Os lugares e os meios de sociabilidade intelectual do jornal o sexo feminino: algumas consideraçÕES



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OS LUGARES E OS MEIOS DE SOCIABILIDADE INTELECTUAL DO JORNAL O SEXO FEMININO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Roberta Guimarães Teixeira

(PPGEdu/UNIRIO-RJ)

robegui@gmail.com

Eixo 5- Impressos, Intelectuais e História da Educação
Palavras-chave: IMPRENSA FEMININA; PROFESSORAS PRIMÁRIAS – SÉCULO XIX; SOCIABILIDADE INTELECTUAL
Este estudo, ainda em andamento, é um desdobramento de uma pesquisa de Mestrado em Educação concluída1 que versou sobre a imprensa feminina do século XIX. Tem como objetivo pensar alguns dos lugares e dos meios de sociabilidade intelectual exercidos pelas mulheres professoras e jornalistas do jornal O Sexo Feminino (1873-1889), sobretudo D. Francisca Senhorinha da Mota Diniz (séc. XIX). Inseri-se no campo da História da Educação em articulação com a História dos intelectuais por meio do estudo das redes de sociabilidade, entre as obras utilizadas respectivamente encontram-se GONDRA e SCHUELER (2008); SCHUELER, (2008a, 2008b); GONTIJO (2005); SIRINELLI (1996).

O recorte temporal privilegiado corresponde aos anos de publicação do jornal O Sexo Feminino nas suas três fases, desde a sua criação na cidade de Campanha da Princesa/MG em 1873 até o final da sua publicação na Corte (Município Neutro) em outubro de 1889, compreendo os anos finais do Império. Um período de transformações políticas, econômicas, culturais e sociais (SCHUELER, 2008) que exigiram novas formas de 'ser mulher' e também de 'ser homem'.

A pesquisa da dissertação demonstrou a possibilidade de refletir a imprensa feminina do Oitocentos como um lugar de efervescência intelectual, de relação afetiva como também um viveiro e espaço de sociabilidade, identificada pela manifestação e organização das mulheres escritoras na cidade e /ou nos locais de produção e divulgação de conhecimento e promoção de debates já que “o jornalismo era a melhor opção para a divulgação de idéias” (GONTIJO, 2005, pp. 263-264).

Ao contrário do livro, que tem apenas um autor, os jornais são formados por um grupo de autores, que escrevem a partir de um programa ou de uma linha de pensamento. No caso, do jornal O Sexo Feminino, aqui apresentado, as mulheres ao entrelaçarem afetividades e ideologias acerca da emancipação feminina, constituíram uma rede de sociabilidades proveniente de um comportamento histórico e de uma relação específica em sociedade. Segundo Sirinelli (1996), essa rede de sociabilidades pode ser constada na medida em que as mulheres escritoras, como um “estrato intermediário dos intelectuais”, representaram um fermento para as gerações futuras de intelectuais exercendo influência cultural e mesmo às vezes política sobre outras mulheres daquele tempo (SIRINELLI, 1996, p. 246).

Com isso, primeiro apresento o formato, conteúdo, periodicidade, organização da coleção do jornal O Sexo Feminino de “modo que seja possível caracterizar e compreender seus esforços de reunião e de afirmação de identidade em determinados momentos” (GONTIJO, 2005, p. 277). Secundariamente exponho alguns dos dados coletados de três mulheres escritoras desse periódico seguindo suas trajetórias individuais buscando mapear suas idéias e atividades exercidas no Oitocentos. Por fim, encerro este trabalho com algumas indicações dos espaços e modos de atuação que contribuíram para compor e movimentar a vida das mulheres escritoras bem como do próprio jornal.
A coleção d’O Sexo Feminino
O jornal O Sexo Feminino foi um dos primeiros impressos localizados na pesquisa exploratória a trazer estampado na capa a informação sobre a redatora e proprietária, a jornalista e professora D. Francisca Senhorinha da Mota Diniz (séc. XIX). Teve como colaboradoras suas três filhas: Amélia, Albertina e Elisa Diniz e mais diversas mulheres, entre elas, a jornalista Violante Ataliba Ximenes de Bivar e Velasco e a poetisa Narcisa Amália (1852-1924)2. Surgiu no dia 07 de setembro, com um título ousado para a época, na mesma cidade onde D. Francisca lecionava. Tinha como concepção editorial a busca pela independência das mulheres pela educação, proclamando-a assim como tinha sido proclamada a independência do país: E pois, Viva a Independência do nosso sexo! Viva a instrucção da mulher! Vivão as jovens campanheses! (O Sexo Feminino, A educação da mulher, n. 01, 07 set. 1873, p. 01).

A coleção do jornal, localizada majoritariamente no acervo de Obras Raras da Biblioteca Nacional, é composta por 76 exemplares33, descrito na tabela abaixo.




PRIMEIRO NÚMERO:

1ª fase: 07 set. 1873, anno I- n.14

2ª fase: 22 set. 1875, anno II- n.1

3ª fase: 02 jun 1889, anno III- n.1

PERIODICIDADE:

Na 1ª e na 2ª fase circulava uma vez por semana, na 3ª fase uma vez por semana, porém do n. 07 ao n. 10 passou a circular mensalmente.

TIPOGRAFIA:

Para cada fase do Jornal uma tipografia:

1ª fase (Campanha da Princesa/ MG): Typografia do Jornal O Monarchista

2ª fase (Corte/ RJ): Typografia e Livraria de Lambaerts e Filho, da rua dos Ourives, n.07.

3ª fase (Corte/ RJ): Typografia e Lith de Machado & C., da rua de Gonçalves Dias, n.28, redação da rua do Lavradio, n. 101.

EDITORES/ REDATORES:

Professora Francisca Senhorinha da Mota Diniz

No PÁGÍNAS:

04 páginas

CIRCULAÇÃO:

1ª fase de 1873 a 1874;

2ª fase de 1875 a 1876;

3ª fase de junho a outubro de 1889.

LINHA EDITORIAL:

Enfatizava a emancipação social da mulher, pela família e pela educação

Nos. ENCONTRADOS:

1ª fase : Anno I do n. 1 ao n. 45 de 1873 a 1874

2ª fase: Anno II do n. 1 ao n. 22 de 1875 a 1876

3ª fase: Anno III do n. 1 ao n. 10 de 18895

TOTAL:

76 exemplares6


O Quinze de Novembro do Sexo Feminino (1889-1896), após a Proclamação da República

PRIMEIRO NÚMERO:

Indeterminado

PERIODICIDADE:

Constava no n. 12 que foi quinzenal, mas a partir do n. 13 passou a circular mensalmente

TIPOGRAFIA:

Rio de Janeiro: Redação e Impressão na rua do Lavradio, n. 24

EDITORES/ REDATORES:

Francisca Senhorinha da Mota Diniz

No PÁGÍNAS:

04 páginas

CIRCULAÇÃO:

1889 a 1896

LINHA EDITORIAL:

Dedicado aos interesses da mulher

Nos. ENCONTRADOS:

Únicos exemplares na BN: anno I - 03 ago 1890 (, n.2) , anno III -15 dez 1889 (n.12), 15 mar 1890 (n.13), 06 abr 1890 (n. 14)7;16 jul 1890 (n.18), anno II – 03 ago 1890 (n. 19); 29 ago 1890 (n. 20); 30 set 1890 (n.21); 06 dez 1890 (n. 23). E no AGCRJ: 1891 – jan.(n.1,v.3,); 1893 – jul. (n. 12,v. 4) e 1894 – nov. (n. 13,v. 5).

TOTAL:

12 exemplares8

Fonte: O Sexo Feminino -Acervo de Obras Raras BN: PR-SOR 00075. O Quinze de Novembro do Sexo Feminino- Acervo de Obras Raras BN: PR-SOR 00085 (1); Acervo de Periódico BN: 2-416, 02, 11; Acervo da AGCRJ: mapoteca.
As fichas de descrição do jornal O Sexo Feminino demonstram a sua longevidade, cerca de quinze anos, entre uma e outra epidemia de febre amarela, “de modo a compor uma espécie de “cartografia” do meio intelectual, capaz de identificar posições e, relações e desdobramentos” (GONTIJO, 2005, p. 262). O jornal dava menos ênfase aos assuntos de moda e beleza, assuntos considerados como femininos geralmente destinados às damas e às senhoras vinculados em periódicos desse período (NASCIMENTO, 2007), o que fazia dele um periódico destinado a um público feminino específico reconhecido por seus pares e pela sociedade em que viviam. Reconhecimento este "que legitimou a sua intervenção na mesma sociedade" (SIRINELLI, 1996, p. 242).

Teve três fases distintas e circulava uma vez por semana. Durante um surto de febre amarela na Corte, por volta da década de 1870, a redatora informou que: achando-se doente e toda sua familia, e ainda mais, aterrada pela epidemia actual, a febre amarella, retira-se por algum tempo para fóra da côrte, e por esse motivo só mensalmente sahirá a folha [...]9 (O Sexo Feminino, Editorial, n. 22, 02 abr.1876, p. 01). Nesta e na última fase o jornal passou a circular uma vez por mês.

A primeira fase (ano I), escrita na cidade de Campanha da Princesa/ MG, possui 44 números10, compreendendo o período de 07 de setembro de 1873 a 07 de setembro de 1874. A redatora-chefe deixava em evidência a sua defesa pela implementação da rede pública de instrução elementar para a população analfabeta, especialmente, para as mulheres. Há diferentes artigos onde apareceu o termo escola do povo, que na época tinha o mesmo significado de "escola elementar"11 (VILLELA e GASPARELLO, 2009). A redatora escrevia cartas aos políticos solicitando mais atenção ao ensino primário para ambos os sexos assim como teceu elogios às iniciativas dos jornalistas Dr. Miguel Vieira Ferreira, Henrique L. de Abreu, José Napóles Telles de Menezes e Francisco Rangel Pestana12 pela criação da escola do povo. Nesta fase o jornal era impresso na tipografia do jornal O Monarchista, cujo proprietário era o jornalista e advogado Dr. José Joaquim da Silva Diniz (séc. XIX)13, marido de D. Francisca Senhorinha.

Na fase seguinte (ano II), D. Francisca Senhorinha da Mota Diniz foi convidada para ser professora na Corte Imperial (NASCIMENTO, 2007), passou a viver sem o marido, com suas três filhas, na Praça da Aclamação nº49 (sobrado) onde também foi proprietária do Colégio Maternal de Nossa Senhora da Penha que dava ênfase à educação feminina. Há relatos de que a sua transferência com as filhas para a Corte insinuava um rompimento com o marido, porém o mesmo é questionável pelo próprio posicionamento da redatora no periódico em comemoração ao primeiro aniversário do jornal:


Devo aqui consignar uma circumstancia concomitante do apparecimento desta folha, que é devida a tenaz insistencia e espontanea cooperação de um jovem sympathico e intelligente typographo que um só momento não perdeo para que não se interrompesse esta publicação. Ainda concorreo poderosamente em prol desta folha digno e illustrado redactor e proprietario do Monarchista, que fez desaparecer toda e qualquer dificuldade que obstar podesse a este semanario. (O Sexo Feminino, Aniversário do periódico, n. 45 de 07 set. 1874, p. 02, grifo do original).
Diante desse discurso especial de agradecimento ao marido ficou evidente a parceria entre eles, numa época em que as mulheres podiam exercer pouco ou nenhum ofício. Apesar de existir um aparato legal de dominação masculina, que garantia aos homens certos privilégios, D. Francisca Senhorinha esteve à frente da publicação do jornal, burlando o padrão social vigente "assumindo a chefia da família e trabalhando para a sobrevivência da sua prole" (SAMARA, 1987, p. 35) com o dinheiro obtido através do próprio trabalho.

Nessa fase passou a editar o jornal na tipografia dos Srs. Lambaerts e Comp., onde por 20$000 anuais as pessoas podiam assinar conjuntamente O Sexo Feminino e a Saison, jornal de modas, propriedade dessa tipografia (O Sexo Feminino, Editorial, n. 11 de 10 out. 1875, p. 01). Dessa fase há apenas 22 números, compreendendo o período de 22 de julho de 1875 a 02 de abril de 1876. Há indícios na fonte documental de outros números editados após essa data, porém uma epidemia de febre amarela interrompeu a publicação do jornal.

Na última fase do jornal (ano III), a tônica passou ser a conquista dos direitos políticos para as mulheres e o periódico voltou a ser escrito e impresso na Corte. Constam apenas 10 números, compreendendo o período de 02 de junho a 08 de outubro de 1889. Após a proclamação da República, este jornal passou a ser editado com o nome de O Quinze de Novembro do Sexo Feminino em 1889.

No ano em que o jornal esteve em Campanha/ MG, teve uma tiragem semanal de oitocentos exemplares e não contou com dez números devolvidos, tendo um total de 8.000 assinaturas por ano e 2.500 assinaturas por semestre, ampliando gradativamente nas publicações seguintes (O Sexo Feminino, Aniversário do periódico, n. 45, 07 set. 1874, p. 01), quando na Corte, a redatora chegou a reimprimir quatro mil cópias dos dez primeiros números para os novos assinantes (O Sexo Feminino, Editorial, n. 11, 15 nov. 1874, p. 01).

Havia a solicitação às suas colaboradoras que seus artigos sejam assignados (O Sexo Feminino, Editorial, n. 14, 06 dez.1873, p. 01), algo incomum naquela época. Considerando o formato extrínseco do jornal, encontramos cada página separada por duas colunas e cada número continha quatro páginas, divididos em seções intituladas: O sexo feminino, sempre com um artigo da redatora relacionado à linha editorial, normalmente, com relatos sobre educação das mulheres em países da Europa e dos Estados Unidos; Folhetim com fragmentos de romances, histórias, artigos religiosos e causos da época, com uma subseção denominada Carta, ora com elogios de outros órgãos da imprensa, ora com respostas às cartas recebidas na redação do jornal; Noticiário comunicando acontecimentos diversos, específicos sobre as práticas educativas; Collaboração traz informações sobre a escola normal em Campanha e da província de Niterói; Litteratura com artigos onde são debatidos temas relacionados à educação e instrução; Poesias normalmente assinadas por mulheres; Annúncio e/ou variedades comunicando acontecimentos locais sobre educação.
As mulheres intelectuais d'O Sexo Feminino
A maioria das escritoras foram mulheres urbanas, geralmente solteiras, casadas ou viúvas e tinham rudimentos de escrita e leitura. Migraram do interior do Brasil para a capital das cidades, outras residiram em cidades longínquas do Nordeste. Tiveram uma educação diferenciada, o que possibilitou a introdução de uma nova concepção de educação no Brasil, quando associaram o sentimento maternal ao magistério primário. Enfrentaram muitas dificuldades para a publicação dos jornais, por falta de dinheiro como também o preconceito social, inclusive, de outras mulheres do seu tempo. Mantiveram opções religiosas diferenciadas, fundaram asilos, instituições de ensino e, além disso, algumas trabalharam pela causa abolicionista.

Para Sirinelli (1996) durante muito tempo os intelectuais foram deixados a margem das pesquisas, que dirá as mulheres intelectuais da cidade no século XIX? Para esse autor o conceito de intelectual é polissêmico, porém defende duas acepções do intelectual “uma ampla e sociocultural, englobando os criadores e os “mediadores” culturais, a outra mais estreita baseada na noção de engajamento” (SIRINELLI, 1996, p. 242). No primeiro caso encontram-se as mulheres jornalistas da imprensa feminina, criadoras e mediadoras sociais em potencial.

A fundadora e proprietária d’O Sexo Feminino D. Francisca Senhorinha da Motta Diniz (séc. XIX) nasceu em São João Del Rei/ MG, filha de Eduardo Gonçalves da Motta Ramos e Gertrudes Alves de Mello Ramos. Foi casada com o advogado Dr. José Joaquim da Silva Diniz (18?-1886), faleceu em 1886, deixando-a viúva. Dedicou-se ao magistério da instrução primária no Rio de Janeiro e em São Paulo, dirigiu o Colégio Maternal de Nossa Senhora da Penha e o Colégio de Santa Isabel. Fundou o referido jornal O Sexo Feminino (1873-1889), ecreveu o romance A judia Rachel, editado em 1886. (SCHUMAHER e VITAL BRAZIL, 2000), colaborou no periódico A Estação (jornal de modas, 1879-1904) e ainda foi editora dos jornais:
- A Voz da Verdade: jornal semanario, noticioso e instructivo; A Primavera: revista semanal e instructiva e noticiosa RJ, 1880, in-4º gr. - sahiu o 1º número a 1 de setembro e cessou a publicação no 8º)[...]; O Sexo Feminino: jornal semanario, dedicado aos interesses da mulher. RJ, 1884-1886, in-4º gr.- É um jornal de propaganda da instrucção, no qual sua redactora se ocupa também da abolição do elemento servil; A Judia Rachel: romance original de costumes [...] RJ, 1886, 254 pags. in-8º (BLAKE, 1902, v. II, p. 371).

Em todos esses jornais ela hasteava a bandeira da educação feminina, alertando às mulheres que o inimigo com quem lutavam era a ignorância feminina, defendida pela ciência "dos homens". Atacava a ignorância dos seus direitos, que tornava a mulher escrava, e não companheira do homem. Defendeu a tese que a solução dos problemas brasileiros dependia exclusivamente das mulheres e sua participação efetiva na sociedade: Queremos a instrucção pura para conhecermos nossos direitos, e deles usarmos em ocasião oportuna. Queremos, enfim, saber o que fazemos, o porquê e pelo que das coisas. Só o que não queremos é continuar a viver enganadas (O Sexo Feminino, Emancipação da Mulher, n. 02, 14 set. 1873, p. 1, assinado por Francisca Senhorinha da Motta Diniz). Não foram localizados dados sobre o dia do seu nascimento nem da sua morte.

Uma das importantes colaboradoras desse jornal foi Violante Ataliba Ximenes Bivar e Velasco (1816-1875) nasceu na Bahia em 1º de dezembro de 1817, filha de Violante Lima de Bivar e de Diogo Soares da Silva Bivar, escritor de vários livros, membro do Conselho Imperial e primeiro presidente do Conservatório Dramático do Rio de Janeiro. Casou-se com o tenente João Antônio Boaventura Velasco.

Conhecedora do francês, do italiano e do inglês, dedicou-se à tradução de peças teatrais. A peça de Alexandre Dumas e Eugênio Sue, O xale de casemira verde, lhe valeu a entrada para o Conservatório Dramático do Rio de Janeiro. Fez crítica de algumas peças para esta instituição, que detinha o poder de liberá-las ou censurá-las. Tornou-se sua sócia honorária e o único nome feminino que consta dentre os sócios. Dedicou-se ao canto, ao desenho, à música, e às atividades literárias, sendo os principais o jornalismo e a tradução (VIDAL, s/d).

Foi uma das fundadoras d'O Jornal das Senhoras (1852-1855)14, junto com Joana Paula Manso de Noronha (1819-1875)15 e passou a dirigi-lo a partir de 04 de julho de 1852. Nele escrevia sobre os problemas relativos à educação que as mulheres recebiam (VASCONCELOS, 1999). Teve, também, dificuldades financeiras para manter a publicação deste periódico, que sobreviveu com a arrecadação das assinaturas e dos próprios recursos de suas diretoras. No dia 05 de junho de 1853, ela comunicou que Gervásia Nunesia Pires dos Santos Neves seria a nova proprietária do jornal.

Em novembro de 1873, fundou no Rio de Janeiro, aos 56 anos, o jornal O Domingo (1873-1874), escrito com a colaboração de outras mulheres. Nesse período publicou alguns artigos no jornal O Sexo Feminino (1873-1889). Foi possível identificá-los na análise dos jornais, pois os mesmos vinham assinados como Da Domingo.

Em 1859, publicou seu primeiro livro Algumas traduções. Defendeu a igualdade intelectual de ambos os sexos, enfatizando o papel da maternidade, vendo-a como um dom de Deus. Comungava da idéia que supervalorizava a mulher-mãe, vendo nela a imagem da Virgem Maria e ressaltava as qualidades espirituais que faziam a mulher uma educadora nata. "Mãe e educadora, eis o binômio que defendia para a mulher" (VASCONCELOS, 1999, p. 197). Dizia que “os prazeres do estudo são talvez, os únicos que lhe enchem completamente a alma” das mulheres, mas não conseguia vê-lo como um fator indispensável para a independência econômica feminina, apenas que as mulheres bem-educadas estariam aptas a educar seus filhos. Faleceu no dia 25 de maio de 1875, no Rio de Janeiro. (SCHUMAHER e VITAL BRAZIL, 2000, p. 521).

Até mesmo a venerada Narcisa Amália (1852-1924), poetisa da cidade de Rezende/RJ, foi colaboradora desse jornal. Ela foi considerada como a primeira mulher a se profissionalizar jornalista no Brasil (VIDAL, s/d) ao lado de Violante Ataliba Ximenes de Bivar e Velasco. Nasceu no dia 03 de abril de 1852, em São João da Barra (RJ), filha do poeta Jácome de Campos e da professora primária Narcisa Inácia de Campos. Aos 11 anos, em 1863, se transferiu com a família para Resende (RJ).

Aos 14 anos, em 1866, casou-se com João Batista da Silveira, artista ambulante, de vida irregular, de quem se separou alguns anos mais tarde. Publicou seu primeiro e único livro de poesia Nebulosas em 1872 que alcança grande repercussão nos meios literários. Em 1874, publicou um livro de contos: Nelúmbia.

Casou-se novamente em 1880, dessa vez com Francisco Cleto da Rocha, chamado Rocha Padeiro, dono da "Padaria das Famílias", em Resende. Ajudou o marido nos primeiros anos, mas continuou a receber os amigos literatos em sua casa. Freqüentaram seus saraus nomes famosos como Raimundo Correia, Luís Murat, Alfredo Sodré e, inclusive, D. Pedro II que, por ocasião de sua visita a Resende, quis ouvir de sua própria voz alguns dos seus versos (PAIXÃO, 1999, p.535).

Em 1884, no Rio de Janeiro, passou a dedicar-se ao magistério. Publicou suas poesias na imprensa local, nos jornais A Imprensa e A República, além do jornal A Família16. Fundou em 13 de outubro de 1884 o periódico: A Gazetinha: folha dedicada ao belo sexo. Nesses periódicos defendia os direitos da mulher e dos escravos (SCHUMAHER e VITAL BRAZIL, 2000).

Prefaciou o livro de Ezequiel Freire e foi elogiada por Machado de Assis: "As flores do campo, volume de versos dado em 1874, tiveram a boa fortuna de trazer um prefácio devido à pena delicada e fina de D. Narcisa Amália, essa jovem e bela poetisa [...]"17. Ela alcançou projeção em todo o Brasil com seus artigos em favor da Abolição da Escravatura, em defesa da mulher e dos oprimidos em geral. Morreu cega e paralítica, com 72 anos, no dia 24 de junho de 1924, no Rio de Janeiro (SCHUMAHER e VITAL BRAZIL, 2000; PAIXÃO, 1999).


A rede de sociabilidade intelectual
Percorrendo a trilha investigativa na perspectiva histórica e das mulheres como intelectuais da cidade, observou-se que a imprensa feminina foi um dos espaços de sociabilidade intelectual feminina e de atuação comercial das mulheres, para além dos papéis socialmente atribuídos a elas por suas funções sexuais e biológicas. Morel (2003) informou, que quando esses periódicos surgiram, de maneira artesanal, eram dirigidos por pessoas das mais diversas profissões, pois não se exigia do(a) "jornalista um grau de escolaridade elevado ou um saber acadêmico comprovado e específico" (MOREL, 2003, p. 63), até porque a atividade jornalística no Brasil levou décadas para ser regulamentada. Com isso, a maioria das mulheres escritoras conciliou a atividade jornalística com a função de professoras primárias, assim como alguns homens redatores e colaboradores dessa imprensa aliaram essa atividade com o exercício profissional de médicos ou de literários.

Esse tipo de organização ou sensibilidade ideológica, segundo Schueler (2008b), alimentou o desejo e o gosto da convivência das mulheres escritoras com a sociedade imperial e vice-versa, podendo ser caracterizado como um tipo de estrutura organizacional, uma espécie de rede, de sociabilidade naquele tempo. Há no jornal O Sexo Feminino, na seção de cartas, uma passagem que exemplifica um pouco das significações dessa “sensibilidade” vivenciada pelas mulheres em meados do século XIX. Uma senhora diz estar indignada porque o seu marido, assinante do referido jornal, não queria mais a assinatura por considerá-lo pernicioso. A senhora descreveu que, por não saber ler e escrever, o próprio marido era o seu leitor. A partir dessa situação, ela sugere a leitura por outro membro do seu convívio social: [...] Devo prevenir ao meu marido que não pense que as mulheres estão adormecidas pelo somno do indifferentismo; não, se não posso ler esse jornal, outras pessoas podem fazel-o (O Sexo Feminino, Carta honrosa, n. 23, 28 fev. 1874, p. 23).

A atitude dessa mulher vinha de encontro com as modificações políticas e econômicas que ocorreram no Império, no Segundo Reinado, no Município Neutro. Nesse período impulsionado pelos ideais de progresso e civilidade, as atenções estavam voltadas para o desenvolvimento econômico que modificou completamente as estruturas sociais e políticas nos centros urbanos e rurais (COSTA e SCHWARCZ, 2000).

No campo econômico, houve um crescimento de produtos importados dos armazéns e oficinas britânicos como alimentos, ferragens em geral, utensílios, maquinarias diversas, sobretudo tecidos que chegavam aos portos do Império, também eram exportados café e açúcar para a Europa e os Estados Unidos. Na área urbana foi estabelecida a primeira linha regular de vapores entre a Grã-Bretanha e o Brasil, houve a inauguração do serviço de iluminação a gás, a instalação de uma rede de esgotos na capital imperial, a construção das primeiras ferrovias e a abertura da primeira rodovia ligando Petrópolis a Juiz de Fora (MATTOS, 2004).

O campo político foi marcado pela luta por hegemonia entre os grupos reacionários e liberais, conservadores e progressistas. Essa luta também teve como pólos antagônicos, principalmente, a Igreja e o Estado (MARTINS, 1996). No meio social, havia emergência para atender às demandas enfrentadas pela maioria da população maciçamente analfabeta entre eles os "pretos africanos livres e libertos" e as mulheres (GONDRA e SCHUELER, 2008, p. 231).

Apesar desse contexto, o jornal O Sexo Feminino teve assinaturas do Imperador D. Pedro II e sua filha Princesa Isabel; de várias localidades da Europa como na Espanha e em Nova York e, no Brasil em diferentes províncias, como se vê abaixo, o reconhecimento dos colegas redatores de outros periódicos:


Fonte: O Sexo Feminino, O dia 7 de setembro, n. 45, 07 set. 1874, p. 4.


Este fragmento encontra-se na seção Noticiário que, em diferentes números, demonstrou o espaço público de debates que D. Francisca Senhorinha mantinha com diferentes editores e redatores de outros periódicos, na qual denominou de espirito de colleguismo. Para Trebitsch (TREBISTCH apud GONTIJO, 2005) não há meio intelectual sem a existência de lugares, como aqueles de colleguismo, que pode ser aqui entendido como de sociabilidade, condição essencial para elaboração do próprio intelectual. Estas atitudes ou práticas segundo Gontijo (2005), fundam a sociabilidade intelectual que pode ser identificada pela manifestação e organização dos impressos nesse período imperial.

Ainda, nessa edição, em que comemoraram o primeiro aniversário do jornal na cidade de Campanha da Princesa/MG, anunciaram a sua transferência para a Corte/RJ, a redatora dizia-se admirada ao reconhecer que o seu humilde periodico era lido na velha capital da Hespanha na Europa e na soberba Nova-York dos Estados-Unidos [...] desde o Amazonas até os confins do Rio Grande do Sul [onde] ainda agora choviam pedidos de numeros editados e novas assignaturas (Ibid., p. 1). Fez um agradecimento especial aos jornais Independente de Campos, Lorenense e Aurora da província de São Paulo que, além de anunciarem a publicação d'O Sexo Feminino em seus jornais, recomendava a leitura aos homens e às mulheres em suas cidades (Ibid., p. 4).

A própria identidade do Rio de Janeiro imperial teve implicações diretas na elaboração das representações dos seus respectivos intelectuais. Para Gontijo (2005) a intelectualidade carioca foi capaz de elaborar propostas de ruptura e ultrapassar os padrões estabelecidos. Portanto, a noção de sociabilidade é fundamental para o entendimento das trajetórias de indivíduos e de grupos que envolveram a atividade intelectual em um determinado contexto histórico e social (SCHUELER 2008a; 2008b; 2002).
Considerações Finais
Mesmo sendo um estudo em andamento foi possível perceber que um grande número de mulheres passou a escrever e a publicar num período em que elas se encontravam alijadas da participação política e excluídas da vida social. A opção pela escrita pode ser percebida como uma estratégia de resistência, pois essa prática discursiva, de certa forma, era aceitável socialmente, pois os textos diziam respeito a "uma memória do privado, voltada para a família e para o íntimo", muito semelhante a um diário feminino (PERROT, 1989, p.15).

A pesquisa revelou a rede de sociabilidades constituída por D. Francisca Senhorinha da Mota Diniz, pelos espaços de troca de idéias e circulação do seu jornal que durou por mais de uma década no Oitocentos, entre uma e outra epidemia de febre amarela. Entusiasta pela emancipação feminina, ela foi enfática quanto à necessidade da instrução para as mulheres e que as mães fossem as preceptoras dos seus próprios filhos. Com isso, passou também a defender o magistério primário como trabalho feminino em detrimento do que era exercido pelos homens.

Além da publicação desse jornal nas suas três fases, uma durante o Império e outra nos anos iniciais da República, essa jornalista e professora administrou, na análise sobre os documentos encontrados, pelos menos duas instituições voltadas para a formação feminina, mas que também admitiam alunos do sexo masculino. Inicialmente, essas aulas eram ministradas em espaços improvisados na própria casa da sua família, posteriormente, em prédios alugados subsidiados pelo Império. Destaca-se que toda a sua família, filhas e marido, eram envolvidos pelo ideário da educação feminina além de exercerem o magistério.

Percebe-se no dizer de Gontijo (2005) que as mulheres escritoras foram produtoras de bens simbólicos, mediadoras culturais, relativamente engajadas na vida da cidade e/ou em locais de produção e divulgação de conhecimento e promoção de debates. E que a partir do estudo da relação entre os indivíduos desse jornal foi possível destrinchar o clima cultural em meio ao processo ao qual circulou temas e se difundiram normas e valores que favoreceram a sensibilidade necessária para a recepção de idéias e a adoção de comportamentos.

Por tudo isso, o mundo das sociabilidades é uma forma de encontrar a experiência dos indivíduos em sua vida social recuperando o papel da contingência num "(...) enfoque atento à multiplicidade de fenômenos envolvidos em uma dada experiência que evita explicações unívocas ao reconstruir a complexidade das práticas e representações humanas" (GONTIJO, 2005, pp. 277-278).
Referências Bibliográficas
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O QUINZE DE NOVEMBRO DO SEXO FEMININO. Brasil. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1889. (Setor de Obras Raras, microfilmado).


11 A pesquisa foi realizada no PPGEdu/UNRIO e foi intitulada: Na penna da imprensa professoras e professores primários do século XIX (1852-1888): contribuições aos estudos da feminização do magistério.

22 Dados dessas escritoras são apresentados a seguir.

33 Infelizmente a coleção encontra-se incompleta, dados obtidos apenas nos exemplares que foram localizados e que estavam disponíveis para a consulta.

4 Não há registro de publicação no período de 1877 a 1888. Houve nesse período constantes epidemias de febre amarela na Corte (CHALHOUB, 1996). Faltam os números: n. 43 (1874) e do n. 07 (pp. 03 e 04, 1889).

5 Faltam os números 15, 16 e 17 (1890).

6 Existem poucos exemplares desse jornal na BN. Alguns se encontram indisponíveis à consulta (1890 a 1896) e não foram, por razões diversas, microfilmados. Está previsto que eles sejam microfilmados pelo projeto Fênix: resgate da memória em papéis de trapos cujo objetivo é disponibilizar à consulta, novamente, as obras em estado de deterioração física que inviabiliza o manuseio, conforme site da BN (PROJETO FÊNIX, BN, 2009).

7 Existem poucos exemplares desse jornal na BN. Alguns se encontram indisponíveis à consulta (1890 a 1896) e não foram, por razões diversas, microfilmados. Está previsto que eles sejam microfilmados pelo projeto Fênix: resgate da memória em papéis de trapos cujo objetivo é disponibilizar à consulta, novamente, as obras em estado de deterioração física que inviabiliza o manuseio, conforme site da BN (PROJETO FÊNIX, BN, 2009).

8 Existem poucos exemplares desse jornal na BN. Alguns se encontram indisponíveis à consulta (1890 a 1896) e não foram, por razões diversas, microfilmados. Está previsto que eles sejam microfilmados pelo projeto Fênix: resgate da memória em papéis de trapos cujo objetivo é disponibilizar à consulta, novamente, as obras em estado de deterioração física que inviabiliza o manuseio, conforme site da BN (PROJETO FÊNIX, BN, 2009).

9 O historiador Chalhoub na sua conhecida obra Cidade febril: cortiços e epidemias na corte imperial (1996), relatou como historicamente a epidemia de febre amarela se instalou na Corte na segunda metade do século XIX. Demonstrou que há estimativas de que ela tenha surgido no verão de 1849-1850 e ressurgido na década de 1870, renovando-se em todos os verãos com maior ou menor intensidade, muito associada às condições sanitárias da capital, a imigração européia, ao contexto das transformações nas relações de trabalho, entre outras questões. Provocava a fuga apressada dos habitantes mais abastados para outras províncias, entre elas Petrópolis, um dos "refúgios recomendados pelos médicos" (CHALHOUB, 1996, p. 61).

10 Todos os exemplares, do n. 01 ao n. 45 com exceção apenas o n. 43, encontram-se microfilmados no Acervo de Obras Raras da BN.

11 Já as chamadas “escolas burguesas” eram as intermediárias entre as escolas do povo e o ensino secundário, este destinado “a fins científicos”. Desse modo, as “escolas burguesas” foram entendidas como um grau mais elevado do que as “escolas do povo”, e não como preparatório para as instituições de ensino secundário (VILLELA e GASPARELLO, 2009, p.4441).

12 Ambos os jornalistas foram divulgadores do protestantismo no Brasil, a partir da segunda metade do século XIX, sobretudo, Dr. Miguel Vieira Ferreira (1837-1895), de família nobre da cidade do Maranhão, foi "formado em física e matemática na Escola do Exército no Rio de Janeiro, foi membro da Igreja Presbiteriana desde 1874 até 1878 quando dela fora expulso por questões supostamente doutrinais" (BARRERA, 2004, p. 180). No artigo De Luca e De Luca (2003) há indicações na bibliografia analítica sobre Francisco Rangel Pestana (1839-18?) das pesquisas de Mestrado e Doutorado defendidas por Hilsdorf intituladas respectivamente: Escolas americanas de confissão protestante na província de São Paulo: um estudo de suas origens (USP, 1977) e Francisco Rangel Pestana: jornalista, político e educador (USP, 1986). Ambas descrevem o contexto histórico-político-ideológico em que se insere a criação do Colégio Piracicabano (em 1881) e a atuação pedagógica progressista de um dos mais destacados líderes republicanos: Rangel Pestana (HILSDORF apud DE LUCA e DE LUCA, 2003).

13 Dr. José Joaquim da Silva Diniz (18? - 1886) era natural da província de Minas Gerais, faleceu em outubro de 1886 em Jaguary. Atuou como advogado e coletor de rendas gerais e provinciais. Foi redator-chefe do jornal O Monarchista (Campanha da Princesa/MG) e escreveu: "Tratado de Geographia Descriptiva, especial da provincia de Minas Geraes, em que [descreveu] tudo do que melhor e mais notavel nos tres reinos, mineral, vegetal e animal etc. Juiz de Fora, 1878, in-8º" (BLAKE, 1902, v. IV, pp. 500-501). Ele aparece, no primeiro número d'O Sexo Feminino, como professor nomeado para a 2ª cadeira de regência da Escola Normal de Campanha da Princesa em 1874.

14 A pesquisa exploratória nas fontes documentais revelaram que este jornal foi o primeiro a ser editado no Rio de Janeiro, dirigido e voltado aos interesses das mulheres no século XIX, tendo pelo menos três editoras e/ou redatoras-chefe: Joanna Paula Manso de Noronha (1819-1875) e Violante Ataliba Ximenes de Bivar e Velasco (1816-1874) e Gervásia Nunésia Pires dos Santos Neves (séc. XIX) (BERNARDES, 1988).

15 Joanna Paula Manso de Noronha nasceu na Argentina em 1819. Foi símbolo das primeiras mudanças sociais e educacionais para as mulheres no século XIX. Seus pais refugiaram-se no Rio de Janeiro por causa da ditadura de Juan Manuel Rosas na Argentina. Casou-se com o músico português Francisco Sá Noronha, com quem teve duas filhas. Teve a possibilidade de viajar por vários países e deles trazer informações sobre a situação das mulheres. Em 1852, com 33 anos, retorna para o Brasil separada do marido. Lecionou em algumas escolas e escreveu para jornais cariocas como O País e fundou O Jornal das Senhoras. Com dificuldades financeiras e sem condições de criar suas filhas retorna para a Argentina em 1853. No seu país, escreveu para jornais e publicou o primeiro jornal voltado para a educação: Anales de la Edcucación Común. Em 1859 foi nomeada diretora da primeira escola mista de Buenos Aires. Faleceu em 1875, deixando publicado o Compendio de la historia de las Provincias Unidas Del Rio de la Plata desde su descubrimento hasta la declaración de su independencia el 9 de julio de 1816 (1862) (SCHUMAHER e VITAL BRAZIL, 2000, pp.293-294; SOUTHWELL, 2009).

16O jornal A Família (1888-1897) surgiu na cidade de São Paulo, a partir de reuniões entre mulheres. Após seis meses, passou a ser publicado no Rio de Janeiro. Teve uma considerável durabilidade no Oitocentos, cerca de dez anos ininterruptos. Foi redatora e proprietária a professora Josephina Alvares de Azevedo (1851- ?).

17 Disponível em: <http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/catalogo/narcisa_vida.html> Acesso em 13 out. 2008.








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