Perls, Frederick S. Gestalt-terapia explicada



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J: Neste instante?
F: É. Sempre neste exato instante.
J: Segurando a minha cabeça. Eu...
F: Como se? ...
J: Para não ver?
F: Ah! Você não quer ver aonde você está indo, não quer ver o perigo.
J: Hum, (Suave.) Eu estou realmente com medo... do que pode haver lá embaixo... Poderia ser
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terrível, ou simplesmente tudo preto, ou talvez só esquecimento.
F: Agora eu gostaria de entrar nesse preto. Este é o seu nada, o seu vazio, o vazio estéril. Como você se sente estando no nada?
J: De repente, o nada é eu estar descendo, agora... Eu ainda tenho a sensação de estar descendo, e é meio excitante e animador... porque eu estou me mexendo, e estou muito viva..., eu não estou mesmo com medo. É mais... é terrivelmente excitante e.... a antecipação... o que eu vou descobrir no final disso. Não é realmente preto — é uma espécie de descida, de algum jeito lá há uma luz, de onde ela vem, eu não...
F: Isso. Eu quero pegar um atalho, para dizer alguma coisa. Você tem consciência do que você está evitando neste sonho?
J: Se eu tenho consciência do que estou evitando?
F: Ter pernas.
J: Ter pernas?
F:É.
J: Pernas para me levar a algum lugar.
F: É. Em vez de se sustentar sobre as suas próprias pernas, você se apoia num pedaço de cartolina, e se apoia na gravidade para carregá-la.
J: Passivamente... passivamente pelo túnel... pela vida.
F: Qual é a sua objeção contra ter pernas?
J: A primeira coisa que me vem à cabeça é que alguém... a primeira coisa foi que alguém poderia me derrubar, e depois eu percebi que tinha medo que minha mãe me derrubasse. Ela não quer que eu tenha pernas.
F: Agora, tenha outro encontro com ela. É verdade que ela não quer que você se mantenha sobre as suas próprias pernas..., sobre os seus próprios pés?
J: (Queixando-se.) Por que você não quer que eu me sustente sobre as minhas próprias pernas?
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Porque você é incapaz. Você precisa de mim. Eu não preciso de você. Eu posso andar pela vida por mim mesma... Eu posso! ... Ela deve ter dito: “Você não pode”.
F: Aí você nota a mesma raiva... /J: É, eu notei. / e falta de firmeza, falta de suporte.
J:É.
F: Veja que a forma em que nós somos construídos é muito peculiar. A estrutura inferior é para suporte, e a superior para contato; mas é claro que sem um suporte firme e bom, o contato também é vacilante.
J: Eu não deveria me zangar.
F: Eu não disse que você não deveria se zangar, mas a raiva ainda é.... /J: É muito vacilante. / É muito vacilante, isso mesmo.
J: Eu tenho medo de me sustentar sobre as minhas próprias pernas e de me zangar... com ela.
F: E encará-la realmente. Agora sustente-se sobre as suas pernas, e encontre a sua mãe, e veja se consegue falar com ela.
J: (Mole.) Eu estou com medo de olhar para ela.
F: Diga isto para ela.
J: (Alto.) Eu estou com medo de olhar para você, mãe! (Expira forte.)
F: O que você está vendo?
J: O que eu estou vendo? Eu estou vendo que eu a odeio. (Alto.) Eu odeio você por me impedir toda vez que eu queria ir para o outro lado da fileira do supermercado.
(Gritando.) Volte já para cá! Não vá para o outro lado!
Eu não posso ir para o outro lado. Eu não posso pegar ônibus. Não posso ir para Nova lorque — enquanto eu não estiver na universidade. Vá à merda!
F: Quantos anos você tem agora que está representando isto?
J: Bem, eu estou... no supermercado, tenho entre Os seis e dez ou doze anos...
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F: E quantos anos você tem na verdade?
J: Na verdade? Trinta e um! F: Trinta e um/ Ela até já está morta.
F: Muito bem, você pode falar com a sua mãe como uma mulher de trinta e um ano? Você pode ter a sua idade?
J: (Baixo e firme.) Mãe, eu tenho trinta e um anos. Eu já sou capaz de andar sozinha.
F: Note a diferença. Muito menos barulho, e muito mais substância.
J: Eu posso me sustentar sobre as minhas próprias pernas. Eu posso fazer qualquer coisa que queira fazer, e eu posso saber o que eu quero fazer. Eu não preciso de você. Na verdade, mesmo que eu precisasse de você, você não está mais aqui. Então por que você fica por aí?
F: Isso. Você pode dizer adeus a ela? Você pode enterrá-la?
J: Bem, agora eu posso, porque estou no fundo da rampa, e quando eu chego, eu me levanto. Eu me levanto e dou uma volta, e o lugar é lindo.
F: Você pode dizer à sua mãe: “Até logo, mãe, descanse em paz”?
J: Eu acho que eu disse... Tchau, mãe. (Quase chorando.) Tchau! ...
F: (Delicadamente.) Fale com ela. Vá ao túmulo dela e fale com ela sobre isso.
J: (Chorando.) Tchau, mamãe. Você não tem culpa do que fez. Não foi culpa sua ter primeiros três meninos, e então você pensou que seria outro menino, e você não me queria e você se sentiu tão mal quando descobriu que eu era menina. (Ainda chorando.) Você só tentou fazer tudo por mim. Você não precisava rue sufocar... Eu desculpo você, mamãe... Você trabalhou duro. Agora eu posso ir... é claro, eu posso ir.
F: Você ainda está contendo a respiração, Jean.... J: (Para si mesma.) Você tem certeza, Jean? ... (Delicadamente.) Mamãe, deixe eu ir embora.
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F: O que ela diria?
J: Eu não posso deixar você ir embora.
F: Agora diga isto à sua mãe.
J: Eu não posso deixar você ir embora?
F: É. Você a mantém. Você está se apegando a ela.
J: Mamãe, eu não posso deixar você ir embora. Eu preciso de você, mamãe, eu não preciso de você.
F: Mas você ainda sente falta dela..., não é?
J: (Muito delicadamente.) Um pouco. Só alguém aí... E se não houvesse ninguém? ... E se fosse tudo vazio, e escuro? Não está tudo vazio e escuro — tudo está lindo... Eu vou deixar você ir... (Suspiro, quase inaudível.) Eu vou deixar você ir embora, mamãe...
F: Eu estou muito contente com esta última experiência — nós podemos aprender tanta coisa dela. Notem que não foi uma encenação. Não foi um chorar buscando simpatia, não foi um chorar para conseguir controle, foi uma das quatro explosões que eu mencionei; a capacidade de explodir em pesar; e este lamento, como o chamava Freud, é necessário para se crescer, para se dizer adeus à imagem da criança. É essencial. Muitas poucas pessoas conseguem realmente visualizar, conceber a si mesmas como adultos. Em geral todo mundo precisa da imagem de um pai ou de uma mãe por perto. Foi aí que Freud foi totalmente “para o brejo”. Uma das poucas coisas nas quais estava completamente errado. Ele pensava que uma pessoa não amadurece porque tem traumas de infância. É exatamente o contrário. Uma pessoa não quer assumir a responsabilidade pela pessoa adulta, e assim racionaliza, se apega a memórias de infância, à imagem de que é uma criança, e assim por diante. Porque crescer significa estar só, e estar só é o pré-requisito para maturidade e contato. Solidão, isolamento, ainda é sentir necessidade de apoio. Hoje, Jean deu um grande passo na direção do crescimento.
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CAROL
Carol: Eu estou tentando decidir se me divorcio ou não do meu marido, e isto já leva dez anos.
Fritz: Um verdadeiro impasse! Uma verdadeira situação inacabada. E isto é típico do impasse. Nós tentamos tudo para manter o status quo, em vez de tentar superar o impasse. Nós mantemos os jogos de autotortura, os casamentos ruins, a terapia na qual nós melhoramos, melhoramos, melhoramos e nada se modifica; mas o nosso conflito interior é sempre o mesmo, nós mantemos o status quo. Então, fale com o seu marido. Coloque-o aí.
C: Bem, eu me sinto como... eu sinto que descobri algumas coisas, Andy, e descobri o que você é para mim, e eu amo você de certa maneira. Sabe, eu não amava você quando eu me casei, mas agora eu amo, de certa maneira, mas... mas eu sinto que eu não vou ser capaz de crescer se ficar com você, e eu não quero ficar doida.
F: Troque de lugar.
C: Isto não é justo, Carol, porque eu a amo muito, e nós estamos juntos há tanto tempo... e eu quero cuidar de você..., eu só quero que você me ame, e....
F: Eu não entendo. Primeiro ele diz que ama você, a agora você diz que ele quer... que ele precisa de amor.
C: Sim. Eu... eu realmente preciso... eu acho que preciso de amor.
F: Isto é comércio? Um tratado comercial — amor vs. amor? ...
C: Eu preciso de você.
F: Ah! Por que você precisa da Carol?
C: Porque você é excitante... Eu me sinto morto sem você.
Você é um moleirão, Andy. Eu não posso sentir... por nós dois... Eu estou... eu sei, eu também estou com medo, estou realmente com medo de me separar.
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Eu também tenho medo de me separar, mas... nós simplesmente estamos com medo. Nós dois precisamos de amor. Eu não acho que posso dar esse amor para você.
F: Comecemos pelos ressentimentos. Diga-lhe do que você se ressente em relação a ele.
C: Ah! Eu me ressinto de você ser um fardo nas minhas costas. Eu me ressinto... Toda vez que eu saio de casa, eu tenho que me sentir culpada. Eu me sinto culpada por...
F: Agora, isto é mentira. Quando você se sente culpada, na verdade você está ressentida. Risque a palavra culpada, e use a palavra ressentida sempre.
C: Eu me ressinto de não ser capaz de me sentir livre. Eu quero me mexer. Eu quero... eu me ressinto... eu me ressinto dos seus resmungos...
F: Agora diga-lhe o que você aprecia nele.
C: Está bem. Eu realmente aprecio... você tomar conta de mim, e você me amar, porque eu sou... eu sei que ninguém mais poderia realmente me amar como você. Eu me ressinto...
F: Agora risque a palavra “amar”, e coloque as verdadeiras palavras no lugar.
C: Oh! Eu me ressinto por você me reprimir. Eu me ressinto por você me tratar como uma menininha.
F: O que é que ele deveria fazer?
C: Você devia ir para a cama comigo, e meter em mim. E eu não quero mais meter com você, do jeito que você quer. Eu não quero. Você devia fazer isto. Alguma coisa está errada, alguma coisa deveria ser diferente. Eu... eu realmente gostaria de amar... alguém. Eu... eu estou cansada deste lugar, de só ser amada. Eu sinto que existe um buraco em mim, eu tenho um buraco enorme em mim. Eu quero crescer.
F: Que idade você sente que tem?
C: Que idade? Eu... eu não tenho..., eu não sei. Eu sei que o tempo todo eu reconheço duas vozes, e eu
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tenho tentado não falar demais aqui para não ouvi-las. Uma é muito infantil, e uma é.... uma que eu gosto, soa como uma voz adulta. É uma que eu uso muito no telefone. Às vezes é muito estridente e hostil.
F: Agora você consegue ouvir a sua voz?
C: É.... é uma espécie de meio-termo. É.... ah! controlada, então não pode ser infantil.
F: Bem, neste instante eu reajo à sua voz por meio de sono. Você me hipnotiza, me faz adormecer...
C: (Chora.) Eu me faço adormecer, assim.... /F: É. É sim. /... e então parece que eu não consigo ir além... de onde eu estou agora... eu posso crescer, e quando eu realmente penso em tomar uma decisão... então, me faço adormecer. Ou eu vou dormir, ou tenho cinco empregos. (Ri.) Eu simplesmente enlouqueço de trabalhar. E então, de vez em quando, eu tenho alguma experiência, e penso: “Bem, vou pensar nisso” e, em vez de pensar, eu simplesmente bloqueio, e vou dormir. Ou fico sentada e adormeço, ou tomo pílulas para dormir e durmo.
F: Agora eu quero um encontro entre a Carol e o dormir.
C: Oh! O dormir. Muito bem. Devo ser o dormir, aqui?
F: Não, aí está a Carol. O dormir está aqui.
C: Puxa, como eu gostaria de dormir. Talvez eu consiga dar uma cochiladinha hoje de tarde, ou... se eu puder me livrar deste trabalho, vou dormir. Mas, talvez eu fique acordada um pouco mais, assista televisão ou qualquer outra coisa. Acho que não há nada para fazer, vou ter que ir dormir. Acho que não vou conseguir dormir sozinha, vou tomar uma pílula para ter certeza de dormir, porque daqui a algumas horas eu preciso acordar e não posso me atrasar. Vamos lá. Muito bem. Eu vou dormir e eu vou..., eu vou ser O dormir.
Ah! Eu sou o dormir... Não é como eu pensei. Eu sou o dormir. (A voz se reduz a um sussurro.) Eu
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não sou realmente... Eu não sou nada..., eu não trago descanso. Eu sou doentio... eu sou doentio..., eu sou agitado... eu não trago paz... eu não trago paz. Eu estou... sonhando e falando, eu estou ouvindo sons...
F: Agora seja Carol outra vez.
C: Eu estou tensa. Minhas costas estão doendo. Meus olhos estão cansados. Minhas pernas estão tensas. E eu... fantasio..., eu fantasio muito.
F: Sim.
C: E quando eu estou na cama, eu fantasio muito.
F: Por exemplo?
C: Bem, eu tenho meus velhos modelos. (Ri.) O Príncipe Encantado..., eu não..., eu não acredito mais nele. (Chora.) Ele não me abandonava até seis meses atrás, e agora eu não acredito mais nele. Eu tenho que fazer as coisas sozinha..., nada..., toda esta besteira de fantasia não ajuda nada, pelo menos para mim. Eu tenho que fazer alguma coisa por mim mesma. Eu quero chegar a uma definição no meu casamento, de um jeito ou de outro. Ou dá ou desce..., de um jeito ou de outro, porque não dá mais para ficar gastando energia e perdendo tempo, todo dia pensando que vai ser o dia da decisão.
F: Agora diga isto — fale deste jeito com a Carol:
“Carol, ou dá ou desce”.
C: Eu já disse.
F: Diga de novo.
C: Oh! (Ri.) Oh! Carol, quando é que você vai se decidir? O que é que você vai fazer? Faça alguma coisa, pelo amor de Deus. Você não sai dessa mesma toada boba e monótona — sempre com seu maldito mundo de fantasia, Príncipe Encantado. Você já não é mais tão bonita. Você nunca foi. Levar você embora, merda. Ninguém vai vir e levar você embora. Levante-se e vá, se é que você quer ir.

F: Troque de lugar...


C: É, mas aqui pelo menos eu sei o que tenho. Não é mau realmente, se eu olhar por cima. Pare de ser
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tão dramática, na verdade não é mau. Eu tenho sorte. Aghgghlhch! (Risos.)

F: Diga isto outra vez.


C: Agghhch! /F: Outra vez./ Aiaghh!/ F: Outra vez./
Aiaggh! Tão razoável. Oy, vei! Você tem sido tão razoável. Bem, é claro que você deu um fora.
F: Troque de lugar outra vez.
C: Eu esqueci quem eu sou aqui.
F: É isso que eu digo! Eu concordo. É. Muito bem, eu quero acabar neste ponto. Tudo que eu posso dizer é que você é um magnífico exemplo de alguém que está preso, encalhado. Você está presa no seu casamento, você está presa com as suas fantasias, você está presa na sua autotortura.
C: Então o que isto significa?
F: Que você está presa... Você quer alguma coisa de mim, agora? Você está me olhando como se quisesse alguma coisa.
C: Oh! eu sei que você não pode mesmo me ajudar a tomar as minhas decisões, mas... /F: Mas.... /
Mas talvez você me ajude a entender onde eu estou — se eu estou fazendo algum progresso.
F: Não. Você está presa. Você está num pântano.
C: Então, como se sai dele? Como eu saio disso?
F: Entre mais para dentro dele. Entenda como você está presa. Você assistiu o filme Woman in the Dunes? (Mulher nas Dunas.)
C: Bem, como eu faço para entrar mais? ... Pensando nele? ...
F: Bem, eu sugiro que você use as palavras: “Eu estou presa”, mais ou menos umas cem vezes por dia. Diga ao seu marido como você está presa, e converse com seus amigos, até que você entenda totalmente como está presa.
C: Obrigada.
F: Bem, o que eu gostaria de tirar disto — e este é um, exemplo magnífico: pode-se ir a um psicanalista duran-
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te cem anos, pode-se fazer masturbação mental durante cem anos. Nada mudaria. O status quo se mantém. Ela está presa, e ela quer estar presa. Se ela não ultrapassar o impasse, ficará desse jeito para o resto da vida.
X: O que você diz é que, quanto mais se entra, então, como alguém disse ontem à noite, finalmente ela se cansaria. Isto, talvez...
F: Isto seria dizer como. Eu só posso dizer o seguinte: é possível ultrapassar o impasse. Se eu dissesse como eu estaria “ajudando”, e não adiantaria nada. Ela precisa descobrir sozinha. Se ela realmente tiver claro “Eu estou presa”, talvez queira fazer alguma coisa. Ela está muito próxima de descobrir, pelo menos que está presa no casamento. No entanto, ela ainda não percebe que está presa na sua autotortura, no seu jogo: “Você deve/você não deve; você deve/você não deve; sim/mas; mas no caso de isso acontecer/ então; por que o Príncipe Encantado não vem/ mas o Príncipe Encantado não existe”. Todo este blábláblá, que eu chamo de carrossel do estar-preso. Eu acho que vocês tiveram um bom exemplo. A única solução é encontrar um mágico com a sua varinha. E isto não existe. Muito bem.
KIRK
Kirk: Eu não tenho sonho para contar.
Fritz: Muito bem, converse com esse sonho inexistente.
K: Bem, você não é inexistente, você é apenas... que eu tenho..., quando você está perto... e você foge assim que eu acordo. E todo mundo aqui está aprendendo tanto sobre si mesmo, mas você deu o fora. Você não me dá nenhuma informação para eu poder trabalhar.
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F: Troque de lugar: “Sim, eu fujo. Eu sou seu sonho, eu fujo”.
K: Bem, eu não tive culpa que você acordou e esqueceu. Eu fiz a minha obrigação. Eu sonhei. Quem esqueceu foi você. Eu não fugi.
Então a culpa é minha de novo.
F: Este deve ser um sonho de mamãe judia: “A culpa é minha de novo!”. (Risos.)
K: Que vergonha, coitadinho de mim. Você entende.
F: Você pode responder a minha pergunta sem pensar, assim que eu estalar os dedos? Sem pensar. Quando você perdeu o seu sonho?
K: Logo depois de acordar... Eu tive um sonho, e eu disse — é com isso que o Fritz quer trabalhar, e eu acordei, eu não me lembrava mais...
F: Uma vida sem sonho... O que aconteceu com o seu sonho?
K: Meu sonho... Uma vida sem sonho é algo muito triste.
F: O que as suas mãos estão fazendo?
K: Estão massageando as pontas dos dedos. Minhas mãos estão tremendo.
F: É. Vamos ter um encontro; alguma coisa está acontecendo aí.
K: Você está nervoso, e eu... eu vou proteger você, como sempre, e.... trazer... trazer a sua atividade aqui para baixo, para você não fazer com as mãos nada que não deveria fazer. Você tem vergonha de elas tremerem, do tremor da sua mão esquerda... então... ah, eu vou fechá-las.
F: Você pode dizer algumas frases começando por “Eu tenho vergonha de...”?
K: Eu tenho vergonha do meu físico, eu tenho vergonha de como eu sou incapaz de cruzar com as pessoas. Eu tenho vergonha da minha aparência. Eu tenho vergonhas achando que sou idiota em ter vergo Eu tenho vergonha...
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F: Diga isto para o Kirk: “Kirk, você deveria ter vergonha de... de se envergonhar, ou de ficar nervoso...”.
K: Você deveria ter vergonha disso. Você sabe disso. Você sabe que você tem valor, você sabe que existem coisas que você sabe fazer bem.
F: Continue a reclamar. Vire um reclamador de verdade.
K: Você deveria ter vergonha. É tão bobo, tão estúpido. É só mais uma evidência que você..., você... não vale nada. Você nem mesmo aceita... assumir as coisas que você sabe que pode fazer bem. Você deve estar podre para... para se sentir do jeito que você se sente.
F: Agora, reclame um pouco conosco. Diga para nós do que nós deveríamos nos envergonhar...
K: Vocês deveriam se envergonhar...
F: Banque o implicante.
K: Tenham vergonha na cara! Vocês estão aí sentados, olhando, por que é que vocês estão aqui? Vocês deveriam saber de tudo. Vocês deveriam saber tomar conta de si-mesmos... pensando em si mesmos, pensando que tiveram que vir até aqui para cuidar de si mesmos, quando existe tanta coisa no mundo que precisa de cuidado. Eu sei que vocês vieram para cá para o seu próprio proveito. Isto é uma coisa muito falsa.
F: Muito bom. Vamos fazer o jogo do falso. Volte para o Kirk e diga: “Kirk, você deveria ter vergonha disso e daquilo”. E então, faça o papel do Kirk e responda “Foda-se” ou reclame de volta, empreendendo um contra-ataque.
K: Kirk, você deveria ter vergonha de ser....
(Desgostoso.) Cale a boca! Você sempre faz isso! Agora cale a boca!

Então quem vai lhe dizer as coisas? Alguém precisa ficar lembrando você para se manter por baixo, e não pense que você é tão esperto assim.


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Ah, aí vai ele de novo! Gritando comigo. O dia inteiro. O dia inteiro. Deixe eu me divertir um pouco.
Eu só posso dizer, mais uma vez...
F: O que é que as suas mãos estão fazendo agora?
K: Elas estão querendo bater.
F: Ah! Certo, O reclamador agora está ficando um pouco mais forte.
K: É o que está acontecendo, porque...
F: Diga para ele: “Eu posso bater em você”.
K: Eu posso bater em você! Mas, na verdade, eu não posso bater, é por isso que eu reclamo. Minhas palavras batem. É mais seguro, porque se a gente bate de verdade, então a gente destrói, e não haveria mais razão..., não se sentir assim...., se você não estivesse aqui para reclamar. Porque se eu bater, eu destruo você.
F: Agora diga isto aos seus pais. Essa é a mamãe judia? A sua mãe reclamava? Ela é reclamadora?
K: Não.
F: Quem é reclamador? O diretor, o agressor.
K: Deus! (Ressentido.) Os seus pecados são todos por sua culpa, mas as suas virtudes são dádivas de Deus, então não..., o orgulho vem antes da queda, e toda essa merda que a gente aprende na vida.
F: Você pode dizer a Deus que você se ressente dele?
K: Ele é uma mentira de merda. (Risos.)
F: Diga para ele.
K: (Hesitante.) Você é.... você é.... (Risada forte.) ... Se você fosse, você seria mentira. Qualquer... divindade é, para mim, mentira. É pior do que mentira, é maldoso.
F: Você pode dizer: “Eu sou maldoso”?
K: Eu sou maldoso. Eu sou maldoso.
F: Diga isto também para Deus: “Você é maldoso”.
K: Você é maldoso... Só que você não é.
F: Agora eu sei o que você é. Você é um anulador. Você arma a estrutura, e depois derruba tudo. Você arma outra vez, e derruba de novo. “Sim... mas.”
É muito importante entender a palavra mas. Mas é um
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assassino. Você diz “sim... “e então vem o grande “mas”, que mata todo o sim. Você não dá uma chance ao sim. Agora, se você substituir o mas por e, então você estará dando uma chance ao sim, ao lado positivo. O mas mais difícil de entender é aquele que não é verbal, que aparece no comportamento. Você pode dizer “sim, sim, sim”, e a sua atitude ser de mas; a sua voz ou seus gestos anulam o que você está dizendo “sim... mas”. Assim não há oportunidade de crescer e evoluir.
K: Então como eu posso mudar?
F: Ponha o Fritz na cadeira e pergunte a ele.
K: Como eu posso mudar, Fritz?
Não derrube a estrutura, depois de armá-la.

Parece muito simples...

Talvez seja simples, mas é difícil, você precisa praticar.
F: Está vendo? “Sim..., mas.” “Tão simples, mas... (Riso.)”
K: É simples, mas é difícil.
F: É. Está vendo, até o Fritz é um anulador — o seu Fritz.
K: É. Eu queria que você me dissesse o que fazer.
F: Para você poder jogar na lata de lixo.
K: Eu posso... Eu simplesmente paro de... paro de me depreciar.
F: Você está reclamando de novo?
K: Estou. “Eu deveria ter vergonha.” É, eu sou assim....
F: Qual é a objeção que você tem contra você mesmo? ... Faça-me um favor aceite tudo que você tem de ruim, como o tremor e assim por diante. Continue com o seu nervosismo e você vai achá-lo interessante, Diga “sim” à tremedeira, e deixe fora o “mas”. Neste instante eu sei que é um truque, mas vamos tentá-lo:

“Eu estou tremendo. Eu estou gostando”,


K: Você está me fazendo relaxar, eu não consigo...
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F: Ah! Você relaxa no instante em que para de forçar, porque então você não precisa se aborrecer. O reclamar gera uma força contrária. Esta é a base do jogo da autotortura — tentar ser algo que você não é. Muito bem.
MEG
Meg: No meu sonho, eu estou sentada numa plataforma, e há uma outra pessoa comigo, um homem, e talvez mais uma outra pessoa... e.... ah! ... um par de cascavéis. E uma está em cima da plataforma, toda enrolada, e eu estou apavorada. A cabeça dela está levantada, mas não parece que ela vai me atacar. Ela só está lá, e eu estou apavorada, e esta outra pessoa me diz... ah! ... não, não perturbe a cobra e ela não vai incomodar você. A outra cobra, a outra cobra está embaixo, e lá também há um cachorro.


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