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PAB ESPECIAL

NOTAS CIENTÍFICAS
AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO DE POPULAÇÕES F1 DE DEZ CRUZAMENTOS DE TRIGO EM RELAÇÃO AO VÍRUS DO MOSAICO DO TRIGO

CANTÍDIO NICOLAU ALVES DE SOUSA1

RESUMO - O vírus do mosaico do trigo (VMT) causa grandes danos à triticultura no sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul. Objetivando conhecer melhor a resistência a essa doença, foram estudadas 10 populações em geração F1 e seus genitores, no campo experimental da Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT), em Passo Fundo, RS. Em parcelas constituídas de 9 a 21 plantas, cada planta, da geração F1 e dos genitores, foi ava­liada individualmente. Os resultados não foram uniformes, em relação ao tipo de herança de resistência ao VMT, variando o comportamento das populações, o que permitiu classificações desde dominância até recessividade, conforme o cruzamento.

EVALUATION OF THE REACTION OF F1 POPULATIONS FROM TEN WHEAT CROSSES IN RELATION TO THE WHEAT MOSAIC VIRUS

ABSTRACT - The soilborne wheat mosaic virus (SWMV) causes great damage to wheat in Southern Brazil, mainly in the State of Rio Grande do Sul. Ten populations in F1 generation and their progenitors were studied in the experimental field at Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT) in Passo Fundo, RS, in order to know more about the inheritance of the resistance to this disease. Each plant in the F1 population and in relation to their progenitors was evaluated in plots of 9 to 21 plants. The results were not uniform in relation to the type of inheritance to SWMV resistance, varying the behavior of the populations from dominance to recessivity, according to the cross.

_________________



1 Eng. Agr., M.Sc., Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT), Caixa Postal 569, CEP 99001-970 Passo Fundo, RS.

O vírus do mosaico do trigo (VMT), transmitido por fungo do solo (Polymyxa graminis), causa grandes danos à triticultura, no sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul.

As informações sobre a genética de resistência ao VMT são escassas e não conclusivas. Brunetta (1980), estudando o comportamento de 3 cruzamentos e seus recíprocos, concluiu pela presença de um fator dominante ou, em alguns casos, pela de dois fatores, com dominância parcial da resistência. Esse autor não encontrou efeitos extracromossomais para reação ao VMT. Nakagawa et al. (1958, 1959) relataram a presença de dois genes maiores, que determinavam reação de suscetibilidade, e a do outro gene, modificador da ação de um dos genes maiores. Shaalan et al. (1966) concluíram pela presença de um fator maior, com resistência parcial, e pela existência de outro gene atuando como modificador daquele. Dubey et al. (1970) encontraram resistência na geração F1 de cruzamentos entre cultivares resistentes e suscetíveis.

Em 1990, devido à forte incidência de VMT ocorrida em um grupo de populações, em geração F1, no campo experimental da Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (CNPT), em Passo Fundo, RS, foi conduzido um estudo para comparar a reação dessas, em relação à de seus genitores, quanto à herança de resistência a esse vírus.

Cada planta da parcela, da geração F1 e dos genitores, que era constituída de 9 a 21 plantas, foi avaliada individualmente, de acordo com o seguinte critério de notas: 0 - sem sintomas da doença; 1 - com sintomas leves; 3 - com sintomas médios e 5 - com sintomas fortes, sendo, depois, calculado o índice de suscetibilidade ao VMT. O índice de suscetibilidade é resultante da soma da multiplicação da nota 0, 1, 3 ou 5 pelo número de plantas de cada categoria e, esta, dividida pelo número de plantas da parcela.

Os resultados não foram uniformes em relação ao tipo de herança de resistência. A análise apresentou informações que permitiram a classificação desde dominância até recessividade, conforme o cruzamento considerado, de acordo com os dados apresentados na Tabela 1. A reação da geração F1 ocorreu como se determinada por uma característica dominante ou parcialmente dominante em três casos (BR 23/BR 32, BR 32/Jarka e BR 37/BR 4). No cruzamento BR 35/PF 88557, cujos genitores apresentaram reação de suscetibilidade, o comportamento da geração F1 foi avaliado como menos suscetível. A resistência ao VMT mostrou característica de recessividade em dois cruzamentos (PF 8545/PF 87879 e PF 88639/CEP 21), e de recessividade parcial no cruzamento PF 8545/PF 88515. A avaliação de resistência ao VMT, realizada em três cruzamentos (Neepawa/BR 38, PF 88622/CEP 21 e PF 85161/Coker 762), e comparada com a demonstrada pelos genitores, apresentou uma reação intermediária. Apesar de ser uma informação preliminar, esta poderá contribuir para um melhor conhecimento da herança de resistência ao VMT.


TABELA 1. Avaliação da reação de dez populações F1 de cruzamentos de trigo e de seu genitores ao vírus do mosaico do trigo (VMT) em Passo Fundo, em 1990. Embrapa-CNPT, Passo Fundo, RS, 1991.


Nº da

Cultivar

Notas

Índice de

parcela

ou cruzamento

—————————

suscetibilidade

PF 90




0

1

2

5

ao VMT







---Nº plantas/parcela---




251810

BR 23

-

-

3

15

4,63

251811

BR 32

1

4

10

-

2,27

251812

BR 23/BR 32

3

6

4

-

1,38

251837

NEEPAWA

0

0

1

15

4,87

251838

BR 38

2

3

4

2

2,27

251839

NEEPAWA/BR 38

2

1

2

9

3,71

251849

PF 8545

8

6

0

0

0,43

251850

PF 87879

0

0

1

11

4,83

251851

PF 8545/PF 87879

0

0

8

8

4,00

251852

PF 8545

9

4

0

2

0,93

251853

PF 88515

0

1

2

13

4,50

251854

PF 8545/PF 88515

2

1

3

6

3,33

251858

PF 88622

21

0

0

0

0,00

251859

CEP 21

0

0

0

15

5,00

251860

PF 88622/CEP 21

0

5

5

2

2,50

251861

PF 88639

3

5

8

0

1,81

251862

CEP 21

0

1

2

13

4,50

251863

PF 88639/CEP 21

0

0

5

8

4,23

251864

BR 32

3

14

1

0

0,94

251865

JARKA

0

0

0

16

5,00

251866

BR 32/JARKA

3

7

4

0

1,35

251867

BR 35

0

1

2

16

4,58

251868

PF 88557

0

2

11

6

3,42

251869

BR 35/PF 88557

1

3

8

1

2,46

251870

BR 37

0

0

2

11

4,69

251871

BR 4

5

11

3

0

1,05

251872

BR 37/BR 4

1

5

0

0

2,00

251876

PF 85161

8

3

0

0

0,27

251877

COKER 762

0

0

4

6

4,20

251878

PF 85161/COKER 762

2

1

5

1

2,33


REFERÊNCIAS

BRUNETTA, D. Genetic studies of field reaction to wheat soilborne mosaic virus. Manhattan: Kansas State University, 1980. 48p. Tese de Mestrado.

DUBEY, S.N.; BROWN, C.M.; HOOKER, A.L. Inheritance of field reaction to soil-borne wheat mosaic virus. Crop Science, Madison, v.10, n.1, p.93-95, Jan./Feb., 1970.

NAKAGAWA, M.; SOGA, Y.; OKASIMA, N.; YOSHIOKA, A.; NISIMATA, D. Genetical studies on the wheat mosaic virus. II. Genes affecting the inheritance of susceptibility to strains of green mosaic virus in varietal crosses of wheat. Japanese Journal of Breeding, Tokyo, v.8, p.169-170, 1958.



NAKAGAWA, M.; SOGA, Y.; WATANABE, S.; GOCHO, H.; NISHIO, K. Genetical studies on the wheat mosaic virus. II. Genes affecting the inheritance of susceptibility to strains of yellow virus in varietal crosses of wheat. Japanese Journal of Breeding, Tokyo, v.9, p.118-120, 1959.

SHAALAN, M.I.; HEYNE, E.G.; SILL JUNIOR, H.H. Breeding wheat for resistance to soil-borne wheat mosaic, wheat streak-mosaic virus, leaf rust, stem rust and bunt. Phytopathology, St. Paul, v.56, p.664-668, 1966.



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