe; Em 1959, a seleção brasileira de basquete masculina foi campeã mundial no Chile e a tenista Maria Esther Bueno venceu os torneios de Wimbledon e o US Open.

Os anos dourados inspiraram o espírito otimista e inovador, consagrando assim o governo de Juscelino Kubitschek.

A Bossa Nova

A Bossa Nova veio para modificar uma cena musical onde ainda imperavam as músicas estadunidenses, os boleros e os samba-canções. A Bossa Nova surgiu, de certa forma, casualmente, como resultado de encontros de jovens da classe média carioca, em apartamentos em Ipanema, Copacabana ou Leblon, onde eles se reuniam em festinhas.  Nestas festas, a música tomava conta e a busca de um som "moderno" passou a ser formulado na nova batida do violão imortalizada por João Gilberto. Nessas festas de apartamento na Zona Sul carioca formou-se a turminha da Bossa Nova, onde se destacaram os nomes de Nara Leão, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli entre outros. Na região da boêmia carioca, mais precisamente no  "Beco das Garrafas" outros músicos formariam a "turmona" da Bossa Nova com João Gilberto, Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Este último, no início dos anos 1960 atuava como pianista e arranjador de grandes artistas ligados ao gênero samba-canção e bolero. Em meados dos anos 1960, a Bossa Nova ganhou o mundo: João Gilberto e Tom Jobim fixaram residência nos Estados Unidos e grande parte dos componentes da "turminha" migrou para os festivais da canção compondo músicas de protesto contra a ditadura militar.


Inspirado nos movimentos artísticos e culturais da época (como a Bossa Nova) o presidente assumiu o compromisso de transformar o Brasil: torná-lo moderno.
1- JK - jingle da campanha (1954)
Esse é o jingle da campanha vitoriosa de Juscelino Kubitschek em 1955.A canção possui um conteúdo associado às políticas populistas típicas desse período e a música se aproxima das marchinhas de carnaval. A letra é à moda da época, ressalta o nacionalismo de JK e a sua ligação com o povo. Pensando bem, à moda de toda época.

Gigante pela própria natureza
há 400 anos a dormir
são 21 estados, são teus filhos a chamar
agora vem lutar, vamos trabalhar.

Queremos demonstrar ao mundo inteiro


e a todos que nos querem dominar
que o Brasil pertence aos brasileiros,
e um homem vai surgir para trabalhar.

Aparece como estrela radiosa


neste céu azul de anil
o seu nome é uma bandeira gloriosa
pra salvar este Brasil.

Juscelino Kubitschek é o homem


vem de Minas das bateias do sertão
Juscelino, Juscelino é o homem
Que além de patriota é nosso irmão.

Brasil, vamos para as urnas


Povo democrata, gente varonil
Juscelino, Juscelino, Juscelino,
Para presidente do Brasil!”

2- Presidente bossa nova (1959)


Autor: Juca Chavez
Intérprete: Juca Chavez
Gênero: Modinha
A modinha retrata bem o clima dos anos JK e o estilo moderno, descontraído e simpático de Juscelino Kubitschek na Presidência da República (1955-1960), um intermezzo de distensão política entre o dramático governo de Getúlio Vargas, que encerrou-se com seu suicídio, e os tempos tresloucados de Jânio Quadros, que levariam à sua renúncia e quase jogariam o país na guerra civil.

Juca Chaves goza a mania de voar de Juscelino, especialmente as viagens freqüentes entre o Rio, a Velhacap, e Brasília, a nova capital do país que se construía no cerrado; critica o uso da máquina pública na prestação de serviços a um parente do presidente; e mostra com bom humor o marketing do presidente para parecer sintonizado com o Brasil que se modernizava rapidamente, seja ao receber em palácio a tenista Maria Ester Bueno, campeã do torneio de Wimbledon, na Inglaterra, seja ao tomar aulas com o grande Dilermando Reis, um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.



"Bossa nova mesmo é ser presidente
Desta terra descoberta por Cabral.
Para tanto basta ser tão simplesmente
Simpático, risonho, original.
E depois desfrutar da maravilha
De ser o presidente do Brasil.
Voar da Velhacap pra Brasília,
Ver a alvorada e voar de volta ao Rio.

Voar, voar, voar
Voar, voar pra bem distante
Até Versailles, onde duas mineirinhas,
Valsinhas dançam como debutantes
Interessante.

Mandar parente a jato pro dentista
Almoçar com tenista campeã
Também poder ser um bom artista,
Exclusivista,
Tomando com o Dilermando
Umas aulinhas de violão.
Isso é viver como se aprova
É ser um presidente bossa nova,
Bossa nova, muito nova
Nova mesmo, ultranova".

3 - Chega de saudade (1959)


Autor: Tom Jobim e Vinicius de Morais
Intérprete: João Gilberto
Gênero: Bossa Nova
A Bossa Nova foi um movimento musical que ficou associado ao crescimento urbano brasileiro - impulsionado pela fase desenvolvimentista da presidência de Juscelino Kubitschek (1955-1960) -,

O samba "chega de saudade" é considerado o marco zero da bossa nova. Apesar do nascimento do gênero ser contabilizado em 1958, com a gravação do violonista e cantor baiano João Gilberto na Odeon, na verdade a gênese é do ano anterior. Em 1957, Tom Jobim produziu para o selo Festa o disco Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, que trazia apenas parcerias dele com o poeta Vinicius de Moraes. Entre os temas estava "Chega de Saudade".

No arranjo, Jobim já dava as linhas mestras do que viria a ser a "batida da bossa" e em meio ao grandioso arranjo de orquestra já ponteava o violão de João Gilberto. Mesmo com "Chega de Saudade" figurando em Canção do Amor Demais, a bossa nova estabeleceu seus contornos definitivos a partir do disco de João Gilberto.

Os sambas-canção lacrimosos davam lugar a versos que falavam de "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim". As vozes poderosas de Vicente Celestino ou Silvio Caldas encontravam concorrência nos quase sussurros de João. E havia a incontestavelmente revolucionária batida do violão do baiano, que mesclava marcação rítmica inovadora e preceitos jazzísticos. Alguns pesquisadores alegam que essa batida teria sido inspirada na do norte-americano Barney Kessel ao acompanhar a cantora Julie London na gravação de "Cry Me a River" em 1956. Há similaridades, é fato, mas João Gilberto imprimiu suingue próprio ao tema, por isso é considerado o papa do movimento. Entre os muitos intérpretes que gravaram "Chega de Saudade" estão o próprio Tom Jobim, Rosa Passos, Stan Getz, Toninho Horta, Joe Henderson e César Camargo Mariano.


Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer


Chega de saudade
A realidade é que sem ela não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai


Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca


Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim


Não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai


Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim


Não quero mais esse negócio de você longe de mim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

4- Varre, varre vassourinha (1960)


Gênero: Jingle
A vassoura foi o símbolo de campanha de Jânio Quadros, que foi eleito em 1960 presidente da República prometendo varrer a corrupção no Brasil. Renunciaria sete meses depois de empossado.

Este talvez tenha sido um dos jingles eleitorais de maior sucesso no Brasil em todos os tempos. Apelando para a vassoura, que iria varrer a corrupção do país, Jânio enfrentou o marechal Lott, cujo símbolo era a espada, e chegou ao Palácio do Planalto. Durou apenas sete meses no cargo, renunciando inexplicavelmente ao mandato presidencial e deixando o país à beira da guerra civil




"Varre, varre, varre, varre,
Varre, varre vassourinha,
Varre, varre a bandalheira
Que o povo já está cansado
De sofrer dessa maneira
Jânio Quadros é esperança
Desse povo abandonado"

Jânio Quadros é a certeza


De um Brasil moralizado
Alerta, meu irmão
Vassoura, conterrâneo
Vamos vencer com Jânio


5-Jingle da campanha de João Goulart para vice (1960)

Talvez o jingle de maior sucesso da campanha de 1960 tenha sido o do vice-presidente João Goulart, que tentava a reeleição. Inventou até um verbo que pegou: “jangar” - votar em Jango, apelido de Goulart. Como naquela época, o eleitor votava separadamente para presidente e para vice, pegou fogo a disputa entre Jango, Milton Campos (apoiado pela UDN) e Fernando Ferrari (dissidente do PTB, lançado pelo Movimento Trabalhista Renovador).

Embora o PTB e os partidos de esquerda tenham sido derrotados na eleição para presidente, com a vitória de Jânio sobre Lott, venceram a briga pela vice. Jango obteve 4 milhões 547 mil votos, contra 4 milhões 237 mil dados a Milton Campos e 2 milhões 137 mil a Ferrari.

A letra do jingle de Jango diz:



“Na hora de votar,
O meu Rio Grande vai jangar:
É Jango, é Jango, é o Jango Goulart.
Pra vice-presidente,
Nossa gente vai jangar
É Jango, Jango, é o João Goulart”

A referência ao Rio Grande explica-se: este arquivo de áudio refere-se ao jingle tocado nas rádios gaúchas. O versos variava conforme o estado. Na versão nacional, aparecia como “o brasileiro vai votar”.

6 - Hino da Legalidade (1961)


Autor: Paulo César Pereio e Lara de Lemos
Gênero: Hino

Este hino abria as transmissões da Cadeia da Legalidade, formada a partir de uma emissora que funcionava no próprio Palácio Piratini, que convocava o povo a resistir ao golpe militar contra a posse de Goulart.

“Avante brasileiros de pé,
Unidos pela liberdade,
Marchemos todos juntos com a bandeira

Que prega a igualdade

Protesta contra o tirano
Recusa a traição
Que um povo só é bem grande
Se for livre sua Nação”.

7-Samba da Legalidade (1961)


Autor: Zé Kéti e Carlos Lyra
Intérprete: Emílio Santiago e Dorival Caymmi
Gênero: Samba

A Campanha da Legalidade logo deu o mote para outras músicas, como este samba de Zé Kéti e Carlos Lyra, que, nos anos seguintes, se destacariam como compositores engajados – como se dizia na época.

Dentro da legalidade


Dentro da honestidade
Ninguém tira o meu direito
Quando querem anarquia
Ele mima teimosia
Mostrando todo defeito
Se o samba está errado
Eu não vou ficar calado
Consertando a melodia
Sou poeta popular
Dentro da honestidade
Ninguém pode me calar
Eu não sou politiqueiro
Meu negócio é um pandeiro
Dentro da legalidade
Sou poeta popular
Dentro da legalidade
Ninguém pode me calar

8 - Canção do subdesenvolvido (1962)


Autor: Carlos Lyra e Francisco de Assis
Intérprete: CPC da UNE

Em 1962, sob impulso da luta pelas reformas de base que ganhava corpo no governo João Goulart, estudantes e intelectuais de esquerda fundaram o Centro Popular de Cultura (CPC) da União Nacional do Estudantes, que logo se transformaria num dos mais fecundos pólos de agitação cultural do país: produziu filmes, como “Cinco vezes favela”, que reunu nomes como Leon Hirzman, Marcos Farias, Cacá Diegues, Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Eduardo Coutinho, Ruy Guerra e Nelson Pereira dos Santos; encenou peças de teatro, como o “Auto dos 99%”, escrita por Oduvaldo Viana Filho, Armando Costa, Carlos Estevam Martins, Cecil Thiré e Marco Aurélio Garcia; editou livros, como “Violão de rua”; montou shows pelo país; e gravou o disco “O povo canta”, com cinco músicas compostas, entre outros, por Carlos Lyra, Francisco de Assis e Billy Blanco.



No compacto, destacava-se a “Canção do Subdesenvolvido”, composição bem humorada e debochada que criticava a dependência cultural, política e econômica do país desde o Descobrimento. A música fez enorme sucesso entre os jovens da época, sendo censurada depois do golpe de 64.

“O Brasil é uma terra de amores,
Alcatifada de flores,
Onde a brisa fala amores,
Nas lindas tardes de abril.
Correi pras bandas do Sul.
Debaixo de um céu de anil,
Encontrareis um gigante deitado:
Santa Cruz, hoje o Brasil.

Mas um dia o gigante despertou (ooaahhh!).
Deixou de ser gigante adormecido.
E dele um anão se levantou.
Era um país subdesenvolvido
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido (bis)

E passado o período colonial,
O país passou a ser um bom quintal.
E depois de dada a conta a Portugal
Instalou-se o latifúndio nacional .. (Ai)
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

Então o bravo brasileiro (iehéé),
Em perigos e guerras esforçados (iehéé),
Mais que prometia a força humana
Plantou couve, colheu banana.
Bravo esforço do povo brasileiro
Mandou vir capital lá do estrangeiro.
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

As nações do mundo para cá mandaram
Seus capitais tão desinteressados.
As nações coitadas só queriam ajudar, não é?
Aquela ilha velha não roubou ninguém,
País de poucas terras só nos fez um bem
Um Big Ben
Um big ben , bom, bem, bom
Nos deu luz (ah)
Tirou ouro (oh)
Nos deu trem (ah)
Mas levou o nosso tesouro
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

Mas data houve em que se acabaram os tempos duros e sofridos
Porque um dia aqui chegaram os capitais dos países amigos.
País amigo, desenvolvido,
País amigo, país amigo,
Amigo do subdesenvolvido
País amigo, país amigo.
E os nossos amigos americanos
Com muita fé, com muita fé,
Nos deram dinheiro e nos plantamos
Só café, só café.
É uma terra em que se plantando tudo dá.
Pode-se plantar tudo que quiser
Mas eles resolveram que nos devíamos plantar
Só café, só café

Bento que bento o frade, frade.
Na boca do forno, forno.
Tirai um bolo, bolo
Fareis tudo que seu mestre mandar?
Faremos todos, faremos todos, faremos todos.
Começaram a nos vender e nos comprar.
Comprar borracha, vender pneu.
Comprar minério, vender navio.
Pra nossa vela, vender pavio.
Só mandaram o que sobrou de lá:
Matéria plástica, que entusiástica,
Que coisa elástica, que coisa drástica,
Rock balada, filme de mocinho,
Ar refrigerado e chiclete de bola (pop)
E coca cola.
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

O povo brasileiro tem personalidade.
Não se impressiona com facilidade
Embora pense como americano
“Uuuuuuu, I’m going to kill that indian before he kills me (pinim...)
Embora dance como americano
Ta-ta-ta-ta, ta-ta-ta-ta
Embora cante como americano
Eh boi, lá, lá, lá,
Eh roçado bão, lá, lá, lá,
O melhor do meu sertão, lá, lá, lá
Comeram o boi.

O povo brasileiro, embora pense, cante e dance como americano
Não come como americano,
Não bebe como americano,
Vive menos, sofre mais
Isso é muito importante
Muito mais do que importante
Pois difere o brasileiro dos demais
Personalidade, personalidade, personalidade sem igual,
Porém,
Subdesenvolvida, subdesenvolvida,
Essa é que é a vida nacional.”

9 - Mas que nada (1963)
Autor: Jorge Bem Jor

Intérprete: Sérgio Mendes

Gênero: Bossa Nova
A música mas que nada foi composta por Jorge Ben Jor em 1963 e gravada por Sérgio Mendes (músico e compositor brasileiro radicado nos Estados Unidos desde 1964). A gravação da canção mencionada rendeu ao artista sucesso instantâneo. Mendes permaneceu nos Estados Unidos e em 2007 voltou a vivenciar o sucesso com a regravação da música com a banda pop Black Eyes Peas.
Mas que nada
Sai da minha frente
Eu quero passar
Pois o samba está animado
O que eu quero é sambar
Esse samba
Que é misto de maracatu
É samba de preto velho
Samba de preto tú

Mas que nada
Um samba como este tão legal
Você não vai querer
Que eu chegue no final

O ariá raió


Obá obá obá

10- Sinfonia do Alvorada (1966)

Autores: Tom Jobim e Vinicius de Morais

A Sinfonia da Alvorada, que mais tarde ficou sendo conhecida como Sinfonia de Brasília, foi encomendada a Vinicius e Tom pelo presidente Juscelino Kubitschek desde fevereiro de 1958, mas o trabalho da dupla foi adiado por causa de protestos contra a contrução da cidade, originados principalmente nas áreas de oposição ao governo.Mais tarde, Juscelino reiterou o convite através do arquiteto Oscar Niemeyer, que transmitiu a Vinicius a vontade do presidente de ter a Sinfonia pronta antes de 21 de abril de 1960, dia marcado para a mudança da capital. A convite de Juscelino, Tom e Vinicius passaram uma temporada em Brasília, para conhecer o local onde a cidade estava sendo construída.Mas Brasília foi inaugurada sem a Sinfonia, e apenas em 1966 ela seria apresentada pela primeira vez ao grande público na rede de TV Excelsior em São Paulo.



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal