Palavras chave: Patrimônio da Humanidade. Turismo cultural. São Cristóvão-Sergipe. Abstract



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Resumo: A cidade de São Cristóvão foi a primeira capital de Sergipe e abriga em seu centro histórico, aspectos arquitetônicos e culturais dos períodos colonial e imperial brasileiro. Em 2010, a Praça São Francisco recebeu o título de Patrimônio da Humanidade por ser fiel representante das construções hispânicas no continente americano. Esta pesquisa buscou analisar se a tutela da Praça São Francisco tem sido um contributo para a valorização cultural/patrimonial do centro histórico de São Cristóvão. Para tal, o artigo foi estruturado partindo de procedimentos metodológicos de construção descritivo-explicativa. Os resultados obtidos apontaram algumas ações educativas, investimentos na preservação do patrimônio, além da maior visibilidade do destino a partir da tutela da UNESCO. Entretanto, os residentes até o momento não perceberam vantagens desta titulação, que, conjugado à ausência de planejamento turístico, pouca qualificação dos informantes de turismo, inexistência de hotéis e restaurantes, tem inibido o crescimento turístico. Somados aos ruídos na comunicação entre a gestão pública municipal e os setores que atuam com o turismo na localidade, se constatou um escasso alinhamento entre os atores sociais responsáveis pelo desenvolvimento do turismo no centro histórico.

Palavras chave: Patrimônio da Humanidade. Turismo cultural. São Cristóvão-Sergipe.

Abstract: São Cristóvão was the first capital city of Sergipe and keeps in its historical center, cultural and architectural aspects of the Brazilian imperial and colonial periods. In 2010, The São Francisco Square received the title of Mankind Patrimony for being a faithful representative of the Hispanic constructions in the American continent, reflected during the period of the Iberian union. This research seeks analyze if the title of The São Francisco Square has been a contribution for the cultural/patrimonial valorization of the historical center of São Cristóvão. For such, the article was structured under methodological procedures of descriptive-explanatory construction. The results obtained aimed some educational actions, investments in the preservation of the patrimony, besides longer visibility of the destination from the title of UNESCO. However, the residents do not realize yet effective benefits of this titration, combined with the absence of a tourist planning, the little qualification of the tourism informers, the absence of hotels and restaurants, added to the noises in the communication between the municipal public management and the sectors that act with the tourism in the locality, has inhibited the tourist development in the historical city.

Keywords: Mankind Patrimony. Cultural Tourism. São Cristóvão -Sergipe.

INTRODUÇÃO

Entender e reconhecer o patrimônio e sua diversidade é de grande importância para o desenvolvimento socioeconômico e para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem nos centros históricos das cidades. Ademais, perceber o patrimônio pelo viés da atividade turística requer uma compreensão de que o mesmo deve ser praticado de forma harmônica entre os seus agentes – comunidade, turistas e profissionais do turismo, pois antes do patrimônio ser estabelecido como atrativo turístico esse se processa num referencial identitário de um lugar e, nesse contexto, a cultura deve ser destacada por elemento importante na valorização do patrimônio e da identidade.

Nessa premissa, o centro histórico da cidade de São Cristóvão é o mais significativo representante de Sergipe nos aspectos social, religioso e cultural e tem na sua arquitetura sacra e civil, a expressividade dos tempos em que o povo sergipano iniciou o curso da sua história. A localidade esteve como centro da colonização e organização da Capitania de Sergipe durante 265 anos, e possui patrimônio histórico cultural material e imaterial de grande relevância. O centro histórico da cidade preserva grande parte do seu patrimônio arquitetônico construído entre os séculos XVII e XIX nos estilos colonial-barroco e neoclássico. Possui ainda enorme diversidade de manifestações culturais, com expressivo calendário festivo e religioso, e de uma gastronomia diversificada e singular.

Fundada em 1590, a cidade de São Cristóvão passou a ser sede da Capitania de Sergipe D’el Rei, apresentando-se como um importante entreposto econômico entre as Capitanias da Bahia e de Pernambuco, quando passa a ser um polo de criação de gado e de produção açucareira até o ano de 1855, onde por motivos econômico-portuários perde seu título de capital para Aracaju. No ano de 2010, foi definida a 18ª chancela1 concedida no Brasil pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura- UNESCO elevando a Praça São Francisco (Figura 01) como Patrimônio da Humanidade, por conservar o mais fiel representante das construções ibéricas do período colonial brasileiro.



Figura 01 – Vista aérea do centro histórico de São Cristóvão - Sergipe, em destaque a Praça São Francisco

Fonte: IPHAN, 2009
A partir do exposto, justifica-se a importância de São Cristovão para a formação da cultura sergipana, visto que o acervo patrimonial e cultural existente na cidade configura os vários períodos históricos, políticos, econômicos e religiosos de Sergipe e possivelmente, essa titulação da Praça São Francisco pela UNESCO, venha a fomentar investimentos públicos e privados, contribuindo para fortalecer a preservação e a valorização do destino.

Nesse sentido esta pesquisa pretendeu inquirir se a nova titulação tem fomentado melhorias ao destino, tendo como objetivo geral analisar se a tutela da UNESCO da Praça São Francisco tem sido um contributo para a valorização cultural/patrimonial do centro histórico de São Cristóvão, tendo como objetivos específicos conhecer a perspectiva dos sujeitos envolvidos com o turismo em São Cristóvão quanto ao uso do patrimônio cultural na atividade turística; verificar a existência de possíveis ações de planejamento turístico na localidade; identificar se a titulação da Praça São Francisco pela UNESCO tem contribuído para a preservação do patrimônio material e imaterial; e avaliar a dinâmica da hospitalidade e dos serviços turísticos locais atuais. Para tanto, o presente trabalho foi estruturado partindo de procedimentos metodológicos de construção descritivo-explicativa, no qual se buscou privilegiar a dimensão dos fenômenos e sua trajetória espaço-temporal em análise, sendo que para o conhecimento prévio da localidade foi realizada pesquisa exploratória, que segundo Gil (2009), proporciona maior familiaridade com o problema em questão. A pesquisa também foi desenvolvida sob o prisma social (LAKATOS; MARCONI, 2006) com a finalidade de contribuir para uma melhor compreensão do poder público e privado sobre o turismo na perspectiva da cadeia produtiva do turismo. Assim, as áreas escolhidas foram: turismo cultural e patrimônio, planejamento e infraestrutura, hospitalidade e serviços turísticos, buscando fazer interelação entre os pares sobre a percepção do patrimônio e dos serviços prestados aos visitantes.

O universo dessa pesquisa foi composto por centro e quarenta e três (143) sujeitos, com aplicação de formulários semiestruturados durante os meses de dezembro de 2011 e janeiro de 2012, direcionados a seis grupos de entidades consideradas representativas: turistas em visita ao centro histórico, os residentes da localidade, os empresários locais, os recepcionistas, os gestores e os diretores dos grupos folclóricos, através dos quais se buscou subsídios para a compreensão e interpretação da tutela da UNESCO da Praça São Francisco e seu contributo para a valorização cultural/patrimonial do centro histórico de São Cristóvão-Sergipe.

Para a análise dos resultados, se adotou pensamento crítico e ao mesmo tempo imparcial, confrontando todos os atores sociais. Para a tabulação das questões abertas, fundamentou-se na análise de conteúdo de Bardin (1977, p.44), que segundo o autor “o pesquisador deve realizar uma primeira leitura dos textos produzidos pelos informantes, chamada de leitura flutuante [...], onde o pesquisador pode transformar suas intuições em hipóteses a serem validadas ou não pelas etapas consecutivas”. Utilizou-se para as questões fechadas a tabulação simples e cruzada, empregando o Statistical Package for the Social Sciences – SPSS.



O PATRIMÔNIO MATERIAL DO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO CRISTÓVÃO

Como um desdobramento da cultura, o patrimônio quando preservado e valorizado, fortalece os sentimentos de identidade e de posse coletiva de uma comunidade. A questão do patrimônio cultural do Brasil é definida no artigo 216 de 1988, da Constituição Brasileira, com vistas à ampliação do conceito para abarcar o patrimônio imaterial e natural onde explica que são constituídos por,

(...) bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico (BRASIL, 1988, p. 136).

Ainda contextualizado por Barroco e Barroco (2009, p. 93), o patrimônio cultural é fundamental para o processo do desenvolvimento do turismo cultural, histórico e patrimonial, pois “representa todos os bens materiais e imateriais da natureza, conhecidos como reais potenciais econômicos e sociais, representando a memória e a identidade das comunidades”. Tais patrimônios são formados pelos saberes e pela arquitetura, pelo conjunto de bens, direitos e obrigações de uma pessoa ou de uma comunidade, podendo ser material ou não, sendo tombados para que se possa preservá-los como meio de permitir que estes sobrevivam ao tempo e possam ser apresentados a outras gerações.

Não obstante, observa-se que no município em estudo, o patrimônio cultural é um dos principais instrumentos de desenvolvimento turístico, se for reconhecido e utilizado de modo sustentável. Neste contexto, Silva (2004, p. 28) explica que “a preservação da identidade cultural torna-se uma exigência para o mercado turístico, onde a busca dos elementos característicos e diferenciais de cada cultura aparece como uma necessidade de mercado”. Neste argumento, a autora explana que o legado cultural, quando transformado para consumo perde seu significado, se preocupando apenas com os aspectos econômicos e não com as raízes de um povo. Nessa conjuntura, a educação patrimonial pode ser um viés de contribuição, fazendo com que a comunidade possa tomar consciência do papel que sua cidade representou em determinado cenário em determinada época, e dessa forma, adequar para a sustentabilidade.

Para tal, Menezes (2004) sugere como uma das formas de desenvolver a sustentabilidade cultural, a interpretação do patrimônio cultural através de técnicas e estratégias que deem significado e valor histórico, integrando-o à dinâmica social em vigor. Portanto, como forma de preservar o patrimônio, a atividade do turismo cultural tem sido muito incentivada, visto que esta pode fomentar a continuidade. Brito (2009), avalia a importância da formatação do recurso para que este se torne um atrativo e tenha sustentabilidade. Segundo o autor citado, “cabe ressaltar a necessidade de tratamento de produtos turísticos que devem resultar do processo de preparação, apresentação e interpretação desses atrativos, para torná-los acessíveis e compreensíveis tanto para os residentes, como para os visitantes nas localidades” (p. 225).

Por outro lado, a necessidade da preservação do patrimônio é discutida por Rodrigues (1998 e 2000), em que apresenta a prática do tombamento dos bens culturais sendo realizado por instâncias políticas, como meio de ação para preservar suas características para que possam ser contemplados não só no momento, mas pelas futuras gerações.

No centro histórico de São Cristóvão, o desenvolvimento das atividades turísticas ocorre desde quando a cidade passou a ser destacada nos principais roteiros de Sergipe, integrando as rotas planejadas pelo governo do Estado e pelo Ministério do Turismo, devido a seu relevante acervo cultural material e imaterial.

O patrimônio material sacro do centro histórico é formado pelos bens construídos pelas ordens religiosas católicas que se radicaram em São Cristóvão. Fixaram-se na cidade os religiosos Jesuítas (1597), Capuchinhos (1603), Carmelitas (1618 ou 1619), Beneditinos (1693) e por fim, os Franciscanos, que se tornariam proprietários de terras, gados e engenhos (FREIRE, 1977). Igualmente o orfanato Imaculada Conceição, o Convento do Carmo, além das igrejas de São Francisco e da Ordem Terceira de São Francisco, da Misericórdia, da Matriz de Nossa Senhora da Vitória, de Nossa Senhora do Carmo, da Ordem Terceira do Carmo (Senhor dos Passos), de Nossa Senhora do Amparo, do Rosário e o Museu de Arte Sacra, são monumentos que compõem o acervo sacro do centro histórico.

Ademais, com a recente elevação da Praça São Francisco a categoria de Patrimônio da Humanidade, esta visibilidade tem se amplificado, redesenhando novo panorama na percepção do patrimônio histórico e arquitetônico de Sergipe. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN (2009, p. 34), o patrimônio material se refere a

Um conjunto de bens culturais classificados segundo sua natureza nos quatro Livros do Tombo: arqueológico, paisagístico e etnográfico; histórico; belas artes; e das artes aplicadas. Eles são divididos em bens imóveis como os núcleos urbanos, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais; e móveis como coleções arqueológicas, acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos.

Essa condição singular arquitetônica do centro histórico de São Cristóvão, dentre outras cidades brasileiras, propiciou o processo de três tombamentos2. O primeiro, como Monumento Histórico Estadual ocorrido em 22 de junho de 1938 com o Decreto Estadual nº 94, em que passou a ser orientada a partir desta data, a responsabilidade do Governo de Sergipe, através do Instituto do Patrimônio Cultural do Estado de Sergipe, quanto à preservação dos bens edificados protegeram monumentos isolados entre os anos de 1941/44 e em 1962. De acordo com Nogueira (2006, p. 97), “os tombamentos, a regulamentação das áreas tombadas e de entorno, os registros, os inventários e os planos são os instrumentos utilizados pelo IPHAN para preservar o patrimônio cultural e artístico brasileiro”. Nesse processo foram reconhecidas pelo patrimônio estadual algumas construções (igrejas e mosteiros) de elevado valor arquitetônico, como por exemplo, podem ser citadas, as igrejas de São Francisco e de Santa Cruz da Ordem Franciscana (1941); do Rosário e São Benedito (1943); de Nossa Senhora do Carmo e Ordem Terceira do Carmo (1943); da Matriz de Nossa Senhora da Vitória (1943); da Misericórdia (1944); do Amparo (1962).

O segundo tombamento elevou conjunto arquitetônico e urbanístico do Centro Histórico a Patrimônio Nacional, em 31 de janeiro de 1967, como um elemento essencial para o reconhecimento da obra de arte, enquanto tal, passível de ser preservada (NOGUEIRA, 2006, p.110). Foram tombados dez bens individualmente: Igreja e Convento Santa Cruz - Convento São Francisco; Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória; Sobrado à Rua Getúlio Vargas S/N – Casa do balcão corrido; Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo; Sobrado à Rua Messias Prado N°20; Igreja de Nossa Senhora do Amparo; Antiga Ouvidoria – Casa do IPHAN; Antiga Santa Casa de Misericórdia – Lar Imaculada Conceição; Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.·.

O terceiro tombamento no centro histórico de São Cristóvão ocorre em 2010, quando estudos e pesquisas deram à Praça São Francisco, expressiva relevância motivada pelo singular caráter da sua construção no Brasil, com edificação idêntica às que foram construídas em localidades colonizadas pelos espanhóis na América. A Praça recebeu a tutela de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 01 de agosto de 2010 e o selo oficial em 08 de julho de 2011. O Jornal Cultura e Mercado (2011, não paginado) informou que,

A Praça São Francisco da cidade de São Cristóvão foi o 18º bem brasileiro a ser inscrito na Lista de Patrimônio Cultural Mundial da UNESCO. O monumento, segundo o presidente do IPHAN, é a melhor representação no Brasil do período da União Ibérica, no Século XVI, quando Portugal e Espanha estavam sob uma só coroa e ainda hoje preserva o contexto natural exuberante de sua paisagem construída singular (JORNAL CULTURA E MERCADO, 08 jul./2011) 3.

O destaque da Praça São Francisco é motivado pela sua importância histórico-cultural porque é o único exemplar no Brasil de uma Plaza maior ou Plaza de armas4, típicas da arquitetura e planejamento urbano colonial realizado pelos espanhóis e que eram disciplinadas pela Espanha conforme o Ato IX das Ordenações Filipinas e aplicáveis também aos territórios portugueses durante a União Ibérica (IPHAN, 2009). A normativa chegava a estabelecer o tamanho da praça, com comprimento e largura, a posição dos prédios públicos e religiosos, e isto foi determinado para a construção da Praça São Francisco em São Cristóvão, conforme citado por Bisporrocha (2011, p. 01):

Durante os séculos XVI e XVII, com a chegada dos Portugueses ao Brasil, iniciava um período de povoamento e colonização no mais recente continente descoberto [...] São Cristóvão nasceu devido às entidades religiosas que ali se instalaram e por causa da farta produção agrícola. Com a chegada da Ordem Franciscana à cidade em meados do século XVII, iniciou-se a formação da cidade histórica com construções eclesiásticas a partir das doações da comunidade aos Franciscanos, nascendo à igreja de São Francisco, o Convento de Santa Cruz, a Capela da Ordem Terceira Franciscana (atual Museu de Arte Sacra) e a Santa Casa da Misericórdia. Anos mais tarde a coroa portuguesa decide finalizar as obras que ficam ao redor da praça, fazendo do complexo uma das obras arquitetônicas mais importantes e imponentes da fase luso-espanhola no Brasil. 5

Essa foi a segunda vez que a Praça São Francisco da cidade de São Cristóvão disputou o titulo de Patrimônio da Humanidade. A primeira aconteceu em 2005, no principio do processo quando a cidade foi julgada e orientada a cumprir algumas exigências estabelecidas pela UNESCO. Desde 2007, no entanto, a possibilidade do título tomou impulso, principalmente pelo apoio do município, do estado de Sergipe e do Governo Federal, que em ação conjunta possibilitou que a cidade recebesse inúmeros investimentos a fim de que todos os requisitos fossem cumpridos. De acordo com a Subsecretaria de Estado do Patrimônio Histórico e Cultural – SUBPAC,6 o envolvimento da população na conquista também foi crucial, pois a participação da população trouxe empenho ao processo na forma de manifestos favoráveis a tutela.


O PATRIMÔNIO IMATERIAL DO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO CRISTÓVÃO

Quanto ao patrimônio imaterial, este se refere a todas as manifestações intangíveis, onde a sua prática e o modo de fazer, dão identidade a uma comunidade, como as manifestações artísticas e culturais – artesanato, artes plásticas, rituais, folclore, além da gastronomia, representam o cotidiano de um grupo social. Baseados no artigo da 2° da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, Castro, (2008, p.12) e IPHAN, (2000) entendem a temática como algo que abarca,

[As] práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Este patrimônio cultural imaterial, que se transmite de geração em geração, é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade e contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.

São Cristóvão possui expressivo número de manifestações culturais. As manifestações culturais são definidas como “[...] sons da voz social, uma forma subjetiva que grupos de pessoas encontram para expor seu interior, expressar o que pensam e o que desejam realizar ou modificar” (CARVALHO, 2002, p. 64), representadas através de festas tradicionais e folclóricas, em que todos os tipos de manifestações, manufaturadas ou não, são importantes e em São Cristóvão, de certa forma, essas manifestações estão concentradas nas classes menos abastadas, que de acordo com Oliveira, a cultura popular de modo geral, está sempre associada à classe popular, ou seja, associada à classe menos favorecida, onde “pode-se afirmar que cultura é a dimensão do processo social, da vida de uma sociedade; diz respeito a todos os aspectos da vida social, tudo o que o homem faz para poder sobreviver e se relacionar com o mundo. Enfim, cultura é uma construção histórica”. (OLIVEIRA, 2004, p. 82)

E nos tempos atuais, devido aos adventos da globalização e da provável homogeneização da cultura, é preocupante a possibilidade que possa ocorrer uma extinção da cultura popular. Em contrapartida, Garcia Canclinni (2000) defende que a cultura popular não está em vias de extinção, mas em constante transformação. Uma noção fundamental para explicar as táticas metodológicas dos folcloristas e seu fracasso teórico é a de ‘sobrevivência’. A percepção dos objetos e costumes populares como restos de uma estrutura social que se apaga é a justificação lógica de sua análise descontextualizada (GARCIA CANCLINI, 2000, p. 209, grifo do autor).

Ao mesmo tempo no mundo globalizado, o diferencial entre grupos, instituições e indivíduos tem exigido pesquisas sobre a cultura, de modo que esta se torna uma perspectiva indispensável de debate nas sociedades contemporâneas. De acordo com Giddens (2000, p. 23), “a globalização é a razão do ressurgimento de identidades culturais em diversas partes do mundo”.

Conforme Hall (1999), a identidade cultural é ao longo do tempo formada, e o sujeito estando previamente vivido, como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado, composto não de uma, mas de várias identidades, contraditórias ou não resolvidas, em que “as identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas e transformadas no interior da representação” (p. 48). Portanto com a globalização e por seu direcionamento intrinsecamente econômico, apresenta uma mescla do ponto de vista cultural e patrimonial, pois suas mensagens direcionadas ao mercado de consumo tendem a uma unificação mundial do marketing e seu marco tende a consistir e influenciar em escala global. Nessa assertiva, o turismo e o patrimônio cultural passaram a ser o facilitador e ao mesmo tempo, uma ameaça a determinados grupos culturais que podem vir a sofrer influências na sua formação identitária, pois de acordo com Santos (2001, p. 03),

Se a globalização significa a abertura de novas perspectivas para a criação por meio de intercâmbios cada vez mais facilitados e acelerados, ela representa também uma ameaça real de uniformização e homogeneização, de imposição de modelos de consumo, por parte de centros criadores cada vez mais fortes, a centros consumidores passivos cada vez mais numerosos.

Dessa forma, esses modelos de consumo podem influenciar as comunidades, enfraquecendo a cultura regional como o folclore. Mas ao perpassar gerações, esta pode também destacar a importância no contexto cultural da regionalização e do sentimento de pertencimento, que para tal é necessário sensibilizar a comunidade para a importância do folclore. Nesse contexto, Moesch (2002, p. 51) explica que,

Por outro lado, ou com outro olhar, o folclore deve ser concebido como “Uma novidade que sempre se preserva” (grifo da autora, ou seja, o folclore perdura, dura, e aquilo que nele em um momento se recria, em outro precisa ser consagrado, precisa ser incorporado aos costumes e experiências de uma comunidade.

E em Sergipe, a cultura do folclore está intrinsecamente construída, mas um pouco latente nas últimas décadas, conforme explica a Professora Aglaé Alencar, 7

[...] o folclore sergipano apresenta uma riqueza muito grande de material a ser trabalhado. A exemplo do folclore brasileiro percebe-se no sergipano, grande influência da contribuição portuguesa e negra, sendo que em menor destaque a indígena [...] partindo do pressuposto que SÓ SE DEFENDE AQUILO QUE SE AMA (grifo da autora), temos urgência em fazer colocação do folclore sergipano na educação para integrar a cultura da região às etapas do desenvolvimento do ser humano e estabelecer um relacionamento mais profundo (ALENCAR, 1983, p. 13-14).

Na cidade de São Cristóvão, acontecem durante todo o ano apresentações e manifestações culturais e religiosas como os Reisados no mês de janeiro; o Carnaval em fevereiro; a Festa e a Procissão de Senhor dos Passos em março; a Semana Santa no mês de abril; em junho as Trezenas de Santo Antônio, a festas de São João e São Pedro que tem significação religiosa e profana com os trios de forró; a da Padroeira Nossa Senhora da Vitória em Setembro que aliada à religiosidade, são introduzidas apresentação de bandas que animam as festividades em homenagem aos santos, alternando entre o sacro e profano. Os grupos culturais mais expressivos da cidade são: o Samba de Coco, os Reisados, o Batalhão de São João, a Caceteira, os Bacamarteiros e as Taieiras. Ainda o Carnaval com bonecos gigantes que acompanhado de marchinhas em ritmo de frevo, tem sido destacado como um dos mais animados de Sergipe.

Além disso, possui gastronomia diversificada composta de pratos salgados a base de peixes, mariscos, crustáceos, carne bovina e frango. Entretanto, especialmente no centro histórico, os pratos doces possuem particularidades. Algumas especialidades culinárias dão identidade ao local, como os beijus de tapioca e as cocadas de forno, além das queijadas e os bricelets8. Os beijus são elaborados com fécula da mandioca e podem ser salgados ou doces. As cocadas são encontradas cristalizadas com açúcar, ou então, assadas no forno. A queijada é considerada o símbolo maior, além de outros produtos a base de tapioca também são bem conhecidos e muito apreciados pela qualidade, como o ‘sarolho’, o ‘beiju molhado’, o ‘pé de moleque’, o ‘má casado’, a ‘bolachinha de goma’ entre outros, produzidos pelas doceiras do povoado Cabrita de São Cristóvão.

Quanto ao artesanato em São Cristóvão, assim como nos diversos municípios de Sergipe, este nem sempre apresenta identidade própria. São utilizados modelos e materiais de outras regiões brasileiras, em geral do Nordeste, mas sem identificação com o cotidiano da localidade e por vezes, nem mesmo tem indicado a procedência, salvo quando são orientados pelos órgãos gestores do município são confeccionados objetos em madeira, como oratórios e porta-chaves com xilogravura do Conjunto São Francisco; em palha, como chapéus e esteiras; corda, com artefatos para montaria; em tecido, bonecas e bordados em ponto cruz, renascença e redendê.



O PATRIMÔNIO CULTURAL E ATIVIDADE TURÍSTICA NO CENTRO HISTÓRICO

O patrimônio turístico pode ser concebido como conjunto de bens naturais e culturais que por suas características, possuem atratividade à visitação. Nessa questão pode-se reforçar a importância dos lugares construídos, que durante sua trajetória histórica retratam a identidade e a memória, e ainda fortalecem intercâmbio de crenças, valores, modos de pensar. Diante da orientação sobre os recursos culturais de uma região, também estes são discutidos por Barretto (2000, p. 57), em que estes recursos são utilizados pelo turismo, sendo por vezes, mais valorizados quando inseridos ou absorvidos pela atividade turística, que lhe dá valor e continuidade, onde

[...] os recursos culturais contemporâneos são criados pelo homem sem a finalidade lucrativa e não exclusivamente para o turismo, sendo essa sua característica básica. Nessa categoria encontram-se as obras de arte, os museus, a arquitetura, os monumentos, as exposições, os centros culturais, as bibliotecas, os centros de convenções, os zoológicos, as instituições de ensino e pesquisa, os teatros municipais, etc.

Não obstante, observa-se que no município em estudo, o patrimônio cultural é um dos principais instrumentos de desenvolvimento turístico, se for reconhecido e utilizado de modo sustentável. O turismo cultural pode contemplar ações de preservação que fomentem a melhoria das infraestruturas locais e a continuidade das representações sociais. A realização de estudos de caráter socioeconômico bem como da produção cultural e artística poderão, caso sejam realizados, evitar problemas como a perda do sentido original deste patrimônio.

Nesse sentido, percebe-se o elo entre cultura e turismo, visto que a atividade turística se apropria do patrimônio para o seu desenvolvimento. O turismo tem como característica marcante à apropriação dos espaços independente de quem os habita, o que torna importante é sua propagação e a transformação dos lugares para o bel prazer dos dominantes dessa atividade, podendo interferir sobre a continuidade cultural de um destino, podendo até engessá-lo caso não exista um planejamento voltado para o uso dos recursos. Nesse contexto, é importante salientar que São Cristóvão não possui planejamento turístico, que de acordo com Dias (2003, p. 28), “o turismo quando não planejado e monitorado permanentemente, pode gerar muitos efeitos negativos na comunidade receptora”.

Portanto, se o patrimônio turístico pode ser concebido como o conjunto de bens naturais e culturais que por suas características possuem atratividade à visitação, cabe aos pesquisadores analisar e reforçar a importância dos lugares construídos, em que durante sua vida retratam a sua identidade e a sua memória, fortalecendo o intercâmbio de crenças, valores e os modos de pensar para que possa ter uma continuidade. Essa pode ser observada nas comunidades, em que se reinventam os costumes sob a ótica de uma possível continuidade, mesmo que tenham que fazer adaptações para sua sobrevivência. Em São Cristóvão as manifestações vivem em constantes reinvenções, com adaptações dos mais variados tipos, conforme pode ser observado durante a pesquisa.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Partindo da análise dos resultados dessa pesquisa, foi relatado por parte dos residentes e gestores entrevistados, que embora tenha ocorrido a titulação recente da Praça e do provável desenvolvimento do produto turístico, até o presente momento ainda é modesta a demanda turística, não sendo satisfatório o crescimento no fluxo de visitantes. Portanto, o município ainda não consegue desenvolver adequadamente o seu potencial turístico, sendo esta atividade ainda descurada, apesar de ser vista como importante pelos residentes e gestores locais.

A pouca distância geográfica entre as cidades de São Cristóvão e Aracaju, faz com que o turismo na localidade seja realizado apenas por turnos manhã ou tarde, como é proposto pelas agências de receptivo radicadas na capital. Dessa forma, os poucos turistas que buscam a localidade para apreender sobre a cultura local, tem se deparado com uma cidade singular, onde teoricamente tudo funciona: com os museus e igrejas abertos a visitação, recepcionistas para atendimento e os informantes de turismo acompanhando os visitantes. Contudo, os serviços prestados ainda não detém a qualidade exigida pelo sistema de turismo, sendo de certa forma pouco cuidada e valorizada pela sua comunidade, onde o turista que busca o centro histórico ainda não tem opções que o motivem a estender sua permanência.

Nesse contexto, percebendo que a Praça São Francisco pode vir a ser considerada um produto turístico, tal julgamento deve pressupor alguns elementos básicos para essa atribuição, já que um produto turístico é de acordo com Dias (2003, p. 181) “uma soma agregada de diversos fatores, como o meio ambiente, seus recursos turísticos e suas infraestruturas, sua cultura, seu povo, seus estabelecimentos, de modo geral”. Desse modo, o centro histórico de São Cristóvão não pode ser considerado um produto, pois ainda não contempla quesitos necessários para assim ser considerado.

Ressalta-se ainda uma certa insipiência em relação à divulgação do municipio, pois somente após a titulação da praça como patrimônio da humanidade, alguns investimentos em material de divulgação como folders e cartazes estão sendo produzidos. Ademais, a sinalização turística e de acesso ao município deixam a desejar, visto que não existem placas advertivas, propaganda turística, nem tampouco melhorias quanto a sinalização que destaquem os atrativos do município. E, segundo a pesquisa aplicada no centro histórico, até o presente momento a localidade não possui estabelecimentos hoteleiros, tampouco restaurantes, sanitários públicos, serviços bancários 24 horas, lojas de conveniências, dentre outros.

Possivelmente a ausência de um documento norteador específico, como um planejamento municipal de turismo e a implementação de uma Secretaria de Turismo sejam os entraves nesse processo. Para que se que possa minimizar os problemas citados faz-se necessário um plano de gestão, assim os investimentos teriam sua destinação previamente definida e prioritariamente às necessidades mais urgentes, como as citadas pelos reclames dos entrevistados dessa pesquisa. Bem assim, os investidores em áreas sociais e culturais para o turismo circunscreverem-se apenas às localidades que tenham planejamento específico, compreendendo ainda a necessidade de parcerias entre a comunidade e órgãos gestores.

Ao entrevistar os diretores dos grupos folclóricos, ficaram notórias as dificuldades financeiras pelas quais estes passam, extraindo verbas do seu próprio sustento para custear as vestimentas e adereços necessários aos brincantes. Desta forma, se faz urgente elaborar um plano de ação voltado para o tipo de turismo que se pretende ter, envolvendo a comunidade nesse processo, fazendo parcerias com os municípios vizinhos, como proposto pelo Programa de Regionalização do Turismo- PRT e por outros tantos projetos turísticos já inseridos no Estado.

Também foi notado que os segmentos pesquisados que atuam direta ou indiretamente vinculados ao turismo, reconhecem a importância histórica, cultural e patrimonial da localidade, além da necessidade de preservá-lo para as próximas gerações, e que a atividade do turismo pode contribuir para preservação do patrimônio e a valorização da cultura. Percebeu-se ainda que a titulação da Praça São Francisco não é vista pelos residentes como fator de benefícios, pois a maior parte dos residentes do centro histórico não se sente integrados à atividade turística e/ou não percebem as benfeitorias advindas desse padrão de tombamento da UNESCO. Possivelmente seja necessário ampliar as ações de educação patrimonial e turística junto a esses residentes.

Portanto, o turismo por ser um segmento da economia com alto potencial para investimentos e grande aptidão de alocação de mão de obra, assume lugar proeminente, integrando as estratégias governamentais de conservação e desenvolvimento sustentável para uma região, estado ou nação como um todo. Nesse ínterim, de acordo com Valls (2006, p.26), “o desempenho do setor turístico vem se destacando na economia mundial, apresentando resultados superiores quando comparado a outros setores tradicionais e, naturalmente, hoje se apresenta como um dos principais setores econômicos”. Em acordo com essa realidade, ocorre o crescimento do número de destinos que desejam se lançar nesse setor a fim de auferir seu desenvolvimento através ou com a ajuda da atividade turística. Portanto, um país onde se busca o desenvolvimento tendo como alicerces ideais de justiça, cidadania e bem-estar social, as dimensões econômica e social não podem ser consideradas de forma dicotômica.

Desse modo, a recomendação é que os resultados econômicos do turismo sejam direcionados para os benefícios sociais, com total preservação dos aspectos culturais e ambientais. Torna-se indispensável, portanto, a eficácia na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas que assegurem a sustentabilidade das atividades turísticas, tendo em conta a justa distribuição dos benefícios para a sociedade e a proteção adequada do ambiente natural e cultural da área anfitriã. Nesse sentido, cabe ressaltar a importância da sustentabilidade para o turismo. A sustentabilidade pode ser concebida como um dos grandes desafios dos governos, visto que tem como meta atingir o desenvolvimento sustentável amparado na lógica da interface entre três importantes processos: crescimento econômico, equidade social e equilíbrio ecológico.

O diagnóstico atual, culminando com a análise de todos os elementos dessa pesquisa, demonstra que São Cristóvão possui elementos importantes a um destino, entretanto para torná-lo efetivo, é necessário maior diversificação e ampliação dos produtos turísticos, como um plano de marketing direcionado, a contratação de técnicos especializados e uma melhor atenção por parte da Prefeitura Municipal para as necessidades das entidades vinculadas diretamente ao turismo, pois segundo o que se observou, existem dificuldades de entendimento entre esses pares.

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1 Bens brasileiros tombados pela UNESCO. Disponível em http://www.monumenta.gov.br/site/?p=91. Acesso em 14 ago. 2011

2 O Tombamento é um ato administrativo realizado pelo Poder Público com o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados (NOGUEIRA, 2006, p.34).

3Disponível em: <http://www.culturaemercado.com.br/noticias/praca-sao-francisco-e-patrimonio-cultural-da-unesco/>

Acesso em 10 jul. 2011.



4 Praça estruturante, geralmente localizada no centro principal das cidades, contendo órgãos que representavam as forças políticas, jurídicas e religiosas. (IPHAN, 2009)

5 Disponível em: <www.museologiaufs.com.br>. Acesso em 14 dez. 2011.

6 Informações repassadas pela Diretora de Coordenadoria Especial da SUBPAC, na entrevista concedida em 14 mar. 2012.

7 A professora Aglaé Alencar é autora de diversos livros sobre folclore e cultura. Atualmente exerce o cargo de Secretária de Cultura da cidade de São Cristóvão, sendo muito admirada e respeitada pelos diretores dos grupos folclóricos entrevistados nessa pesquisa.

8 O nome tem origem nas regiões Suíça e Austríaca. Os biscoitos são elaborados também pelas monjas do Convento do Carmo em Olinda-Pernambuco e pelas Monjas Beneditinas em Juazeiro do Norte- Ceará.A iguaria também é utilizada por alguns restaurantes brasileiros que importam o biscoito para elaborar sobremesas refinadas, conhecidas como “doces de hóstias”.




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