Os batistas e o governo militar: deus salve a pàtria



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X Simpósio da ABHR

MESA-REDONDA – UM OLHAR EVANGÉLICO SOBRE O GOLPE DE 1964
COMUNICAÇÃO – OS BATISTAS E O GOVERNO MILITAR: DEUS SALVE A PÁTRIA
AUTORA – Drª. Elizete da Silva

UNESP – ASSIS – SP

12-15/05/2008

OS BATISTAS E O GOVERNO MILITAR: DEUS SALVE A PÁTRIA

Elizete da Silva

UEFS
INTRODUÇÃO


Pretendemos nesta comunicação abordar as relações que a Denominação Batista estabeleceu com os governos militares após o golpe de 1964. Tradicionalmente os batistas mantêm o princípio da separação entre a igreja e o estado, porém no período que ora estudamos -1964 a 1986, tal princípio era apenas um argumento doutrinário e retórico, pois na prática cotidiana densas articulações e barganhas políticas permearam a trajetória dos irmãos batistas no Brasil e na Bahia, foco específico da nossa análise.

A Denominação Batista Brasileira produziu discursos e representações peculiares e instigantes sobre os governos militares, os quais estavam pautados por doutrinas internas ao seu ideário religioso, porém guardavam estreitas vinculações com as práticas políticas da sociedade circundante. Nessa perspectiva o conceito de campo religioso e de capital simbólico de Pierre Bourdieu é um instrumento teórico relevante para entendermos tais vinculações entre a religião e a política:

A estrutura das relações entre o campo religioso e o campo do poder comanda, em cada conjuntura, a configuração da estrutura das relações constitutivas do campo religioso que cumpre uma função externa de legitimação da ordem estabelecida na medida em que a manutenção da ordem simbólica contribui diretamente para a manutenção da ordem política...1
Entendemos a religião como uma forma de expressão da cultura a qual mantém estreitos vínculos com os demais elementos constitutivos de um sistema cultural. Nesta perspectiva as contribuições teóricas da História Cultural numa interface com a História das Religiões são fundamentais à problemática que ora analisamos.

As relações da História das Religiões com a História Cultural são muito próximas, não só porque a religião faz parte da cultura de uma determinada sociedade, mas também pelo fato da religião ser pródiga na construção de representações, portanto mantendo uma relação dinâmica com os demais elementos formadores de uma dada realidade cultural. O conceito de representação, formulado na perspectiva da História Cultural, é fundamental para se entender e explicitar as relações políticas e conflitos ocorridos no campo religioso brasileiro nesse período.

Roger Chartier identifica a noção de representação com a compreensão que os homens buscam do funcionamento de uma dada sociedade ou as operações intelectuais que lhes permitem apreender o mundo 2. Observa-se historicamente que a visão de mundo, as representações coletivas que se elaboram em certos grupos têm no fenômeno religioso um elemento central, em determinados momentos preponderante.

As representações e as práticas políticas elaboradas pelos batistas estavam essencialmente vinculadas à forma de existência desse grupo religioso na sociedade brasileira e baiana, no contexto conjuntural das décadas de 1960 a 1980, plena de agitação e movimentos sóciopolíticos, os quais marcaram também os arraiais protestantes, inclusive batistas.


PRECES EXPLÍCITAS E CRÍTICAS VELADAS
Além do principio doutrinário de absoluta separação entre as instâncias eclesiásticas e as instâncias governamentais, os batistas no Brasil desenvolveram um pensamento e prática política de sistemática submissão às autoridades. Faziam uma leitura literal do texto bíblico, de origem paulina, “que toda autoridade vem de Deus e seus servos devem obedece-las” 3. Apenas em matéria de fé, “quando importava mais obedecer a Deus do que aos homens”, os irmãos batistas esboçavam alguma crítica ou resistência. No Jornal Batista, noticioso nacional da Denominação, em artigos e editoriais recorrentes destacavam o espírito ordeiro dos batistas, os quais só criticavam as autoridades constituídas se elas atentassem contra a liberdade religiosa, favorecendo a Igreja Católica, ou se as eleições ocorressem no dia de domingo, o dia do Senhor, consagrado aos exercícios devocionais nos templos. Pecado que deveria ser evitado pelos fiéis.

Essa prática de submissão e respeito, sem críticas ou contestações perpassou o período republicano e o Estado Novo sem alterações substanciais. No entanto a partir da agitação política e social que caracterizou o final da década de 1950 e o início dos anos 1960, os batistas viram-se incomodados com as reivindicações e os espaços políticos que os movimentos sociais organizados e os partidos de orientação marxista passaram a disputar no cenário nacional.

O tumultuado governo de João Goulart, que começou resistindo ao veto dos ministros militares, os quais consideravam a posse do vice-presidente, como mandatário presidencial no lugar de Jânio Quadros, que havia renunciado em agosto de 1961, “um perigo para a ordem social do Brasil”, também foi objeto das preocupações e das orações dos irmãos batistas.

O governo de Jango, que passou à História do Brasil como um Período de reformas nacionalistas, viveu tensões e conflitos políticos acentuados por uma grave crise social que punha em risco o precário equilíbrio entre as diversas classes sociais. Segundo Teixeira da Silva, um estudioso do período:

A economia brasileira entrara em um longo ciclo depressivo, desde 1962, agravado por uma inflação crescente, que paralisava as obras consideradas básicas pelo governo, visando a uma melhor distribuição de renda, e causava forte pressão sobre os salários, originando um clima de enfretamento entre patrões e empregados, que vinha se somar à crise política mais geral. 4
Diante das turbulências e do acentuado perfil popular e nacionalista do governo janguista o princípio da submissão às autoridades constituídas sofreu arranhões: os batistas passaram a preocupar-se com os destinos do País e construíram veladas críticas, ao mesmo tempo em que acionavam os mecanismos religiosos que consideravam eficazes para solucionar os problemas brasileiros: oração e leitura da Bíblia. A liderança batista reconhecia “quão duras tem sido as dificuldades administrativas e como é grave a problemática nacional” 5. Tal reconhecimento e solidariedade foram declarados de viva voz, por um grupo de batistas, dentre outros evangélicos, os quais foram recebidos pelo Presidente João Goulart em audiência especial.

A lealdade e a submissão ao governo foram destacadas, porém uma outra interpretação do fato pode ser acrescentada: mais uma vez, na iminência de um desfecho trágico para a crise, os batistas queriam garantias da continuidade da liberdade religiosa, do respeito ao princípio constitucional e que não seriam molestados. Ao mesmo tempo era um voto de confiança e solidariedade, embora efêmero e pontual, como veremos a seguir. O Pastor Eber Vasconcelos, da Igreja Memorial Batista de Brasília, foi o porta-voz do grupo evangélico que visitou Jango e explicitou sua opinião nos seguintes termos:

...Aqui estão os pastores evangélicos do Distrito Federal, representando cerca de 60 igrejas numa sincera e desinteressada homenagem a Vossa Excelência. Aqui estamos para trazer nossa palavra de solidariedade. Não viemos pedir – pois o povo evangélico não pede – mas para dar nosso apoio moral e nossa assistência espiritual ao governo de Vossa Excelência. A Bíblia nos ensina o respeito às autoridades legalmente constituídas e nos concita a colaboração com aqueles que trabalham com o bem-estar coletivo... tem Vossa Excelência nosso apreço e simpatia.6
No caso específico da conjuntura crítica do governo Jango, o princípio da submissão e da lealdade se configurava especialmente no plano da retórica, críticas veladas e cautelosas passaram a figurar nos periódicos batistas. Com o agravamento da crise no último trimestre do ano de 1963 “o discurso do jornal Batista passou a discorrer sobre o comunismo, a tratar, sutilmente, o governo de forma mais crítica como na reportagem que noticiava uma palestra em uma Faculdade Batista sob o capcioso título: “Devemos temer o comunismo, mas, devemos temer muito mais, uma democracia em podridão” 7.
OS GUARDIÕES DA DEMOCRACIA AMEAÇADA
A crise social e política do governo Goulart foi adensada por vários movimentos contestatórios, inclusive motins dentro das forças armadas, a exemplo do motim de suboficiais as Aeronáutica e da Marinha que eclodira em Brasília no final de 1963, exigindo direito de voto e melhores condições na tropa. Com firmeza e dificuldade o Governo tentou contornar a situação “através da decretação do Estado do Sítio, esvaziada pelos ministros militares, deixando a nu a falta de apoio ao presidente” 8. O golpe, tramado desde 1961 pelos militares, teve um desfecho rápido e com o apoio de políticos civis como: o Governador de Minas Gerais Magalhães Pinto (UDN); Ademar de Barros Governador de São Paulo (PSP); Carlos Lacerda, Governador da Guanabara (UDN). Tentando evitar “um banho de sangue” o Presidente Goulart não reagiu e seu cargo foi declarado vago pelo Congresso Nacional. Era março de 1964, o início de um longo regime militar discricionário e repressor das liberdades democráticas, o qual achacou a nação brasileira por duas décadas.

As representações construídas, oficialmente, pelos batistas eram assaz peculiares. Na concepção dos irmãos da Convenção Batista Brasileira o golpe militar de 1964 era, contraditoriamente, uma intervenção política em defesa da democracia e da nação. Um beneficio ao País que vivia ameaçado em sua ordem democrática e o ex-presidente deposto só merecia críticas, muito menos solidariedade como havia jurado um ano atrás em visita especial a João Goulart. De imediato, os líderes batistas legitimavam o golpe e o regime militar. Apenas 12 dias após a eclosão da quartelada, publicavam nas páginas do Jornal Batista:

Os acontecimentos militares de 31 de março e 1o de abril que culminaram com o afastamento do Presidente da República vieram, inegavelmente, desafogar a nação... O presidente que vinha fazendo um jogo extremamente perigoso foi afastado. A democracia já não está mais ameaçada. A vontade do povo foi entendida e respeitada... o povo brasileiro por sua índole, pela sua formação, repele os regimes totalitários e muito particularmente o regime comunista.9
A pseudo omissão dos batistas frente às questões políticas do País se desvelou, para mostrar uma face ideológica e conservadora, aparentemente contraditória ao condenar o totalitarismo comunista, mas ao mesmo tempo legitimar o golpe militar, como se o mesmo não fosse um golpe de força que instalaria um regime totalitário, tanto quanto o comunismo que rejeitavam.

No processo de legitimação do golpe civil-militar de 1964 pelos líderes batistas, ressalta o conservadorismo político da Denominação Batista, o qual deve ser entendido a partir de alguns fatores determinantes: ao longo de sua trajetória nos EUA e particularmente no Brasil, decorrentes da correlação de forças no próprio campo religioso brasileiro, os batistas desenvolveram uma perspectiva particular de democracia, que se confundia com a garantia de liberdade religiosa. Se apenas o direito de culto fosse preservado estavam democraticamente contemplados. No imaginário batista a democracia era o seu modelo eclesiológico. O teólogo batista A. B. Langston escreveu um opúsculo editado pela Casa Publicadora Batista, em 1917, intitulado A Verdadeira Democracia, a qual, segundo o autor, acontecia plenamente entre os batistas10 e os mesmos deveriam pugnar pela mesma, pois o Evangelho necessita de um ambiente democrático para florescer.

Um outro fator que jogou um papel fundamental nesse processo de legitimação do golpe de 1964 foi a oposição ao comunismo. O medo e o pavor do comunismo faziam parte do imaginário batista, aprendido com os irmãos norte-americanos desde o início do século XX com o advento da Revolução Russa. Os batistas condenaram o regime russo resgatando representações muito caras do ideário batista e protestante em geral: esconjuravam o comunismo como algo diabólico e convocavam o Senhor dos Exércitos para destruí-lo, pois o mesmo era parte do reino do Diabo 11.

Do ponto de vista da liderança batista, o comunismo precisava ser combatido pelo seu ateísmo e negação da religião. Dois meses antes da eclosão do golpe de 1964, distante do avanço dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais, num trocadilho capcioso os batistas desqualificavam as idéias comunistas: “o comunismo e não a religião é que é o ópio do povo. Por isso andam muito narcotizados e já não podem pensar por suas próprias cabeças à luz do Evangelho de Cristo” 12.

O ateísmo era a principal crítica que se fazia ao comunismo. “Observa-se, portanto, que o discurso anticomunista defendido no meio batista transcendia o terreno político onde comumente se faz a crítica a essa ideologia para o campo religioso”. 13 A imprensa batista, no período, reverberou insistentemente contra o comunismo, o “perigo vermelho que rondava o País e queria tirar Deus dos corações:

Nikita Krushev, Titov, Mao Tse-tung, Fidel Castro. São homens que derramam ódio pelo mundo e o seu principal e obstinado objetivo é desarraigar a idéia de Deus do coração humano... Odeiam, espalham a guerra, semeiam a destruição, tiram a vida do seu semelhante e se dizem promotores e mantenedores da paz.14


Um outro aspecto a ser considerado no processo de legitimação do golpe de 1964 no bojo do “perigo vermelho,” foi a guerra fria mantida pelos EUA e os países do bloco comunista. Os irmãos batistas brasileiros tinham profundos laços espirituais e ideológicos com os “irmãos da Outra América”. Os Estados Unidos, ferrenho opositor do socialismo e mentor de vários golpes e governos militares na América Latina, também eram o “berço do Evangelho”, a nação evangélica que mandava missionários filantropos e bem intencionados para o território brasileiro.

Os EUA eram a “utopia implícita do protestantismo brasileiro”, como asseverou Rubem Alves 15. Os americanos abominavam o comunismo e na ótica dos batistas os EUA chegaram ao progresso material e cultural em decorrência dos princípios evangélicos e democráticos. Ao que parece prevaleceu a máxima: o que não é bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil, num completo alinhamento ideológico que passava pelos sermões e púlpitos dos missionários norte-americanos batistas. O missionário batista Burley Cader, que missionava na Bahia no período era incisivo nos seus sermões: “Deus usou os militares como instrumentos para salvar o Brasil do comunismo”, dizia em seu português arrevesado com forte sotaque americano-sulista.

Em 1964, o Jornal Batista saiu em defesa do golpe de 31 de março e lamentou o fato de muitos jovens terem sido enganados. “Até em nossas igrejas se produziu a infiltração. Existia a louca idéia de que era possível embarcar-se no mesmo barco dos comunistas para construir os mesmos ideais”16. Este texto era parte do editorial do jornal, escrito pelo Pastor José Reis Pereira, publicado em negrito, certamente para chamar a atenção dos leitores e admoestá-los para não cair no “engodo dos vermelhos”; ao mesmo tempo, era uma demonstração de apoio explícito ao governo militar, instalado pela força das armas. Nesse momento, os princípios democráticos batistas foram completamente esquecidos.

Não podemos olvidar que o programa Aliança Para o Progresso, lançado pelo Governo Kennedy em 1961 e que cobriu toda a América Latina, atingiu também as comunidades batistas do Brasil, as quais recebiam roupas e alimentos dos beneméritos irmãos norte-americanos. Esse programa de ajuda, na verdade, era uma face da guerra fria, uma tentativa de manter a liderança dos EUA no continente, contra as possibilidades de propagação da Revolução Cubana.

Entre os batistas baianos os alimentos para a paz tiveram uma grande aceitação, especialmente nas comunidades de maioria de baixa renda. Em julho de 1962, a Primeira Igreja Batista de Feira de Santana “votou unanimemente entrar na campanha de distribuição de alimentos para a paz”17, angariados por intermédio da Confederação Evangélica do Brasil. É importante salientar que os membros da comunidade já percebiam a importância da assistência social, a ponto de criar uma comissão específica para este trabalho, que se constitui das pessoas mais destacadas na hierarquia do grupo. Essa comissão deu prosseguimento e em dezembro de 1962 distribuiu víveres para as famílias necessitadas por ocasião do natal. Convém salientar que os batistas brasileiros não participavam da Confederação Evangélica do Brasil, mas se beneficiavam dos programas assistencialistas mantidos pela mesma em convênio com instituições norte-americanas.
DA SIMPATIA À COLABORAÇÃO POLÍTICA
O espírito proselitista tão característico da Denominação Batista, diante da crise que o Brasil vivia às vésperas do golpe civil-militar de 1964 foi o motor de uma grande campanha de evangelização nacional, a qual pretendia ser a solução para os graves problemas do País. Em janeiro de 1964, reuniões na Convenção Batista Brasileira, no Rio de Janeiro a liderança denominacional assim se expressou:

Considerando a gravidade do atual momento brasileiro, que está a exigir uma participação mais efetiva dos batistas, eis que êles têm uma mensagem decisiva para a atual conjuntura; considerando que tal participação se faz urgente, tamanha é a vertiginosidade com que os acontecimentos se sucedem fazendo prever profundas mudanças no país, considerando que é missão precípua dos crentes evangelizar, para o que contam com o apoio irrestrito de Cristo; Propomos que a CBB lance, nos primórdios de 1965, uma Campanha Nacional de Evangelização...18


A proposta da realização da campanha evangelística foi aceita pelos convencionais, organizada e propagada ao longo do ano de 1964, como uma revolução espiritual que iria ao encontro do povo brasileiro. Os órgãos informativos da Denominação foram eficazes veículos da propaganda evangelística, uma verdadeira panacéia para a enfermidade do País, garantia o Presidente da CBB, Pastor Rubens Lopes:

Vai acontecer no Brasil em 1965, outra revolução. Outra, mas esta branca, pacífica, sem sangue. Será uma revolução espiritual, de dimensões nunca vistas na História deste país. Será uma revolução em profundidade. Será uma revolução de consciências. Será uma revolução feita não a partir da pólvora, senão a poder do fermento. 19


No discurso pastoral a pólvora era uma representação das força militares à serviço dos governantes e o “poder do fermento” referia-se ao poder e a eficácia da “Palavra de Deus”, era um representação bíblica que indicava o poder do Evangelho para solucionar os problemas políticos. Uma clara referência à parábola de Jesus: “O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado” 20.

O mote da campanha, Cristo a Única Esperança, claramente se reportava ao contexto sócio-político do Brasil. O hino oficial, divulgado em todas as vias de comunicação da Denominação Batista, era uma conclamação aos fiéis para as lides proselitistas, ao mesmo tempo uma profissão de fé no poder regenerador do Evangelho e as bênçãos que o mesmo traria para o País. Eis algumas estrofes, cantadas em vibrante ritmo de marcha:

Do Amapá ao Rio Grande

Do Recife ao Cuiabá

Grita a angústia que se expande

A verdade onde estará?

Cristo é a única esperança

N
côro


este mundo tão hostil

Para a santa liderança

O Evangelho no Brasil!

...Cada qual se torne um crente

Para benção do país. 21
A campanha nacional de evangelização foi uma das respostas dos batistas à conjuntura nacional durante o golpe de 1964. A outra atitude, complementar às suplicas e campanhas proselitistas, foi uma densa articulação com os governos militares. A pseudo omissão política dos batistas desvelou-se publicamente: não só legitimavam o regime militar, mas passaram a colaborar com as instâncias governamentais e a pleitear, num jogo de intensas barganhas, cargos e postos políticos em nível federal, estadual e municipal. Convém destacar que este posicionamento da Denominação Batista também ocorreu entre outras denominações evangélicas, a exemplo dos presbiterianos 22.

Conforme as fontes batistas, a cooperação com os governos militares se concretizou em vários estados da federação. Nesta comunicação destacaremos o Estado da Bahia, pela sua representatividade numérica e simbólica no interior da Denominação Batista Brasileira, haja vista o seu papel de sede nas origens denominacionais e celeiro de grandes lideranças.

A Convenção Batista Baiana no período estudado congregava dezenas de comunidades, dentre elas a Igreja Batista Sião, fundada em 1936 e dirigida naquele momento pelo doublé de pastor e militar da reserva, o Rev. Valdívio de Oliveira Coelho. Tratava-se de um grupo de classe média ascendente, formado por várias categorias, dentre elas profissionais liberais, médicos, estudantes universitários e militares em busca de visibilidade e participação na sociedade circundante. Sião era considerada a comunidade batista baiana mais prestigiada no período. Tal prestígio advinha da sua composição social e das relações políticas desenvolvidas pela sua liderança, a qual contava com os irmãos militares e a carismática presença da Dra. Alzira Coelho Brito, irmã sanguínea do Pastor Valdívio Coelho e casada com o deputado federal pela Arena Raimundo Brito, descendente de tradicional família baiana.

O advogado e Professor da UFBA, Raimundo Brito era um político profissional, que começou a carreira parlamentar em 1934, na Assembléia Legislativa da Bahia, vinculado a UDN e ao interventor da Bahia Juracy Magalhães. Reeleito em várias legislaturas, Brito na ocasião do golpe civil militar pertencia ao Partido Republicano, mas logo de imediato perfilou-se na ARENA. Com uma folha de serviços prestados aos evangélicos, após a instalação do governo militar em 1964, transformou-se no grande articulador e mediador entre os batistas e as autoridades militares que governavam o País. Em 1967 foi considerado pelo jornal O Estado de São Paulo o melhor deputado da Câmara Federal 23.

Em 1967, na vigência da Ditadura Militar, o Pastor Ebenézer Cavalcanti, líder batista, que pastoreava a Igreja Batista 2 de julho, em Salvador, definiu a atuação de Raimundo Brito em “defesa dos evangélicos”, nos seguintes termos:

Aquela época era ele uma espécie de porta-voz dos evangélicos nas relações públicas. Desde então não mudou, antes se intensificou e ampliou essa espécie sui generis de mandato implícito. Sempre advogou gratuitamente, interesses das igrejas e entidades evangélicas. Sua eleição se tem devido, em larga medida, ao eleitorado evangélico, a que serve.24


A barganha e o clientelismo político, que trocava votos por serviços assistencialistas, foi a tônica da intermediação que o Dr. Raimundo Brito desenvolveu entre os batistas e os militares. O Hospital Evangélico da Bahia, empreendimento capitaneado pelos batistas, especialmente pelo Pastor Valdívio Coelho e Dra Alzira Coelho Brito foi a concretude da política do “é dando que se recebe” e do alinhamento da Denominação Batista ao regime militar. Segundo o Pastor Ebenézer Cavalcanti se referindo ao deputado federal Brito: “Sua vida ficará marcada na História pela fundação e funcionamento do Hospital Evangélico da Bahia, a que tem dado o melhor dos seus esforços”.25

Em 1966, numa demonstração de prestígio e colaboração, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, então presidente do País, doou um vasto terreno ao Hospital Evangélico da Bahia e pessoalmente lançou a pedra fundamental do referido hospital, no bairro de Ondina em Salvador. Fontes iconográficas e impressas registraram o evento e a presença do marechal-presidente, recebido e ciceroneado entre os batistas pelo Pastor, Valdívio Coelho, os diáconos Raimundo e José Coelho, Dra Alzira C. Brito e o Deputado Federal Raimundo Brito 26. Ainda nesse mesmo ano o referido hospital foi considerado de utilidade pública, tendo na sua diretoria como patrono o “amigo dos evangélicos” Dr. Raimundo Brito.

Em 1971, o então Deputado Federal Antonio Carlos Magalhães foi indicado pelos militares para o Governo da Bahia. ACM, como viria a ser denominado no ambiente político, coordenou e consolidou sua liderança nas bases políticas da capital e do interior baiano. Ampliando seu raio de ação não esqueceu dos evangélicos, muito menos dos batistas. No mesmo ano o Governador Magalhães convidou o deputado federal Raimundo Brito para ser Secretário da Justiça de seu governo. 27

Nas memórias escritas por Dra Alzira Brito, estão registrados as principais realizações do Secretário Brito, destacando-se a construção de fóruns no interior da Bahia. Em meio ao autoritarismo dos militares e a truculência de ACM, dir-se-ia que o secretário de justiça não teria muitas possibilidades de atuação, mesmo se o quisesse. Ao que parece a aplicação da justiça nesse período ficou circunscrita e delimitada aos espaços físicos, bem distantes dos porões e calabouços que a ditadura forjou no estado baiano e em todo território brasileiro.

As alianças entre o governo militar e os batistas baianos culminou com a indicação do Dr. Clériston Andrade, advogado bem sucedido, alto funcionário do Banco do Estado da Bahia e diácono batista conceituado, ao cargo de Prefeito da Cidade de Salvador, para o período de 1971 a 1975. O prestígio amealhado por Clériston Andrade nos espaços políticos baianos e brasilienses levou à sua indicação, por ACM, à candidato ao Governo do Estado da Bahia, em 1981. A eleição não se efetivou por causa dos eventos patrocinados pelas “forças ocultas,” divinas ou terrestres: “encontrava-se Clériston Andrade em campanha eleitoral no interior do estado quando foi vitimado por um desastre aéreo a menos de um mês das eleições”.28

Os batistas baianos jamais haviam chegado tão próximos das entranhas do poder. Clériston Andrade era um atuante diácono da Igreja Batista Sião, posteriormente da Igreja Batista da Graça, tão envolvido nas lides denominações que a grande imprensa se reportava ao mesmo como “pastor batista”. Tanto no Jornal Batista, quanto no Jornal Batista Bahiano foram registrados recorrentes reportagens e eventos enaltecendo a atuação do “nosso irmão prefeito Dr. Clériston Andrade”. Eis um extrato do relatório do missionário B. Cader, o qual era secretário executivo da Convenção Batista Baiana no período:


Pela primeira vez na história da Bahia, onde o país e o trabalho Batistas nasceram temos um crente como prefeito. Isto é uma grande vitória. Dr. Clériston de (sic) Andrade tem testemunhado do poder do Evangelho pelo seu caráter cristão, pela sua maneira de viver corretamente, e imparcialidade nas suas decisões. Cada crente Baiano deve orar por este servo de Deus 29.
A “maneira de viver”, o “caráter cristão”, nas palavras do missionário, eram requisitos para a realização da vocação política por parte do Dr. Clériston Andrade, desconsiderando as alianças e relações políticas, de caráter essencialmente clientelista, e as disputas político partidárias, em um momento de maior endurecimento do regime militar no Brasil.
A indicação do Diácono Batista Clériston Andrade para administrar a cidade de Salvador, sede do Arcebispado Primaz da Igreja Católica Brasileira, se constituía para os irmãos batistas como uma grande conquista, de extrema relevância para um grupo religioso que buscava visibilidade. As vésperas do seu centenário, considerada a Denominação Evangélica que mais crescia no período, portanto um denso eleitorado majoritariamente conservador configurava-se para os militares como um forte aliado. Aliados preferenciais, especialmente quando parte do clero católico baiano estava alinhado à Teologia da Libertação e fazendo coro contra os desmandos da ditadura militar.

Em 1964, os batistas se auto-reconheciam como “uma força ponderável, que ainda não foi suficientemente explorada”,30 conforme o Pastor Rubens Lopes, na ocasião presidente da Convenção Batista Brasileira.Uma década após, em pleno governo militar, as fontes denominacionais revelam que tal potencial, certamente numérico e qualitativo começava a ter visibilidade, inclusive entre as autoridades governamentais. Conforme o texto/relatório da Convenção Batista Brasileira, realizada em 1975:

No Brasil, nesta década o nome Batista se tornou sinônimo de evangelista e o povo batista ganhou reconhecimento e admiração do povo e governo do país. O impacto foi além das fronteiras e hoje os batistas brasileiros se assentam ao lado dos “vip” batistas do mundo, nos movimentos mundiais de evangelização. 31
Entre a Delação e a Submissão
A liderança da Denominação batista estava satisfeita com os conchavos e alianças com o governo militar, bem como grata a Deus pela benção do reconhecimento das autoridades, seguindo assim o seu tradicional principio de obediência e submissão aos investidos de poder, mesmo que fosse pela força das armas e do arbítrio. No entanto tal posição não foi unânime entre os irmãos batistas. Um segmento minoritário fez severas críticas a ditadura militar, tendo alguns jovens sofrido represálias e prisões.

Tal qual ocorreu em outras denominações evangélicas, os pastores batistas não viam com bons olhos a politização da Juventude Batista Baiana, com uma razoável presença de estudantes secundaristas e universitários, partícipes e coadjuvantes no movimento estudantil organizado, o qual reagiu à ditadura militar e tomou as ruas da capital baiana e das principais cidades do interior, em protesto contra os militares, o acordo MEC-USAID e o imperialismo norte-americano.

Agostinho Muniz, estudante de jornalismo, líder da Juventude Batista Baiana e membro da Igreja Batista 2 de Julho, se reportou ao alinhamento do seu Pastor Ebenézer Cavalcante aos governos militares e como os opositores do regime foram perseguidos dentro da própria comunidade religiosa e excluídos por serem oposição:

1996 é um ano emblemático da liderança protestante e de juventude, porque aí passam a correr as eliminações desse pessoal que não rezava pela cartilha da liderança oficial da Igreja e dos pastores, Ebenézer mesmo, foi o primeiro a comandar uma grande exclusão desses jovens eram poucos, não eram muitos (...). 32


O alinhamento da Denominação Batista à ditadura militar também se configurou no ignominioso papel da delação dos próprios irmãos, ditos “cor-de-rosa”, aos órgãos da repressão. A cor rosa certamente era uma alusão à idéia de que os jovens opositores da ditadura eram comunistas disfarçados, ou “vermelhos” atenuados que se passavam por evangélicos para propagar as idéias subversivas no meio eclesiástico. Eis o relato do ex-presidente da Juventude Batista Baiana:

Em 1966 isso ficou muito claro uma... um engendramento, uma coisa articulada entre a repressão da Ditadura dentro das igrejas e a liderança, os líderes da igreja começaram a reagir contra aquele pessoal, que dentro da própria igreja era chamado de muito “cor de rosa”, alguns chamados de comunistas como foi o meu caso que denunciado ao serviço de pressão ao comunismo fui denunciado como sendo atuante comunista, como tendo ligações com o Partido Comunista fora da Igreja e eu atuava na igreja como um braço do Partido... eu nunca fui comunista, nunca pertenci ao Partido, nunca me atraiu o materialismo histórico.33


Convém ressaltar, que a repressão eclesiástica ou religiosa não apenas se deu através da delação, nem sempre confirmada de cooperação com os comunistas. Também ocorria como uma espécie de autopunição ou desencargo de consciência frente aos rigores doutrinários e das práticas conservadoras dos batistas Outros jovens protestantes aderiram ao PC, a exemplo de Norberto Bispo Santos Filho, membro da Igreja Batista Dois de Julho, em Salvador, dirigida com mão forte pelo Pastor Ebénezer Cavalcanti. O jovem estudante do Colégio Central, em Salvador, fez parte de um grupo de ativistas nos anos 60, não chegou a ser preso, pois faleceu antes da polícia vasculhar a sua residência e ameaçar os membros da família. Segundo relato de sua irmã, Profa. Ellen Melo, o mesmo “não agüentou a pressão e pediu o seu afastamento da igreja, antes que o eliminassem, a igreja não suportava política, nem subversivos”34.

Um outro aspecto a ser ressaltado foi a identificação de ecumenistas e comunistas. Tal confusão ideológico-eclesiástica serviu para justificar expurgos das comunidades e delações de irmãos vistos como ecumenistas aos órgãos repressivos do governo militar.

O proverbial anti-catolicismo dos batistas reacendeu frente ao envolvimento de setores da Igreja Católica com a resistência à ditadura. Nas páginas do Jornal Batista o setor progressista católico foi identificado como terroristas que queriam desestabilizar o governo militar, isto em pleno 1969, no auge do processo de repressão aos portadores de idéias oposicionistas:

Um dos grandes assuntos do momento é essa da prisão de padres, frades e freiras suspeitos de maquinações com grupos terroristas.

Quanto a dois desses eclesiásticos não há dúvida de que faziam causa comum com os terroristas, pois foram eles mesmos que forneceram os recursos para uma cilada em que o principal chefe desses profissionais da violência foi morto pela polícia... Assim, pois, a prisão de tantos eclesiásticos deve ter sido causada por motivos extremamente sérios.35
Referiam-se ao cerco e assassinato do militante comunista Carlos Marighella em 4 de novembro de 1969 e acusavam os padres dominicanos de proteger os terroristas e subversivos “inimigos do regime”. Se os padres católicos eram inimigos do regime militar, por seu turno os batistas queriam ser vistos como ordeiros e obedientes ao sistema.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos observar na análise do material pesquisado que a Denominação Batista Brasileira desenvolveu práticas, discursos e representações muito peculiares sobre o regime militar instalado no País em 1964 e as afinidades eletivas entre o conservadorismo batista e a ditadura militar produziu convergências ideológicas e cooperação efetiva da Convenção Batista com as autoridades e governo militares. Na Bahia tal articulação política foi mediada por dois grandes políticos da época: o Governador Antonio Carlos Magalhães e o Deputado Federal Raimundo Brito.

O assistencialismo batista aliou-se ao clientelismo que grassava a política brasileira, propiciando assim, barganhas, troca de favores e benesses, os quais transcendiam o individualismo e justificava-se como caridade cristã, feita para a glória de Deus. A eleição em 1966 de vários deputados batistas e a indicação de irmãos para cargos executivos, a exemplo do Dr. Clériston Andrade, como prefeito de Salvador na década de 1970, foi a culminância desse alinhamento político.

Estas são apenas considerações, há muito que pesquisar e investigar sobre este tema tão instigante isto é, as relações entre a religião e a política na recente História do Brasil e o papel que os batistas e demais evangélicos representaram.
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1 BOURDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Simbólicas, p. 69.

2 CHARTIER, Roger. A História Cultural entre Práticas e Representações, p. 23.

3 Romanos 13

4 SILVA, Francisco Carlos Teixeira. A Modernização Autoritária: Do Golpe Militar à Redemocratização 1964/1984. p. 316.

5 O Jornal Batista 25/05/1963. p. 05

6 Idem

7 APUD, ALMEIDA, Luciane. O Jornal Batista de 26/10/1963

8 SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. A Modernização Autoritária Do Golpe Militar à Redemocratização 1964/1984: p. 321.

9 O Jornal Batista, 12/04/1964, p. 03

10 Opus cit p. 18.

11 O Jornal Batista, 07 /04/1927 p.9

12 O Jornal Batista, 25/01/1964. p. 08

13 ALMEIDA, Luciane.A Igreja Anticomunista... pág. 32

14 O Jornal Batista, 03/05/1964. p. 6

15 ALVES, Rubem. Protestantismo e Repressão. p.239

16 O Jornal Batista, 12/04/1964, p. 3

17 Livro de Atas da Primeira Igreja Batista de Feira de Santana

18 Atas e Relatórios da Convenção Batista Brasileira, janeiro de 1964, p. 166.

19 O Jornal Batista 20/09/1964

20 Bíblia Sagrada, Mateus 13v. 33

21 Convenção Batista Brasileira. 57a Assembléia. 1975, p 13.

22 Cf. ARAUJO, João D. Inquisição sem Fogueiras 1985 e CAMPOS Leonildo Silveira. Protestantes na primeira Fase do Regime Militar Brasileiro. 2002.

23 BRITO, Alzira Coelho. Evocações. 1989, p.96.

24 Idem, p. 96

25 Ibidem

26 Idem, Ibidem p. 97 e Documentos avulsos da CESE

27 BRITO, Alzira Coelho. Evocações, p.16 e 5

28 TAVARES, Luiz Henrique Dias. História da Bahia, p. 491.

29



30 Atas e Relatórios da Convenção Batista Brasileira, 1964 p. 166.

31 Atas e Relatórios da Convenção Batista Brasileira, 1975 p. 173

32 Entrevista à autora em 02/03/2007

33 Idem

34 Entrevista à autora em 3/3/2007

35 O Jornal Batista, 07/12/1969




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