Perfil epidemiológico dos acidentes por animais peçonhentos no município de maracanaú, ceará, 2007 a 2015



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PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS NO MUNICÍPIO DE MARACANAÚ, CEARÁ, 2007 A 2015
Kellyn Kessiene de Sousa Cavalcante1; Carlos Henrique Alencar2; Ileana Pitombeira Gomes3; Francisco Torcápio Vieira da Silva4; Francisco Adailre Alves Silva5

1Aluna do Mestrado de Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará - UFC, Turma 2016.1; Email: kellynveterinaria@hotmail.com - CPF: 61896896391; 2Professor doutor – Universidade Federal do Ceará – CPF: 82867259304; Universidade Federal do Ceará, 3 Ileana_gomes@yahoo.com.br – CPF: 01078201374; 4Secretaria de Saúde de Maracanaú, torcapiosilva@yahoo.com.br – CPF: 05958431315; 5Universidade Federal do Ceará, adaufc@hotmail.com - – CPF: 010123433-32

INTRODUÇÃO

Animais peçonhentos são todos aqueles capazes de inocular peçonha, sendo esta definida como todo tipo de substância tóxica animal produzida por uma glândula especializada (MARTINS et al., 2006).

A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de mais de 5,4 milhões de acidentes por animais peçonhentos ocorrem a cada ano. Só no Brasil, isso equivale a quase 100.000 acidentes anualmente. Atualmente, os acidentes por animais peçonhentos constituem um sério problema de saúde pública, tanto pelo número de casos registrados, quanto pela gravidade apresentada, podendo levar à morte ou às sequelas permanentes (BRASIL, 2001).

Dentre os animais peçonhentos, alguns artrópodes de importância médica destacam-se por sua abundância, diversidade, e pelos acidentes provocados que causam irritações, queimaduras locais e até o óbito da vítima (FREITAS et. al., 2006).



Os escorpiões, pertencentes à classe Arachnida e à ordem Scorpiones, são ativos à noite e durante o dia se escondem em abrigos podendo ser confundidos com o ambiente, o que aumenta o risco de uma pessoa ser ferroada. O manuseio com materiais de construção ou entulhos aumentam a possibilidade de acidentes ocorrerem em ambientes urbanos (ALBUQUERQUE et al., 2009).

O envenenamento por escorpiões ocorre pela inoculação de veneno através do ferrão ou aguilhão, localizado na cauda de todos os escorpiões. A estimulação de terminações nervosas sensitivas determina o aparecimento do quadro local, de instalação imediata e caracterizada por dor intensa, edema e eritema discretos, sudorese localizada em torno do ponto de picada e piloereção (ALCÂNTARA, 2009).



Segundo Martins et al. (2006), picadas de escorpião no Brasil são importantes não só pela sua incidência, mas também pela sua capacidade em causar acidentes graves e até fatais, principalmente em crianças.

O agravo dos acidentes por picadas de escorpião no mundo se deve, entre outros fatores, à alta incidência e à gravidade dos casos, assim como à dificuldade de gestão da área de saúde, ultrapassando 1.200.000 casos anuais com mais de 3.250 mortes no mundo. Somente no Brasil, mais de 6.000 acidentes escorpiônicos com mais de 100 mortes foram relatados durante um período de três anos (ALBUQUERQUE et al., 2009).



No Brasil, três espécies de escorpiões do gênero Tityus têm sido responsabilizadas por acidentes humanos: T. serrulatus (escorpião amarelo), T. bahiensis (escorpião marrom), e T. stigmurus, sendo o T. serrulatus responsável pela maioria dos casos mais graves (BRASIL, 2001).

Os escorpiões são animais carnívoros, alimentam-se de insetos, como grilos e baratas, porém são capazes de permanecer longos períodos sem se alimentar. Têm hábitos noturnos e escondem-se sob pedras, troncos, dormentes de linhas de trem, entulhos, telhas e tijolos (ALCÂNTARA, 2009).

Quanto aos acidentes com serpentes, estas pertencem à classe Reptilia e à ordem Squamata, com maior diversidade em florestas Neotropicais. Devido à sua natureza de caça, algumas espécies de serpentes podem ser agressivas para se defender, o que induz, na maioria das vezes, atitudes humanas de extermínio desses répteis. Existem aproximadamente 3 mil espécies de serpentes em todo o mundo, sendo que apenas 410 são consideradas perigosas para o homem (WALDEZ & VOGT, 2009).

O Brasil apresenta diversas famílias de serpentes, mas dentre estas, somente duas abrangem as serpentes consideradas peçonhentas. A família Viperidae, destacando-se a subfamília Crotalinae, à qual pertencem os gêneros Crotalus (Cascavel), os gêneros que pertencem ao grupo botrópico e o gênero Lachesis (Surucucu). Todos possuindo dentição solenóglifa com dentes anteriores maiores e móveis, altamente especializados para a injeção de peçonha. E a família Elapidae, que engloba o gênero Micrurus, cujas espécies são conhecidas popularmente por corais verdadeiras e possuem dentição proteróglifa, com dentes anteriores maiores, fixos e especializados na injeção de peçonha (LEMOS et al., 2009).



Apesar da importância dos acidentes ofídicos para a saúde pública de vários países latino-americanos, aspectos relacionados à pesquisa epidemiológica, ao acesso ao tratamento e à qualificação de profissionais em saúde ainda são negligenciados pelas políticas públicas nacionais (WALDEZ & VOGT, 2009).

De acordo com Albuquerque et. al. (2009), as aranhas são animais que pertencem ao Filo Arthropoda, à classe dos aracnídeos e à ordem Araneae, sendo que as de maior interesse médico no Brasil pertencem aos gêneros Loxosceles (aranha-marrom), Phoneutria (aranha-armadeira) e Latrodectus (viúva-negra).



A classificação das picadas de aranhas como um problema de saúde pública se agrava quando a ocupação urbana acontece de forma desorganizada e o habitat desses animais se modifica. Assim como os escorpiões, as aranhas encontram boas condições de sobrevivência no ambiente urbano como: abrigo e alimentação em entulhos, lixo, obras, bueiros, além do desmatamento ao redor das cidades que estimula a migração desses animais, facilitando o contato com seres humanos (FREITAS et al., 2006).

As aranhas são animais carnívoros. Alimentam-se principalmente de insetos, mas também de presas maiores como pequenas lagartixas, rãs, peixes, roedores e filhotes de pássaros. Os predadores são pássaros, lagartos, sapos, rãs, escorpiões e parasitas diversos, além do próprio homem (MARTINS et al., 2006).



Para se evitar acidentes com animais peçonhentos, além de conhecê-los melhor, devem ser adotados certos cuidados básicos, tais como: utilizar botas de cano alto ou perneiras de couro pode evitar até 80% dos acidentes, pois a maioria das picadas de serpentes ocorre do joelho para baixo; nunca se deve andar descalço ou de chinelos em locais onde possa ocorrer serpentes ou outros animais peçonhentos; não colocar as mãos em buracos, ocos de árvores ou vãos de pedras; não sentar, deitar ou agachar próximo a arbustos, barrancos, pedras, pilhas de madeira ou material de construção sem se certificar de que ali não existem cobras ou outros animais peçonhentos; manter limpas as áreas ao redor da casa, paióis e plantações, eliminando os montes de entulho, lixo, restos de alimento e folhagens altas e fechadas (LEMOS et al., 2009).

O registro de cada acidente é realizado através do preenchimento de uma Ficha Individual de Notificação do SINAN pelas unidades assistenciais para cada paciente. Esse instrumento é então encaminhado para as Secretarias Municipais, que devem repassar semanalmente os arquivos para as Secretarias Estaduais de Saúde (BRASIL, 2001).

Todo acidente por animal peçonhento que evolua para óbito deve ser investigado e alimentado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), visando à identificação de possíveis falhas na assistência, como: atendimento clínico e/ou soroterápico tardio, erros de diagnóstico e tratamento e falta de antiveneno específico para o tipo de acidente (MARTINS et. al., 2006).

Todos os soros para tratamento dos acidentes humanos por animais peçonhentos são distribuídos gratuitamente pelo Ministério da Saúde para hospitais credenciados.


PERÍODO DE REALIZAÇÃO

A pesquisa foi realizada no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2015.


OBJETO DA INTERVENÇÃO

Acidentes por animais peçonhentos.


OBJETIVO

O objetivo desse trabalho foi caracterizar o perfil epidemiológico dos acidentes por animais peçonhentos no Município de Maracanaú, Ceará, no período de 2007 a 2015.


MÉTODO

O estudo será realizado no Município de Maracanaú, Ceará, distante 15 km da capital. De acordo com o último censo demográfico, realizado em 2015, o município possui 221.504 habitantes, predominantemente urbano (99,69%). Em relação aos serviços de saúde, possui 56 Estratégias Saúde da Família, 30 Unidades Básicas de Saúde da Família e um Hospital Municipal. Trata-se de um estudo transversal descritivo, com base nos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Departamento de Informática do Sistema único de Saúde (DATASUS). Avaliou-se o total de Acidentes por Animais Peçonhentos notificados de acordo com as variáveis: sexo, faixa etária, tipo de acidente, classificação final e evolução do caso.


RESULTADOS

No período de 2007 a 2015, 197 acidentes por animais peçonhentos foram registrados no Município de Maracanaú. Na maioria dos casos, o ataque foi por escorpiões, contabilizando-se 143 notificações (72,6%). Houve, ainda, 31 acidentes com abelhas (15,7%), 15 com aranhas (7,6%) e 8 com serpentes (4,1%). Desses casos notificados, 54,8% (108) ocorreram no sexo feminino e 45,2% (89) no sexo masculino; 42,6% (84) dos casos aconteceram em pessoas na faixa etária de 20 a 39 anos, e somente 0,5% (1) em menor de 01 ano. Nenhum acidente foi classificado como grave, sendo que 61% (120) tiveram classificação leve e apenas 5 foram classificados como moderados. Todos os casos evoluíram para a cura.


CONSIDERAÇÕES

Estratégias para melhoria na prevenção e controle dos acidentes por animais peçonhentos foram adotadas pelo município, dentre elas, capacitação sobre o tema para 45 agentes de combate às endemias e 10 agentes comunitários de saúde no mês de novembro de 2015, totalizando carga horária de oito horas; além da divulgação de informações por meio de rádio local, e distribuição de panfletos educativos em escolas municipais.


CONCLUSÃO/ RECOMENDAÇÕES

Conclui-se que, no período analisado, o maior número de acidentes foram causados por escorpiões, seguido por abelhas e aranhas. Mais da metade dos casos foram no sexo feminino, sobressaindo-se a faixa etária de 20 a 39 anos. Embora tenha se observada uma alta quantidade desses acidentes no município, a grande maioria teve classificação leve, e todos evoluíram para a cura. Ressalta-se a importância de serem mantidas as estratégias de prevenção e controle dos acidentes por animais peçonhentos no município através da educação em saúde junto à população, e da realização de capacitações para os profissionais envolvidos nesse controle, bem como manutenção de unidades notificadoras sensíveis para o agravo.


Palavras-chave: Animais Peçonhentos; Vigilância Epidemiológica; Prevenção e Controle.

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, C. M. R.; PORTO, T. J.; AMORIM, M. L. P.; NETO, P. L. S. Escorpionismo por Tityus pusillus Pocock, 1893 (Scorpiones; Buthidae) no Estado de Pernambuco. Rev. Soc. Bras. Med. Trop.,  Uberaba,  v. 42,  n. 2, Abr.  2009 .  

ALCÂNTARA, A. S.. Mecanismo venenoso. Agência FAPESP, 2009. Disponível em: <http://www.agencia.fapesp.br/Especiais>. Acesso em 23 out. 2011.

BRASIL. Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos. Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), Brasília, DF. 120pp., 2001.

FREITAS, G. C. C.; OLIVEIRA, A. E. J.; FARIAS, J. E. B.; VASCONCELOS, S. D. Acidentes por Aranhas, Insetos e Centopéias Registrados no Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco (1993 a 2003). Departamento de Zoologia, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife. Ago. 2006.

LEMOS, J. C.; ALMEIDA, T. D.; FOOK, S. M. L.; PAIVA, A. A.; SIMÕES, M. O. S.. Epidemiologia dos acidentes ofídicos notificados pelo Centro de Assistência e Informação Toxicológica de Campina Grande (Ceatox-CG), Paraíba. Rev. bras. epidemiol.,  São Paulo,  v. 12,  n. 1, Mar.  2009 .

MARTINS, C. B. G.; ANDRADE, S. M. ; PAIVA, P. A. B.. Envenenamentos acidentais entre menores de 15 anos em município da Região Sul do Brasil. Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro,  v. 22,  n. 2, Fev.  2006 .  

WALDEZ, F.; VOGT, R. C.. Aspectos ecológicos e epidemiológicos de acidentes ofídicos em comunidades ribeirinhas do baixo rio Purus, Amazonas, Brasil. Acta Amaz.,  Manaus,  v. 39,  n. 3, Set.  2009.
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