Os documentos sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral



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Revista “Cabral, o Viajante do Rei” - 7ª Edição


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As instruções para a navegação da armada de Pedro Álvares Cabral

dadas por Vasco da Gama


O documento “Instruções de Vasco da Gama para a viagem de Cabral” (provavelmente escrito em Lisboa, na última quinzena de fevereiro de 1500) é uma importante fonte documental do Descobrimento do Brasil.

As instruções foram ditadas pelo almirante da Índia ao escrivão da Câmara Antônio Carneiro. Trata-se das primeiras instruções escritas para orientação de uma armada de que se tem conhecimento e serviram de modelo a regimentos reais posteriores, além de serem uma espécie de primeiro roteiro breve da Carreira da Índia.

Sem dúvida, esse documento se constitui em um precioso elemento de ligação entre os dois grandes descobrimentos/achamentos: o da Índia e o do Brasil e é o reflexo da experiência de Vasco da Gama na grande viagem de 1497-1499, que foi devidamente considerada na realização da viagem de 1500. É o primeiro registro claro da parte inicial da Rota do Cabo, corroborando a larga derrota em arco seguida na viagem de 1497 no Atlântico Sul.

O borrão original da primeira folha, única que sobreviveu, foi adquirido em meados do século XIX por Francisco Adolfo de Varnhagen, que o ofereceu, depois de 1853, ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa, onde esteve perdido durante muito tempo. Reencontrado em 1934, está arquivado em Leis, sem data, maço l, Documento n.º 21.

Publicaram-no: Varnhagen – História Geral do Brasil. Madrid, 1854; Malheiro Dias – História da Colonização Portuguesa do Brasil. Porto, 1921; S. E. Morrison – The Mariner’s Mirror, em tradução para o inglês, vol. XXIV, nº 4, outubro de 1958; Greenlee, em tradução para o inglês The Voyage of Pedro Álvares Cabral. Londres, 1938; E. Cidade, A. Baião e M. Múrias na edição da História da Expansão Portuguesa no Mundo. Lisboa, 1940.


A seguir, cópia traduzida do texto da parte central dessas instruções.

(Primeira página)
Esta é a maneira que parece a Vasco da Gama que deve ter Pedro Alvares em sua ida, prazendo a Nosso Senhor.

Item, primeiramente antes que daqui parta, fazer mui boa ordenança para se não perderem uns navios dos outros nesta maneira:

A saber, cada vez que houverem de virar fará o capitão-mor dois fogos e todos lhe responderão com outros dois cada um. E depois de lhe assim responderem todos virarão. E assim lhe terá dado de sinal que a um fogo será por seguir. E três por tirar moneta. E quatro por amainar.

E nenhum não virará, nem amainará, nem tirará maneta, sem que primeiro o capitão-mor faça os ditos fogos. E todos tenham respondido. E, depois que assim forem amainados, não guindará nenhum senão depois que o capitão-mor fizer três fogos e todos responderem. E, minguando algum, não guindarão, somente andarão amainados até que venha o dia, porque não poderão tanto rolar as naus, que no dia se não vejam. E por se aparelhar fará qualquer que for desaparelhado muitos fogos por tal que os outros navios vão a ele.

Item, depois que em boa hora daqui partirem, farão seu caminho direito à ilha de Santiago e, se ao tempo que aí chegarem, tiverem água em abastança para quatro meses não devem pousar na dita ilha, nem fazer nenhuma demora, somente enquanto lhe o tempo servir
(Segunda página)
(Com vento) À popa fazerem seu caminho pelo sul. E se houverem de guinar seja sobre a banda do sudoeste. E tanto que neles der o vento escasso devem ir na volta do mar até meterem o cabo de Boa Esperança em leste franco.

E daí em diante navegarem segundo lhe servir o tempo e mais ganharem, porque como forem na dita paragem não lhe minguará tempo com ajuda de Nosso Senhor com que cobrem o dito Cabo. E por com que cobrem o dito Cabo. E por esta maneira lhe parece que a navegação será mais breve e os navios mais seguros do busano e isso mesmo os mantimentos se têm melhor e a gente irá mais sã.

E se for caso que Nosso Senhor não queira, que algum destes navios se perca do capitão devesse de ter quanto puder por ver o cabo e ir-se à aguada de São Brás. E se for aí primeiro que o capitão deve-se damarar mui bem e esperá-lo, porque é necessário que o capitão-mor vá aí para tomar sua água para que daí em diante não tenha que fazer com a terra, mas arredar-se-á dela até Moçambique, por saúde da gente e não ter nela que fazer.

E se for caso que o capitão-mor venha primeiro a esta aguada que o tal navio, os navios que se dele perder...


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