Perls, Frederick S. Gestalt-terapia explicada



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se sinta mais confortável, ou onde a situação inacabada fica esperando, e então você sai outra vez. Este ritmo é essencial para a vida. Se você não escuta este ritmo, você é uma pessoa unilateral; ou alguém espalhafatoso e barulhento, extrovertido, ou totalmente retraído. Isto não é um coração. (Fecha o punho.) Isto não é um coração. (Abre a mão.) Isto é um coração. (Abre e fecha a mão.) Contato-retraimento. Lembrem-se, é sempre o ritmo.
Vocês notam o quanto eu uso esta cadeira vazia, e como, identificando-se com o próprio poder, vocês o recuperam, absorvem e assimilam, tornando-o novamente parte de si mesmos. Este é o processo de crescimento, o processo pelo qual nós mobilizamos o nosso potencial. Se vocês entenderem Nietsche corretamente, quando ele fala do Super-homem, não fala do cômico Super-homem das histórias em quadrinhos, o tipo nazista, aquele que tem músculos imensos — este é o Undermensch (sub-homem). Ele fala da pessoa que é capaz de usar seu potencial ao máximo. Eu digo mais uma vez, isto só acontece se você permite que o processo de crescimento tenha lugar.
Qualquer mudança deliberada não funciona. A mudança tem lugar por si só quando você retoma, assimila, o que é disponível. O fato é que nós somos muito mais do que acreditamos ser em nossos sonhos mais absurdos. Cerca de seis meses atrás, eu tive uma experiência interessante. Eu estava chateado, então pensei: “Bem, por que não usar estes momentos de chatice para começar a escrever?”. Então comecei a escrever sobre a minha vida, e a coisa está começando a fluir — quase tudo em palavras um pouco de poesia, mas está fluindo. Neste curto período eu escrevi mais de trezentas páginas e eu acho que vai ser um livro maravilhoso; o nome é In and Out of the Garbage Pau (Dentro e Fora da Lata de Lixo). Eu deixei o excitamento se apoderar de mim. Eu tenho setenta e cinco anos. Então Pensem no que vocês têm pela frente.
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BETH
Beth: (Voz forte, áspera, estridente.) No meu sonho, eu estou com um anel de aço, como se fosse uma parte de uma roda de caminhão, em volta do peito, e eu não consigo me libertar. Eu me sinto presa pelo anel de aço, e fico tentando sair.
Fritz: Muito bem. Agora, para isto, eu preciso de um homem forte, alguém para subir aqui. (Um homem sobe.) Beth, seja o anel de aço do seu sonho. Ponha os braços em volta do peito dele e tente mantê-lo preso. (Ela faz isso e aperta forte.) Muito bem. (Para o homem.) Agora você, tente romper o anel e se libertar. (Uma luta rápida e vigorosa, e ele se liberta.)
B: (Descoberta.) Mas eu não sou feita de aço!
F: É! Captou a mensagem?
B: Eu realmente pensei que podia segurar.
F: Muito bem.
MARIAN
Marian: (Baixinho.) Eu posso cruzar as pernas se eu quiser; eu vou cruzar. Eu não tenho certeza, realmente, porque eu quis vir, mas... eu tive uma semana tumultuada. Eu me sinto toda perturbada por esta semana aqui e eu acho... talvez se eu falar com você, vou me sentir melhor, não sei direito por que. Acho que pela primeira vez eu fiz a mim mesmas perguntas referentes à minha autovalorização, e todo meu autoconceito está totalmente embaralhado agora. E durante as suas palestras eu fiquei tentando me arrumar e eu realmente não sei onde estou no momento. E eu senti... eu me senti rejeitada durante esta semana, e eu me senti rejeitada por você hoje à tarde. E eu estou certa de que deve ser a minha imaginação, mas posso dizer o que é? ... Quando eu mencionei... que tive..., uma deliciosa experiência de maratona na
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casa, eu senti que recebi duas mensagens — provavelmente dentro de mim. Mas as mensagens que recebi de você foram, uma quando você se virou para o outro lado eu pensei..., eu disse para mim mesma: “Você sabe, você não importa, então por que é que você está falando comigo?”. E a outra foi que eu senti...
Fritz: Qual foi a sentença: “Você não importa”?
M: Eu senti que não falei diretamente com você.
F: Você disse algumas palavras como: “Você não importa”.
M: Sim. Foi isto que eu disse para mim mesma.
F: Eu sei. Você pode dizer de novo: “Você não importa”?
M: Posso. Você não importa. /F: Diga isto outra vez. /
Você não importa, nem um pouco. /F: Outra vez! Você não importa, nem um pouco. /F: Diga isto para algumas pessoas.
Você não... você realmente não importa. Você não vale nada... não importa nem um pouco. Não gosto.
F: Bem, elabore um pouco. Como é que nós não importamos?
M: Bem, vocês importam, mas eu-... eu estou pensando isso de mim mesma.
F: Eu sei. Eu quero que você diga de novo.
M: E você quer que eu diga para você?
F: Sim
M:Eu posso dizer mas, veja, eu não acredito.
F:Mesmo assim, eu ainda gostaria que você fizesse o jogo.
M: Está bem. Você remente não importa. Quem você pensa que é para ser muito mais importante do que eu?
F: Continue.
M: Eu não acho que você é nem um pouco melhor do que eu... Então por que você me dá esta sensação?
F: Diga isto para mais algumas pessoas.
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F: O que você sente quando faz isto? Qual é o seu mal-estar?
M: Uma verdadeira sensação de traição. Hum... sabe, uma espécie de... “Bem, por que é que eu estou dizendo estas coisas horríveis?” E é uma espécie de... um sentimento solitário. Eu acho que não existe nada pior do que rejeição. Eu não gosto. Eu sinto, eu me sinto muito mal quando me sinto rejeitada... uma sensação de não ser, sabe, real e genuína por dentro...
F: Então a sentença seria: “Eu a rejeito porque você não é real....”.
M: (Dá uma risadinha.) Vejamos. Você realmente não me importa. Você não é importante. Betty? Eu sei o seu nome, então estou dizendo para você e eu realmente não... (ri)... acredito, mas vou usar o seu nome. Ben? Por que você me faz sentir que... que você é tão mais importante? Você não importa... Eu não me sinto bem fazendo isto.
M: Sim. Foi isto que me disseram esta semana, sabe, com...., com palavras. Quero dizer, de verdade. Não é que eu senti — não. Eu retiro isto. Não foi realmente, que você não é... você não é real. Foi: “Por que você está sorrindo? Eu não acho que você queira sorrir”. Foi isto que me disseram... E, às vezes, que eu sentia que outras pessoas eram notadas e eu não, sabe, uma porção de vezes... Então meu sentimento de autovalorização afundou de vez... E é uma... uma experiência nova para mim, porque eu nunca tinha sentido isto. Mas agora ele está voltando. Sabe, eu me pergunto por quanto tempo as pessoas... E eu não acho que elas sentiram isto e agora eu estou..., eu estou começando a... sentir cada vez mais que é um pedaço da minha imaginação, enquanto eu estou falando... enquanto estou falando disso com você.
F: Vamos investigar um pouco mais esta imaginação. Fale com a Marian. Diga: “Marian, você não nada, você é irreal”. Deprima-a.
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M: Marian, eu acho que você não vale nada, você não tem valor... Eu me sinto muito mal quando digo isto. Tr... traz um sentimento que eu tive, sabe, umas poucas vezes..., que eu não gosto...
F: Você acabou de fazê-la chorar... Faça a Marian responder...
M: Bem, eu acho que eu tenho valor, eu estou certa de ter valor, e eu não sei por que você está me dizendo isto. Eu sinto que tenho sido na minha vida uma pessoa muito valiosa, então por que você faz eu me sentir assim?
F: Troque de papel outra vez.
M: Bem, você..., você é uma impostora...
F: Como? Diga a ela como ela é impostora.
M: Você sorri quando não está realmente com vontade. Você tenta fingir que tem boa vontade em relação às pessoas, quando eu não acredito que você tenha. Eu acho que você fica tentando fazer os outros acreditarem.
F: E a Marian? O que ela responde?
M: Mas eu tenho boa vontade em relação às pessoas. Eu acho..., eu penso bem das pessoas... Você não acha isso... Então você não sabe por que eu estive nesta fossa horrível esta semana...
F: Quem fez você entrar na “fossa”?
M: Foi uma experiência que eu tive num grupo. Foi...
F: Quem fez você entrar na “fossa”?
M: Quem? Várias pessoas do grupo. Nenhuma delas está aqui agora.
F: Você pode contar o que lhe fizeram?
M: Ameaçaram... vocês ameaçaram minha integridade pessoal, dizendo que eu realmente não tenciono dizer o que eu digo, e que eu sou falsa. Eu lhes contei das vezes em que tinha... sido instrumento para animar pessoas, ajudar. E vocês questionaram isto. Vocês disseram: “Alguma vez você conseguiu fazer alguma Outra pessoa se sentir bem?”. E eu respondi: “Claro
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que sim. Eu me lembro das muitas vezes em que ajudei pessoas”.
F: Vamos lá, brigue com elas...
M: (Mais forte.) Eu não gosto que vocês questionem a minha integridade.
F: Agora você está ganhando voz. Agora faça elas chorarem.
M: (Muito forte.) Sabem que eu... eu acho... eu acho que elas são... eu não..., acredito que valha a pena... eu desperdiçar a minha energia com vocês porque eu acho que vocês são tão cheios de frescuras que eu não vou perder meu fôlego com vocês. Eu não me importo com o que vocês pensem de mim. Eu sei o que eu penso de mim mesma.
F: Você vê, então você recuperou o que tinha projetado... Como você está se sentindo agora?
M: Eu me sinto melhor. /F: É! Eu me sinto meio boba. (Risadinha.)
F: Vamos desfazer esta projeção. Diga para mim que eu sou bobo.
M: Você, Fritz? Que você é bobo? /F: É./ Bem, eu realmente penso que... eu não posso lhe dizer que você é bobo porque eu já, mais ou menos, desfiz o outro..., e.... porque eu não acho você bobo. Eu acho que eu sou boba, ou eu achava. Agora eu não acho que sou.
F: Você pode perdoar a Marian por ter sido boba?
M: Posso.
F: Diga isto para ela.
M: Marian, eu a perdoo por ser tão boba a ponto de projetar em outras pessoas ou de, “numa pior”, projetar noutra pessoa... Obrigada, Fritz.
F: Você vê, o problema com o jogo da autotortura é que, quando você se tortura, você age como um “espalha-fossa”. Você envenena toda a atmosfera e deprime todo mundo. Tente absorver isto.
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GAIL
Gail: (Riso nervoso.) Aqui em cima dá muito mais medo do que eu pensei que ia dar.
Fritz: Fale sobre esta experiência: “Dá medo”.
G: Meu coração está batendo forte. Todos vocês subiram aqui e trabalharam, e.... puts!
F: Muito bem. Retraia-se para dentro do seu corpo, para a sua ansiedade.
G: Meu..., eu posso sentir o meu coração bater, e o meu pulso está..., e os meus braços, as minhas pernas, o meu pescoço... Na realidade, não é um sentimento ruim.
F: Goze-o.
G: É um coração bom e forte... Eu sinto o calor do fogo nas minhas costas — isto também é bom.
F: Agora volte para nós.
G: Agora já não estou tão apavorada — sempre dá certo, Fritz.
F: Então, o que você está experienciando agora?
G: Eu estou olhando para você. Eu estou vendo você. Ontem à noite eu tive um sonho no qual eu estava num grupo..., eu estou num grupo.
F: Diga isto para a audiência. Talvez alguém esteja interessado. Pergunte se alguém está interessado no sonho. Eu não sou seu único espectador.
G: Eu realmente não me importo se eles estão interessados ou não no meu sonho.
F: Isto. Desenvolva isto.
G: Eu estou muito mais interessada em trabalhar com o Fritz do que entreter vocês. Eu não estou aqui para entreter vocês.
F: Agora você sente a verdade, o real, na sua voz? /G: Hum. / Dá para você desenvolver um pouco mais: “Eu não estou aqui para entreter vocês...”?
G: Se vocês tirarem alguma coisa daquilo que acontecer enquanto eu estiver trabalhando, ótimo, mas se
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não, também está ótimo. Eu não estou aqui para (ri) corresponder às expectativas de vocês.
F: Então você me tocou.
G: É... Eu não estou aqui para corresponder às suas expectativas.
F: Bom. Você está ouvindo a sua voz? De repente ela baixou. Lindo!
G: É. Vou tentar de novo. Fritz, eu não estou aqui para corresponder às suas expectativas.
F: Eu ainda não acredito.
G: Eu estou aqui para corresponder às minhas expectativas, infelizmente. É ai que eu “entro pelo cano”.
F: Ah! Então converse com a Gail. Diga a ela o que você espera dela.
G: Eu espero que você não estrague tudo e perca a chance que você tem para crescer. Eu espero que você fique em contato com o Fritz, e não faça os seus joguinhos bestas. E se você..., se você “avacalhar”, eu vou punir você de verdade. Eu vou fazer você se sentir terrivelmente mal.
F: Como? Como você vai punir?
G: Eu, hum... Eu vou fazer você se sentir uma merda, mas eu não sei como... como fazer exatamente.
F: Muito bem. Vamos tentar isto com o grupo: “Se vocês não corresponderem às minhas expectativas, eu vou fazer vocês se sentirem uma merda”. Diga isto para o mundo inteiro.
G: (Ri.) Se vocês não corresponderem às minhas expectativas, eu vou fazer vocês se sentirem uma merda. E vou fazer isto, afastando-me de vocês, acho. Eu acho que é assim que eu faço... É.
F: Vou trabalhar em cima de um palpite. Você pode dizer isto também para Deus?
G: Hum... Se você não corresponder às minhas expectativas, eu vou me afastar de você. Você não vai mais existir para mim... Funciona (Ri.). E se você não corresponder às minhas expectativas, eu vou me afastar de você. (A mão esquerda aponta para a audiência.)
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F: Diga isto para a audiência de novo, mas desta vez diga: “Se vocês não corresponderem às minhas expectativas, eu apago vocês”.
G: Se vocês não corresponderem às minhas expectativas, eu apago vocês.
F: Agora apague também com a mão direita. Apague-os com ambas as mãos... Outra vez... Você pode realmente apagá-los?
G: Ah! Estou de novo agitada. /F: É./ (Ofegante.)
Puts!
F: Uma força nova chegando.
G: Eu estou... minha respiração está rápida. E eu estou um pouco tonta.
F: Então retraia-se de novo.
G: Minha tontura está aumentando... Se eu me oponho, eu fico... eu fico com um pouco de náuseas, então eu acho que vou tentar ficar com ela. (Suspira)...
F: Você já desmaiou alguma vez? /G: Não. / Este é o melhor jeito de apagar. /G: É. Era isto que elas faziam na época vitoriana, As damas sempre desmaiavam. Ou ficavam com dor de cabeça ou desmaiavam...
G: Agora eu já consigo respirar mais fundo..., quando eu... eu sinto..., e a agitação sumiu... Minhas mãos ainda estão fracas.
F: Volte e diga outra vez: “Com as mãos fracas. .
G: É./ “Se vocês não corresponderem às minhas expectativas, eu apago vocês com as mãos fracas...”.
G: Se vocês não corresponderem às minhas expectativas, eu apago vocês com as mãos fracas... e elas estão fracas mesmo. Eu pago vocês com as mãos fracas... Eu não tenho força nenhuma nelas. (Suspira.)... Apago vocês...
F: Você pode construir uma fantasia do que aconteceria se você nos apagasse com mãos fortes?
G: (Depressa.) Nada... Eu apago vocês... hum...e....
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F: O que aconteceu?
G: Eu apaguei você com mão forte... Se eu realmente usasse a mão, eu bateria em você.
F: Ah! Finalmente. Diga isto outra vez.
G: Se eu usasse minhas mãos, e se elas fossem fortes, eu estou apagando você..., e, na verdade, eu fiz isto (ri) eu bateria em você... Mas eu não bato. Eu apago você com a minha voz..., com a minha voz, e não com as minhas mãos.
F: Você apaga se retraindo: “Eu sou fraca”.
G: É....É....É....
F: Em vez de usar a sua força.
G: E a tontura também. É. Certo... Em vez de fazer eles se irem, eu é que vou.

F: Exatamente. Agora, volte para a Gail: “Se você não corresponder às minhas expectativas, eu apago você com as mãos fortes”.


G: (Depressa.) Se você não corresponder às minhas... (Mais devagar.) Se você não corresponder às minhas expectativas, eu apago você com as mãos fortes. É isso... É isso! (Ri.)
F: Outra vez.
G: Puts! ... Se você não corresponder às minhas expectativas... hum... eu apago você com as mãos fortes.
F: Vamos tentar dar mais um passo: “Se você não corresponder às minhas expectativas, eu apago você com uma voz forte”.
G: (Ri.) Você está querendo me pegar, não é? (Com voz forte, rapidamente.) Se você não corresponder às minhas... Se...
F: Você quase conseguiu a sua voz.
G: Puts, eu também não sei onde ela está. É fabuloso. Eu não estou realmente aqui com você. Eu também não estou separada de você. Se você não corres-
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ponder às minhas expectativas, eu apago você com uma voz forte.
F: Diga isto outra vez.
G: (Mais alto.) Eu apago você com uma voz forte! /F: Mais alto!
Eu apago você com uma voz forte! /F: Mais

EU APAGO VOCÊ COM UMA VOZ FORTE!


F: Agora diga isto com todo o seu corpo, com a voz, com tudo.
G: (Toma fôlego.) EU APAGO VOCÊ COM UMA VOZ FORTE! EU APAGO VOCÊ! ... Hum... É... Eu também sinto isto nas costas. Apesar de eu me sentir mais forte, eu ainda sinto a agitação, aqui. Mas eu me sinto mais forte. Eu sinto que... realmente. Eu realmente apago você. Coisinha insignificante... Por que você não reage?
F: Diga isto outra vez.
G: Por que você não reage? /F: Diga isto no imperativo. /

Reaja! /F: Outra vez! Reaja! /F: Outra vez!



Reaja!
F: Agora troque de lugar.
G: Eu já nem gosto mais de olhar para ela.
F: Diga isto para ela.
G: Eu... eu nem consigo mais olhar para você. Eu fico olhando para todos os lados. Você é forte demais.
F: Isto é mentira. Queijo é forte é você
G: É mais fácil não reagir.
F: Ah! É isso mesmo.
G: (Suspira.) Senão dá problemas. Eu não...
F: Ah! Você está desmoronando de novo.
G: Ah! ... Você não pode mais me esmagar!
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F: Diga isto outra vez.
G: Você não pode mais me esmagar! Você não pode... (Mais grave.) Você não pode me esmagar... puts! Você não pode mais me esmagar... Você não pode mais me esmagar.
F: Troque de lugar.
G: Nossa! Acho que ela está falando sério. Vamos ver se é verdade. Eu esmago você! Reaja! Não tem graça esmagar você. Você é fácil demais. E não é justo.
F: Fale mais com a pessoa que está aí sentada.
G: Reaja! Eu esmago você. Eu lhe dou asma.
F: Agora faça isto comigo. Esmague-me. (Ela põe a mão no peito de Fritz e empurra delicadamente.) (Risos.).
G: Eu não estou esmagando você? ... (Ela empurra forte, como se fosse uma intensa respiração artificial.)
F: Como você se sente agora?
G: Mais forte.
F: É. Agora faça isto consigo mesma. Fique com asma. (Ela expira forte e depressa.) Mais alto. Mais. (Ela continua com respiração intensa, começa a tossir, e então fica com um chiado no peito.) Muito mais.
G: (O chiado se torna mais pronunciado, tosse mais alto, e então acalma-se, transformando-se em respiração intensa.) Minhas mãos estão quentes...
F: Agora faça ruídos, por exemplo, ruído de orgasmo ou qualquer outra coisa.
G: (Chiados, e alguns grunhidos.) Não estava bom. (Ofega, grunhe mais alto.) Ah. Uh. Uh.
F: Você está saindo à força.
G: HUH. HUH. HIJH. HUH. /F: Mais alto! HUH. HUH. IUJH. /F: Mais alto.! (Ela continua a fazer o mesmo som, um huh que vem das entranhas, profundo, com toda a força, respirando totalmente.)
F: Mais alto. Faça isto para ela... “HUH”! (Risos.)
G: (Ri.)... Obrigada.
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MARY
Mary: Você quer um sonho? (Riso.)
Fritz: Veja, o primeiro passo é... eu sempre escuto especialmente a primeira frase. Na primeira frase ela joga responsabilidade por cima de mim.
M: Está bem. Eu estou num..., parece uma guerra, e eu estou em Ohio, tentando chegar à minha casa, em Grand Rapids, Michigan. E... parece a Segunda Guerra Mundial... sabe, a gente precisa mostrar o cartão de identificação e... como nos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial... que eu assisti. Por alguma razão eu não estou com o cartão de identificação, e eu estou com uma outra mulher; eu não sei quem é esta mulher, eu não me lembro. Mas, em todo caso, nós passamos momentos muito ruins e estamos tentando dar um jeito de cruzar o Lago Erie, a gente entra nele, como se a gente fosse da Resistência Francesa, ou algo parecido. Eu... eu estou tentando chegar... eu estou tentando chegar em casa, isto é o principal, e não consigo. É isto.
F: Muito bem. Você pode fazer aqui o papel da frustradora?
M: Frustradora?
F: É. Veja, existem dois tipos de sonhos: os que realizam desejos, no sentido freudiano, e os sonhos de frustração — pesadelos. Você já pode ver como o seu sonho está cheio de frustração. Você tenta chegar em casa e sempre alguma coisa a impede. Mas, ao mesmo tempo, o sonho é seu — você está se frustrando. Então faça o papel da frustradora “Mary, eu não deixo você chegar em casa. Eu coloco obstáculos no seu caminho”.
M: Muito bem. Eu não vou deixar você chegar em casa... Continuo falando?
F: Continue. É a parte frustrante de você mesma. Ponha para fora. Veja como você consegue frustrar a Mary e impedi-la de chegar em casa.
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M: Iiih... eu não sei. Ah! ... bem, você tem que ir por este caminho ou por aquele... ou algum outro, e eu não vou deixar você chegar lá. Eu não vou deixar você se lembrar de como se chega lá, vou arranjar uma porção de outras coisas muitas outras atividades. Eu não vou deixar você atravessar o lago... Eu simplesmente vou manter você amarrada. (Levanta a mão direita como se estivesse afastando algo.).
F: Faça isto outra vez.
M: Eu vou impedir você de chegar.
F: Faça isto para a Mary.
M: Fazer para mim?
F: Sim, é claro. Você é a frustradora.
M: Muito bem, fique aí onde você está. Não avance.
F: Agora troque de lugar e seja a Mary.
M: Mas eu quero avançar.
F: Diga isto outra vez.
M: Mas eu quero chegar lá...
F: Troque de lugar.
M: Eu não vou deixar. Eu estou muito zangada com você. Eu não vou deixar você chegar lá...
F: Continue escrevendo o roteiro. Continue com o diálogo.
M: De lá para cá? /F: É./ Eu não sei direito para onde eu vou agora. Ah!
F: O que a sua mão direita está fazendo? Já notei isto algumas vezes.
M: O que a minha o quê?
F: Mão direita está fazendo
M: Está coçando a minha cabeça porque eu... eu. Bem, eu acho que eu quero ir para... eu... eu queria encontrar... eu quero chegar a mim mesma. Isso ai é a casa.
F: Certo. Há um poema lindo de Hoelderlin, e Heidegger, um dos primeiros existencialistas, escreve sobre ele. Chegar em casa significa chegar a si entrar em si mesmo. E você se impede de chegar em
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casa. /M: Hum./ E você já disse que você se impede de ficar zangada consigo mesma.
M: É, mas eu fico. A “eu zangada” está vencendo — quero dizer: continua se opondo à maturidade e continua ganhando. Continua me impedindo de amadurecer, eu acho, de encontrar a mim mesma.
F: Diga isto para ela: “Eu estou zangada com você”.
M: Eu estou zangada com você... eu estou zangada com você porque você não olha para mim... Eu estou zangada com a minha mãe porque ela não me escutava, porque ela não me amava pelo que eu era.
F: Muito bem. Então agora temos que mudar o encontro, para um encontro entre você e a sua mãe.
M: (Em voz baixa.) Mãe, você me chamava de egoísta toda vez que eu queria fazer o que queria. E, Sr. Psiquiatra, o senhor me chama de egoísta da mesma maneira. Parece que eu não consigo passar disso. Então eu... mãe, se eu fizesse o que você fazia, eu ficava fraca... seu eu fizesse o que você queria, eu ficava fraca, mas eu... eu continuei egoísta.
Mas você era egoísta. Você sempre queria estar na frente dos outros. Você queria comer, você queria ganhar... você sabe... o tempo todo “primeiro eu”. E você pensa só em si mesma, e se você não for feliz então de algum jeito você vai entender...

Mas eu realmente não sei como deixar de ser egoísta, eu...


F: Você estava olhando para mim, O que você quer de mim?
M: Eu preciso... eu tenho dificuldade em ficar nisso. Eu cheguei. ... eu fiquei presa... como um impasse.
F: Você está realmente sentindo o impasse?
M: Eu caio fora. Eu sinto. Sinto.
F: Qual é a sensação de estar no impasse? Como você cai fora?
M: Eu não gosto, merda, Sabe, eu não deveria fazer isto. Para que é que estou fazendo isto? Ah! ... é isto que eu faço. Eu entro num grupo de pessoas, fico na


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