Oscar de Macedo Soares



Baixar 14,36 Kb.
Encontro07.11.2018
Tamanho14,36 Kb.

Oscar de Macedo Soares

Nasceu na fazenda Bom-Sucesso, município de Saquarema, Estado do Rio de Janeiro, em 15-9-1863. Fez o curso de humanidades no Colégio Aquino, e o de ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito de São Paulo. Durante o curso foi redator do "O Correio Paulistano" juntamente com os Conselheiros Antonio Prado, Rodrigo Silva, Rodrigues Alves, Almeida Nogueira e outros notáveis políticos da facção conservadora. Além dos artigos políticos, pertencia­lhe a secção de critica literária, musica e teatro. - Bacharel da turma de 1886 com Hermenegildo de Barros, Rodrigo Octavio, Pedro Mibielli, Julio Raja Gabaglia, Carlos Borges Monteiro, Álvaro de Carvalho e outros que tantos serviços prestaram ao pais, foi o Dr. Oscar de Macedo Soares nomeado promotor publico e curador geral dos orfãos da Comarca de Itú, então província de São Paulo. - O Dr. Caio Prado, presidente da província das Alagoas, levando em conta a competência e a compostura do Promotor da Comarca, resolveu nomea-lo secretario do governo, cargo que exerceu até ser removido para igual posto na província do Ceará. - Vem a pêlo a transcrição das instruções que recebeu de seu pai, então juiz de direito da 2ª Vara Comercial da Corte: "Instruções a meu filho, nomeado Secretario do Governo da província das Alagoas. - I - A mais perfeita solidariedade com o Presidente da Província, que te nomeou, confiando na tua lealdade. - II - Toda a cortesia e circunspecção com o Chefe de Policia e os emprega­dos superiores da administração, sem os quais o Presidente não pode governar. ­III - Lhaneza e gravidade para com os empregados da Secretaria. Ser superior, dando ordens porque são legais, sem deixar perceber que as dás só por seres superior. Afabilidade, sem familiaridades indiscretas. ­ IV. - Continuar as tradições da Secretaria. Pouco espírito reformista. Reformas, só as imprescindíveis, e que estejão nas forças do orçamento da província. O prurido de reformar sem atender aos recursos orçamentários só produz construções na areia. - V. ­ Sumo respeito para com a magistratura. É' ela grande elemento de força e de ordem para o governo. Nunca te esqueças que o Poder Judiciário é tão independente como o Poder Executivo. D'este o Presidente é agente e orgão; d'aquele é auxiliar e protetor. ­VI - Toda a paciência e acessibilidade com as partes. Lembra-te sempre do aforismo de Bacon: "Patientia et gravitas in causis audiendis justitiae est pars essentialis; et judex nimium interloquens minime est cym­balum bene sonans". - VII - Assiduidade no serviço. O ponto é para os empregados. O chefe da Secretaria deve ser o primeiro a dar o exemplo de ser o primeiro a chegar á repartição. Para isso, deita-te cedo e levanta-te cedo, procurando manter inalterável a saúde, mesmo para não precisares de licenças, que são prejudiciais ao serviço e á bolsa. - VIII. - No conflito de tuas opiniões com as de Presidente, cede ás d'eles, que afinal é o responsável pelo bom governo da província. Em igual conflito, com os outros empregados da administração, leva-o ao conhecimento do Presidente, e submete-te á sua decisão, como sendo o superior de todas as autoridades da província, e assim está declarado no seu regimento. - IX - Método no trabalho. Cada coisa em seu lugar e a seu tempo. Salvo motivo legal de preferência, despacharás os negócios por ordem de antiguidade. - X - Paga, dentro três dias, as visitas que te fizerem; mas, não as amiudes sem causa. Poucas relações, mas bem escolhidas. Nas províncias e mais ainda nas pequenas capitais, este modus vivendi é essencial. - XI - Nas relações com os chefes dos partidos, toda a prudência: com os teus, cordialidade; com os contrários, deferência; com todos, espírito de justiça e verdade. ­XII - Segredo absoluto. Nunca converses sobre negócios da província senão e só com o Presidente, e mais ninguém. Se alguém procurar saber a tua opinião sobre eles, responde que vais examinar e submeter á decisão do Presidente. - Observados estes preceitos, não ha Secretario de Governo que não seja ótimo; e o teu escopo é este : seres ótimo. Rio, 30 de Agosto de 1887. Antonio Joaquim de Macedo Soares". - Regressando. tempos depois, ao Rio de Janeiro, o Dr. Oscar abriu escritório de advocacia com os Doutores Miguel Joaquim Ribeiro de Carvalho, Manuel Henriques da Fonseca PorteIa e Paulino José Soares de Souza Junior, filiando-se ao partido conservador do Império sob a direção do Conselheiro Paulino José Soares de Souza. Proclamada a Republica em 1889, seguiu o seu partido, aderindo com sinceridade ao novo regime; resolveu entrar na política do Estado do Rio, seu Estado natal. Tendo o seu partido, então sob a chefia do Conselheiro Paulino, e do Dr. José Thomaz da Porciúncula, rompido em oposição ao governador Portella, o Dr. Oscar de Macedo Soares, fundou em Niterói, o jornal de combate - "O Rio de Janeiro", e durante mais de um ano manteve com ardor uma luta em defesa do Estado e dos princípios do seu partido. Desaparecendo o partido moderado e reorganisando-se o partido, em memorável convenção em Petrópolis, presidida pelo General Quintino Bocayuva e eleito presidente o Dr. Porciúncula, foi deputado estadual em varias legislatura e líder da Assembléia. Tomou parte saliente em todas as discussões, sendo suas quase todas as leis do Estado. A lei n. 43-A de 1893, uma das melhores no que concerne á organização judiciária, é, na maior parte, de sua lavra. No governo do Dr. Mauricio de Abreu, nomeia do o Dr. Oscar de Macedo Soares, chefe de policia fez completa remodelação deste departamento, destacando-se a reforma da Penitenciaria e. a criação do gabinete antropométrico. Na cisão do partido, no governo Alberto Torres, ficou em oposição, obediente ao partido chefiado pelo. Dr. Miguel de Carvalho. Chefe político de Saquarema, prestou a sua terra natal relevantes serviços. De interessante crônica sob a epigrafe "A divina cidade de Saquarema - O berço de Oscar de Macedo Soares, Oliveira Vianna e Alberto de Oliveira - extraimos os seguintes trechos: - "O Dr. Oscar de Macedo Soares, o talentoso e culto jurista brasileiro, filho de Saquarema, teve um dia as rédeas do poder local em suas mãos. Amando a linda e sugestiva terra de seu nascimento, abrio-lhe o cérebro e o coração, transformando-o em cornucópias milagrosas e derramando benefícios sem conta. Em artísticos postes de ferro mandou colocar artísticos lampiões, dando á sua cidade uma farta iluminação publica. Macedo Soares - e daí chamarmos o ilustre saquaremense de estadista precoce - com uma visão segura de construtor de civilizações estudou o seu povo, a sua gente. Viu que as populações praieiras são atacadas de moléstias varias que as atrofiam, especialmente numa baixada como a fluminense; viu que o fenômeno de maternidade á abundantissimo nessas populações e que as mulheres da praia são aptas para a procriação como nenhumas outras; pois bem, o jovem estadista tão cedo roubado pela morte, fundou em Saquarema, em edificios amplos, confortáveis, com todas as regras de higiene ao alcance do meio e do momento, um hospital publico e uma maternidade. A fundação de uma maternidade, em um ambiente físico e social como Saquarema, por si só, o sagrava um estadista, pois somente agora é que o Estado do Rio, no interior, em cidades como Campos, rica, com cem mil habitantes, começa a fundar um estabelecimento dessa espécie. Quantas dezenas de saquaremenses se vivem, devem a sua vida ao seu glorioso e imortal conterrâneo? Não só ao traçarmos estas linhas sentimos uns estremecimentos de orgulho e de entusiasmo pelo nome do grande fluminense, ao mesmo tempo que amaldiçoamos a visão estreita da politicalha que lhe arrancou um dia o poder das mãos, condenando-o a um ostracismo que muito, ou principalmente, contribuiu para que a vida se lhe extinguisse tão prematuramente. Mas não ficou somente nestes traços a admirável obra administrativa de Macedo Soares. O "Dr. Oscar", como entre suspiros de saudade o povo saquaremense o chama, deu a Saquarema água encanada vinda de bem distante. E tudo desapareceu!. Nas grandes paginas da hlstórias fluminense está o seu nome gravado, e enraizado eternamente está toda a sua individualidade na memória do povo de Saquarema. De nossa parte, e Ignorávamos toda essa grande obra do notável fluminense, não deixaremos de divulgar o seu nome e a sua obra como modelos de civismo e de estadismo de films muito nossos conhecidos e que felizmente já agora não se idealizam nem se exibem em telas governamentais no Estado do Rio, porque o período da cinematografia política e cívica da.terra fluminense, graças aos céus, já se extinguiu. Mas Macedo Soares, que morreu pobre, ia alem ainda, se mais além se pode ir, em atos dessa natureza: dava o que era seu, seus bens, ao Estado para que se convertessem em obras publicas. O Edifício do Telegrafo Nacional de Saquarema foi donativo que ele fez a União, para que Saquarema fosse dotado de telegrafo. E não se diga foi um casebre que ele doou; não, foi um dos melhores o mais bonitos prédios da cidade, colocado num dos mais aprazíveis e pitorescos pontos da localidade. Depois de sua morte Saquarema morreu também. Tudo ali paralisou. Nada mais, quase, se fez pela terra, que ficou ardendo sob as chamas da politicalha . A colônia , Z 48" mantém uma escola, denominada escola Oscar de Macedo Soares, justa lembrança do pescador João Ramos". - Ficando em oposição até a cisão do partido chefiado pelo Dr. Nilo Peçanha, quando no governo, do Dr. Alfredo Backer, aproveitou esse longo tempo· para aprofundar seus estudos jurídicos, comentando os códigos penal comum e o da armada, a lei do casamento Civil, o manual do curador de orfãos, o consultor criminal, civil, comercial e organológico, de Cordeiro, completamente refundido, atualizado, publicando mais o consultor eleitoral, relatórios e memoriais. Coube-lhe, após, pacientes pesquisas, determinar a nascente do rio Paraíba, com aplausos do Conselheiro Dr. Homem de Mello, notável geógrafo. Devido a seus estudos sobre direito militar foi nomeado auditor da marinha, tendo no exercício deste cargo, dado importantes pareceres. Na Santa Casa de Misericórdia prestou relevantes serviços; eleito mordomo de Hospício de N. S. da Saúde, na Gambôa, remodelou este hospItal, criando enfermarias sob a dIreção aos drs. Nabuco Gouvêa, Fernando de Magalhães, Joaquim Mattos e outros provectos clínicos de então. Na Academia de Comercio e Museu Comercial, sob a dIreção do Dr. Candido Mendes de Almeida, programou e levou a efeito uma serie de conferencias sobre as rIquezas naturais do Estado do Rio. em 1937 , 19 de junho o ilustrado desembargador Dr. Adelmar Tavares, na Sociedade Brasileira de Criminologia, em sessão extraordinária e solene, sob a presidência do Ministro de Justiça, o Sr. Embaixador José Carlos de Macedo Soares, leu brilhante conferencia sobre o patrono de sua cadeira: - Oscar de Macedo Soares, um grande criminalista - Uma das cadeiras da Academia Niteroiense de Letras tem por patrono - Dr. Oscar de Macedo Soares. ­ O Dr. Oscar de Macedo Soares casou-se em 2 de Maio de 1891 com sua prima

D. Ambrozina de Azevedo de Macedo Soares, filha do comerciante matriculado na praça do Rio de Janeiro, o Sr. Joaquim Carlos de Azevedo Silva, de tradicional família da Campanha, província de Minas Gerais, e de D Maria da Gloria Ramos da Silva, irmã do notável engenheiro civil, Dr. Marcelino Ramos da Silva.



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal