Plano de aula (aula 01 10/08/2010 e aula 02 – 16/08/2010)



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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ

PLANO DE AULA (aula - 01 - 10/08/2010 e aula - 02 – 16/08/2010)

Curso: Design

Disciplina: Metodologia Científica

Professora mestre: Marineide Pereira de Almeida



UNIDADE I: Conceito e concepção de ciência. Conceituação de metodologia científica


    1. Teoria do conhecimento

    2. Metodologia científica: conceito, importância e objetivos

    3. Ciência: conceituação, princípios e leis gerais; e

    4. As normas da ABNT


Conhecimentos não-científicos: foi durante muito tempo tido como o único tipo de conhecimento válido. A frase “isso não é científico” virou sinônimo de “isso não é verdadeiro.

Alguns filósofos tentam rever a necessidade de valorizar os mais variados tipos de conhecimentos – já que são complementares ao científico.

Exemplo: Edgar Morin – importante pensador de nossa época – obras: área de educação, metodologia e comunicação, é um dos mais severos críticos da supervalorização da ciência e de sua compartimentação em disciplinas estanques. Na verdade busca-se demonstrar que todos os tipos de conhecimentos são válidos, todos são importantes.

Tipos de conhecimentos

Conhecimento empírico: é chamado de vulgar ou empírico. É o conhecimento que nasce da observação diária dos fatos. O ser humano observa relações de causa e conseqüências, aquilo que os semióticos chamam de índice. Se há uma poça no chão, é por que choveu e há uma goteira no teto.

Observando essas relações de causa e conseqüências, o homem vai criando um conhecimento que lhe permite fazer diversas atividades diárias. Esse conhecimento é não sistemático, assim como sua transmissão.

O homem comum não faz diversas experiências com vários tipos de materiais. Esse conhecimento não procura investigar os porquês dos fatos. O homem comum sabe que o arroz com o sal saia facilmente do saleiro, mas não sabe por quê. Não sabe que o arroz tira a umidade do ar e que o atrito com os grãos faz com que as moléculas do sal fiquem soltas.

Outro exemplo do conhecimento empírico – é a utilização de plantas medicinais. Os Ribeirinhos da Amazônia sabem coisas sobre as propriedades curativas das plantas que a ciência só tem descoberto muito recentemente (algumas pesquisas buscam informações sobre essas plantas).



Características do conhecimento empírico

Surge da observação

É não-sistemático

Não vai aos porquês


Conhecimento teológico: não surge da observação ou da lógica. É um conhecimento revelado, razão pela qual dizemos que ele se baseia na fé. Uma pessoa tem uma revelação sobre a verdade eterna e a divulga a outras pessoas, que acreditam na mensagem e passam a também propagá-la.

Todas as tentativas de explicar Deus utilizando a razão fracassaram, pois a religião não faz parte das coisas explicadas pela razão. Sô podemos entender suas verdades se acreditarmos.

O conhecimento teológico está baseado no discurso da autoridade. A autoridade é Deus, que revela aos homens suas verdades, ou o profeta. Ao discutir com uma pessoa religiosa, ela certamente usará em seu discurso frases como “Esta na Bíblia”, a “Bíblia diz isso”, que revelam a importância do discurso da autoridade para esse tipo de conhecimento.

Características do conhecimento teológico
É um conhecimento não descoberto através da observação, mas revelado

Não se usa a observação ou a razão, mas a fé

O discurso da autoridade é essencial

Diz respeito a verdades eternas


Conhecimento filosófico: È aquele que se caracteriza pelo esforço da razão pura, com o propósito de questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo ou errado. Pauta-se na reflexão crítica e questionadora. É guiado pela reflexão e conduz à elaboração de princípios e de valores universais válidos.

A filosofia trata de questões universais. Ao perguntar como o homem pode ser mais feliz, a filosofia quer saber como toda a humanidade pode se tornar mais feliz, e não uma pessoa especifica.

A filosofia trata de objetos que não podem ser medidos ou aferidos. Ela se interessa por questões como: o que é felicidade? Qual o sentido da vida? Como podemos levar nossa vida de uma maneira moralmente correta?

O filosofo não precisa observar ou medir aquilo sobre o qual está produzindo conhecimento. Como medir a felicidade? Como pesar o sentido da vida? Diante da impossibilidade de usar instrumentos de medição ou observação, o filósofo usa apenas a lógica e a razão.



Características do conhecimento filosófico

É baseado na lógica e na razão

Trata de questões universais

Trata de questões que não podem ser medidas


Conhecimento artístico: é fruto da intuição e nasceu no hemisfério direito do cérebro, no inconsciente. Como trata de questões inconscientes, a arte teria a possibilidade de perceber verdades que permanecem ocultas para a ciência. O conhecimento artístico tem influenciado inclusive a metodologia cientifica. Em alguns países já são aceitos, em projetos de pesquisa, hipóteses intuitivas.

Características conhecimento artístico

É intuitivo


Conhecimento jornalístico: é uma forma de aquisição de conhecimentos sobre o mundo. Algumas pesquisas recorrem como fontes dados coletados por jornais (história – história do cotidiano – Eduardo Bueno). O principal teórico do conhecimento jornalístico é Adelmo Genro (catarinense). Ele parte de três categorias criadas por Hegel – para explicar o que é jornalismo e sua diferença da ciência. O singular, particular e o universal.

O singular trata o fato ou objeto de estudo como algo que se diferencia dos demais. Já o particular vê o fato pelo que ele tem de semelhante com uma categoria de coisas. Por outro lado, o universal se interessa pelas semelhanças com uma categoria maior. Desse modo, o homem é singular pela sua diferença com os outros. É particular por participar de uma determinada categoria (família/profissão/nação). E é universal por fazer parte do gênero humano.

Exemplo: um homem que se suicidou – o jornalista vai tratar da singularidade do fato: Quem era ele? Que método ele utilizou para se matar? Quando ocorreu a morte? Porque ele se matou? Onde?

No caso da ciência, esse fato vai trazer interesse partir do momento em que ela vai buscar captar qual a semelhança que tem desse fato com outros. Outras pessoas já se mataram na região? O que ela tinham em comum? É possível identificar algum traço coincidente que possa ser usado para explicar o fato (todos eram desempregos/sexo/raça/religião/estado civil). O jornalismo exerce um papel importante: divulgador das descobertas e teorias científicas.



Características do conhecimento jornalístico

Trata da singularidade dos fatos

Parte da observação dos fenômenos

É um dos principais divulgadores do conhecimento científico.


Conhecimento científico: surge basicamente no século XVII, com a constituição histórica da modernidade no ocidente. Caracteriza-se como procura das possíveis causas de um acontecimento. Buscando compreender ou explicar a realidade apresentando os fatores que determinam a existência de um evento.

Desta forma, não basta saber que o fermento faz o bolo crescer. É necessário, sobretudo, caracterizar o que, na constituição do fermento, produz o efeito que é o crescimento do bolo. Uma vez obtido este conhecimento, deve-se garantir sua generalidade, isto é, sua validade em outras situações. A divulgação dos resultados também é uma marca fundamental da ciência moderna.

Entendemos que o conhecimento científico destaca-se pela presença do acolhimento metódico e sistemático dos fatos da realidade sensível. De maneira geral o conhecimento científico se prende aos fatos, isto é, tem uma referência empírica e, embora parta deles, transcende-os. Fachin, 2003, pg. 11.

O conhecimento é adquirido pelo método científico e, sem interrupção, pode ser submetido a teste e aperfeiçoar-se, reformular-se ou até mesmo avantajar-se mediante o mesmo método. Fachin, 2003, pg. 12.

È real porque lida com ocorrências ou fatos, Isto é, com toda “forma de existência que se manifesta de algum modo”. Marconi e Lakatos, 2000, apud Trujillo, 1974:14.

Características do conhecimento científico


  1. Acolhimento metódico e sistemático dos fatos reais

  2. Pode ser submetido a testes e aperfeiçoar-se, reformular-se

  3. É real – lida com ocorrências e ou fatos.


Leitura complementar - Descartes e o demônio da dúvida – Ivan Carlo
René Descartes foi um dos pensadores franceses mais importantes da humanidade – suas idéias direcionam uma nova forma de pensar no mundo ocidental e com isso inaugura-se os pilares da metodologia científica.

Sua proposta era criar uma nova forma de pensar – mais adequada aos novos tempos. Ele viveu numa época em que o mundo passava por grandes mudanças – se passava do geocentrismo (idéia de que tudo girada ao redor da terra – inclusive o sol) – para o heliocentrismo (a terra gira ao redor do sol). As grandes navegações mostra que havia um mundo a ser descoberto.

Em 1619 – Descartes teve um sonho e um espírito verdade descia sobre ele, foi então que a partir daí passou a dedica-se em buscar a verdade – uma nova forma de pensar – verdade mais rápida.

Escreveu um livro o discurso do método – novo pensamento baseado em quatro princípios.



  1. Jamais aceitar como verdade uma coisa que não se conhece evidentemente como tal – duvidar é preciso - sempre; lança as pistas para o conhecimento cientifico que se pauta na dúvida.

  2. Lançou a divisão do saber – deve-se pesquisar o fenômeno por partes e não como um todo – exemplo corpo humano – deve-se dividir por partes e estudá-lo uma a uma. Esse principio deu origem a especialização do conhecimento – compartimentalização do conhecimento – profissões.

  3. Conduz o pensamento em ordem – ao resolver um problema devemos solucionar primeiro as partes mais simples e depois chegar as mais complexas.

  4. Não se deve confiar no primeiro resultado de experiência – deve-se refazer suas experiências – exaustão até obter o resultado correto – exemplo pesquisa bibliográfica como devemos fazer? Mais de uma fonte – comparação das idéias e não somente fazer cópias.

Descartes trouxe grandes contribuições para o conhecimento cientifico – uma de sua celebres frases: Se tenho dúvidas é porque penso, se penso, logo existo. – essa postura fez com que a ciência viesse a se aperfeiçoar-se cada vez mais – os instrumentos de pesquisa – validação subjetiva.



Sugestão de leitura – o mundo de Sofia: romance da história da filosofia. São Paulo: companhia das letras, 1995.



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