Operações na Frente Leste



Baixar 92,91 Kb.
Encontro12.09.2017
Tamanho92,91 Kb.

Operações na Frente Leste

 

Avança o "rolo compressor" russo

Ofensiva russa no outono de 1944

Luta na Hungria

Cerco de Budapeste

 

 



O segundo semestre de 1944 se caracterizou por uma reviravolta decisiva das ações em detrimento das armas alemãs. Em toda a Frente Leste, combatendo sem trégua, os exércitos russos martelavam incessantemente os já debilitados redutos alemães, obrigando-os a ceder terreno. Paralelamente, os pequenos países do leste europeu, que haviam sido arrastados à luta, esgotadas suas possibilidades e depreciadas suas economias, só viam a única possibilidade de sobrevivência, através de um rápido armistício. A Alemanha, no entanto, tinha que lutar em duas frentes: a do Leste, golpeada sem trégua pelos exércitos russos, e a do Oeste, onde os efetivos aliados cresciam assustadoramente, ameaçando converter-se numa onda incontida de blindados, apoiada por inúmeras formações aéreas e seguido por centenas de milhares de infantes.

 

O coração do Terceiro Reich, por outro lado, via-se assediado constantemente pela aviação aliada, que atacava sem interrupção, devastando cidade após cidade.



 

A situação, para a Alemanha, alcançava os limites trágicos. Ao recuo nas Frentes Leste e Oeste se unia o sofrimento da população civil, sobre a qual pendia a terrível ameaça aérea.

 

Os alemães já haviam suportado os terríveis bombardeios do ano de 1943. A aviação britânica, independente da americana, já havia lançado sobre a Alemanha cento e trinta e seis mil toneladas de bombas. A isto se somou, depois, a implacável ação dos pilotos americanos. Milhares de bombas caíam dia e noite, em interminável sucessão, sem que o defesa antiaérea e os caças aalemães pudessem evitar.



 

Já no início de 1944 as perspectivas eram as mais pessimistas para o lado alemão. A 1o de janeiro desse ano um ataque maciço a Berlim deu início ò campanha. Em seguida, mil e oitocentas toneladas de bombas arrasaram Frankfurt. A 19 de janeiro, começaram os grandes ataques contra Leipzig. No dia 20 foi a vez de Stuttgart. A 22, três mil toneladas de explosivos caíram sobre Frankfurt. Nuremberg foi reduzida a cinzas e Cassel se converteu numa cidade morta.

 

Somente entre janeiro e fevereiro de 1944, os aviões americanos lançaram sobre a Alemanha quarenta e nove mil toneladas de bombas. Esta cifra se elevaria até o fim do ano, chegando a quinhentas mil toneladas.



 

Paradoxalmente, no entanto, a recíproca alemã não era verdadeira. Neste mesmo período os bombardeiros alemães despejaram sobre a Inglaterra somente mil e setecentas toneladas de explosivos...

 

As incursões aliadas mantiveram o mesmo ritmo até maio de 1944, quando, então, por exigências da iminente invasão ao continente, as cidades alemães tiveram um pouco de paz.



 

Deve-se destacar, todavia, que a habilidade alemã havia dado seus frutos. Uma inteligente descentralização de fábricas e indústrias tinha permitido aos alemães não só manterem sua produção em ritmo acelerado como também atingirem índices nunca alcançados até então, haja visto o caso da indústria aeronáutica. Em 1944, com efeito, as fábricas de aviões lançaram à luta 40.590 unidades (sendo 25.285 caças) em contraposição às 10.246, em 1940, e 12.401, em 1941.

 

Isto se devia precisamente às medidas tomadas para evitar os bombardeios aliados, posto que a maior intensidade da ofensiva americana no ar havia sido dirigida contra a indústria aeronáutica. O setor Brunswick-Leipzig, as fábricas Messerschmitt de Leipzig-Erla, as de Ratisbona, Augsburgo, Furth e Stuttgart haviam sofrido prejuízos consideráveis. Durante o mês de abril, vinte e quatro mil toneladas de bombas haviam caído sobre as fábricas de aviões de Aschersleben, Bernburgo, Rostock, Stettin-Arninswalde, Augsburgo, Oberpfaffenhofen, Schweifurt e Lochfeld.



 

Como conseqüência, estas e as demais fábricas foram transferidas para túneis, grutas, pequenos povoados interioranos e bosques, sendo de tal forma camufladas que os ataques seguintes não conseguiram atingi-las. Isso possibilitou que, em pleno ano de 1944, as fábricas de aviões atingissem índices nunca vistos.

 

No que diz respeito às ações contra os centros de produção de carburantes, os principais ataques tiveram início em maio de 1944. As refinarias situadas no coração da Alemanha foram atacadas impiedosamente, apesar dos caças alemães. O papel que os pilotos alemães haviam representado na Segunda Guerra chegava ao seu fim. Varridos do céu pelas gigantescas formações anglo-americanas, "as águias", no seu crepúsculo, tinham de contemplar, impotentes, a destruição dos depósitos e refinarias. Como conseqüência, a produção caiu para menos da metade, descendo de 416.000 toneladas, no mês de maio, para 107.000, em setembro. Em resumo, em meados de 1944, a Alemanha se transformava lentamente em um montão de ruínas fumegantes.



 

 

 



 

A luta na Hungria

 

Em novembro de 1944, enquanto o coração da Alemanha era minucioso e metodicamente destruído pelos sucessivos bombardeios aliados, que varriam áreas predeterminadas com milhares de toneladas de bombas incendiárias e explosivas, na Frente Leste os exércitos alemães enfrentavam uma situação dramática.



 

Na Hungria, por essa época, a batalha alcançava sua máxima violência. Nas proximidades de Budapeste, na planície que se estendia entre a velha capital húngara e a cidade de Tokai, a uns 200 km a nordeste, quase cem grandes unidades russas, integradas por infantes e forças blindadas, haviam sido contidas em seu avanço. Assim, combatentes alemães, dez vezes inferiores em número ao seu antagonista, conseguiram paralisar, em novembro de 1944, o avanço russo naquele setor.

 

A grande batalha da Hungria continuaria, assim, sem solução de continuidade, durante todo o inverno. Mas ao sul, entretanto, a uns 200 km de Budapeste, às margens do Danúbio, os efetivos da Terceira Frente da Ucrânia, comandados por Tolbuchin e reforçados pelas tropas oriundas da Iugoslávia e parte da Segunda Frente da Ucrânia, de Malinovski, conseguiram quebrar o desesperada resistência das forças do 2o Exército Húngaro. O valor das combatentes da pequena e heróica nação em nada resultou ante a incontestável superioridade das tropas soviéticas. A conseqüência foi o imediato cruzamento do Danúbio pelos russos e a captura da cidade de Fünfkirchen, a 40 km a oeste. A interrupção devida à debilidade da frente alemã neste setor, onde se uniam as forças do Grupo de Exércitos Sul e do Grupo de Exércitos F, provou o erro do Comando Supremo ao emprestar a esta zona escassa atenção e, conseqüentemente, a intenção soviética de cercar Budapeste.



 

Restava agora, a cargo do Grupo de Exércitos Sul, a tarefa de retirar do setor da frente de Hatvan, nas proximidades da capital da Hungria, duas divisões, que deveriam ser deslocadas, sem demora, para o sul de Budapeste, onde formariam uma linha de retenção para os exércitos russos, que avançavam ameaçadoramente do sul, após terem cruzado o Danúbio.

 

Chegou assim 1o de dezembro e, nesse período, os efetivos da Terceira Frente da Ucrânia iniciaram a investida a oeste do Danúbio. Avançando por Kaposvor, a 80 km do Danúbio, os formações soviéticas iniciaram a conversão para o norte, no flanco do Grupo de Exércitos Sul.



 

Simultaneamente, forças russas cruzavam o Danúbio na altura da cidade de Dunafoldvar e pela ilha Czepel, a uns 150 km de Budapeste.

 

Também ao norte de Budapeste, no setor de Hatvan, a 50 km da capital, os efetivos russos da Segunda Frente da Ucrânia, integrados por numerosas unidades blindadas, se lançaram à ofensiva. O objetivo era o ponto de encontro dos 6o e 8o Exércitos, dispostos ao norte de Budapeste. Após setenta e duas horas de intensa luta, o avanço russo pôde finalmente ser contido. Em linhas gerais, o duplo ataque russo mostrava claramente a intenção de envolver Budapeste, seguindo paralelamente um eixo que conduziria seus efetivos até Viena.



 

As forças germano-húngaras, que ofereciam resistência ao avanço russo, eram frágeis e insuficientes. Os reforços propalados por Guderian, com a finalidade de defender a capital da Hungria, em cumprimento do diretivo de Hitler de lutar por Budapeste "casa por casa", limitaram-se a três divisões, que, logicamente, eram mais do que insuficientes para restabelecer um equilíbrio de forças que antevisse a estabilização da frente de luta em um prazo mais ou menos próximo.

 

À carência de tropas se acrescia, no "front" germano-húngaro, a notória diminuição das reservas de combustível e munições, que já atingiam níveis críticos. Isto vale dizer que as esgotadas e estropiadas tropas deveriam racionar a sua munição e o emprego dos seus poucos blindados. Contribuía ainda para agravar mais a situação o estado das estradas, convertidas em lodaçais e praticamente intransitáveis. O inconveniente que, logicamente, este último fator representava para os russos ficava relativamente amenizado pela enorme quantidade de veículos lançados à luta.



 

Entretanto, ao norte de Budapeste, a situação dos exércitos alemães tornava-se crítica, ante a investida russa. Como conseqüência, com vistas ao perigo iminente de uma perfuração das linhas alemães no ponto de encontro dos 6o e 8o Exércitos, Guderian não viu outra saída senão enviar para o norte parte das divisões destinadas ao sul.

 

Veio o dia 20 de dezembro, época em que os efetivos das Segunda e Terceira Frentes da Ucrânia insistiam, simultaneamente, na ofensiva em ambos os lados de Budapeste.



 

Ao norte da capital húngara, as forças russas conseguiram romper as defesas germano-húngaras e completaram o cerco.

 

O cerco de Budapeste

 

A batalha pela posse da capital da Hungria foi objeto, após a guerra, de muitos estudos político-militares. Analisou-se profundamente a importância da cidade de Budapeste, e as conclusões se inclinaram para dois sentidos diametralmente opostos. Efetivamente, desde a posição de negar importância à capital da Hungria como objetivo vital, até a de convertê-la no ponto-chave da situação na Europa oriental, todas as possibilidades foram aventadas. O certo é que Budapeste, por sua situação geográfica, constituía um baluarte levantado no caminho dos exércitos russos para os centros industriais da Alemanha. E era esse, aliás, o grande alvo dos soviéticos, que procuravam com afã adiantar-se a seus aliados anglo-americanos. O fracasso do plano russo se deveu, precisamente, à férrea resistência dos efetivos húngaros que defendiam sua velha capital.



 

As unidades que defendiam Budapeste do ataque russo pertenciam aos exércitos húngaro e alemão. O primeiro estava sob as ordens do Tenente-General Hindy e era integrado pelas 10a e 12a Divisões de Infantaria, o que se somavam parte da 1a Divisão Blindada, elementos da 1a Divisão de Hussardos, seis batalhões de artilharia, o Batalhão Budapeste, cinco batalhões de gendarmaria, um grupo de artilharia antiaérea, com 160 peças e dividido em cinco batalhões, um grupo de engenharia dividido em três batalhões, um batalhão composto por estudantes universitários, voluntários, as unidades da polícia e grupos menores. Os alemães, por sua vez, sob as ordens do General Pfeffer-Wildenbruck, alinhavam as 8a e 22a Divisões de Cavalaria SS, a 13a Divisão Blindada SS, "Feldhernhalle", e a 13a Brigada Flak.

 

Setenta mil homens era a soma total dos efetivos germano-húngaros, dos quais 55% eram húngaros. No que se refere à artilharia de campanha, o percentual dos efetivos húngaros era de 65%, e na artilharia antiaérea, de 85%.



 

Na noite do Natal de 1944, um grupamento blindado russo ocupou, inesperadamente, as colinas que se estendem a oeste da capital, atingindo pouco depois alguns centros suburbanos. Um contra-ataque empreendido pelo Batalhão Budapeste, apoiado por um batalhão de gendarmaria e alguns canhões de assalto, se fez sentir imediatamente, rechaçando os russos.

 

No setor sul, entretanto, os alemães organizaram a defesa sobre as colinas e retiraram a 8a Divisão de Cavalaria do setor oriental, reforçando assim a defesa do oeste.



 

A 3 de janeiro, os russos, lançando suas unidades ao ataque, conseguiram romper as primeiras linhas defensivas, chegando até ao principal reduto de defesa. Dois dias depois, os soviéticos se apoderaram das instalações do Hipódromo de Budapeste, peça importante da defesa, porque dali levantavam vôo os aviões que transportavam os feridos para a retaguarda e aterrissavam os que transportavam reforços e munições. Na cidade, entretanto, a vida seguia ritmo quase normal.

 

O ataque da artilharia russa, de início, limitou-se a um fogo disperso. Mais tarde, porém, a cortina de fago começou a intensificar-se, chegando a constituir bombardeios maciços de muitas horas de duração. O comércio permaneceu aberto para o público da capital húngara até os primeiros dias de janeiro de 1945. Com o aumento progressivo da intensidade dos ataques da artilharia russa, a cidade começou a mudar de aspecto, dando mostras palpáveis do assédio a que estava submetida. As ruas, pouco o pouco, foram ficando desertas; o abastecimento de gás e de eletricidade, normal a princípio, passou a ser feito com deficiência e interrupção.



 

Por fim, a situação começou a tornar-se crítica, quando, a 1o de janeiro, uma explosão interrompeu o abastecimento de água corrente em alguns distritos. Os problemas que os administradores húngaros enfrentavam atingiam dimensões que escapavam às suas possibilidades de solução, acrescendo ainda que a cidade se encontrava repleta de refugiados, que se somavam à população normal. Desde janeiro, portanto, a população se viu obrigada a viver em sótãos, desprovido de corrente elétrica e, em muitos casos, sem água.

 

A luta prosseguia com intensidade, enquanto os bombardeios russos aumentavam paulatinamente.



 

A essa altura dos acontecimentos, as divisões de cavalaria já sacrificavam seus animais, destinando a carne ao consumo da tropa e da população civil. A ração de pão teve que ser reduzida para 150 gramas diários per capita.

 

Os efetivos alemães tentavam a todo custo romper o sítio. O grupo de exércitos "Balck", reforçado com duas divisões blindadas SS ("Totenkopf" e "Wiking"), atacou a 1o de janeiro. A 8 do mesmo mês haviam atingido perto de 40 km além das linhas de defesa da cidade, ficando, então, retidos.



 

Os russos, por sua vez, como resposta à contra-ofensiva, iniciaram uma violenta ação ao norte do Danúbio. A oportunidade que naquele momento se apresentou aos sitiados para tentar romper o cerco não foi aproveitada, permanecendo as unidades em suas posições.

 

O diário de um combatente húngaro, integrante dos grupos que defendiam a cidade das arremetidas russas, registrou o seguinte: "Nossas jornadas são marcadas por três ataques desesperados dos russos. Estes ataques significam perdas enormes para eles, visto que os combates se desenrolam entre edifícios, onde sua supremacia em artilharia e blindados não pode desenvolver o máximo. Os russos querem romper as nossas defesas custe o que custar e muitas vezes enviam tropas ao ataque até o seu aniquilamento total...".



 

A resistência húngara e alemã, sob incessante e esmagadora pressão, começava a debilitar-se gradativamente. Os defensores da cidade, entrincheirados em suas posições, a defendiam com denodo e heroísmo até o último cartucho e, muitas vezes, até o último soldado. A luta, então bastante confusa, desenvolvia-se bairro por bairro, rua por rua, casa por casa. Reproduzem-se os lances dramáticos do episódio de Stalingrado, quando um edifício se encontrava em poder de russos e alemães, alternados em seus diferentes andares. Finalmente, a 18 de janeiro, os defensores viram-se compelidos a abandonar Peste concentrando-se em Buda. Os alemães, apesar da resistência do Estado-Maior húngaro, fazem voar pelos ares as famosas pontes da velha capital húngara. Ainda no dia 18, os efetivos germano-húngaros realizam uma segunda tentativa no sentido de romper o cerco estendido pelas tropas russas. No ataque tomam parte quatro divisões Panzer e mais as 23a e 25a Divisões de Infantaria Húngara. Nesta oportunidade, os sitiados conseguiram uma penetração em maior escala, sendo mais felizes, portanto, que na tentativa anterior. Todavia, a falta de reforços, bem como os consideráveis contra-ataques russos fizeram fracassar mais este intento. Entre 18 e 29 de janeiro ocorreu em Buda uma relativa calma. Salvo alguns vôos de reconhecimento e um ataque aéreo de grande intensidade, que ocorreu no dia 25, não se verificaram ações de maior vulto. Já a esta altura dos acontecimentos, a cidade e as tropas que a defendiam recebiam seus abastecimentos por meio de pára-quedas, e mesmo assim de forma muito precária e escassa. A fome começava a se fazer presente em todas as horas e os efetivos de defesa viam-se obrigados a realizar um gigantesco esforço para se manterem em suas linhas, sob o fogo do inimigo.

 

Vinte e nove de janeiro foi o dia da ofensiva geral contra Budapeste. A pressão exercida pelas tropas atacantes, aumentando constantemente, abrigou os soldados húngaros e alemães a retrocederem. Já pelo dia 2 de fevereiro os russos avançavam céleres sobre as posições alemãs, ameaçando exterminá-las. Os efetivos húngaros, todavia, contra-atacando vigorosamente, conseguiram deter o avanço soviético mais uma vez, restabelecendo as primitivas linhas de defesa.



 

A partir de 29 de janeiro a situação se tornou tão crítica que os defensores se viram quase que sem qualquer opção, divididos que estavam em dois grandes grupos, um no Monte Gellért e outro no Palácio Real.

 

Por último, os combatentes, obedecendo ordem superior, agruparam suas forças e, rompendo o cerco, abandonaram a cidade, tomando o rumo noroeste. Era a noite de 12 para 13 de fevereiro de 1945.



 

As tropas húngaras, sofrendo pesadas baixas, conseguiram unir-se ao resto das formações no Monte Vértes. A sorte do Tenente-General Hindy, comandante das forças húngaras, não foi das melhores.

 

Os russos, com efeito, à guisa de prêmio a suas tropas pela conquista da cidade, após julgamento sumaríssimo, condenaram à morte e fuzilaram o Tenente-General Hindy.



 

Atividades dos guerrilheiros

 

Em março de 1944, quando os efetivos do 6o Exército Húngaro se apressavam para organizar a defesa do região dos Cárpatos, a situação se lhes apresentava extremamente difícil. O terreno que restava às tropas se mostrava perigoso e inóspito. Os caminhos se encontravam cobertos por espessas camadas de neve que dificultavam sobremaneira o deslocamento das unidades mecanizadas. Grandes bosques cobriam a região, dificultando ainda mais o deslocamento e servindo, por outro lado, de excelente refúgio para os numerosos grupos de guerrilheiros que ali operavam.



 

Os movimentos das tropas húngaras eram seguidos, passo a passo, pelos "partizans", que vigiavam e atacavam constantemente as unidades, principalmente as da retaguarda, desde o interior dos bosques até as costas mais elevadas que dominavam os caminhos. Com efeito, os destacamentos e unidades que cerravam a marcha dos regimentos e divisões tiveram que suportar permanentemente o fogo dos fuzis e metralhadoras que os guerrilheiros faziam de colinas que variavam entre 1.000 e 1.500 metros.

 

O comando húngaro, diante do recrudescimento e periculosidade dos ataques dos guerrilheiros, tomou imediatamente medidas defensivas. Em primeiro lugar, informou à população civil das regiões batidas pelas guerrilhas que a atividade dos "partizans" seria punida com a pena capital, correspondendo idêntico castigo aos moradores que, de uma ou outra maneira, colaborassem com os guerrilheiros. Com relação às unidades húngaras que combatiam contra os russos, deu-se publicidade de uma nota geral, cujos principais pontos eram os seguintes:



1) Os moradores das regiões onde operem guerrilheiros deverão ser transferidos para a cidade, concentrando-se para seu melhor controle. Além disso, todo cidadão deverá levar sempre consigo sua carteira de identidade.

2) Todos os habitantes do sexo masculino, maiores de doze anos, deverão ser registrados em listas especiais.

3) A população de cada região deverá eleger um juiz de paz, que será responsável pela ordem e a segurança do lugar. Além disso, deverá providenciar para que nenhum estranho se abrigue dentro da sua jurisdição.

4) Todos os homens em condições de desempenhar trabalhos físicos deverão organizar-se em grupos de trabalho, que serão alojados em separado. As mulheres poderão afastar-se para apanhar alimentos para sua manutenção, bem como dividi-los com seus parentes.

5) Das dezenove horas até às sete da manhã do dia seguinte, todo os movimentos e saídas à rua estarão proibidos.

6) Quando tiver que se realizar uma demanda, esta deverá ser empreendida por uma patrulha do exército sob o comando de um oficial.

7) A propriedade privada deverá ser respeitada. No entanto, todo aquele que insistir em viver à margem da lei será castigado com a requisição de seus animais.

 

As inúmeras atividades dos guerrilheiros em toda a frente foram mais notórias, especificamente, no setor coberto pela 27a Divisão, cujas linhas de abastecimento se estendiam ao longo de uns 150 km. Sem dúvida, o entrevero de maior importância se verificou no Vale de Bistritza, onde efetivos húngaros da 201a Divisão conseguiram cercar, após dura refrega, um importante grupo de guerrilheiros. Ao completar-se o cerco, das linhas guerrilheiras se destacou um grupo de três homens, um dos quais, munido de uma bandeira branca, fazendo sinais e identificando-se como parlamentar.



 

Cessado o fogo, o guerrilheiro se aproximou das linhas húngaras, identificando-se como combatente guerrilheiro ucraniano e manifestando aos húngaros o propósito de seus camaradas de não combater contra os húngaros e sim contra os russos, seus tradicionais inimigos. Os ucranianos também manifestaram seu desejo de combater os russos em consonância com as forças húngaras.

 

Deve-se destacar que, neste setor, operando como irregulares, se encontravam guerrilheiros que respondiam a três orientações distintas. Um dos grupos era integrado por homens que recebiam ordens do exército vermelho; o segundo estava constituído por membros do UPA (Ucrainsca Povstaucha Armia), exército nacionalista da Ucrânia, inimigo dos soviéticos; o terceiro, finalmente, era o dos guerrilheiros nacionalistas poloneses, que, com os húngaros, chegaram a um acordo, evitando o confronto e colaborando bastante na tarefa comum de enfrentar os russos. A 27 de junho de 1944, um oficial do Estado-Maior do 6o Corpo de Exército da Hungria manteve uma longa entrevista com o chefe dos guerrilheiros da UPA, firmando-se, então, o seguinte acordo, autorizado pelos comandos superiores de ambos os combatentes:



a) A luta contra o bolchevismo é comum. Portanto as formações húngaras e os membros da UPA deverão, de ora em diante, agir em conjunto, evitando ações bélicas recíprocas.

b) As discordâncias que surgirem no decorrer da campanha deverão ser solucionadas por intermédio de conferências e nunca pelas armas.

c) O Exército húngaro lutará na frente de combate e os efetivos da UPA o farão por trás das linhas inimigas, dando combate aos guerrilheiros russos.

d) Para facilitar o contato entre os guerrilheiros da UPA e os efetivos húngaros, aqueles enviarão ao Comando da 27a Divisão Húngara um oficial de comunicações, que gozará de total liberdade de movimentos. Após a conclusão do acordo de 27 de junho de 1944, as atividades dos guerrilheiros ucranianos contra os exércitos húngaros cessaram completamente. O comando alemão, posto a par do pacto firmado pelos comandos húngaros, o aprovou integralmente.

 

As ações seguintes

 

O cerco de Budapeste por parte dos efetivos russos e a conseqüente ameaça de assalto resultou nas seguintes providências nas linhas alemães: o Führer, sem perda de tempo, procedeu às substituições de Friessner por Wöhler e do comandante-chefe do 6o Exército, General Fretter-Pico, pelo General Balck; ordenou, também, o imediato envio à Hungria de um corpo blindado SS, com o objetivo de reconquistar Budapeste; Hitler prometeu ainda enviar outras forças, então estacionadas na frente ocidental, onde nesses momentos tinha início a ofensiva das Ardenas, alcançando êxitos iniciais promissores. O 5o Corpo Blindado SS se lançou à luta a 1° de janeiro, atacando e estabelecendo uma cunha até Bicske, a 25 km a oeste de Budapeste, e até Gran, a 30 km a noroeste. A reação russa foi imediata, detendo a investida inimiga com suas poderosas formações, não sem evitar, entretanto, que as linhas alemães se aproximassem o suficiente para despertar nos comandos germano-húngaros grandes esperanças de um próximo rompimento nas linhas russas, o que permitiria a saída da guarnição sitiada.



 

As esperanças, todavia, eram excessivamente otimistas e, tal como havia advertido infrutiferamente Friessner, o êxito não poderia concretizar-se. O Führer, no entanto, persistia em seus planos desprezando as afirmações de Friessner. Os russos, aproveitando sua superioridade numérica e estratégica, re-encetaram as operações de ataque. A 6 de janeiro, um corpo de exército blindado soviético avançou a curta distância da margem norte do Danúbio em direção do oeste, sobre Komorn, a 70 km a noroeste de Budapeste, e sobre a retaguarda das formações alemães que se acercavam de Budapeste. O 5o Corpo Blindado SS ficava, assim, neutralizado desde a retaguarda.

 

A 11 de janeiro, o Führer ordenou uma mudança no dispositivo das forças blindadas em direção ao sul, com a finalidade de romper as linhas inimigas em Stuhlweissenburg, a 50 km a sudoeste de Budapeste, e avançar de imediato até a capital da Hungria.



 

Esta providência, no entanto, tal como havia advertido Guderian, já se fazia extemporânea e a ajuda não chegaria a tempo.

 

A esta altura dos acontecimentos, os russos já se lançavam à grande ofensiva, preparada desde muito tempo antes, e que abrangia o setor compreendido entre os Cárpatos e o Mar Báltico. Apesar das vantagens auferidas pelos soviéticos, até esse momento, não haverem justificado o emprego das imensas quantidades de tropas e material bélico lançados à luta, existia, todavia, um saldo bastante promissor, ou seja, o de ter obrigado os alemães a retirar importantes dotações de tropas de outros setores de maior importância estratégica, com a finalidade de tentar estabelecer o equilíbrio na frente húngara.



 

 

Anexo

 

Ataque russo

Os ataques maciços russos seguem, sem grandes variantes, as seguintes disposições: o ataque se desencadeia, inesperadamente, em várias direções simultâneas. Graças à ruptura, efetuada em vários pontos, e à rápida arremetida realizada através das brechas por unidades móveis de exploração, as reservas alemães se vêem rapidamente isoladas umas das outras e em seguida vencidas.

Os intervalos entre as brechas próximas são da ordem de 15 a 20 km, o que permite às unidades que atacam, logo após desarticular o dispositivo alemão, estabelecer a unidade entre elas, a partir do segundo dia.

A extensão da frente de ataque, por outro lado, obriga a aviação alemã a dispersar suas unidades de reconhecimento, deixando no comando alemão dúvidas com relação à verdadeira direção do ataque.

O dispositivo de ataque, organizado em profundidade, é formado por dois escalões. No primeiro, à frente, progridem unidades de todas as armas e serviços, apoiados por artilharia e tanques, encarregados que são de realizar a penetração. O segundo escalão, formado à base de unidades blindadas e motorizadas, está destinado a transformar em êxito estratégico o até então êxito tático. As forças móveis deverão alcançar o mais rapidamente possível a retaguarda e as comunicações do inimigo. Para isso, contornam os obstáculos e as resistências organizadas, dos quais se incumbem as unidades de todas as armas que avançam na frente de combate.

Na batalha pela posse de Stalingrado, cuja manobra foi típica e se repetiu em todas as ofensivas posteriores até o final da guerra, a profundidade da progressão das unidades móveis chegou até 100 e 120 km, como no caso das unidades da frente de Stalingrado e das da frente do Don respectivamente. A conjugação das forças se efetua em menos de cinco dias, a uma velocidade de progressão de 30 a 35 km por dia, alcançando em algumas direções 50 ou 60. A velocidade de progressão da infantaria é de 5 a 10 km diários, durante o curso da penetração, e de 20 km em média, durante a progressão posterior. Na batalha de Kursk, quando o ataque alemão foi distribuído por uma extensão de não mais de 100 km, a contra-ofensiva soviética foi ordenada em uma frente de seiscentos. Os alemães se viram então na impossibilidade de empregar suas reservas e de constituírem grupamentos suficientemente fortes para deter o avanço soviético. Foi assim que a divisão blindada SS "Gross Deutschland", depois de haver participado da ofensiva na direção Bielgorod-Kursk, foi lançada em direção a Orel e, em seguida, após a ofensiva da frente de Voroneye, tornou a trazê-la na direção de Akhtirka.

Entre julho e agosto de 1943, as ofensivas soviéticas obedeceram a uma série de manobras coordenadas, obrigando sucessivamente o rodízio das forças alemães que, sem intenção de retirada, se encarregavam da defesa dos centros de resistência organizada. Assim sucedeu em Bolkhov, Mtsensk, Bielgorod, Borissovka, Tomarovka, Orel e Kharkov.

Em 1944, na imensa extensão do "front", se sucederam, sem solução de continuidade e com êxito sempre crescente, as manobras de envolvimento. Destas manobras, as três mais importantes custaram aos alemães um total de 62 divisões, assim distribuídas: Korsun-Shevchenkovski: 10 divisões; Rússia Branca: 30, e Yassy-Kishinev: 22.

À rapidez do avanço soviético se sucederam as interrupções, necessárias para o restabelecimento das comunicações, fazer chegar os abastecimentos e proceder aos reagrupamentos necessários. Além disso, o esforço não podia ser aplicado indefinidamente nas mesmas direções. Desta forma se explicam os golpes de aríete levados a cabo alternativamente pelo exército vermelho, ora num setor, ora em outro do imenso "front", aproveitando sempre as vantagens advindas das ofensivas precedentes. O comando soviético evita, assim, o erro cometido pelos alemães em Moscou (1941) e em Stalingrado (1942), que fizeram penetrar profundamente suas linhas de ataque sem ter certeza de poder supri-las com efetivos e material.

A tática protótipo dos soviéticos pode ser resumida em poucas palavras: penetração, envolvimento, defesa contra possíveis contra-ataques; destruição das forças cercadas e exterminação.

 

 

Guerrilheiros



A importante contribuição que os combatentes irregulares prestaram às potências em luta (principalmente às aliadas) obriga a esboçar uma série de considerações a respeito da situação legal destes homens diante das convenções internacionais.

Deve-:e destacar que os regulamentos de Haia de 1889 e 1907 estabelecem claramente a distinção entre beligerante e não beligerante. Denominamos beligerante a todo indivíduo que faz parte da força armada de um país, que integra sua reserva ou trabalha na indústria bélica ou afins. Por sua vez, entre os beligerantes se distinguem os combatentes e os não combatentes. Os primeiros fazem parte dos grupos armados que constituem as forças regulares de uma nação. Neste caso, ao serem capturados, deverão ser tratados como prisioneiros de guerra, com todas as vantagens que tal condição oferece. A condição de combatente se estenderá, sem distinção de nacionalidade, a todos aqueles que prestem serviços como voluntários a outras nações. Os não combatentes, por seu turno, são os operários das fábricas e todos aqueles que, de uma ou outra maneira, contribuam para o esforço de guerra de um país.

O aparecimento dos guerrilheiros, durante a contenda 1939-45, criou novos e difíceis problemas. No caso dos maquis, especialmente, a situação alcançou lances de singular gravidade. A Alemanha, com efeito, em junho de 1944, pouco depois da invasão do continente pelos exércitos aliados, deu a conhecer uma diretiva que dispunha que os guerrilheiros seriam considerados como franco-atiradores e, como tais, se aprisionados, executados como terroristas. O governo francês de Argel, por sua parte, os considerava como parte integrante de suas forças regulares. Eisenhower, comandante supremo aliado, todavia, os incluía na estrutura orgânica dos seus exércitos.

O fundamental, no entanto, era que, para serem considerados beligerantes, os grupos armados, fossem guerrilheiros, tropas regulares ou milícias, deveriam integrar regiões não ocupadas pelo inimigo, conduzir a guerra de acordo com as leis estabelecidas, usar os uniformes e distintivos correspondentes e empregar meios e procedimentos lícitos.

 

 

Diretiva n° 68



Teleprint

21 de janeiro de 1945

Comando Supremo das Forças Armadas

Minhas ordens são as seguintes:

Os comandantes-chefes, comandantes de exército e comandantes de divisão providenciarão para que me sejam comunicados com a devida antecedência

a) Qualquer decisão que signifique iniciar algum movimento.

b) Qualquer ataque em nível de divisão.

c) Qualquer ação ofensiva nos setores tranqüilos da frente.

d) Qualquer plano para afastar ou unir forças.

e) Qualquer plano para submeter uma posição, um ponto estratégico ou uma fortaleza.

As comunicações deverão chegar a este comando com suficiente margem de tempo para que, se necessário, possamos emitir uma contra-ordem, que, por sua vez, chegue até a linha de frente antes do início das ações.

Os comandantes-chefes, comandantes de exércitos e comandantes de divisão serão responsáveis no sentido de que as comunicações cheguem até mim sem atrasos e sem intermediários. No futuro, qualquer falha que venha a prejudicar estas comunicações será punida severamente.

Assinado, Adolf Hitler

 

 



Bombardeio

"O círculo se fechava em torno da Alemanha. Do leste avançavam os exércitos vermelhos. A oeste, o inimigo efetuava penetrações profundas. O fim rápido era previsto. Há muito tempo que a Alemanha não conhecia um momento de trégua e os Aliados se apoderavam cada vez mais irremediavelmente do domínio dos ares no céu alemão. Desde o mês de fevereiro a morte caía novamente sob a forma de toneladas de bombas.

"A 3 de fevereiro, mil bombardeiros devastaram Berlim. A guerra aérea se desenvolvia com uma violência quase irracional. Apesar de os russos até então se haverem abstido do bombardeio das cidades no oeste, naquele momento o deus da vingança redobrava os golpes de sua espada. Os cavaleiros do Apocalipse se precipitaram sobre a Alemanha.

"A 14 de fevereiro, Dresden foi palco de um espantoso caso. Nenhum espírito humano, por mais forte que fosse, poderia descrever o que passou naquela desgraçada cidade. Nem sequer podemos saber com riqueza de detalhes todos os momentos decorridos durante aquele dia de terror. Dresden era, naquele instante, a cidade da miséria e do desespero. Os observadores aliados viram as imensas ondas de refugiados que, desde o leste, se dirigiam para Dresden. Puderam, com toda a tranqüilidade, voar sobre a cidade e observar a imensa quantidade de homens e mulheres que se amontoavam em suas ruas e praças, debaixo de um frio glacial. Dresden era desprovida de defesa antiaérea. No Grande Jardim e nas margens do Elba, os observadores divisavam as débeis fogueiras feitas por aquelas milhares de criaturas que ali esperavam sob frio e umidade penetrantes... Pois bem, sobre aquela imensa aglomeração, caíram cinco mil bombas explosivas e quatrocentas mil incendiárias..."

 

 

A luta contra o comunismo



Durante a Segunda Guerra Mundial, em todos os países aliados da Alemanha por pactos ou simpatia ideológica, formaram-se organizações que tinham por objetivo o recrutamento de voluntários destinados a combater os exércitos russos. Em todos os casos, o objetivo primordial não era reunir e militarizar homens destinados a combater os cidadãos russos, embora pudesse parecer à primeira vista, mas tão-somente combater a infiltração comunista que o avanço russo trazia consigo. Os voluntários eram incorporados inicialmente por um período de tempo que se aproximava de um mês, com a finalidade de investigar seus antecedentes, bem como impedir que indivíduos perseguidos pela justiça tivessem acesso à organização.

No período citado, os voluntários eram doutrinados no sentido de sua luta futura, aclarando-se-lhes, ainda, que não gozariam de vantagens especiais e franquias de nenhum tipo. Durante os cursos, para os quais era exigido dos alunos única e exclusivamente que fossem anticomunistas, não se entrava em outras considerações políticas, respeitando-se as tendências de cada um. Os voluntários eram instruídos no manejo das armas e recebiam aulas de alemão, praticando ainda esportes e ginástica.

Ao concluir este primeiro período, os voluntários podiam optar pela continuidade no serviço militar ou regressar a seus respectivos países na condição de licenciados. Os combatentes que optavam pela incorporação definitiva no Exército Alemão prestavam o juramento regularmentar e, imediatamente, eram enviados, em grupos de cem homens, aos batalhões das diferentes divisões, onde recebiam instrução militar durante um novo período de quatro meses, antes de serem reincorporados a uma unidade combatente. Tomemos como exemplo a organização da 11a Divisão Motorizada SS "Nordland". As unidades que a integravam eram as seguintes:

Comando da Divisão.

24o Regimento de SS Danmark (Dinamarca).

25o Regimento de SS Norge (Noruega).

11o Regimento de Artilharia, com três grupos leves e um pesado.

Batalhão de Tanques (Panthers de 45 toneladas).

Batalhão de Exploração, blindado.

Batalhão de Sapadores.

Batalhão de Comunicações.

Batalhão Antiaéreo.

Batalhão de Canhões de Assalto.

Batalhão de Manutenção.

Batalhão de Intendência.

Companhia de Gendarmaria militar.

Além de mais onze companhias de abastecimentos.

A 54a Brigada Motorizada SS Nederian dispunha, por sua parte, das seguintes unidades:

Comando da Brigada.

1o Regimento Holandês "General Seyfart".

2o Regimento Holandês "Almirante Ruyter".

Batalhão de Canhões de Assalto.

14o Regimento de Artilharia, com dois grupos leves.

Batalhão de Sapadores.

De acordo com as disposições regulamentares do Exército Alemão, cada militar deveria ficar em seu lugar de origem pelo menos vinte dias por ano. Eram licenças concedidas quando dos períodos de tranqüilidade, já que nos de luta intensa tal concessão era praticamente impossível. Enquanto uma parte dos efetivos era licenciada, um outro grupamento chegava com o objetivo de incorporar-se às fileiras, não sofrendo ressalvas o aspecto quantitativo da unidade. Esse sistema, como era de se esperar, ofereceu alguns inconvenientes, pois se fazia difícil desenvolver uma instrução dentro de um sistema tão inconstante, no que concerne ao material humano.

Convém salientar que nos acampamentos não existia a tradicional disciplina prussiana. Praticava-se, é verdade, um regime disciplinar severo, que dava excelentes resultados. A base da disciplina foi sempre, em essência, o respeito que cada soldado devia ao seu superior imediato.

 

 

Guerra química



Em 1943, nos campos de treinamento da Wehrmacht, chegou uma diretiva dispondo que, sem demora, se procedesse ao treinamento de pessoal especializado em guerra química, a fim de integrar unidades especiais.

A Alemanha dispunha, nessa época, de duas grandes escolas de guerra química e alguns regimentos especializados. A essas escolas foram enviados os oficiais e praças designados para receberem instrução especializada.

Os alemães haviam iniciado a guerra com uma organização relativamente adequada para o desenrolar de uma possível guerra química. Cada soldado dispunha, como parte de seu equipamento, de máscara contra gás e capa antivesicante. Os regimentos, comandos e unidades menores tinham, além disso, grupos antigás constituídos por um cabo e três soldados, especializados em guerra química. Nos comandos das grandes unidades operativas havia também um oficial antigás, que contava com um laboratório especializado, depósitos e manutenção de meios químicos.

Até os primeiros anos da guerra, as armas químicas não mereciam grande interesse por parte da Alemanha, visto que seus tanques estavam em condições de aniquilar, com sua potência, qualquer inimigo. Tanto assim que, tanto nas operações desenvolvidas na Polônia como na França, nenhum destes países utilizou elementos químicos, fosse por falta destes ou por intenção manifesta de não recorrer a tal expediente.

Mais tarde, na Rússia, em algumas oportunidades, foram empregados projéteis químicos. Em todos os casos, no entanto, se presumia com fundamento que isto era devido a erros na entrega das munições. Os alemães, em suas rápidas investidas iniciais, tomaram algumas vezes depósitos de elementos químicos. É sabido, entretanto, que os russos não utilizavam essas armas, num tácito acordo com seus inimigos, que tampouco as empregavam. No referente à guerra bacteriológica, o mesmo se pode dizer. Em nenhuma oportunidade foi usado esse meio de guerra para entorpecer ou deter os movimentos do inimigo. Nas oportunidades em que foram constatados poços com água contaminada, os alemães interpretaram que se tratava de pura casualidade, não culpando os russos. Tampouco os alemães, por sua vez, recorreram à guerra bacteriológica. Em 1943, do Comando Supremo originaram-se ordens no sentido das defesas antigás serem reforçadas nas diferentes unidades. As razões da ordem citada não vieram a público. Supõe-se, contudo, que a Alemanha esperava uma possível ofensiva química do inimigo. Com efeito, deve-se destacar que os serviços de informações alemães haviam antecipado que a Inglaterra e os Estados Unidos estavam preparados para esse tipo de guerra. Em Dacar, além disso, foi registrada a chegada de mais de 6.000 toneladas de materiais químicos, destinados a algumas operações bélicas. Tampouco se deve desprezar o fato de que a Alemanha se aprontava para lançar uma ofensiva-surpresa contra os exércitos inimigos. Tudo isto é, no entanto, simples suposição. Durante a guerra, a indústria alemã produziu grande quantidade de produtos químicos. Estes, penetrando sob o uniforme do inimigo, perfuravam também a pele. Outros, por sua vez, ao serem aspirados, paralisavam o sistema nervoso do combatente, provocando a sua morte por asfixia em poucos minutos.

As medidas para incrementar o pessoal capacitado neste tipo de guerra conduziram à necessidade de abreviar os cursos correspondentes, que, de seis semanas, se reduziram a três, no caso específico dos oficiais, e de quatro a duas, no dos praças. Foram criadas, também, novas escolas especializadas.

 

 

Posição defensiva



A organização de uma posição defensiva obedecia, com pequenas alterações, aos seguintes quesitos:

Cada unidade, ao receber ordem de manter-se em determinada posição, como primeira iniciativa, procedia à minagem do terreno numa faixa de, aproximadamente, 500 metros além da linha de defesa. Também cavavam fossas antitanque, alternando-as com os campos minados.

Em continuação, colocavam obstáculos em várias linhas escalonadas e em direção oblíqua.

Vinha então a linha principal, constituída por duas posições, sendo a primeira delas com a incumbência de resistir até o fim, continuando a outra a luta daí em diante.

As posições de defesa estavam formadas por redutos e pontos de resistência, ligados entre si por trincheiras de comunicação. Os redutos abrigavam ninhos de metralhadoras. Novos obstáculos enfechavam as posições citadas.

Primeira posição: formada por uma trincheira que se estendia quase sem interrupção ao longo da frente, com mais uma fileira de obstáculos a sua frente. Entre cem e duzentos metros atrás da primeira posição encontravam-se os redutos de metralhadoras pesadas. Com efeito, para evitar que estas fossem destruídas pelo fogo inimigo, preparavam-se duas ou três bases para cada uma, com a finalidade de removê-las em caso de perigo. Também ali se construíam abrigos destinados a permitir o descanso dos homens que se retiravam da linha de frente com a finalidade de recompor suas forças e seu moral. A trincheira mais avançada e a linha das metralhadoras e refúgios estavam unidas por vários túneis de comunicação, sendo que, em conjunto, constituíam a primeira posição. O serviço na referida primeira linha era sumamente rígido, e as inspeções, constantes. A última revista era efetuada pouco antes do anoitecer, hora em que era servido o rancho aos combatentes. Depois, ao cair da noite, a primeira linha era ocupada pelos atiradores avançados. A metade da tropa se encontrava pronta para iniciar o combate a qualquer momento; o restante descansava, dormitando sentado, mas com suas armas prontas.

Ao amanhecer, tornava-se a efetuar uma nova inspeção e se fornecia aos soldados a primeira refeição do dia. A seguir, as tropas que haviam mantido a guarda durante a noite eram substituídas para descanso, isto quando as condições da frente de combate permitiam. Eram substituídas por sentinelas, em número de três para cada grupo. Os refúgios onde descansavam os homens na primeira linha eram subterrâneos e tinham uma profundidade média de um metro e meio.

A guarnição das metralhadoras, por sua vez, mantinha durante a noite a metade dos efetivos pronta para a ação. Os outros defensores também se retiravam para descansar nos refúgios cavados junto à linha.

Entre a primeira e a segunda linhas, encontravam-se novos campos de minas antitanque e antipessoal, além de outros obstáculos antitanque.

Segunda posição: encontrava-se a uns quinhentos metros atrás da primeira. Estava preparada para receber as armas pesadas e os destacamentos que se vissem obrigados a abandonar a primeira linha. Achavam-se também ali os canhões antitanque e os morteiros.

Postos de comando: geralmente ficavam colocados atrás da primeira linha, como no caso dos postos de comando de companhia; quando se tratava de comandos de batalhão, os postos ficavam às vezes atrás da segunda linha e outras vezes entre ambas. Os postos de comando ficavam unidos às linhas correspondentes por intermédio de trincheiras de comunicações.

 

 



Diretiva n° 69

Teleprint

28 de janeiro de 1945

Comando Supremo das Forças Armadas

Objetivo: Emprego do Volkssturm

A experiência de combate adquirida na Frente do Leste mostra que o Volkssturm carece, em realidade, de valor combativo ao atuar isoladamente. Em troca, seu valor como unidade de combate cresce enormemente quando entrosado com unidades do exército regular.

Portanto ordeno: quando o Volkssturm se encontrar em zonas onde sua intervenção se justifique e se suponha necessária, os comandos disporão para que sua participação no combate seja efetuada em coordenação estrita com tropas do exército regular.

(a) Adolf Hitler

 

Diretiva n° 70

Teleprint

5 de fevereiro de 1945

Comando Supremo das Forças Armadas

Objetivo: Transporte de refugiados do leste para a Dinamarca

Nossos compatriotas, evacuados temporariamente do leste para o Reich, serão enviados à Dinamarca, antes de chegarem à Alemanha. Os civis, em particular, serão enviados para a Dinamarca, que pode ser alcançada por mar, sem prejudicar o movimento das tropas que se realiza por terra. As autoridades alemães na Dinamarca cooperarão com as autoridades locais no sentido de alojarem os refugiados alemães. As forças armadas prestarão toda a assistência possível.

(a) Adolf Hitler

 

 



 

 



©livred.info 2017
enviar mensagem

    Página principal