Observemos alguns exemplos de variação relacionados à classe social, à idade e ao sexo



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APOSTILA DE LÓGICA,

ARGUMENTAÇÃO E COMUNICAÇÃO I

Curso: Administração

Profa. Ms. Rejane da Silva Marques

JUIZ DE FORA

2012.1

UNIDADE I - ESTUDO DE LÓGICA


1 INTRODUÇÃO À LÓGICA : A LÓGICA E O PENSAMENTO

Todas as disciplinas têm um objeto de estudo. O objeto de estudo de uma disciplina é aquilo que essa disciplina estuda. Então, qual é o objeto de estudo da lógica? O que é que a lógica estuda?

A lógica estuda e sistematiza a validade ou invalidade da argumentação. Também se diz que estuda inferências ou raciocínios. Podes considerar que argumentos, inferências e raciocínios são termos equivalentes.


Lógica: é a disciplina que trata das formas de pensamento, da linguagem descritiva do pensamento, das leis da argumentação e raciocínio corretos, dos métodos e princípios que regem o pensamento humano.

Ela é importante, porque nos ajuda a distinguir os argumentos válidos dos inválidos, permite-nos compreender por que razão uns são válidos e outros não e ensina-nos a argumentar corretamente.



A lógica faz parte do nosso cotidiano. Na família, no trabalho, no lazer, na política, enfim, sempre que nos dispomos a conversar com as pessoas, usamos argumentos para expor e defender nossos pontos de vista. Os pais discutem com seus filhos adolescentes sobre o que podem ou não fazer, e eles rebatem com outros arrazoados. Nos encontros entre amigos nem sempre todos têm opinião idêntica a respeito de assuntos tais como: se a fidelidade é importante nas relações amorosas, se a política é ou não importante na vida de todos, se o aborto é uma maneira adequada de resolver uma gravidez não desejada, se clonar humanos é uma prática eticamente correta, e assim por diante. Se os assuntos são debatidos, a capacidade de argumentação de cada um é colocada em teste.
Em algumas situações, nos vemos tentando persuadir alguém a respeito de nossas ideias e opiniões. Por exemplo, um político que deseja o voto do eleitor, um advogado que quer convencer o juiz ou o promotor da inocência do seu cliente, o gerente que defende a implantação de uma estratégia a ser avaliada pelos proprietários da empresa, entre outros exemplos. Nesses casos, não se trata apenas de simples exposição de um raciocínio, em que predominam elementos racionais, mas apela-se também para a emoção, a fim de melhor convencer o ouvinte. Essas técnicas são conhecidas da retórica, a arte do discurso persuasivo.
Não é esse aspecto persuasivo que nos interessa, mas o estudo da lógica, importante instrumento para organizarmos nossas ideias de forma mais rigorosa, de maneira a não tirarmos conclusões inadequadas a partir de enunciados dados.
Veja a tira a seguir:



1.1 A lógica aristotélica
O objeto da lógica não é determinar se as conclusões são verdadeiras ou falsas, mas determinar se o que se afirma como conclusões são conclusões.

Augustus de Morgan



Definição e princípios
Embora os sofistas e também Platão tenham se ocupado com o que poderíamos chamar de questões lógicas, nenhum deles o fez com a amplitude e o rigor alcançados por Aristóteles (séc. IV a.C.) na sua obra intitulada Analíticos. Como o próprio nome diz, trata-se de uma análise do pensamento nas suas partes integrantes. Essa e outras obras sobre o assunto foram denominadas mais tarde, em conjunto, Organon, que significa “instrumento” (instrumento para se proceder corretamente no pensar). O próprio Aristóteles não usou a palavra lógica, que só apareceu mais tarde. Aristóteles (384-322 a.C.) filósofo grego. Seu sistema lógico foi considerado perfeito e completo por muito tempo. Foi criador da teoria do silogismo.
Etimologicamente, a palavra lógica vem do grego logos, que significa “palavra”, “expressão” “pensamento”, “conceito”, “discurso”, “razão”. Podemos defini-la como:
a) o estudo dos métodos e princípios da argumentação. Ou, então, como

b) a investigação das condições em que a conclusão de um argumento se segue de suas premissas.


Por exemplo, vejamos as seguintes argumentações:

(1)

Toda estrela brilha com luz própria.



Ora, nenhum planeta brilha com luz própria.

Logo, nenhum planeta é estrela.


(2)

Todos os cães são mamíferos.

Ora, todos os gatos são mamíferos.

Portanto, todos os gatos são cães.


As premissas são as proposições iniciais – nos exemplos, as duas primeiras a partir das quais tiramos a conclusão. O primeiro exemplo é considerado um raciocínio válido. No segundo exemplo, logo percebemos que o argumento não é válido, mas nem sempre isso é visto com tanta clareza, porque, em outras vezes, a argumentação nos parece correta, sem o ser. Por isso precisamos nos instruir sobre regras que possam nos orientar. Mais adiante, voltaremos a esses conceitos para melhor compreendê-los.
A divisão aristotélica da lógica
Segundo Aristóteles, a lógica se subdivide em:
lógica formal (ou menor), que estabelece a forma correta das operações do pensamento. Se as regras forem aplicadas adequadamente, o raciocínio é considerado válido. Na lógica formal, a validade do argumento é definida pela sua forma (esquema) e não pelo seu conteúdo.
lógica material (ou maior), que trata da aplicação das operações do pensamento segundo a matéria ou natureza dos objetos a conhecer. Enquanto a lógica formal se ocupa com a estrutura do pensamento, a lógica material investiga a adequação do raciocínio à realidade. E também chamada metodologia, e como tal procura o método próprio de cada ciência.
Uma das mais duradouras contribuições da lógica aristotélica está no estabelecimento dos primeiros princípios que, por serem anteriores a qualquer raciocínio, servem de base a todos os argumentos. São eles:
Princípio de não-contradição

¬ (P Ù ¬ P) – Não é possível que algo seja e não seja o caso numa mesma circunstância.


Princípio de identidade

A = A – Algo é sempre semelhante a si mesmo.


Princípio do terceiro excluído

P Ú ¬P – Algo é ou não o caso (não há terceira opção lógica).


Na simbologia, temos:

¬ (negação).

Ù (conjunção = “e”).

Ú (disjunção = “ou”).



P (uma proposição qualquer)
É assim que Aristóteles formula, na sua obra Metafísica, o princípio de não-contradição: “É impossível que o mesmo (o mesmo determinante) convenha e não convenha ao mesmo ente ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto”. Isso significa que duas proposições contraditórias não podem ser verdadeiras, que não é possível afirmar e negar simultaneamente a mesma coisa, isto é, nenhum enunciado pode ser verdadeiro e falso.
Por exemplo: se for verdade que “alguns seres humanos não são justos”, é falso que “todos os seres humanos sejam justos”.
Segundo o princípio de identidade, se um enunciado é verdadeiro, então ele é verdadeiro (é um princípio auto-evidente).
O princípio do terceiro excluído afirma que um enunciado ou é verdadeiro, ou é falso (e não há uma terceira possibilidade lógico, do tipo “meio verdadeiro” ou “meio falso”).
Em resumo, temos:
Não-contradição: duas proposições contraditórias (P e ¬P) não podem ter valores-verdade iguais.

Identidade: duas proposições idênticas (P e P) têm necessariamente o mesmo valor-verdade.

Terceiro excluído: uma proposição P só pode assumir dois valores-verdade: verdadeiro ou falso, não havendo terceira possibilidade.

2 PROPOSIÇÃO E ARGUMENTO


Um argumento é um conjunto de proposições que utilizamos para justificar (provar, dar razão, suportar) algo. A proposição que queremos justificar tem o nome de conclusão; as proposições que pretendem apoiar a conclusão ou a justificam têm o nome de premissas.

Supõe que queres pedir aos teus pais um aumento da "mesada". Como justificas este aumento? Recorrendo a razões, não é? Dirás qualquer coisa como:

Os preços no bar da escola subiram; como eu lancho no bar da escola, o lanche fica-me mais caro. Portanto, preciso de um aumento da "mesada".

Temos aqui um argumento, cuja conclusão é: "preciso de um aumento da 'mesada'". E como justificas esta conclusão? Com a subida dos preços no bar da escola e com o fato de lanchares no bar. Então, estas são as premissas do teu argumento, são as razões que utilizas para defender a conclusão.

Este exemplo permite-nos esclarecer outro aspecto dos argumentos, que é o seguinte: embora um argumento seja um conjunto de proposições, nem todos os conjuntos de proposições são argumentos. Por exemplo, o seguinte conjunto de proposições não é um argumento:

Eu lancho no bar da escola, mas o João não. A Joana come pipocas no cinema. O Rui foi ao museu.

Neste caso, não temos um argumento, porque não há nenhuma pretensão de justificar uma proposição com base nas outras. Nem há nenhuma pretensão de apresentar um conjunto de proposições com alguma relação entre si. Há apenas uma sequência de afirmações. E um argumento é, como já vimos, um conjunto de proposições em que se pretende que uma delas seja sustentada ou justificada pelas outras — o que não acontece no exemplo anterior.

Um argumento pode ter uma ou mais premissas, mas só pode ter uma conclusão.



Exemplos de argumentos com uma só premissa:

Exemplo 1

Premissa: Todos os portugueses são europeus.

Conclusão: Logo, alguns europeus são portugueses.

Exemplo 2

Premissa: O João e o José são alunos do 11.º ano.

Conclusão: Logo, o João é aluno do 11.º ano.

Exemplos de argumentos com duas premissas:

Exemplo 1

Premissa 1: Se o João é um aluno do 11.º ano, então estuda filosofia.

Premissa 2: O João é um aluno do 11.º ano.

Conclusão: Logo, o João estuda filosofia.



Exemplo 2

Premissa 1: Se não houvesse vida para além da morte, então a vida não faria sentido.

Premissa 2: Mas a vida faz sentido.

Conclusão: Logo, há vida para além da morte.



Exemplo 3:

Premissa 1: Todos os minhotos são portugueses.

Premissa 2: Todos os portugueses são europeus.

Conclusão: Todos os minhotos são europeus.

Observando-se os exemplos acima, há certas expressões que nos ajudam a perceber qual é a conclusão do argumento e quais são as premissas. São os indicadores.

Um indicador é um articulador do discurso, é uma palavra ou expressão que utilizamos para introduzir uma razão (uma premissa) ou uma conclusão. O quadro seguinte apresenta alguns indicadores de premissa e de conclusão:



Indicadores de premissa

Indicadores de conclusão

Pois
porque
dado que
como foi dito
visto que
devido a
a razão é que
admitindo que
sabendo-se que
assumindo que

por isso
por conseguinte
implica que
logo
portanto
então
daí que
segue-se que
pode-se inferir que
consequentemente

É claro que nem sempre as premissas e a conclusão são precedidas por indicadores. Por exemplo, no argumento:

O Mourinho é treinador de futebol e ganha mais de 100000 euros por mês. Portanto, há treinadores de futebol que ganham mais de 100000 euros por mês.

A conclusão é precedida do indicador "Portanto", mas as premissas não têm nenhum indicador.

Por outro lado, aqueles indicadores (palavras e expressões) podem aparecer em frases sem que essas frases sejam premissas ou conclusões de argumentos. Por exemplo, se eu disser:

Depois de se separar do dono, o cão nunca mais foi o mesmo. Então, um dia ele partiu e nunca mais foi visto. Admitindo que não morreu, onde estará?

O que se segue à palavra "Então" não é conclusão de nenhum argumento, e o que segue a "Admitindo que" não é premissa, pois nem sequer tenho aqui um argumento. Por isso, embora seja útil, deves usar a informação do quadro de indicadores de premissa e de conclusão criticamente e não de forma automática.


2.1 PROPOSIÇÕES E FRASES


Um argumento é um conjunto de proposições. Quer as premissas quer a conclusão de um argumento são proposições. Mas o que é uma proposição?

  • Uma proposição é o pensamento que uma frase declarativa exprime literalmente.

Não deves confundir proposições com frases. Uma frase é uma entidade linguística, é a unidade gramatical mínima de sentido. Por exemplo, o conjunto de palavras "Braga é uma" não é uma frase. Mas o conjunto de palavras "Braga é uma cidade" é uma frase, pois já se apresenta com sentido gramatical.

Há vários tipos de frases: declarativas, interrogativas, imperativas e exclamativas. Mas só as frases declarativas exprimem proposições. Uma frase só exprime uma proposição quando o que ela afirma tem valor de verdade.

Por exemplo, as seguintes frases não exprimem proposições, porque não têm valor de verdade, isto é, não são verdadeiras nem falsas:

1. Que horas são?

2. Traz o livro.

3. Prometo ir contigo ao cinema.

4. Quem me dera gostar de Matemática.

Mas as frases seguintes exprimem proposições, porque têm valor de verdade, isto é, são verdadeiras ou falsas, ainda que, acerca de algumas, não saibamos, neste momento, se são verdadeiras ou falsas:

1. Braga é a capital de Portugal.

2. Braga é uma cidade minhota.

3. A neve é branca.

4. Há seres extraterrestres inteligentes.

A frase 1 é falsa, a 2 e a 3 são verdadeiras. E a 4? Bem, não sabemos qual é o seu valor de verdade, não sabemos se é verdadeira ou falsa, mas sabemos que tem de ser verdadeira ou falsa. Por isso, também exprime uma proposição.

Uma proposição é uma entidade abstrata, é o pensamento que uma frase declarativa exprime literalmente. Ora, um mesmo pensamento pode ser expresso por diferentes frases. Por isso, a mesma proposição pode ser expressa por diferentes frases. Por exemplo, as frases "O governo demitiu o presidente da TAP" e "O presidente da TAP foi demitido pelo governo" exprimem a mesma proposição. As frases seguintes também exprimem a mesma proposição: "A neve é branca" e "Snow is white".


2.2 VALIDADE E VERDADE


A verdade é uma propriedade das proposições. A validade é uma propriedade dos argumentos. É incorreto falar em proposições válidas. As proposições não são válidas nem inválidas. As proposições só podem ser verdadeiras ou falsas. Também é incorreto dizer que os argumentos são verdadeiros ou que são falsos. Os argumentos não são verdadeiros nem falsos. Os argumentos dizem-se válidos ou inválidos.

Quando é que um argumento é válido? Por agora, referirei apenas a validade dedutiva. Diz-se que um argumento dedutivo é válido quando é impossível que as suas premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Repara que, para um argumento ser válido, não basta que as premissas e a conclusão sejam verdadeiras. É preciso que seja impossível que sendo as premissas verdadeiras, a conclusão seja falsa.

Considera o seguinte argumento:

Premissa 1: Alguns treinadores de futebol ganham mais de 100000 euros por mês.


Premissa 2: O Mourinho é um treinador de futebol.

Conclusão: Logo, o Mourinho ganha mais de 100000 euros por mês.

Neste momento (Julho de 2004), em que o Mourinho é treinador do Chelsea e os jornais nos informam que ganha muito acima de 100000 euros por mês, este argumento tem premissas verdadeiras e conclusão verdadeira e, contudo, não é válido. Não é válido, porque não é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Podemos perfeitamente imaginar uma circunstância em que o Mourinho ganhasse menos de 100000 euros por mês (por exemplo, o Mourinho como treinador de um clube do campeonato regional de futebol, a ganhar 1000 euros por mês), e, neste caso, a conclusão já seria falsa, apesar de as premissas serem verdadeiras. Portanto, o argumento é inválido.

Considera, agora, o seguinte argumento, anteriormente apresentado:

Premissa: O João e o José são alunos do 11.º ano.

Conclusão: Logo, o João é aluno do 11.º ano.

Este argumento é válido, pois é impossível que a premissa seja verdadeira e a conclusão falsa. Ao contrário do argumento que envolve o Mourinho, neste não podemos imaginar nenhuma circunstância em que a premissa seja verdadeira e a conclusão falsa. Podes imaginar o caso em que o João não é aluno do 11.º ano. Bem, isto significa que a conclusão é falsa, mas a premissa também é falsa.

Repara, agora, no seguinte argumento:

Premissa 1: Todos os números primos são pares.

Premissa 2: Nove é um número primo.

Conclusão: Logo, nove é um número par.

Este argumento é válido, apesar de quer as premissas quer a conclusão serem falsas. Continua a aplicar-se a noção de validade dedutiva anteriormente apresentada: é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. A validade de um argumento dedutivo depende da conexão lógica entre as premissas e a conclusão do argumento e não do valor de verdade das proposições que constituem o argumento. Como vês, a validade é uma propriedade diferente da verdade. A verdade é uma propriedade das proposições que constituem os argumentos (mas não dos argumentos) e a validade é uma propriedade dos argumentos (mas não das proposições).

Como podes determinar se um argumento dedutivo é válido? Podes seguir esta regra:

Mesmo que as premissas do argumento não sejam verdadeiras, imagina que são verdadeiras. Consegues imaginar alguma circunstância em que, considerando as premissas verdadeiras, a conclusão é falsa? Se sim, então o argumento não é válido. Se não, então o argumento é válido.



LEMBRA-TE: num argumento válido, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão não pode ser falsa.

2.3 ARGUMENTOS DEDUTIVOS E INDUTIVOS

De acordo com a lógica formal, o argumento dedutivo parte do geral ao particular, enquanto o indutivo, do particular ao geral.



Argumento dedutivo: O tipo de argumento em que a conclusão se segue das premissas de tal modo que é impossível as premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa é denominado argumento dedutivo. Exemplo:

Havia 30 alunos nesta sala.

Agora, há 29 alunos nesta sala.

Logo, um aluno saiu da sala.



Argumento indutivo: O tipo de argumento no qual mesmo as premissas sendo verdadeiras não podemos ter certeza absoluta que a conclusão é verdadeira. Em outras palavras, é possível as premissas serem verdadeiras e a conclusão falsa, ainda que a probabilidade da conclusão ser verdadeira seja muito grande. Exemplo:

Esta vacina funcionou bem com macacos. Por esse motivo, esta vacina vai funcionar bem em seres humanos.



2.4 O SILOGISMO

Silogismo: etmologicamente significa “reunir com o pensamento”. É um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das primeiras duas, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão.

Estrutura formal do silogismo:

ANTECEDENTE Todo carioca é brasileiro. - Premissa maior

Paulo é carioca. - Premissa menor

___________________________________

CONSEQUENTE Paulo é brasileiro. - Conclusão

Veja outros exemplos de silogismo:

1) PREMISSA MAIOR: Todo cachorro é mamífero.

PREMISSA MENOR: Todo mamífero é vertebrado.

CONCLUSÃO: Logo, todo cachorro é vertebrado.

2) PREMISSA MAIOR: Todo homem é mortal.

PREMISSA MENOR: Pedro é homem.

CONCLUSÃO: Pedro é mortal.

REGRAS DO SILOGISMO


A validade de um silogismo depende do respeito às regras de estruturação. Tais regras, em número de oito, permitem verificar a correção ou incorreção do silogismo. As quatro primeiras regras são referentes aos termos e as quatro últimas são referentes às premissas. São elas:

1) Todo silogismo contém somente três termos: maior, médio e menor;

2) Os termos da conclusão não podem ter extensão maior que os termos das premissas;

3) O termo médio não pode entrar na conclusão;

4) O termo médio deve ser universal ao menos uma vez;

5) De duas premissas negativas, nada se conclui;

6) De duas premissas afirmativas não pode haver conclusão negativa;

7) A conclusão segue sempre a premissa mais fraca;

8) De duas premissas particulares, nada se conclui.

EXERCÍCIOS

1) Identifique se os argumentos abaixo são dedutivos ou indutivos:

a) ABC é um triângulo reto.

O menor ângulo do triângulo ABC mede 30 graus.

Logo, o outro ângulo agudo mede 60 graus.


b) 99,5% dos testes de Aids do laboratório X têm resultado correto.

O teste de Aids de Icabod foi feito no laboratório X e o resultado foi negativo.

Logo, Icabod não tem Aids.
c) Se o Flamengo vencer todos os jogos que restam, não é rebaixado.

O Flamengo vence todos os jogos.

Logo, o Flamengo não é rebaixado.

d) Há fumaça. Logo, há um incêndio.

e) 75% dos entrevistados declarou que vai votar no candidato X. Logo, o candidato X vencerá as eleições.

f) A prata é um bom condutor de eletricidade.

A platina é um bom condutor de eletricidade.

O cobre é um bom condutor de eletricidade.

Todos os metais são bons condutores de eletricidade.
g) Todo mamífero tem um coração.

Todos os cavalos são mamíferos.

Então, todos os cavalos têm coração.

h) Não existem registros de seres humanos com mais de cinco metros de altura. Logo, seres humanos com essa altura não existem.

i) Frequentemente quando chove fica nublado. Está chovendo hoje, portanto está nublado.

2) Muitas vezes ocorre de um argumento não apresentar explicitamente todas as premissas que sustentam a conclusão, deixando “subentendidas” uma ou mais premissas. Tal como é enunciado, o argumento é incompleto, mas as premissas que faltam podem ser facilmente encontradas. Identifique as premissas subentendidas nos exemplos a seguir:

a) Luísa é brasileira, posto que é carioca.

b) Pedro é cidadão brasileiro, logo deve se apresentar ao serviço militar.

c) O aborto é condenável porque é um assassinato.



3) Leia este pequeno texto, que é um diálogo:

João — Este quadro é horrível! É só traços e cores! Até eu fazia isto!

Adriana — Concordo que não é muito bonito, mas nem toda a arte tem de ser bela.

João — Não sei... por que razão dizes isso?

Adriana — Porque nem tudo o que os artistas fazem é belo.

João — E depois? É claro que nem tudo o que os artistas fazem é belo, mas daí não se segue nada.

Adriana — Claro que se segue! Dado que tudo o que os artistas fazem é arte segue-se que nem toda a arte tem de ser bela.

Perante este diálogo, isole o argumento e formulê-o na sua forma canônica (premissas e conclusão):



4) Analise a presença de silogismos nos enunciados abaixo, indicando a premissa 1, a
premissa 2 e a conclusão.

CASO 1

Provérbios

"Deus ajuda quem cedo madruga".

"Quem não arrisca, não petisca".

“Quem tudo quer tudo alcança”.

"Quem não chora não mama".

CASO 2

Natal é época de estar em família. Não vá longe na hora de comprar seus presentes.



CASO 3

Não é só o seu time que faz grandes jogadas.

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do mundo dos negócios você encontra aqui. Para conquistar grandes vitórias pessoais,
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CASO 4

Brasileiro não vive sem chope e sem Technos.



No Dia dos Namorados, comemore dando um Technos de presente.

CASO 5

Slogan: "Nina. Prática como você."



CASO 6

“Quem usa produtos do Boticário leva a vida com mais humor.”



CASO 7

Slogan: “Unibanco: o melhor da vida feito para você.”



CASO 8

“Todo funcionário responsável deve ser pontual”



CASO 9



3 LÓGICA E ARGUMENTAÇÃO

Os textos argumentativos têm por finalidade principal persuadir o leitor sobre o ponto de vista do autor a respeito do assunto. Quando o texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e modifica seu comportamento, temos um texto dissertativo- argumentativo.

O texto argumentativo tem uma estrutura convencional, formada por três partes essenciais.

1) Introdução


Que apresenta o assunto e o posicionamento do autor. Ao se posicionar, o autor formula uma tese ou a ideia principal do texto.

Teatro e escola, em princípio, parecem ser espaços distintos, que desenvolvem atividades complementares diferentes. Em contraposição ao ambiente normalmente fechado da sala de aula e aos seus assuntos pretensamente “sérios”, o teatro se configura como um espaço de lazer e diversão. Entretanto, se examinarmos as origens do teatro, ainda na Grécia antiga, veremos que teatro e escola sempre caminharam juntos, mais do que se imagina.(tese)

2) Desenvolvimento


Formado pelos parágrafos que fundamentam a tese. Normalmente,  em cada parágrafo, é apresentado e desenvolvido um argumento. Cada um deles pode estabelecer relações de causa e efeito ou comparações entre situações, épocas e lugares diferentes, pode também se apoiar em depoimentos ou citações de pessoas especializadas no assunto abordado, em dados estatísticos, pesquisas, alusões históricas.

O teatro grego apresentava uma função eminentemente pedagógica. Com sua tragédias, Sófocles e Eurípides não visavam apenas à diversão da plateia mas também, e sobretudo, pôr em discussão certos temas que dividiam a opinião pública naquele momento de transformação da sociedade grega. Poderia um filho desposar a própria mãe, depois de ter assassinado o pai de forma involuntária (tema de Édipo Rei)? Poderia uma mãe assassinar os filhos e depois matar-se por causa de um relacionamento amoroso (tema de Medeia e ainda atual, como comprova o caso da cruel mãe americana que, há alguns anos, jogou os filhos no lago para poder namorar livremente)?

Naquela sociedade, que vivia a transição dos valores místicos, baseados na tradição religiosa, para os valores da polis, isto é, aqueles resultantes da formação do Estado e suas leis, o teatro cumpria um papel político e pedagógico, à medida que punha em xeque e em choque essas duas ordens de valores e apontava novos caminhos para a civilização grega. “Ir ao teatro”, para os gregos, não era apenas uma diversão, mas uma forma de refletir sobre o destino da própria comunidade em que se vivia, bem como sobre valores coletivos e individuais.

Deixando de lado as diferenças obviamente existentes em torno dos gêneros teatrais (tragédia, comédia, drama), em que o teatro grego, quanto a suas intenções, diferia do teatro moderno? Para Bertold Brecht, por exemplo, um dos mais significativos dramaturgos modernos, a função do teatro era, antes de tudo, divertir. Apesar disso, suas peças tiveram um papel essencial pedagógico voltadas para a conscientização de trabalhadores e para a resistência política na Alemanha nazista dos anos 30 do século XX.

O teatro, ao representar situações de nossa própria vida – sejam elas engraçadas, trágicas, políticas, sentimentais, etc. – põe o homem a nu, diante de si mesmo e de seu destino. Talvez na instantaneidade e na fugacidade do teatro resida todo o encanto e sua magia: a cada representação, a vida humana é recontada e exaltada. O teatro ensina, o teatro é escola. É uma forma de vida de ficção que ilumina com seus holofotes a vida real, muito além dos palcos e dos camarins.


3) Conclusão


Que geralmente retoma a tese, sintetizando as ideias gerais do texto ou propondo soluções para o problema discutido. Mais raramente, a conclusão pode vir na forma de interrogação ou representada por um elemento-surpresa. No caso da interrogação, ela é meramente retórica e deve já ter sido respondida pelo texto. O elemento surpresa consiste quase sempre em uma citação científica, filosófica ou literária, em uma formulação irônica ou em uma ideia reveladora que surpreenda o leitor e, ao mesmo tempo, dê novos significados ao texto.

Que o teatro seja uma forma alternativa de ensino e aprendizagem, é inegável. A escola sempre teve muito a aprender com o teatro, assim como este, de certa forma, e em linguagem própria, complementa o trabalho de gerações de educadores, preocupados com a formação plena do ser humano.  (conclusão)

(Teatro e escola: o papel do educador: Ciley Cleto, professora de Português).

Atenção: a linguagem do texto dissertativo-argumentativo costuma ser impessoal, objetiva e denotativa. Mais raramente, entretanto, há a combinação da objetividade com recursos poéticos, como metáforas e alegorias. Predominam formas verbais no presente do indicativo e emprega-se o padrão culto e formal da língua.

ANOTAÇÕES:

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3.1 A DISSERTACÃO ARGUMENTATIVA E SEU ENSINO

A Relação Tese I Argumento

Pela argumentação provocamos nosso interlocutor a concordar conosco. Não custa lembrar que a estrutura textual argumentativa liga-se a uma tese, esta filosoficamente entendida como "o primeiro momento do processo dialético" (dicionário do Aurélio). A tese constitui-se de uma proposição que expressa aquilo de que alguém deseja convencer o outro (ou seja, "o primeiro momento do processo dlalético"), usando para tanto uma série de proposições, de conhecimento comum sobre o mundo, e buscando persuadir o interlocutor do seu ponto de vista, pela tessitura de um raciocínio lógico, trabalhado sobre valores comungados por ambas as partes - locutor e interlocutor. Também pode acontecer que alguém elaborar um raciocínio contrário, de interlocutor que não se convenceu do ponto de vista do locutor.

A argumentação é a arte da palavra por excelência, já que, como forma de persuasão, só tem existência no ato de comunicação que a constrói. E o argumento se define como "raciocínio pelo qual se tira uma consequência ou dedução" (Aurélio). A série de proposições sobre supostas verdades constitui, portanto, os argumentos que se ordenam numa estrutura com vistas a um objetivo. As supostas verdades encerram conhecimento do mundo, leis sociais e outros preceitos aceitos pela sociedade.

Resumindo a estrutura do texto argumentativo:



  • a proposta ou tese a ser defendida;

  • uma (série de) proposição(ões) que constitui(em) o arrazoado que sustenta a tese;

  • a "lei de passagem", ou "ponte", entre a proposição de chegada e a conclusão, constituída de um universo de valores partilhados pelo meio social dos interlocutores, de forma a fazer aceitável, ou não, as proposições da estrutura argumentativa.

A argumentação, como técnica de persuasão, difere da proibição: no primeiro caso procuramos alcançar o convencimento pela apresentação de razões que convençam nosso interlocutor, enquanto que a proibição pura e simples dispensa tal arrazoado. Vejamos, por exemplo, a diferença entre o pai que proíbe o filho de andar de motocicleta e o pai que aconselha o filho a não andar nesse veículo, pelo perigo a que se exporá etc. etc.

Ainda nesse texto, uma palavrinha sobre argumentação indireta, aquela em que não se confessa o desejo de convencer o outro, ou seja, aquela em que as razões ficam implícitas, subentendidas, fato comum, por exemplo, numa descrição que vise a convencer alguém de nosso ponto de vista. Vejamos, a título de exemplificação, o texto seguinte:



Encontrei ontem na praia Fulana de Tal, aquela famosa artista de televisão que você admira. Vou descrevê-Ia para você, em poucas palavras: em nada se aproxima da beleza que vemos na telinha, possui pele sem vida e cheia de manchas, trajava roupas de profundo mau gosto, mais isso,mais aquilo etc.

Explicitamente teríamos o seguinte texto argumentativo:



A Fulana de Tal, artista de televisão, não merece sua admiração porque não é bonita de fato, por ter a pele cheia de manchas, não saber vestir-se etc ....

ou


A Fulana de Tal, artista de televisão que você admira, não é de fato bela: pessoalmente é feia, com a pele cheia de manchas, além de não saber trajar-se com gosto etc. etc.

EXERCÍCIOS

1) Qual o conhecimento comum aos participantes do ato de comunicação, presente na afirmação que se segue?

"Este carro não é nenhum automóvel Brastemp, mas me auxilia muito, nas minhas idas e vindas diárias, aqui no Rio: além de ser econômico no que se refere a combustível, pago por ele taxas mais baratas, por ser carro velho; e não desperta cobiça de ladrões de carro".

2) Destaque a tese e explicite argumentos, no texto argumentativo do exercício anterior.

3) A tradicional relação causa/efeito (ou explicação/motivo) é frequente numa argumentação, e a ordem poder ser efeito/causa ou causa/efeito. Marque nos parênteses que precedem os textos que se seguem, CE ou EC, conforme a ordem de surgimento dos argumentos e da conclusão:

( )Se você andar mais depressa, chegará a tempo na escola.

( )Quem muito quer tudo perde.

( ) Água mole em pedra dura tanto dá até que fura.

( ) As ruas ficaram alagadas: choveu muito à noite.



4)Quais os argumentos que justificam o estudo do latim no texto a seguir?

O estudo da língua latina é de muita importância para nós, visto ser a "língua mãe" da portuguesa. O latim é nosso berço cultural; nossa lei se fundamenta nas leis romanas e, especialmente, a análise da sintaxe latina enseja o desenvolvimento mental, aptidão de raciocínio e espírito de análise e de síntese. (Tradução adaptada de trecho do exemplo colhido em Charoles, 1980)



5) Assinale a diferença entre argumentar e simplesmente proibir, nos textos que se seguem:

  1. Não saia de casa resfriado!

  2. Como você está resfriado, não deve sair de casa, pois está chovendo e ventando muito. Este é o segundo resfriado que o acomete em quinze dias, você parece estar com baixa resistência imunológica e, ainda por cima, precisa estar com boa saúde na próxima semana, para enfrentar os exames de vestibular.

6)Leia o texto que se segue e assinale o que se pede a seguir:

No momento em que seu filho inicia o segundo segmento do primeiro grau (quinta série), convém que V Sa. fique atento(a) à necessidade de ele conhecer uma segunda língua. Acontece frequentemente nos colégios da zona sul do Rio de Janeiro o jovem iniciar cursos de inglês, francês, alemão ou espanhol ainda criança. Nesse caso a lembrança da necessidade de uma segunda língua não se faz necessária. Mas para aqueles pais cujos filhos ainda desconhecem outra língua, comunicamos que nesta escola todos devem cursar pelo menos uma das línguas estrangeiras citadas, a partir da quinta série. É muito importante, especialmente nos dias de hoje, que conheçamos outro (melhor seria que conhecêssemos outros) idioma, pois é comum na vida profissional a necessidade de dominarmos pelo menos uma língua estrangeira. Às vezes um bom profissional perde oportunidade de crescer na sua empresa por desconhecer o inglês, por exemplo. Assim sendo, vimos comunicar-lhe que seu filho deverá inscrever-se num curso de língua estrangeira (ou mais de um, se o desejar), optando entre as quatro línguas citadas. Para um curso, não haverá acréscimo de mensalidade; se desejar cursar mais de uma língua estrangeira, cobraremos uma adicional de R$50,OO (cinquenta reais) mensais para cada idioma.

No aguardo de sua manifestação, subscrevemo-nos.

Atenciosamente,



  1. Qual o objetivo da carta?

  2. Quais os interlocutores?

  3. Que argumento(s) se emprega(m) para a proposta feita?

  4. Que teses podem ser propostas?

7) Redija dois períodos, um a favor, outro contra a "manutenção de cachorros em apartamentos".

8) Explique a argumentação indireta no texto que se segue:

A boa apresentação no ambiente de trabalho é de grande auxílio. É mais prazerosa a convivência com pessoas bem trajadas, limpas, de linguajar de bom nível cultural e com frases bem estruturadas, dedicadas e com expressão tranqüila. Parece que as coisas se resolvem de melhor forma, e até os eventuais problemas se minimizam!

9) Quais seriam as estruturas argumentativas com argumentos explícitos, no texto do exercício anterior?

UNIDADE II – A ESTRUTURA DO PARÁGRAFO


Além da estrutura global do texto dissertativo-argumentativo, é importante conhecer a estrutura de uma de suas unidades básicas: o parágrafo.

1.Parágrafo: é uma unidade de texto organizada em torno de uma ideia-núcleo, que é desenvolvida por ideias secundárias. O parágrafo pode ser formado por uma ou mais frases, sendo seu tamanho variável. No texto dissertativo-argumentativo, os parágrafos devem estar todos relacionados com a tese ou ideia principal do texto, geralmente apresentada na introdução.

Embora existam diferentes formas de organização de parágrafos, os textos dissertativo-argumentativos e alguns gêneros jornalísticos apresentam uma estrutura-padrão. Essa estrutura consiste em três partes: a ideia-núcleo, as ideias secundárias (que desenvolvem a ideia-núcleo), a conclusão. Em parágrafos curtos, é raro haver conclusão.



1.1 AS QUALIDADES DO PARÁGRAFO:

O parágrafo, em geral, apresenta as mesmas qualidades de um texto escrito de acordo com a norma culta. São elas:



1) Clareza: consiste na expressão exata de um pensamento. Um texto é claro quando suas ideias apresentam coerência e evidência tal que é impossível deixar de atendê-lo.

A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto oficial. Para ela concorrem:

a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações que poderia decorrer de um tratamento personalista dado ao texto;

b) o uso do padrão culto de linguagem, em princípio, de entendimento geral e por definição avesso a vocábulos de circulação restrita, como a gíria e o jargão;

c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a imprescindível uniformidade dos textos;

d) a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos linguísticos que nada lhe acrescentam.



2) Objetividade: é a qualidade daquilo que é objetivo, externo à consciência, resultado de observação imparcial, independente das preferências individuais.

3) Concisão: qualidade pela qual o texto consegue transmitir um máximo de informações com um mínimo de palavras.

4) Precisão: rigor na elaboração de um texto, ou seja, passar as informações de forma clara, objetiva.

5) Coerência: é a relação lógica entre as ideias, pois essas devem se complementar, é o resultado da não-contradição entre as partes do texto. A coerência de um texto inclui fatores como o conhecimento que o produtor e o receptor têm do assunto abordado no texto, conhecimento de mundo, o conhecimento que esses têm da língua que usam e intertextualidade.

6) Unidade: Segundo Bastos (2007, p.340) é a qualidade de um texto que tem em vista um objetivo único. Todas as partes interligadas entre si concorrem para o mesmo fim, para esclarecer o sentido e completar a meta pré-estabelecida.

7) Ênfase: significa força, vigor que se consegue com a disposição coerente e balanceada, com a colocação estratégica das palavras na frase.

Observação: Para conseguir a unidade do parágrafo, deve-se:

1)Dar atenção ao que é essencial, enunciando claramente a ideia-núcleo em tópico frasal;

2)Não se afastar, por descuido, do desenvolvimento, da ideia predominante expressa no tópico frasal;

3)Evitar pormenores impertinentes e acumulações redundantes, que nada esclarecem e ainda “abafam” a ideia-núcleo;

4)Evitar a fragmentação da mesma ideia-núcleo em diversos parágrafos;

5) Pôr em parágrafos diferentes ideias igualmente relevantes, relacionando-as por meio de expressões adequadas à transição.



1. 2 TÓPICO FRASAL

A ideia central do parágrafo é enunciada através do período denominado tópico frasal. Esse período orienta ou governa o resto do parágrafo; dele nascem outros períodos secundários ou periféricos; ele vai ser o roteiro do escritor na construção do parágrafo; ele é o período mestre, que contém a frase-chave. Como o enunciado da tese, que dirige a atenção do leitor diretamente para o tema central, o tópico frasal ajuda o leitor a agarrar o fio da meada do raciocínio do escritor; como a tese, o tópico frasal introduz o assunto e o aspecto desse assunto, ou a ideia central com o potencial de gerar ideias-filhote; como a tese, o tópico frasal é enunciação argumentável, afirmação ou negação que leva o leitor a esperar mais do escritor (uma explicação, uma prova, detalhes, exemplos) para completar o parágrafo ou apresentar um raciocínio completo. Assim, o tópico frasal é enunciação, supõe desdobramento ou explicação.

A ideia central ou tópico frasal geralmente vem no começo do parágrafo, seguida de outros períodos que explicam ou detalham a ideia central.

Exemplos:

Ao cuidar do gado, o peão monta e governa os cavalos sem maltratá-los. O modo de tratar o cavalo parece rude, mas o vaqueiro jamais é cruel. Ele sabe como o animal foi domado, conhece as qualidades e defeitos do animal, sabe onde, quando e quanto exigir do cavalo. O vaqueiro aprendeu que paciência e muitos exercícios são os principais meios para se obter sucesso na lida com os cavalos, e que não se pode exigir mais do que é esperado.



1. 3 TIPOS DE TÓPICOS FRASAIS

De Garcia (op. cit., p. 194 -199) destacamos algumas formas de se iniciar um parágrafo, as quais enriquecemos com exemplos:

a) declaração inicial

A Zona Sul teve ontem um dia marcado pela violência. Em Copacabana, três assaltos tumultuaram a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Em Botafogo, ladrões invadiram uma farmácia e três assaltantes entraram num apartamento fazendo-se passar por entregadores. Apesar da série de crimes para investigar, a Polícia Civil sofre com a falta de pessoal: há 13.500 cargos vazios.

O GLOBO, 05/5/98, p. 02



b) definição

O trabalhador braçal do Rio, em sua maioria, levanta-se às quatro da manhã; toma café requentado, come pão dormido. Pega um trem no subúrbio, viaja de pé, aos solavancos, até a Central do Brasil. Salta, pega um ônibus lotado: mais solavancos, cansaço antes mesmo de começar a trabalhar, às vezes altercações pela falta de espaço. Frequentemente, baldeação extraordinária, por estrago do ônibus. Chega ao serviço, nem sempre na hora, o que lhe valem repreensões, nem sempre de forma polida. Trabalha as oito ou nove horas, almoça marmita em que geralmente falta carne, sai novamente


para casa, enfrentando de novo um ou dois ônibus, e
o trem: novos solavancos, mais altercações e chega a casa, pensando na madrugada do dia seguinte. Pois, gente, "Viver é lutar" I ....

Obs.: A definição apareceu no final do parágrafo.



c) divisão

O mundo divide-se em honestos e desonestos.Não entendo um honesto em determinados assuntos e desonesto em outros. Você é honesto com sua família, com seus amigos e com seus colegas de trabalho; é honesto na rua, nas compras que faz; é honesto com você mesmo, nas decisões que toma e na autocrítica dos seus atos. E o desonesto? Em qualquer oportunidade será desonesto, em tudo e com todos.

d) alusão histórica

Já dizia o poeta Gonçalves Dias que "Viver é lutar". O trabalhador braçal do Rio, em sua maioria, levanta-se às quatro da manhã; toma café requentado, come pão dormido. Pega um trem no subúrbio, viaja de pé, aos solavancos, até a Central. Salta, pega um ônibus lotado: mais solavancos, cansaço antes mesmo de começar a trabalhar, às vezes altercações por falta de espaço. Frequentemente baldeações que não estavam no programa, por estrago do ônibus. Chega ao serviço, nem sempre na hora, o que lhe valem repreensões, nem sempre de forma polida. Trabalha as oito ou mais horas,
come mal. Sai novamente para casa: novos solavancos, outras altercações, baldeações
...E chega a casa, preparando-se para a madrugada do dia seguinte.

e) omissão de dados

Você desconhece as vantagens deste produto que vai ser lançado no próximo mês pela Empresa X.Sabe-se que teve boa aceitação nos Estados Unidos, quem o experimenta não quer saber de outro produto, é mais barato do que os demais à venda no Brasil, não polui o meio ambiente e poderá ser adquirido em qualquer mercado e farmácia de bairro. Procurado em todas as boas lojas do ramo. Não decepciona. Você devia conhecê-lo.

f) interrogação



Até que ponto é proporcional o aumento do efetivo policial e a diminuição da violência? Como podemos afirmar que aumentando-se o número de policiais vão diminuir os assaltos e os roubos na cidade? Policiais que vêm de fora, que não conhecem nada da nossa cidade, despreparados e desavisados, lançados à tarefa de proteger o povo, nas emergências. Não há um preparo, nada é programado. Este sistema de inchar o contingente nas emergências já faliu no mundo inteiro! ...

(Texto alterado, a partir de uma carta de leitora, em O GLOBO DE 02/5/98, p.6).

Nos exemplos vistos, a maioria apresenta tópico frasal constituído de um só período e no início do parágrafo; duas exceções apenas: o item b, com tópico no final, e o item f, em que o tópico abrange os dois primeiros períodos.

Merecem destaque também as formas de desenvolvimento do parágrafo, que, conforme Othon Garcia (op. cit.), podem ser:



a) por descrição de detalhes

O exercício da autoridade é uma constante nela. Assim, embora possa conceder férias a um empregado no período conveniente a ele, como o período que concilia as férias escolares de um filho, aquela Chefe prefere postergar por um mês a concessão, só para não atender ao pedido que lhe foi feito. Evita fazer concessões, cita constantemente as leis, nunca faz um elogio. Apenas 'ordena', esperando obediência.



b) por confronto

Pedro ou Paulo será o novo presidente? Pedro é inteligente, honesto e arrojado nos negócios. Paulo é igualmente inteligente e honesto, mas não tão arrojado. Pedro é conhecido no meio empresarial por seu dinamismo e também por algumas decisões tempestivas que lhe foram adversas; Paulo também é conhecido nos meios empresariais, respeitado por sua cautela, que já lhe rendeu êxito em negócios, mas também já o fez perder boas oportunidades.

c) por analogia

A raiva é como mar turbulento em dia de tempestade. Os trovões no céu e os borbotões d'água se avolumando no mar lembram o rebentar da raiva no peito, abafando e torturando o coração. As nuvens se condensando no céu se assemelham ao embotamento mental causado pela raiva, obscurecendo nosso raciocínio lógico, nossas decisões conscientes. Finalmente, e como consequência da alteração de saúde mental, a raiva faz de nós indivíduos irascíveis, mal humorados, vingativos,destruidores como as águas turbulentas do mar.

d) por citação de exemplos

Crase é fusão de sons idênticos. Assim, em "Vou à Bahia", temos dois "aa": o primeiro é a preposição ‘da", pedida pelo verbo "ir", porque "quem” vai, vai a algum lugar"; o segundo "a" é o artigo definido feminino singular, pedido pelo consequente, no caso o substantivo locativo "Bahia''. Essa fusão é marcada em língua portuguesa pelo acento grave. Outra fusão de sons idênticos pode ser vista na expressão “livre e contente”, agora sem marca de acento gráfico: a vogal final da primeira palavra pronuncia-se /i/, da mesma forma que a conjunção, donde a pronúncia /livri contente/. Em ambos os casos temos a crase.

e) por relação de motivo e causa

Você precisa alimentar-se bem. Está provado que a boa alimentação, sem exageros, balanceada e adequada, previne doenças. Do alimento nosso organismo retira as proteínas e as vitaminas necessárias ao bom funcionamento do nosso corpo etc. etc.

Observe agora a construção do texto abaixo:

Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver os graves problemas que preocupam a todos, pois existem populações imersas em completa miséria, a paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais e, além do mais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico.

  Embora o planeta disponha de riquezas incalculáveis – estas, mal distribuídas, quer entre Estados, quer entre indivíduos – encontramos legiões de famintos em pontos específicos da Terra. Nos países do Terceiro Mundo, sobretudo em certas regiões da África, vemos com tristeza, a falência da solidariedade humana e da colaboração entre as nações.



Além disso, nestas últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coreia, as quais provocaram grande extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos na antiga Iugoslávia, em alguns membros da Comunidade dos Estados Independentes, sem falar da Guerra do Golfo, que tanta apreensão nos causou.

Outra preocupação constante é o desequilíbrio ecológico, provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em local inabitável.

 Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que o homem está muito longe de solucionar os graves problemas que afligem diretamente uma grande parcela da humanidade e indiretamente a qualquer pessoa consciente e solidária. É desejo de todos nós que algo seja feito no sentido de conter essas forças ameaçadoras, para podermos suportar as adversidades e construir um mundo que, por ser justo e pacífico, será mais facilmente habitado pelas gerações vindouras.

Nota: Se vocês seguirem a orientação dada pelo esquema, desde o 1º parágrafo, verão que não há como se perder na redação, nem fazer a introdução maior que o desenvolvimento, já que a introdução apresenta, de forma embrionária, o que será desenvolvido no corpo do texto. E lembre-se de que a conclusão sempre retoma a ideia apresentada na introdução, reafirmando-a, apresentando propostas, soluções para o caso apresentado. Com essa noção clara, de estrutura de texto, também é possível melhorar o seu desempenho nas provas de compreensão e interpretação de textos.

Análise do texto:

TEMA:

1º parágrafo:

2° parágrafo :

3° parágrafo:

4° parágrafo:

5° parágrafo:



EXERCÍCIOS

1) Identifique a que tipo de tópico frasal pertence cada trecho abaixo:

a) A televisão, apesar das críticas que recebe, tem trazido muitos benefícios às pessoas, tais como: informação, por meio de noticiários que mostram o que acontece de importante em qualquer parte do mundo; diversão, através de programas de entretenimento (shows, competições esportivas); cultura, por meio de filmes, debates, cursos.

b) Era o casarão clássico das antigas fazendas negreiras. Assobradado, erguia-se em alicerces o muramento, de pedra até meia altura e, dali em diante, de pau-a-pique (...) À porta da entrada ia ter uma escadaria dupla, com alpendre e parapeito desgastado. (Monteiro Lobato)

c) Embora a vida real não seja um jogo, mas algo muito sério, o xadrez pode ilustrar o fato de que, numa relação entre pais e filhos, não se pode planejar mais que uns poucos lances adiante. No xadrez, cada jogada depende da resposta à anterior, pois o jogador não pode seguir seus planos sem considerar os contra-ataques do adversário, senão será prontamente abatido. O mesmo acontecerá com um pai que tentar seguir um plano preconcebido, sem adaptar sua forma de agir às respostas do filho, sem reavaliar as constantes mudanças da situação geral, na medida em que se apresentam. (Bruno Betelheim, adaptado)

d) As adivinhações agradam particularmente às crianças. Por que isso acontece de maneira tão generalizada? Porque, mais ou menos, representam a forma concentrada, quase simbólica, da experiência infantil de conquista da realidade. Para uma criança, o mundo está cheio de objetos misteriosos, de acontecimentos incompreensíveis, de figuras indecifráveis. A própria presença da criança no mundo é, para ela, uma adivinhação a ser resolvida. Daí o prazer de experimentar de modo desinteressado, por brincadeira, a emoção da procura da surpresa. (Gianni Rodari, adaptado)

e) Quatro funções básicas têm sido atribuídas aos meios de comunicação: informar, divertir, persuadir e ensinar. A primeira diz respeito à difusão de notícias, relatos e comentários sobre a realidade. A segunda atende à procura de distração, de evasão, de divertimento por parte do público. A terceira procura persuadir o indivíduo, convencê-lo a adquirir certo produto. A quarta é realizada de modo intencional ou não, por meio de material que contribui para a formação do indivíduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos. (Samuel P. Netto, adaptado)

f) A imaginação utópica e inerente ao homem, sempre existiu e continuará existindo. Sua presença é uma constante em diferentes momentos históricos: nas sociedades primitivas, sob a forma de lendas e crenças que apontam para um lugar melhor; nas formas do pensamento religioso que falam de um paraíso a alcançar; nas teorias de filósofos e cientistas sociais que, apregoando o sonho de uma vida mais justa, pedem-nos que "sejamos realistas, exijamos o impossível". (Teixeira Coelho, adaptado).

2) Desenvolva um parágrafo padrão onde se enquadra os itens a seguir, usando como tópico frasal o primeiro item e fazendo uso de conectores, na estruturação do parágrafo.

ATENÇÂO: Você vai usar as ideias dos itens, podendo fazer ligeiras alterações na morfossintaxe empregada no texto primitivo: tempos verbais, omissão de dados repetidos, junção de itens etc.

a) A prefeitura do Rio decidiu cadastrar mendigos.

b) Calcula-se que o Rio tenha atualmente, junho de 98, cinco mil mendigos nas ruas.

c) Muitas famílias que esmolam nas ruas, têm casa, mas a renda familiar é insuficiente.

d) Essas famílias colocam seus velhos e suas crianças na mendicância.

e) A prefeitura vai incentivar essas famílias a abandonarem as ruas.

3) Selecione, dentre as frases que se seguem aquelas que você usaria no desenvolvimento de um pequeno texto, com um só parágrafo, cujo tema fosse “Pessoas que possuem famílias constituídas, não devem vagar pelas ruas”. Você tem as seguintes opções:

a) A prefeitura do Rio decidiu cadastrar mendigos porque comprovou que nem todos os pedintes de rua são pessoas abandonadas, sem família.

b) O sociólogo Betinho idealizou a Agenda Social para melhorar a qualidade de vida e integrar moradores das favelas.

c) Calcula-se que o Rio possa ter hoje, junho/98, cinco mil mendigos nas ruas.

d) Muitas pessoas que mendigam, têm família, mas a renda familiar é insuficiente.

e) Algumas famílias colocam seus velhos e suas crianças na mendicância.

f) A prefeitura está programando meios de incentivar essas famílias a abandonarem as ruas.

g) A Agenda Social foi uma iniciativa do Betinho, falecido em 1997.

h) A prefeitura espera poder resolver de outra forma o problema dessas famílias que incentivam seus velhos e suas crianças à mendicância, para aumentar sua renda familiar.

i) Betinho foi um cidadão consciente, porque buscou minorar os problemas sociais.

Pede-se que você cite as letras correspondentes aos períodos que você empregou.

4) Releia o texto que você estruturou e responda, a seguir, por que abandonou alguns dos sete itens acima.

5) Veja se consegue formular um silogismo em que se apliquem as ideias das frases não utilizadas no exercício 3.
6) Leia atentamente os textos abaixo e responda às questões propostas:
a) Quais são as questões abordadas pelos autores em cada texto?
b) Explique, com suas palavras, qual o posicionamento que os autores assumem diante dos temas abordados.
c) Retire de cada um dos textos dois argumentos usados e explique por que o autor os teria empregado para defender seu ponto de vista.

TEXTO 1

A irresistível marcha pela legalização das drogas


Por Hélio Schwartsman1 em 23/06/2011

A decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar as marchas da maconha colocou o debate sobre legalização de drogas na ordem do dia. O tema, é verdade, já vinha ganhando visibilidade através de outras iniciativas, como o lançamento do documentário "Quebrando o Tabu", que conta a saga de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) e outros ex-primeiros-mandatários que passaram a pedir o fim da guerra às drogas. Até Jimmy Carter, 39º presidente dos EUA, aderiu à onda, em artigo em "The New York Times" na última quinta-feira. No domingo, a Folha publicou um editorial em que passa da posição pró-descriminalização para a pró-legalização. Eu, que venho nessa linha já há alguns anos, saúdo a mudança, e aproveito a ocasião para voltar a discutir um pouco mais detidamente alguns pontos dessa intricada questão.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que não lidamos aqui com problemas matemáticos, para os quais existe uma resposta insofismavelmente certa. Como ocorre com a maioria das questões sociológicas, a adequação da resposta depende de uma definição prévia dos objetivos. Assim, se estabelecemos como meta criar uma sociedade livre de drogas, a proibição se impõe como uma necessidade. Se o propósito é preservar ao máximo as liberdades individuais, aí a proscrição se torna uma abjeta usurpação de direitos. O passo inicial para um debate produtivo, portanto, seria fixar alvos realistas e factíveis. É aqui que conservadores e liberais começam a desentender-se. Para os primeiros, a ênfase deve recair sobre a pureza do tecido social, sem espaço para ambiguidades. Para os últimos, a prioridade são as prerrogativas do indivíduo, e os limites para a legítima regulação são dados pelo risco de dano à coletividade. Antes de continuar, vale aqui um alerta. Também eu sou prisioneiro de minhas convicções e intuições morais, de modo que não consigo romper inteiramente as amarras ditadas pela minha visão de mundo liberal. Prometo, porém, que vou expor da forma mais honesta que posso os argumentos dos quais discordo.

Assim, já dando a primeira bordoada nos conservadores, creio que a linha proibicionista, que vem vigorando mais ou menos desde os anos 10 do século passado, peca por irrealismo. Convenhamos que o balanço da guerra às drogas não é muito animador. Várias décadas de repressão direta e indireta ao narcotráfico não fizeram mais do que assegurar a estabilidade do consumo de produtos ilícitos. Outras contas apontam ligeira redução ou pequeno aumento da população de usuários.

A grande verdade é que não existe solução para o problema da dependência química. O mundo não é um paraíso idílico; ao contrário, é um lugar cheio de perigos, que incluem várias centenas de substâncias psicoativas pelas quais nossos cérebros têm uma fraqueza muitas vezes fatal. Não está no poder de nenhuma lei modificar essa realidade bioquímica. Pelo menos com o atual nível de tecnologia médica, só o que a sociedade pode fazer é tentar modular as repercussões desse indesejável pendor humano.

E o meu receio é o de que o paradigma proibicionista mais acrescenta do que subtrai dificuldades. A principal delas é que se trata de um contrassenso econômico. Investimos alguns bilhões de dólares por ano na repressão, cujo principal efeito é elevar o preço da droga, ampliando as margens de lucro e, assim, o poder dos traficantes de aliciar autoridades e corromper o Estado. Na América Central, os cartéis de drogas já ameaçam a estabilidade política das democracias locais. Como se não bastasse, na outra ponta ainda gastamos mais alguns bilhões em tratamento médico para os dependentes (aí também incluídos os usuários crônicos de tabaco e álcool).

O pressuposto é o de que, sem a proibição e a repressão, a prevalência do uso de drogas ilícitas seria significativamente maior. É difícil discordar --e este é o argumento forte dos conservadores. A oferta mais livre de substâncias viciantes tende a aumentar o número de pessoas que as experimentam e, por conseguinte, a fração dos que desenvolvem dependência química. O tamanho preciso dessa encrenca, entretanto, permanece uma incógnita. Como nenhum país experimentou ainda a legalização, ninguém tem a menor ideia de quanto a prevalência aumentaria.

Há aqui duas "escolas" de pensamento. Para os que tendem a reforçar o aspecto bioquímico do fenômeno, não há limite para o vício. Se submetermos uma dada população de ratos a um regime de ingestão forçada de cocaína ou álcool, teremos, ao cabo de poucas semanas de uso contínuo, 100% de dependentes, que experimentarão tolerância, "craving", síndrome de abstinência na retirada e demais sintomas clássicos.

Só que nem o mais entusiasta proponente da legalização está sugerindo adicionar LSD aos reservatórios de água. Há uma grande diferença entre permitir e obrigar. E, ao longo de centenas de milhares de anos, ocorreram inúmeros experimentos naturais de exposição de humanos a drogas. Até onde se sabe, por mais abundante que fosse a oferta, foi sempre uma minoria da população a que teve problemas mais sérios de dependência. Há quem sustente que, em condições "naturais" (isto é, sem um cientista para atochar cachaça e pó nas pobres cobaias), o vício resulta de uma interação entre as propriedades bioquímicas das substâncias e a personalidade do indivíduo que as utiliza. Nesse caso, a legalização não implicaria necessariamente uma explosão apocalíptica no número de viciados. As pessoas com propensão mais acentuada para a dependência já "militam", seja no mercado legal, como alcoólatras, seja no ilegal, ou mesmo misturando um pouco de tudo. O incentivo ao consumo proporcionado pela legalização atingiria mais a população não tão afeita à dependência.

Há aqui um "caveat". A exemplo do que ocorreu com o álcool quando descobrimos o processo de destilação no século 12, inovações químicas têm tornado as drogas ilícitas bem mais poderosas do que eram no passado. Assim como o alcoolismo se tornou um problema mais grave com o advento do uísque, da vodca, da cachaça e de todas as bebidas destiladas, as novas variedades de maconha e as drogas sintéticas podem estar driblando os mecanismos naturais de defesa que o cérebro tem contra o vício. Embora nós não os conheçamos bem, eles existem. Acho que estamos há algumas décadas focando o elemento errado. A pergunta-chave não é por que as pessoas se viciam, mas sim por que a maioria dos humanos não sucumbe às drogas. Mesmo a mais prevalente delas, o tabaco, nunca escravizou muito mais do que um terço da população adulta de um país.

E é o próprio tabaco que nos ensina que é possível obter avanços sem recorrer à polícia. Em 1989, 32% dos brasileiros com 15 anos ou mais eram fumantes. Em 2008, a prevalência havia caído para 17,2%. O país já contava então com mais ex-fumantes do que fumantes. Não é impossível que níveis semelhantes de pressão social e boa informação científica produzam resultados parecidos para outras drogas.

É claro que, para uma estratégia de legalização parar em pé, ela precisa observar certas precondições da racionalidade econômica que nem sempre são colocadas abertamente. Em primeiro lugar, é preciso que seja uma política ampla, que abranja todas as drogas e não apenas as preferidas pelos filhos da classe média influente. O "statu quo" não muda se liberarmos a maconha, mas mantivermos a cocaína e a heroína proibidas. Os traficantes continuariam operando e obtendo lucros astronômicos, com os quais se infiltram nas estruturas do Estado e geram violência.

É necessário ainda que as substâncias sejam efetivamente legalizadas e não apenas toleradas. Isso implica a criação de empresas que explorem a atividade, a abertura de pontos de venda e o recolhimento de tributos. Eu, de minha parte, fundaria a Narcobrás. Aqui, as ineficiências típicas do setor estatal se transformariam em virtude pública.

Ao contrário do que afirmou o editorial da Folha, não acho que só se possa avançar se houver apoio internacional. Em princípio, não haveria problema nenhum se o Brasil abraçasse o paradigma da legalização sozinho (é só um exemplo; não há a menor chance de sermos os primeiros a fazê-lo). Precisaria apenas tomar o cuidado de não tentar conquistar novos mercados no exterior e de retirar-se dos tratados proibicionistas que já assinou. É claro que ouviríamos alguns protestos, mas eles seriam "para constar". É pouco provável que os EUA ou qualquer outro país ficasse tão incomodado com a medida que decidisse nos declarar guerra ou deixasse de comprar nossos produtos.

Também discordo do editorial quando sugere que se comece permitindo o consumo (e, por extensão, a produção) no contexto de rituais religiosos. Podem chamar-me de antiquado, mas sou daqueles que ainda acredita no ideal republicano, segundo o qual crenças exóticas não bastam para produzir direitos especiais. Ou bem as regras do direito penal valem para todos, ou para ninguém. No mais, como já demonstrei em outra ocasião, não me custaria mais do que umas poucas centenas de reais para registrar em cartório uma igreja que preveja em seus estatutos o uso ritual de todas as substâncias psicoativas conhecidas ou por criar. Tudo o que não precisamos é transformar a já complicada discussão sobre legalização de drogas num debate teológico.

Evidentemente, nenhuma dessas ponderações é sólida o bastante para basearmos uma política nacional para as drogas, mas elas são suficientes para pelo menos questionarmos o automatismo das posições proibicionistas. Eu mesmo tenho dúvida em relação a vários pontos: será que não é melhor seguir fingindo que vivemos num mundo bacaninha e que as leis que escrevemos nos protegem do mal que ronda lá fora? Se concluirmos pela legalização, devemos proceder de uma vez ou de modo gradualista, a fim de não criar nenhuma situação irreversível? Que sinais de alerta consideraríamos necessários para eventualmente rever a estratégia? Qual carga de impostos devemos estabelecer sobre esses produtos? Vamos tolerar a publicidade? Já imagino um monte de belas moças esbeltas de biquíni cheirando oblongas carreiras no horário nobre da TV.

Brincadeiras à parte, o que me faz pender definitivamente para o lado da legalização não são as considerações epidemiológicas, mas a convicção filosófica de que existem limites para a interferência do Estado sobre o cidadão. Eu pelo menos jamais tomaria parte num contrato social no qual precise abrir mão de decidir o que posso ou não ingerir. Esse é um direito que, acredito, está no mesmo pacote do da liberdade de ir e vir e de dizer o que pensa. É claro que defender essa posição pode ter um custo em termos de saúde pública. E o diabo é que não sabemos qual é.

Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/. Acesso em 05 de agosto de 2011.




TEXTO 2
Sem limites

Marcia Tiburi2 (Publicado em Vida Simples em 2008)

Critica-se por aí a falta de limite das crianças. Reclama-se dos adolescentes criados sem limites. No quarto escuro do caos, esperamos que a luz do limite venha por a bagunça em ordem. Nem adultos escapam da exigência geral. Impõem-se leis rígidas contra o consumo do álcool, fecham-se as casas de jogo, grita-se contra as drogas. Um submundo de tensões mais clandestinas aqui, menos ali, atrapalha a expectativa de um mundo ordenado. Tudo o que se diz contra os excessos destrutivos é em nome de limites.

De tanto gritar limites ficamos surdos para nossos próprios gritos. Onde foi parar o bom-senso é questão que é preciso retomar. Quem para pra pensar no porquê de tantas imposições? A rigidez das atitudes é a resposta fácil no desespero. O desespero é o descaminho que se explica pela falta de limites e pela tentativa de criá-los, a cada vez, pela força. É o limite que ficou sem limite. A excessiva proibição nos torna incompetentes para a vida.



Onde estão os limites?

Para muitos basta dar “limites” para realizar uma boa educação. Como se a experiência

do limite sozinha pudesse ser a salvação para alguém que se perdeu. Um não dito em tom solene aqui, ou acolá, e estaria feita a mágica. Sabemos que não funciona assim. Professores contam com soluções vindas de casa. Pais desatentos ou ocupados esperam que os limites sejam produzidos na escola como se encontrar o “limite” fosse tarefa da educação formal. Nem uma coisa nem outra. Parece que o limite tornou-se uma palavra mágica a carregar a culpa para o lado oposto onde cada um está. A tarefa de dar limite é uma das tantas que esperamos dos outros. Todos sabemos que ela dá muito trabalho. Muitas vezes nem sabemos, os responsáveis, do que se trata. Mas no fundo, talvez a preguiça de agir demonstre mais do que cansaço ou descaso. Talvez não confiemos na possibilidade de que um limite seja a resposta para nossos problemas na educação, nos relacionamentos, pois nós mesmos não nos damos limites. Somos autoindulgentes, autopiedosos, sempre prontos a perdoar as nossas falhas. A revolta contra as leis é sinal de que não vemos vantagem dos limites para nós mesmos. A culpa – e o problema – é dos outros.

Limite para tudo

Os filósofos antigos usavam o termo “peras” para expressar os limites. Tanto nos pré-socráticos, quanto em Platão e Aristóteles, este conceito tinha uma função metafísica, ou seja, servia para explicar como as coisas existiam, porque elas eram o que eram e não diferentes. Por exemplo, Aristóteles dizia que qualquer coisa não existe para além do limite. Tudo o que existe precisava de um limite para existir. Para saber o que algo é e onde está se usa a noção do limite. Limite é sinônimo de forma. Afinal não podemos saber o que é uma casa se não reconhecemos seus limites concretos, arquiteturais, que são, afinal, formais. Até a beleza era entendida como uma espécie de limite. Se pensarmos bem, toda a nossa forma de ver o mundo, de pensar, de entender as coisas, depende deste conceito.

Em termos éticos, aparentemente menos abstratos para a nossa mentalidade atual, os antigos entendiam o limite como autodomínio, capacidade de controlar as próprias paixões (mais tarde chamadas de pecados), de viver no meio-termo. Limite era tudo que tanto impedia como possibilitaria movimentos. Qualquer ação dependia de limites no espaço e no tempo. Mas também dos limites externos ou internos de que agia.

Respeito ilimitado

Todo limite é uma experiência que se formula na relação com o outro. Entre eu e o outro há sempre um espaço imponderável. Neste vazio entre “eu e tu” a melhor coisa a ser colocada é o respeito. Se o limite é a experiência que permite saber até onde se pode chegar e, com sorte, a protetora dor de saber aonde não se deve ir, o respeito é a única de todas as experiências que não pode ter limite.  Por que respeito é o modo de olhar para o outro como algo positivo, ver nele sua potência de ser, como alguém que, mesmo me sendo próximo, carrega em si algo que não pode dizer sobre si mesmo para mim, e, por isso mesmo, sempre será intocável.



Nenhum respeito

A total ausência de respeito pelo outro é o que caracteriza a figura do perverso. O perverso é aquele que, por algum motivo que apenas pode ser ponderado caso a caso, rompeu com o limite. Ele vive da crença de que é capaz de submeter o outro. No entanto, mesmo quando destrói o outro, não deixa de enganar a si mesmo. Ele vive da crença de que tomou posse de sua vítima, mas é apenas uma crença e, como tal, não se sustenta na negação de quem não crê. A crença é sustentável apenas enquanto a vítima sustenta a posição do perverso. Em momento algum, no entanto, ele atingirá o âmago da outra pessoa. O perverso é um eterno logrado. Um frustrado que ilude o outro pelo medo. Quem se deixa levar é também iludido. E frustrado porque é impossível atingir o fundo irreconhecível de cada pessoa. Aquilo que justifica que somos seres humanos e que podemos sempre chamar de dignidade. Só esta convicção pode aniquilar um olhar e uma atitude perversas. Limite é, no fundo, o lugar intangível de cada um. 

Retirado de http: //www.marciatiburi.com.br. Acesso em 17 de março de 2009.


TEXTO 3

A imprudência acelerada a 150 km por hora


Por Luiz Flávio Gomes3em 04/08/2011

** A mídia selecionou para suas manchetes o acidente no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, ocorrido entre um Porsche e um Hyundai Tucson.

Naquela madrugada câmeras de um prédio registraram imagens do Porsche pouco antes da colisão. Segundo uma análise preliminar da perícia, o carro estava a pelo menos 150 quilômetros por hora quando arremessou o Tucson da vítima contra o poste, que ultrapassava em baixa velocidade o sinal vermelho. A vítima morreu na hora.

O episódio ocorrido não foi acidental! Trafegar a 150 km/h em um local em que a velocidade máxima permitida é de 60 km/h, é consentir com uma conduta proibida, é praticamente assumir o risco de provocar uma fatalidade.

No entanto, não se trata aqui de discutir a ação do condutor, dolosa (dolo eventual) ou culposa (culpa consciente ou inconsciente). Isso será debatido no processo. O que o IPC-LFG se propõe, em sua Campanha Educativa Contra a Violência no Trânsito, é registrar nosso espanto contra a inegável periculosidade da conduta de trafegar a 150 km/h, sobretudo em vias urbanas, conforme constatou a perícia preliminar.

Mais de 37 mil vidas são perdidas anualmente no trânsito brasileiro em decorrência de eventos, na maioria das vezes, não acidentais, mas sim absolutamente previsíveis como estes.

É o que evidenciam os números. O excesso de velocidade representa 30% dos acidentes e mortes no trânsito nos países desenvolvidos e 50% dos acidentes e das mortes nos países em desenvolvimento[1], ou seja, ele é uma das principais causas de mortes no trânsito tanto no Brasil como no restante do mundo.

A diferença é que, em inúmeros países, como por exemplo nos membros da União Europeia, planos e ações de segurança viária são desenvolvidos e reduzem drasticamente o número de mortes no continente (veja em nossa Campanha Educativa Contra a Violência no Trânsito, como a União Europeia reduziu o número de acidentes em decorrência do excesso de velocidade), enquanto que, por aqui, somente medidas meramente pontuais e emergenciais são criadas, sem amplitude ou grande efetividade.

O país precisa de mais. Uma verdadeira revolução neste setor, uma séria Política Pública voltada para a Segurança Viária. Se matamos apenas em 2008 o montante de 38.273 pessoas no trânsito brasileiro (crescimento de 32% no número de mortes desde o ano de 2000), passou da hora de nos comovermos e seguir o exemplo esplêndido da União Europeia que, com a adoção de uma Política Pública sólida aplicada na segurança viária, reduziu em 36% o número de mortes no continente (entre 2001 a 2009).

Assim, o IPC-LFG, mediante sua Campanha Educativa Contra a Violência no Trânsito, mais uma vez retoma a importância de que um plano de ação viária seja desenhado no país, que medidas preventivas e conscientização da população (principalmente motoristas e pedestres) sejam as diretrizes da amenização do montante de mortes no Brasil. Ou seja, o perfeito funcionamento da fórmula EEFPP: Educação, Engenharia (nos carros, nas estradas, nas ruas etc.), Fiscalização, Primeiros socorros e Punição.

Do contrário, a tragédia acima narrada será apenas mais um episódio doloroso e cruel que, somado às mais de 37 mil mortes anuais, retrata o quão violento é o trânsito brasileiro.

Se acabamos de comemorar o dia do motorista (25/7) e a mensagem é de conscientização, lembre-se: exceder o limite permitido é agir com imprudência ou mesmo com bestialidade, que coloca (certamente) sua vida e a de outros em risco.



** Natália Macedo é advogada, pós-graduanda em Ciências Penais e pesquisadora do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes.

[1] Dados divulgados em 02/02/09 pela ABETRAN (Associação Brasileira de Educação de Trânsito), retirados da entrevista do Prof. Dr. Antônio Clóvis Pinto Ferraz, o Coca, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em trânsito e transportes).

Retirado de www.conjur.com.br. Acesso em 4 de agosto de 2011.


Texto 4

Por que Harvard quer brasileiros

Por Gilberto Dimenstein4 em 27/07/2011


Desembarca no Brasil no próximo mês o professor Nitin Nohria, diretor da escola de negócios de Harvard, considerada, em vários rankings, a melhor do mundo. Ele me diz que seu objetivo é simples: quer levar mais talentos brasileiros para estudar em sua escola. E não é por causa da mensalidade, afinal candidatos não faltam. É uma questão de sobrevivência de sua instituição, responsável por formar parte da elite empresarial americana (o detalhamento da conversa esta no www.catracalivre.com.br).

É uma aula sobre a excelência na educação.

Para ele, o Brasil é um dos cinco países mais importantes para quem está preocupado em estudar os negócios --e o recordes de investimentos estrangeiros anunciado nesta semana reforça essa visão. Ficar centrado nos Estados Unidos é, segundo ele, o caminho do obsoletismo.

A força de sua escola está no fato de que tem atraído talentos que, depois, viram empreendedores. Quanto melhor o aluno, diz ele, melhor a escola. "Precisamos caçar os melhores para continuarmos na vanguarda. O que fazemos depois é apenas burilar esses talentos."

A conversa dá uma lição de humildade: sentar no sucesso é o primeiro passo do fracasso. Por melhor que esteja, dá para ser muito melhor.

É uma boa lição para muitos de acadêmicos de universidades públicas que, por não terem muita competição e a verba garantida pelo governo, sentem-se o máximo mesmo na mediocridade.

Lembro que fui muito criticado aqui por que considerei uma vergonha (e não motivo de júbilo) que, apesar da São Francisco, da USP, aparecer em primeiro lugar na lista dos exames da OAB, quase 40% dos seus alunos não foram aprovados.

Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/. Acesso em 05 de agosto de 2011.


TEXTO 5

A genial bicicleta do morador de rua

Por Gilberto Dimenstein5 em 25/07/2011


A partir de hoje, dia do Escritor, começa a circular na cidade de São Paulo uma genial bicicleta criada por um morador de rua. É a bicicloteca (o detalhamento está no www.catracalivre.com.br), que vai andar pelo centro distribuindo livros para quem não tem acesso a livro e coragem para entrar numa biblioteca.

Como Robson Moura morava perto de uma biblioteca no centro de São Paulo (Mário de Andrade), ele acabou se aproximando e se apaixonando pela leitura, que acabou tirando-o das ruas. Daí veio a ideia, simples, de montar um equipamento em cima da bicicleta para distribuir livros pela cidade, levando a cultura para quem precisa.

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