Parashá Korach



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B"H

Parashá Korach

(por Rav Menachem Leibtag - Tradução livre: Daniel Segal Amoasei)


"E pegou Korach, filho de Itsar, filho de Kehat, filho de Levi e Datan e Aviram..." (Bamidbar 16:1). O que pegou Korach? Por alguma razão, a Torá prefere não nos contar. Assim também, Korach possui muitas reclamações, mas não está claro a sugestão que propõe para alterar a situação.

De fato, se lermos cuidadosamente a parashá Korach, descobriremos que muitos outros detalhes parecem estar faltando. Tentaremos descobrir o motivo.

Introdução

Parashá Korach começa com um versículo que parece ser gramaticalmente incorreto por estar faltando um objeto:

"E pegou Korach, filho de Itsar, filho de Kehat, filho de Levi e Datan e Aviram, filhos de Eliab, e On, filho de Pelet, os quais eram da tribo de Reuven." (Bamidbar 16:1).

Este versículo simplesmente diz que Korach PEGOU, sem explicar O QUE ele pegou! De fato, este versículo é tão obscuro que muitos comentaristas deram uma interpretação diferente:

Rashi - Korach pegou a si mesmo para o outro lado (contra Moshe)

Ramban - Pegou um conselho de seu coração

Iben Ezra e Chizkuni - Pegou pessoas. E quem pegou? Datan e Aviram

Seforno - Pegou 250 líderes nacionais.

Contudo, não importa que interpretação é mais exata, uma questão básica permanece: Por que a Torá começa a parashá de maneira tão obscura? Afinal, a mensagem da Torá não seria mais clara se ela fosse mais específica?

Uma resposta possível pode surgir do estilo especial que a Torá usa para descrever todo o incidente da rebelião de Korach. Para descobrir e apreciar este estilo único, precisamos analisar profundamente o primeiro capítulo da parashá.

Lutando por uma causa em comum

De uma ligeira lida na parashá Korach, parece que Korach, Datan e Aviram, e os 250 homens estão unidos por uma causa em comum. Eles se juntaram para criticar contra a liderança de Moshe e Aharon:

"E congregaram-se contra MOSHE E AHARON, e disseram-lhes: Basta-vos pois TODA A CONGREGEÇÃO, TODOS ELES SÃO SANTOS, e entre eles se acha o Eterno: E por que VOS ELEVAIS sobre a congregação do Eterno?" (Bamidbar 16:3).

Entretanto, não está claro de suas queixas o que exatamente eles estão sugerindo:



  • Será que eles estão querendo novas eleições?

  • Talvez queiram que Moshe e Aharon saiam da liderança?

  • Talvez eles mesmos queiram ser líderes?

  • Ou eles só querem igualdade espiritual?

Mesmo do conselho de Moshe de fazerem a "prova dos incensos" (o incenso que D'us consumisse indicaria quem era o escolhido por D'us) em resposta à queixa de Korach e sua congregação, permanece a dificuldade em determinar qual era o objetivo deles. Para vermos porque vamos observar a resposta de Moshe:

"Amanhã fará conhecer o Eterno, aquele que lhe pertence e aquele que é santo...e aquele que Ele escolher fará aproximar a Si. Isto fazei: Tomai o incensários, Korach e toda a sua companhia, e ponde neles fogo, e ponde neles incenso diante do Eterno... e o homem a quem escolher o Eterno para Ele, este será santo" (Bamidbar 16:5-7).

Qual é o propósito do teste do incenso?


  1. Determinar quem deveria ser o verdadeiro líder (Moshe ou Korach)?

- Isto implicaria que somente uma oferenda seria aceita, e Korach queria ser o líder; ou

  1. Determinar quem seria permitido oferecer korbanot (oferendas)?

- Isto implicaria na possibilidade de todas as oferendas serem aceitas, ou ao menos uma delas, e então, estavam pedindo por igualdade espiritual.

Contudo, é possível chegar a uma conclusão examinando a segunda resposta que Moshe dá a Korach, isto é, na sua censura aos filhos de Levi:

"Ouvi, rogo, filhos de Levi acaso para vos é pouco que tenha separado o D'us de Israel...e te fez chegar, a a todos os teus irmãos, filhos de Levi, contigo? E PROCURAIS TAMBÉM A KEHUNÁ (sacerdócio)?...E Aharon, quem é ele, para que vos QUEIXEIS CONTRA ELE?" (Bamidbar 16:8-11).

Esta censura aos filhos de Levi prova que Korach e os seus seguidores estavam reinvidicando a decisão de limitar a Kehuná a Aharon e seus filhos. Eles exigem que qualquer um que deseje poderá oferecer korbanot, pois todos os membros de Israel são espiritualmente iguais ("pois toda a congregeção, todos eles são santos" - Bamidbar 16:3).

Podemos presumir que Korach e companhia acharam que a limitação da Kehuná a Aharon e seus filhos foi uma ordem de Moshe e não vinda de D'us. Logo, o teste que Moshe sugeriu, determinará quem será capaz de oferecer korbanot, ou seja, somente Aharon ou todos os 250 homens de Korach.

Grupo dois


Até este ponto, a Torá nos dá a impressão que todos mencionados no primeiro versículo (Korach, Datan e Aviram e os 250 homens) estão juntos nestas queixas. Portanto, poderíamos esperar que todos eles participassem deste evento (oferecimento do incenso).

Contudo, com a continuação da narrativa, um retrato diferente aparece. Note de 16:12 que não são todos mencionados em 16:1-2 planejam participar deste teste:

"E mandou Moshe chamar DATAM E AVIRAM ...e eles disseram não subirenos" (Bamidbar 16:12-14).

Por que Moshe chamou a Datam e Aviram? Eles também não estavam juntos com Korach e companhia na primeira vez que se juntaram contra Moshe (Bamidbar 16:2-3)? Pela resposta deles - "Não subiremos" - fica claro que Datam e Aviram compõem um grupo diferente. Eles pemanecem no seu próprio acampamento (recordemos que são da tribo de Reuven) e recusam-se a se aproximar do Ohel Moed (tenda da assinação onde ocorreria o teste do incenso).

Datam e Aviram não parecem estar muito interressados na igualdade espiritual. Com a continuação da narrativa, percebemos que eles tem uma queixa contra Moshe, de uma natureza um pouco mais política:

"Achas pouco nos teres feito subir de uma terra que emana leite e mel (Egito), para nos matares no deserto, senão QUE TAMBÉM QUER SE ASSENHOREAR DE NÓS? Nem tampouco a uma terra que emana leite e mel nos trouxeste....(portanto) não subiremos" (Bamidbar 16:13-14).

Na resposta imprudente à convocação de Moshe, Datam e Aviram rejeitam totalmente a liderança política de Moshe. Em seus olhos, Moshe falhou. No final, quando o povo aceitou a liderança dele no Egito, ele prometeu levá-los a uma terra que emana leite e mel (vide Shemot 3:16-17 e Shemot 4:30-31). Agora que Moshe informou o povo que não entrarão mais na terra prometida, Datam e Aviram (e muitos outros) rejeitaram a legitimidade de sua liderança.

Claramente, esta quiexa é totalmente diferente da queixa original de Korach contra a Kehuná! Lá, somente o estatus de Aharon está em discussão, mas todos aceitam a liderança de Moshe. Além disto, todos concordam em participar do teste que Moshe propõe. Aqui, com a queixa de Datam e Aviram, é justamente a liderança de Moshe que está em discussão.

Agora está claro que são duas queixas independentes, sendo feita por dois grupos diferentes e em dois lugares diferentes:

Primeiro grupo - os 250 homens - queixam-se contra a Kehuná que foi dada a Aharon. Eles estão prontos para o teste no Ohel Moed (note como a Torá constantemente se refere a este grupo como "adat Korach" - companhia de Korach vide Bamidbar 16:5,6,11).

Segundo grupo - Datam e Aviram (e seguidores) - queixam-se contra a liderança política de Moshe. Estão reunidos no acampamento de Reuven.

Ainda nos falta verificar qual a participação de Korach nestes dois grupos, mas não há dúvidas de que são dois grupos com dois objetivos diferentes.

A reação de Moshe a queixa de Datam e Aviram pode ser mais uma prova desta distinção:

"E irou-se Moshe muito, e disse ao Eterno:Não atentes para a tua oferta...nem fiz mal a algum deles" (Bamidbar 16:15).

Aqui vemos como Moshe reagiu a queixa feita por Datam e Aviram a sua liderança. No caso deles, não poderia oferecer um teste. Portanto, Moshe pode apenas se voltar a D'us, pois a legitimidade de sua liderança está em perigo. Moshe lembra a D'us que foi um líder confiável e nunca abusou de seu poder.

Até este ponto (Bamidbar 16:1-15), a narração embora um pouco complexa, seguiu uma ordem lógica: Primeiro a apresentação de ambos os grupos, seguida pela apresentação de cada queixa. Mas agora, por alguma razão, o texto começa a pular de um grupo para o outro durante o conflito de Moshe com estes dois grupos. Note como em 16:16 a narração é deslocada da reação de Moshe a queixa de Datam e Aviram (grupo 2) e retorna para o confronto original com "adat Korach" (grupo 1):

"E disse Moshe a Korach: Tu, e toda a tua congregação, ponde-vos diante do Eterno; tu e eles, e Aharon, amanhã" (Bamidbar 16:16).

Então, a narrativa continua a descrever este confronto: No dia seguinte, toda a congregação no Ohel Moed pronta e Korach junta todos na porta para assistir. Depois, quando esperamos o final, toda a narrativa repentinamente muda.

O que terá acontecido com os 250 homens? Onde estarão Datam e Aviram? Por alguma razão, a Torá prefere nos deixar no suspense.

A reentrada do grupo dois


Até este ponto, encontramos um novo trecho (Bamidbar 16:20-22), descrevendo como D'us inesperadamente intervém e informa Moshe que Ele está prestes a punir toda a congregação de Korach (Bamidbar 16:20). Moshe intercede, argumentando que somente quem é diretamente culpado deve ser punido (vide Bamidbar 16:21-22). Contudo, permanece vago quem precisamente deve ser punido. Em outras palavras, a palavra "congregação", usada por Moshe se refere ao:

  • Primeiro grupo - os 250 homens que estão oferecendo o incenso?

  • Segundo grupo - Datan e Aviram e os seus seguidores?

  • Toda a nação - ou ao menos aqueles que estão reunidos em volta?

Mesmo que os versículos que precedem este trecho indentificam "companhia" como o grupo reunido em volta do Ohel Moed (ou seja primeiro grupo / vide Bamidbar 16:9), os versículos seguintes (vide Bamidbar 16:23-27) falam sobre o segundo grupo, isto é, aqueles que estão em volta do acampamento de Datan e Aviram:

"E falou o Eterno a Moshe: Fala a CONGREGAÇÃO dizendo RETIRAI-VOS dos arredores do Tabernáculo de KORACH, DATAN E AVIRAM" (Bamidbar 16:23-24).

Em resposta a reza de Moshe, D'us manda-o advertir a CONGREGAÇÃO que se reuniu em volta do acampamento de Datan e Aviram. Para provar que D'us se referia ao grupo dois, note como Moshe (para cumprir Sua ordem) precisa deixar a área do Ohel Moed (onde está o primeiro grupo) e dirigir-se a área onde se localiza o segundo grupo, o Tabernáculo de Korach, Datan e Aviram:

"E LEVANTOU-SE Moshe e foi ter com Datan e Aviram...E falou a congregação, dizendo RETIRAI-VOS logo de junto das tendas desses homens maus...para que não sejais castigados por todos os seus pecados" (Bamidbar 16:25-26).

Note como Moshe precisa deixar sua localização presente (Ohel Moed) e ir até o "Tabernáculo de Korach, Datan e Aviram" (o que também prova que são dois grupos). Esta localização, que a Torá se refere como "Tabernáculo de Korach, Datan e Aviram", serve como "quartel - general" deste grupo rebelado. Provavelmente, neste novo centro, um novo grupo de liderança alternativa já estava formado.

Porque o segundo grupo desafiou a liderança de Moshe (e não a Kehuná de Aharon), é o próprio Moshe (e não Aharon) que precisa confrontar este grupo. Note que Aharon não acompanha Moshe (em Bamidbar 16:25). Em lugar de ir, Aharon permanece no Ohel Moed com os 250 homens (primeiro grupo), já que para este grupo a questão é a Kehuná.


Dois grupos - duas punições


Para provar ao povo que Moshe permanece como líder apontado por D'us (a despeito das muitas falhas da geração do deserto), D'us precisa criar uma nova forma de criação para punir os envolvidos. A terra se abre e engole, de forma miraculosa, o segundo grupo - Datan e Aviram e todos os seus seguidores, aqueles que não ouviram os avisos de Moshe (Bamidbar 16:27-34).

Mas, o que terá acontecido ao mesmo tempo com a congregação de Korach (primeiro grupo) - os 250 homens que estavam no Ohel Moed participando do teste do incenso?

Por alguma razão, a Torá nos deixa em suspense sobre seus destinos, e somente retorna a eles (de maneira incidental) no último versículo deste capítulo:

"E um fogo saiu do Eterno e consumiu aos 250 homens que ofereceram o incenso" (Bamidbar 16:35).

Este último versículo não somente prova que haviam dois grupos em dois lugares diferentes, como também duas punições diferentes:

Primeiro grupo - 250 homens no Ohel Moed - consumidos pelo fogo.

Segundo grupo - Datan e Aviram e companhia - engolidos pela terra.

Onde estará Korach em tudo isso? Estará no primeiro ou segundo grupo? Ele não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo, poderia?


Korach - o político


Antes de verificarmos a natureza do envolvimento de Korach com os dois grupos, precisamos primeiro entender a conexão dele com cada um destes dois grupos. Antes de começarmos, usaremos uma tabela para resumir nossa análise até agora:

-------------------

Primeiro grupo

Segundo grupo

Membros

250 homens

Datan e Aviram e seguidores

Exigência

Kehuná (sacerdócio)

Nova liderança política

Contra

Aharon

Moshe

Motivo

Igualdade

Fracasso da liderança

Localização

Ohel Moed

Acampamento de Reuven

Punição

Consumidos pelo fogo

Engolidos pela terra

À primeira vista, parece que cada grupo tem ao menos bases para uma reclamação legítima. Na reclamação da restrição da Kehuná à família de Aharon, o primeiro grupo quer o seus direitos, e também o direito dos outros, de oferecer korbanot. Na queixa da liderança política de Moshe, o segundo grupo mostra sua preocupação com o futuro do povo de Israel. Na sua opinião, permanecer no deserto é o mesmo que suicidar-se (vide Bamidbar 16:13).

Mesmo que o primeiro grupo tenha algo em comum com o segundo, a Torá apresenta a história de uma maneira que deixa o leitor com uma impressão de que somente um grupo existe. Isto acontece porque a narrativa "pula" de um grupo para o outro,

A tabela a seguir (capítulo 16) ilustra estes "pulos":


Versículos

Grupo

Tópicos

1-2

Ambos

Introdução

5-11

Primeiro

Reclamações daqueles que querem a Kehuná

12-15

Segundo

Convocação de Datan e Aviram e a recusa

16-19

Primeiro

O teste do incenso

20-22

Ambos

O pedido de Moshe para D'us punir somente os culpados

23-24

Segundo

A terra engole Datan e Aviram e seguidores

25

Primeiro

O fogo consome os 250 homens

Por que a Torá aplica este estilo incomum? Como isso nos ajuda a entender melhor o envolvimento de Korach com cada grupo?

Korach - Onde está você?


Primeiro, precisamos descobrir a que grupo pertence Korach. Claramente, ele está liderando o primeiro grupo, que pede a Kehuná (vide Bamidbar 16:6-8,16-19), e ao mesmo tempo também está envolvido com o segundo grupo, sendo que seu nome aparece pela primeira vez no comando dos rebeldes - "Tabernáculo de KORACH, Datan e Aviram".

Além disto, mesmo que Korach não tenha sido mencionado na punição que recebeu o segundo grupo (vide Bamidbar 16:23-24 cuidadosamente para verificar isto), muitos de seus seguidores, descritos pela Torá como "homens de Korach", foram engolidos pela terra juntamente com Datan e Aviram (vide Bamidbar 16:32). De fato, não está claro como Korach morreu. Ele foi engolido pela terra ou consumido pelo fogo? A última vez que apareceu foi em 16:19, junto com os 250 homens (primeiro grupo) no Ohel Moed. Mas de 16:25 parece que somente os 250 homens são consumidos e não Korach! Por outro lado, 16:32 informa-nos que Datan e Aviram e todos os homens de Korach são engolidos, mas Korach parece estar faltando! Será que ele escapou das duas mortes?

Aparentemente não. Mais tarde, em Bamidbar 26:9-10, somos informados claramente que Korach foi engolido pela terra. Mas, para complicar mais, Devarim 11:6 diz que somente Datan e Aviram foram engolidos (baseado na complexidade destes versículos, o tratado de Sanhedrim 110a sugere que Korach recebeu ambas as mortes).

O que a Torá pode, com seu estilo único de apresentar a história, nos ensinar sobre o envolvimento de Korach? Por que a Torá intencionalmente nos deixa com a impressão de que Korach está em dois lugares ao mesmo tempo?

Este estilo deveria provocar o leitor a reconhecer que existe uma estranha coalizão entre os dois grupos, que não tem nada em comum a não ser o descontentamento.

Quem motivou a associação destes dois grupos?

A resposta está clara: Korach. A questão permanece: Por que? Qual a motivação de Korach?

Poderíamos sugerir que é justamente este o propósito da ambiquidade do primeiro versículo (vide introdução). Não terminando a sentença intencionalmente, a Torá quer que o leitor se pergunte: O que pegou Korach? (Se não nos perguntassemos esta questão, nunca seberíamos da existência de dois grupos na continuação).


União política


Korach "pegou" dois protestos ostensivos legítimos e juntos formou sua própria base política. Mesmo que cada grupo sozinho não ousaria desafiar Moshe e Aharon em público, Korach os encorajou a entrarem em ação. Datan e Aviram, inspirados por Korach, estabeleceram sua própria sede - "Tabernáculo de Korach, Datan e Aviram" em desafio a liderança de Moshe. Assim também, os 250 homens, incluindo os membros da tribo de Levi, atacam abertamente a restrição da Kehuná a Aharon.

Em lugar de encorajar um diálogo aberto, Korach incita estes dois grupos a agir através da força. Muito provavelmente Korach se envolveu com os dois grupos.


Uma lição para todas as gerações


A Mishná em Pirkei Avot (Ética dos pais - capítulo 5 Mishná 7) considera a rebelião de Korach como um exemplo de uma disputa que "não é em nome de D'us". Por que exatamente Korach é escolhido como exemplo? Depois de tudo, os argumentos apresentados por Korach ("pois toda a congregação, todos eles são santos" e etc) parecem exatamente o oposto: Que são argumentos "em nome de D'us". Através deste exeplo, o Pirkei Avot nos ensina exatamente o que a Torá quer nos ensinar com seu estilo único. É exatamente porque Korach e seus seguidores dizem lutar "em nome de D'us" que nossos sábios nos informam suas verdadeiras intenções. Mesmo que Korach diz lutar "em nome de D'us", sua verdadeira intenção é "não em nome de D'us". Seu primeiro interesse é se auto promover, criar uma base poderosa em que ele mesmo seja o líder.

Parashá Korach nos ensina que sempre que ocorre uma discussão sobre a liderança da comunidade ou um pedido de reformismo religioso (qualquer semelhança com o que ocorre na nossa comunidade não é mera coincidência), antes de chegarmos a conclusões, devemos examinar não somente as queixas, mas também as motivações por trás delas. Num nível pessoal, todos devemos constantemente examinar as verdadeiras motivações por trás de nossos esforços espirituais. Em muitos setores da vida judaica, especialmente comunitário, muitas vezes nos encontramos envolvidos em muitas atividades que geralmente não são "em nome de D'us". Somente a introspecção constante pode garantir-nos que todos os nossos atos são "em nome de D'us".



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