Perls, Frederick S. Gestalt-terapia explicada



Baixar 1,73 Mb.
Página16/26
Encontro27.09.2018
Tamanho1,73 Mb.
1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   26
Fritz: O que é que há lá embaixo?
M: Um cachorro, e a outra cobra.
F: Então, aqui em cima está uma das cascavéis, e lá embaixo a outra cascavel e o cachorro.
M: E o cachorro está farejando a cascavel. Ele... ah! ... está chegando muito perto dela, como se estivesse brincando com ela, e eu quero impedi-lo...., impedi-lo de fazer isto.
F: Diga isto para ele.
M: Cachorro, pare / F: Mais alto!
Pare! / F: Mais alto!
(Grita.) PARE! /F: Mais alto. /
(Berra.) PARE!
F: O cachorro para?
M: Ele está olhando para mim. Agora está voltando para a cobra. Agora... agora a cobra está se enroscando no cachorro, o cachorro está deitado, e.... a cobra está se enrolando nele, e o cachorro parece muito já feliz.

Página 221


F: Ah! Tenha um encontro entre o cachorro e a cascavel.
M: Você quer que eu os represente?
F: Claro. Ambos. É o seu sonho. Cada parte é uma parte de você.
M: Eu sou o cachorro. (Hesitante.) Hum. Oi, cascavel. É gostoso ter você aí enroscada em mim.
F: Olhe para a audiência. Diga isto para alguém na audiência.
M: (Ri delicadamente.) Oi, cobra. É gostoso ter você enroscada em mim.
F: Feche os olhos. Entre no seu corpo. O que você está experienciando fisicamente?
M: Eu estou tremendo. Contraindo.
F: Deixe isto evoluir. Permita-se tremer e tenha suas sensações... (Todo o corpo dela começa a se mexer um pouco.) Isso. Deixe acontecer. Você pode dançar isso? Deixe os olhos abertos, e fique em contato com o seu corpo, com aquilo que você quer expressar fisicamente... Isso... (Ela caminha, com tremores e espasmos, quase cambaleando.) Agora dance a cascavel... (Ela se move lentamente, sinuosamente, graciosa.) ... Agora como você se sente sendo uma cascavel? ...
M: É como... devagar... bem... bem consciente de alguma coisa chegando muito perto.
F: Hum?
M: Bem consciente de não deixar nada chegar muito perto, pronta para atacar.
F: Diga isto para nós: “Se vocês chegarem muito perto, eu...”.
M: Se vocês chegarem muito perto, eu ataco!
F: Eu não consigo ouvir. Eu ainda não acredito em
M: Se você chegar muito perto, eu ataco!
F: Diga isto a cada um nesta sala.
Página 222
M: Se você chegar muito perto, eu ataco!
F: Diga isto com todo o seu corpo.
M: Se você chegar muito perto, eu ataco!
F: Como estão as suas pernas? Eu sinto você um tanto cambaleante.
M:È.
F: Que você não assume realmente uma posição.
M: Sim. Eu sinto que... eu estou... entre... muito forte e.... se eu me soltar, elas viram borracha.
F: Muito bem, deixe que elas virem borracha. (Os joelhos se dobram e ela cambaleia.) Outra vez... Agora experimente a força delas. Experimente — bata no chão. Faça qualquer coisa. (Ela bate várias vezes um dos pés.) Isso, agora o outro. (Ela bate o outro pé.) Agora deixe as pernas virarem borracha de novo. (Ela deixa os joelhos se dobrarem.) Agora é mais difícil não é?
M:É.
F: Agora diga de novo a frase: “Se você chegar muito perto...”.
M: Se... se você...
F: Muito bem. Mude. Diga: “Chegue perto”. (Riso.)
M: Chegue perto.
F: Como você se sente agora?
M: Aquecida.
F: Você se sente um pouco mais real?
M: Sinto.
F: Muito bem... O que fizemos foi tirar um pouco do medo de estar em contato. De agora em diante ela estará um pouco mais em contato.
Vocês vêem como se pode usar tudo de um sonho. Se, em sonho, vocês estiverem sendo perseguidos por um ogro, e vocês se tornam o ogro, o pesadelo desaparece. Vocês recuperam a energia investida no monstro. Então ó poder do ogro não se encontra mais do lado de fora, alienado, mas dentro de você, onde você pode usá-lo.
Página 223
CHUCK
Chuck: (Voz segura e confiante.) Dá para você dizer de novo esse negócio do ogro? Eu acho que não entendi direito. O ogro do lado de fora e o ogro por dentro.

Fritz: Você tem algum pesadelo?


C: Tenho... (Riso)... (Ele sobe para trabalhar.) O pesadelo não é constante, mas eu já tive umas duas ou três vezes; uma... eu me lembro muito vividamente, eu estava guiando, descendo a colina da minha casa...
F: Você se lembra do nosso trato?
C: Sim. Desculpe. Nós estamos no presente. Desculpe. Muito bem. Lá vamos nós. Eu estou descendo a colina, de carro, a caminho do trabalho, e o meu filhinho passa correndo na frente do carro e eu o atinjo, e isto é apavorante. Aconteceu duas ou três vezes.
F: Agora seja o carro.
C: Muito bem. Aí ou aqui onde eu estou?
F: Apenas represente o carro — como se você fosse o carro.
C: Eu estou guiando... dando ao carro uma vida própria, que ele não tem?
F: É.
C: Eu tenho a vida. O carro faz o que eu mando.
F: Diga isto para o carro.
C: Carro, você faz o que mando. Quando eu viro a direção, você vira a roda... quando eu viro a direção, você vira, e quando você..., quando eu mantenho a direção reta, você anda reto.
F: O que o carro responde?
C: O carro responde: “Sim, senhor”. (Risos.) O que mais ele pode responder? Eu o dirijo; não é ele que me dirige.
F: Diga isto para ele.
C: Carro, eu dirijo você, e você não me dirige.
F: Agora represente o menino. Sonhe o sonho do ponto de vista do menino.
Página 224
C: Está bem. Aí vem vindo o carro do papai, descendo pela rua, e eu adoro o papai e eu quero correr e.... hum, dizer oi para o papai e de repente o carro... de repente o carro me atinge. Por quê?
F: (Contorce-se.) Que menino gozado. No momento em que o carro o atinge, ele pergunta: “Por quê?” (Risos.)
C: Bem, eu... é assim, eu estou só adivinhando. Eu não sei o que ele pensa, isto é só... o que eu imagino que ele pensa.
F: Muito bem. Seja o menino mais uma vez.
C: Está bem. Muito bem. Aí vem o papai dentro do carro, e eu adoro o papai e quero falar com ele... e ele vai me atingir! Ele me odeia!
F:E?
C: Devo representar este sonho quando ele atinge? Porque isto não acontece... isto não acontece. Eu não o atinjo. Eu acordo antes.
F: Então, neste instante você interrompe o sonho?
C: As rodas da frente estão a uns quinze centímetros.
F: Então o que é que você está evitando?
C: Eu estou evitando matar meu filho.
F: É. Agora mate o menino.
C: Muito bem. Estou descendo a colina de carro, e eu vejo o menino chegando, e não paro.
F:E?
C: Nós o atingimos.
F:E?
C: Ele está morto.
F: Feche os olhos. Olhe para ele. Ele está morto... Fale com ele, agora.
C: (Chora.) Eu não queria fazer isso. Eu não queria fazer isso. Eu não consegui parar.
F: Continue falando com ele.
C: Não tenho mais nada para dizer... exceto que eu lamento muito.
F: Diga-lhe todas as coisas que você lamenta.
Página 225
C: Eu lamento que eu costumava afastá-lo quando ele queria... vir e ficar com o papai, e eu estava muito ocupado para falar com ele.
F: Agora diga isto para ele.
C: Eu lamento ter afastado você... todas as vezes que eu afastei você quando estava fazendo alguma coisa que era..., que eu sentia ser muito importante para mim, e a coisa realmente importante não era o que eu estava fazendo, mas o fato de você querer estar com.... com o papai.
F: Agora seja ele.
C: Está bem. Ah! ... ah!
F: Volte para uma das vezes que ele quis falar com
C: Está bem. Papai, eu... eu sou o menino. Papai, por que isso é assim.... papai, onde é que o sol fica de noite? Coisas assim.
F: Muito bem. Agora...
C: Papai, eu quero falar com você. Eu pergunto qualquer coisa para você falar comigo e notar que eu estou aqui. Este é.... este é o menino.
F: Muito bem. Agora, troque. Fale desse jeito com o seu pai.
C: Está bem. Pelo amor de Deus, por que você fica aí sentado, escrevendo sermões a noite toda, quando eu estou aqui?
F: Agora prossiga com o diálogo. Faça-o responder.
C: Filho, você sabe que eu tenho um culto amanhã. Você sabe que todo sábado à tarde é dia de Sermão. Então, por favor, saia e não me aborreça, porque eu preciso aprontar isso... Eu estou projetando... eu estou projetando os seus próprios pensamentos porque não me lembro das palavras exatas, mas era algo assim.
F: Agora continue. Insista que ele deve falar com você.
C: Papai, por favor, fale comigo, ou vamos sair... me leve para o cinema. Qualquer coisa. Eu quero conversar com você sobre o que é importante para mim,
Página 226
F: Obrigue-o a escutar.
C: (Grita mais alto.) Pelo amor de Deus, escute, seu filho da puta. Isto vai ensinar você, que eu também estou aqui.
F: Muito bem. Agora volte ao seu filho.
C: Quem sou eu? Eu sou ele ou...
F: Você é você, e ele está aí sentado. Agora fale com ele.
C: O que eu estou fazendo não é assim tão importante. Vamos para a praia.

F: Você está o tempo todo olhando para mim. O que você quer de mim?


C: Eu quero que você me ajude a acabar algumas cenas.
F: Coloque o Fritz naquela cadeira.
C: Já coloquei.
F: “Fritz, eu quero que você me ajude”.
C: Fritz, eu tenho algumas cenas que estão inacabadas, e têm estado inacabadas há anos, e eu quero uma ajuda.
F: Troque de lugar. Seja o Fritz.
C: Você quer ajuda de mim? Olhe, Chuck, isto é algo que você tem que fazer. Se você sabe... se você sabe qual é.... se você sabe qual é a cena inacabada, e você sabe o que deveria fazer para acabá-la, que merda está impedindo você? Você... tudo que... tudo que você está fazendo é.... hum... jogos consigo mesmo. Tudo que... tudo que você quer fazer é tirar o corpo for e deixar eu fazer as coisas por você. Bem, eu não vou fazer. Você é quem vai fazer.
F: Isso. Você vê o quanto você quer o meu apoio.
C: É claro que eu quero.
F: Agora, este Fritz da cadeira vazia vai lhe todo o apoio de que você necessita. Agora troque lugar.
Página 227
C: Muito bem. Este Fritz é.... aqui há um Fritz, agora, eu sou eu.
F: É.
C: Muito bem... hum... Fritz, pelo amor de Deus, dá para você me ajudar? ... Eu não estou recebendo nenhum feedback seu. (Risos.) Porque eu já sei qual é o feedback; eu acabei de dar...
F: Você não vai me sugar aí para dentro. (Risos.) Comigo você pode bancar o coitadinho até o dia de São Nunca. Eu sou um frustrador muito bom.
C: Está bem. Hum... Fritz, este Fritz não vai me ajudar mesmo.
F: Vai sim.
C: Não vai não. Ele me disse que não. Este Fritz acabou de me dizer para eu me virar sozinho. É isto que eu tenho que fazer, me virar sozinho.
F: Você está disposto a escutar o que ele diz?
C: É claro que vou escutar o que ele diz.
F: Muito bem. Descubra.
C: Eu sou ele? ... Até agora ele não disse nada. Exceto o que ele já tinha dito, que todos nós sabemos.
F: Você sente que está preso?
C: Neste instante eu estou bem preso.
F: Agora descreva a experiência de estar preso.
C: Não se pode ir... é muito simples, não se pode ir nem para frente nem para trás. Você fica no lugar. Você está preso. Você não se move. Você..., ah! ... eu sinto..., que... que na situação em que se está preso, qualquer coisa que a gente faça está errado. Qualquer Coisa que a gente faça é.... é.... se... se ela consegue fazer você se mover, é só para afundar mais e não... e não para sair. Assim, o melhor..., o melhor é ficar Preso e ficar quieto... E você ainda está me deixando Preso. Preso. Você está preso, eu estou preso. Então você não vai me desprender, vai?
F; Certamente não. (Riso.) Eu sou um frustrador. Certamente não sou um salvador de alpinistas.
Página 228
C: Muito bem. Onde é que nós estamos presos?
F: Pergunte a ele.
C: Bem, neste instante ele está sendo bem pouco comunicativo. Não está me dizendo muita coisa. Hum... Está bem. Vou ser ele. Você ainda precisa se desprender. Você ainda precisa decidir por si só o que vai fazer, e o que... o que tem significado e o que não tem. E você é o único que sabe disso, então por que você não se mexe e age?
Agora eu de novo. Fritz, você..., é claro que eu sei o que fazer, mas... se eu... se eu fizer alguma coisa, de um jeito ou de outro, alguém “vai se machucar”.
F: Ah! Então você já recebeu a primeira mensagem. Alguém “se machuca”.
C: Porque é o seguinte: Se eu desistir do que eu... do que é importante e tem significado para mim, para... ah! ... bem, digamos que é isso: eu tenho que elaborar um contrato, Fritz, e é domingo à tarde, e o negócio é para segunda de manhã, e não está pronto. Se eu não... se eu deixo o trabalho de lado e levo você à praia, ou a qualquer outro lugar, e não elaboro o contrato, eu “me machuco”, e eu também tenho o direito de “não me machucar”. Se eu... se eu não elaboro o contrato e o levo para... não, se eu elaboro o contrato e não o levou à praia, ele “se machuca”. Então o que quer que eu faça está errado. O que quer que eu faça, alguém vai sentir alguma dor... ou ele ou eu, e às vezes eu tomo as dores, e às vezes jogo sobre ele, mas nenhum de nós... mas nenhuma das soluções é muito satisfatória. Então o que acontece depois? O que é que faço, jogo tudo para o alto? O que é que eu faço, abandono o que é importante para mim, de modo que todos vocês “não se machuquem” mais? Eu não consigo ser Fritz outra vez.
F: Neste exato instante, eu estou me sentindo um muro de lamentações.
C: Ah!?... Muito bem. Aceito. Eu ainda estou buscando apoio do ambiente... como louco.
Página 229
F:É.
C: Por que o apoio não está aqui fora? Por que é que eu preciso fazer tudo sozinho? Por que eu não recebo um pouco de ajuda?
F: Nhanhianhianhanhnhá. Fale deste jeito, sem usar palavras.
C: (Faz isto.) É, é isto que eu estou fazendo. Aceito.
F: Continue. Continue.
C: Está bem. (Faz os mesmos sons sem sentido, ainda mais chorosos, como uma criança pequena, e então transforma os mesmos sons em palavras.) Ninguém me ama. Ninguém me ajuda. Nhianhnnhnnhiá.
F: Quantos anos você tem nesse papel?
C: Mais ou menos três anos.
F: Três anos. Está na hora de você atingir esta criança.
C: É sim!
F: Agora converse com esta criança, com a criança de três anos. A criança nhiannhiá.
C: Nhiá, vá plantar batatas, eu estou ocupado. Vire-se sozinho..., sozinho..., vá brincar com seus amigos, eu tenho mais o que fazer. E se você se machucar, sinto muito. Sinto muito. Mas eu também conto.
F: Diga isto outra vez.
C: Sinto muito..., mas eu também conto, e não se esqueça disso.
F: Diga isto: “Eu também conto”.
C: Eu também conto, merda, e lembre-se disto de agora em diante!
F: Diga isto à audiência.
C: Eu também conto, merda, e eu... lembrem-se disto, todos vocês, de agora em diante. Todos vocês!
F: Diga isto a mais pessoas — a sua esposa, seu pai, e assim por diante. Diga isto a todo o seu meio ambiente.
C: Lembrem-se de uma coisa, e metam isto bem fundo, e guardem bem porque de agora em diante vai ser assim. Eu também conto! Tanto quanto vocês...
F:É.
C: Por que o apoio não está aqui fora? Por que é que eu preciso fazer tudo sozinho? Por que eu não recebo um pouco de ajuda?
F: Nhanhianhianhanhnhá. Fale deste jeito, sem usar
Página 230
F: Diga isto para mim também.
C: Eu também conto! Eu sou tão importante quanto qualquer outra pessoa nesta sala, e não se esqueça... (Como se estivesse pedindo permissão.) Certo? (Risos.) E eu posso acabar as minhas próprias cenas. Posso dizer isto de novo? (Risos.) Porque eu quero me lembrar disto. Eu posso acabar minhas próprias cenas.
F: Pode. Agora eu concordei com você em muita coisa, exceto que eu não acredito nas suas regras fabricadas, que você precisa ou acabar o trabalho ou sair com o menino. Eu acho que isto é mentira.
C: Certo... É claro que é mentira. Porque, na realidade, no caso de... eu estou fazendo uma generalização, isto aconteceu uma vez, exatamente desse jeito. Eu saí com ele para ir à praia, e admito que o trabalho é feito, de qualquer forma, às quatro da manhã. E o trabalho é bom ou não independentemente. E então... não foi ou isso /ou aquilo, foi ambos/ e, e não há razão para não ser sempre assim.
F: Exatamente... Bem, eu vejo a mensagem existencial de sonho como sendo: “Você não precisa esperar até atingir seu filho para entrar em contato com ele”. Você não precisa copiar seu pai nem mais nem menos, mas a mesma coisa, e lembrem-se disto! Ponham isto na cabeça. Merda, eu também conto e lembrem-se disto!
BILL
Bili: Eu tenho uma espécie de vulcão dentro de mima e ele vive entrando em erupção.
Fritz: Muito bem. Eu tento reforçar a cadeira vazia porque isso é algo que vocês podem facilmente fazer sozinhos em casa. Na realidade, alguém sugeriu fabricar pequenos bonecos de pano, “Fritzinho”, e.... (Muito riso.) Então, tenha um vulcão, fale com ele.
Página 231
E: Você está aí dentro. Você simplesmente está aí e na maior parte do tempo eu nem sei que você está aí... eu continuo me divertindo e, de vez em quando, você entra em erupção e eu acabo tremendo e fico meio sem controle, e eu não consigo entender o que acontece.
F: Seja o vulcão.
B: Bem, eu estou esperando. Eu posso entrar em erupção a qualquer instante, é bom você tomar cuidado.
F: Diga isto para mim.
B: Eu posso entrar em erupção a qualquer instante, é bom você tomar cuidado.
F: Hein?
B: (Mais alto.) Eu posso entrar em erupção a qualquer instante..., é bom você tomar cuidado.
F: Eu ainda não estou ouvindo.
B: (Alto.) Eu posso entrar em erupção a qualquer instante..., é bom você tomar cuidado.
F: Muito bem. Eu estou pronto.
B: Rrrrrrrruuuuuaaaaau! (Risos.)
F: O que você está sentindo agora?
B: (Baixinho.) Tremendo.
F: Feche os olhos. Entre na tremedeira — entre no seu corpo.

B: Eu não me sinto tão mal assim. Eu não sei porque está tremendo. Eu não sei porque estou tremendo.


F: Você pode deixar a tremedeira evoluir? Eu posso lhe dar o diagnóstico: você sofre de supercontrole. Então, descontrole-se, trema um pouco...
B: (Após uma longa pausa.) Parou.
F: Muito bem. Volte e fale com o vulcão.
B: Bem, você faz muita algazarra, mas a explosão não é tão ruim assim. Se eu simplesmente deixar você explodir... parar de manter você engarrafado...
F: Você pode elaborar uma fantasia: se você fosse um vulcão, e entrasse em erupção total, o que aconteceria?
Página 232
B: Faria tudo em pedaços — partes voando em todas as direções. Bolas de fogo explodindo por todos os lados. Não sobraria nada.
F: Você destruiria tudo. Então, você pode nos dizer o que faria conosco se fosse um vulcão?
B: Eu explodiria... eu faria todo este lugar voar pelos ares.
F: Escute a sua voz.
B: Minha voz está absolutamente morta.
F: Está. Quem vai acreditar em você?
B: Ninguém. (Riso.) O vulcão não machuca mais ninguém. Ele só faz eu voar pelos ares. Ninguém mais é atingido. As pessoas ficam aí olhando a minha explosão e se perguntando o que aconteceu.
F: Você pode dizer isto para nós?
B: Se eu explodisse na frente de vocês, vocês ficariam aí sentados, assistindo eu explodir, e diriam: “Que diabos ele está... o que está acontecendo com ele? Ele não está me machucando nem um pouco. Ele está fazendo um barulhão, berrando a plenos pulmões”.
F: Agora você pode representá-lo de novo?
B: Representar o quê?
F: O vulcão! Deixe-nos assistir a explosão. Dê uma exibição.
B: De um vulcão.
F: É.
B: BBBRRRRRR!
F: Continue.
B: RRRRR00000UUUUR! Não dá nada certo.
F: Agora escute a sua voz — é uma voz fraca, mansa. Você vê a fragmentação de si mesmo, entre uma pessoa bem fraca e um vulcão. Não há nada no meio,

Continue a representar o vulcão.


B: Eu sei que não adianta. Eu não... eu não posso... eu sei que aqui eu estou só representando, fazendo a jogo, ou... não tem sentido.
Página 233
F: Escute a sua voz de novo. Represente a sua voz.
B: Minha voz diz: “Eu estou falando num tom bonito, controlado, não digo nada que possa ferir alguém... deixando todas as emoções de fora”.
F: Agora seja a voz do vulcão, O que o vulcão diria?
B: (Ruge com voz muito forte.) VÃO PRO INFERNO!
F: Seja a sua voz de novo.
B: Não existe emoção real. Por que esperar que haja? Na realidade, eu não sinto nada. Eu não estou com raiva de você. Você não me fez nada.
F: Fale como o vulcão outra vez.
B: (Brada.) O que há de errado com você?! (Voz normal.) Por que eu não sinto nada..., em relação a você? Eu quero um contato real e não sinto.
F: Eu gostaria de ver uma discussão entre a sua voz do vulcão e a sua outra voz.
B: Voz do vulcão, você só sabe fazer barulho. Você assusta as pessoas, mas não as convence.
E o que você pensa que você faz? (Risos.) Você nem mesmo assusta. E então? Faça alguma coisa, mostre alguma coisa — real.
Bem, eu sou tão real quanto você, mas eu acho que também não é isso que eu quero ser...., não quero ser nem você nem eu. Eu gostaria de ser uma voz convincente..., que realmente afirma o que diz, e soa afirmando o que diz.
F: Ah! Agora descobrimos algo — que você não tem centro de confiança. Você está dividido numa voz mansa e dócil, e noutra vazia e valentona, mas falta o centro; falta a confiança. Então, faça elas continuarem. A mansa e dócil, e a valentona — a gritona.
B: Em vez de berrar com essa voz alta e forte, que tal se você se expressasse exatamente do jeito que se sente — se você estiver convencido, ou algo assim, diga. Talvez você esteja com medo de usar o seu verdadeiro eu, de expor o seu verdadeiro eu. Você precisa expor O seu eu barulhento ou ficar agradando...
Página 234
Mas agora eu estou apavorado. Eu gostaria de ser capaz de simplesmente sentir... sabe, exprimir o que eu sinto. Talvez eu seja capaz. Eu me sinto nervoso.
F: Feche os olhos e entre no nervosismo. Retraia-se e regresse ao seu nervosismo. Não há um excitamento tão tremendo como no vulcão, mas no nervosismo existe algum excitamento. Como você sente o nervosismo? Você consegue sentir alguma vibração?
B: Eu sinto vibrações e eu sinto..., os dedos formigando. Eu quase sinto lágrimas distantes chegando... muito distantes.
F: O que você está sentindo nos seus órgãos genitais, especialmente nos testículos?
B: É meio difícil de descrever... Eu acho que parece a sensação de um menino..., como algumas vezes eu sentia quando saía da banheira.
F: O que você está sentindo nos olhos, no seu globo ocular?
B: Eu não consigo sentir tanto o globo ocular como as contrações em volta dele.
F: É. Dá para você contrair um pouco mais — ou imaginar que está contraindo um pouco mais? O que você está sentindo nas mãos?
B: Elas estão apertadas.
F: O que você está sentindo nos testículos?
B: Nada.
F: Eles estão aí?
B: Estão.
F: Nenhuma contração?
B: Não...
F: O que você está experienciando agora?
B: Lágrimas nos olhos. Eu sinto minhas mãos se apertando.
F: Você pode dizer para a audiência: “Eu não VOU chorar”?
B: Eu não vou chorar. /F: Outra vez. /

Eu não vou chorar. /F: Outra vez. /



Eu não vou chorar. Eu não vou chorar.
Página 235
F: Quais são suas objeções a chorar?
B: Eu não tenho objeções reais. Eu tenho medo do que as pessoas vão pensar de mim se eu chorar.
F: Muito bem. Troque de lugar e seja as pessoas.
B: Nós não vamos pensar nada demais se você chorar. Não há nada de errado em chorar. Se você sente que quer chorar, então é porque está precisando.
Eu sei tudo isso de maneira abstrata, mas alguma coisa por dentro continua me retendo — às vezes conscientemente, às vezes inconscientemente.
F: Feche os olhos de novo. Forneça os detalhes exatos de como você retém suas lágrimas. Quais são os músculos que você usa, e assim por diante.
B: Agora eu não estou sentindo. Eu consigo me lembrar de como me contenho, tencionando a garganta, apertando os maxilares.
F: Dá para você fazer isto agora? (Entre os dentes.) “Eu não vou chorar.”
B: Eu não vou chorar.
F: Isso. Aperte os maxilares. Contenha-os.
B: Eu não vou chorar. Eu não vou chorar.


1   ...   12   13   14   15   16   17   18   19   ...   26


©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal