Os deficientes e seus pais



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Em 1974, Gumaer e Myrick fizeram uso da terapia comportamental em grupo com 25 crianças indisciplinadas da escola primária. Durante oito sessões de terapia, as próprias crianças identificaram os comportamentos que necessitavam melhorar, (por exemplo, falar alto e levantar-se da carteira durante as aulas). Dados do comportamento foram coligidos e organizados, e usaram-se doces e elogios como reforços do comportamento adequado. Mais adiante, discussões em grupo permitiram às crianças compartilhar seus sentimentos e receber o feedback das outras. Os professores receberam treinamento no uso das técnicas comportamentais e foram elogiados pelo terapeuta por seus esforços positivos. Durante as oito semanas de sessões terapêuticas, o comportamento indisciplinado foi quase completamente eliminado, ao mesmo tempo em que o comportamento adequado tornava-se mais freqüente na sala de aula.

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Contudo, após a interrupção da terapia em grupo e do reforço sistemático, o comportamento de algumas das crianças voltou à condição anterior. Os autores da pesquisa afirmaram que o reforço temático contínuo na sala de aula, terminada a terapia, poderia ter dado resultados mais duradouros.



Dois métodos de terapia em grupo com 52 alunos vítimas de distúrbios emocionais foram comparados por Maynard, Warner e Lazzaro, em 1969. O método de terapia através do reforço verbal envolvia vários tópicos para discussão (por exemplo, a colocação em uma turma especial, o relacionamento com os outros o comportamento em sala de aula), que eram apresentados pelo terapeuta, o qual, durante as discussões, reforçava verbalmente comentários considerados positivos, apropriados e úteis à compreensão da situação. O segundo método de aconselhamento permitia aos grupos escolherem e discutirem seus próprios tópicos através de uma abordagem não-diretiva, centrada no paciente. Os resultados não apontaram diferenças relevantes entre os grupos que foram submetidos cada qual a um método. Ambas as abordagens mostraram-se eficazes e benéficas, comparando-se esses grupos a outro grupo estudado e que não recebeu qualquer tipo de terapia.

Em 1970, Humes descreveu um método eclético de aconselhamento de adolescentes com certo grau de retardamento mental, porém aptos a determinado nível de aprendizagem. Doze sessões semanais de uma hora de duração foram divididas entre três sessões auxiliares e nove sessões de solução de problemas. Durante as cessões auxiliares, enfatizavam-se a aceitação, a compreensão e a cordialidade, à medida que o terapeuta fazia uso de uma abordagem não-diretiva e não-estruturada. Nas outras sessões voltadas para a solução de problemas, exploravam-se dificuldades especificas em áreas como adequação escolar, interação com a família e colegas e relacionamentos heterossexuais. Algumas figuras do Teste de Percepção Temática e do Teste de Figuras e Histórias de Symonds foram usadas para estimular idéias e debates. Humes declarou que essa abordagem resultou em um maior nível de socialização e de relacionamentos interpessoais, e sugeriu que outros excepcionais, além de adolescentes retardados mentais com possibilidade de aprendizagem, se beneficiariam com a combinação entre técnicas estruturadas e não-estruturadas.

DeBlassie e Cowan (1976) também consideraram a terapia em grupo eficaz no caso de deficientes mentais com certa capacidade de aprendizagem e declararam que os problemas eram mais rapidamente revelados e os sentimentos de inadequação tratados de modo mais imediato do que na terapia individual.

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Vance, McGee e Finkle (1977) crêem que a terapia em grupo é com freqüência o método adotado para os alunos retardados mentais devido à sua eficácia no passado, à economia em termos de tempo e dinheiro e à ênfase na interação social e conseqüente sucesso na construção da auto-imagem e no progresso das relações interpessoais. Os pesquisadores acreditam que a terapia em grupo proporciona oportunidades para: 1) identificar o comportamento mal-ajustado, 2) promover os sentimentos de aceitação e de grupo, 3) fazer novos amigos e criar novos interesses, 4) corrigir conceitos errôneos a respeito de si mesmo e dos outros, 5) liberar ansiedades e tensões, e 6) aprender a lidar com situações sociais semelhantes às que podem ser encontradas fora desse grupo. Vance e seus colegas também forneceram orientações específicas em relação a atividades, composição do grupo, extensão das sessões e comportamento do terapeuta.



TERAPIA DE PAIS EXCEPCIONAIS

O campo da terapia de pais atualmente vem recebendo maior atenção devido às determinações da lei 94-142 e à conscientização por parte dos profissionais do fato de que mesmo os melhores programas educacionais e terapêuticos oferecerão poucos benefícios à criança excepcional, se não existir o apoio por parte dos pais. Em 1969, Radin realizou um estudo onde três grupos semelhantes de doze crianças deficientes, porém com muitas habilidades, que haviam previamente freqüentado um programa pré-escolar, foram expostas a diferentes tipos de experiências no jardim de infância. Enquanto um dos grupos freqüentava um jardim de infância comum, outro participava do Programa de Intervenção Suplementar no Jardim de Infância (SKIP), além da escola regular. O SKIP enfatizava o desenvolvimento em áreas cognitivas discutidas por Piaget, tais como classificação e representação. O terceiro grupo participava da escola comum e do SKIP, e também desfrutava de um programa de terapia dos pais. As mães participavam de modo ativo do programa educacional dos filhos e tornaram-se valiosas fontes de aprendizagem no lar. Os resultados do estudo indicaram que o fator que proporcionava as mais altas performances das crianças nos testes cognitivos e também um ambiente mais estimulante em casa era o programa de terapia dos pais.

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Millman (1970) descreveu encontros abertos nos quais de dez a doze pais de crianças com pequenas disfunções cerebrais participavam semanalmente de sessões de sessenta a noventa minutos, pelo período que desejassem. O propósito das sessões era fornecer informações a respeito de disfunções cerebrais e de como essas deficiências afetam o comportamento das crianças, e também dar oportunidade aos pais de discutirem suas próprias atitudes e seus sentimentos em relação aos filhos. Millman declarou que os pais relataram uma maior compreensão da disfunção cerebral pela primeira vez, assim como uma maior eficácia em tratar o comportamento dos filhos.



Bricklin, em 1970, registrou o sucesso com grupos de pais de crianças portadoras de deficiências de aprendizagem. No seu método, pais recém-afiliados são a princípio entrevistados individualmente, a seguir com outros pais novatos, e por fim como parte de um grupo já existente. Em geral, os pais de crianças com dificuldades e idades semelhantes são postos num mesmo grupo. As sessões iniciais são altamente estruturadas com grande participação do líder, mas os pais aos poucos assumem uma responsabilidade maior pelas discussões do grupo. Durante as reuniões, os pais recebem informações mais precisas a respeito dos problemas específicos de seus filhos e têm oportunidade de partilhar sentimentos e idéias. Bricklin ressaltou o fato de que certos aspectos das sessões de terapia podem apresentar dificuldades para os pais devido à complexidade de se modificarem padrões estabelecidos de percepção e reação às crianças. Bricklin, afirma, no entanto, que tanto pais quanto filhos têm a capacidade para mudar.

De acordo com Lewis, embora algumas técnicas de terapia em grupo tenham sido investigadas, a maioria da descrição desses procedimentos não inclui grupos de estudo para comparação ou o uso de testes objetivos. Em uma pesquisa de 1972, com o objetivo de investigar os resultados de uma técnica de grupo aplicada a 62 pais de crianças com retardamento mental, Lewis utilizou um grupo de estudo, que não tomou parte na terapia, e dois testes objetivos. O Instrumento de Pesquisa da Atitude dos Pais, de Schaefer e Bell (PARI, 1955), era usado para medir mudanças de atitudes, e um teste de falso ou verdadeiro sobre informações a respeito do retardamento mental, elaborado por Lewis, era usado para medir o conhecimento adquirido. No decorrer de dez sessões semanais de 90 minutos para cada um dos três grupos, os pais levantaram e discutiram os tópicos em um ambiente aberto e não-estruturado.

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As informações recolhidas no fim do estudo indicaram que as atitudes dos pais em relação aos filhos apresentaram progresso em dois dos três grupos, enquanto os pais que não participaram em procedimentos de grupo tiveram “atitudes menos esclarecidas” com o passar do tempo. Todos os grupos de pais que tiveram a experiência dos procedimentos de grupo demonstraram um maior conhecimento sobre o retardamento após as dez sessões, mas o grupo de estudo não apresentou modificações significativas. Lewis também descobriu que não havia diferenças relevantes em relação às atitudes de educação dos filhos ou ao conhecimento sobre o retardamento entre as mães e pais, em qualquer um dos grupos. Além dos dados objetivos, Lewis concluiu subjetivamente que os pais pareciam adquirir auto-orientação, confiança e otimismo crescentes, os quais constituem objetivos gerais típicos da terapia.



Yura, Zuckerman, Betz e Newman (1979) descreveram o Projeto de Envolvimento dos Pais, que incluía terapia em grupo e educação de pais de alunos portadores de deficiências, com a participação tanto dos pais quanto do quadro funcional da escola. Os pais interagiam entre si, e os lideres dos grupos e os professores ofereciam “apoio moral”, informações sobre o desenvolvimento de cada criança e explicações sobre os procedimentos adotados em sala de aula. Os grupos reuniram-se oito vezes, cada uma tratando de determinado tópico. Através de anotações sobre o comportamento, como testes anteriores e posteriores e do registro de observações, os pesquisadores determinaram que os pais apresentavam uma atitude mais positiva em relação às capacidades de seus filhos e o comportamento indisciplinado das crianças decrescia em freqüência após os pais terem participado do projeto. E ainda, o pessoal da escola observou que os pais demonstravam maior apoio ao programa escolar após concluírem as oito sessões.

Grande parte da literatura atual sobre a terapia de pais de deficientes atribui ao terapeuta o papel de ajudar os pais a lidarem com os sentimentos negativos em relação à deficiência e de oferecer-lhes apoio psicológico e moral (Wiliiams e Durbyshire, 1982). Kronich (1978) descreveu o grupo como um fórum no qual os pais podem expressar, com segurança, a raiva e o desapontamento e ouvir o que os outros pais sentem. Huber (1979), em suas experiências com a terapia em grupo, descobriu que os pais freqüentemente demonstravam uma sensação de alívio ao descobrir que não eram os únicos em sua reação à deficiência do filho.

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Numerosos artigos já discutiram os estágios (por exemplo, negação, raiva, regateio, depressão, aceitação) por que passam os pais de crianças deficientes (Opirhory e Peters, 1982; McDowell, 1976; Perosa e Perosa, 1981; Prescott e Iselin, 1978; Preseott e Hulnick, 1979; Christensen e DeBlassie, 1980). Embora nenhuma das recomendações baseie-se especificamente em dados de experiências, autores enfatizam que assistir os pais no progresso desses estágios é a principal tarefa do terapeuta. Perosa e Perosa (1981) sugerem que se não for aceita a deficiência da criança, toda a estrutura familiar será afetada. Os pais podem começar a competir entre si pelo amor do filho ou podem então culpar um ao outro pela deficiência da criança. Em outros casos ainda, os pais poderão culpar o filho pela tensão no lar. O autor afirma ainda que às vezes um dos cônjuges abandona a família e o outro se torna superprotetor em relação à criança.



Embora grande parte da literatura nessa área sugira que o maior desafio para o terapeuta seja ajudar a família a percorrer as etapas até a adaptação à realidade de ter entre seus membros uma criança deficiente, alguns pesquisadores questionam se os pais chegam de fato a se “adaptar” por completo. Wikler, Wasow e Hatfield (1981) realizaram um estudo com o objetivo de determinar se os pais de crianças retardadas mentais se “ajustam” à realidade do filho, ou se o seu pesar é crônico. Os autores também compararam os prognósticos de assistentes sociais, referentes à extensão do pesar dos pais em oito pontos específicos e dois não-específicos do desenvolvimento da vida de uma criança, aos sentimentos de pesar dos pais em tais pontos. Wikler e companheiros descobriram que os pais na verdade experimentam um pesar crônico, que não é de natureza contínua, mas periódica. Os assistentes sociais notadamente superestimaram o negativismo das primeiras experiências dos pais com os filhos deficientes mentais e subestimaram de modo significativo a dificuldade das relações posteriores entre esses pais e filhos. Burggraf (1979) registrou experiências de pesar crônico semelhantes entre pais de deficientes físicos. Ela declarou que muitos pais expressaram sentimentos de mágoa, descrença e raiva, mesmo depois de viverem com um indivíduo deficiente por mais de vinte anos.

Até mesmo depois de reconhecida a importância de se oferecer uma orientação, surge uma pergunta: O que é mais eficaz — a terapia com as crianças, com os pais ou com os professores?

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Um pequeno número de pesquisas investigou a relativa eficácia de aplicar terapia a grupos diferentes. Taylor e Hoedt (1974) compararam os efeitos da intervenção direta através da terapia com as crianças aos efeitos da intervenção indireta através do aconselhamento de pais e professores. Neste estudo, 372 crianças apresentando distúrbios comportamentais, na escola primária, foram divididas em quatro grupos que receberam diferentes tratamentos. Em um dos grupos, as mães das crianças receberam um tipo de terapia grupal adleriana; em um segundo grupo, os professores das crianças foram submetidos ao mesmo tipo de terapia. As crianças, no terceiro grupo, estavam diretamente envolvidas na terapia grupal, e as do quarto grupo não foram submetidas a qualquer tipo de terapia especial, quer para elas mesmas, quer para professores e pais. As mães e professores dos primeiro e segundo grupos foram treinados a identificar os problemas de comportamento das crianças e, a partir daí, aplicar os princípios de encorajamento adequados. As crianças que receberam a terapia lidavam com quaisquer abordagens que parecessem mais adequadas a seus grupos. Após um período de dez semanas, os resultados indicaram que a terapia com adultos importantes na vida da criança, tais como país e professores, era mais eficiente na redução dos problemas comportamentais do que o trabalho direto com a criança.



Em outro estudo realizado em 1972, Love, Kaswan e Bugental compararam a eficácia de três intervenções realizadas com 91 crianças com problemas emocionais e distúrbios do comportamento, na escola primária, vindas de diferentes níveis sócio-econômicos. Em um grupo dessas crianças, foi usada a terapia infantil direta, baseada na teoria psicanalítica. Os pais de outro grupo de crianças foram submetidos a uma terapia, que também era orientada segundo a psicanálise. Com o terceiro grupo foi usada uma nova abordagem denominada feedback de informação, na qual informações interpessoais a respeito de cada criança eram reunidas através de questionários, observações do comportamento e gravação em vídeo das interações familiares. Essas informações eram então apresentadas aos pais e professores para que as discutissem e tomassem decisões a seu respeito. Os pesquisadores concluíram que as intervenções que enfocam os pais são mais eficazes no aprimoramento das atitudes das crianças na escola do que a psicoterapia infantil por um período limitado. Descobriu-se que o feedback de informação resultava em melhores notas para as crianças de níveis sócio-econômicos mais altos.

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O aconselhamento dos pais produzia notas mais altas para crianças de níveis sócio-econômicos mais baixos, e a terapia infantil estava associada a notas baixas em todos os níveis. Os autores afirmaram que, embora os três métodos produzissem algum progresso no comportamento, possivelmente devido à atenção, a comparativa debilidade dos efeitos da terapia infantil indicava que os pais e não os terapeutas são o principal centro de atenção.


A MELHORIA DAS RELAÇÕES ENTRE PAIS E FILHOS.

Muitos profissionais argumentariam que seria fútil uma tentativa de determinar quem (os pais ou os indivíduos deficientes) deve ser o receptáculo da terapia, pois em geral uma abordagem ecológica à intervenção é preferível. Por exemplo, Perosa e Perosa (1981) vêem a criança como parte do sistema familiar e, portanto, consideram a terapia efetiva destinada à criança deficiente algo impossível sem o envolvimento e o apoio da família. Eles afirmam que a deficiência da criança afeta toda a estrutura familiar, causando no seu âmago uma miríade de problemas. Assim, os esforços dirigidos a tais problemas devem incluir todos os membros da família afetada.

Em 1974, Seltz e Hoekenga focalizaram as interações entre pais e filhos em um programa no qual os pais observavam e imitavam modelos no seu relacionamento com os filhos. Quatro pares de pais e crianças com retardamento mental tomaram parte no programa de uma hora a cada dia, três vezes por semana, por oito semanas. Os pais primeiro observaram terapeutas trabalhando com seus filhos enquanto lhes eram explicadas as atividades executadas, Aos poucos, os pais assumiram a responsabilidade de trabalhar com as crianças, até que substituíram os terapeutas por completo nas duas últimas sessões. O progresso foi medido em termos do maior número de interações verbais ocorridas entre pais e filhos. Ao fim do programa todas as crianças haviam aumentado a extensão média de seus balbucios, e três crianças chegaram a aumentar o número de balbucios por sessão de modo significativo. Em acréscimo, o comportamento verbal dos pais mudou substancialmente. Por exemplo, eles faziam mais perguntas e davam mais comandos nos momentos em que estes eram convenientes. Os pesquisadores observaram que o comportamento verbal modificado dos pais produzia um aumento nas reações positivas por parte das crianças.

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Segundo Seltz e Hoekeng, a conseqüência mais importante dessas mudanças o comportamento verbal de pais e filhos foi que a criança se tornou um participante ativo no processo de comunicação e não um simples receptor passivo da estimulação verbal.



Ray (1974) estudou outro programa que dava ênfase ao aperfeiçoamento da relação pai-filho em vez de oferecer terapia para os pais ou as crianças apenas. No Centro de Treinamento da Família, no Tennessee, crianças retardadas entre três e quatorze anos de idade e seus pais participaram juntos de um programa interativo de modificação do comportamento, no esquema de internato pelo período de um mês. Os pais primeiro observaram a equipe interagindo com seus filhos e receberam explicações e descrições das várias técnicas e princípios comportamentais em uso. Á medida que os pais demonstravam maiores conhecimentos e habilidades em dirigir o comportamento, as crianças passavam mais tempo em casa, com um orientador disponível para consultas e apoio no lar, se os pais precisassem. Ray descreveu o treinamento familiar como uma ruptura dos métodos tradicionais de aconselhamento e terapia, que muitas vezes só tem início depois que padrões negativos de comportamento se encontram firmemente estabelecidos. O treinamento familiar enfatiza a prevenção de deficiências mais graves, ensinando a pais e crianças novos modos de se comportar e interagir.

REESUMO


Considerando-se em termos numéricos a literatura já publicada sobre a terapia de crianças excepcionais e de seus pais, parece-nos que é grande o conhecimento nessa área. No entanto, talvez a única conclusão a que podemos chegar com esse resumo da literatura é que os resultados das pesquisas e as opiniões expressas nos estudos são inconclusivos. Mas, apesar de essa literatura não apresentar verdades e fatos irrefutáveis, algumas descobertas fornecem informações importantes, que esperamos venham a ser úteis. É óbvio, por exemplo, que os profissionais desse campo necessitam dedicar atenção muito maior à forma e ao conteúdo das entrevistas diaganosticadoras iniciais com os pais. Os resultados das pesquisas existentes demonstram, de modo claro, que os pais freqüentemente ficam confusos e insatisfeitos com as informações, ou a falta delas, a respeito dos problemas de seus filhos.

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Um estudo realizado indicou que o termo “comportamento volúvel” aplicado aos pais que procuram a ajuda de muitos profissionais é ao mesmo tempo usado de modo excessivo e errôneo, pois os poucos pais que foram qualificados no estudo como pais “volúveis” procuravam assistência válida e um simples diagnóstico diferente. Mesmo que um grande número de pais adote esse comportamento, os profissionais talvez devam ver este fato como um reflexo da qualidade dos serviços oferecidos e não como uma indicação de negação da realidade por parte dos pais. Embora as opiniões em relação ao modo como a consulta inicial deve ser conduzida sejam divergentes, há um consenso de que a presença de ambos os pais e a ênfase na interação em vez de uma apresentação formal e estruturada do problema proporcionam um maior número de informações. A literatura também enfatiza o fato de que as chances de que os pais sigam as recomendações do terapeuta serão maiores se os primeiros compreenderem e concordarem com o diagnóstico. Embora esta pareça uma afirmação elementar, baseada no bom senso, as pesquisas indicam que os profissionais com freqüência subestimam a importância da atitude dos pais.



Talvez o menor número de pesquisas tenha sido realizado na área da terapia dos indivíduos excepcionais em si. Embora algumas técnicas de terapia individual, tais como a confrontação facilitativa e a reorientação acadêmica, tenham sido descritas, a maior parte da literatura atual diz respeito às técnicas de terapia em grupo. Quase todas as abordagens individuais e em grupo aqui discutidas, segundo os resultados descritos, promoveram vários progressos e benefícios. Porém a não-repetição das experiências e a falha em controlar variáveis importantes em muitos dos estudos evita que se chegue a conclusões firmes no que diz respeito à eficácia de qualquer técnica específica.

O aconselhamento dos pais vem recebendo maior atenção à medida que os estudos indicam que os pais devem desempenhar um papel fundamental nos esforços para minorar os problemas de seus filhos. De fato, os resultados de muitas pesquisas afirmam que, em muitas situações, a terapia paterna pode ser mais benéfica do que o tratamento direto com a criança. Virtualmente todas as formas de terapia dos pais estudadas foram conduzidas em grupos nos quais esses indivíduos recebiam informações a respeito das deficiências dos filhos e com freqüência discutiam e compartilhavam seus sentimentos e atitudes em relação aos filhos e a si mesmos. Tanto a abordagem estruturada quanto a não-estruturada foram empregadas, assim como a combinação de várias outras abordagens.

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Uma das premissas mais importantes, presente na literatura estudada reside na atenção às interações e aos relacionamentos de pais e filhos. Em lugar de aconselhar as crianças ou os pais isoladamente, algumas abordagens, assim como aquelas envolvendo técnicas comportamentais e de modelagem, enfatizam o desenvolvimento de novos padrões de comportamento e interação para pais e filhos juntos.



Concluindo, a conscientização em relação à importância de se oferecer terapia aos indivíduos excepcionais e a seus pais deve prosseguir, resultado de pesquisas mais numerosas e melhores. As áreas que necessitam de pesquisas são tantas e tão diversas quanto as muitas facetas das terapias mencionadas neste capítulo, além dos muitos aspectos não discutidos. Várias questões básicas devem ser respondidas. Seriam algumas abordagens e técnicas terapêuticas mais ou menos bem-sucedidas com certos tipos de deficiências? Sob que circunstâncias a terapia em grupo é mais apropriada do que o trato individual? Quais os efeitos que as qualificações, atitudes e personalidade do terapeuta têm sobre a eficácia da terapia? Todos os terapeutas deveriam receber treinamento e formação altamente especializados e preencher certos requisitos antes de trabalharem com crianças excepcionais e seus pais, ou professores, pais e quaisquer outras pessoas interessadas no assunto e que possuam a habilidade de se comunicar com empatia podem ser terapeutas? Qual a importância de variáveis como idade, sexo, raça e condição socioeconômica para a terapia? O número de perguntas que poderiam ser feitas só é limitado pela imaginação e diligência daqueles que atualmente trabalham com indivíduos excepcionais e com seus pais.



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