Perls, Frederick S. Gestalt-terapia explicada



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J: Se o senhor não me fizer falar sobre o sonho. Eu não me lembro muito bem dele....
F: Eu posso ouvi-la..., você está dizendo frases e eu gostaria de captar a mensagem.
J: (Nervosa.) Deixe eu me fortificar com um cigarro antes de ir. Alguém tem um fósforo? (Alguém lhe dá fogo enquanto ela sobe na plataforma.) Obrigada.
F: E o que é isso aí? (Fritz aponta para os fósforos que ela estava segurando na mão o tempo todo; ela ri.) E o que é isso aí? Você vê...
J: Eu li Sex and the Single Girl (Sexo e a Moça Solteira) e lá dizia para nunca levar os próprios fósforos...
F: (Delicadamente.) Fique quieta. Ela está apenas manipulando o ambiente para receber apoio. Ela leva os seus próprios fósforos, mas precisa sugar vocês para tomarem conta dela. Esta já é a primeira mensagem.
J: É?
F: É? Você está perguntando para mim?
J: (Convidativa, com pose e controle.) O espetáculo é seu, Doutor.
F: (Para o grupo.) Vocês notaram a virada? O espetáculo é meu. Eu quero algo dela.
J: (Risada nervosa, levemente em pânico.) Eu não acho que você vai conseguir.
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F: Então, o palco está armado. Eu quero algo dela. Eu não vou conseguir.
J: Eu ouvi falar de você.
F: Ela está me atraindo, para depois poder fechar a armadilha.
J: Que armadilha, a minha ou a sua?
F: Por favor, transforme esta pergunta numa afirmação.
J: Transformar a armadilha numa afirmação? Hum... Quem é que vai sair ganhando, eu ou você?
F: Esta é uma ilustração muito boa. É isto que chamamos de caçador de ursos. Ela está fazendo o jogo de caçador. Preparando a armadilha e esperando que você caia, e então... psst!
J: Eu não sou manhosa... (Fritz começa a acender um cigarro, mas intencionalmente risca o fósforo de modo que ele não acenda — fazendo o jogo de Judy.) (Muito riso.)
J: Você precisa de apoio, Doutor — você não consegue acender seu cigarro sozinho? (Fritz continua a riscar o fósforo sem que ele se acenda..., finalmente Judy lhe acende o cigarro... Fritz parece aborrecido, fecha os olhos e finge dormir.)
J: Você está respirando muito fundo para alguém que está dormindo... (Fritz continua com os olhos fechados.) ...
J: Não me faça chutá-lo! (Risadas fortes.)
F: Muito bem. Muito obrigado.
BEVERLY
Beverly: Eu acho que devo dizer alguma coisa. Eu não tenho sonhos interessantes. Os meus são meio patentes.
Fritz: Você está consciente de que está na Defensiva? ... Eu não pedi para trazer apenas sonhos.
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B: Você pediu ontem à noite, e eu tive medo que isto me deixaria de fora. Se eu pudesse produzir alguns.
F: Agora, você tem uma postura muito interessante. A perna esquerda suporta a perna direita, a perna direita suporta a mão direita, a mão direita suporta a mão esquerda.
B: É; me dá algo em que me apoiar. E com tanta gente aí, eu fico com um pouco de medo da plateia. Tanta gente...
F: Você está com medo da plateia e há pessoas. Em outras palavras, você está no palco.
B: É, acho que me sinto assim.
F: Bem, o que você acha de entrar em contato com a sua audiência? ...
B: Bem, eles parecem muito bem. Eles têm rostos maravilhosos.
F: Diga isto para eles.
B: Vocês têm rostos muito quentes, muito interessados, muito interessantes..., com muito calor.
F: Então volte ao seu medo da plateia. O que você está experienciando agora?
B: Eu não estou mais com medo da plateia. Mas meu marido não olha para mim.
F: Então volte para o seu marido.
B: Você é o único que parece constrangido. Ninguém mais parece constrangido comigo. (Riso.) Você está se sentindo como se estivesse aqui em cima, não é? Ou como se algum dos seus filhos estivesse aqui? ... Não é?
X: (Da audiência.) Responda!
Marido: Ela é quem está lá em cima, e ela está tentando me colocar lá.
F: (Para o marido.) É. Você teve que respondera (Para Beverly.) Você precisa saber o que eu sinto.
B: Bem, em geral ele não responde. Você queria qi* ele mudasse de caráter? (Muito riso.)
F: Então você é uma repressora.
B: Você precisa de um cinzeiro.
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F: “Eu preciso de um cinzeiro”. (Fritz levanta o cinzeiro.) Ela sabe o que eu preciso. (Riso.)
E: Ah! não... você tem. (Riso.)
F: Agora eu estou com medo da plateia. (Riso.) Eu sempre tenho dificuldade em lidar com “mamães judias”.
B: Você não gosta de “mamães judias”?
F: Oh, eu as adoro! Especialmente a sopa de bolinhos que elas fazem. (Riso.)
B: Eu não sou uma mãe judia gastronômica, só uma mãe judia. (Risadinha.) Eu também não gosto de gefilte fish (peixe recheado). Eu acho que sou uma mãe judia bem óbvia. E não é ruim ser isso. Eu acho bom. Na verdade, é bom ser isso, uma mãe judia.
F: O que é que suas mãos estão fazendo?
B: Bem, minhas unhas estão se empurrando.
F: O que é que elas estão fazendo umas às outras?
B: Só brincando. Eu sempre faço isso. Veja, eu não fumo, então o que mais se pode fazer com as mãos? Não é bonito chupar o dedo.
F: Essa também é a mãe judia. Ela tem razões para tudo. (Riso.)
B: (Gozando.) E se eu não tenho, eu arranjo. (Risadinha.) É a ordem do universo. O que há de errado em ser uma mãe judia?
F: Eu disse que há alguma coisa errada em ser uma mãe judia? Eu só disse que eu tenho dificuldades em lidar com elas.
Existe a famosa estória do homem que era um excelente espadachim, tão bom que podia até mesmo acertar uma gota de chuva e quando chovia ele usava a espada em vez de guarda-chuva. (Riso.) Agora, existem também espadachins intelectuais e comportamentais, que, em resposta a toda pergunta, afirmação ou seja o que for, devolvem o que receberam. Então, qualquer coisa que você fizer, imediatamente você é castrado ou nocauteado com algum tipo de resposta:
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bancar o estúpido, ou coitadinho-de-mim, ou seja lá que jogo for. Ela é perfeita.
B: Eu nunca percebi isso.
Vocês vêem? Mais uma vez a espada. Bancando a estúpida. Eu quero reafirmar o que disse antes. Maturação é transcender o apoio ambiental em direção ao auto apoio. O neurótico, em vez de mobilizar seus próprios recursos, coloca toda sua energia na manipulação do ambiente para receber apoio. E o que você está fazendo é, cada vez, de novo, me manipular. Você manipula seu marido, você manipula todo mundo para vir em socorro da “donzela em perigo”.
B: Como foi que eu o manipulei?
F: Veja, outra vez. Por exemplo, esta pergunta. Isto é muito importante para a maturação: transforme as suas perguntas em afirmações. Toda pergunta é um anzol, e eu diria que a maioria das suas perguntas são invenções para você torturar a si mesma e aos outros. Mas, se você transforma a pergunta numa afirmação, você abre grande parte do seu background. Esta é uma das melhores maneiras de desenvolver uma boa inteligência. Então, transforme a sua pergunta numa afirmação.
B: Bem, a.... isto implica que o erro é meu. Não foi isto que você quis dizer?
F: Coloque o Fritz naquela cadeira e faça a pergunta para ele.
B: Você não gosta de mães judias? Você tinha uma mãe judia e não gostava?
Bem, eu gosto delas. Só que é muito difícil lidar com elas.
Bem, o que as torna tão difíceis?
Bem, elas são muito dogmáticas, dão muitos palpites e são muito inflexíveis, e a caixa que elas constroem para si mesmas para crescerem dentro, é bastante estreita. A terapia delas é menos fácil.
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Todo mundo precisa se sujeitar à sua terapia?
Não. (Riso.)
(Para Fritz.) Alguma vez você já trocou de lugar consigo mesmo, deste jeito?
F: (Rindo.) Oh! sim... Oh! Até eu fui sugado! (Riso.)
B: Você disse que tinha problemas com mães judias. (Riso.)
Marido: Agora vocês entendem por que eu não respondi? (Risos e aplausos.)
F: Está certo, porque você percebe que uma mãe judia não diz: “Você não devia fumar tanto”. Ela diz: “Você precisa de um cinzeiro”. (Risos.) Muito bem. Obrigado.
MAXINE
Maxine: Meu sonho é que eu estou em casa, na casa dos meus pais e....
Fritz: Bem, primeiro represente a sua voz: “Eu sou a voz de Maxine. Eu sou alta, mole, monótona, musical, eu sou viva. ..“.
M: Eu sou a voz de Maxine e sou muito sem vida... com pouco sentimento, e eu me sinto bem diferente do que a minha voz representa.
F: Muito bem, então tenha um encontro com a sua voz. Coloque a sua voz aqui, e sente-se ali. Diga: “Voz, eu não tenho relação com você. Você é diferente de mim”.
M: Voz, você é diferente de mim. Eu me sinto totalmente diferente do... do.... do jeito que você soa. Eu estou nervosa, estou tremendo, e estou morrendo de medo.
F: É isto que você está sentindo.
M: Meu estômago está... meu estômago está... Pulando.
F: Muito bem, agora seja sua voz.
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M: Eu... eu sei que você não... você não quer que... que, ah! ... eu expresse como você realmente se sente, então eu estou ajudando você a encobrir.
F: Agora, escreva um roteiro, o que significa; troque de lugar a cada sentença ou sempre que você sentir que quer responder. Agora a voz diz para a Maxine: “Eu quero encobrir o que você sente”, certo?
M: Mas eu não quero que você encubra o que eu sinto. Eu quero que... eu quero que você deixe os meus sentimentos saírem, eu quero que...
F: Diga isto de novo: “Eu quero que você deixe os meus sentimentos saírem”.
M: (Mais viva.) Eu quero que você deixe os meus sentimentos saírem, eu quero que você me deixe ser uma pessoa.
F: Outra vez.
M: Eu estou cansada e cheia de... de você me encobrir o tempo todo. Eu quero... eu quero ser eu mesma.
F: Diga isto outra vez: “Eu quero ser eu mesma”.
M: Eu quero ser eu mesma. /F: Outra vez!
Voz, eu gostaria de ser eu mesma! Eu quero que você pare de me encobrir. /F: Outra vez!

Eu quero ser uma pessoa autêntica. /F: Outra vez. /

Eu quero ser eu mesma! Pare de me cobrir!
F: Vou trabalhar com um palpite. Diga isto ao Brian. (Noivo.)
M: Pare de me cobrir...
F: Você sente?
M: Não. Estou com medo de dizer...
F: Diga isto para ele...
M: Não me cubra.
F: Muito bem, feche os olhos de novo. Feche os olhos de novo e entre no seu corpo. O que você está experienciando?
M: Estou muito nervosa. Minhas pernas estão tremendo, meus braços estão tremendo, e estou com um nervoso no estômago.
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F: Dance o nervosismo. Expresse tudo que você sente por meio de movimentos.
M: Eu me sinto meio apertada, no meu...
F: É. (Fritz estende o braço.) Agora me aperte, aperte mais..., mais..., mais... mais. Faça eu implodir... E então, o que você está sentindo agora?...
M: Eu me sinto mais relaxada.
F: Ah! Porque você fez comigo o que você costuma fazer com você mesma. Esta é a regra de ouro da Gestalt-terapia: “Faça com os outros aquilo que você faz consigo mesmo”. Acho que agora estamos prontos para o sonho. Conte.
M: Eu estava em casa, e eu... eu estou com a minha irmã, e.... nós estamos nos divertindo muito.
F: No sonho? /M: É.! Como é que vocês se divertem?
M: Nós falamos, fazemos coisas juntas, nós...
F: O que é que vocês fazem juntas? Veja, eu não consigo entender linguagem abstrata. Você deve ter alguma coisa real para trabalhar.
M: Nós..., nós fugimos juntas, nós...
F: Vocês fogem juntas.
M: Nós fugimos de pessoas, e....
F: Eu não entendo a palavra “pessoas”. De quem vocês fogem?
M: Dos meus pais.
F: Ah! E isto é divertido?
É divertido. E nós nos entendemos. Eu posso falar com ela..., eu posso jogar toda a minha hostilidade em cima dela, eu posso gritar com ela, posso brigar com ela. Eu não posso fazer isto com os meus pais. Com eles, eu só posso ser.... posso ser sem vida, só posso escutar o que eles dizem.
F: Muito bem. Tenha um encontro com a sua irmã.
M: Você é uma imbecil. Você não presta. Eu sou melhor do que você...
F: Troque de lugar. O que ela responde?
M: Eu não gosto de ser chamada de imbecil. /F: Diga isto outra vez. /
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(Mais alto.) Eu não gosto de ser chamada de imbecil. /F: Outra vez. /

(Animada.) Eu não gosto de ser chamada de imbecil. /F: Outra vez.



Eu estou cansada e cheia de você me chamar o tempo todo de imbecil!
F: Agora você soa real. Você consegue ouvir? M Eu não gosto de você por causa disto (voz alta, petulante) e eu odeio você, eu não...
F: Eu não acredito no ódio: “Eu odeio você”. Eu não ouvi ódio nenhum aí. Você está de novo na conversa fiada.
M: Você é a imbecil.
F: Ah! Diga isto outra vez.
M: Imbecil é você! Imbecil é você, eu não sou imbecil. É você que é imbecil.
F: Troque de lugar... O que você está experienciando agora?
M: Eu... eu sinto que eu gostaria de despedaçá-la. Eu gostaria de rasgar as roupas dela, e as pernas dela, e simplesmente cortá-la em pedacinhos.
F: Agora faça... dance isto. Encene.
M: Eu não consigo encenar.
F: Faça! Não venha com estória... Você me apertou muito bem. Nós temos alguma coisa que ela poderia rasgar? (Alguém arranja alguns jornais.) E respire enquanto faz isto, e faça barulhos. Faça barulhos.
M: Eu não posso despedaçar você, Norma... Eu gostaria, mas...
F: Ah, é? Qual é a sua objeção?
M: Eu... eu... Não é com você que eu realmente estou brava.
F: Ah!
M: Eu não quero machucar você.
F: Como você não quer machucá-la? (Risos.)
M: Não é você... eu não quero matar você. Eu não quero despedaçar você. Eu não quero... fazer você
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virar um vegetal. Não matar você fisicamente, mas eu não quero...
F: Quem você quer matar?
M: (Mole.) Eu gostaria de matar o meu pai.
F: Muito bem. Vamos deixar o papai entrar. (Fritz assobia.) É claro que você sabe que os pais nunca são bons, os pais sempre estão errados. Se eles são altos, deveriam ser baixos. Se são isso, deveriam ser aquilo. Então, desabafe. Como é que ele não atende às suas expectativas? Como é que ele deveria ser?
M: Ele deveria me deixar em paz.
F: Diga isto para ele.
M: (Petulante, queixosa.) Deixe-me em paz, papai. Fique longe de mim. Deixe-me em paz. Deixe eu levar a minha própria vida, pare de interferir, me deixe em paz.
F: Ele a ouve?
M: Não.
F: Então tente outra vez.
M: Eu... eu me sinto triste..., quando eu digo isto.
F: Diga isto para ele.
M: Eu fico triste quando eu lhe digo isto, porque na verdade eu não quero machucá-lo. Eu me sinto culpada quando tento machucar você.
F: Na Gestalt-terapia nós traduzimos a palavra “culpado” para ressentido. Então vamos experimentar como é que fica. Como é que você o chama?
M: Papai.
F: “Papai, eu me ressinto disso e disso..., eu me ressinto disso e disso”.
M: Papai, eu me ressinto... eu me ressinto de você tentar fazer eu preencher as suas necessidades...
F: Tais como...
M: Eu me ressinto de você me dizer onde eu devo morar, o que eu devo fazer, porque, eu sei que a única razão que faz você me dizer isto é porque... é por causa das suas próprias necessidades. Você quer que eu viva Perto de você. Você quer que eu...
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F: O que você está bloqueando neste instante?
M: Estou tentando pensar... estou tentando pensar como dizer o que ele quer que eu faça.
F: Muito bem, seja ele. Faça ele dizer: “Maxine, eu quero que você viva perto de mim...”.
M: Tudo que eu quero de você, Max... tudo que eu lhe dei, eu fiz tanto por você.., tudo que eu quero em troca é que você seja uma boa filha. Eu quero que você faça o que outras pessoas fazem. Eu quero que... eu quero que você pratique a sua profissão de farmacêutica, é o diploma que você tirou, mas em vez disto você está jogando tudo fora. Se você fizesse isto, aos quarenta anos você poderia se aposentar, e poderia ter todo o dinheiro que quisesse. (Riso.)
Eu não quero ser farmacêutico. Eu nunca quis ser farmacêutico.
F: Seja de novo o papai.
M: Não fui eu quem lhe disse para estudar farmácia. Você pode fazer o que quiser. Eu não me importo com o que você faça. Eu só disse para você fazer alguma coisa que lhe dê muito dinheiro e boa reputação.
F: Você pode fazer algo fingido? Hein?
M: Posso.
F: Continue fazendo o papel do papai, e depois volte e toda vez responda: “Foda-se!”. (Riso.)
M: Toda vez que eu responder ao meu pai eu digo “Foda-se”?
F: É. É isso. Ele está dando um sermão, não está? Então deixe ele pregar, e toda vez que ele tentar vir com algum blábláblá, diga: “Foda-se”.
M: Eu sou um homem doente, e.... e.... eu simplesmente não posso aguentar o jeito que você me trata. Você vai me matar.
F: Agora ele mudou de tom. Agora ele está bancando a rainha da tragédia. (Riso.) Diga isto para ele.
M: Papai, você está bancando a rainha da tragédia. Você está fazendo o papel do pobre velho desamparado: “Tenha pena de mim” ... É isto que você está me
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dizendo: “Tenha pena de mim”. Um velho fraco. Eu... eu estou cansada e cheia disso. Se você é mesmo um velho fraco, eu não posso fazer nada.
(Ronca.) Ele adormece. (Riso.)
Vá para o inferno, papai, estou louca da vida com você, toda vez que eu quero expressar ou lhe dizer alguma coisa, você completamente..., você não... você nem mesmo ouve o que eu digo... qualquer coisa que eu diga é irresponsável...
F: Coloque mais. Coloque-se inteira no que está dizendo.
M: Qualquer coisa que eu diga para você, você considera irresponsável, que não vale a pena...
F: (Imitando o tom dela.) Nianhanhianhanjanhjá,
M: Ninahnhanianhjá. Estou cansada e cheia de ser tratada como criança. Eu não sou criança!
F: Bem, a sua voz não diz isto, sua voz não mostra isto. A sua voz é a voz de uma criança petulante. Experimente o meu remédio. Diga a ele: “Foda-se”.
M: Foda-se, seu velho desgraçado. (Gargalhadas e aplausos.)
Como é que você pode dizer uma coisa tão terrível para o seu pai! Eu nunca disse estas coisas, eu nunca eduquei você deste jeito. Você está se perdendo..., é isto que você tem aprendido. (Riso.)
Você tem uma cabeça fechada. A sua cabeça é tão fechada que você não consegue ver nada além... /F: Nhanhianhanhianhá./ ... do seu jeito.
F: Nhá, Você está ouvindo a sua voz? Muito bem, continue falando com ele, mas escute a sua voz.
M: Eu gostaria de poder lhe dizer o que eu penso de você,
F: Ah! Isto parece real. Diga outra vez.
M: Eu gostaria de lhe dizer o que eu penso de você.
F: Quem a impede? Ele não está aqui, ele não está aqui na realidade. Corra o risco...
M: Se você não morresse, e me culpasse, eu... eu realmente diria algumas coisas.
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F: Muito bem. Agora ele está morto.
M: Graças a Deus!!! (Riso.)
E’: Agora você pode falar de verdade.
M: Eu sinto que a culpa dele ter morrido é toda minha.
E’: Oh, esta é a voz dele! Vamos, troque. Eu quero ouvir ele dizer: “A culpa é sua”.
M: A culpa é sua. Eu era... doente e desamparado. Tive todos os tipos de doenças, tive todos os tipos de aflições, e eu morri porque você gritou comigo, porque você me faz.... porque você não... porque você é ingrata, porque você não me ajuda, porque você não fica comigo quando eu preciso de você. E a culpa é sua.
E’: Muito bem, troque: “A culpa é minha”.
M: É. Então eu sou uma idiota. E agora, você está satisfeito? Você está com orgulho de mim? É isto que você quer? Pensar que a sua filha é uma idiota? Muito bem, eu admito, eu sou uma idiota, e vou continuar sendo uma idiota.
Bem, eu lhe mostrei. Eu morri, e você vai se lamentar. Algum dia você vai se lamentar.
E’: Outra vez.
M: Algum dia você vai se lamentar.
E: Quando?
M: Algum dia você vai, se lamentar, quando você perceber... quando você crescer e perceber como você me tratou... quando você perceber que foi por causa de você que eu morri, você vai se lamentar.
E’: Muito bem. Agora diga isto para alguém da audiência. Diga isto para o Brian. (Noivo.) Experimente... “Algum dia você vai se lamentar pelo jeito que me tratou.” (Riso.)
M: (Ri nervosa.) Por favor não riam de mim. (Limpa a garganta.) Algum dia você vai se lamentar. Você vai se lamentar, porque... por não ter me tratado bem. Você vai me perder.
E’: Diga a ele do que você se ressente em relação & ele... O que você está experiênciando agora?
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M: Eu sinto..., ah! ... tímida..., e.... como se... que eu não tenho o direito de falar com você. (Suspira.)
E’: O que você está sentindo? O que você está experienciando? O que você está sentindo fisicamente?
M: Sem vida, nada. Morte. Eu sinto que não tenho razão de viver...
F: Então, em vez de ir para a frente você vai para trás, não é? Muito bem, volte para mim. Como você se sente em relação a mim?
M: Eu tenho medo de você.
E’: O que você quer fazer comigo?
M: Eu gostaria de ser sua amiga.
E’: Bem, se você está com medo, isto significa que você projeta alguma agressão em mim.
M: Eu tenho medo que você se aproxime demais.
F: Ah! Até onde eu posso me aproximar?
M: Não sei. (Ri.) É disso que eu tenho medo.
E’: Muito bem, volte e diga isto ao papai...
M: Papai, eu tenho medo que você se aproxime demais de mim. E eu tenho medo que você enfie os seus anzóis em mim. Eu tenho medo que você simplesmente faça eu virar uma bolha, um nada...
E’: Então seja o papai: “Eu vou enfiar meus anzóis em você”.
M: Eu vou pegar você.
F: Isso. É aí que a sua força está agora. Vamos. Banque a bruxa.
M: (Com força.) Eu sou mais forte do que você. Eu vou pegar você e vou botar você numa gaiola para o resto da vida. (Mãos esticadas e abertas.)
E: Bem, isto parece mais um estrangulamento.
M: Eu vou estrangular você... /F: Isso. / Vou fazer Você ficar igualzinha à sua mãe. Vou fazer você..., vou reduzir você ao nível de... vou fazer você ser exatamente o que eu quero que você seja. Você vai preencher... você vai preencher todas as minhas necessidades. Você vai ser minha escrava. Eu vou tirar todos OS sentimentos de você, até que você só sinta o que eu
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sinto, e que você só seja receptiva aos meus sentimentos, e... e... tome conta dos meus sentimentos. Esqueça os seus. Eles não são importantes. Eles são imaturos. Eles são infantis.
F: Como você se sente neste papel, como manipulador?
M: Eu não gosto.
F: Você sente alguma força?
M: Sinto.
F: Você se reconhece como o manipulador? (Ela balança a cabeça.) Não. Então não adianta... O que você está experienciando agora? ...
M: Eu estou brava com o meu pai.
F: Muito bem.
M: Você não vai fazer isto comigo, papai. Eu não vou deixar.
F: Diga isto outra vez.
M: (Mais alto.) Você não vai fazer isto comigo.
F: Eu ainda não ouço nenhuma raiva. Eu ainda ouço queixas. Nhanhianhiá. Até agora, toda a força ainda está nele, e você ainda está na defensiva.
M: Papai, eu não vou deixar você fazer isto comigo. Não sei... eu não consigo impedir você quando você está perto de mim... Eu não consigo impedir você, eu só quero me afastar de você. Eu vou colocar uma distância entre nós dois..., muitas milhas entre nós dois... uma distância tão grande que você não vai conseguir fazer isto comigo. Eu não vou deixar. Se eu tiver que fugir de você, eu fujo.
F: Diga: “Eu não vou deixar”.
M: Eu não vou deixar. /F: Mais alto. / Eu não vou deixar. /F: Mais alto. /
Puta merda! (Grita.) Eu não vou deixar!
F: Mais alto. Diga com o corpo todo.

M: EU NÃO VOU DEIXAR!


F: Outra vez, eu ainda não acredito. Ainda é conversa fiada... queixume, lamento... Eu ainda não tenho confiança.
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M: Eu não consigo dizer mais alto.
F: Ele ainda é mais forte.
M: Então eu vou fugir dele.
F: É. Isto ainda é algo que você precisa trabalhar... realmente montar em cima dele. Não como um bebê- chorão, mas como uma mulher adulta.
M: Eu sei o que você quer dizer. Obrigada.
F: Quero lhes contar a respeito do meu último hobby. Jerry Greenwald, ex-aluno meu, escreveu um trabalho magnífico. É claro que, como todos os psicólogos, ele precisa colocar letras, números e nomes; então ele apresenta pessoas T e pessoas N. Pessoas T são pessoas tóxicas, e pessoas N são pessoas nutritivas (nourishing); eu sugiro que vocês escutem cuidadosamente sempre que encontrarem alguém, para saber se a pessoa é tóxica ou nutritiva. Se ela for tóxica, você se sente blááááá, exausto, irritado; se ela for nutritiva, você cresce, você quer dançar, abraçar a pessoa. Então, qualquer sentença... qualquer coisa que a pessoa diga ou faça, pode ser, ou tóxica ou nutritiva. Qualquer coisa que receba apoio do self é nutritiva. Qualquer coisa manipulada, conjurada, deliberada, na maioria dos casos, é tóxica. É falsa, é hipocrisia, é mentira.


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