Perls, Frederick S. Gestalt-terapia explicada



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J: Se eu soltar você, você..., você vai bater em alguma coisa. Eu não sei em que você vai bater, mas eu tenho que... eu tenho que segurar você, porque você não pode fazer isto. Não pode ficar por aí batendo nas coisas.
F: Agora bata no seu dominador.
J: (Um grito breve e estridente.) Aaaaarkh! Aarkh!
F: Agora diga ao dominador: “Pare de resmungar”.
J: (Em voz baixa, com dor.) Deixe-me em paz! /F: Isto. Outra vez. / Deixe-me em paz! /F: Outra vez. / (Gritando e chorando.) Deixe-me em paz! /F: Outra vez. /
(Ela berra, uma verdadeira explosão.) DEIXE-ME EM PAZ! EU NÃO SOU OBRIGADA A FAZER O QUE VOCÊ DIZ! (Ainda chorando.) Eu não sou obrigada a ser tão boa! ... Eu não sou obrigada a estar nesta cadeira! Eu não sou obrigada. Você me obriga. Você me faz vir aqui! (Berra.) Aarkkh! Você me faz cutucar a minha cara (chorando), é isto que você faz. (Berra e chora.) Aaaarkkh! Eu gostaria de matar você.
F: Diga isto outra vez.
J: Eu gostaria de matar você. / F: Outra vez. / Eu gostaria de matar você.
F: Você pode esmagá-lo com a mão esquerda?
J: Ele é do meu tamanho... Eu estou estrangulando...
F: Muito bem. Diga isto: “Eu estou estrangulando”... J: (Baixinho.) Eu vou estrangular você... Pegar o seu pescoço. Grrumm. (Fritz dá a ela uma almofada, que ela estrangula enquanto faz ruídos.) Arrggh. Unghh.
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Que é que você acha disto? (Sons de pranto convulsivo e berros)
F: Faça mais ruídos.
J: Hruuggghhh! Aaach! Arrrghuuuhh! (Ela continua batendo na almofada, chora e berra.)
F: Muito bem. Relaxe. Feche os olhos... (Longo silêncio.) (Delicadamente.) Está bem. Volte para nós. Você está pronta? ... Agora seja outra vez o dominador...
J: (Debilmente.) Você não devia ter feito isto. Eu vou puni-la por isto... Eu vou punir você por isto, Jane. Você vai se arrepender de ter feito isto. É bom você se cuidar.
F: Agora fale deste jeito com cada um de nós... Seja vingativa com cada um de nós. Escolha alguma coisa que tenhamos feito... Comece por mim. Como dominador, por que você vai me punir?
J: Eu vou punir você por me fazer sentir tão estúpida.
F: Como é que você vai me punir?
J: (Prontamente.) Sendo estúpida... Mesmo mais estúpida do que eu sou.
F: Muito bem. Faça isto um pouco mais.
J: Raymond, eu vou punir você por ser tão bobo. Eu vou fazer você se sentir como um asno... Eu vou fazer você pensar que eu sou mais esperta do que você, e você vai se sentir mais bobo e eu vou me sentir esperta... Eu estou realmente com medo. Eu não deveria estar fazendo isto. (Chora.) Não é bonito.
F: Diga isto para ele. Inverta: “Você não deveria...
J: Você deve... você não deveria..., você não deveria estar fazendo... hum, você não deveria estar fazendo..., você não deveria ser tão bobo. Você não deveria bancar o bobo. Porque não é bonito.
F: Você está de novo cumprindo uma tarefa.
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J: É, eu sei. Eu não quero fazer isto. (Chorando.) Eu... eu sei como punir você. (Suspira.) Eu vou punir você sendo incapaz.
Raymond: Por que você está me punindo?
J: Eu vou punir você por me amar. É por isto que vou puni-lo. Vou fazer com que seja muito duro para você me amar. Não vou deixar você saber se estou para lá ou para cá.
F: “Como você pode se rebaixar tanto e amar alguém como eu, hein?”
J: Eu faço isto.
F: Eu sei. Como você pode amar uma caixa de fósforos? ...
J: Fergus, eu vou punir você por ser tão lerdo... com o seu corpo, mas tão rápido com a cabeça. Eu vou fazer isto... vou excitar você, tentar excitar você, e é verdade. Eu vou punir você por ser inibido sexual- mente. Eu vou fazer você pensar que eu sou muito sexy. Eu vou fazer você se sentir mal perto de mim... E eu vou punir você por fingir que sabe mais do que sabe na realidade...
F: O que você experiência quando está botando para fora a punição?
J: (Mais alerta, viva.) É uma experiência muito estranha. Eu não sei se já tive antes, durante tanto tempo seguido. É uma espécie de... é um sentimento que eu costumava ter quando... quando me desforrava dos meus irmãos por me tratarem mal. Eu apertava os dentes e pensava na pior coisa que pudesse fazer... e apreciava isto.
F: É. A minha impressão é essa; você não apreciou isto aqui.
J: Hum.
F: Muito bem. Volte e seja o dominador outra vez, e aprecie punir a Jane... cutuque, torture-a.
J: Você é a única que eu gosto de punir... Quando você fala alto demais..., quando você fala alto demais, eu puno você por falar alto demais. (Nenhum sinal de
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prazer.) Quando você não fala alto o suficiente, eu lhe digo que você é muito inibida. Quando você dança demais..., quando você dança demais, eu lhe digo que você está tentando estimular as pessoas sexualmente. Quando você não dança o suficiente, eu lhe digo que você está morta.
F: Você pode dizer para a Jane: “Eu estou deixando você louca”?
J: (Chora.) Eu estou deixando você louca. /F: Outra vez. / Eu estou deixando você louca. / F: Outra vez./ Eu estou deixando você louca... Eu costumava deixar todo mundo louco, e agora estou deixando você louca. (A voz diminui, se torna muito débil.) Mas é para o seu próprio bem. É isto que a minha mãe diria: “Para o seu próprio bem”. Eu vou fazer você se sentir culpada quando fizer coisas ruins, e então você não fará de novo. E eu... eu vou lhe dar tapinhas nas costas quando você fizer algo bom, e então você se lembrará de fazer de novo. E vou manter você fora do momento presente. Eu... vou manter você fazendo planos... vou manter você programada, e não vou deixar você viver..., o momento. Eu não vou deixar• você gozar a sua vida.
F: Eu gostaria que você usasse isto: “Eu sou implacável”.
J: Eu... eu sou implacável. /F: Outra vez!
Eu sou implacável. Eu faço qualquer coisa... especialmente se alguém me desafia a fazer. Então eu tenho que lhe dizer para fazer, Jane, para você provar, para provar a si mesma. Você precisa provar a si mesma..., neste mundo.
F: Vamos tentar isto: “Você tem uma tarefa a cumprir”.
J: (Ri.) Você tem uma tarefa a cumprir. Você vai parar de ficar zanzando por aí, e.... você não tem feito nada há um bom tempo...
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F: É. Agora, não modifique a sua postura. O braço direito está para a esquerda e o braço esquerdo para a direita. Diga a mesma coisa outra vez e tenha consciência disto.
J: Durante um tempão você ficou sem fazer nada. Você precisa fazer algo, Jane. Você precisa ser algo... Você precisa deixar as pessoas orgulhosas de você. Você precisa crescer, você precisa ser uma mulher, e você precisa esconder tudo o que você tem de ruim, para que ninguém veja, para que pensem que você é perfeita... Você precisa mentir. Eu vou fazer você mentir.
F: Agora assuma de novo o lugar da Jane.
J: Você está... você está (chora) me deixando louca. Você está me cutucando. Eu realmente gostaria de estrangular você... ahn... aí você vai me punir mais. Você vai voltar..., e vai ser o inferno. Então, por que você não vai embora? Eu não... eu não vou mais me encontrar com você. Vá embora e me deixe em paz — eu não estou pedindo!!! Vá embora! / F: Outra vez. / Vá embora! / F: Outra vez.

Vá embora! / F: Troque de lugar!


Se eu for embora, você vai ficar sendo metade de você mesma! Se eu for embora, você vai ser só meia pessoa. Aí é que você vai estar fodida. Você não pode me mandar embora, você precisa descobrir algo para fazer comigo, você precisa me usar.
Bem, então... se eu fizer isto, vou modificar a sua opinião sobre um monte de coisas.
F: Ah!
J: E lhe dizer que não há nada que possa fazer que seja ruim... Quer dizer, se você me deixasse em paz, eu não faria nada de mau.
F: Muito bem. Descanse mais um pouco.
J: (Fecha os olhos.) ... Não consigo descansar.
F: Então volte para nós. Conte-nos sobre a sua impossibilidade de descansar.
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J: Eu fico me perguntando o que fazer com isto. Quando eu estava de olhos fechados, eu ficava dizendo: “Diga a ela para relaxar”.
F: Muito bem. Represente o dominador dela.
J: Relaxe.
F: Faça com que ela seja o dominado e você é o dominador.
J: E você não é obrigada a fazer nada, você não é obrigada a provar nada. (Chora.) Você tem só vinte anos! Você não precisa ser a rainha...
Ela diz: Está bem, eu entendo isto. Eu só estou com pressa. Eu estou com muita pressa. Nós temos tantas coisas para fazer... e agora, eu sei, quando eu estou com pressa não dá para ser agora, não dá... quando eu estou com pressa não dá para ficar no minuto em que se está. A gente precisa ficar se apressando, e o dia passa e a gente pensa que está perdendo tempo, ou algo assim. Eu sou muito dura com você. Eu tenho que... eu tenho que deixar você em paz.
F: Bem, eu gostaria de interferir. Deixe o dominador dizer: “Eu vou ter um pouco mais de paciência com você”.
J: Hum! Eu vou ter...., eu vou ter um pouco mais de paciência com você.
F: Diga isto outra vez.
J: (Delicadamente.) Para mim, é muito difícil ser paciente. Você sabe disto. Você sabe como eu sou impaciente. Mas eu... eu vou tentar ter um pouco mais de paciência com você. “Eu vou tentar” ... eu vou ter um pouco mais de paciência com você. Enquanto estou dizendo isto, estou batendo o pé e balançando a cabeça.
F: Muito bem. Diga: “Eu não vou ter paciência com você.
J: (Facilmente.) Eu não vou ter paciência com você, Jane! Eu não vou ter paciência com você. / F: Outra vez!
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Eu não vou ter paciência com você. / F: Outra

Eu não vou ter paciência com você.


F: Agora diga isto para nós... Escolha alguns.
J: Jan, eu não vou ter paciência com você. Claire, eu não vou ter paciência com você... Dick, eu não vou ter paciência com você. Muriel, eu não vou ter paciência com você. Ginny, eu não vou ter paciência com você... E June, eu não vou ter paciência com você, também.
F: Muito bem. Como você se sente agora?
J: Bem.
F: Entenda que o dominador e dominado ainda não estão juntos. Mas pelo menos o conflito está claro, no aberto, talvez um pouquinho menos violento.
J: Eu senti, quando eu trabalhei... antes..., no sonho, aquela coisa do sonho, que eu tinha resolvido. Eu me senti bem. Eu continuo..., continuo..., continua..., eu continuo voltando a isto.
F: É. Este é o famoso jogo da autotortura.
J: Eu jogo tão bem.
F: Todo mundo joga. Você não joga melhor do que nós. Todo mundo pensa: “Eu sou o pior”.
STEVE 1
Steve: Eu quero trabalhar com um fragmento de sonho. Eu estou parado num campo. É de noite, e o ar está muito fresco. É uma noite realmente agradável. Eu penso que há luar. Eu consigo enxergar um pouco. E há um campo cultivado cheio de pés de tomate.
Fritz: O que você está experienciando?
S: Meu coração está batendo bastante rápido, a minha voz está alta, alguma tensão, medo diante da plateia.
F: Como você experiência a nós?
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S: Eu estou bloqueando vocês. Eu estava entrando no sonho.
F: Você quer voltar para nós?
S: Claro. Agora estou tremendo mais. Eu sinto tremedeira nas pernas, nas mãos. A minha mão esquerda está me segurando... para não mexer. Eu estou tremendo um bocado.
F: Você está consciente de nós?
S: Não, não como... não. Eu voltei para mim mesmo. Eu olho para você, e a tremedeira diminui... Eu sinto suor na testa. Eu continuo voltando para mim mesmo... Eu vejo gente, não vejo nada de especial. Eu vejo todos vocês. Eu não estou particularmente interessado em vocês... (Riso curto.) Eu quero entrar no meu sonho... Eu estou pedindo permissão para você.
F: Eu não dou permissão...
S:É....
F: Eu gostaria’ de trabalhar com o quanto você está em contato ou fora de contato conosco, com o que está acontecendo.
S: Agora eu não me sinto em contato com nenhum de vocês. Eu olho em volta e vejo as pessoas fazendo coisas entre si... você..., com.... ahn... Teddy e Helena, e com. a Sally. Eu vejo as pessoas se olhando e não prestando atenção a mim, e.... eu não me sinto parte de nada, eu...
Teddy: É isto que você acabou de ver?
S: Não, não. Eu estava longe. Eu estava longe. Não, neste instante vocês estavam olhando para mim. (Ri.) Naquele instante, vocês estavam. Neste instante, vocês estão me olhando, com algum interesse. Eu vejo a Helena ainda triste..., com a tristeza dela.
Helena: Eu ainda estou “na minha”. (Ela acabou de trabalhar.)
S: Sim. É. O Biair parece muito distante... longe, desinteressado. Sally, você me vê, mas eu não tenho sensação nenhuma daquilo que você está vendo.
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F: Agora você está começando a prestar atenção.
S:É.
F: Em vez de querer atenção.
S:É.
F: Então, dê-nos mais da sua atenção.
S: O Dick parece preocupado, ele está esfregando o rosto... você está esfregando o rosto... parece que está na expectativa. Eu não sei onde o Bob está. Eu não sei onde você está, Jane, você está olhando para o Bob.
F: Muito bem. Eu estou disposto a prestar atenção ao seu sonho.
S: Está bem. Eu estou no campo, é de noite, é um campo de pés de tomate. O solo está úmido e fértil, e não há ervas daninhas.
F: Seja o campo.
5: Ser o campo. (Deita-se.) Eu sou cultivado em filas... a terra pode... eu sou uma terra mole, úmida, eu estou em filas... ahn... com pequenos vales no meio para a água poder escorrer, eu estou alimentando essas plantas, há uma porção de paus fincados em mim. Os paus estão segurando os pés de tomate. Os pés de tomate vivem em mim, as raízes estão dentro de mim, e estão crescendo, eu sou frio, úmido e nutritivo. /F: Diga isto outra vez!
Eu sou frio, úmido e nutritivo. / F: Outra vez! Eu sou frio, úmido e nutritivo. E existe algo mais em mim. Existe uma cerca no meio do campo, e a cerca está enterrada em mim, também... pedaços de madeira de 10 cm por 10 cm.
F: O que você está dividindo com a cerca?
S: Para isto eu devo ser a cerca. (Levanta-se e estica os braços para o lado.) Eu sou a cerca no meio do campo. Eu sou realmente sem sentido. As plantas são as mesmas dos dois lados. A terra é a mesma, a luz é a mesma. A cerca tem dois lados. Eu tenho dois lados. Eu tenho um lado bom e um lado ruim. O lado bom está nesta direção. (Atrás.) O lado ruim está
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nesta direção. (Frente.) Mas estou no meio do campo, e.... não tem sentido. Eu não tenho propósito. O campo está dos dois lados. Se eu fosse para proteger o campo, ou as plantas, eu estaria em volta, ou do lado de fora. Eu estou no meio, e há plantas dos dois lados... Eu não descrevi..., eu quero ser as plantas de tomate, e os paus da cer....
Eu sou um pedaço de pau que segura o pé de tomate, e eu tenho barbantes em volta, eu me seguro no pé de tomate deste jeito. (Faz um círculo com os braços.) Se eu não segurasse você, pé de tomate, você..., você ficaria estirado no chão, e não receberia luz, porque todos estes tomates em volta têm o seu pedaço de pau, e estão retos e levantados, e eu seguro você.
F: Eu tenho dificuldade em acompanhar você, então eu sugiro: seja a sua voz.
S: Ser a minha voz. A minha voz soa meio abafada.
F: Eu sou...
S: Eu sou abafada. Eu sou... eu ecoo daqui para lá, dentro de um tubo. Eu sou a minha voz. Eu sou a minha voz. Eu... eu sou cheia de tristeza. Eu tenho... do lado de fora há... eu sinto alguma coisa obstruindo do lado de fora. Eu sou... eu consegui passar, mas existe alguma coisa me impedindo, alguma coisa me contendo, alguma coisa me travando. Quando eu saio, alguma coisa me segura...
F: Eu estou ficando cada vez mais pesado.
S: É... eu estou fazendo descer um véu..., eu estou encobrindo. Eu estou cobrindo. Eu sou a minha voz. Eu estou pesada no chão... Eu quero amortecer todos vocês..., acho que isto é computador. Eu sou a minha voz. Voz...
F: E então, o que você está experienciando neste instante?
S: Um peso, a boca seca..., como pendurado, como tudo... eu me sinto pendurado, eu... tudo me trava, eu... eu sou uma trava. A tensão nos meus
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ombros... acabei de relaxar. Eu estava com os ombros levantados. Transpirando, calor.
F: Muito bem. Há algum ser humano no seu sonho?
S: Não, não. Só há mais uma parte. Eu estou no campo. Eu estou olhando para ele, ali parado, e a cerca pega fogo do outro lado, o lado todo.
F: Ah! ... não é completamente implosivo, não é completamente morto.
S: Os pés de tomate estão vivos... É, o fogo é a única coisa que se move. Quando eu vejo o fogo, é só um clarão e de repente todo o lado de fora da cerca está em chamas. Há uma brisa suave soprando nessa direção, e o fogo se espalha... só de um lado. (O lado ruim da cerca, que está voltado para a frente.)
F: Dance. Dance as chamas.
S: (Gesticula como chamas que tremulam.) Eu estou atado à cerca. Eu estou atado à cerca, mas eu...
F: Fale com a cerca.
S: Eu estou consumindo você. Eu estou atado a você. Eu não consigo me afastar de você. Eu preciso de você..., você é o meu combustível..., mas eu vou me espalhar... vou queimar todos estes pés de tomate. Eu... quando eu estou no sonho, sendo eu, eu acho a cerca estúpida e quero me livrar dela, mas o fogo não é o jeito certo porque o fogo queimaria todas as plantas por perto, e isto eu não quero. Não...
F: Represente o fogo. Fale conosco sendo o fogo: “Se eu fosse o fogo eu consumiria todos vocês e isto é ruim”, e assim por diante.
S: É. Se eu fosse o fogo, eu mataria vocês, eu queimaria vocês, vocês ficariam negros, vocês se enrolariam, vocês..., vocês morreriam, o fruto de vocês seria abortado, o fruto verde nunca ficaria maduro... Até mesmo os paus que seguram vocês iriam ser queimados. Tudo iria murchar, definhar, ficar torrado e negro.
F: Use a palavra eu, em vez de tudo: “Eu faria isto. Eu...”.
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S: Eu faria vocês murcharem e escurecerem...
F: “Eu murcharia vocês”.
S: Eu murcharia vocês. Eu abortaria o fruto de vocês. Eu mataria vocês... Vocês morreriam. Eu mataria vocês. Eu mataria vocês. Vocês simplesmente... se eu ardesse. Como fogo, eu mataria vocês. Não os que estão longe, mas quem está perto. Qualquer pessoa que esteja por perto, eu mataria vocês... (Lentamente passa para a posição de cócoras e chora profundamente por algum tempo.) ...
Eu estou pensando num poema que o meu pai escreveu. Eu não sei se consigo lembrar tudo. Ele fala de amar o mar e.... “... eu não exijo nada do mar.... Mas quando as minhas mãos procuram outras mãos, Meu toque é maligno, e o presente que trago... Exigências importunas, desconfiança e dúvida. Eu estou cansado do sofrimento e da dor. Vou voltar ao mar, o meu amor.” É isso. (Delicadamente.) Obrigado Fritz.
STEVE II
Steve: Eu tenho algo para cortar.
Fritz: Hum?
S: (Faz um movimento de cortar com a mão direita na altura do umbigo.) Eu tenho algo para cortar.
F: Hum? E o que é que.eu tenho com isto?
S: Muito bem. É um aviso. Para todo mundo. Eu tenho outro sonho, bobo, chato, monótono, no qual eu estou parado de novo no meio de um campo, só que é um campo diferente. Este campo é.... está no fim da estação, e há um monte de plantas e ervas, todas juntas. Plantas que sobraram. Ele já foi colhido. No meio do campo há um carvalho gigantesco, mas eu acho que isto é irrelevante. O importante é que há uma
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figura, uma figura pouco clara de uma velha, e ela me dá permissão de ficar e colher flores, e assim por diante... para eu fazer o que quiser. E, na hora do sonho, pareceu “legal”, mas, mais tarde, pensando nele, eu não gostei.
(Desafiador.) Velha, quem é você para me dar permissão na minha fantasia, nos meus próprios sonhos, para eu andar no meu sonho? ...
(Apaziguador.) Eu só quero lhe dar permissão, só... eu pensei que você fosse gostar daqui. Eu estou ferida pelo que você disse... eu estou na zona intermediária. Eu estou pensando... hum...
F: Então trabalhe com a projeção. Diga a cada um de nós: “Eu lhe dou permissão para... Eu permito...”. Seja condescendente.
S: Está bem. Daniel, eu lhe dou permissão para ser um garotinho. Raymond, eu lhe dou permissão de fantasiar a maior espingarda que você quiser. Jane, seja como... tão ríspida quanto quiser... dois revólveres de cada lado. Sally, seja tão doce quanto quiser... seja delicada e gentil, doce e atraente. Dale, fique na sua armadilha! Volte para a sua armadilha! É um lugar lindo. Eu lhe dou permissão de ser apanhada na armadilha. Ahn... Ginny, seja tão confusa quanto quiser. Voe na direção que quiser. Seja realmente complexa. Quanto mais complexa você puder ser, melhor, e então... Frank, você é um palhaço maravilhoso... eu lhe dou permissão para ser palhaço. Nunca seja menos. Lily, eu lhe dou permissão de ser uma fita de borracha, e ir daqui para lá, de lá para cá. Snap. Snap. Snap.
F: Agora faça o contrário: “Eu não lhe dou permissão...
S: Está bem. Eu não lhe dou permissão. Hum. Bob, eu não lhe dou permissão de ser um mestre Zen, de se ocultar atrás de um rosto impassível e.... eu não lhe dou permissão para... Você precisa participar. Você precisa entrar nas coisas. Muriel, eu não lhe dou
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permissão de ficar vagando com a cabeça. Eu não lhe dou permissão de ficar viajando pelo céu. Dick, eu não lhe dou permissão de... ahn...
F: Você tem consciência de que está censurando? (Steve estava fazendo pequenos movimentos acusadores com a mão direita.)
S: Censurando? É.
F: Um pouquinho.
S: Hum. É. Eu não sei o que fazer com isso.
F: (Secamente.) Eu lhe dou permissão para não saber o que fazer com isso. (Risos.)
S: Ai, meu Deus! (Ri.) Eu não pensava que algum dia você fosse me dar permissão de fazer alguma coisa! Muito bem. Dick (mais devagar), eu não lhe dou permissão para... ficar preso.
F: Diga a ele o que ele deve fazer.
S: Ele deve fazer a mesma maldita coisa que eu devo fazer. (Suspira.) Misturar, explodir, ganhar vida, merda, ter raiva, sei lá o quê. Só... sabe, falar é fácil... É tão fácil dizer para outra pessoa o que ela deve fazer.
F: Fale com quem está do lado esquerdo.
S: Falar com quem está do lado esquerdo. Está bem. Abe, eu não lhe dou permissão de ser autoritário, autocrata, o ditador, o capitão do navio. Eu não lhe dou permissão de fazer isto.
Abe: O que eu devo fazer?
S: Ser parte da tripulação. Parte da tripulação. Nem o capitão, e nem o condenado, o homem que está prestes a ser cortado de cima a baixo. Jan, eu não lhe dou permissão para era a rainha da tragédia. Eu não permito que você... hum... esteja triste o tempo todo. Eu não permito que você...
F: Agora combine os dois: “Eu nem permito e nem proíbo você de. ..“.
S: Ahn... Está bem. Claire, eu nem permito e nem proíbo você..., está certo? É.... eu nem proíbo e nem permito que você...
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F: Com o lado esquerdo, por favor.
S: Desculpe. Eu nem proíbo e nem permito que você..., faça o papel da estrela prejudicada.
Claire: Capriche.
S: Peça tudo que você quiser, isso está direito. Eu nem proíbo e nem permito. Helena, eu nem proíbo e nem permito você de ser você mesma. Você é “legal” do jeito que é. Agora você já não tem um “quê” para mim. Durante algum tempo foi a madona chinesa, sabe... mas isso desapareceu, para mim. Glenn, eu nem proíbo e nem permito que você faça graça quando está com medo... (Murmura.) Biair, eu nem proíbo e nem permito que você vacile entre o menininho triste e infeliz, e o grande e autoritário filho da puta.
F: “Você está ‘na sua’, e eu estou ‘na minha’“. Tire alguma coisa disto.
S: Está bem. Você está “na sua” e eu estou “na minha”. Nancy, ahn... você está “na sua”, atrás do vidro transparente, está bem. Eu estou “na minha”.
F: “Qual é a sua”?
S: “A minha”? Oh! (Risos.) Ah! (Vexado.) A mesma que “a sua”, Nancy. (Risos.) A mesma que “a sua”. Meu Deus! Eu me sinto realmente vivo!
Dale: Você está.
S: Fergus, você está “na sua”, eu estou “na minha” ... continue vagando pelo deserto com as suas pedras nos rins. (Risos.) Eu fico atrás do meu (ri) vidro transparente. Oh, meu Deus! Nevilie, você está “na sua”, eu estou “na minha”. Você pode ficar como uma dessas bolas de golfe, com toda aquela borracha apertada em volta, e eu fico atrás do meu vidro e olho para fora... e tomo um pouco de ar, também. June, você está “na sua”, eu estou “na minha”. Continue com as suas grandes cenas, pulando de uma cena para outra, com a sua voz que... (Imita ofegante.) “Oh, eu tive uma experiência tão maravilhosa!” (Risos.) Eu fico “na minha”, atrás do vidro, olhando para você, e dou uma saída de vez €m quando. Ah! Muito bem.


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