Perls, Frederick S. Gestalt-terapia explicada



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M: Muito bem! Então, de volta à perna!
F: Você descobre a perna dela, mas não a sua.
M: Não, bem, era como se eu não conseguisse dizer a diferença entre as minhas mãos e o corpo que estava se mexendo e a perna que estava ali, e os músculos que eu estava sentindo... /F: É, isto! ... E todo o resto.
F: Eu não quero falar sobre confluência. É uma coisa muito difícil, mas é isto que vocês experienciam — nada de fronteiras de ego.
Dale: Esta é a primeira vez que eu fui apanhado no país da fantasia. Eu fui totalmente apanhado.
Jane: Foi fascinante. Eu tive a fantasia de que você era uma bruxa, e que estava hipnotizando todos nós. Mas eu gostei. Eu gostei de estar em transe e tudo isto.
Daniel: Nós já tivemos muitos hipnotizadores aqui, mas nenhum tão poderoso quanto você.
F: É. Não. É diferente. Ela não é o hipnotizador. Ela é o sonâmbulo. É ela quem anda dormindo. Ela está hipnotizada, em transe, e todo mundo caminha com ela no transe. Para um artista, é lindo.
Jane: Foi fascinante. Você me ligou. Eu acabei de ter uma viagem muito boas
M: Eu nem sei do que vocês estão falando.
Dale: Foi tão real. Eu não tinha certeza de poder sair daqui e achar o chão lá de fora. Na realidade eu ainda não estou certo.
F: Em todo caso, você levou todos nós a uma viagem. Agora, vamos retornar.
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CLAIRE
Claire: Eu quero...
Fritz: “Eu quero”; saia deste lugar. Você quer. Eu não quero queredores. Há duas grandes mentiras:
Eu quero e eu tento.
C: Eu sou gorda... Esta é a minha vida. (Choramingando.) Eu não gosto, mas mesmo assim eu gosto. E eu constantemente me chateio com este fato. E ele está sempre comigo... E eu estou cansada de chorar por isso... Você quer que eu saia deste lugar?
F: Não.
C: Você não quer que eu saia?
F: Não.
C: Quer?
F: Não... Eu nem quero que você saia e nem quero que você não saia.
C: Você vai ficar aí sentada, Claire, ou vai tentar fazer algo em relação ao que você está fazendo. (Suspira.) O que você quer é ficar aí sentada e continuar gorda...
(Numa parte que é aqui omitida, ela relata um longo sonho a respeito de ser gorda e rejeitada, e realiza algum trabalho com sonho, bastante improdutivo.)
F: Muito bem. Eu acho que já lhe disse antes o meu diagnóstico.
C: Que eu sou vazia.
F: Não. Isto eu encontro frequentemente em mulheres gordas, que elas não têm fronteiras de ego. Elas não têm um self. Elas sempre vivem por meio de outras pessoas, e as outras pessoas se tornam elas mesmas. Você não consegue distinguir o que é eu e o que é você. “Se você chora, então eu choro. Se você se diverte, então eu me divirto.” Este é o seu problema.
C: Então como é que eu devo me confrontar com O meu problema? Eu... Depois que você me disse isso, eu fiquei consciente... e.... eu faço isso, muitas vezes. E então?
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F: Não sei. Veja, o tempo todo, o tempo todo que você está falando, você fala da sua imagem, do seu conceito de si mesma. Quando, por um momento (no trabalho com o sonho que se acha omitido) você se tornou você mesma, entrou em contato consigo mesma, então você se sentiu bem e sexy... até que voltou aos deveres...
C: É, isto. Eu posso continuar me sentindo bem e sexy e tendo sexo o tempo todo, e assim por diante, e... e.... e.... mas a gente só pode ter sexo durante mais ou menos doze horas. (Rindo.) Não dá para ter o tempo todo.
F: Veja, outra vez uma fantasia... Outra vez um conceito. Você precisa comer ocasionalmente, e coisas do tipo.
C: É, preciso. E então continuo gorda.
F: Agora trabalhe com esta ideia, de que você não tem fronteiras de contato. O que você toca, o que você vê, qualquer que seja a fronteira de contato, ela é confusa, ou talvez inexistente, e então você não tem fronteira, você tem que ficar mais e mais gorda, até ocupar todo o universo.
C: Eu sinto isto. É disto que eu tenho medo. Hum. Bem. Está certo. Então..., com o Abe... eu não sei como... Minha primeira tendência é simplesmente ser o Abe.
F: É. Exatamente. Você pode se sentir como Abe? (Claire copia a postura de Abe.) Agora, sinta-se como você mesma. Feche os olhos de novo, e tome consciência de si mesma.
C: Hum...
F: O que você sente?
C: Eu me sinto desconfortável nesta posição.
F: Ah! E o que mais?
C: Eu me sinto separada do Abe. Eu ainda me sinto com você, como se eu fosse uma imagem do Abe, bem aqui. Mas eu sinto a minha própria vagina...
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F: Isto é tudo? Você existe como algo mais que vagina?
C: Claro. Eu sinto os meus braços e as minhas mãos, e a cadeira por baixo de mim e como ela me machuca, aqui, sentada nesta posição.
F: Muito bom. Agora volte ao Abe. Como você experiência o Abe?
C: Eu estou separada, e então também posso trazê-lo para cá.
F: Você pode permitir que ele fique ali, e ficar em contato com ele, em vez de consumi-lo? Sem sugá-lo contribuindo para a sua gordura? ...
C: (Hesitante.) É claro.
F: E então, o que você está experienciando?
C: Ele está ali, e está esfregando a perna.
F: É.
C: E olhando... e eu estou aqui.
F: Eu ainda não acredito. Eu acho que você está tentando me agradar.
C: Eu me sinto aqui, e sinto-o ali.
F: E o que você vê ali? O que você experiência?
C: Oh! O Bob está brincando com a perna e olhando. Eu vejo a sua barba, e os seus olhos estão olhando, e a sua boca está bem fechada...
F: Você ainda está aqui? ... Você tem alguma reação a ele?
C: (Mais animada.) Tenho! Eu aqui me sinto mulher e ele me atrai sexualmente. Agora eu me sinto como que “transando” com ele. Eu não sinto isto que você está dizendo. Eu não sinto..., se há extremos, eu não os sinto. Eu não sinto que... que... ele seja realmente eu, ou que eu seja realmente ele, e eu também não sinto que ele é totalmente separado de mim, lá. Eu sinto uma ligação entre nós, mas a ligação não é.... oh! ... uma ligação real, ela está aí...
F: Pegue a Sally...
C: Bem, eu vejo a Sally aí, e eu vejo os pés dela se mexendo, e.... e....
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F: E como você experiência a si mesma? Feche os olhos.
C: Mais como Sally do que como Abe. Agora eu me sinto mais como Sally. Mas eu não acho que isto é incomum.
F: Mas você não reage a ela.
C: Eu não reajo por mim mesma.
F: Você não reage a ela. Você a destrói. Você não reage a ela, você a destrói, absorvendo-a.
C: Não..., eu a absorvo, como você diz.
F: Em vez de reagir a ela. Não há contato. Contato é a apreciação de diferenças.
C: Em outras palavras, como eu me sinto em relação à Sally?
F: É.
C: Bem, eu sinto que você está interessada, e.... ahn... eu...
Frank: Você ainda está descrevendo.
Dale: Você ainda é ela.
C: Bem, um de vocês diz que eu ainda sou ela, e o outro diz que eu a estou descrevendo.
Dale: É a mesma coisa.
Frank: É quase igual.
F: É a mesma coisa. Em ambos os casos você não tem reação a ela. O seu próprio eu fico de fora.
C: Eu... eu... eu não me interesso especialmente se você está ou não interessada em mim neste instante.
F: Você ainda não está reagindo a ela. Você está reagindo a um espelho... Imagine um copo com água. Agora, como é que uma gota de água neste copo reage às outras gotas?
C: Ela fica separada.
F: (Reprovação amigável.) Ah! ... oh! Existe uma Confluência. Não existe reação. Tudo é igual. Não existe Contato, não existe fronteira. Pegue cubos de gelo..., é, eles podem ter contato entre si. Eles se tocam; há alguma diferença neles.
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C: Eu estou tendo muita dificuldade em me ligar realmente ao que você está dizendo.
F: Claro. Claro. Eu sei. Você tem...
C: Cubos de gelo..., têm contato entre si, e se conservam como cubos separados.
F: É. E a água? ... Quando os cubos de gelo se derretem, eles ainda estão em contato?
C: Eles se misturam.
E’: Então eles estão em confluência. Qualquer sentimento de contato desaparece.
C: Bem, o que “fundiu a minha cuca” com relação à água é que eu... alguém me disse que uma gota de água fica separada, e eu não sabia disto.
E’: Você está mentindo. Ninguém lhe disse isto.
C: Bem, eu não estou... /F: Você está mentindo. / disposta a usar a minha autoridade.
E: Você está inventando. Ad hoc.
C: Eu não quero tratar disto. Eu quero tratar dos cubos de gelo e outras coisas que se misturam... Com o ar... uma partícula de ar.... continua se modificando, movendo-se para outros lugares. Eu não consigo imaginar como é uma partícula de ar.
E: Muito bem. Vou lhe mostrar uma coisa. Observe a fumaça do meu cigarro... Você está vendo a fumaça? /C: Estou. / Agora observe. Ela tem contato com o ar, certo? /C: Certo. / Você consegue ver o contato diminuindo, se tornando cada vez mais uma confluência?
C: Sim. Até que estejam totalmente misturados.
E: Agora você pode me dizer o que é fumaça e o que é ar?
C: Não.
E’: Bem, esta é a sua situação. Você não sabe o que é fumaça e o que é ar. Contato é a apreciação de diferenças. Você não sabe o que é você mesma e o que é o outro. Eu diria, provavelmente com exceção das suas relações sexuais. Os seus órgãos genitais ainda têm funções de contato, pelo que você descreve. Mesmo aí,
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eu não tenho certeza. Quando você fode, você sente a diferença entre vagina e o pênis?
C: É claro.
E’: Ótimo, e então aí há contato. Daí, presumivelmente, a sua intensidade de sexo...
C: Eu também sinto isto quando eu toco alguém. A pessoa é separada de mim. Agora você está separado de mim. É por isto que eu não entendo. Eu não sou você. Eu não sinto nem um pouco que eu sou você.
F: É.
C: Bem, eu...
Dale: Você projeta algo na pessoa, e então o único jeito de reaver é absorvê-la.
C: O... eu gostaria de tentar ficar com isto, e ver o que eu consigo fazer. Parece-me estranho. Se eu projeto no Steve o que acho que ele sente, então eu estou investindo algo nele, e eu necessito recuperar isto. É isto que você está dizendo?
Fergus: Bem, o que eu acho que você deve fazer é engordar cada vez mais.
C: (Sarcasticamente.) Oh! obrigada.
E’: Por exemplo, agora mesmo, vocês estão dispostos a serem absorvidos por ela. Ela banca a faminta, a estúpida: “Vocês precisam me alimentar”. E todo mundo vem e quer ser sugado por ela. Por favor, nunca façam isto — sempre que alguém ficar preso, não venham salvar...
C: É. Eu sinto que este seria um caminho muito fácil para... Para acabar esta minha sessão. Sabe, eu dizer que estou tentando sugar pessoas, sabe, então eu preciso dizer a mim mesmo o que já disse muitas vezes, que, se eu quiser perder peso, não há absolutamente nenhuma razão para não perder. É só que a gente quer sugar pessoas, e sentir pena de si mesma e tudo isto. Eu vivi deste jeito durante anos.
E’: Agora você está tentando sugar a mim.
C: É. Exatamente. Eu sei disso. Então um dos meus..., e onde é que eu fico? Eu ainda fico com o meu
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problema idiota e... /F: Ainda fica com fome! Eu estou bancando a estúpida.
F: Então você ainda está com fome.
C: É... O que alimenta o outro problema.
F: Que alimenta o outro problema...
C: E então agora eu digo, bem, como posso lidar com isto? Eu ainda estou presa nisto.
F: “Dê-me respostas. Como eu posso lidar com isto. Vamos lá, vamos lá, me dê, me dê, me dê”.
C: Eu... sabe..., realmente, eu nem mesmo quero mais as respostas, porque ninguém está realmente, sabe... todo mundo tem uma resposta e isto não me faz nenhum bem.
F: “Vamos lá, me dê a resposta certa, aquela que realmente alimente, tire-me do impasse”.
C: Então eu estou de volta à mesma coisa. Sou eu quem tem que me dar a resposta de como sair do impasse.
F: Não. Respostas não adiantam.
C: Bem, que merda adianta? O que adianta?
F: Outra pergunta. “Vamos lá, vamos lá.”
C: A resposta é, pare de comer se você não quer comer.
F: Eis aqui todos os sintomas típicos do impasse. O carrossel — todo mundo vê o óbvio, menos a paciente. Ela deixa a gente louco. Ela está presa. Ela está desesperada. Mobiliza todos os truques e segredos que tem, na tentativa de sair do impasse. Eu sinto que você começou com algum sentimento interior, que você está morta. Ou, como você diz, entediada. Entediada e vazia. Você precisa se encher...
C: Sim. Eu como quando estou entediada e vazia. Às vezes, eu também como quando.., quando estou cheia e não entediada.
Jane: Como você está morta, Claire? ...
C: (Limpa a garganta.)... Eu não me sinto morta... Ah, merda!
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F: “Eu me sinto morta. Eu me sinto morta quando estou entediada. Não, eu não me sinto morta”. Então você está de novo no carrossel.
C: Não, eu só estou entediada e vazia, mas não morta.
F: Então seja entediada e vazia.
C: Entediada e vazia e eu... quando eu me recuso a estar em contato comigo mesma.
F: Exatamente. Em vez de entrar em contato com o seu tédio e o seu vazio, você fica querendo enchê-lo com alguém.
C: É! E isto também não funciona.
F: É claro que não.
C: Nunca funciona.
F: Você pode botar flores artificiais, no valor de um milhão de dólares, num deserto. Mesmo assim, ele não floresce.
C: É. Está certo.
F: Se você evita o seu vazio e o preenche com papéis falsos e atividades bobas, você não chega a lugar nenhum. Mas, se você realmente entra em contato com o vazio, alguma coisa começa a acontecer — o deserto começa a florir. Esta é a diferença entre o vazio estéril e o vazio fértil. Muito bem.
JANE 1
Jane: Ah! No meu sonho eu estou indo para casa visitar a minha mãe e a minha família..., e eu estou... eu estou indo de carro de Big Sur para... para a casa da minha mãe...
Fritz: O que está acontecendo neste instante?
J: Aqui realmente dá medo. Eu não pensei que fosse dar tanto medo assim. (Este workshop teve lugar numa sala grande, com outro grupo de trinta pessoas, participantes de seminário, observando.)
F: Feche os olhos... e fique com o seu medo... Como você experiência o medo?
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J: Uma tremedeira no peito (suspira), respiração agitada. Ah! Minha..., minha perna direita está tremendo. Minha perna esquerda... agora a minha perna esquerda está tremendo. Se eu ficar de olhos fechados muito tempo, os meus braços vão começar a tremer.
F: Em que momento este medo surgiu?
J: Eu olhei para lá. (Risos.)
F: Então olhe de novo. Fale comas pessoas que estão ali: “Vocês me metem medo”, ou algo assim.
J: Bem, agora não está tão ruim. Eu estou escolhendo e olhando.
F: Bem, quem é que você escolhe e olha?
J: Oh, Mary Elien e Alison. John. Eu passei por um monte de rostos.
F: Agora vamos chamar o seu pai e a sua mãe para a audiência.
J: Eu não olharia para eles.
F: Diga isto para eles.
J: Ah! Seja lá onde vocês estiverem sentados, eu não vou olhar para vocês.., porque eu não.., querem que eu explique? Ah, não! (Risos.) Está bem, eu não vou olhar para vocês, mamãe e papai.
F: O que você experiência quando você não olha para eles?
J: Mais ansiedade. Quando eu lhe conto o sonho... é a mesma coisa.
F: Muito bem, conte o sonho.
J: Está bem. Eu estou indo para casa para ver o meu pai e a minha mãe, e o tempo todo estou ansiosa, enquanto guio. E eu... há um grande lance de escada para se subir em casa..., mais ou menos sessenta degraus. E no sonho eu fico com mais medo a cada degrau que subo. Então, eu abro a porta e a casa está muito escura. E eu chamo a minha mãe... eu noto que todos os carros estão lá, então eles devem estar em casa. Eu chamo a minha mãe e não há resposta. E eu chamo o meu pai e não há resposta. Eu chamo as crianças e não há respostas. Então eu... é uma casa muito,
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muito grande, e eu vou de um quarto a outro procurando por eles, e eu... eu entro no dormitório e a minha mãe e o meu pai estão na cama, eles, eles só, eles não são meus, m... eles são esqueletos. Eles não têm pele. Eles não estão, não falam... não dizem nada. E eu sacudo... Este sonho acontece sempre, e ultimamente eu já arranjei coragem suficiente para sacudi-los. Mas...
F: No sonho você pode fazer o papel... O que acontece quando você os sacode?
J: Ah! Nada. Quero dizer, eu... eu só sinto um esqueleto... um esqueleto. E no sonho eu berro alto mesmo com os dois. Eu digo para eles acordarem. Eles não acordam. Eles são só esqueletos.
F: Muito bom. Vamos começar de novo. Você está entrando na casa, não é?
J: Está bem. Eu estou entrando em casa e primeiro... primeiro eu vou para a cozinha e lá está muito escuro, e ela não está cheirando como eu lembrava. Está cheirando a mofo, como se não tivesse sido limpa há muito tempo. E eu não ouço qualquer barulho. Em geral lá é muito barulhento, um monte de barulho de crianças. E eu não ouço barulho nenhum. Então eu vou para onde era o meu quarto, e ali não há ninguém, e tudo está limpo. Tudo está arrumado e não foi tocado.
F: Vamos ter um encontro entre a cozinha e o seu quarto.
J: A cozinha e o quarto. Está bem. Eu sou a cozinha, e.... eu não estou cheirando como costumo cheirar. Geralmente eu tenho cheiro de comida. Geralmente eu tenho cheiro de gente. E agora eu estou cheirando pó e teias de aranha. Geralmte eu não sou muito arrumada, mas agora eu estou muito, muito arrumada. Tudo está guardado no lugar. Não há ninguém dentro de mim.
F: Agora represente o quarto.
J: O quarto... Eu estou muito... eu estou arrumado... eu não sei como me encontrar com a cozinha.
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F: Vanglorie-se do que você é.
J: Bem, eu estou tão arrumado quanto você. Eu também estou muito arrumado. Mas eu cheiro mal, como você, e eu não tenho cheiro de perfume, eu não tenho cheiro de gente. Eu simplesmente tenho cheiro de pó. Só que não há pó no chão. Eu estou muito arrumado e muito limpo. Mas eu não cheiro bem, e eu não estou me sentindo tão bem como geralmente costumo me sentir. E eu sei que quando a Jane entra dentro de mim ela se sente mal, quando eu estou tão arrumado e não há ninguém dentro de mim. E no sonho, ela entra dentro de mim do mesmo jeito que entra dentro de você. E ela tem muito medo. E nós estamos muito..., eu estou muito assustador. Eu estou muito assustador. Quando alguém faz um som existe eco. É assim que é a sensação no sonho.
F: Agora seja a cozinha de novo...
J: Eu também estou muito assustadora... eu, oh!
F: Hein? O que aconteceu?
J: Eu me sinto vazia.
F: Agora você sente o vazio. /J: É./ Fique com o seu vazio.
J: Está bem. Eu... agora eu não sinto. Espero. Eu perdi. Eu sou muito, sabe, eu...
F: Fique com aquilo que você está experienciando agora.
J: Eu estou de novo com a sensação de ansiedade.
F: Quando você se torna a cozinha, não é?
J: É Eu sou a cozinha..., e não existe ar fresco dentro de mim. Não há nada de bom..., eu devia estar num encontro com o quarto. Hum... Oh!
F: Diga tudo isto para o quarto.
J: Eu estou tão mofado quanto você. E é muito incongruente, porque eu estou muito limpa e sem manchas. E a mãe de Jane geralmente não me conserva assim tão arrumada. Geralmente ela está ocupada demais para me deixar tão arrumada. Há algo de errado
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comigo. Eu não estou recebendo a atenção que geralmente recebo. Eu estou morta. Eu sou uma cozinha morta.
F: Diga isto outra vez.
J: Eu estou morta. /F: Outra vez. / Eu estou morta.
F: Como você experiência estar morta? ...
J: Bem, a sensação não é ruim...
F: Agora fique como está e tome consciência da sua mão direita e da sua mão esquerda. O que elas estão fazendo?
J: A minha mão direita está tremendo e está esticada. E a mão esquerda está fechada, muito apertada e as minhas unhas estão entrando na palma da mão.
F: O que a sua mão direita quer fazer?
J: Ela está bem desse jeito. Acho que ela não quer tremer.
F: E, além disso, mais alguma coisa? Ela quer impedir? Alcançar? Eu não consigo ler a sua mão direita. Continue o movimento. (Jane faz movimento de alcançar com a mão direita.) Você quer alcançar. Ótimo. E o que a sua mão esquerda quer fazer? ...
J: Ela quer se conter. Ela está se apertando. A minha mão direita se sente bem.
F: Então mude. Deixe a mão esquerda fazer o que a mão direita está fazendo, e vice-versa. Alcance com a sua mão esquerda.
J: Não... A minha mão esquerda não quer alcançar.
F: Qual é a dificuldade em alcançar com a mão esquerda?
J: A sensação é muito diferente, e a minha mão direita não está fechada: ela está mole. Eu posso fazer. Eu posso fazer, mas...
F: Seria artificial. /J: É./ Agora alcance com a mão esquerda... (Suavemente.) Alcance-me... (Jane alcança... suspira.) ... Agora o que aconteceu?
J: Eu comecei a tremer... e parei.
F: Agora tenha um encontro entre a sua mão direita e a sua mão esquerda como estavam originalmente: “Eu estou me contendo e você está alcançando”.
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J: Eu sou a mão direita e estou alcançando. Eu estou livre. Eu estou muito relaxada, e mesmo quando eu tremo, a sensação não é ruim. Agora eu estou tremendo e não me sinto mal.
Ah! Eu sou a mão esquerda e eu não alcanço. Eu fecho o punho. E agora as minhas unhas estão tão compridas que eu me machuco quando fecho a mão... Oh! ...
F: O que aconteceu?
J: Eu me machuquei.
F: Eu quero lhe dizer uma coisa que geralmente acontece. Não sei se é o seu caso. A mão direita geralmente é a parte masculina da pessoa, e o lado esquerdo é a parte feminina. O lado direito é agressivo, ativo, extrovertido; e o lado esquerdo é sensível, receptivo, aberto. Agora experimente para ver se isto lhe serve.
J: Está bem. Sabe, a parte que grita pode sair. /F: É./ Mas a parte delicada é... não é tão fácil...
F: Muito bem. Entre mais uma vez na casa e tenha um encontro com aquilo que você encontra, ou seja, o silêncio.
J: Um encontro com o silêncio. /F: É com o silêncio. / Ser o silêncio?
F: Não, não. Você entra na casa e tudo que você encontra é o silêncio, certo?
J: Sim. Você me incomoda. O silêncio me incomoda. Eu não gosto dele.
F: Diga isto para o silêncio.
J: Estou dizendo. Ele está sentado logo aí. Você me incomoda. Eu não gosto de você. Eu não ouço muita coisa em você, e quando ouço, não gosto.
F: O que o silêncio responde?
J: Bem, eu nunca tive muita chance de chegar perto porque quando você era jovem havia muitas crianças em volta de você, o tempo todo; e os seus pais, os dois são falantes, e você é falante e, na verdade, você não conhece muito de mim. E eu acho que talvez você tenha medo de mim. Você poderia ter medo de mim?
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Vamos ver. É. Agora eu não estou com medo, mas eu poderia ficar com medo de você.
F: Então entre na casa mais uma vez, e encontre de novo o silêncio. Volte ao sonho.
J: Está bem. Eu estou na casa e ela está muito silenciosa, e eu não gosto. Eu não gosto dela tão quieta. Eu quero ouvir barulhos, quero ouvir barulho na cozinha e no quarto, e quero ouvir crianças (a fala começa a se interromper), e eu quero ouvir a minha mãe e o meu pai dando risada, eu...
F: Diga isto para eles.
J: Eu quero ouvir vocês, falando e rindo. Eu quero ouvir as crianças. Eu sinto falta de vocês. (Começa a chorar.) Eu não consigo me separar de vocês..., eu quero ouvir vocês. Eu quero ouvir vocês..., e eu quero ouvir vocês (chorando).
F: Muito bem, agora vamos inverter o sonho. Faça-os falar. Ressuscite-os.
J: Ressuscitar. /F: É./ Eu os tenho aqui.
F; Você diz que tenta sacudi-los. Eles são só esqueletos. /J: (Com receio.) Oh! . . ./ Eu quero que você seja bem sucedida.
J: Você quer que eu tenha um encontro... eu estou confusa... (Parou de chorar.)
F: Você está no quarto, certo? /J: Certo. / Seus pais são esqueletos. /J: Ahn? . . ./ Em geral, esqueletos não falam. No melhor dos casos eles se sacodem e balançam.

/J: É./ Eu quero que você os ressuscite.


J: Que os traga à vida.
F: Trazê-los à vida. Até agora você diz que os apagaria. É isto que você está fazendo no sonho.
J: No sonho eu os sacudo. Eu os pego e sacudo.


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