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Encontro17.07.2017
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A CIVILIZAÇÃO DO NILO
Por que razão as múmias egípcias permaneceram tão bem conservadas ao longo de milhares de anos?

A resposta a essa pergunta parece ter sido finalmente encontrada por cientistas alemães. Em outubro de 2003 eles anunciaram que o segredo da mumificação tão bem guardado pelos egípcios estava em um conservante com forte efeito antibacteriano obtido a partir de um extrato de cedro, madeira encontrada na região da Fenícia (atual Líbano).

Os egípcios acreditavam na existência de uma vida após a morte e achavam que os corpos precisavam ser preservados para a eternidade.
A formação do Egito

Localizado no norte da África, o Egito tem seu territó­rio quase todo ocupado pelo deserto do Saara. Por isso a maior parte de sua população encontra-se nas margens e no delta do rio Nilo, que atravessa o país de norte a sul. Essa ocupação é basicamente a mesma há quase 8 mil anos.

As águas do Nilo transbordam de seu leito todos os anos entre junho e outubro, em razão das chuvas tropi­cais na nascente do rio. O húmus trazido pelas enchentes torna o solo da região excelente para a agricultura. Du­rante milhares de anos a população que ali vivia apren­deu a drenar terrenos, construir diques e canais e a erguer suas habitações e celeiros em locais elevados, longe das águas.

Com o passar dos séculos, esse trabalho comunitá­rio organizado propiciou excedentes agrícolas e fez com que os pequenos núcleos populacionais evoluíssem para povoados e vilas com maior estrutura. Essas aldeias pas­saram a ser conhecidas como nomos, e o chefe de cada uma delas, como nomarca.

Grande parte da população do nomo era formada por agricultores - os felás -, que, com o linho, faziam roupas e velas de barco e com a cevada produziam cerve­ja. O rio era o principal sistema de comunicação e de transporte. Para essas pessoas, somente a ação dos deuses explicava o privilégio de elas morarem em uma terra de abundância rodeada por áreas de seca e fome.
Sob o poder dos faraós

Os nomarcas mais eficientes na tarefa de garantir a alimentação de suas comunidades passaram a personifi­car os deuses protetores dos nomos. Assim, gradativa­mente, o poder político e administrativo dos nomos se fundiu ao poder religioso.

Ao mesmo tempo, os governantes mais destacados começaram a incorporar novos territórios a seus nomos, transformando a região em uma área de diversos peque­nos reinos. Por volta de 3500 a.C. os nomos foram unifi­cados em apenas dois reinos: o do delta e o do vale do Nilo - também chamados de Baixo Egito e Alto Egito, res­pectivamente (ver mapa na página 26).

Cerca de trezentos anos depois, um rei do vale do Nilo chamado Menés (também conhecido como Narmer, Men ou Meni) conquistou a região do delta. Pela primei­ra vez alguém foi coroado como faraó do Egito, ou seja, um misto de monarca e chefe religioso. O símbolo de seu poder era uma coroa dupla nas cores branca e vermelha que representava a união das duas regiões em um único e centralizado império (no boxe a seguir abordamos os poderes e as funções do faraó).



Os faraós governaram o Egito por mais de 3 mil anos, em uma sucessão de dinastias. Os historia­dores costumam dividir todos esses anos em três grandes perío­dos: Antigo Império, Médio Impé­rio e Novo Império.




Antigo Império (3200 a.C. a 2300 a.C.)

No início do Antigo Império as fronteiras do Egito iam do delta até a região da primei­ra catarata do rio Nilo (ver mapa ao lado). Nesse período, seu terri­tório foi dividido em 42 regiões go­vernadas por nomarcas, e a cidade de Mênfis foi construída para ser a capital do império.

Para supervisionar esses go­vernantes regionais, o faraó contava com a ajuda dos escribas, funcioná­rios encarregados de cobrar os im­postos, controlar o estoque de ali­mentos e fiscalizar a construção de obras públicas. Para tanto, eles desenvolveram uma escrita chamada hieroglífica (veja o boxe A escrita hieroglífica).

Durante o Antigo Império, o Estado egípcio expan­diu-se em direção ao sul, região na qual viviam os núbios (no atual Sudão). A prosperidade que tomou conta do Egito nesse período se fez sentir principalmente na arqui­tetura: tornou-se habitual entre os faraós mandar cons­truir grandes monumentos funerários, as pirâmides, das quais as mais famosas são as de Quéops, Quéfren e Miquerinos.

Por volta de 2300 a.C. o império foi sacudido por conflitos internos e o poder dos faraós esfacelou-se.
Médio Império (2000 a.C. a 1580 a.C.)

Cerca de 250 anos depois de o poder central ter sido destruído, o Egito foi novamente unificado, dessa vez sob o comando do faraó Mentuhotep II, que restabeleceu o Estado centralizado. Esse período marca uma fase de recu­peração das terras agrícolas e de conquistas de mais áreas ao sul- região da Núbia. Por volta de 1800 a.C., os hicsos ­povo invasor - ocuparam o delta do Nilo e, aos poucos, começaram a subjugar todo o império. Em 1700 a.C., apro­ximadamente, os invasores usurparam o posto de faraó.



Novo Império (1580 a.C. a 525 a.C.)

Por volta de 1580 a.C. os egípcios conseguiram expulsar os hicsos e o Egito foi unificado mais uma vez. Nos séculos seguintes, surgiram em Tebas - então capital do império - templos exuberantes, como os de Karnac e Luxor.

Em 1200 a.C., aproximadamente, começou a ocor­rer uma redefinição de forças na região que liga os conti­nentes africano e asiático. Os assírios (estudados no capí­tulo 4) haviam constituído um poderoso império e pas­saram a ameaçar a hegemonia egípcia. Ao mesmo tempo, a região do delta voltou a sofrer invasões.

Após um período de disputas internas e invasões, em 1100 a.C. o Egito foi novamente dividido em dois rei­nos. Ao longo dos séculos seguintes, intercalaram-se mo­mentos de centralização e de ausência de poder até que, em 662 a.C., os assí­rios conquistaram a região. Posteriormen­te, a realeza egípcia re­tomou o poder, mas em 525 a.C. o império caiu sob o domínio dos persas.

A partir de então, o Egito foi sucessivamente invadido por povos de diversas origens, como macedônios e roma­nos na Antiguidade, e árabes na Idade Média. No século XIX, tornou-se colônia do Império Britânico, conquistan­do a independência apenas em 1922 (veja o boxe a seguir).
Cenas da vida cotidiana

A sociedade egípcia era rigidamente estratificada, ou seja, estava dividida em grupos sociais fortemente separados entre si. No topo da pirâmide social estava o faraó, considerado filho do deus Amon-Rá, e seus fami­liares (veja a ilustração ao lado). A seguir vinham suces­sivamente os sacerdotes, a nobreza, os escribas e os solda­dos. O último degrau era ocupado pelos camponeses e artesãos. Abaixo deles estavam os escravos.

Poucas cidades do Egito Antigo sobreviveram ao tempo e às cheias do Nilo. Mas sabe-se que as moradias mais modestas eram de junco ou madeira e, geralmente, tinham pouco mobiliário; uma pequena peça funcionava como sala de estar e dava diretamente para a rua. Essas casas tinham também banheiro com lavatório separado, uma sala principal com um pequeno altar, onde eram recebidas as visitas, quarto, cozinha e uma escada que levava ao telhado, sempre plano, onde à noite os morado­res se refugiavam do calor. As pessoas de melhores condi­ções viviam em casas de tijolo produzido com uma mis­tura de barro, areia e palha, o adobe.
Muitos deuses

A religiosidade foi um dos aspectos mais marcantes da sociedade egípcia. Das diversas divindades existentes, a mais importante era Amon (ou Amon-Rá), rei dos deuses e criador de todas as coisas, que se identificava com o Sol.

A crença na imortalidade fez com que os egípcios encarassem a morte como um grande acontecimento. As tumbas dos faraós continham pinturas que retratavam passagens de sua vida e de seu governo com a intenção de mostrar aos deuses como eles foram bons para seu povo. Era comum um faraó ser enterrado com familiares e fun­cionários, que iriam acompanhá-lo e servi-lo na vida eterna. No túmulo do faraó Uadji (Antigo Império), fo­ram encontrados outros 335 corpos.

Outra grande preocupação em relação à vida eterna era com a conservação do corpo, uma vez que o conceito de "viver após a morte" implicava a permanência física do corpo. Por essa razão os egípcios desenvolveram e aperfeiçoaram a prática da mumificação.


Uma arte monumental e rígida

Impregnada de religiosidade e de sentimento hierár­quico, a arte servia aos deuses e aos faraós. Na arquitetu­ra, as obras mais importantes foram os templos e os túmulos dos faraós - as pirâmides. Já a pintura (assim como a escultura) obedecia a regras extremamente rígi­das: as cenas eram retratadas sem perspectiva; as figuras humanas apareciam com a cabeça, as pernas e os pés de perfil, enquanto os olhos e o tronco eram mostrados de frente.


O Poder das Múmias

O processo de mumificação desenvolvido pelos egípcios incluía a desidratação do cadáver e a aplicação de betume, substância destinada a conservar o corpo. Durante a Antiguidade, esse produto também era em­pregado em outras regiões no tratamento de cortes e fraturas.

Aliando esse possível poder de cura do betume com os mistérios e magias que envolviam as múmias, a partir da Idade Média médicos europeus passaram a prescrever o uso de carne mumificada no tratamento de várias doenças. Como conseqüência, inúmeras tumbas egípcias foram saqueadas e traficantes passaram a ex­portar pedaços de múmias secas ou em pó para o Oci­dente. Francisco I (1494-1547), rei da França, por exem­plo, tinha sempre consigo um suprimento de carne mumificada para o caso de se ferir nas caçadas.
O conhecimento dos egípcios

Por sua prática na construção de diques e represas, os egípcios alcançaram grande desenvolvimento em engenharia hidráulica. Seus tecelões eram hábeis na pro­dução de tecidos de linho. Na área de transporte, cons­truíam embarcações de variados tipos e tamanhos, tanto fluviais como marítimas. Como a moeda só começou a ser utilizada a partir de 400 a.C., até essa data seu comér­cio era feito por meio da troca direta de produtos.

Conhecedores da anatomia humana, os egípcios obtiveram grandes avanços na Medicina, chegando até mesmo a usar anestesia em cirurgias. Seus astrônomos criaram diferentes calendários, como o que conferiu ao ano a duração de 365 dias e seis horas. Mais tarde, esse calendário foi adotado, com modificações, pelo impera­dor romano Júlio César. Reformado pelo papa Gregório XIII, no século XVI, constitui a base do calendário que utilizamos até hoje.
ATIVIDADES

1. Explique a frase: "Com o passar dos séculos o trabalho comunitário propiciou excedentes agrícolas e transformou pe­quenos núcleos populacionais em povoados”

2. Como foi o processo de transformação dos no mos em um único império?

3. Usando como ponto de partida o esquema da pirâmide social do Egito, que se encontra na página 28, descreva a antiga sociedade egípcia.



4. Escreva um texto relacionando as palavras "religião'; "pirâmides" e "faraós':



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