Parecer – revista pesquisas e práticas psicossociais



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Garcia, A. & Leonel, S. B. Relacionamento interpessoal e terceira idade: a mudança percebida nos relacionamentos com a participação em programas sociais para a terceira idade.

Relacionamento Interpessoal e Terceira Idade:A Mudança Percebida nos Relacionamentos com a Participação em Programas Sociais para a Terceira Idade




Interpersonal Relationship and The Elderly: Noticed Changes in Relationships Due to Participation in Social Programs for the Elderly


Agnaldo Garcia1; Sandra Bonfim Leonel2

Universidade Federal do Espírito Santo

Resumo

Tendo a obra de Hinde (1997) como referencial teórico, a pesquisa investigou as mudanças percebidas nos relacionamentos interpessoais de idosos que freqüentam grupos de convivência, incluindo novas amizades e mudanças nos relacionamentos anteriores com amigos e familiares. Foram investigados: (a) relacionamentos no grupo; (b) construção de novas amizades; (c) diferenciação entre amizades antigas e recentes e a influência destas nos relacionamentos antigos; (d) influência das novas amizades nas relações familiares; (e) significado e expectativa de permanência no grupo; (f) abertura para novas amizades. Foram entrevistados 12 mulheres e 3 homens com idades entre 60 e 85 anos, de dois grupos de convivência: um grupo de dança e uma universidade aberta à terceira idade. Pode-se concluir que os idosos perceberam uma melhoria significativa na sua qualidade de vida, o que possibilitou o desenvolvimento de novas relações interpessoais, com implicações para as práticas voltadas para a integração e socialização do idoso.


Palavras-chave: idosos, relacionamento interpessoal, amizade, relações familiares.
Abstract
This work investigated the changes noticed in the interpersonal relationships of the elderly who attend groups of social programs, as well as the changes in new friendships and changes in previous relationships with family and friends, having Hinde’s works as a theoretical base. The following points were investigated: (a) relationships in the group; (b) making new friends; (c) differences between old and recent friendships and their influence on previous relationships; (d) influence of new friendships on family relations; (e) meaning and expectation of permanence in the group; (f) willingness for new friendships. Twelve women and three men (from 60 to 85 years old) attending a group of dance and an open university for the elderly were interviewed. One can conclude that the elderly noticed a significant improvement in their life quality due to the development of new personal relationships, which influenced the social programs aiming at the integration and socialization of the elderly.
Keywords: the elderly, interpersonal relationships, friendship, family relationships.


A população de idosos vem crescendo significativamente no Brasil. Segundo o IBGE (2002), o número de idosos no país, em 2000, era de aproximadamente 15 milhões de pessoas (cerca de 8,6% da população do país). Segundo dados da Rede Interagencial de Informações para a Saúde (RIPSA, 2006), essa população atingiu quase 17 milhões de habitantes em 2005 (cerca de 9,2% da população). Ainda segundo o IBGE (2002), as estimativas indicam que o Brasil deverá ter cerca de 30 milhões de idosos (quase 13% da população), em 2020. Diante desse crescimento, algumas ações sociais vêm sendo realizadas pelo setor público e pelo setor privado. Para intensificar o movimento de valorização deste contingente de pessoas, muitos profissionais que investigam este tema tomam como ponto de partida a obra de Beauvoir (1970), trabalhos como o de Haddad (1986) e de Bosi (1987) que discutem a perda do valor social do idoso como um elemento descartável de um sistema capitalista que singulariza sua capacidade produtiva em detrimento de outros elementos da vasta dimensão do ser humano. Desde então, os profissionais que focalizam esta área tentam reintegrar socialmente o idoso ampliando sua rede de relações sociais.

Vários autores, entre eles Nunes e Peixoto (1994) e Frutuoso (1996), têm afirmado que os programas voltados para idosos operam mudanças em seus participantes quanto ao desenvolvimento da auto-estima e recuperação da memória, propiciando novos conhecimentos e o desenvolvimento de novas habilidades. Além disso, favorecem também o desenvolvimento da sociabilidade. Este último aspecto é interessante para esta pesquisa, pois estes espaços têm favorecido o associativismo entre os idosos. Araújo e Carvalho (2004) também ressaltam a importância dos vínculos que se estabelecem dentro dos programas destinados aos grupos de idosos. Esses programas provocam alterações na vida dessas pessoas, em suas atividades e em suas relações interpessoais, abrindo possibilidades para a construção de novas amizades. Estes novos relacionamentos também poderão ter um efeito nos seus relacionamentos já existentes, seja com amigos, seja com familiares. A presente pesquisa procurou investigar as propriedades dessas novas amizades e sua influência nos relacionamentos anteriores do idoso, com familiares e amigos.

A questão do envelhecimento com qualidade de vida tem sido investigada no Brasil. Assim, Teixeira (2001) enfatiza que as pessoas idosas desejam e podem permanecer ativas e independentes por tanto tempo quanto for possível, se o devido apoio lhes for proporcionado. Os estudos, do ponto de vista de relações sociais, podem estar voltados para a relação entre o idoso e a família, como mostra Caldas (2003), que tratou do envelhecimento com dependência, responsabilidades e demandas da família, discutindo a responsabilidade pela assistência a esse contingente populacional, contrapondo as condições necessárias às existentes para que as famílias assumam os cuidados, sendo a dependência um processo dinâmico que deve ser abordada por um programa que tenha redes de apoio que possam respaldar os idosos dependentes. Karsch (2003) também faz essa discussão ao tratar dos idosos dependentes, suas famílias e cuidadores. Ainda na área de investigação sobre as relações sociais do idoso e a sua integração em grupos de convivência, pode-se dizer que muitas pessoas idosas se unem no intuito de apoiarem-se nesses grupos como forma de superar o processo de crise que enfrentam no trânsito para a velhice. Para Debert (1998), esses são espaços para que diversas experiências de envelhecimento bem sucedidas possam ser vividas coletivamente. Palma (2000) tratou da educação permanente e sua contribuição para uma melhor qualidade de vida em uma velhice bem-sucedida. Porém, aspectos mais específicos das mudanças na vida social dos idosos em decorrência da participação nesses programas, especificamente a construção de novas amizades e sua influência nos relacionamentos anteriores, ainda são pouco conhecidos.

O tema da amizade na terceira idade também está presente na literatura internacional. As redes de amizade de idosos, investigadas por Adams e Torr (1998), têm como fatores subjacentes a sociabilidade e a religiosidade que estão refletidos na cultura e na estrutura social do contexto dos idosos. Dugan e Kivett (1998) analisaram os processos interativos, sexo e classe social influenciando a amizade entre os idosos, e propuseram que as características individuais afetariam os padrões de amizade que sofreriam modificações de acordo com o contexto cultural. Filed (1999) e Finchum e Weber (2000) mostraram a continuidade e a mudanças na amizade. Segundo estes autores, nas amizades antigas há trocas de confidências, compartilhamento de experiências e pensamentos, enquanto nas amizades recentes só existem atividades quando estão em grupo, havendo uma continuidade das amizades antigas para os homens e um aumento no número de amigos recentes para as mulheres. Hansson e Carpenter (1994) enfocaram o papel crítico de adaptação de relacionamentos que o idoso atravessa ao enfrentar as transições em suas amizades na velhice. Johnson e Troll (1994) destacaram o contexto social, a idade avançada dos amigos, o estado físico e as características da personalidade como os quatro fatores que limitariam ou facilitariam as relações de amizade. McKee, Harrison e Lee (1999) investigaram a amizade no ambiente residencial e constataram que as amizades sem intimidade são mais comuns que as amizades muito próximas, sendo que o nível de atividades dos idosos com amigos íntimos vai depender do lar em que eles vivem. Seeman (2000) observou que a saúde e as doenças estão diretamente relacionadas às interações sociais estabelecidas pelos idosos. Se as relações de amizade são negativas, o perfil fisiológico se caracteriza por elevada tensão, baixa imunidade e atividade cardiovascular aumentada, ao passo que as interações positivas estão associadas a um perfil saudável. Shea, Thompson e Blieszner (1988) indicaram a diferenciação feita pelos idosos entre as amizades antigas e as amizades recentes. Segundo estes autores, para os idosos que vivem em casa há uma tendência a privilegiar as amizades mais antigas, consideradas melhores pelo maior grau de intimidade e proporcionam maior satisfação. Rook e Ituarte (1999) discutiram os aspectos do apoio social e companheirismo dentro da família e nas relações de amizade. Finalmente, Weeks, (1994) fez uma revisão de conceitos de solidão e sua relação com amizade e Matthews (1996) apresentou um capítulo de síntese sobre o tema.

A presente pesquisa toma a obra de Robert Hinde (1997) como referencial teórico, atribuindo importância fundamental aos aspectos descritivos dos relacionamentos (obtidos a partir dos relatos dos idosos) e às relações entre diferentes níveis de complexidade (no caso específico entre relacionamentos interpessoais e a participação em grupos).

A relevância social desta pesquisa se deve à sua contribuição para um maior conhecimento das relações interpessoais dos idosos, assim como contribuir para uma área ainda carente de investigações. Seu objetivo foi investigar as mudanças percebidas nos relacionamentos interpessoais de idosos que passaram a freqüentar grupos de convivência no Município de Vitória, incluindo as novas amizades e mudanças nos relacionamentos anteriores com amigos e familiares (cônjuge e filhos). Foram investigados os seguintes aspectos da amizade a partir de entrevistas com os idosos: 1) mudanças percebidas nas amizades (novas amizades e suas características e mudanças nas amizades anteriores) de idosos que participam de grupos voltados para a terceira idade há, pelo menos, seis meses; 2) mudanças percebidas pelos idosos no seu relacionamento com seus familiares (cônjuge e filhos); 3) Compararam-se os relacionamentos anteriores à participação no grupo de vivência com os relacionamentos após a inserção no grupo, do ponto de vista quantitativo (número de relações interpessoais significativas ou amizades) e qualitativo (qualidade e satisfação com os relacionamentos com amigos e familiares).



Metodologia



Participantes
Dada a desproporção entre homens e mulheres freqüentando os grupos destinados à terceira idade, participaram da pesquisa 12 mulheres com idade entre 60 e 85 anos e três homens com idade entre 68 e 79 anos. O gênero, a idade e o tempo que o idoso freqüenta o grupo de convivência são indicados abaixo, assim como as condições familiares. Todos os participantes eram pessoas independentes financeiramente e moravam sozinhos ou acompanhados do cônjuge e filhos. Nenhum deles vivia na dependência dos filhos, ocorrendo o contrário, dos filhos viverem na dependência desses pais. Esses idosos pertenciam a dois grupos de convivência distintos, voltados para a integração social do idoso, coordenados pelo Núcleo de Estudos e Assessoramento à Terceira Idade (NEATI), um programa de extensão da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). O primeiro grupo é a Associação de Dança Sênior que trabalha com a idéia de que a dança seja um instrumento de ativação da mente e do corpo. O segundo grupo, a Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI), voltado para o desenvolvimento sócio-cultural, tem um caráter educativo.

No grupo de dança sênior (Grupo 1), foram os seguintes participantes (gênero, idade e tempo no grupo): D-1 (senhor de 75, há três anos no grupo, mora com a família, e segunda esposa); D-2 (senhor de 79 anos, há dois anos no grupo, mora sozinho); D-3 (senhora de 70 anos, há um ano no grupo, mora com a mãe); D-4 (senhora de 66 anos, há três anos no grupo, mora sozinha); D-5 (senhora de 64 anos, há dois anos e meio no grupo, o filho mora com ela); D-6 (senhora de 64 anos, há um ano no grupo, mora com o marido); D-7 (senhora de 68 anos, há oito meses no grupo, o filho mora com ela); D-8 (senhora de 68 anos, há três anos no grupo, mora sozinha); D-9 (senhora de 70 anos, há dois anos e meio no grupo, as filhas casadas moram com ela); D-10 (senhora de 68 anos, há quatro anos no grupo, o filho mora com ela) e D-11 (senhora de 60 anos, há um ano no grupo, mora com o marido). No grupo da Universidade Aberta à Terceira Idade (Grupo 2): U-1 (senhora de 85 anos, há dois anos e meio no grupo, mora sozinha); U-2 (senhora de 67 anos, há dois anos e meio no grupo, mora sozinha); U-3 (senhora de 62 anos, há dois anos no grupo, mora com a família - marido e filha); U-4 (senhora de 60 anos, há três anos no grupo, mora com o marido).


Procedimento de coleta de dados
Foi feito um contato prévio com o Núcleo de Estudos e Assessoramento à Terceira Idade (NEATI), para obter informações sobre a Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI) e a Associação de Dança Sênior, coordenadas por esse núcleo. Após esse contato, foi realizado um primeiro encontro com os idosos participantes voluntários, escolhidos aleatoriamente dentro dos dois grupos. Os participantes foram entrevistados individualmente com base em um roteiro pré-estabelecido (entrevista semi-estruturada). Os dados foram gravados e transcritos na íntegra. As entrevistas foram realizadas nos próprios locais de encontro dos grupos, nas dependências da universidade (UFES). Com os participantes do Grupo de Dança Sênior, as entrevistas foram realizadas nos dias de encontro desse grupo (segundas e quartas-feiras), após as atividades do grupo, pela manhã, na Associação dos Docentes da UFES (ADUFES), onde se reúnem sob a orientação de uma professora de dança sênior que acompanha o grupo desde o início, quando este foi formado, há três anos. As entrevistas realizadas com os participantes do segundo grupo, o grupo da UNATI, aconteceram nas quintas–feiras, dia do encontro desse grupo, no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, onde são ministradas aulas sócio-educativas, cujos módulos são supervisionados por uma equipe de profissionais do serviço social e por profissionais especialistas em Gerontologia. O contato com os idosos participantes foi feito após o término das atividades do grupo, ou seja, após as 17 horas.
Instrumentos de pesquisa
Os dados da pesquisa foram obtidos através de uma entrevista semi-estruturada. A entrevista seguiu um roteiro pré-estabelecido visando obter informações sobre as mudanças percebidas nas relações interpessoais dos idosos após a participação nesses grupos por um período de, no mínimo, seis meses. A entrevista abordou os seguintes pontos principais: a) Identificação dos novos relacionamentos estabelecidos (novas amizades) e suas características; b) identificação das mudanças percebidas nos relacionamentos de amizade anteriores (mudanças quantitativas e qualitativas); c) identificação das mudanças percebidas no relacionamento com familiares (especificamente o cônjuge, quando houver, e filhos/filhas). As entrevistas forneceram dados para que fossem comparados os relacionamentos interpessoais antes e após a inserção nesses grupos (com amigos e com familiares) do ponto de vista quantitativo (mudanças percebidas na quantidade de relações interpessoais significativas ou amizades) e qualitativo (propriedades dos relacionamentos e satisfação com os mesmos).
Resultados
As entrevistas foram analisadas de forma qualitativa e seu conteúdo foi dividido em seis tópicos, de acordo com categorias pré-estabelecidas. Os seguintes tópicos foram propostos: (1) Relacionamento no grupo - as relações interpessoais dos idosos dentro do grupo; (2) Construção de novas amizades no grupo - novos relacionamentos considerando o grau de intimidade e de satisfação com os novos amigos e aumento no número de amigos após a inserção do idoso no grupo de convivência; (3) Diferenças entre amizades antigas e recentes e mudanças na relação com amigos antigos após a construção das novas amizades; (4) Influência das novas amizades nas relações familiares; (5) Significado do novo grupo para a vida do idoso e sua expectativa de permanência no grupo; (6) As mudanças ocorridas na vida do idoso, como proporcionar abertura para novas amizades dentro e fora do grupo de convivência, a partir de seu contato e interação dentro do grupo.
Relacionamento no grupo
A relação das pessoas dentro dos dois grupos, de um modo geral, foi descrita como muito boa. Dois participantes relataram que, muitas vezes, chegaram ao grupo entristecidos, mas lá se alegraram. Na perspectiva de uma das entrevistadas do grupo de dança do primeiro grupo, isso ficou evidente: “A gente às vezes chega aqui triste e conversa com um, com outro, acaba naquela alegria, se unindo levando alegria um ao outro”. Dois participantes chegaram muito doentes dentro do grupo de dança, tendo se matriculado por prescrição médica, como o caso de uma senhora com depressão profunda e grau de ansiedade acima do normal e outra com problemas cardíacos que se sentia muito deprimida e só pensava que poderia morrer a qualquer momento. Para essas pessoas, em especial, os relacionamentos dentro desse grupo foram extremamente positivos. Relataram sentir-se vivas, úteis, queridas e inseridas em uma relação que denominaram como maravilhosa. Dizem ter se transformado em outra pessoa, muito mais feliz.

Outra participante do grupo de dança ilustrou essa questão com seu depoimento:


Eu fiz uma cirurgia de coração de emergência e depois eu tive uma forte depressão, muita melancolia. Minha sogra que fazia parte desse grupo me trouxe para cá, pois a dança sênior é também para problemas de saúde... eu me sinto tão bem aqui que nem me lembro dos meus problemas, fica tudo ótimo. Minha médica falou que eu estou ótima e que devo continuar nesse grupo.

A construção de novas amizades no grupo
Todos relataram ter feito amigos dentro dos novos grupos, contudo, estas amizades diferiram quanto ao grau de afinidade e de intimidade. No grupo de dança, houve uma ligação maior entre os membros do grupo, devido às viagens que fazem juntos, às comemorações onde todos se reúnem e às datas festivas nas quais se presenteiam. Segundo uma das entrevistadas deste grupo, ela fez “novas amizades, e elas são uma delícia e eu estou levando mais gente para o grupo”. Isto não ocorreu com o grupo da universidade aberta, no qual os encontros só ocorrem dentro das dependências da universidade, onde acontecem suas reuniões.
Descrição das novas amizades e grau de intimidade

Dentro do grupo de dança (11 entrevistados), três disseram não ter intimidade com os novos amigos, sendo que um deles alegou haver uma forte união dentro do grupo, um bom entrosamento devido às viagens que fazem juntos, havendo, assim, muito coleguismo, porém, sem intimidade. Uma das participantes deste grupo fez uma declaração semelhante: “Fiz novos amigos, tenho um bom relacionamento, mas amigos íntimos, íntimos, no grupo eu não tenho”. Quatro pessoas perceberam uma intimidade maior nas novas amizades, a qual foi estendida aos familiares freqüentando a casa dos novos amigos. Outros quatro participantes falaram de uma amizade verdadeira, havendo entre os membros do grupo comemorações de aniversário e trocas de presentes, piqueniques e confraternizações. Porém, os encontros se dão apenas nos dias de reunião do grupo ou nas viagens que fazem juntos, e os membros não freqüentam a casa uns dos outros. Dentro do segundo grupo, com quatro pessoas entrevistadas, duas alegaram não ter intimidade nas novas amizades, apenas coleguismo e algumas afinidades que não podem ser chamadas de intimidade. As outras duas consideraram haver intimidade, no sentido de partilharem alegrias, tristezas e assuntos pessoais. Uma delas chegou a dizer que há pessoas tão íntimas que até parece se conhecerem a vida toda. Porém, só se encontram nos dias de reunião do grupo


Temos afinidades, mas nos encontramos só no grupo, quinta feira. Mas tem pessoas que parece que eu conheço há uma vida, com essas eu tenho liberdade de conversar coisas íntimas e pessoais. Existe o contato mais íntimo, mas só nos encontramos no grupo.
Satisfação com as novas amizades

Todos, nos dois grupos, relataram sentir-se satisfeitos com os novos amigos. No grupo de dança, foram enfatizados o carinho e o aconchego entre os membros do grupo: as pessoas se abraçam e demonstram a alegria do reencontro. Um dos participantes desse grupo deixou essa satisfação bem clara quando disse: “Na hora do encontro é aquele carinho, o aconchego, o abraço, isso é vida né?”. Outro revelou que, antes de participar do grupo, a vontade era só morrer, mas agora é de viver intensamente a alegria de estar com os novos amigos. Todos enfatizaram o afeto pela orientadora do grupo, a ela sendo atribuída a coesão do grupo. Os participantes do grupo da universidade aberta também demonstraram satisfação com as novas amizades. Uma entrevistada desse grupo, afirmou: “estou achando ótimo, aqui com as companheiras há uma maior aceitação de nós mesmas, de nossos problemas em comum. Aqui há com quem eu possa falar livremente, que não esteja ligada á minha família.” Ela mostrou que, dentro deste grupo, a satisfação com as novas amizades estava relacionada com a identificação com outros membros, pela homogeneidade do grupo, pela semelhança das dificuldades que enfrentavam e que podiam partilhar.


Aumento no número de amigos

De um modo geral, nos dois grupos houve aumento no número de amigos para esses idosos, geralmente membros desses grupos. No grupo de dança, não somente aumentou o número de amigos “internos”, seus membros ainda convidaram pessoas de fora para entrarem no novo grupo do qual fazem parte. Uma participante desse grupo falou com entusiasmo: “Aumentou muito o número de amigos que tenho hoje, inclusive eu falo do grupo com as pessoas, as convido para virem para cá. Falo com todo mundo que encontro na rua. Se é idoso eu já quero logo saber se faz curso ou não faz e já convido para vir aqui”. O grupo da universidade aberta enfatizou que o número de amigos aumentou dentro do grupo, permanecendo inalterado fora do grupo. Isto pode ser evidenciado na afirmação da uma das participantes desse grupo: “O número de amigos aumentou em relação a esse grupo, porque lá fora ficou a mesma coisa”.


Diferenciação entre amizades antigas e recentes e a influência das novas amizades nos relacionamentos antigos
Dentro do primeiro grupo, apenas uma participante não diferenciou amizades antigas das recentes, tendo afirmado que:
para mim, a amizade de agora não se distingue da amizade antiga, porque eu sempre liderei escolas, trabalhando com grupos grandes. Porque eu sou evangélica, tanto na igreja Batista como no grupo da escola. Eu lecionei também na área de educação, então a gente já tinha aquele entrosamento muito bom, graças a Deus foi sempre assim.
Desse modo, afirmou sempre ter participado e liderado grupos, se entrosando muito bem com todos. Os outros dez participantes fizeram distinção entre as amizades antigas e atuais, qualificando as novas amizades como mais positivas, usando expressões como “mais legais”, “mais honestas”, “mais puras”, “especiais” e “amizades verdadeiras”. Outra entrevistada do grupo de dança chegou a mencionar uma certa falsidade nas amizades antigas, desqualificando-as:
A amizade no grupo é pura, boa, gostosa. Faz a gente sentir que aquela pessoa está com aquele amor com a gente. A amizade antiga é diferente, meio falsa. Um dia a pessoa está de um jeito, outro dia está de outro jeito. Essa amizade aqui não, todo dia está a mesma coisa, do mesmo jeito, o mesmo amor.

Oito participantes conservavam as antigas amizades, mas preferiam as afinidades que têm com os novos amigos. Apenas um entrevistado atribuiu maior valor às amizades antigas, diferenciando as amizades de modo contrário dos demais, considerando as amizades antigas mais verdadeiras, deixando muita saudade:

É o problema da idade. O tempo vai passando e as amizades, os relacionamentos vão todos mudando. Não é triste, mas a gente olha para trás e é só saudade. Tive amigos de verdade. Hoje tenho só colegas. Participei de um grupo meio secreto, a Maçonaria. Hoje, eu não tenho mais vínculo com ela, pela dificuldade de transporte para eu voltar para casa, mas militei na Maçonaria por 25 anos, é um grupo maravilhoso.

No grupo da universidade aberta, todos encontraram diferenças entre as amizades antigas e as novas. Dois participantes deste grupo informaram que a diferença se encontrava no maior grau de conhecimento que os novos amigos apresentam em relação aos amigos antigos. Um senhor falou que as amizades antigas se davam nas relações de trabalho, enquanto hoje as amizades se dão nas relações de lazer e de alegria. Outro disse que as amizades se diferenciam por estarem em tempos cronológicos diferentes: “hoje as amizades novas fazem parte do presente. Más não são melhores e nem piores que as antigas. Cada uma foi e é importante na sua época.” Nesse grupo não houve distinção quanto à qualificação entre amizades melhores e/ou piores, mas prevaleceu o grau de conhecimento que diferencia os amigos recentes dos antigos.



Para a maioria dos membros do grupo de dança (seis), as novas amizades não influenciaram as antigas, por diversas razões. Para um desses entrevistados, os antigos amigos já se foram, já não existem, para outro só restou um amigo pelo qual conserva o mesmo afeto de antigamente. Para quatro idosos, nada mudou nas relações antigas, visto que conservaram essas amizades, dando-lhes o mesmo valor. Entre esses, dois participantes consideram as amizades antigas e as novas no mesmo patamar de importância e os outros dois entrevistados, apesar de dizerem que as novas amizades em nada influenciaram nos antigos relacionamentos, alegaram preferência pelo novo grupo de amigos. Cinco participantes desse grupo disseram que houve mudanças na relação com os amigos antigos: dois se afastaram deles e se ligaram apenas aos novos amigos e três responderam que as modificações se deram no sentido de que o novo grupo deixou-as mais receptivas, mais abertas, melhorando as antigas relações de amizade, o que é exemplificado pela frase de uma de suas participantes:
A relação com os amigos antigos mudou, porque eles falam que eu estou diferente. Antes eu era mais fechada, agora eu brinco muito, converso muito. A amizade antiga permanece, mas eu quero só conversar. No grupo é diferente, é muito melhor.
Dentro do grupo da universidade aberta, apenas um participante reconheceu a influência das novas amizades sobre as antigas. Segundo ela, as novas amizades geraram ciúme nos amigos antigos. Segundo seu relato, os amigos antigos, quando a encontram dizem, com ironia:: “ olha só como ela está!” Para os outros participantes, a relação com os amigos antigos não mudou. Diversos motivos foram apresentados para isto, incluindo o fato de não terem mais os amigos de outros tempos ou terem suas relações de amizade limitadas à própria família.
Influência das novas amizades nas relações familiares
Em relação ao grupo de dança, as respostas foram diversificadas. Sete participantes modificaram o relacionamento familiar após a sua entrada no grupo. De um modo geral, as mudanças foram gratificantes para os membros do grupo e para os seus familiares, já que estão vivendo e experimentando novas atividades, melhorando a memória, relaxando, se tornando pessoas mais satisfeitas e mais compreensivas. Essa pessoa modificada tem um novo relacionamento com a família com quem divide as novidades tendo um retorno gratificante na relação. As novas experiências são apontadas por um participante do grupo de dança:
A relação na minha família mudou um pouco sim. Mudou para melhor é claro. Mudou com a mulher e com os filhos. Essa mudança vem no decorrer do tempo, porque a gente vai vivendo e aprendendo e aí é claro que tudo vai mudando e se eu vou melhorando eu vou levando isso para eles.
Ainda dentro do grupo de dança, um participante considerou negativa a mudança na relação familiar, pois as novas amizades geradas dentro do grupo provocaram ciúme em sua esposa, desencadeando uma crise conjugal. Para o restante do grupo (quatro pessoas) não houve influência negativa do novo grupo em relação á família, pois estes já tinham um relacionamento estável e assim permaneceu após a entrada desses idosos no grupo. No grupo da universidade aberta, três reconheceram mudanças positivas nas relações familiares após a entrada no grupo de convivência. Esses idosos relataram ter conquistado admiração, maior atenção e respeito dos familiares. O relato de uma senhora de 85 anos (grupo da universidade aberta) ilustra o orgulho e respeito com que é tratada: “As minhas netas sempre me trataram muito bem, mas tratam melhor agora, porque elas sentem que eu sou uma pessoa como elas são, sou uma universitária também”. Um dos participantes adquiriu uma visão diferenciada dos familiares adoentados, compreendendo-os melhor e dispensando-lhes mais cuidados e atenção. O participante que negou ter havido influência das novas amizades nas relações familiares informou que tal influência não se deu porque ele sempre teve um bom relacionamento com a família e este não foi abalado em nada após a construção das novas amizades.
Significado e expectativa de permanência do novo grupo
De um modo geral, o grupo de convivência tem um grande significado na vida do idoso que participa de suas atividades, visto que suas respostas descrevem o grupo como “vida”, “tudo”, afastamento da solidão, convívio e alegria. Para três membros, o grupo é o local de restabelecimento de enfermidades, facilitando a cura através do apoio dos novos amigos e das atividades praticadas nas reuniões. De acordo com uma das participantes do grupo de dança, foi com os movimentos firmes e precisos da dança que ela conseguiu se recuperar das seqüelas deixadas pela falta de oxigenação no cérebro, provocada por uma forte pneumonia. Sua participação no grupo foi uma forma saudável de integração. Um senhor alegou que a dança e os amigos ajudaram-no a ter uma vida mais saudável e a ampliar o seu conhecimento.

No grupo de dança, apenas uma pessoa não atribuiu maior importância ao grupo dizendo que este não representa muito em sua vida, pois o contato com ele só se dá uma vez por semana e durante poucas horas do dia. Os outros dez participantes qualificaram positivamente o grupo dando-lhe grande importância. Em muitas falas, o grupo foi apresentado como um instrumento que trouxe alegria, força para seguir em frente, incentivo para agir e vivenciar experiências construtivas.

Para o outro grupo, participar da “Universidade Aberta à Terceira Idade” significa satisfação, chance de ter o estudo que não teve na infância, uma fonte de conhecimento. Representa oportunidade de aprendizado, uma maneira de aceitar a própria idade já que o idoso faz parte de um grupo homogêneo. De acordo com uma participante, cada pouquinho que se aprende edifica a vida, por isso participar da UNATI é prioridade para ela. Para outra aluna, esse grupo proporciona um contato mais íntimo com a realidade, uma vida social repleta de novos conhecimentos que ela não tem estando dentro de casa. Sua fala reflete seu aprendizado: “Estando aqui eu tenho um contato mais íntimo com a realidade que vivemos. Aqui eu aprendo coisas que dentro de casa eu não aprenderia, então eu sei que ainda é tempo de crescer de aprender e é isso que eu faço aqui”.

Os participantes voluntários dos dois grupos responderam que pretendem continuar a participar de grupos de convivência. Os participantes do grupo de dança não pensam em deixar “esse” grupo de dança sênior, pois essas amizades, de um modo geral, representam muito em suas vidas devido ao grau de afetividade presente entre os membros do grupo e a orientadora. Eles usam as expressões “vou ficar aqui enquanto estiver viva”, “vou freqüentar o grupo por toda a vida”. Eles têm dificuldade em viajar e deixar o grupo por alguns dias. Para os participantes do grupo da universidade aberta, o importante é a atividade em grupo, é juntar-se a idosos com interesses comuns. Quando concluírem todos os dez módulos do curso pensam em procurar outros grupos de convivência com afinidades e objetivos em comum, de aprendizado e lazer, mas nenhum dos participantes pretende parar de freqüentar grupos de convivência. Uma participante desse grupo disse:


Olha, eu quero é continuar a estudar. Agora mesmo eu estou saindo daqui e indo lá para Faculdade Novo Milênio, estou estudando lá também às segundas, terças, quintas e sextas. Lá também tem cursos para a terceira idade.
Abertura a novas amizades dentro e fora do grupo
No grupo de dança, todos disseram estar abertos a novas amizades, com ênfase diferenciada nas respostas. Uma das causas relevantes para que isso ocorra é a diminuição da timidez e o aumento na segurança e na auto-estima dessas pessoas, permitindo-lhes uma melhor comunicação com o outro. Para uma participante, outros fatores, de ordem pessoal, como separação de um marido alcoólatra e repressor, associados à sua entrada nesses grupos, contribuíram para que tivesse uma outra visão do mundo, tendo maior liberdade para se expressar, tomar decisões, levando-a a se abrir para o mundo e para novas amizades. Outra participante disse que perdeu o medo de falar com as pessoas após sua entrada no grupo e outra ainda disse ter aprendido a se comunicar melhor. No grupo da universidade aberta, metade dos participantes afirmou sempre ter sido aberto a novas amizades, pela facilidade de comunicação com as pessoas. A outra metade dos participantes se sentiu mais segura na construção de novas amizades a partir dos novos conhecimentos adquiridos permitindo-lhes entender mais o mundo que os cerca e, assim, poder se comunicar melhor com as pessoas.
Discussão
A partir dos resultados obtidos nesta pesquisa, podemos inferir como se dá o relacionamento interpessoal do idoso inserido em grupos de convivência e como este provoca alterações em suas vidas e em suas atividades. Conforme as respostas apresentadas, os idosos entrevistados se revelaram pessoas ativas que enfrentam a velhice como uma fase da vida para adquirir novos conhecimentos, novos lazeres e novas amizades. Dentro dos dois grupos entrevistados, a construção de novas amizades, e a participação ativa dos idosos dentro desses grupos, foram consideradas importantes. Eles aprendem a cuidar mais de si, produzindo e dando um novo significado à sua auto-imagem e à sua auto-estima, de acordo com o observado por Nunes e Peixoto (1994) e Frutuoso (1996). Os programas destinados à terceira idade inserem o idoso no espaço universitário com uma proposta sócio-educativa favorecendo sua emancipação e cidadania, sendo que o grupo temático contém o que é relevante para a terceira idade, estimulando o desenvolvimento da sensibilidade, a auto-expressão, a autonomia e liberdade. Pode-se concluir, a partir dos relatos dos idosos, que há uma melhoria na qualidade de vida percebida pelos idosos inseridos nesse processo grupal, o que possibilita o desenvolvimento das relações interpessoais, permitindo a troca de informações e experiências.

Algumas características foram ressaltadas no grupo de dança, como o grau de afetividade presente entre seus membros e a admiração que têm por sua orientadora que está à frente de todas as atividades, viagens e apresentações que o grupo faz pelo Brasil. Ela não os orienta apenas nas questões pertinentes às atividades do grupo, mas promove uma maior interação entre eles e os familiares, incentivando comemorações em que os membros do grupo e os familiares participem. Ela proporciona uma relação familiar entre os participantes do grupo e apoio e orientação adequada para manter a atividade e a motivação entre as pessoas mais velhas (Teixeira, 2001). Há momentos de dança, onde são trabalhadas danças folclóricas do Brasil e de outros países, visto que, no grupo, há muitos participantes descendentes de imigrantes europeus. Há momentos de oração, momentos de divisão de tarefas e de resolução de problemas, em que todos participam, se posicionam e opinam, contribuindo ativamente para o funcionamento do grupo. Esses fatores representam fatores estruturais subjacentes à formação de redes de amizade (Adams & Torr, 1998).

De acordo com as entrevistas realizadas, os grupos de convivência promovem um bom relacionamento entre seus membros, fortalecendo os laços de amizade e estimulando novos vínculos que chegam a elevados níveis de intimidade, não só entre os membros do grupo, mas se estendendo aos seus familiares. A maioria dos “alunos” considera as amizades recentes melhores e mais calorosas que as amizades antigas, havendo entre eles uma unanimidade na satisfação em relação ao novo grupo. Esses dados, de certa forma, são opostos àqueles fornecidos por Shea, Thompson e Blieszner, (1988), que observaram que os idosos preferiam as amizades antigas. Também se afastam dos dados obtidos por Finchum e Weber (2000), quanto à ausência de intimidade nas amizades recentes entre os idosos. Tais diferenças são, possivelmente, devidas a diferenças culturais mas também a diferenças de inserção do idoso em espaços de integração social. Contudo, mais investigações são necessárias para verificar a extensão e a profundidade dessas diferenças.

A participação do idoso nas atividades do grupo fez com que sua identidade individual se associasse à identidade social do grupo, legitimando seu pertencimento ao mesmo. Ali eles têm visibilidade, têm voz, estabelecem novos relacionamentos, são ouvidos, respeitados e encontram alternativas para problemas comuns, discutidos junto a seus iguais. Aprender a participar é se apoderar de novas idéias, novos hábitos, novos padrões de comportamento. A empatia que se estabelece entre as pessoas nos grupos estimula-as a opinar e a externar seus interesses por novas habilidades que vão dando um novo significado à suas vidas. Agindo dessa forma o idoso se transforma e, dentro de um processo dialético, transforma as pessoas dos outros grupos dos quais faz parte, como a família e os amigos antigos. Esses dados apresentam muitos pontos em comum com a literatura nacional, quando Nunes (1993), Debert (1998), Araújo e Carvalho (2004) indicam, em suas pesquisas, que os relacionamentos interpessoais, dentro dos grupos de convivência, têm propiciado um exercício de redescobertas e potencialidades adormecidas, criando e ampliando as redes de amizades dos idosos que deles participam.

O trabalho de Seeman (2000) demonstra que a promoção da saúde está intimamente ligada à qualidade da amizade. De certa forma, esta pesquisa também aponta para este fato, ao mostrar, dentro dos grupos de convivência, as melhoras físicas e emocionais apresentadas por pessoas que lá chegaram doentes. Elas atribuem a sua melhora ao carinho, ao afeto e às relações de amizade que encontraram no grupo.

Considerações Finais

Diante de tudo que foi exposto e considerando o aumento da população de idosos, conhecer mais profundamente suas relações interpessoais representa uma importante contribuição para a melhoria das condições de vida dessas pessoas. Torna-se relevante o papel dos grupos de convivência quando tratamos de redes de amizade e sua expansão para fora desses espaços contribuindo para uma velhice bem-sucedida, principalmente no que diz respeito à construção de novas amizades e sua influência nas relações antigas e familiares, bem como na vida dessas pessoas a partir das novas relações. Além disso, a pesquisa aponta para a necessidade e importância da formulação e implantação de políticas sociais para os idosos, inclusive no formato de “grupos de convivência” e outros formatos voltados para o desenvolvimento da sociabilidade.


Referências
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Recebido: 10/04/2007

Avaliado: 19/05/2007

Versão final: 19/06/2007

Aceito: 21/06/2007


1 Doutor em Psicologia pela USP, Professor do Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFES. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Endereço para correspondência: Av. Des. Cassiano Castelo, 369, Manguinhos. Serra/ES. CEP: 29173037. Tel: 32434493. E-mail: agnaldo.garcia@pesquisador.cnpq.br.

2 Estudante de Psicologia na UFES. Bolsista de Iniciação Científica, CNPq.

Pesquisas e Práticas Psicossociais, 2(1), São João del-Rei, Mar./Ag., 2007






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