Obra Musical. Autor: Roberto Malvezzi (Gogó) Introdução



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Obra Musical.

Autor: Roberto Malvezzi (Gogó)
Introdução.

Quando coloquei os olhos sobre a imagem de Nossa Senhora do Pantanal, tive uma certeza: estava diante de um arquétipo ecológico. Aquela imagem coberta por onças, tuiuiús, ramagens e outros ícones do Pantanal era reveladora de uma nova dimensão de Maria para mim, já cotidiana para o povo, isto é, sua vinculação ecológica. Depois, quando vi Nossa Senhora dos Seringueiros, tive a certeza que não estava diante de um fato isolado. Foi fácil puxar pela memória e lembrar que Nossa Senhora Aparecida foi encontrada no rio Paraíba, Nossa Senhora do Círio de Nazaré encontrada num igarapé, assim como Nossa Senhora das Grotas encontrada no rio São Francisco. Enfim, o inconsciente coletivo de nosso povo já estabelecera um vínculo ancestral entre Maria e as águas, Maria e a natureza, portanto, Maria e a ecologia.

Nesse arquétipo três elementos são constantes: primeiro, Maria; segundo, pessoas do povo como seringueiros, pescadores, ribeirinhos, índios, vaqueiros; terceiro, elementos da natureza, como a água, matas e animais.

Senti, então, que estava diante de um belíssimo tema musical. Pesquisei outras Marias, bem brasileiras, somei com músicas que já tinha composto para Ela e surgiu o CD “Maria e Ecologia”.

Numa época de crise ecológica, crise civilizatória, os católicos têm em Maria também sua companheira de caminhada, de luta, de proteção. Mais que nunca, vamos precisar de Maria para nos ajudar a salvar a comunidade da vida, inclusive a vida de nossos filhos e netos. Espero que esse CD possa ajudar.
Roberto Malvezzi (Gogó)

1. Madrecita de Guadalupe.
La Madrecita de Guadalupe

Tiene dos ojos de agua

Dos ojos de agua

Dos ojos de agua


Y guarda su pueblo

En el fondo de sus ojos.

Y guarda su pueblo

En el fondo de sus ojos.


II
A mãezinha de Guadalupe

Tem dois olhos d’água

Tem dois olhos d’água

Tem dois olhos d’água.


E guarda seu povo

No fundo dos olhos

E guarda seu povo

No fundo dos olhos.

Comentário.

Era o tempo de conquista das Américas. Os Espanhóis tinham chegado onde hoje está o México e eliminado o império Asteca. As populações originais foram esmagadas. Conta a história que em 1531 uma “Senhora do Céu” apareceu a um índio Tepeyac - depois batizado com o nome de Diego -, e pediu a ele que solicitasse ao bispo a construção de uma Catedral em sua honra. Como prova, que levasse flores. Ao levá-las, elas ficaram impressas em sua Tilma, como também a imagem da mulher que lhe havia aparecido. Entretanto, os traços da imagem são de Tonantzim, deusa asteca da Terra. Esse manto, de tecido frágil, que durava poucos anos, até hoje continua existindo. Pesquisas mais recentes, feitas por oftalmologistas, identificaram pessoas humanas desenhadas no interior dos olhos da imagem impressa. Elas parecem vivas. Daí a leitura simbólica que ela guarda seu povo no fundo dos olhos. Hoje Nossa Senhora de Guadalupe é considerada padroeira das Américas.

Imagem.

2. Senhora Aparecida.
O pescador lançou sua rede

No rio Paraíba

E o que ele encontrou

Foi muito mais que peixe

Foi a imagem Aparecida.
Então, tudo se transformou

O milagre aconteceu

Quem veio dessas águas

Foi um sinal de Deus.


E agora

O povo do Brasil

Não sabe mais rezar

Sem olhar para a padroeira

Que Deus quis para o país.
Senhora Aparecida

Nas águas desse rio

Velai por nossas vidas

Também por nossos rios

Guardai a nossa prece

No manto azul anil

Guardai o vosso povo

Padroeira do Brasil.
Então, aqueles pescadores,

Levaram para casa

A imagem mais morena

Que tinham visto em vida

A imagem Aparecida.
E aos poucos

Rezando percebiam

Que o povo escravo e simples

Ganhara a proteção

Da mãe de cada dia.
Milagres

Também aconteciam

As velas se apagavam

E depois se acendiam

Sobre o rosto de Maria.

Senhora Aparecida

Nas águas desse rio

Velai por nossas vidas

Também por nossos rios

Guardai as nossas preces

No manto azul anil

Guardai o vosso povo

Padroeira do Brasil.
Mesmo depois de tantos anos

Estais no santuário

Que a mão humana ergueu

Com arte e sacrifício

Como a casa de Maria.
Então,

romeiros, peregrinos

Vem sempre visitar

Pedir e agradecer

As graças recebidas.
E hoje,

O povo em romaria

Caminha nas estradas

Atrás de santos dias

Com a benção de Maria.
Comentário:

A história de Nossa Senhora da Conceição Aparecida tem seu início pelos meados de 1717, quando chegou a notícia de que o Conde de Assumar, D.Pedro de Almeida e Portugal , Governador da Província de São Paulo e Minas Gerais, iria passar pela Vila de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica, hoje cidade de Ouro Preto - MG.

Convocado pela Câmara de Guaratinguetá, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves saíram à procura de peixes no Rio Paraíba. Desceram o rio e nada conseguiram. Depois de muitas tentativas sem sucesso, chegaram ao Porto Itaguaçu.

João Alves lançou a rede nas águas e apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Lançou novamente a rede e apanhou a cabeça da mesma imagem. Daí em diante os peixes chegaram em abundância para os três humildes pescadores.


Durante 15 anos seguidos, a imagem ficou com a família de Felipe Pedroso, que a levou para casa, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para rezar. A devoção foi crescendo no meio dos que rezavam diante da imagem.

A família construiu um oratório, que logo tornou-se pequeno. Por volta de 1734, o Vigário de Guaratinguetá construiu uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745. Mas o número de fiéis aumentava, e, em 1834 foi iniciada a construção de uma igreja maior (atual Basílica Velha).

O fato de ser encontrada em um rio, por pescadores, confirma a tradição das manifestações de Maria a pessoas simples, normalmente em meio à natureza.

Hoje o rio Paraíba está poluído e degradado. Precisa ser recuperado. Quanto à imagem, hoje está no Santuário Nacional que substituiu oficialmente a Basílica Velha e é visitada por milhões de pessoas todos os anos. (www.santuarionacional.com)


Imagem.

3. Senhora do Círio de Nazaré.
O Círio de Nazaré

É pra quem tem fé

É pra quem tem fé

É pra quem tem fé.

Porque ela gosta mesmo

É dos igarapés, dos igarapés.

Dos igarapés....

Um dia, num igarapé,

Alguém encontrou a Senhora da fé.

No meio da mata, das águas,

Estava a imagem daquela mulher.

Era Maria, oi

Era Maria,
Achada no Murutucú,

O caboclo trazia, a imagem voltava.

Porque a Senhora da fé

Adorava morar é no Igarapé,

Era Maria, oi

Era Maria.


Todo esse povo que segue

Pegado na corda, pagando promessa

Vai porque acredita, porque agradece

Porque vai em prece

Louvar Maria, oi

Louvar Maria.

Comentário:

No Pará, foi o caboclo Plácido José de Souza quem encontrou, em 1700, às margens do igarapé Murutucú (onde hoje se encontra a Basílica Santuário), uma pequena imagem da Senhora de Nazaré. Diz a lenda que, após o achado, Plácido levou a imagem para a sua choupana e no outro dia ela não estava lá. Correu ao local do encontro e lá estava a “Santinha”. O fato teria se repetido várias vezes até a imagem ser enviada ao Palácio do Governo. No local do achado, Plácido construiu uma pequena capela.

Em 1792, foi autorizada pelo Vaticano a realização de uma procissão, em Belém, em homenagem à Virgem de Nazaré. O primeiro Círio foi realizado no dia 8 de setembro de 1793. No início, não havia data fixa para o Círio, que poderia ocorrer nos meses de setembro, outubro ou novembro. Mas, a partir de 1901 a procissão passou a ser realizada sempre no segundo domingo de outubro.

Tradicionalmente, a imagem é levada da Catedral de Belém à Basílica Santuário. Hoje é a maior festa religiosa do Brasil. A multidão tenta se aproximar e tocar na corda - antes apenas uma proteção - como forma de pagar promessas.

http://www.ciriodenazare.com.br/.

4. Senhora do Sertão.
Quando no sertão amanhece

E o sol faz romper um novo dia

Toda natureza agradece

E o povo sempre reza a Ave Maria.


Quando amanhece

Romper do dia

Lá no sertão

Ave Maria!

E o sertanejo sempre agradece

Reza uma prece

Ave Maria.
Ave Maria!

Ave Maria!

Reza uma prece

Ave Maria!


Quando no sertão anoitece

E a noite vem trazer o fim do dia

Toda natureza agradece

E o povo sempre reza a Ave Maria.

Quando anoitece

No fim do dia

Lá no Sertão

Ave Maria.

E o sertanejo sempre agradece

Reza uma prece

Ave Maria.
Ave Maria

Ave Maria

Reza uma prece

Ave Maria!


Comentário:
Já existe a Ave Maria Sertaneja, consagrada na voz de Luis Gonzaga. Mesmo assim decidi compor outra. Convidei para interpretá-la meu amigo e parceiro musical Targino Gondim, sanfoneiro da linhagem de Gonzaga. A presença de uma Maria Sertaneja é realidade no cotidiano de nosso povo, atrás da água, da comida, da vida digna. Hoje, quando a caatinga precisa ser preservada, junto com sua comunidade da vida, que Nossa Senhora do Sertão nos acompanhe nessa luta tão árdua quanto bela.

5. Mãe do Universo.


Maria,

Estrela da Manhã

E sol de nossas vidas

Maria,


Em meio ao Universo

A luz que é mais querida

Ó, Maria de Amor,

Ó, Maria de Paz,

Maria de Deus,

Maria de mar.


Maria,

Mãe do universo

Ó, Mãe,

Eu quero Deus por perto



Você, templo do Senhor.

Ó, Maria de paz,

Ó, Maria de amor.
Comentário.
Mãe do Universo foi gravada originalmente no LP “Cristificação do Universo”, musical gravado pelas Paulinas em 78 e regravado na Espanha em 81. Insere-se no contexto do “Cristo Cósmico”, questão hoje tão absurdamente atual. O musical é referenciado na “Missa sobre o Mundo” de Teilhard de Chardin.
6. Senhora do Socorro.
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Socorrei a nós e amparai o povo.
Maria do Socorro

Mãe Nossa e de Jesus

O povo pede água, o pão, a paz e a Luz.

Agasalhai a todos e ouvi a nossa voz

Senhora do Socorro,

Rogai por nós.
Maria Mãe da Vida

E mãe do Deus da Vida

Zelai os passarinhos, as matas e os rios

Agasalhai a todos e ouvi a nossa voz

Senhora do Socorro Rogai,

Por nós
Maria Mãe do Amor

Olhai a Nossa Dor

O nosso Sofrimento, Angústias e Lamentos

Agasalhai a todos e ouvi a nossa voz

Senhora do Socorro,

Rogai por nós.

Comentário:

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é um título conferido a Maria, mãe de Jesus, representada em um ícone de estilo bizantino. Na Igreja Ortodoxa é conhecida como Mãe de Deus da Paixão, ou ainda, a Virgem da Paixão.

Um ícone célebre é venerado desde 1865 em Roma, na igreja de Santo Afonso, dos redentoristas, na Via Merulana.

A tipologia da Mãe de Deus da Paixão está presente no repertório da pintura bizantina desde, no mínimo, o século XII, apesar de rara. No século XV, esta composição que prefigura a paixão de Jesus, é difundida em um grande número de ícones.

No Brasil essa imagem de Maria ganhou popularidade pela difusão dos Missionários Redentoristas, através dos novenários. Agora, quando a comunidade da vida pede “socorro”, é natural invocar a força, a proteção e o apoio da Senhora do Socorro também na questão ecológica.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_do_Perp%C3%A9tuo_Socorro

7. Senhora dos Seringueiros


Quando o mundo pulsava em tempos de guerra

Quando os filhos do povo chegaram nas selvas

Quando o Nordeste levou os seus filhos pro Norte

Nessa dureza de vida chegava primeiro


Nossa Senhora dos Seringueiros

Nossa Senhora dos Seringueiros

Nossa Senhora dos Seringueiros
No meio de um mundo tão lindo e desconhecido

No meio das matas, das águas e todos os bichos

E tinham que saber viver de janeiro a janeiro

E tinham que saber viver como todo guerreiro


E o povo forjado nas selvas, povo seringueiro

Guardava no fundo da alma a sua Senhora

Guaporé, Guajará, Amazônia, o mundo inteiro

Se canta, ou se ri, ou se reza, ou ainda se chora


Comentário:


Durante a Segunda Guerra Mundial, 1943, brasileiros do Nordeste foram levados para a região Norte para extrair o látex das seringueiras, matéria prima da borracha natural. Por isso, foram chamados de “soldados da borracha”. A grande maioria saiu do Ceará e foi para a região do Guaporé e Guajará-Mirim. A dureza da vida, o assombro da floresta, o isolamento, a vida em um contexto absolutamente diferente sempre foi cheia de riscos e imprevistos. Nesse contexto surgiu a imagem de Nossa Senhora dos Seringueiros, aquela que os protegia no mundo desconhecido. Hoje é a padroeira da diocese de Guajará-Mirim, Rondônia, onde existe uma catedral em sua honra. Nesse contexto de crise ambiental, também assume a dimensão de padroeira da floresta e dos povos da floresta, particularmente do povo seringueiro.
Imagem.

8. Senhora do Pantanal.


Nossa Senhora

Do Pantanal

Livra do mal

Os tuiuiús

As capivaras

Todas as araras

Piraputangas

E os pacus

Nossa Senhora

Além de nós

Livra do mal

Os peixes,

As aves

E os rios.


E olha-nos com os olhos das águias

E guarda-nos com o instinto das onças

E dá-nos a astúcia das cobras

E dá-nos a inocência dos pássaros.


E a força da boca desses jacarés

E a paz que rola mansa sob os igarapés


Peixes, matas, águas, aguapés

Peixes, matas, águas, água e fé.

Peixes, matas, águas, aguapés

Peixes, matas, águas, água é fé.




A imagem encantadora de Nossa Senhora do Pantanal é a expressão mais perfeita do arquétipo ecológico de Maria. Referido título foi sugerido pelo Dr. Gabriel Vandoni, no ano de 1982, quando se viu diante da imagem elaborada, artisticamente, pela artesã, Senhora Ida Sanches Mônaco, na cidade de Corumbá/MS.

A partir daí, começou o culto á Nossa Senhora do Pantanal, sendo, oficialmente, declarada como padroeira no dia 21 de setembro de 2.001.

“Maria passa a ser agora não só Estrela do mar, mas a Estrela guia das águas límpidas do Pantanal, que se transforma na Estrela da Esperança para todos nós”. (José Scofoni Faleiros)


 

9. Mãe de Deus.


Ave, Maria

Mãe de Deus

A fina flor de Israel

Anunciada em Isaias

Em cada gesto, em cada dia

Ó mão de mãe, mão de Maria

Nos sustente no amor.

Enquanto vamos pelo mundo

Nos ensine a praticar

Toda palavra do Senhor


Santa Maria,

Mãe de Deus,

Rogai por nós,

Que somos pecadores.

Agora e na hora

De nossa morte

Durante a vida

E quando o mundo precisar.

Amém!
Comentário:
Essa “Ave Maria”, de linhagem bíblica, principiando pelo Antigo Testamento, foi composta no contexto da missa “Festa para Cristo”, ainda na década de 70. A segunda parte da música é apenas uma forma diferente de rezar a segunda parte da Ave Maria.

10. Mãos nas Mãos.


Quase que ninguém falava

De Maria em Nazaré

Sua vida, seu silêncio

Seu deserto, sua fé.

Seus cuidados junto ao Filho

Seu trabalho sem cessar

Sua dor ao pé da cruz

E o ver na alegria

Seu Jesus ressuscitar
Por isso, agora

Vai pedir por nós ao Filho

Mãos nas mãos, olhar no olhar

Nos caminhos desse mundo

Até chegarmos ao final.
Comentário:
Essa Ave Maria foi composta no contexto da missa “Mãos nas Mãos”, também na década de 70. Traduz de forma particular o serviço da Maria dos Evangelhos, “a comadre Maria”, como costuma dizer Pedro Casaldáliga. Essa é a Maria que nos ajuda e nos ensina a viver o cotidiano de nossas vidas.
11. Senhora da Conceição.
Senhora da Conceição

Da água salgada e doce

Acolhe em teu coração

As flores que o povo trouxe


Menina dos nossos olhos

E nos teus olhos a mina

A mina de água doce

Ó, doce luz feminina.


O brilho no firmamento

É o brilho da estrela guia

É o brilho de tua beleza

De tua beleza, Maria.


Na mão eu levo uma flor

Na voz eu levo a canção

E tu eu levo no peito

Senhora da Conceição.


Nas festas de padroeira

Nos becos, pelo sertão

O povo te canta nas ruas

O povo te faz procissão


E tu caminhas conosco

Buscando um mundo melhor

Guardando os filhos do povo

Velando sempre por nós.


Comentário:
Senhora da Conceição é uma das devoções marianas mais populares do Brasil. Dia 8 de Dezembro tem festas por todo o país. Relacionada às águas salgadas como Conceição da Praia, ou às águas doces ao longo dos rios, está claramente presente no mundo da natureza e na natureza do povo brasileiro.

12. Ave Maria dos Oprimidos.


Ave, Maria,

Dos oprimidos

Abre a nós teu coração.

Bendito é o fruto

De teu ventre

Que é semente

Da libertação.
Ouve o grito

Que sai do chão

Dos oprimidos

Em oração.


Santa Maria,

Dos infelizes

Das horas-extras

Das horas tristes

Livra-nos todos

Da opressão

De toda forma

De escravidão.


Comentário:
Essa Ave Maria traz a dimensão mais bíblica, social, da figura de Maria. Está mais próxima do Magnificat. Há anos cantada nas Comunidades Eclesiais de Base, traduz melhor o espírito dos cristãos que têm engajamento social. Originalmente foi gravada pelas Paulinas num LP com músicas das comunidades, ainda na década de 80. Foi regravada mais recentemente no CD “Agora Lábios Meus”, também pela COMEP/PAULINAS.

13. Senhora Santana.
Hoje é festa de Santana

Ana


Ela é a mãe de Maria

Ana Maria

Vou pedir que ela guarde

A nossa comunidade

Como guardou sua filha.
Que ela guarde o povo trabalhador

Que ela guarde todo povo sofredor

Que ela guarde também nossa juventude

Guarde as nossas crianças

E lhes dê paz e saúde.
Que ela proteja toda nossa natureza

Que Deus criou com carinho e com beleza

Que ela proteja nossas águas, nossas matas.

Traga paz pra humanidade

E também para o planeta.
Que ela ajude pôr o pão em nossa mesa

Que ela ajude pôr a paz em nossos lares

Que ela dê forças para nossa caminhada

Nos ampare nas estradas



E também dificuldades.
Comentário:
Santana (Santa Ana) é a mãe de Maria, portanto, avó de Jesus. Praticamente nada se sabe a respeito de sua vida. Entretanto, Santana e padroeira de várias comunidades, inclusive de Santana do Sobrado, distrito relocado do Salto de Sobradinho, às margens do rio São Francisco, quando foi construída a barragem de Sobradinho. Em algumas regiões é também considerada padroeira das fontes e nascentes. Em Santana do Sobrado, nos novenários, a padroeira está vinculada à relocação da comunidade, à dura adaptação às novas condições de vida. A música foi uma solicitação da comunidade.



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