Os Parques Industriais Ecológicos e a Questão dos Resíduos



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O Desenvolvimento de Parques Industriais Ecológicos no Estado do Rio de Janeiro: uma proposta de planejamento para o PIE de Paracambi.

Lilian Bechara Elabras Veiga, D.Sca.

Alessandra Magrini, D. Scb.

a,b Programa de Planejamento Energético, Instituto de Pesquisa e Pos Graduação em Engenharia Alberto Luiz Coimbra, Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPE/COPPE/UFRJ), Rio de Janeiro, Brasil.


E-mail: lveiga@ppe.ufrj.br; ale@ppe.ufrj.br

Resumo

Este trabalho apresenta um instrumento de gestão ambiental para a promoção do desenvolvimento sustentável adotado em vários países: os Parques Industriais Ecológicos (PIE, do inglês Eco-Industrial Park). Os Parques Industriais Ecológicos (PIE), uma das ferramentas da Ecologia Industrial (EI), são ecossistemas industriais, onde as indústrias, através de uma gestão ambiental cooperativa, buscam atingir o desenvolvimento sustentável ao integrar três pilares: ambiental, econômico e social, com o mesmo grau de importância. Embora o conceito de PIEs seja recente, experiências concretas já implementadas na América do Norte, na Europa, na Ásia e na América Latina têm contribuído para o desenvolvimento de novos PIEs, inclusive no Estado do Rio de Janeiro (ERJ), Brasil.

No ERJ, este instrumento foi instituído através do Decreto Estadual no 31.339/2002, que criou o Programa de Fomento ao Desenvolvimento Industrial Sustentável - Rio-Ecoplo. Diferentemente do que vêm ocorrendo em vários países desenvolvidos e em desenvolvimento ao redor do mundo, este instrumento não alcançou a devida potencialidade. O governo do Estado, representado através da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (CODIN), da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo, não deu continuidade ao Programa. A idéia de uma gestão ambiental cooperativa, buscando desenvolver parcerias e cooperação entre setor público e setor privado não foi consolidada. Cinco anos após o início do Programa realizou-se um diagnóstico do desenvolvimento dos quatro PIEs criados pelo governo do Estado, em 2002: Santa Cruz, Campos Elíseos, Fazenda Botafogo e Paracambi. Este trabalho apresenta parte deste diagnóstico, onde desenvolveu-se um proposta para o planejamento do PIE demarcado no município de Paracambi, o único dos quatro PIEs do ERJ que foi demarcado em um terreno verde (greenfield site), podendo ser completamente planejado (from scratch). A seleção do mix de tipologias industriais para o PIE de Paracambi foi feita com auxilio do software Facility Synergy Tool (FaST), desenvolvido pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US-EPA).

O desenvolvimento de PIEs é um processo de longo prazo que pode resultar em indústrias mais competitivas, empregos sustentáveis, comunidades sustentáveis e na conservação do meio-ambiente, porém, a continuidade destes no ERJ só será possível se houver uma convergência de interesses entre as indústrias, a comunidade, os centros de pesquisa, as instituições privadas e os órgãos governamentais formando uma rede de gestão ambiental cooperativa em busca de um interesse comum: um desenvolvimento realmente sustentável.



Palavras Chave: Parques Industriais Ecológicos, Desenvolvimento Sustentável, Ecologia Industrial, Município de Paracambi.



  1. Introdução

Este trabalho apresenta, o conceito de Parques Industriais Ecológicos (PIEs), uma das ferramentas da “Ecologia Industrial” (EI). Os PIEs podem ser definidos como uma “comunidade” de indústrias que trabalham de forma integrada e desenvolvem parcerias visando alcançar um meso objetivo: ganhos econômicos, conservação do meio ambiente e desenvolvimento sócio-econômico local (Rosenthal & Côté, 1998). Apresenta-se também um breve panorama dos PIEs desenvolvidos na América do Norte, Europa, Asia, América do Sul e Central.

No Brasil, mais especificamente, no Estado do Rio de Janeiro (ERJ), as diversas zonas ou aglomerados industriais existentes na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ), nos moldes em que foram implementados, vêm comprometendo o meio ambiente e a qualidade de vida da população, inibindo um efetivo desenvolvimento socioeconômico. O ERJ, inspirado na experiência internacional, instituiu através do Decreto nº. 31.339 de 04/06/2002, o Programa de Fomento ao Desenvolvimento Industrial Sustentável – Rio Ecopolo. Desde então, algumas iniciativas de desenvolvimento de PIEs foram implementadas na RMRJ, em uma parceria entre o setor público e o setor privado: os PIEs de Santa Cruz, Campos Elíseos, Fazenda Botafogo e Paracambi. Cinco anos após o início do Programa no ERJ, este trabalho apresenta parte de um diagnóstico onde foi analisado o desenvolvimento dos PIEs no ERJ. Com a descontinuidade do Programa Rio-ecopolo pelo governo do ERJ, os PIEs de Santa Cruz, Campos Elíseos, Fazenda Botafogo, vêm sendo desenvolvidos pelas respectivas industriais e associações dos distritos industriais. Quanto a Paracambi, o governo municipal vem tentando alavancar esta iniciativa, porém de forma morosa. Como objetivo central, este trabalho apresenta parte da proposta desenvolvida neste diagnóstico para o planejamento do PIE demarcado no município de Paracambi, único PIE do Estado demarcado em um terreno “verde” (greenfield site), que pode ser completamente planejado.

Finalmente, este trabalho conclui apresentando uma analise e algumas recomendações relativas ao desenvolvimento dos PIEs no ERJ. Estas recomendações direcionam-se a ações a serem implementadas pela gestão pública em parceria com a gestão privada, universidades e comunidade.


  1. Metodologia

O presente trabalho consiste em uma analise exploratória sobre o estado da arte de um novo instrumento de gestão ambiental cooperativa, os PIEs. Este estudo realizou buscas a bancos de dados de órgãos oficiais do setor público e do setor privado internacionais, tais como: Indigo Development, United States Environmental Protection Agency (US-EPA), etc. Na revisão da literatura foram consultados livros, artigos publicados em periódicos indexados internacionais (Journal of Cleaner Production 1995, 1997, 2004; Journal of Industrial Ecology) e universidades com institutos de pesquisa sobre o tema (Cornell University, YALE University, Dalhousie University, etc), além de projetos e iniciativas de PIEs em desenvolvimento e em plena operação na América do Norte, Europa, Ásia, América do Sul e Central. A luz da vasta experiência internacional e em consultas e entrevistas realizadas com os atores envolvidos no desenvolvimento de PIEs no ERJ, realisa-se um diagnóstico onde analisa-se o desenvolvimento dos PIEs no ERJ e desenvolve-se uma proposta para o planejamento do PIE demarcado no município de Paracambi. Para simular o mix de tipologias industriais sugeridas para o PIE de Paracambi utiliza-se o software desenvolvido pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US-EPA) denominado Facility Synergy Tool – FaST.


  1. Discussão

A Ecologia Industrial (EI) e os Parques Industriais Ecológicos (PIE)


A Ecologia Industrial (EI) começou a ser desenvolvida recentemente. As primeiras idéias do que hoje se designa de EI datam da década de 80 e início da década de 90 (Erkman, 1997). A EI pode ser entendida como o estudo das interações entre o sistema industrial e o ecossistema ecológico, que sob a perspectiva da EI passa a ser considerado como um ecossistema industrial (Erkman, 1997). Ao ser aplicada a indústria, a EI procura otimizar o ciclo total de materiais desde a extração de matérias primas até a disposição final, abrangendo todos os impactos resultantes da ação do homem sobre o meio-ambiente (Lowe & Evans, 1995).

O conceito de ecossistema industrial foi apresentado por Frosch and Gallopoulos (1989), no artigo “Strategies for Manufacturing”. Neste artigo, considerado por muitos autores (Rosenthal & Côté, 1998, Lowe, 1997, 2001, Chertow, 2000) como o marco na disseminação do conceito de EI, os autores definiram o ecossistema industrial como “uma comunidade de indústrias co-localizadas ou localizadas em uma mesma região que resolvem interagir permutando e fazendo uso de resíduos, ou seja, uma transformação do modelo tradicional de atividade industrial, no qual a produção é baseada na gestão individual de matérias primas, produtos e resíduos; para um sistema mais integrado, no qual o consumo de energia e materiais é otimizado, os resíduos dispostos são minimizados, visto que o resíduo gerado em um processo produtivo pode ser utilizado como insumo em outro processo”.



O conceito de PIEs começou a ser desenvolvido em meados da década de 90, pelo US-EPA (Rosenthal, Bell, McGalliard, 1998). Uma das ferramentas da EI, o PIE espelha os sistemas naturais: um simples organismo pode ser considerado sozinho ou interagindo em um ecossistema, da mesma forma, as indústrias podem organizar-se, interagindo como em uma comunidade. Assim, pode-se definir o PIE como “Uma comunidade de indústrias que cooperam entre si e com a comunidade local para de forma eficiente permutar recursos e serviços, resultando em ganhos econômicos, na conservação do meio ambiente e em uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores e para a comunidade, obtidos através de uma gestão ambiental mais cooperativa entre os atores envolvidos” (Rosenthal, Bell, McGalliard, 1998, Lowe, 1997, 2001). A cooperação ocorre na gestão integrada de resíduos, intercâmbio de tecnologias, serviços e infra-estrutura. As indústrias buscam alcançar benefícios coletivos que são maiores do que os benefícios individuais alcançados caso cada indústria otimizasse somente suas próprias atividades (Lowe, 2001). Fazendo uma analogia entre a EI e o PIE, pode-se dizer que a EI representa um campo de estudo e pesquisa e o PIE representa uma ferramenta da EI que adota e busca inserir nos sistemas industriais os princípios da EI (Côté & Hall, 1995).

Na America do Norte, mais especificamente, nos Estados Unidos (ver Hull,North American Sites, 2006) e no Canadá (ver CEIN, 2006) existem atualmente 43 PIEs em desenvolvimento e 17 em pleno funcionamento, com seus projetos concluídos. Na Europa, o interesse em desenvolver PIEs como uma ferramenta para promoção de um desenvolvimento mais sustentável é uma realidade presente para os setores público e privado. O principal PIE existente na Europa é o PIE de Kalundborg, Dinamarca (ver Hull, European Sites, 2006). Assim como nos países desenvolvidos, nos países em desenvolvimento o conceito de PIEs vêm sendo inserido. Alguns países do continente asiático e do continente latino americano apresentaram, nas duas últimas décadas, um rápido crescimento econômico (Chiu, Young 2004). Nestes países, a rápida urbanização e crescimento industrial desordenado resultaram em severos danos ao meio ambiente, no aumento da demanda por recursos naturais, e em uma pior qualidade de vida e condições de saúde para a comunidade. Nestes países, principalmente na China, Coréia do Sul (Chiu, Young 2004), Tailândia, Singapura (Pei-Ju, 2004), Índia (Singhal, Kapur, 2002), Colômbia (DAMA, 2006), Porto Rico (Abuyuan, 1999) e Brasil, entre outros, os PIEs vêm sendo considerados uma possível solução para minimizar os danos ambientais e sociais resultantes deste crescimento econômico desordenado e ao mesmo tempo fomentar o desenvolvimento sócio econômico local. Outros países asiáticos que vêm implementando PIEs são: Filipinas, Indonésia, Malásia, Japão, Tailândia, Vietnam e Sri Lanka (Chiu, Young 2004).




O Desenvolvimento de PIEs no Estado do Rio de Janeiro, Brasil

O Estado do Rio de Janeiro sediou, em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio-Ambiente e Desenvolvimento, na qual o conceito de desenvolvimento sustentável adquiriu reconhecimento mundial. Os princípios defendidos neste encontro exigiram a tomada de uma postura política voltada à implementação do desenvolvimento sustentável. O Estado do Rio de Janeiro (ERJ), baseando-se em experiências internacionais, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer a gestão ambiental cooperativa através de parcerias entre os setores público e privado, promoveu o desenvolvimento de PIEs. A primeira iniciativa por parte do Estado foi instituir através do Decreto nº. 31.339/2002 o Programa de Fomento ao Desenvolvimento Industrial Sustentável do ERJ – Rio Ecopólo. O Decreto atribuiu à Companhia de Desenvolvimento Industrial do ERJ (CODIN) a implementação do Programa sob a supervisão da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo e a CODIN e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA) a competência para elaborarem as normas, regulamentos e critérios para enquadramento de projetos no Programa Rio-Ecopólo. O Decreto incentiva a gestão cooperativa, fomentando a criação de parcerias voltadas ao desenvolvimento de ações conjuntas. A FEEMA, com base no Decreto, incentivou a participação das indústrias no Programa, apoiando em uma fase inicial a criação de 4 PIEs na RMRJ (Elabras Veiga, 2007).

Neste contexto, foram inicialmente criados quatro projetos piloto: Santa Cruz, Campos Elíseos, Fazenda Botafogo e Paracambi. A formalização destes projetos deu-se através da assinatura de um termo de compromisso entre a FEEMA e representantes das respectivas indústrias. Os três primeiros PIEs criados são distritos industriais em operação que estão sendo transformados e adaptados para PIEs. Paracambi, diferentemente dos demais que foram criados pelo governo do Estado em parceria com as indústrias, foi criado pelo governo do Estado, porém em parceria com o governo municipal. Uma segunda característica que o difere dos demais é que ele foi demarcado em um terreno verde (greenfield site).
Diretrizes para o Planejamento do PIE de Paracambi

O PIE demarcado no município de Paracambi esta localizado em uma área industrial de 2.500.000 m2, às margens da rodovia RJ/127, denominada Condomínio Industrial I. Conforme dito anteriormente, este PIE foi demarcado em um “greenfield site”, podendo ser completamente planejado. O sítio selecionado para a implantação do PIE oferece algumas vantagens, tais como: acesso pavimentado, facilidade de acesso aos principais centros urbanos - Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo- via Rodovia Presidente Dutra, proximidade da cidade de Paracambi, localização em zona industrial, não existência de unidade de conservação próxima, disponibilidade de água (rede de abastecimento da CEDAE), energia elétrica (Light), gás natural e transporte rodoviário e ferroviário.

Desde que foi criado, em 2002, o PIE de Paracambi, ainda não foi consolidado. Com base nas características, princípios, instrumentos, projetos de PIEs implementados em outros países, desenvolveu-se uma proposta metodológica contendo as diretrizes iniciais para o planejamento deste PIE. Conforme sugerido por Chertow (2000), não existe um “one site fits all” no planejamento de um PIE, ou seja, o projeto desenvolvido para um PIE não pode ser adotado integralmente em outro PIE, devendo ser flexível e adaptar-se as características de cada local.

Assim, para o PIE demarcado no município de Paracambi seleciou-se apenas os elementos de planejamento que se julgou pertinentes. Sugeriu-se que a inserção dos elementos selecionados se dê de forma gradual, com o objetivo criar uma “cultura de EI e PIE” no município e nos demais atores envolvidos e evitar os “erros” cometidos em outros PIEs, implementados em outros países. Para isso, foram desenvolvidos quatro cenários. Estes cenários apresentam quatro estágios distintos da implantação deste PIE, a curto, a médio, a longo prazo e finalmente o quarto cenário apresenta a inserção de alguns elementos no PIE com base em elementos que vêm sendo adotados nos países desenvolvidos. Para a seleção das tipologias industriais para integrarem o PIE, assim como para identificar possíveis sinergias de resíduos entre as tipologias industriais selecionadas, utilizou-se o programa desenvolvido pelo US-EPA denominado Facility Synergy Tool (FaST). A tabela 1, apresenta de forma sumária os elementos sugeridos para o planejamento deste PIE que serão inseridos em cada um dos respectivos cenários (para maiores detalhes ver Elabras Veiga, 2007).



Tabela 1: Resumo dos elementos sugeridos para o PIE de Paracambi.

Elementos Sugeridos para o PIE de Paracambi

Elementos

Cenário

Descrição

Seleção do Terreno

1

Condomínio Industrial 1, propriedade do município

Setor Público x Setor Privado

1

Parceria, ênfase do setor público na etapa inicial (planejamento urbano, infra-estrutura, incentivos fiscais)

Seleção do mix de indústrias

2

FaST (Facility Synergy Tool – US-EPA).

Tipologias industriais selecionadas com o auxilio do software FaST.

2,3

Tecidos, arame, reciclagem de plásticos, fabricação de tintas, galvanoplastia, fabricação de pregos, beneficiamento de mármore, fabricação de material eletrônico básico, co-processamento - cimenteira, reciclagem de materiais- atividade de artesanato.

Resíduos com possibilidade de permuta (com base nos resultados do FaST).

2,3

Solventes, óleos, lubrificantes, borras acidas, resíduos plásticos em geral, papel, papelão, cinzas, aparas e resíduos de tecidos e metais.

Projeto Urbano

1

Preservação /integração ao ecossistema local, orientação terreno (norte), micro clima, vegetação nativa.

Infra-Estrutura Viária

1

BR 116, RJ 127, RJ 465 (Porto de Sepetiba)

Serviços de Transporte

1

2 ramais ferroviários , 4 linhas de ônibus

Energia

1

Light (possibilidade de complementação: co-geração de energia, energia em cascata, fontes renováveis)

Gás Natural

1

Disponibilidade de gás natural - City Gate

Água

1

CEDAE, possibilidade de reuso de água.

ETE comum localizada no PIE

2

Tratar água de efluentes que não forem reutilizadas.

Arquitetura/const. sustentável

1,2,3,4

Uso de tecnologias e métodos construtivos sustentáveis

Central de gestão de informações (CGI)

2

Gestão, compatibilização e divulgação de dados e informações de interesse comum.

Gestão de Resíduos - central de armazenamento e distribuição de resíduos

4

Assegurar que os resíduos sejam coletados, armazenados, tratados, transportados e distribuídos ou dispostos de forma segura. Concentração do processo logístico.

Central de armazenamento/ distribuição de matérias.

4

Concentração do processo logístico, responsável por adquirir-armazenar materiais comuns às indústrias.

Central de reciclagem de óleos lubrificantes

4

Responsável pelo recolhimento, tratamento e redistribuição dos lubrificantes utilizados para serem reutilizados .

Central de reciclagem de solventes

4

Responsável por reciclar os solventes contaminados e re-inseri-los no processo produtivo, após tratamento.

Espaços comuns destinados ao uso de todas as indústrias

3

Auditório, salas de reunião, restaurante, centro de saúde, áreas de lazer e esportes, creche, centro de emergência, centro administrativo.

Para gerir o desenvolvimento do PIE de Paracambi, sugere-se a formação de um grupo gestor responsável por conduzir o processo de implementação, reunindo as indústrias, membros do governo local, da universidade, e outras possíveis instituições parceiras. Este grupo gestor teria por competência direcionar o desenvolvimento dos cenários sugeridos, buscar mecanismos de financiamento, fomentar o desenvolvimento de sinergias, facilitar o fluxo de informações entre as indústrias e gestores, desenvolver credibilidade entre os parceiros, criar canais de comunicação entre as indústrias e as instituições parceiras, promover seminários entre os atores com o objetivo de disseminar o tema, atrair novos parceiros, desenvolver uma visão gerencial e comercial mais coletiva (nossa indústria ao invés da visão minha indústria), elaborar um plano de marketing para o PIE, além de promover a educação sobre o tema). De todos estes “desafios” que o grupo gestor teria a vencer, o maior deles seria mobilizar e conscientizar os atores envolvidos para que estes não visem apenas os ganhos individuais, mas sim os possíveis ganhos ambientais, sociais e econômicos obtidos em pró da coletividade, praticando efetivamente uma gestão ambiental cooperativa (Elabras Veiga, 2007).


  1. Conclusão

Este trabalho, com base em um diagnóstico desenvolvido, a partir da concepção de PIEs desenvolvidos em outros países, apresentou uma visão deste conceito e de como está sendo implementado no ERJ. Atualmente, cinco anos após o início do Programa Rio-ecopolo, que implementou os PIEs no ERJ, pode-se afirmar que este não evoluiu conforme previsto. O abandono do programa pelo setor público demonstra o total desinteresse do governo do Estado por um instrumento que tem se demonstrado de sucesso tanto em países desenvolvidos quanto em países em desenvolvimento. Assim, como já ocorrido em outros programas promovidos pelo setor público, à mudança na liderança política resulta em mudanças de interesses e objetivos. A falta de parceria, cooperação e motivação dos atores envolvidos, contribuíram para que o instrumento não alcançasse as dimensões e potencialidades devidas. Os PIEs de Santa Cruz, Campos Elíseos e Fazenda Botafogo estão sendo conduzidos pelas próprias indústrias e respectivas associações dos distritos industriais. A atuação destas associações vem se mostrando importante na articulação do processo, atuando para o desenvolvimento de ações conjuntas em oposição a ações pontuais. Em relação ao PIE demarcado no município de Paracambi, espera-se que a proposta metodológica contendo as diretrizes para o planejamento deste PIE, apresentada neste trabalho, possa contribuir para sua efetiva implementação.

Assim como ocorrido em outros países, o processo de implantação de PIEs no ERJ pode ser uma alternativa bem sucedida caso haja uma maior integração e cooperação por parte dos setores público e privado. Alguns estudos realizados indicam a importância do estabelecimento de parcerias entre as indústrias, universidades, comunidade, agentes financeiros, governo e demais instituições públicas e privadas para garantir o sucesso deste instrumento, que pode contribuir através de uma gestão ambiental mais cooperativa para o desenvolvimento sustentável. Porém, uma visão mais abrangente e integradora é necessária, na qual, os interesses destes atores devem convergir para este um mesmo objetivo e conseqüentemente atingir um desenvolvimento sustentável.




  1. Referências




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