Pr. Abram de Graaf



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-O primeiro milagre de Jesus-

Pr. Abram de Graaf



Texto: João 2, 1-11

L.
Queridos irmãos em Cristo Jesus,
Imagine que haja uma grande festa! Um casamento. O casal é crente e os convidados também. No meio da festa aparece também o pastor da igreja e ele trouxe um presente para o casal: 800 garrafas de vinho! Um vinho excelente! 800 garrafas de vinho! Não para guardar, mas para beber! Imagine que você fosse um dos convidados! O que diria, observando isso? 800 garrafas de vinho! O pastor é bom ou ele é doido? O que o povo ia dizer? O povo elogiaria o pastor ou falaria mal dele?
Com certeza os crentes das igrejas pentecostais criticariam tal pastor, dizendo que ele não é um verdadeiro pastor, mas um bebedor de vinho. Eles reagiriam da mesma maneira como os fariseus que criticaram Jesus, dizendo (Luc. 8,34): “aí um glutão e bebedor de vinho!”.
Esse exemplo já mostra um dos problemas que a história do milagre no casamento em Caná causou. Existem pessoas que gostam dessa história e acham-na muito bonita; mas outras têm dificuldades com essa história e não entendem porque Jesus fez esse milagre.
No primeiro lugar devemos nos perguntar por que João nos contou essa história? Qual foi o objetivo dele? João falou sobre isso no final do seu livro: Capitulo 20, 31-32. Lá ele disse: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muito outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creais que Jesus é O CRISTO, O FILHO DE DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”
Os discípulos seguiram Jesus e começaram a conhecê-lo. Como homem, mas também como FILHO DE DEUS. Eles ouviram as palavras de Jesus e observaram os milagres e ficavam impressionados.
E o primeiro milagre aconteceu durante um casamento. João se lembra bem. Foi em Caná da Galiléia. Galiléia é a região, que está no norte de Israel e Caná é um engenho no interior de Galiléia. Cristo começou o seu trabalho num lugarzinho desconhecido, num canto perdido de Israel.
Prestem atenção nisso, irmãos! Porque isso é um pouco anormal. Faz três dias que Jesus foi ungido pelo Espírito Santo; Ele foi ordenado como Servo de Deus; Ele está com uma agenda cheia: ele tem que pregar o evangelho no país inteiro; ele tem que curar muitos doentes; ele tem que limpar o Templo; Poderíamos esperar que Jesus fosse imediatamente para Jerusalém, a capital, o centro do país, para fazer o seu primeiro milagre ali. Quem quer chamar atenção, buscará as grandes cidades para chamar a atenção das multidões; Os grandes políticos começam a sua campanha na capital do estado e não num canto perdido onde moram poucas pessoas.
Mas Jesus é diferente. Ele é humilde. Ele não busca o centro da atenção; ele não veio para buscar a atenção dos líderes religiosos e dos governadores, mas ele veio para visitar o povo e por causa disso ele começou o seu trabalho longe de Jerusalém, num lugar perdido, em Caná de Galiléia. Um pequeno povoado onde moram poucas pessoas.
E fazendo isso, Jesus nos manda uma pequena mensagem sem dizer nada. Jesus nos mostra que ele veio para servir e não para ser servido; Jesus não buscou os primeiros lugares dos líderes religiosos ou o trono dos governadores, mas ele veio para servir o povo: as pessoas que vivem do seu salário mínimo; as pessoas simples e pobres. Por causa disso ele começou o seu trabalho num dia normal, num lugar perdido no norte de Israel, longe da capital, num engenho; num casamento simples; com pessoas simples, como eu e vocês.
Assim Ele nos mostra alguma coisa da glória divina. Deus é assim. A glória de Deus é para os humildes. Neste caso: os humildes que moram em Caná de Galiléia; Mas também para todos os humildes que se encontram em outros lugares neste mundo, como nós aqui.
João se lembrou também que a mãe de Jesus estava presente e os seus irmãos e também Jesus foi convidado com os seus discípulos. Nós não sabemos quem era o casal. Pode ser que João os não conhecia; mas também: isso não é importante. O noivo e a noiva ficam anônimos. Normalmente eles são as pessoas mais importantes no dia do seu casamento, mas dessa vez não é assim. João não quer falar sobre o casamento deles, mas sobre o milagre que aconteceu no casamento deles. Esse milagre merece toda a nossa atenção!
Então, o que aconteceu? Num certo momento, durante a festa, Maria, a mãe de Jesus, se aproximou e disse: eles não têm mais vinho. Só isso e mais nada. O vinho acabou. Nós não sabemos o que aconteceu e por que o vinho acabou. Pode ser que o casal era pobre e não comprou bastante vinho; pode ser que houve mais visitantes do que tinham convidados; Em todo caso: o vinho acabou! E isso significa um problema. A conseqüência seria que a festa deveria terminar.
Com certeza existem irmãs aqui, que diriam: como é? Eles não podiam beber água ou outra coisa? Bom, com certeza eles não conheciam refrigerantes naquela época e provavelmente não tinham o fenômeno ‘suco’ como nós temos aqui no Brasil. Água era uma coisa rara. Nem toda casa tinha um poço, muitas vezes as casas tinham uma cisterna para guardar a água da chuva. A qualidade dessa água não era muita boa; e muitas vezes já servia para a limpeza e purificação. A situação é assim aqui. A água serve para se purificar de acordo com os mandamentos de Deus. Então, em geral o povo bebia vinho. Este vinho era vinha mesmo. Vinho com álcool. Assim eles podiam guardar o vinho por muito tempo. O suco de uva quase não existia naquela época, porque depois pouco tempo o suco de uva começa a fermentar e a formar álcool. O vinho era com álcool e por causa disso existem muitos textos no Antigo testamento, que avisam contra o uso abundante de vinho. Isso é somente necessário se o vinho está com álcool. Então a bebida normal era vinho. Jesus e os seus discípulos tomaram vinho. E no momento que não há mais vinho, o casal tem um problema sério, porque não tem outras coisas para beber.
Imagine essa situação: o dia do seu casamento. A festa mais bonita da sua vida... com toda família... com todos os seus amigos, colegas e vizinhos. Todo mundo está presente... mas não há nada para beber!! Não pode oferecer nada aos convidados. Que vergonha para o casal que organizou a festa! Não pode oferecer nenhuma bebida aos seus amigos. Isso é um pesadelo. Isso é o pior que pode acontecer num casamento.
Sentimos essa vergonha quando Maria se aproxima a Jesus e cochichou: eles não têm mais vinho! Maria estava preocupada. Ela entendeu o problema e queria ajudar. Muitas pessoas se perguntaram, porque Maria procurou Jesus. Será que ela estava esperando um milagre? Mas baseado em que? Jesus não fez milagres anteriormente. Esse seria o primeiro milagre! Ou será que ela achou que Jesus e os seus discípulos poderiam ajudar? Comprar um tonel de vinho? Nós não sabemos qual foi o motivo de Maria, mas em todo caso ela esperava que Jesus daria uma solução para este problema.
E Jesus sentiu isso, porque ele logo reagiu e disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora! A reação de Jesus é um pouco formal. Não parece uma conversa entre um filho e a sua mãe. Jesus criou uma distância. Ele deixou claro que os laços familiares não influenciam a sua agenda. Ele não age, porque a sua mãe o mandou. É bom observar isso, irmãos. Especialmente nesse país onde as pessoas oram para Maria, pensando que ela pode manipular a agenda de Jesus. A agenda de Jesus não é feita por Maria, mas por Deus. Por causa disso Jesus disse: Ainda não é chegada a minha hora!
Jesus tem uma agenda. A agenda dele é definida de hora à hora. É o Pai dele, que lhe revelou a hora para mostrar a Sua glória. Encontramos isso mais vezes neste livro. Várias vezes Jesus disse que a sua hora ainda não chegou. Ele devia esperar os momentos certos, que o seu Pai tinha definido de antemão. A hora do Pai celestial é decisiva, não a vontade de Maria.
Apesar disso podemos notar que Maria sentiu que acontecerá alguma coisa. Ela não sabe o que vai acontecer, nem o momento em que acontecerá, mas ela tem confiança que alguma coisa vai acontecer e por causa disso ela disse aos servos: Fazei tudo o que ele vos disser. Humildemente, ela apóia a obra do seu filho. Ela preparou os servos para o milagre. O que ia acontecer, ela não sabia.
João contou a história como se fosse um filme, porque naquele momento a atenção dele pulou de Maria para as seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificações; cada uma levava duas ou três metretas. Então, essas talhas são grandes, irmãos! Uma metreta é mais ou menos 40 litros! Então, duas ou três metretas é mais ou menos 100 litros. Quer dizer: ali estavam 6 talhas de pedra com uma capacidade de ter 100 litros cada uma. Um total de seiscentos litros. Quer dizer uma grande caixa d’água.
Como já disse: essa água não era para beber, mas para se lavar e se purificar. Essa purificação foi obrigatória de acordo com a lei do Senhor. O Senhor deu ao povo as suas leis da purificação. Essas leis disseram quando o povo devia se purificar e como. Essas leis serviam para ensinar o povo que eles deviam se apresentar puro perante Deus. O povo devia se purificar: interiormente, mas também exteriormente. Exteriormente eles deviam se purificar da sujeira e de todas as coisas impuras, e interiormente eles deviam se purificar do pecado. Essas regulações serviam para ter uma festa santa perante Deus. E se tivesse uma grande festa, eles precisavam de muita água para que os convidados pudessem cumprir as exigências da lei. O casal cuidara disso. Eles queriam um casamento santo: junto com o Senhor, de acordo com os seus mandamentos.
Então parece que a grande maioria dos convidados já chegou e se purificou, porque Jesus mandou os servos a encher as talhas DE NOVO. Quer dizer: as talhas estavam cheias no início da festa, mas os convidados usaram toda água e agora Jesus lhes mandou encher as talhas e eles as encheram totalmente. E quando terminaram de fazer isso, Jesus lhes disse: Tirai agora e levai ao mestre da sala. Eles o fizeram. Tendo o mestre-sala provado a água ele sentiu um vinho excelente na sua boca. A água foi transformada em vinho. Seiscentos litros de água se tornaram seiscentos litros de vinho de primeira classe. Seiscentos litros de vinho são mais ou menos oitocentas garrafas hoje em dia. Um presente de mais ou menos R$ 4000,=!
Mas não é somente o tamanho do milagre que impressiona, mas também o caráter do milagre. Quem pode transformar um copo de água em um copo de vinho? Ninguém consegue fazer isso. Um mágico pode fazer um truque para enganar o seu público, mas ele não consegue transformar água em vinho. Nenhum homem consegue fazer isso. Só Deus.
E aqui está o FILHO de Deus. Ele tem o mesmo poder.

O Diabo já apontou esse poder no deserto, quando Jesus estava com fome. O Diabo disse naquele momento (Mt. 4,3): Se és filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Pedras em pães. Com certeza O filho de Deus pode fazer isso, mas ele não fez naquele momento, porque não podia usar o seu poder divino para si mesmo, mas sim para a glória de Deus e por amor ao seu próximo. Por causa disso ele não transformou pedras em pão; mas ele pode transformar a água em vinho para mostrar a glória de Deus e seu amor ao próximo. E pelo mesmo motivo ele providenciará pão e peixe para 5000 pessoas. Mais uma vez um grande milagre.


Os milagres têm um caráter anormal e por causa disso é difícil para acreditar. A mente rejeita o milagre, mas atrai o coração; muitas pessoas não acreditam no milagre, mas outros são atraídos. O milagre serve para os crentes e não para os cientistas. Deus revelou a glória divina em Jesus. A glória como do unigênito do Pai, disse João em Capítulo 1,14. Tal Pai, tal Filho. Deus Pai criou todas as coisas, mas ele deu este poder ao seu Filho. Jesus nos mostrou que ele é o Filho do Criador dessa terra.
O Criador, que criou também o homem e a mulher. Deus os uniu no casamento. O Filho não é contra o casamento. Ao contrario. Ele cuida do casamento. Ele transforma o casamento numa festa. Aqui também Jesus honrou o casamento. Ele transformou este casamento numa festa. Ele deu um presente excelente, que salvou a festa.
É interessante observar que Jesus não agiu como um pastor pentecostal, que proíbe o uso de vinho. Jesus não é anti-álcool. Jesus também não é contra uma festa. Ao contrario. Jesus quer que a festa seja santa e que a festa continue. Ele esperou até o momento que as talhas estavam vazias; ele deu a oportunidade aos convidados a se purificar de acordo com a lei de Deus. Uma festa santa perante Deus; e depois disso ele dá uma abundancia de vinho excelente para que a festa continuasse. Muitas pessoas têm dificuldades com isso. Imagine: como será? Deus na sua festa? Será um pastor sério com um copo de leite na sua mão conversando. O Filho de Deus não era assim. Ele deu um bom vinho e provavelmente tomou um copo de vinho. Ele participou completamente e transformou esse casamento numa festa inesquecível.
Jesus nos mostrou que ele conhecia a vida humana. Ele não tem uma separação entre doutrina e vida. Ele não veio para pregar, e pregar e pregar. Ele não veio com dedo levantado avisando as pessoas contra o pecado. Ele veio para ajudar as pessoas na sua miséria. Não somente com palavras, mas também com atos. E esses atos transformam a vida das pessoas. Cristo amava as pessoas. Ele deu atenção as suas necessidades; Ele deu comida a cinco mil pessoas que estavam com fome; ele curou pessoas; ele tinha compaixão. E da mesma maneira ele ajudou o casal em Caná. Ele resolveu o problema deles.
Apesar disso, ainda existem pessoas que tem dificuldades com essa história. Elas chamam esse milagre um milagre luxuoso. Elas dizem: comer é necessário; saúde também. Mas a falta de vinho é importante? Muitas pessoas diriam: o vinho acabou, então vai para a torneira; pode beber água. Não precisa do vinho se estiver com sede. Tome água! Tem bastante. Seiscentos litros!
Pois é, irmãos. E exatamente por causa disso, esse milagre chama a nossa atenção. Se Cristo fosse um Pentecostal, ele nunca teria feito esse milagre. Mas Cristo não é um Pentecostal. De jeito nenhum. Jesus não veio para perturbar a festa, mas para salvar a festa. Ele veio para tornar a nossa vida numa festa. Por causa disso, ele fez esse milagre; por causa disso ele deu um presente real; 800 garrafas de vinho de primeira qualidade.
Assim é o estilo messiânico do Filho de Deus. Ele fez isso mais vezes: pensem no milagre da pesca maravilhosa: os discípulos receberam uma abundancia de peixe; pensem no milagre com os pães; cinco mil pessoas receberam uma abundancia de comida. Jesus é assim. Um presente diz alguma coisa sobre o dono. Esse presente também! Seiscentos litros de vinho excelente. Assim reconhecemos o Filho de Deus. Ele é generoso e abundante. Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém. Tudo pertence ao Senhor e Ele divide com generosidade, de acordo com a necessidade.
Aqui também. Jesus providenciou bastante vinho para que todo mundo pudesse se alegrar. Cristo cuidou da festa. A festa podia continuar. Ele nos ensina que podemos ter uma festa, mas ele nos ensina também que a nossa festa deve ser santa; uma festa que serve também para glorificar o nome do Senhor. Existem outros lugares em que Jesus nos avisa contra o abuso de álcool; muitas festas se transformam numa tragédia porque as pessoas não se purificaram antes da festa; elas vêm para beber e se enchem com vinho.
Cristo cuidou da festa; ele providenciou vinho. A festa pode continuar. Cristo transforma a nossa vida numa festa. Perto dele a vida se torna uma festa; Podemos observar uma linha no evangelho de João. Este livro começou com João Batista que apontou Jesus como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo; hoje ouvimos sobre o mesmo Cordeiro de Deus, que transformou esse casamento numa festa. Essa festa é o prelúdio de um outro casamento; O casamento do Cordeiro, quando Jesus junto conosco beberá de novo o fruto da videira no reino do seu Pai! Essa festa nunca terminará. Ficaremos embriagados de alegria eterna! Amém!
Cântico: Fonte da celeste vida.



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